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“Cansei de bichas sujas, vou atrás de xana!”

06/02/2010 - 5:29 pm  -  11 comentários


A frase foi dita por um funcionário da Vodaphone, operadora telefônica inglesa.

ehvoda

Se fosse algo postado num Facebook pessoal da vida, já seria complicado, mas o imbecil soltou a frase nada menos que no TWITTER OFICIAL DA EMPRESA. Com mais de 8000 seguidores, não é se se espantar que na hora um zilhão se manifestasse, questionando se a conta havia sido hackeada. O caso, claro, foi parar na Imprensa.

Rastreio interno mostrou que o culpado foi um funcionário do centro de relacionamento da empresa. O sujeito foi suspenso, mas o estrago estava feito. A Vodafone teve que pedir desculpas individualmente a todo mundo que reclamou, reafirmando que não tem nada contra bichas, sujas ou limpinhas.

O que leva um imbecil a soltar "VodafoneUK is fed up of dirty homo’s and is going after beaver" em uma conta de Twitter oficial, da empresa onde ele trabalha, sabendo que poderá facilmente ser identificado?

Só consigo pensar em imaturidade. É a melhor explicação para vários desses casos. Pode reparar: Todo anúncio para trabalhar em redes sociais pede os seres mais inexperientes e não-qualificados para colocar na ponta, na vitrine, na fachada sendo a CARA da empresa.

HELLO???? Você pode ser o Donald Trump, quem vai falar com o seu consumidor lá no Twitter é o estagiário mais lentinho ou a estagiária mais feinha e/ou sem jogo de cintura. Todo mundo “tem mais o que fazer”. Só que para quem está do lado de lá, isso não conta. Ao mandar um Twitter, um email, um cheiro, está mandando para A EMPRESA DO TRUMP.

Estão percebendo aonde quero chegar? Pois é. Não adianta investir em redes sociais se você trata seu consumidor como estatística de call center, onde o indivíduo não conta, só o número de ligações atendidas/hora. A Vodafone faz um trabalho ótimo, repare como eles interagem com os consumidores pelo Twitter. É pessoal, eles perguntam, respondem, agradecem, se desculpam, brincam, elogiam.

Nas redes sociais só o indivíduo interessa.

Compare com o péssimo trabalho feito pelo Submarino e pela Nokia. Um meio de INTERcomunicação por excelência é usado como uma via de mão-única, quase um spam opt-in.

No Brasil investimento em mídias sociais ainda é pontual e feito com troco de pinga. Quando o mídia da agência não consegue negociar um calhau pra fechar a conta, joga na rubrica “Internet”. Com isso uma parte estratégica da comunicação cai na mão de gente sem experiência, sem verba e SEM RESPONSABILIDADE, dentro e fora da empresa.

As agências sérias (sim, existem) sofrem com isso, pois além de terem que criar campanhas com verbas exíguas (por um lado é excelente, do ponto de vista Darwinista isso filtra profissionais que é uma beleza) essas agências tem que competir com as 3784374 agencietas que surgiram querendo ordenhar o filão “mídias sociais”. Lembram do “logotipo de R$15,00” que praticamente matou o mercado de designers free-lancers sérios? É a mesma coisa.

A diferença é que agora não temos mais a padaria da esquina com uma logo feita de clipart do Corel, temos empresas de ponta colocando a cara na rua em alcance mundial. Isso deveria valer mais que um estagiário.


Gays Tomando Tiro? Eu comemoro!

04/02/2010 - 2:49 pm  -  45 comentários


Ser gay nunca foi muito fácil, e nem falo de antes da invenção do KY,e em 1904. Vide a deplorável situação do grande Alan Turing, exposto como homossexual, tratado de sua DOENÇA, emasculado quimicamente e levado ao suicídio. Ganhar a 2a Guerra não era o suficiente, ele também tinha que cuspir no chão, coçar o saco e passar a mão na bunda da secretária.

De lá para cá só os grupos religiosos mais fanáticos (como o islamismo iraniano ou o cristianismo conservador do Bible Belt americano) consideram gays criaturas abomináveis, condenadas ao Inferno. Claro, todo mundo continua secretamente rejeitando a idéia de ter um filho boiola, mas conheço famílias bem conservadoras que simplesmente aceitaram o fato, e não explodiram a pobre criatura de plumas em milhares de pedaços.

soldiers

Um campo entretanto não mudou quase nada: As Forças Armadas. Aceitar mulheres já foi complicado. Tirando casos onde a sociedade é extremamente equilibrada (como os países nórdicos) ou onde há real necessidade (Israel) mulheres no máximo exercem funções burocráticas. Mesmo os EUA ainda relutam em colocar mulheres na linha de frente.

Gays então, nem atrás. (com trocadilho)

Durante décadas um soldado gay era expulso sem dó nem piedade, com desonra, escorraçado até pelos sujeitos que o comeram achando que isso não os tornaria igualmente gays (não é que pegue, você entendeu). O que não impediu milhares de gays de servirem nas forças armadas americanas, lutando e morrendo do lado de seus irmãos em armas.

Em 1993 o Presidente Clinton (é, o do charuto) instituiu a política “Don´t Ask, Don´t Tell”, (não pergunte, não fale) alterando a legislação que proibia a presença de gays nas forças armadas dos EUA. Com a nova diretriz o sujeito poderia servir sem ter que responder durante o recrutamento se era gay ou não, MAS qualquer declaração de orientação sexual seria punida.

Basicamente um gay poderia ser soldado se não revelasse nunca em momento algum de forma nenhuma que é gay. Do armário para o carro blindado.

A política é tão burra que causou danos irreparáveis, como a expulsão de 59 intérpretes de árabe no Iraque. Não por espionagem, mas por serem… gays. Os sujeitos eram adorados pelos colegas, se colocavam na linha de fogo, lutavam e morriam, mas independente da opinião da grande maioria que servia com eles, RUA!

Cumprindo uma promessa de campanha, Obama está finalmente revertendo isso, e a grande virada (epa!) veio via… Twitter.

O Almirante Mike Mullen, do Estado Maior das Forças Armadas postou dia 2:

donaskdontell

“Permitir que homossexuais sirvam abertamente é a coisa certa a fazer. Questão de integridade”. Isso foi histórico, inclusive pelo uso da ferramenta. (no bom sentido, cacete!)

Os críticos dizem que isso afeta a moral dos combatentes. 100% dos críticos NUNCA serviu em combate, não entende que o elo entre companheiros de trincheira vai muito além de opção sexual. Na Inglaterra soldados GLB coexistem abertamente, e não há sinal de danos à moral.

gay-pride-soldierAlias, que exemplo maior de que orientação sexual não tem efeito negativo em uma moderna força de combate do que as Forças Armadas Israelenses?

Desde 1993 homossexuais são abertamente aceitos nas IDFs (Israeli Defence Forces). Inclusive nas Forças Especiais. Qualquer tipo de discriminação no recrutamento, alocação, e promoção baseado em orientação sexual é proibido por Lei.

Em 2005 a Associação de Gays Lésbicas, Simpatizantes, Transexuais, Transgêneros, Transgênicos e o Diabo a Quatro de Israel foi incluída na lista de entidades filantrópicas para as quais um jovem pode prestar serviço, ao invés do Alistamento Obrigatório.

Não que usem como desculpa para fugir da caserna, o número de gays que se alista é cada vez maior. Dá até para entender. Se eu fosse gay e judeu (junte negro e argentino e temos uma piada pronta) a escolha seria clara: No melhor estilo Bastardos Inglórios COM PRAZER eu me alistaria para defender meu país e meus irmãos coloridos de inimigos declarados como o Irã, que executa publicamente jovens pelo terrível crime de serem gays.

Toda essa movimentação não é proselitismo. Nesse caso gays não querem segurar bandeiras, querem segurar armas. Querem que o país pelo qual estão dispostos a dar a vida lhes dê a liberdade de ser o que são.

Principalmente, e aí é a questão de integridade que o Almirante Mullen cita, deve ser feita JUSTIÇA, pois no modelo atual se um soldado que morreu heroicamente dando sua vida em combate para salvar seus irmãos morre, caso ele seja gay mesmo que tenha um relacionamento estável de anos, seu companheiro não será avisado pelos meios oficiais. Não participará do funeral, não ganhará uma palavra de alento, nem sequer terá direito a pensão, auxílio médico e outros benefícios dados aos outros soldados.

Até porque o coração pode ser rosa, mas o sangue é igualmente vermelho.


A Vênus é Platinada mas não é Midas

26/01/2010 - 12:11 pm  -  33 comentários


Milhares de anos atrás em meu primeiro livro expliquei que a beleza da Internet é que a facilidade de acesso à Informação independe do tamanho de quem está por trás dela. O site da Globo é tão fácil de ser acessado quando meu blogueenho. O que eu não previ é que além desse fator, a penetração e audiência das outras mídias também não seria tão importante para determinar a relevância de uma presença na web.

Saltar de mídia é muito, muito complicado. E não falo só para quem faz, falo para quem consome. As expectativas ficam extremamente viciadas, o consumidor de uma mídia tem uma imagem mental impossível de atender quando o conteúdo que ele consome muda para uma nova mídia.

Embora seja consenso mundial que a trilogia de Senhor dos Anéis foi respeitosa, instigante e épica, os fãs mais inveterados de Tolkien torcem o nariz para ela. Quando forçados a detalhar os motivos do desprazer, caem em justificativas como “O Gollum não é como eu imaginei”, o que convenhamos é impossível de satisfazer.

Você com certeza não se lembra, mas a Rede Globo já lançou várias revistas, relacionadas com seus programas. A mais recente é a Revista do Fantástico. Você já viu alguém comprar? Pois é. O prestígio do programa não é transferível para a mídia impressa.

Agora estão investindo pesado em mídias sociais, não só levando uma twiteira popular (ok, em Zion) e um flogueiro, o tal do Orgastic, mas montando microblogs, criando um site absurdamente completo e bancando até aplicações aplicações em Realidade Aumentada.

Assumindo que estamos falando de um programa com dezenas de milhões de espectadores, assumindo que temos uma inclusão digital invejável junto ao target do Brokeback Big Brother Brasil esse site tem tudo pra cair por excesso de uso, arregimentar milhões de visitas e mesmo valendo a regra do 1% dos visitantes que interagem, ficar lotado de comentários, correto?

Vejamos o Blog da Torcida, especificamente o post Você é simplesmente FANTÁSTICA…. da torcida da tal Lia. Agora repare no número de comentários:

globo1

O post é do dia 21, hoje, 26, são 250 comentários. No blog da torcida, onde os ânimos estão mais agitados, onde os visitantes têm mais oportunidade de deixar suas preferências bem claras. Para dar uma idéia, meu post sobre o Haiti tem 115. E eu não sou exatamente a 4a maior rede de TV do mundo.

Mais acima, dia 22, há o post mais comentado, com 2.432 participações. É um número expressivo, e demonstra que a torcida da tal Morango é de longe a maior, mas… é um número significativo?

Não.

2.000 comentários pode ser grande pra blogueiros comuns, mas há gente com capacidade de mobilização muito maior. E desproporcional. Peguemos o Marcos Mion, que trabalha para um segmento de público específico (12 a 14 anos, com QI abaixo de 30) e na MTV, uma emissora que só existe via assinatura ou Bombril na antena de UHF. Em teoria seu poder de mobilização seria ínfimo, comparado ao da Globo.

Então expliquem como sem nenhum acesso aos recursos globais, ele consegue ter em seu blog posts com 37.025 comentários. E  não, não é fato isolado. Logo abaixo vêm posts com 17 mil e 11 mil comentários.

Você leu certo. Um Marcos Mion mobiliza QUINZE VEZES o que um Big Brother Brasil e toda a máquina de divulgação da Globo conseguem mobilizar.

O Mion é um gênio digital? Não, no máximo é um ás no Twitter (com trocadilho). O segredo, que provavelmente nem ele sabe que descobriu é que mídia complementar não é algo bom para transferir audiência. O William Bonner se tornou uma potência no Twitter por oferecer algo completamente novo. Mesmo criptoesquerdistas que fingem odiar a Globo se renderam, pois o prestígio é usado para o contato inicial, para sabermos quem é esse tal de Bonner. A partir daí, ele mostra uma persona oposta ao que vemos na TV.

Se fosse um Twitter corporativo em nome do Bonner, usado para comentar institucionalmente as notícias do Jornal Nacional,não teria nem 10.000 seguidores.

A Internet é feita de indivíduos que gostam de interagir com indivíduos, isso fica claro até pelo número de seguidores do Twitter oficial do BBB (34.000) versus o do Boninho (147 mil). Redes sociais fazem sucesso quando pessoas percebem outras pessoas por trás delas. O grande erro cometido repetidamente por veículos alienígenas à Internet é acreditar no paradigma Campo dos Sonhos – Se construir, eles virão. Virão puerra nenhuma, só virão se acharem que tem mais alguém por lá. Vide o fiasco da Abril Blogs.

É assim que a banda toca. O Internauta não está preocupado se você é a maior empresa do planeta. Se não for alguém (no sentido de gente, enquanto pessoa, a nível de ser humano) e interagir one-to-one, humanizando o contato o visitante passará, olhará mas não entenderá como uma interação real. De quase 20 milhões de espectadores na TV, sua relevância online será menor do que a do Mion.


Se fosse de papelão o palácio presidencial do Haiti não cairia

23/01/2010 - 7:23 pm  -  38 comentários


Convenhamos, os barracos que a maioria da população vivia, tudo bem, qualquer lobo com boa capacidade pulmonar derrubaria se tivesse esperança de ainda ter sobrado algum porco no Haiti, mas o palácio presidencial? Em um país que se sabia ser sujeito a terremotos?

Veja o estado que ficou o negócio:

palacio2

Sinceramente se forem reconstruir, melhor fazer de papelão. Resiste melhor quando for chacoalhado, e se desabar não machuca ninguém. Hei, podiam até aproveitar as caixas de suprimentos, reciclar é bonito e verde, como as escravas de Órion.

(pausa)

Você deve estar imaginando que a galera politicamente correta está correndo pros comentários me xingando, afinal é algo de extremo mau gosto, insensível, cruel, estou fazendo piada com a tragédia alheia, etc, bla bla bla, correto?

Felizmente nem todo mundo no planeta é uma criatura sem senso de humor que não sabe rir da própria desgraça. O que, diga-se de passagem, é a melhor válvula de escape possível.

Por isso eu admiro gente como Jhonny Narcisse, um rapper haitiano (e você achava seu emprego complicado) que junto com outros membros do D-Clan, seu grupo, construiu uma tenda improvisada usando caixas de mantimentos. De farra batizaram de… Palácio Nacional, igual ao que desabou.

Colabore, faça uma doação para o Comitê Internacional da Cruz Vermelha – Banco: HSBC / Agência: 1276 / CC: 14526-84 / CNPJ: 04359688/0001-51. Você estará ajudando um povo com Senso de Humor. Isso merece respeito.

palacio

 

Fonte: Washington Post


Só desta vez não sou Batman, sou Greg House!

21/01/2010 - 7:26 pm  -  46 comentários


house-md Por incrível que pareça muito antes de James Cameron as pessoas já usavam avatares. Embora no Twitter haja neuróticos acusando quem não usa a própria foto de ser fake ou estar se escondendo no anonimato, pessoas normais gostam da brincadeira. Seja uma imagem que represente o estado de espírito naquele dia, seja um personagem de quadrinhos, ou no meu caso seja um médico fictício que compartilha da mesma visão realista, objetiva e –para as mentes menos evoluídas- ranzinza da vida.

Não se enganem, eu sou bem mais velho que House, e não imito o personagem. Meus amigos sabem disso, tanto que assim que a série se popularizou o que mais ouvi foi gente dizendo que ele era igual a mim. Já no Twitter é o contrário. Acham que eu imito House. Não imito, me identifico.

Isso irrita muita gente, inclusive um mané desesperado por atenção disse hoje que eu deveria ser processado pela Fox (por usar um avatar). Bem, caro mané, para seu deleite, minha ligação com Gregory House foi percebida pelos grandes estúdios. Só que para seu não-tão-grande deleite, eu não estou sendo processado.

Fui convidado pelo Universal Channel para ser o Embaixador Oficial de House no Twitter.

Isso mesmo, periferia! Agora além do meu Twitter normal eu respondo pelo @HouseUniversal.

Teremos uma promoção onde os seguidores poderão ganhar vários prêmios, e eu levarei um troféu de Embaixador, se formos o Twitter mais seguido das séries da casa.

Enquanto o pessoal da Universal não manda mais detalhes, vamos logo começar a brincadeira. Tenho um mimo para sortear entre os primeiros 200 seguidores do perfil @HouseUniversal. Um chaveiro sabre de luz, recém-chegado da Deal Extreme. Esse é por minha conta.

Quanto ao Twitter, prometeram conteúdo exclusivo e outros balangandãs, mas convenhamos, não acho que seja complicado para mim gerar material inédito, original, não-kibado relacionado a House. Não é difícil, difícil é ser Lupus.


Considerações sobre o tal Ponto de Sarcasmo

19/01/2010 - 3:54 pm  -  21 comentários


Semana passada as interwebs ficaram cheias de artigos falando sobre o tal Ponto de Sarcasmo, que seria usado em textos para indicar a real intenção do autor. O assunto rendeu até posts no MeioBit, e vários leitores me mandaram links pedindo encarecidamente que eu comentasse.

Pensei em diversas abordagens, imagens envolvendo House e a clássica cena do Detector de Sarcasmo, d´Os Simpsons.

Pensei em estruturar um texto extremamente sarcástico, elogiando como a última maravilha do mundo.

Pensei em um texto onde atacaria a invenção dizendo que as pessoas não precisam disso, que seria chamar o leitor de burro, que qualquer pessoa percebe sarcasmo, etc.

Pensei em um texto sério, dizendo que não daria certo pois mesmo com TAGS <IRONIA></IRONIA> não consegui escapar de salsas abestadas que não entenderam este post.

No final, acabei desistindo.

Seria fácil demais.


Formato é tudo na vida

18/01/2010 - 3:01 pm  -  18 comentários


Dentro do balaio “série de TV” há vários formatos diferentes. Alguns seguindo fórmulas rígidas, outros mais soltos. Um episódio D´Os Simpsons é composto de uma historinha introdutória que se resolve no 1o bloco, montando o palco para a história principal. É o arcabouço básico da série.

Já House quase sempre usa a fórmula de iniciar mostrando o paciente tendo o “ataque”, com a jogadinha de montar a situação para sugerir que um personagem é o paciente da semana, para então revelar que é outro, geralmente que está ao lado.

Scrubs tem tinha um dos melhores textos da TV. Experimente narrar seu dia-a-dia no estilo do JD. É quase impossível fazer aquilo em tempo real. É uma série que tem um formato muito próximo de sitcom, mas não tem a trilha de risadas típica.

Por falar em trilha de risadas, esse negócio odiado por todo mundo que se acha intelectual demais para gostar de sitcoms, fica a dica: Ela não existe isolada. Comédia é TIMING, e o texto das sitcoms é intimamente interligado com a trilha de risadas.

Peguemos o exemplo de Big Bang Theory, uma série que faz MUITO sucesso e unanimamente entre quem entende as piadas, muito engraçada. Vejam uma cena SEM a trilha de risadas:

 

Viu como faz falta?

Não quer dizer que a trilha torne as piadas engraçadas, quer dizer que ambas precisam existir para que as piadas engraçadas funcionem. Trilha de risadas com piada ruim continua gerando sitcom ruim.

Portanto o que para algumas pessoas é um incômodo desnecessário, na verdade é um recurso do formato sitcom. O texto é escrito pensando na trilha, a direção é feita pensando na trilha, a edição é feita pensando na trilha. Remover as risadas significaria uma alteração profunda no ritmo do programa, e tornaria sua gravação com platéia impossível.

Tá, mas Yukiko?

Quando vejo gente falando das chamadas “mídias sociais” se dizendo especialista fico imaginando a bagagem que tal especialista deve ter, pois não só precisa entender as mídias como saber gerar conteúdo para cada uma delas, respeitando as limitações e explorando os pontos fortes de cada uma. Sim, escrever em blog é completamente diferente de escrever em Twitter, e é completamente diferente de escrever para podcast.

E não, não aceito especialista de mídia social sem uma presença forte em mídias sociais.

Em publicidade redatores acabam se tornando especialistas generalizados, profissionais de criação capazes de escrever para os mais variados formatos. Em jornalista embora teoricamente o sujeito esteja atrelado a um veículo, os frilas, oficiais ou não fazem com que ele escreva para veículos diversos.

Já nos blogs nós nos acomodamos. Montamos nosso modelo de post (não se engane, a maioria dos meus posts segue a mesma linha) e nos prendemos a ele. Mesmo blogs de variedades caem nos modelos pré-definidos. Com isso perdemos (ou nem ganhamos, se já começamos com blogs) a flexibilidade, a versatilidade de um bom profissional de criação. Isso é muito, muito ruim.

Quem pretende escrever profissionalmente não pode se dar ao luxo de se prender a um modelo, uma fórmula. Exceto se você for o Dan Brown. Por isso recomendo: Diversifique. Escreva textos fora do normal do seu blog. Vale até escrever um podcast só para mudar de ares. Experimente com crônica, reportagem, sátira, frases de feito, diálogos.

Do contrário quando precisar irá descobrir que se tornou blogueiro de uma nota só.


Haiti, Terra Amaldiçoada por Deus

13/01/2010 - 10:02 pm  -  122 comentários


Ontem fiz um post no CarlosCardoso.com sobre o Haiti. Rendeu um esporro do Dudu Tomaselli, muito bem-dado (sobre SEO, calma) e um monte de gente me xingando e ameaçando minha família, diante de tanta insensibilidade diante de um momento de dor. Compreendo, afinal nada mais justo do que se revoltarem contra meu desprezo à sua preocupação com um lugar que dois dias antes nem sabiam que existia. A imagem revoltante foi esta:

terremotohaiti

Eu sei, eu dou murro em ponta de faca, achar que a maioria iria perceber a crítica social, como fez o Bobagento, era querer demais. Só que o mais irritante é que enquanto críticas disfarçadas de piadas, ou mesmo piadas legítimas como quando disse que o Michael J. Fox estava em Porto Príncipe mas “não sentiu nada” são atacadas com uma fúria insana, quase atribuindo aos humorista a culpa pelo acidente, outros passam impunes.

Como o Reverendo Pat Robertson, um dos maiores tele-evangelistas americanos, ao dizer a seguinte boçalidade:

“Algo aconteceu muito tempo atrás no Haiti, e as pessoas não gostam de falar sobre isso. Eles estavam sob domínio francês. Você sabe, Napoleão III, ou algo assim. Eles se juntaram e fizeram um pacto com o demônio. Eles disseram: Nós vamos servir você se você nos livrar dos franceses. –história verdadeira- Então o demônio disse: OK, temos um trato.

Desde então eles tem sido amaldiçoados por uma coisa atrás da outra”

Não, não estou inventando. Veja o vídeo:

 

Na cabeça de um monte de gente que me xinga Pat Robertson no máximo “se equivocou”, afinal é um “homem de Deus”, um “Cristão”, e não deve ser levado ao pé da letra.

Sinceramente eu prefiro viver em um mundo cheio de FDPs como eu que fazem piadas impróprias, do que em um mundo onde Líderes Religiosos Respeitados como Pat Robertson falam sério.

Infelizmente não posso escolher.


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