
Por anos fui fiel ao Palm. Por anos vivi com suas limitações, amando sua simplicidade. Vi o Império perceber a pequena e rebelde Palm. Achou que seria apenas mais um incômodo, como foi a Go, e pouco fez.
Com o espaço dado, a Palm cresceu. Surgiram simpatizantes em vários mundos distantes, como A Sony, e gente pouco familiar com os ideais originais, mas disposta a contribuir e, pq não, lucrar com a tendência, como a Handspring.
Infelizmente, o que foi um ideal belo e puro como a Bruna aos poucos cedeu aos caprichos de uma liderança que, se não corrupta, com certeza acomodada em seus louros. Promessas de futuros brilhantes eram repetidas ad nauseum para uma audiência cada vez mais cética. Inovação? Novidade? Só dos simpatizantes. O Grande Conselho da Palm só produzia releases elogiando a própria grandeza. Alta Resolução? Cor? Cartões de memória? Tudo veio de fora, quase contrabandeado.
Os erros continuavam, não eram corrigidos nunca. Um dia resolveram que tudo seria resolvido no Cobalt. Tal qual Godot e o SuperHomem, chegaria para nos ajudar e mudar nossas vidas. A Bia acreditou piamente na história. Mesmo tendo um histórico de acreditar demais e confiar em promessas distantes, é um pouco demais. O Cobalt foi dado por ela como certo em Setembro. De 2003.
Enquanto a República Palm aos poucos se desfazia, com deserções de peso como a Sony, o Império, com a velocidade e calma dos gigantes, via que algo acontecia. Usando seus infindáveis recursos, exterminaram seu patinho feio, o Windows CE, eescrevendo do zero uma nova e melhorada versão de seu hoje estável ambiente Windows, para dispositivos portáveis.
O Pocket PC surgiu como algo respeitável de nascença. Cumprindo a profecia, trouxe equilíbrio à Força. O Palm agora tinha um adversário à altura.
Só que o Pocket PC não se considerava predestinado. Sempre lutou e aprimorou seus poderes e habilidades. Enquanto o Palm se entendia como Guardião da Verdade e da Justiça, o Windows lutava contra uma imagem de Ser Maligno. Tudo nele era errado por natureza, seus menores deslizes eram apontados por dedos cruéis. Os pecados do Palm, perdoados. Os erros de aprendizado do Pocket, prova de sua inabilidade.
Isso resultou em um sistema amargo, sisudo e muito, muito poderoso. Se não é o mais querido, será o melhor. Estudou o adversário, igualou-o onde era inexistente, superou-o onde era apenas inferior.
Agora o Palm se refugia num Pântano qualquer, enquanto o Windows domina o mercado. Já é o número 1 em vendas. é o número 1 em todo o resto. Não se pede favores ao Windows. Do. Or do not. There’s no try.
Eu cansei. Como já disse mais de uma vez, minha paciência não é de monge. Quero ver evolução, quero ver crescer. Não quero estagnação, e o que o Palm fez foi… nada. Vou crescer, vou mudar, vou melhorar, Cobalt vem aí. Ora bolas, agora juram que ele virá. EM 2007.
Quero agora. Quero já. Não vou esperar MAIS dois anos para fazer algo que um Pocket fazia em 2001.
Hoje meu celular N-Gage de R$499 ,00 é mais versátil que meu T3. Symbian, se funcionasse com touchscreen, seria 10x melhor que qualquer PalmOS.
Eu desisti. Não vou mais esperar. Comprei um Axim x30. Tem Bluetooth, Wifi, cartão SD/MMC, bateria removível, infravermelho e toneladas de features que meu T3, seu pretenso equivalente, nem sonha em ter. Adquiri-o da Bia Kunze, outrora defensora ferrenha do Palm, desiludida com promessas vãs como eu. Aos que me acusarem de ter sido seduzido pelo Lado Negro através do belo súcubo de Curitiba, digo que não, não fui. Considero a Bia bem mais que uma consultora para Pockets e beta tester de programas. E se ela resolver me seduzir, com certeza conseguirá. Só espero que não com o intuito de me fazer mudar de Palm. Amo a ambição da Bia, e ela só me decepcionaria, pensando pequeno assim.
Os mitos caem como folhas de outono, quando começamos a usar um Pocket PC moderno. Desde a pretensa falta de aplicativos, até a “dificuldade” de HotSync.
No caso, não é difícil. é impossível, pois não existe o conceito. Espetou no berço? Ele está atualizado. Simples, sem preocupação. O Outlook aqui do trabalho se mostrou amigo de longa data dele. A instalação de programas pode ser feita de 3 ou 4 maneiras diferentes, a mais prática é simplesmente… rodar um install no Windows do PC. O resto, ele se vira.
As aplicações são estáveis, sólidas e bem-feitas. O desenvolvimento pode ser via Visual Studio, .Net ou uma penca de outras opções. Os jogos são impressionantes, bem como a reprodução de mídia.
Nada mais de conversores estranhos, como os players de Palm. Usa-se Media Player, com direito a reproduzir .ASF e .WMV.
Outro dia testei algo que no Palm ainda é ficção: Usei uma rede WiFi para acessar a Net; conectei com o Skype e falei, via fone Bluetooth. Sim, meus caros descrentes… SKYPE, VOZ, num PDA.
Eu quero a produtividade e estabilidade de meu PDA a meu serviço, não o contrário. Não quero posar de rebelde, brigando com o gigante apenas porque o acho feio. Segredo? Não o acho. HOJE é um Império bem organizado, bem gerenciado, com gente competente conduzindo com mão de ferro projetos importantes.
Não quero mais saber de certezas absolutas. Já tive muitas. Me foram tiradas sem a menor cerimônia. Passei algum tempo até perceber que não precisava delas, nem era verdadeiramente feliz. Não quero a complascência acomodação da Palm. Quero meu emprego de Sith, defensor da minha própria causa, por enquanto compatível com os objetivos do Império. Caçar rebeldes, destruir foras-da-lei é muito mais divertido do que me esconder em cavernas traçando planos infalíveis.
2007? Faça-me o favor, dona Palm. 2007? Em um mercado onde tudo muda em menos de seis meses, vocês prometem algo atrasado desde 2003 para 2007 e sua maior realização em 2005 foi mudar de nome e logotipo???
Adeus Palm. Foi bom enquanto durou. Quero coisa melhor na minha vida. Mereço respeito. Se você não pode me prover isso, sai da fila, tem gente que pode. Recebo o Lado Negro de braços abertos. Com ele tenho muito mais liberdade do que restrito pelas correntes pseudo-éticas do Lado Bom, que só existem para justificar a própria incompetência.
Não preciso me justificar. Não quero que nada nem ninguém seja responsável pelos meus erros. São meus, só meus. Fora com as teorias conspiratórias e conjunturais. Só assim posso andar de pé e me orgulhar de meus acertos. Espero sinceramente, um dia, poder postar aqui e em todo canto o que fiz de correto, e o que acertei, também. Afinal, não é todo ano que se faz DOIS grandes upgrades na própria vida. O mais complicado foi o Palm, o mais gratificante está por vir.