Leitura Obrigatória para Focas e afins

Estava passeando pelos feeds do Pérolas das Assessorias de Imprensa, um blog que varia entre uma excelente leitura e um chatérrimo balcão de empregos, mas consegue pontos o suficiente para permanecer nos meus feeds, por publicar posts como este, indicando o artigo de Júlio Borges no Digestivo Cultural

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, “Por que os blogs de jornalistas não funcionam“.

Ele destrincha a mente dos jornalistas tradicionais de forma excelente, alertando para o perigo que os estudantes correm, se forem muito na onda dos professores. Todo estudante de jornalismo (você também, Gustavo!) deveria levar uma cópia impressa desse texto na carteira, e lê-lo uma vez ao dia, só por segurança.

Só como amostra, um trecho que bate direitinho com o que eu falo por aqui:

Jornalistas não estão acostumados a ter leitores
O grande problema para os jornalistas é que, na internet, os leitores estão presentes em carne e osso. “Quem colocou eles lá? Eles estão atrapalhando! (…) Para os jornalistas, os internautas são uma pedra no sapato. Ainda mais agora, que alguém disse, lá nos Estados Unidos, que “blogs são conversações”!

Então? Não perca seu tempo, corra para o Digestivo e leia o resto da matéria, os estudantes vão aprender o que não fazer e os blogueiros vão entender o motivo da blogosfera ser ignorada e/ou mal-entendida pelos figurões (e figurinhas) da mídia.

Nada melhor do que ser íntimo de seu blogueiro

indimidade.jpgA vantagem mais indiscutível dos blogs e outras dessas novas mídias é a intimidade. Ao contrário dos meios tradicionais e dos relacionamentos problemáticos, os blogs possibilitam um real contato entre as partes. O blog é um pedestal muito baixo, excelente para quem tem medo de altura ou ego bem resolvido. Seu blogueiro preferido está a um email, um comentário de distância.Um livro, um filme, geram essa sensação de intimidade, mas o autor não recebe esse retorno de imediato. Muitas vezes nem recebe.

Nas mídias escritas, o retorno então é totalmente mascarado pela estrutura. Só os poucos colunistas podem usar a primeira pessoa. Nos blogs a sensação é diferente, pois os textos em geral são cheios das referências que formam suas origens. Muitas vezes leitores são pegos de surpresa com textos inteiros baseados em seus comentários. No blog um leitor pode fazer diferença.

Por outro lado o autor tem a liberdade de ser pessoal. Já vi blogs técnicos sérios e prestigiados onde o autor fez posts completamente fora do tema, puramente pessoais. Na blogosfera temos vários casos de blogs onde o autor pausa para um texto atípico, geralmente um desabafo. Nós leitores entendemos e nos solidarizamos.

Gostamos e nos preocupamos com nossos autores. É diferente do blog-terapia ou do blog “sou sensível pra pegar mulher”. Não estou falando de blogs-depressão, falo de gente funcional, que acompanhamos sem o prazer mórdibo dos blogs “nada dá certo na minha vida”.

Você não pode fazer isso em um livro técnico.

Esse tipo de intimidade acontece muito na rádio AM, mas não com a televisão. Acho que a imagem intimida. Seria interessante acompanhar, em alguns anos, os vídeocasts. Será que terão a mesma aproximação com os espectadores que os blogs e podcasts? Ou a imagem será igualmente intimidante?

Nos blogs essa reação independe do tamanho. O leitor está sozinho em frente a uma tela. Interagindo. Não importa se um milhão de pessoas estão fazendo o mesmo. Ele não tem essa percepção.

Qual o efeito dessa horizontalização? Bem, para o autor que busca “reconhecimento” é terrível, pois o torna “apenas um blogueiro”, próximo demais dos leitores para ser visto, ao menos por seus próprios olhos, como um iluminado artesão das palavras. Ninguém fez ainda Coquetel de Lançamento de Blog, ao menos não de blog pessoal. Quando o blogueiro é convidado para participar de uma mídia “de verdade” isso vira um acontecimento, em geral domina o blog por semanas e se torna assunto de 1/3 dos posts, no período subseqüente. Afinal, ele em uma mídia “de verdade” foi legitimizado. Pode, finalmente, olhar seus leitores por trás de um microfone ou uma câmera de verdade. Não uma webcam.

Curiosamente os profissionais da mídia tradicional estão migrando para os blogs, em busca da liberdade, informalidade e intimidade que muitos blogueiros se ressentem. A esses profissionais, parabéns, divirtam-se com os blogs, vocês vão adorar.

Aos blogueiros, minha dica: aproveitem a intimidade, conheçam seus leitores, biblicamente, se possível (e forem leitoras, no meu caso). Ninguém vai te achar mais ou menos talentoso por montar uma fortaleza e se esconder dentro, J.D. Salinger e Rubem Fonseca são bichos-do-mato, mas na hora de chamar para um chopp, o João Ubaldo Ribeiro é sempre o primeiro a ser lembrado. Você não ganha absolutamente nada se fazendo de estrela. Nem uma entrada na Wikipedia.


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A Cicarelli que fazer comigo o que fez com o namorado

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A Bruna me passou um link assustador, segundo a Folha de S. Paulo (sorry, só para assinantes) “Cicarelli vai processar quem divulgou vídeo e paparazzo”. Assustador, não porque eu tenha medo de processo, meu nome começa com a letra C, então até chegar minha vez já estarei em minha residência de verão, nas Colônias de Marte. Sem contar que o Terra divulgou a sequência de fotos completa, ele é o filé mignon.

O que me assusta é que ela não consegue entender que perdeu. Deixe, já era. Deu mole. Sorte de quem viu. Ponto final. São se pode exigir privacidade em um local público. Quem não se lembra, quando o Chico Buarque do alto de sua ingenuidade ficou aos beijos e abraços, na praia, no Rio, com uma dona casada? E depois iniciou uma campanha de controle de danos ligando para jornalistas pedindo para abafarem? Foi capa da Contigo. Angélica, fazendo topless no exterior, fotografada, capa, ficou por isso mesmo.

Ameaçar processar a Internet é a atitude mais burra que ela pode ter, ainda mais agora, que está surgindo um movimento (valeu pelo link, Marcus) organizado pela Denise Arcoverde, de apoio à Daniella Cicarelli, contra a cambada de trogloditos e trogloditas que confunde mulher que gosta de sexo com vagabunda. Eu ia escrever um enorme texto de apoio, mas agora vou ser menos enfático, afinal ao colocar todo mundo no mesmo balaio, eu entrei na dança.

apoiodaniela.jpgMesmo assim, Daniella, eu te apóio, não na sua atitude burra de querer processar a Internet, mas na sua atitude de mulher, de se excitar com um bom amasso e ir aos finalmentes, sem charminho, docinho e nãããão tão comum às meninas frescas. Você é daquelas que não seguram pinto com dois dedos fazendo cara de nojo, e por isso tem o meu respeito.

Já essa idéia idiota de querer processar quem divulgou um vídeo que passou na televisão na Espanha, não preciso nem consultar meu advogado, Atticus Finch, para saber que você não tem chance. Nenhuma. Zero, zica, nein, nyet. Nada. E, se chegar uma intimação na minha porta, prometo que serei o Larry Flynt brasileiro e comparecerei diante do juiz vestindo uma sunga, enchimento e algas penduradas.

Afinal, se você não entende a Internet, não pode querer que a Internet entenda você.


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A profissão preferida da blogosfera: Cafetão da Daniela Cicarelli

cicca.jpgA blogosfera está em polvorosa, o tal vídeo da Daniella Cicarelli está sendo continuamente subido para o YouTube, portube, whatevertube, rapidhsare e zilhões de outros serviços. Milhões de brasileiros estão sendo expostos ao pior texto melodramático da Internet, Sílvio Santos faturará milhões com o renovado interesse pelas novelas da Televisa.

Sério, “vão para a água. Será que ela aplacará o calor de seus corpos?” ou “los sentidos se excitam…” POUPE-ME. Ver a Cicarelli fazendo sacanagem é excelente, mas não quero ficar rindo durante.

O vídeo, em si, é muito bem editado (bem demais, ainda estou em dúvida se é ela mesma, apesar do Judão já ter dado (novidade!) que a MTV a está apoiando e a assesoria da apresentadora não vai se manifestar. Quem cala…

Esse primeiro vídeo-escândalo nacional despertou vários fenômenos, alguns previsíveis outros não. O primeiro, infelizmente era óbvio: O show de moralismo latino. O que não falta são comentários chamando a mulher de vagabunda, safada, etc. Pombas, o quê, exatamente ela fez demais? Deu pro namorado em uma praia discreta. Então agora ela tem que se precaver, procurando câmeras ocultas, espiões, satélites e UAVs, antes de transar com alguém?

Ela é safada? SIM, com certeza, e que ótimo. Se ela não for o namorado vai se enjoar, e procurará pastagens mais verdes. Sem tesão não há solução, já dizia a nora da Bárbara Paz. Ela deu mole? Sim, mas não fez mais do que uma mulher saudável na idade dela deveria estar fazendo. Quem tem problemas é quem considera isso comportamento imoral.

A maioria da população brasileira tem problemas. Vide as reações a este vídeo e ao video da Babá Tarada, que cometeu o pecado de afirmar que se masturbava ouvindo Roberto Carlos. Uma mulher da idade dela não pode gostar de sexo, muito menos usar essas técnicas não-convencionais. Ou melhor, pode, mas não em público. Como a Ciarelli, que embora jovem, bonita, carinhosa e fazendo um homem gemer sem sentir dor, espanta uma nação inteira ao ser comprovado que ela gosta de séquiço, como diz o Morroida.

A Cafetinagem de La Cicca
Um monte de blogs está publicando matérias sobre o tal vídeo, Alguns como o Excelente Treta, montou até uma tag de “pega-trouxas”, para atrair visitantes via Google.

Quando fiz o post sobre a Questão Fundamental do Vídeo da Cicarelli, sequer coloquei link para o mesmo, meu objetivo era apenas perguntar quando o kibeloco iria subir o vídeo com seu logo. Tomei um susto ao ver mais de 4000 visitas em um único post, e que estava em terceiro lugar no Google na pesquisa por “video da cicarelli“. Sem SEO, validações XHTML, etc.

Quando os portais entraram no samba também, percebi que (compreensivelmente) todo mundo queria tirar uma casquinha da Dani. Mesmo sites tradicionalmente sérios como o BlueBus não só noticiaram o acontecimento como colocaram links para o vídeo. A questão pseudo-ética é: Devemos comentar do tal vídeo, sabendo que isso vai gerar muitos e muitos hits em nossos blogs, ou devemos manter uma atitude distante, visto que é uma exploração clara de um acontecimento menor, e que mesmo tendo algo relevante a dizer, seria ofuscado pela enorme quantidade de ruido na blogosfera envolvendo o assunto?

Poste. Escreva. Use, abuse da Cicarelli, aproveite cada casquinha que puder tirar. É uma oportunidade para trazer mais gente para seu blog, solte sua criatividade, mostre que você consegue escrever algo interessante e original sobre um assunto pra lá de comentado. Esse é o grande desafio de um escritor.

Ou, se não conseguir fazer isso, escreva um texto explicando porquê outros devem fazê-lo ;)


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