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Leitura Obrigatória para Focas e afins

28/09/2006 - 7:36 pm  -  3 comentários


Estava passeando pelos feeds do Pérolas das Assessorias de Imprensa, um blog que varia entre uma excelente leitura e um chatérrimo balcão de empregos, mas consegue pontos o suficiente para permanecer nos meus feeds, por publicar posts como este, indicando o artigo de Júlio Borges no Digestivo Cultural

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, “Por que os blogs de jornalistas não funcionam“.

Ele destrincha a mente dos jornalistas tradicionais de forma excelente, alertando para o perigo que os estudantes correm, se forem muito na onda dos professores. Todo estudante de jornalismo (você também, Gustavo!) deveria levar uma cópia impressa desse texto na carteira, e lê-lo uma vez ao dia, só por segurança.

Só como amostra, um trecho que bate direitinho com o que eu falo por aqui:

Jornalistas não estão acostumados a ter leitores
O grande problema para os jornalistas é que, na internet, os leitores estão presentes em carne e osso. “Quem colocou eles lá? Eles estão atrapalhando! (…) Para os jornalistas, os internautas são uma pedra no sapato. Ainda mais agora, que alguém disse, lá nos Estados Unidos, que “blogs são conversações”!

Então? Não perca seu tempo, corra para o Digestivo e leia o resto da matéria, os estudantes vão aprender o que não fazer e os blogueiros vão entender o motivo da blogosfera ser ignorada e/ou mal-entendida pelos figurões (e figurinhas) da mídia.


Nada melhor do que ser íntimo de seu blogueiro

25/09/2006 - 5:38 am  -  14 comentários


indimidade.jpgA vantagem mais indiscutível dos blogs e outras dessas novas mídias é a intimidade. Ao contrário dos meios tradicionais e dos relacionamentos problemáticos, os blogs possibilitam um real contato entre as partes. O blog é um pedestal muito baixo, excelente para quem tem medo de altura ou ego bem resolvido. Seu blogueiro preferido está a um email, um comentário de distância.Um livro, um filme, geram essa sensação de intimidade, mas o autor não recebe esse retorno de imediato. Muitas vezes nem recebe.

Nas mídias escritas, o retorno então é totalmente mascarado pela estrutura. Só os poucos colunistas podem usar a primeira pessoa. Nos blogs a sensação é diferente, pois os textos em geral são cheios das referências que formam suas origens. Muitas vezes leitores são pegos de surpresa com textos inteiros baseados em seus comentários. No blog um leitor pode fazer diferença.

Por outro lado o autor tem a liberdade de ser pessoal. Já vi blogs técnicos sérios e prestigiados onde o autor fez posts completamente fora do tema, puramente pessoais. Na blogosfera temos vários casos de blogs onde o autor pausa para um texto atípico, geralmente um desabafo. Nós leitores entendemos e nos solidarizamos.

Gostamos e nos preocupamos com nossos autores. É diferente do blog-terapia ou do blog “sou sensível pra pegar mulher”. Não estou falando de blogs-depressão, falo de gente funcional, que acompanhamos sem o prazer mórdibo dos blogs “nada dá certo na minha vida”.

Você não pode fazer isso em um livro técnico.

Esse tipo de intimidade acontece muito na rádio AM, mas não com a televisão. Acho que a imagem intimida. Seria interessante acompanhar, em alguns anos, os vídeocasts. Será que terão a mesma aproximação com os espectadores que os blogs e podcasts? Ou a imagem será igualmente intimidante?

Nos blogs essa reação independe do tamanho. O leitor está sozinho em frente a uma tela. Interagindo. Não importa se um milhão de pessoas estão fazendo o mesmo. Ele não tem essa percepção.

Qual o efeito dessa horizontalização? Bem, para o autor que busca “reconhecimento” é terrível, pois o torna “apenas um blogueiro”, próximo demais dos leitores para ser visto, ao menos por seus próprios olhos, como um iluminado artesão das palavras. Ninguém fez ainda Coquetel de Lançamento de Blog, ao menos não de blog pessoal. Quando o blogueiro é convidado para participar de uma mídia “de verdade” isso vira um acontecimento, em geral domina o blog por semanas e se torna assunto de 1/3 dos posts, no período subseqüente. Afinal, ele em uma mídia “de verdade” foi legitimizado. Pode, finalmente, olhar seus leitores por trás de um microfone ou uma câmera de verdade. Não uma webcam.

Curiosamente os profissionais da mídia tradicional estão migrando para os blogs, em busca da liberdade, informalidade e intimidade que muitos blogueiros se ressentem. A esses profissionais, parabéns, divirtam-se com os blogs, vocês vão adorar.

Aos blogueiros, minha dica: aproveitem a intimidade, conheçam seus leitores, biblicamente, se possível (e forem leitoras, no meu caso). Ninguém vai te achar mais ou menos talentoso por montar uma fortaleza e se esconder dentro, J.D. Salinger e Rubem Fonseca são bichos-do-mato, mas na hora de chamar para um chopp, o João Ubaldo Ribeiro é sempre o primeiro a ser lembrado. Você não ganha absolutamente nada se fazendo de estrela. Nem uma entrada na Wikipedia.


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A Cicarelli que fazer comigo o que fez com o namorado

21/09/2006 - 2:02 pm  -  25 comentários


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A Bruna me passou um link assustador, segundo a Folha de S. Paulo (sorry, só para assinantes) “Cicarelli vai processar quem divulgou vídeo e paparazzo”. Assustador, não porque eu tenha medo de processo, meu nome começa com a letra C, então até chegar minha vez já estarei em minha residência de verão, nas Colônias de Marte. Sem contar que o Terra divulgou a sequência de fotos completa, ele é o filé mignon.

O que me assusta é que ela não consegue entender que perdeu. Deixe, já era. Deu mole. Sorte de quem viu. Ponto final. São se pode exigir privacidade em um local público. Quem não se lembra, quando o Chico Buarque do alto de sua ingenuidade ficou aos beijos e abraços, na praia, no Rio, com uma dona casada? E depois iniciou uma campanha de controle de danos ligando para jornalistas pedindo para abafarem? Foi capa da Contigo. Angélica, fazendo topless no exterior, fotografada, capa, ficou por isso mesmo.

Ameaçar processar a Internet é a atitude mais burra que ela pode ter, ainda mais agora, que está surgindo um movimento (valeu pelo link, Marcus) organizado pela Denise Arcoverde, de apoio à Daniella Cicarelli, contra a cambada de trogloditos e trogloditas que confunde mulher que gosta de sexo com vagabunda. Eu ia escrever um enorme texto de apoio, mas agora vou ser menos enfático, afinal ao colocar todo mundo no mesmo balaio, eu entrei na dança.

apoiodaniela.jpgMesmo assim, Daniella, eu te apóio, não na sua atitude burra de querer processar a Internet, mas na sua atitude de mulher, de se excitar com um bom amasso e ir aos finalmentes, sem charminho, docinho e nãããão tão comum às meninas frescas. Você é daquelas que não seguram pinto com dois dedos fazendo cara de nojo, e por isso tem o meu respeito.

Já essa idéia idiota de querer processar quem divulgou um vídeo que passou na televisão na Espanha, não preciso nem consultar meu advogado, Atticus Finch, para saber que você não tem chance. Nenhuma. Zero, zica, nein, nyet. Nada. E, se chegar uma intimação na minha porta, prometo que serei o Larry Flynt brasileiro e comparecerei diante do juiz vestindo uma sunga, enchimento e algas penduradas.

Afinal, se você não entende a Internet, não pode querer que a Internet entenda você.


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A profissão preferida da blogosfera: Cafetão da Daniela Cicarelli

20/09/2006 - 1:10 pm  -  27 comentários


cicca.jpgA blogosfera está em polvorosa, o tal vídeo da Daniella Cicarelli está sendo continuamente subido para o YouTube, portube, whatevertube, rapidhsare e zilhões de outros serviços. Milhões de brasileiros estão sendo expostos ao pior texto melodramático da Internet, Sílvio Santos faturará milhões com o renovado interesse pelas novelas da Televisa.

Sério, “vão para a água. Será que ela aplacará o calor de seus corpos?” ou “los sentidos se excitam…” POUPE-ME. Ver a Cicarelli fazendo sacanagem é excelente, mas não quero ficar rindo durante.

O vídeo, em si, é muito bem editado (bem demais, ainda estou em dúvida se é ela mesma, apesar do Judão já ter dado (novidade!) que a MTV a está apoiando e a assesoria da apresentadora não vai se manifestar. Quem cala…

Esse primeiro vídeo-escândalo nacional despertou vários fenômenos, alguns previsíveis outros não. O primeiro, infelizmente era óbvio: O show de moralismo latino. O que não falta são comentários chamando a mulher de vagabunda, safada, etc. Pombas, o quê, exatamente ela fez demais? Deu pro namorado em uma praia discreta. Então agora ela tem que se precaver, procurando câmeras ocultas, espiões, satélites e UAVs, antes de transar com alguém?

Ela é safada? SIM, com certeza, e que ótimo. Se ela não for o namorado vai se enjoar, e procurará pastagens mais verdes. Sem tesão não há solução, já dizia a nora da Bárbara Paz. Ela deu mole? Sim, mas não fez mais do que uma mulher saudável na idade dela deveria estar fazendo. Quem tem problemas é quem considera isso comportamento imoral.

A maioria da população brasileira tem problemas. Vide as reações a este vídeo e ao video da Babá Tarada, que cometeu o pecado de afirmar que se masturbava ouvindo Roberto Carlos. Uma mulher da idade dela não pode gostar de sexo, muito menos usar essas técnicas não-convencionais. Ou melhor, pode, mas não em público. Como a Ciarelli, que embora jovem, bonita, carinhosa e fazendo um homem gemer sem sentir dor, espanta uma nação inteira ao ser comprovado que ela gosta de séquiço, como diz o Morroida.

A Cafetinagem de La Cicca
Um monte de blogs está publicando matérias sobre o tal vídeo, Alguns como o Excelente Treta, montou até uma tag de “pega-trouxas”, para atrair visitantes via Google.

Quando fiz o post sobre a Questão Fundamental do Vídeo da Cicarelli, sequer coloquei link para o mesmo, meu objetivo era apenas perguntar quando o kibeloco iria subir o vídeo com seu logo. Tomei um susto ao ver mais de 4000 visitas em um único post, e que estava em terceiro lugar no Google na pesquisa por “video da cicarelli“. Sem SEO, validações XHTML, etc.

Quando os portais entraram no samba também, percebi que (compreensivelmente) todo mundo queria tirar uma casquinha da Dani. Mesmo sites tradicionalmente sérios como o BlueBus não só noticiaram o acontecimento como colocaram links para o vídeo. A questão pseudo-ética é: Devemos comentar do tal vídeo, sabendo que isso vai gerar muitos e muitos hits em nossos blogs, ou devemos manter uma atitude distante, visto que é uma exploração clara de um acontecimento menor, e que mesmo tendo algo relevante a dizer, seria ofuscado pela enorme quantidade de ruido na blogosfera envolvendo o assunto?

Poste. Escreva. Use, abuse da Cicarelli, aproveite cada casquinha que puder tirar. É uma oportunidade para trazer mais gente para seu blog, solte sua criatividade, mostre que você consegue escrever algo interessante e original sobre um assunto pra lá de comentado. Esse é o grande desafio de um escritor.

Ou, se não conseguir fazer isso, escreva um texto explicando porquê outros devem fazê-lo ;)


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"Upar" é perfeito se você é uma cavalgadura

19/09/2006 - 8:59 pm  -  3 comentários


Este gentleman, este poço de diplomacia, compreensão e caridade cristã que vos fala perdeu a linha. Lendo um post no blog da Beatriz Kunze, vi um sujeito reclamando da tal entrevista sobre Software Livre no Jô Soares. Uma hora o sujeito diz que “upou” a entrevista para um servidor.

Perguntei se “upar”, em língua de gente era subir.

“upa” para mim é como se fala com cavalos. Juca Chaves tinha uma modinha assim. “Upa upa upa cavalinho sem medo, leva pra Brasília o Presidente Figueiredo…”.

Já expliquei aqui que não tenho nada contra neologismos. Eles são essenciais para a evolução da língua. Só que como qualquer biólogo sabe, evolução significa aquisição de novas capacidades, uma característica não desaparece, da noite para o dia, dando lugar a uma outra.

Em línguas ocorre o mesmo. Sutiã não nasceu sutiã, antigamente era soutien. Calcinha não nasceu calcinha, conviveu muito tempo com calçola.

Acima de tudo um neologismo preenche uma lacuna. Não temos um termo em português para “power-up”, nem para “frag”. São termos que ACRESCENTARAM algo ao vocabulário dos gamers. Esse mesmo um termo que não existe em português, ao se referir especificamente aos jogadores de videogames. ISSO é evolução.

Já usar “upar” no lugar de “subir” demonstra total deficiência de vocabulário. “subir” não é uma alternativa imperfeita. Não é chamar mouse de apontador. Nada está sendo acrescentado ao idioma.

Note que as pessoas baixam arquivos. Ou então fazem um download. Isso é kosher, pois não há um termo em português equivalente para “baixar um arquivo de um servidor para um computador local”. O termo acrescentado ao idioma é “download”. O pessoal do mv-brasil.org.br pode reclamar, mas ninguém vai usar “descarrego”. Isso é coisa mais pra pais de santo do que pra geeks.

Já o “upar”? Bem, se por falta de vocabulário vamos upar ao invés de subir, acho que devemos printar ao invés de imprimir e subbar ao invés de legendar.

Como eu quero ampliar meu vocabulário ao invés de reduzí-lo, e isso só é possível através de leitura e conversas com pessoas inteligentes, limitarei ao máximo meu contato com gente que fala “upar”. Isso não afetará em nada os leitores do Contraditorium, mas com certeza limitará minha resposta aos comentários dos posts da Cicarelli e outros mais populares no www.carloscardoso.com.

 


Truque Infalível para Conquistar Público: Trapaceie

19/09/2006 - 8:59 pm  -  3 comentários


Existe uma técnica usada por muitos cineastas para conseguir que os espectadores de uma platéia imparciais se tornem verdadeiros cúmplices dos filmes, julgando-os pelas mais rosadas luzes, perdoando seus defeitos e defendendo-os diante de qualquer crítica.

Essa técnica incrivelmente simples quando bem-sucedida garante lealdade eterna. Qual o truque? Criar um elo com o espectador, não no sentido de fazê-lo parte da equipe de criação do filme, mas demonstrar que o diretor tem muito em comum, gosta das mesmas coisas que o espectador.
Ao colocar uma referência relativamente obscura para a maioria da platéia, sabendo que atingirá ainda um percentual razoável do público, o diretor não necessariamente aliena a maioria (as boas referências são sempre sutis, nunca em primeiro plano) e cria um clima de cumplicidade com os que “pescam” a referência.

Por mais que se brinque que rir sozinho no cinema é constrangedor, na verdade é excelente, a sensação de intimidade é incrível, a impressão que temos é que todos ali são meros coadjuvantes, e que aquela referência foi colocada única e exclusivamente para nós, por um diretor que também preza aquela pequena peça de cultura pop o bastante para incluí-la em um filme.

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Adeus Aos Blogs

19/09/2006 - 11:07 am  -  27 comentários



E aqui acho necessário confessar que comecei a escrever este blog quando não havia vida na minha vida. Aquilo era um arremedo de vida. Se tanto. Ficar em casa escrevendo era muito melhor do que sair para o mundo. Para as ruas cinzas das cinza Curitiba.


Calma. Eu sou adepto do lema “se beber, no blogue, se blogar, não beba”, então não escreveria algo assim. Quem escreveu foi o Polzonoff, em mais uma de suas despedidas do mundo dos blogs.

Mensagem inclusive que foi lida pelo Rafael como argumento para minha hipótese de que muitos blogueiros usam o blog como terapia. E é verdade. Polzonoff está em Nova York agora, caro leitor. Não precisa mais de nós. Os leitores, que tanto ajudaram nos tempos ruins hoje são um incômodo, pois

A cidade exige muito de mim. Há milhares de coisas para ver. Horas e horas para serem gastas no Metropolitam Museum of Art, na companhia de Paulo Francis e o outro fantasma. Há cinema, há livros interessantíssimos (…) Cada minuto que passo em frente ao computador, portanto, é uma angústia. Sinto-me como se estivesse perdendo algo muito importante. E de fato estou.

Mais ainda, os novos blogueiros não são diversidade, são competição. Mesmo os muitos que se inspiraram nele, vendo o exemplo de seu blog e seguindo-o. Ele se gaba de estar na Internet desde 1996, mas nunca entendeu seu propósito. É muito, muito triste para mim, que sempre estimulei todo mundo a escrever, ler de um blogueiro respeitável algo como:

Os blogs, por conseqüência, também se vulgarizaram. No começo éramos uma espécie de casta. Todo mundo conhecia todo mundo. Havia uma comunidade, por assim dizer. Depois os blogs incharam. Todos diziam (dizem) a mesma coisa. Simplesmente não vejo motivo para ser mais um na multidão. Não tenho vocação para isso.

Se em dez anos você não se destacou da multidão, a culpa não é da multidão, meu caro. E você se destacou, você foi uma referência. Será que não ser a ÚNICA referência é o problema? Eu entendo o conceito de Onipotência (ao menos como aspiração) mas será que podemos nos dar ao luxo de sermos um Deus Bíblico, ciumento e vingativo? Os tempos são outros, o panteão aumentou, temos que conviver com adoradores dividindo sua fé entre nós e outras divindades, meu caro.

De modo algum eu quero que alguém diga “só leio seu blog”. Minha resposta-padrão é “então você tem problemas”. Também não quero ser de nenhuma casta, panela ou A-list. Não quero títulos ou prêmios. Prefiro minha parte em dinheiro. A vida é um palco, um blog não.

Essa despedida do Polzonoff foi uma facada curitibana nas costas, como leitor me sinto traído. É a namorada doente que quando se cura vai embora pois ao seu lado se lembra dos momentos ruins da doença. É, com todas as letras, o “arrumei coisa melhor para fazer”. Ele diz que nasceu para escrever e escreve bem. Concordo plenamente. Me entristece é a posição de elite, tratando o blog como uma cartela de Prozac, uma embalagem de antidepressivos onde desenhava girassóis, enquanto aguardava seu efeito.

Como toda criatura infiel, ele não pesa a seriedade de seus atos, muito menos o efeito em quem o admira. O leitor, que na crônica e no romance é um cúmplice, se torna no blog apenas um anticorpo, uma célula amorfa do sistema imunológico, destinada a curar a doença do autor e perdendo qualquer razão de ser quando isso é alcançado.

Caro blogueiro; não faça isso. Não traia seus leitores. Procure ajuda profissional, seja uma prostituta ou um psiquiatra. Mas não use seus leitores. Eles são importantes demais para isso. Principalmente, eles entendem um “hoje não estou bem, então não postarei nada, desculpem-me”. Seus leitores se acostumam com seu estilo, reconhecem seus estados de humor e até lêem suas mensagens subliminares. Eles mandam emails perguntando se você está com problemas, oferecem ajuda, eles estão do seu lado.

Será que eles não merecem algo melhor do que “preciso resgatar uma forma de escrever com mais nobreza”? Seu blog, você é importante para eles. Mas não para sempre. Acredite, investir em relações unilaterais é muito doloroso, difícil e frustrante. É cômodo para quem está do outro lado, ainda mais se for um Blogueiro Infiel, mas muito, muito ruim para quem dispende o esforço, do lado de cá, de quem lê.

Eu não nasci para escrever, Polzonoff. Aliás, ninguém. Todos nascemos analfabetos e sem bagagem, mas em nossas infâncias, se tivemos sorte, aprendemos a gostar de histórias. Aprendemos a entender como elas são tecidas, o que as torna interessantes. Como disse em algum outro lugar, eu vim da Nobre Arte da Literatura de Verdade, tenho meu nome em 11 livros, ISBN, registro na Biblioteca Nacional e tudo. Não me impressiona.

Pretendo voltar aos livros, mas como acessórios dos blogs, não o contrário. Considero o convívio com os leitores muito mais nobre e significativo, busco sempre oportunidades de encontra mais temas para escrever, aqui. Para eles. Eu invejo sua viagem a Nova York, meu primeiro pensamento foi quantas coisas legais para blogar eu encontraria. O quanto de histórias eu contaria, e quantas receberia de volta, nos comentários.

Acho que essa é a diferença entre nós. O blog faz parte de minha vida, mas não como muleta, e sim como sapatos de corrida. Sapatos mágicos. Eu quero que ele me acompanhe. Não me envergonho dele. Nem o considero, como você, um peso e um fardo. Você fala de seus 30 mil leitores, mas o adjetivo “incríveis” é anulado por todo o resto do texto. Eles parecem culpados pela responsabilidade que você assumiu com o blog.

Eu acho uma dádiva, conseguir leitores não é fácil, em fevereiro de 2006 eu tive incríveis 428 unique visitors, e isso já foi um feito. Se em agosto cheguei próximo de 40.000, grande parte do mérito é deles, que influenciaram os textos, colabararam, comentaram e espalharam minhas idéias pela blogosfera.

Eu não considero isso um peso. Não é um Karma. Não é meu Pagh. Eu escolhi. Quando começo a escrever um texto e penso em quantos irão lê-lo, isso só me afeta positivamente. Claro, meu blog pessoal, com tantas outras visitas, se tornou popular demais, isso me intimidou, mas descobri que não preciso tanto assim de um “Diário do Cardoso”, que posso ser feliz escrevendo besteira também. Acima de tudo, escrever para uma audiência grande e crescente é um privilégio, não um fardo.

Respeito sua decisão, Polzonoff, assim como sei que você respeitará a minha, de não ler mais seus blogs. Eu não reajo bem à traição, de nenhum tipo, e mesmo sendo o menos incrível dos seus 30.000 leitores, ainda assim me sentia parte de alguma coisa, que você agora afirma que nunca existiu.

Vá em paz, meu caro, mas não volte. Não para mim. Lembre-se do que Milton disse, “A inocência uma vez perdida não pode ser recuperada.”

(olhando agora essa frase de fechamento ficou meio gay, mas estou atrasado para um almoço…)


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Já emprestou um DVD a um amigo? Parabéns, és um criminoso.

19/09/2006 - 3:08 am  -  26 comentários


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Enquanto o mundo online fica preocupado com o DRM (Digital Rights Management) do Zune, do iPod, do diabo a quatro, tratando adolescentes e MP3 como Arautos da Nova Era, as pessoas comuns estão sendo sujeitas a um controle muito, muito mais extremo do que podem ou não podem fazer com o conteúdo que adquirem legalmente. Se você acha um absurdo o iPod só aceitar conteúdo encriptado via iTunes, o que diria se eu contasse que ao emprestar um DVD a um amigo você está cometendo um crime?

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