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Quando o crime ficcional dá cadeia de verdade

10/10/2006 - 2:54 am  -  5 comentários


Os defensores da liberdade de expressão geralmente assumem que defendem o direito de alguém expressar algo que eles mesmos expressam. Quando o tema não lhes agrada, pedem tranquilamente seu banimento e remoção, como a Fernanda pediu no meu post sobre as teorias conspiratórias do acidente da Gol. A liberdade de expressão termina quando alguém é ofendido. Perfeito, mas como tudo ofende alguém, de alguma maneira, como ficamos?

Para complicar: E quando é um caso de liberdade de expressão onde a expressão expressada é expressamente contrária à visão geral da sociedade? Não me expressei bem? OK, vejamos o caso de Karen Fletcher:

54 anos, moradora da Pennsylvania. Está presa e pode ser condenada a até 5 anos de xilindró. Motivo? Matar, estuprar, abusar, seviciar, barbarizar (lá se vai me AdSense) crianças de nove anos ou menos.

Em ficção.

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Você quer a verdade? OK, mas tem um preço…

08/10/2006 - 12:01 am  -  12 comentários


O blog, visto como veículo, tem muitas vantagens sobre a mídia tradicional. O blog profissional, baseado em um modelo de publicidade baseado em contexto como o Google AdSense pode ser mais independente em relação aos anunciantes do que qualquer outro veículo. Entretanto o modelo traz um efeito colateral que pode minar seus rendimentos completamente.

O Google aplica pesos diferentes a termos diferentes. Algumas palavras sáo um grande corta-tesão para o AdSense, garantindo muitos anúncios institucionais OU páginas em branco. Anunciantes não gostam de gastar suas impressões em páginas de conteúdo exageradamente polêmico. Temas envolvendo racismo, escatologia, aborto, preconceito e sexo acabam na lista negra do Google.

O que acontece quando você escreve um texto legítimo sobre um desses temas?

Um monte de alertas na Skynet no CPD do Google marca a página como indesejável. Nenhum anúncio se qualifica, e ao invés de simpáticos e lucrativos anúncios, você acaba com um banner em branco. È compreensível, não dá para diferenciar um texto legítimo de um texto apelativo. A diferença entre sexo e pornografia é, bem…

Por isso tantos blogs de adolescentes mostram anúncios em branco. Além do tema inapropriado, abusam dos palavrões. O Google não é santo, ele tolera uma boa quantidade, mas a maioria exagera. Resultado? Sem banners.

Isso significa que devemos ser bonzinhos, escrever sem falar palavrão, evitar temas controversos e blogar somente sobre gatos, seriados de TV e celulares?

Céus, não. Se você partiu para os blogs para ter liberdade de se expressar, não se preocupar com editores, chefes de redação e agendas particulares, não vai ser o Google que vai ditar o que você escreve. É perfeitamente normal “sair da linha” de vez em quando. Eu admiro o blogueiro que tem páginas em branco no AdSense por causa de um tema polêmico.

Eu tenho várias. Algumas de alta visitação, como o Meninas que Beijam Meninas. A matéria que escrevi sobre os idiotas querendo fotos das vítimas do acidente da Gol está com uma taxa de impressões baixíssima. Vou editar os textos, tirar as palavras polêmicas, para faturar mais?

Não. As palavras estão corretas, são as que eu queria usar. Não são polêmicas artificiais, não são posts-isca como os da Cicarelli no Carloscardoso.com. São discussões e opiniões legítimas sobre temas atuais. Se o Google não gosta delas, dane-se o Google.

Os leitores que ganho com esses textos valem muito mais do que os caraminguás que porventura pingariam se essas páginas atendessem aos requisitos do Google.



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Com 6 letras: país de merda que multa empresa que banca educação para seus funcionários

07/10/2006 - 12:47 pm  -  41 comentários



UPDATE: O Grande Líder esclareceu que essa história é antiga, e que hoje a legislação já não pune esse tipo de iniciativa. Que fique a lição, mesmo macacos velhos de Internet como eu podem ser vítimas de uma corrente ou um hoax, se bem produzidos. Felizmente a Internet que erra é a mesma que conserta.

Ser brasileiro às vezes é um fardo. Temos que conviver com absurdos cotidianos dignos de Kafka. No caso, que descobri lendo o excelente blog de Paulo Roberto Almeida, uma empresa que desde 1988 banca um programa que custeia a educação em todos os níveis para qualquer funcionário foi multada pela previdência em R$26.000,00. O Fiscal considerou que pagar estudo para seus funcionários é salário indireto e portanto deve ser tributado. É absolutamente revoltante ver esse tipo de situação. Continue reading “Com 6 letras: país de merda que multa empresa que banca educação para seus funcionários” »



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“Upar” é perfeito se você é uma cavalgadura

07/10/2006 - 11:11 am  -  17 comentários


burro.jpgEste gentleman, este poço de diplomacia, compreensão e caridade cristã que vos fala perdeu a linha. Lendo um post no blog da Beatriz Kunze, vi um sujeito reclamando da tal entrevista sobre Software Livre no Jô Soares. Uma hora o sujeito diz que “upou” a entrevista para um servidor.

Perguntei se “upar”, em língua de gente era subir.

“upa” para mim é como se fala com cavalos. Juca Chaves tinha uma modinha assim. “Upa upa upa cavalinho sem medo, leva pra Brasília o Presidente Figueiredo…”.

Já expliquei aqui que não tenho nada contra neologismos. Eles são essenciais para a evolução da língua. Só que como qualquer biólogo sabe, evolução significa aquisição de novas capacidades, uma característica não desaparece, da noite para o dia, dando lugar a uma outra.

Em línguas ocorre o mesmo. Sutiã não nasceu sutiã, antigamente era soutien. Calcinha não nasceu calcinha, conviveu muito tempo com calçola.

Acima de tudo um neologismo preenche uma lacuna. Não temos um termo em português para “power-up”, nem para “frag”. São termos que ACRESCENTARAM algo ao vocabulário dos gamers. Esse mesmo um termo que não existe em português, ao se referir especificamente aos jogadores de videogames. ISSO é evolução.

Já usar “upar” no lugar de “subir” demonstra total deficiência de vocabulário. “subir” não é uma alternativa imperfeita. Não é chamar mouse de apontador. Nada está sendo acrescentado ao idioma.

Note que as pessoas baixam arquivos. Ou então fazem um download. Isso é kosher, pois não há um termo em português equivalente para “baixar um arquivo de um servidor para um computador local”. O termo acrescentado ao idioma é “download”. O pessoal do mv-brasil.org.br pode reclamar, mas ninguém vai usar “descarrego”. Isso é coisa mais pra pais de santo do que pra geeks.

Já o “upar”? Bem, se por falta de vocabulário vamos upar ao invés de subir, acho que devemos printar ao invés de imprimir e subbar ao invés de legendar.

Como eu quero ampliar meu vocabulário ao invés de reduzí-lo, e isso só é possível através de leitura e conversas com pessoas inteligentes, limitarei ao máximo meu contato com gente que fala “upar”. Isso não afetará em nada os leitores do Contraditorium, mas com certeza limitará minha resposta aos comentários dos posts da Cicarelli e outros mais populares no www.carloscardoso.com.


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Ela partiu meu coração, rejeitou meu Meme…

07/10/2006 - 2:01 am  -  7 comentários


 

Os seus amigos e visitantes frequentes podem ser uma enorme fonte de assunto e informação. O mais legal é que eles compreendem perfeitamente quando você não publica um link ou uma dica. O que não é aceito, o que gera brigas e ressentimentos, é quando você rejeita um Meme.

Memes, você sabe, são gracinhas com características virais, seja a campanha do Jeremias, seja Lo Dia Internacional de Hablarse Portunhol, seja aquele tipo de mensagem de blog “diga 3 coisas que você não gostaria que um cirurgião achasse dentro de você”, com um pedido de “coloque em seu blog também”.

É comum receber por email ou Instant Messenger ofertas e pedidos para participar desses memes. Já tive casos de gente cobrando, quando não aderi a um deles. Pior. Por não ter uma postura absoluta, e participar dos memes que acho interessantes, ao não aceitar o meme a pessoa se sente duplamente ofendida, pois sabe que eu não o considerei interessante o bastante para valer um post.

Eu entendo, só não entendo a ofensa, já que eu digo com todas as letras que não considerei o meme interessante o bastante para valer um post.

Ninguém é obrigado a postar nada. Um meme, então, que é algo que se enquadra em blogs genéricos/pessoais tem muito pouco a fazer em um blog específico/profissional, a não ser que seja muito pertinente ao tema.

Aos que enviam memes, a dica: Continuem enviando. Muitos são curiosos, criativos e inteligentes. Todo blogueiro gosta de receber esse tipo de material. Por isso, somos gratos. Só não confunda essa receptividade com uma Fila de Publicação Implícita.

 

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Como criar 1376 posts em 5 segundos

07/10/2006 - 1:18 am  -  3 comentários


O segredo da Internet é conteúdo. Como bem disse o Grande Líder, um blog temático, específico, pode ser bem atraente em termos comerciais. Quanto mais conteúdo pertinente então, melhor.

Um amigo descobriu perdido em seus alfarrábios 1376 letras de canções do Frank Sinatra, em arquivos individuais. Uma rápida consulta e descobri que estavam bem formatados, com campos consistentes e seriam facilmente lidos por um script desenvolvido com esse intuito. Pesando o custo/benefício, me prontifiquei a cuidar da parte de importação. Basicamente meu script lia, um a um, os arquivos do disco, separava o título da música, o nome do álbum original e a letra.

Acessando diretamente o banco de dados do WordPress, inseri um post novo para cada música. Finalizando, criei uma categoria “letras”, associei os novos posts à ela. Tempo de criação do script, 10 minutos. Tempo de execução: menos de 3 segundos.

Na manhã seguinte meu amigo recebeu um dump do MySQL, pronto para ser importado no WordPress. Voilá, 1376 posts para o Frank Sinatra Brasil.

Quanta informação você tem guardada em seus alfarrábios? CDs velhos, ou mesmo disquetes? Durante um tempo era comum obras de referência em CD, muitas com distribuição gratuita. Tenho uma pilha de CDs aqui com mais de 10 anos de idade. Quanta coisa não haverá perdida neles, quanta coisa preciosa pode estar pedindo “publique-me..” do fundo de um poço imaginário de memória?

 

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Quem quer ver as fotos dos corpos do acidente da Gol?

06/10/2006 - 12:57 pm  -  839 comentários


É um fenômeno tipicamente brasileiro. Qualquer acidente famoso sempre atrái uma tonelada de abutres atrás de fotos, quanto mais escatológicas melhor. Esse prazer mórbido faz gente insuspeita enviar na maior tranquilidade essas fotos para suas listas de contatos.

A impunidade da Internet é o que mais me impressiona. As pessoas enviam E solicitam esse tipo de material sem a menor preocupação. Se tivessem as fotos em mãos, duvido que tivessem coragem de mostrar aos colegas de trabalho. Ao vivo não existe a possibilidade de dizer “ah, não gostou, apague”, como alguns dos imbecis que enviam esse tipo de imagem respondem, quando são contestados.

A atração por acidentes é algo normal, um humano médio tem um grande sentimento de elação, quando presencia uma experiência traumática e percebe que não foi com ele. Por isso gostamos de acidentes de Fórmula 1, batidas de carros e, no geral, de videocassetadas.

Só que quando a elação não vem de um acidente onde claramente ninguém se feriu, quando não vem daquelas lindas cenas onde depois de 10 capotagens o motorista sai andando, temos problemas. Alguém que tire prazer, mesmo que na forma de curiosidade mórbida, de fotos de cadáveres esquartejados, precisa de tratamento psiquiátrico.

Não é um site sobre teratologia, não há interesse científico. Não há gente escapando miraculosamente, há apenas morte e destruição. Um acadêmico se especializando em medicina legal teria interesse nessas fotos. Uma pessoa normal, não. Gente normal foge de morte. Gente normal não tem curiosidade sobre esse tipo de coisa.

Só que gente normal é minoria na Internet. O usuário típico dificilmente chegará até este parágrafo. O usuário típico vai mandar e pedir essas fotos, pois está transgredindo, sendo rebelde, da segurança de seu lar. O usuário típico vai mandar a foto escatológica, vai mandar o vídeo bizarro, assumindo que na Internet tudo se perdoa.

Entendo a necessidade do humor, sei que logo surgirão as inevitáveis piadas, e isso é bom. É uma forma de extravazar. Humor não é desrespeito. Mortos, aliás, não podem ser desrespeitados, só os vivos cobram respeito.

O que importa é propósito. Eu aceito a idéia de uma fatalidade, mesmo uma morte sem propósito. Mas quando uma vida se perde com o propósito de entreter adolescentes onanistas dando risinhos nervosos vendo fotos de cadáveres, temos algo pior do que nenhum propósito.

É por comportamentos como esse que desisti da Raça Humana. Que venha a nova Era Glacial, melhor sorte para os Ratos, baratas e golfinhos.

 



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Necrópsia da Cicarelli

05/10/2006 - 9:43 am  -  21 comentários


Duas semanas após o bafafá todo em cima do tal vídeo, podemos analisar com calma os resultados do primeiro grande escândalo sexual da Internet brasileira.

Quem investiu em posts sobre o assunto teve uma visitação muito acima do normal, caso estivesse no radar do Google. Ainda hoje tenho reflexo disso, sem contar os novos leitores.

No auge cheguei a mais de 10 vezes o tráfego normal, o que me salvou foi o WP-Cache, plugin do WordPress.

Em essência 100% desses novos visitantes procurava (e ainda procura) pelo vídeo da Cicarelli. É um choque de realidade e uma bela lição aos geeks.

Somos minoria. A Internet não é mais nossa. A grande e absoluta maioria dos usuários não conhece palavras como Kazaa, eMule, eDonkey, Bit Torrent. É gente que não consegue usar o Rapidshare, não entende o conceito de ler comentários, muito menos sabe usar o Google para nada além do básico.

YouTube, GoogleVideo, DailyMotion? Desconhecem.

Ao criarmos nossas páginas cheias de recursos, feeds, botões mágicos, Technoratis e tags, temos que ter consciência de que não estamos atingindo esse público. Nossas páginas com links de YahooNews, Google Reader, Roxio, parecem grego para o visitante normal.

O usuário normal é aquele que fala da “Internet de seu computador” e não compreende sequer as limitações da ferramenta que utiliza. A maior parte dos desesperados atrás do vídeo da Cicarelli insistem em pedir o vídeo por email, mesmo sendo dito que este tem 22MB. É gente que acessa de linha discada sem sequer saber o que são 22MB.

Uma vez, muito tempo atrás, me pediram para copiar o CD de clipart do Corel. E me deram uma caixa de disquetes. Expliquei que um CD comportava mais de 500 disquetes. O cidadão respondeu: “Vai copiando esses, vou conseguir mais”. Isso em uma época em que os HDs tinham 20 ou 30MB.

Dependendo do público que você quer atingir, mais é menos. Encher o site de penduricalhos não irá trazer benefícios, apenas confundirá seu visitante. Pense nos blogs simples, de duas colunas com texto em corpo grande. É um bom formato.

Evite ícones, a menos que sejam muito auto-explicativos. No nível de placas de trânsito. Aquela barra de ícones de sites sociais, como Flickr, Del.icio.us, Digg, não diz nada ao visitante leigo, na verdade só polúi. Mesmo tags náo trarão benefício.

Um recurso que funciona é o de Posts Relacionados, pois é auto-explicativo.

Notem, não estou dizendo que esses usuários são idiotas. Não é o caso. Eles apenas não estão familiarizados com a Internet como nós.

Como o Efeito Cicarelli mostrou, é um público muito grande, que está aí, basta apresentar o conteúdo correto, e eles virão. Quem quiser um nicho do tamanho de um bonde, é só produzir conteúdo para o visitante eventual. Mas nada no estilo tutorial, esse pessoal quer usar e não aprender Internet.

Difícil mesmo, para nós ratos da web, é produzir esse conteúdo sem abusar do jargão e dos penduricalhos que estamos acostumados a colocar nos blogs.

 

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