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A Blogosfera é um corpo?

25/05/2007 - 10:08 pm  -  5 comentários


 

Vi um post meio polyanna no Serendipidade com esse tema, citando texto do Maurizio Goetz. (notem que o Cipriani não se enquadra no meu post anterior, pois ele teve a decência de traduzir o texto citado)

A blogosfera possui um “cérebro” – Elabora idéias, discute, amplifica, colhe ou lança as mesmas.

A blogosfera possui um “coração” – Se apaixona, emociona, diverte ou se comove.

A blogosfera possui um “sistema nervoso” – Se empolga, enraivece, se ofende e depois pode esquecer ou não.

A blogosfera possui uma “alma” – Se mobiliza, organiza, se ativa.

OK. Tudo muito bom, tudo muito bonitinho, mas que diabos de corpo é esse que é composto 90% de sistema digestivo?



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You don’t speak english? Fuck-off!

25/05/2007 - 9:30 pm  -  21 comentários


Eu gostei do filme O Nome da Rosa e fui atrás do livro. Adorei e detestei. o Umberto Eco cismou de colocar trechos enormes em Latim, sem tradução. Achei um absurdo, um acadêmico querendo se exibir e fazendo pouco de seus leitores.

Hoje vejo a blogosfera fazendo a mesma coisa, principalmente a Blogosfera Intelectual. São citações em francês, longos textos em inglês e mesmo quadrinhos em inglês sem qualquer tipo de legenda ou tradução.

No mundo real vi um post sobre o Second Life onde os miguxos e miguxas choravam pitangas com a complexidade do programa, pedindo uma versão em português.

Não é culpa deles. Achamos que é normal dominar inglês -a língua franca da Internet- e que ninguém tem problemas, principalmente com frases simples, mensagens de alerta ou mesmo instruções de formulários.

Pois bem, vou contar um segredo: A maioria da população tem problema com interpretação de textos em português. Que dirá entender um idioma estrangeiro.

O que pode parecer simples e óbvio para a Elite (nós, blogueiros que escrevemos português corretamente, fazemos 3 refeições por dia e sabemos que Download é pra

baixar o arquivo) pode não ser óbvio para outros internautas. Interfaces são decoradas, não entendidas. Read More não é a mesma coisa que Leia Mais ou Continue Lendo.

Ao encher seu blog de expressões em outros idiomas você está alienando seu público. Cada nest’ce’pas que você coloca, cada “who cares?” é um percentual do público que você afasta. OK, a Elite gosta. Acha natural, dá um ar cosmopolita ao blog.

Então, escolha seu público-alvo. Você escreve para a Blogosfera Intelectual e seu 0.0001% ou para os outros 99% da Internet brasileira?



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Só em blogs posso mandar um beijo pra Bia

22/05/2007 - 8:11 am  -  14 comentários


Uma das vantagens menos alardeadas dos blogs é que, por mais que se tornem conhecidos, frequentados e grandes, sempre podem voltar a ser pequenos cantinhos pessoais, como eram inicialmente. Se o Boing Boing faz isso, então eu também posso. Já o Editor do UOL não pode. Aliás é haram mortal um texto de um portal ou Jornal sair na Primeira Pessoa, se não for uma crônica.

Já no meu blog, posso parar tudo para dar parabéns pra Bia, minha Padawan preferida em SP. (sim, eu sei que Só pode haver um, Mestre e Discípulo, mas eu tenho mais de uma Padawan. Azar o seu, George Lucas)

Sério, tenho orgulho dessa menina. Escrevendo sobre Finanças, uma área pra lá de árida, já conseguiu a respeitável marca de 214 assinantes, no feed do Mercado & Malagueta. Sem contar o dia que comprou notebook, access point, instalou tudo sozinha e quando vi já estava com a rede WIFI funcionando. Nada mal para quem diz não entender nada de microinformática.

Eu acompanhei seus altos e baixos, e ela acompanhou os meus. Fazendo uma analogia trekker, temos um relacionamento simbiótico, <piada trekker>sendo que obviamente eu sou o Trill</piada trekker>. Digo uma coisa, meninos e meninas: Ter alguém que entenda suas referências não tem preço. E ela entende.

Claro, a Bia também tem seus defeitos, e vale como um aviso aos navegantes: Ela é do tipo de mulher que quando você fala “me bate” ela bate. E forte. Da última vez foi um soco de mão fechada, no peito. No meio de um restaurante. Doeu. E ela gostou. Sádica.



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Cada Grande Líder tem o país que merece

22/05/2007 - 3:00 am  -  1 comentário


Quando leio o Diário Secreto de Steve Jobs, assinado pelo fake Steve Jobs, a primeira imagem que tenho é do Grande Líder da Silva, d’A Companhia, que anda meio sumido, provavelmente tocando o lucrativo negócio de tráfico de órgãos.

Ambos escrevem com fina ironia, total absoluta e completa impunidade, dizendo o que suas contrapartes jamais poderiam dizer ao vivo, mas que muito provavelmente concordam. Algumas vezes o Fake Steve me lembra o autor do Blog do Saddam Hussein.

A diferença começa a aparecer quando percebemos que o Fake Steve escreve em inglês, para um público (e uma mídia) que conhece blogs, não tendo problemas em consumi-los. Isso facilitou muito sua penetração. (as brigas com os Linuxeiros também)

Agora descubro que o Fake Steve foi contratado para fazer um livro. Como é uma edição limitada de algo muito específico, uma paródia de um CEO do Vale do Silício, não estamos falando de contratos do nível daquela dona que roubou do Neil Gaiman escreveu Harry Potter.

Mesmo assim, dada a escala envolvida, a diferença de paises de novo se faz sentir. O Fake Steve Jobs recebeu US$75.000 de adiantamento. Não é nada perto do rendimento do verdadeiro Steve Jobs mas é mais que o dobro do que ganhava Al Bundy, por exemplo.

Isso com certeza deixaria o Grande Líder da Silva feliz. Ao menos cobriria as despesas d’A Companhia com cartões de visita e almofadas de carimbo.



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Momento Revolt

22/05/2007 - 2:44 am  -  20 comentários


Estava eu lendo meus feeds, quando me deparo no Sobre Blogs com um post comentando uma reclamação do Alex Castro sobre blogs que usam o recurso do “Leia Mais”, ao invés de publicarem o post inteiro na primeira página. Pensei  com minhas teclas, tal qual o Bacana, de Armação Ilimitada: “Ai meu saquinho. De novo não…”

Pensei em escrever uma longa dissertação de como o Leia Mais quando corretamente usado só aparece na primeira página. De como ele não aparece (nem deve) nos Feeds RSS. De como utilizar corretamente um lead ao invés de publicar todo o texto dos 10 artigos na primeira página tornam seu blog bem mais ágil. Como usuários de dispositivos móveis e linha discada ficam felizes em acessar sites mais leves.

Então fui no blog do Alex procurar o tal post (O Gino estava em modo revolt também e só linkou pra página principal) então mudei de idéia.

Ao invés de falar laudas e laudas sobre o bom uso do Leia Mais, eu preferi concluir:

Se o Alex Castro odeia tanto o link Leia Mais, muito provavelmente todos os 70 livros que ele já leu em 2007 só tinham uma página, correto? 

Por falar nos membros da Blogosfera Intelectual (tm Novo Mundo) gostaria de pedir uma salva de palmas para mim mesmo. Lembram do Polzonoff, que se despediu (de novo) dos blogs de forma tão eloquente que mereceu minha crítica, aqui? Lembram que nas Previsões do Pai Cardoso para 2007, eu falei que ele voltaria? Pois é. Voltou ;)

Falando nisso, já acertei:

  • Google pagando com depósito em conta
  • Outra Lei idiota sobre internet
  • Blog dos participantes do Big Brother
  • Polzonoff vai voltar
  • Gente anunciando que 2008 será o Ano do Linux.

(ok, essa última só coloquei na lista original pra não tirar zero)



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Na dúvida tire a roupa

21/05/2007 - 1:00 am  -  10 comentários


Existe uma regrinha em publicidade; na dúvida, vá de criança e bicho. Não tem erro, faça seu comercial um dos dois e milhões acharão uma gracinha. Só que isso está mudando. Agora a saída pra falta de imaginação é sexo.

Nada contra, dou a maior força, adoro e pratico tanto que já troquei de DVD três vezes, mas tudo tem sua hora. acho válido apelar para o sexo se você está escrevendo ou produzindo um filme, uma novela. Adorei as cenas com a Ana Paula Arósio fazendo strip tease vestida de noiva, mas é uma obra de ficção.

Não acho que um comercial deva ser tratado da mesma forma. Um filme publicitário deveria, idealmente, ser calçado em uma boa idéia. Colocar uma pelada de plantão, de longe é sinal claro de falta de uma idéia melhor. Claro, se for uma boa idéia com uma peladona, excelente. Mas isso também é raro. O mais comuns são filmes como este da Godaddy.com que só se sustenta nos atributos da gostosona profissional Candice Michelle.

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Ontem Banido, Hoje Viral

19/05/2007 - 6:25 am  -  8 comentários


Agora que virou modinha fazer “marketing de guerrilha” as agências mais preguiçosas estão subindo seus comerciais para o YouTube, cobrando uma baba pelo complexo serviço e os anunciantes ainda ficam felizes, pois podem soltar press releases falando de sua “iniciativa viral”.

Pombas, nem todo comercial é viral. Desculpem, mas o conceito de viral sequer é originário ou relativo à publicidade, e sim à forma de propagação do material. Propagação essa que não pode ser controlada pelo anunciante ou pela agência. No máximo você pode tentar induzir um comportamento viral, mas não há garantias.

Este site, o http://www.beachshowercam.com/ é um que está sendo vendido como “viral”. É uma propaganda do Axe, onde você escolhe a temperatura do chuveiro na praia. Se escolhe “muito quente”, coisas interessantes acontecem. Ao menos interessante para 99% e pelo menos 50% das mulheres, ou 95%, se elas estiverem bêbadas. (sim, rola velcro)

É legal? É. Tem um comportamento viral? Não. No máximo se parece com aquelas doenças chatas que dão em um grupo de índios perdidos na Patagônia Setentrional. Você escuta falar, mas não se entusiasma.

Não podiam ter lançado como “uma brincadeira legal da Axe”? Eu acho que o público está se cansando. Se tudo é viral, qual a graça?

O que vejo em um viral de sucesso: Um filme/texto curto, em geral baseado em humor ou um fato inusitado, que gera o sentimento “quero que outros vejam isso”. Não há nenhuma ação do vírus para isso. Ao contrario dos scams, spams e hoaxes, não há necessidade de “envie este vídeo super-legal para dez amigos…”. Você faz isso naturalmente.

Os bons filmes virais inclusive reservam o produto para o final, não há saturação da marca. Não fica aquele ar de “propaganda”. Isso ajuda muito a convencer os usuários mais chatos com a idéia de passar adiante o comercial alheio.

O termo “viral” aliás está substituindo outra palavra-chave para a divulgação de comerciais: “Banido”. Sério, procure no YouTube, há toneladas de comerciais perfeitamente legítimos marcados como “banned”. Pombas (de novo). Será que as pessoas só vão ver algo se for marcado como banido, proibido, censurado? Não creio.

As assessorias deveriam diminuir o fogo das “campanhas virais” pois a taxa de fracasso é muito alta. Já vi “virais” com menos de 1000 visualizações no YouTube, filmes que literalmente imploram para que você os passe adiante.

Que tal, ao invés de um viral que não vai funcionar (virais bons e eficientes exigem gente esperta por trás, e isso custa dinheiro) você não sobe seus comerciais, decentes e honestos, sem ficar alardeando campanha de marketing talibã terrorista multi-guerrilheiro que tomará de assalto a Internet blogosférica?

A www.nomer.com fez isso, com este simples e simpático comercial, usando a Luciana Vendramini. Funcionou? Acho que o bastante para chamar minha atenção, ao contrário da maioria dos virais “sensacionais imperdíveis você tem que ver isso”.

 
link para o vídeo



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Jabá com imunidade diplomática

18/05/2007 - 10:57 pm  -  19 comentários


 

Esses dias um amigo me mostrou seu último empreendimento, o www.ouvindo.com, um blog voltado para resenhas de Cds e bandas. Obviamente ele termina cada resenha com links para o Submarino. É normal, o Judão faz isso direto com filmes.

Reparei que isso de forma alguma me incomodou, e não incomoda praticamente ninguém. É perfeitamente “natural”. Já blogs que fazem resenhas e não explicitam a origem do material são tratados como leprosos. O MrManson foi criticado por ter feito um trabalho aboslutamente legítimo de cobertura da Fashion Week. Blogueiros que publicam posts pagos sem explicitar a origem dos mesmos arriscam perder toda sua credibilidade. (OK, nesse último caso eu concordo plenamente)

Só que pombas, qual a diferença entre um post falando bem de um celular (como o que farei sobre o N80) e um post falando bem de um CD?

De onde veio essa percepção de que é kosher vender discos via post mas não é para softwares, hardwares e serviços? Se eu fizer um post falando das maravilhas do atendimento da Telemar (por isso não posto bêbado) um monte de gente vai aparecer dizendo que é pago, que eu virei bitch da Telemar, etc. Se fizer um post falando do excelente CD do Evanescence, com direito a link de afiliado, no máximo alguém vai dizer que a banda é ruim, que a vocalista é louca, etc. Dane-se se é doida, adoro aqueles olhos.

CDs e DVDs gozam de imunidade diplomática. MESMO o mundo da música sendo movido à jabá, às vezes descarado, como o iPod que a Warner mandou pros jornalistas, “divulgando” o CD da Maria Rita. Seja o Jabá passivo (a gravadora que manda um mimo caro ao jornalista) seja o ativo (a rádio que cobra para tocar uma música) nada sai de graça.

Já nos blogs, quando a Microsoft mandou notebooks com Vista para alguns blogueiros (o meu deve ter se perdido no correio) mesmo explicitando que o presente deveria ser público, e que sequer o blogueiro estava obrigado a fazer uma resenha, foi atacada de todos os lados, inclusive por alguns ingratos que receberam o bicho.

De onde surgiu essa distinção especial para discos e filmes? Eu não sei. Já queimei a mufa tentando entender a cabeça do público, mas não consegui chegar a uma conclusão. O mais próximo de uma teoria é que talvez a percepção do público é que material de entretenimento não seja “sério” o bastante, então não é preciso cobrar uma postura de ética e comprometimento com a Verdade, como nos outros casos.

Faz sentido? Não sei, mas é o melhor que posso fazer. Alguém tem alguma idéia melhor?

[atualização] Para vocês verem como o efeito “imunidade” funciona. Eu esqueci COMPLETAMENTE dos livros, ainda bem que fui lembrado, pelo Ronaldo Camacho. Há gente que sistematicamente publica resenhas de livros, com links de afiliados, e nunca, nunca vi um texto desses ser questionado. Nem o fato de nunca aparecerem resenhas ruins. E agora, Bial?



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