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A Fox é excelente, mas pirata é a mãe!

25/07/2007 - 2:52 pm  -  25 comentários


Recebi um convite da Dani Koetz e do BlogHunters para assistir uma sessão para imprensa do Duro de Matar 4.0 (resenha aqui). Mesmo que eu não estivesse querendo ver o filme, é contra minha religião recusar convites da Dani, então fui para o São Luiz, que o Google (e a Dani) diz ser no Catete, mas fica no Largo do Machado.

Foi bem legal, passei horas batendo papo com outros blogueiros (mandem os links, e da próxima vez façam cartão de visita) e com o Celso Nascimento, que produz o Ação e Reação, um programa sobre cinema e quadrinhos na NET Niterói (Canal D7, seja lá o que for isso), que tinha cartão de visitas.

O pão de queijo estava liberado, parece ser a comida oficial das apresentações de cinema para imprensa.

contraditorium-presskit.jpgO que surpreendeu desta vez foi o kit de imprensa. A Fox preparou um CD com menu em Flash e tudo. Vem com um documento (Word e HTML) completíssimo sobre o filme (Total: 48.287 caracteres = 965,74 linhas = 38,62 laudas), trailers em formato FLV e WMV, imagens em alta resolução (algumas com 9MB), poster do filme…

Só com o texto que vem no kit já dá pra fazer uma senhora resenha, vou me divertir comparando o que os portais escreverão com o que está no kit…

Só tem um pequeno problema:

Como vocês podem ver na foto, o kit é idêntico a uma caixa de DVD do filme. Na volta, no metrô, reparei que todo mundo me olhava meio estranho; eu era um babaca que estava segurando na maior cara-de-pau um DVD pirata, comprado no camelô. Deixei na mesa do restaurante e até os garçons balançavam a cabeça negativamente, por minha “cara de pau”, afinal esses DVDs de camelô vão sempre pro fundo da bolsa…



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Proteção contra paraquedistas de cinema

23/07/2007 - 10:54 pm  -  20 comentários


Fui ver Transformers de novo, desta vez num cinemão. Antes do filme, além dos 176 trailers, avisos e vídeos de “não fume, não beba, não respire, não olhe diretamente para a tela”, passaram o comercial do Citroen C4, que começou com um viralzinho muito simpático na Internet.

Não tem nada a ver com o filme, a versão abaixo por exemplo foi subida pro YouTube em maio de 2006. É um filminho legal, e o marketeiro que teve a idéia de reciclá-lo para o cinema aproveitando o Transformers definitivamente mereceu o seu salário.

link para o vídeo

O problema?

Digamos que enquanto o filme acima era exibido, no canto inferior direito da tela vinha a mensagem: “Imagens meramente ilustrativas”

Eu sei que a mensagem não era para mim, por isso não me ofendi, mas temo ao imaginar que ela seja realmente necessária.



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O bom leitor não faz xixi na cama…

23/07/2007 - 3:23 am  -  55 comentários


Eu comentei aqui sobre um post do Fábio Seixas onde ele falava dos problemas do modelo atual de monetização nos blogs. No final do post ele faz algumas sugestões de como dividir a remuneração (que já não funciona) entre os leitores. Eu não acho que transformar os blogs em uma comuna marxista seja o melhor caminho para alguma coisa, mas o artigo dele levantou uma questão importante:

Como premiar o bom leitor?

Veja bem; não estou falando dessas promoções “adicione-me como favorito no BlogBlogs e ganhe um pendrive”, eu falo de estimular o bom comentário, o leitor fiel, o leitor que efetivamente contribúi para o blog.

Bati cabeça sobre isso durante um bom tempo, alguns meses atrás. Todos os modelos que encontrei caíam no conceito de rede social, onde os próprios leitores votariam nos comentários, e os mais bem-cotados ganhariam um mimo. Seja o sempre-presente pendrive, seja algum prêmio mais caro.

O problema é que está mais que demonstrado: Todo e qualquer sistema de votação comunitário na Internet é imediatamente alvo de tentativa de fraude.

No dia que eu disser que o comentário mais votado da semana ganha um pendrive, alguém vai fazer um script e soltar 10.000 votos. No dia em que eu disser que quem fizer mais comentários, o autor do script acima vai alterá-lo para postar “eu keru o pe/\/drive!!!” umas 20.000 vezes pelo blog.

Se eu tomar uma atitude totalmente unilateral, absolutista e inquestionável, escolhendo eu mesmo o melhor post, os comentários vão encher de gente insatisfeita me acusando de imparcialidade. Mesmo sendouma decisão pessoal e imparcial desde o começo.

Eu concordo plenamente com o Fábio, o bom leitor deve SIM ser recompensado, mas é algo complexo. E uma desvantagem de você disponibilizar seu produto de graça. Nem uma assinatura do blog posso dar.

O desafio aqui é premiar (em todos os sentidos) os bons leitores, sem com isso atrair os indesejáveis, os que apareceriam somente atrás dos prêmios, gerando tráfego desnecessário e enchendo os comentários de lixo. Uma promoção dessas, se descontrolada, pode simplesmente destruir um blog. Não quero ser obrigado a fechar os comentários por causa de uma nuvem de gafanhotos digitais.

Em conclusão, a idéia é excelente, é uma regra básica da economia: Incentivos funcionam, mas o difícil é descobrir quais incentivos utilizar no caso de blogs. Aceitamos sugestões. E se uma delas for boa o suficiente e eu a implementar, o autor ganha um Pendrive. Sério!



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A blogosfera é Darwinista, não Marxista

23/07/2007 - 2:59 am  -  9 comentários


Estava lendo este artigo sobre monetização em blogs, onde o Fábio fala que o modelo atual, onde um blog é rentabilizado via publicidade comissionada só funciona “de verdade” para poucos.

Ele fala sobre vários pontos fracos no modelo atual (cegueira do leitor, dificuldade em estabelecer um valor para o espaço, etc) mas esbarra em alguns pontos no mínimo estranhos:

Em uma escala de benefício, quem se dá bem primeiro é a empresa de publicidade, depois o blogueiro e em terceiro, o leitor, mesmo assim pode-se dizer que o leitor nada ganha com a publicidade que lhe é apresentada.

Eu sempre pensei que o leitor viesse ao blog atrás do conteúdo, e não da publicidade. O Fábio completa a frase acima com:

No máximo dizer que ele descobriu algo relevante clicando em algum anúncio.

Fábio, se um leitor veio no blog, consumiu o conteúdo (gratuito) e ainda por cima viu um anúncio que o interessou, que achou relevante, eu acho que na verdade ele ganhou duas vezes. Lembre-se, estamos disponibilizando conteúdo gratuito. Não somos como a Veja ou a Playboy. Não temos um “preço de capa”. Como você pode dizer que o leitor “nada ganha”?

A publicidade apresentada viabiliza o conteúdo que ele está usufruindo. Rádio e TV funcionam assim. E melhor: O leitor habitual NÃO clica nos anúncios, isso já está contabilizado na equação. O grosso da renda vem dos paraquedistas. Você considera não ganhar ele usufruir de um conteúdo, viabilizado por uma publicidade que ele pode, de consciência limpa, ignorar?

Também não concordo que “poucos” sejam beneficiados pelo modelo. TODOS, literalmente TODOS os blogs com boa audiência que são monetizados se beneficiam desse modelo. Não conheço ninguém que tenha uma boa visitação, um conteúdo condizente (sem pirataria, pornografia, etc) que não esteja tirando seu dinheirinho. Desse ponto de vista o AdSense é a ferramenta mais democrática que conheço.

Qualquer um pode montar um blog e tirar um trocado. Se não conseguir visitação por falta de divulgação, se só ficar copiando posts dos outros, se fizer mais um flogão de miguxa, a culpa não é do modelo. Como você quer viabilizar um blog com 10, 20 visitas/dia? Em verdade nesse modelo a blogosfera já é quase marxista, nossa remuneração é diretamente proporcional ao nosso trabalho. O Edney só começou a ganhar dinheiro mesmo quando dedicou 100% de seu tempo ao blog. Alguém que só escreve no final de semana, copia um post do MeioBit e diz que tem blog vai concordar contigo que o modelo não funciona.

Claro que não funciona. É um dos preceitos básicos da economia, você não pode ganhar mais do que você produz. Não é culpa do Google. Nenhum dos modelos que você apresentou foge disso. Uma empresa NÃO vai aceitar patrocinar um blog sem audiência. O blogueiro cuidar ele mesmo do agenciamento de publicidade é algo muito, muito complicado. Acima de um certo grau de profissionalização exige envio de nota fiscal ou RPA, contabilidade, contato com anunciantes, negociação, assinatura de contratos… se para um problogger isso já é quase inviável, dado o tempo consumido, imagine para um blogueiro eventual?

A criação de uma empresa/grupo para cuidar disso seria reinventar a roda. Já há várias empresas oferecendo esses serviços, inclusive uma tal de Google. Eu entendo a comissão do Google como um preço a pagar para justamente não ter que lidar com toda a parte burocrática da publicidade.

Já a segunda parte do seu post, merece uma resposta isolada, pois é algo que vem me encafifando faz tempo…



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Da salsinha, hypes e blogueiros surpreendidos

19/07/2007 - 9:42 am  -  96 comentários


contraditorium-salsinha.jpgEsse não é o tipo de coisa que eu deveria admitir em público, pois prejudica minha imagem de infalível, sábio e Mestre Myagi da Blogosfera, mas se vocês não contarem para ninguém eu também não conto: Esse desastre me pegou de surpresa.

Eu tomei um susto danado quando vi as visitas nos blogs subindo vertiginosamente. Aí, antes que pudesse ver as estatísticas, começaram a chegar os comentários dos posts específicos. Vejam alguns:

por favor quero as fotus do assidente…..obrigadaaaa

Eu quero receber as fotos do acidente da GOL e se tiver da TAM tb gostaria.

Eu gostaria muito de ver as fotos do acidente da Gol!!!
Poderiam mandar pra mi?
Obrigado!

Achei o acidente da gol muito macabro
Por isso tenho curiosidade em ver as fotos dos corpos
Só p/ ter a ceteza de que nunca mais vou andar de avião
Envie p/ o meu email……………

qieria mt receber fotos do voo gol …Faço medicina ..

Isso mesmo, naquele velho post, do ano passado. Eles procuram por fotos do acidente, caem na página que diz “GOL” (e reclama dessa sanha sanguinária por fotos) e, além de não lerem o texto, assumem que quem tem Gol tem Tam, e pedem.

Vejam bem; o negócio foi em Congonhas. No MEIO de São Paulo. A maior cidade uma das maiores cidades da América Latina. TODA a mídia está cobrindo o caso. Há literalmente centenas de galerias de imagens em todos os jornais online. O Flickr está cheio, o Picasa também.

Não estamos falando de um acidente no meio da Floresta Amazônica, que levou vários dias até ser sequer localizado.

O que leva esse pessoal a usar o Google para procurar, às cegas, por fotos que estão disponíveis em TODOS os sites noticiosos? Sabem o pior? Essas mesmas ostras vão clicar alegremente nos emails falsos enviados por crackers prometendo as tais fotos.

É tão difícil digitar folha.com.br, uol.com.br ?

Aí quando eu digo que 90% da humanidade numa máquina de EEG é indistinguível de um pé de salsinha tem gente (ok, 1 só) que fica ofendido.



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Eu quase quero ser um portal

19/07/2007 - 1:21 am  -  26 comentários


É muito bom ser portal. Ninguém acusa o portal de ser uma organização com fins lucrativos, e principalmente os motivos ocultos dos morais não são questionados. É como ser vizinho de Hitler. Você NUNCA vai reclamar que ele acorda cedo e ao regar as plantas molha o seu jornal. É algo que você espera.

Por mais que eu veja muita gente boa blogando e andando pras essas cobranças “éticas”, a verdade é que nós blogueiros também nos cobramos. Se sair amanhã uma Sex Tape com o Inagaki, mesmo o mais descarado caçador de paraquedistas vai pensar duas vezes antes de publicar. Pode até ser notícia, mas poxa, o cara é legal. O que ganhamos com isso? Mas não publicar seria igualmente complicado. O que fazer?

Já os portais não têm amigos, interesses pequenos e gostos pessoais. Um portal pode publicar quase o que quiser sem essas preocupações.

Nós, blogueiros conscientes, trabalhando para um portal teríamos as mesmas considerações? “Chegou aqui um avi com uma sex tape do Inagaki, publica no destaque”. Você vai entrar em longas discussões éticas com seu Editor ou vai no máximo perguntar “Tão sem camisa mas dá pra reconhecer o ataque do São Paulo, não é melhor liberar com o Jurídico antes?”

Além de ter menos dilemas éticos, a meu ver a impessoalidade do portal pode ser uma vantagem, se o redator não tem paciência de lidar com as múltiplas personalidades que visitam os blogs. É uma vantagem? Ou uma desvantagem? Acho que depende de cada um. Quem não gosta de lidar com leitores, mas gosta de escrever, pode ficar nos portais. Quem não se importa com a imprevisibilidade de reações a cada post, que venha para os blogs. Pode ser ruim, pode ser bom, depende do dia, depende do post, depende do leitor.

A única coisa que não vejo aqui nessa tal de Internet Blogueira é a rotina, que imagino existir em um Portal. E fugir da rotina pra mim é essencial.

Claro, algumas vezes eu queria sim ser um portal. Vejam a foto desta matéria aqui. Agora me diga: Se fosse um blog, quantas dezenas de comentários teríamos atacando o oportunismo, falta de respeito, mau-gosto, sexismo e abuso do blogueiro, que se aproveitou de um momento de distração da atleta, e expôs em seu blog essa foto gratuita e sensacionalista da nadadora com o seio de fora?

Essa dualidade, onde um veículo pode noticiar um fato e outro não pode não atinge só portais e blogs. Lembre-se, todas as vezes que a Globo tentou popularizar a programação para acompanhar o Pânico, foi duramente criticada. Inclusive por gente que assiste ambas as emissoras e não teve problema nenhum com a programação, desde que exibida no pânico.

Se com esse patrulhamento e críticas os leitores que o fazem querer dizer que os blogs estão em um patamar superior, como fonte de informação e opinião, e que não devem se igualar aos portais, então acho que devemos passar a ver essas “reclamações” com melhores olhos.

Mas que a foto do Terra ficou escrotinha isso ficou…

contraditorium-terra.jpg



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E a blogosfera perdeu o medo do hype

18/07/2007 - 10:12 am  -  45 comentários


tam.jpg

Depois do primeiro grande hype da blogosfera, o caso da Gol, pareceu que muitos blogs ficaram com receito de “se envolver” com notícias muito procuradas. A coisa se tornou complicada no caso da Cicarelli, quando o que poderia se tornar uma saudável discussão sobre censura e autoritarismo (se é que esses temas podem ter algo de saudável) foi abortado pela maioria dos blogs mais sérios.

As acusações de caçar paraquedistas, de se aproveitar de hypes para aumentar visitas, etc, fizeram com que os blogueiros preferissem o silêncio, mesmo quando tinham algo a dizer.

Autocensura é muito pior do que censura pura e simples.

De uns tempos pra cá, comecei a perceber que os próprios blogueiros estavam ficando de saco cheio do patrulhamento. Mesmo quando não tinham a menor intenção de atrair paraquedistas, eram acusados disso. Aos poucos assumiram que, já que foram condenados de antemão, então que se danem os críticos.

Com isso muitos blogs perderam o medo de hypes. Começaram a falar dos temas que lhes interessam, mesmo que fossem temas da moda.

Agora com o acidente da TAM, mal terminei meu post indignado com o acontecido -eu ia ser acusado de qualquer jeito, e estou pouco me lixando- comecei a rodar os blogs. Descobri que o sentimento de revolta com a incompetência é geral, e os blogueiros estão todos cantando no mesmo tom.

Vendo minha lista de feeds, acho posts relacionados:

Se há algo de bom que podemos tirar disso tudo, é que o pessoal não está com medo de se expressar, e se alguém ousar acusar um blog sério de capitalizar em cima do acidente, será devidamente convidado a tomar no olho do cu. A situação do transporte aéreo no Brasil já se tornou caótica. Vamos reclamar sim, vamos nos revoltar sim.

Aguardo muitos posts sobre o assunto, agora que o gênio saiu da garrafa e os blogs perceberam que podem SIM emitir opiniões e demonstrar seus sentimentos.

Quem sabe com isso não conseguimos evitar que o próximo acidente aconteça? Se blogs podem ser tão poderosos, que usemos esse poder de forma construtiva.



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E o Alex Castro gosta de picadura

18/07/2007 - 4:01 am  -  11 comentários


Calma.

OK, eu explico. “picadura” é como chamam, em Cuba, o fumo para cachimbo. E não, eu não sabia disso até alguns minutos atrás. E o que diabos tem o Alex Castro a ver com Cuba? Ele foi para lá, passou um mês, realizando um trabalho bancado por duas bolsas de pesquisa, e aproveitou para escrever o eBook Radical Rebelde Revolucionário.

O MeioBit recebeu uma cópia do livro, mas fugiria muito do nosso foco lá. O Leo então perguntou se eu queria resenhar o livro no Contraditorium.

Hum. Intelectual. Que fuma cachimbo. Passeando em Cuba bancado por universidades para estudar a Disneylandia do Socialismo? Isso sempre dá naqueles livros chatíssimos onde o cara republica propaganda do Partido, ou então é escrito por um anticomunista ferrenho que vai passar o tempo todo falando das atrocidades da Revolução. Todo livro sobre Cuba cai nesses dois modelos.

Respondi que a princípio não queria, isso é chutar cachorro morto. Fazer resenha de um livro que sei que não vou gostar é implicância pura e masoquismo.

Só que eu detesto ser pré-julgado, e imagino que o Alex também. Mesmo que tivesse 99% de certeza do que iria encontrar, abri o PDF. Afinal, se fosse o que eu imaginava iria deixar de lado, não publicaria e como se diz por aí, ninguém se machucaria.

O livro é excelente, li de uma sentada só, mesmo com isso soando altamente comprometedor em um post com esse título.

picadura.jpg

São 155 páginas com crônicas deliciosas, onde ele conta seu dia-a-dia na terra de Fidel. Ele descreve um povo como qualquer outro. Alegre, triste, otimista, conformado, assustado, orgulhoso, envergonhado.

Ele encontrou Dolores, a bibliotecária mais sensual desde a Barbara Gordon, descobriu que os cubanos também usam o Jeitinho Brasileiro e aprendeu que quem decide o menu é o burocrata do Governo que escolhe quais produtos colocar nas lojas naquela semana. Passou por saias justas com vendedoras de abacaxi, apaixonou-se por vários pés (longa história) e enganou a polícia para tomar sorvete barato.

Alex alterna momentos líricos com o mais puro sarcasmo. Vejam o trecho abaixo. Não é qualquer um que capta essa cena.

A coisa mais interessante da estrada foi ver policiais cubanos uniformizados singelamente pedindo carona aos carros que passavam. Fiquei dividido entre achar lindo e deprimente, mas acabei achando lindo. Tem uma poesia que não sei bem explicar.

Por outro lado, solta pérolas do sarcasmo como:

A praia, Mar Azul, era simplesmente linda. Se essa foi a que sobrou pros cubanos, fico me perguntando como devem ser as somente para turistas, aquelas com policiais uniformizados nas entradas exigindo passaporte dos visitantes. Fidel Castro, se fosse vivo, jamais permitiria uma situação dessas. Afinal, a Revolução não foi justamente pra evitar que Cuba se tornasse o bordel dos Estados Unidos?

Ele comete vários pecados que farão com que a Academia odeie seu livro, e desejasse estar sob o Regime Cubano, onde Alex seria preso e seus livros proibidos. Ele cita o prosperidade artificial graças ao Regime Soviético, conta que os jornais oficiais são subsidiados, e que o povo os usa como substituto de papel higiênico, conta dos táxis para cidadãos, proibidos por lei de levar turistas, e constantemente parados pelo polícia, e conta até algo que acho difícil de acreditar. Se fosse um livro de um autor histérico anti-comunista, eu descartaria:

Annie, minha companheira de viagem, é norte-americana, branca, loira, olhos azuis. Leonardo é negro, forte, alto, musculoso, bailarino profissional. Em um pequeno percurso de vinte minutos andando pelas ruas de Havana Velha, somos parados quatro vezes por policiais diferentes. Pedem seu carnê de identidade, perguntam quem ele é, o que faz, de onde nos conhece, pra onde está nos levando, anota nossos nomes e o dele. Falam grosso e arrogantemente, como qualquer policial, mas nos deixam ir.

Isso mesmo. Há racismo em Cuba, e é oficial. Que orgulho do Brasil, onde isso não existe!

Mesmo assim, Radical Rebelde Revolucionário não é um ebook-denúncia. Nem tudo é ruim, nem tudo é um dramalhão mexicano. Alex não tem uma agenda oculta através do livro. Ele consegue falar mal de uma coisa, e na próxima crônica falar bem de outra. Mostra que por detrás da propaganda e da antipropaganda há gente. E gente é sempre interessante

Recomendo muito a leitura do livro. Pode ser comprado aqui neste site e custa apenas 200 pesos cubanos não-conversíveis, ou R$20, ou praticamente um salário-mínimo cubano (192 pesos).

[atualização]

Só vi agora, mas o Slonik fez uma resenha do livro, dia 17, fechando exatamente com a mesma piada. Eu estou ficando com medo dele.

[atualização 2 - a missão]

O Alex vai fazer um lançamento do livro em Sampa, neste sábado, 21 de Julho/2007, no bar Canto Madalena, na Rua Medeiros de Albuquerque, 471, Vila Madalena. Não percam. Eu vou perder, infelizmente não poderei ir, mas termino com um hai-kai:

Alex seu livro em Sampa vai lançar / Sem Fidel, é um mel / quero ver em Cuba lançar

jabaalex.jpg



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