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Da arte de escrever resenhas

25/08/2007 - 4:24 am  -  11 comentários


Vamos a um pequeno exercício. Pegue um filme que você já viu e gostou. Tente escrever uma resenha que seja original, com conteúdo, que faça alguém querer ver o filme.

Agora leia de novo, veja o quanto de informação você colocou e que vai estragar a experiência.

“O Sexto Sentido é genial, fantástica a idéia do Bruce Willis não perceber que está morto”

Não estou exagerando. Sem técnica, acabamos escrevendo isso mesmo. Junte entusiasmo e logo temos o texto estilo “caraca mané a cena que o Vader diz que é pai do Luke é show, você tem que ver esse filme”.

Agora tente escrever uma resenha falando do filme, atendo-se somente ao que é mostrado no trailer. Remova o que estragaria as surpresas, remova as piadas que você parafraseou, remova tudo que os personagens (e o espectador) não sabem, no começo do filme.

Remova as tentadoras frases “Mas… e se a tentativa de explodir o gerador de escudo da Estrela da Morte não der certo da primeira vez?”

Torna-se mais complicado, não? Escrever resenhas que excitem a imaginação do espectador sem entregar o filme não é tão simples.

Estava escrevendo uma resenha pro Paranóia, que fui ver semana passada, e quando percebi não só contei metade das piadas do filme como confirmei se o personagem do David Morse era psicopata ou não.

Dado o estrago, era preferível que a resenha se resumisse a uma foto da Sarah Roemer e a legenda: “assista”.

Assista.

Mas pombas, se me chamam para ver um filme em primeira-mão com certeza não é com a intenção de que eu conte o final. Mas também não devem querer que eu enfie uma foto da gostosinha-da-hora e pronto. Convenhamos, isso não vai realmente fazer ninguém ver o filme.

Também é muito fácil cair no golpe da Blogosfera Intelectual e resenhar filmes citando Ahmed Kalil III, maior cineasta iraniano pós-revolução islâmica, ou as referências a Sartre que só você viu, todos discordam e o diretor do filme ameaçou te processar se continuar a dizer que existem.

De todos os tipos de posts, as resenhas devem ser os mais revisados, analisados (acertei?) e escrutinizados. Você está brincando com algo importante, com o lazer das pessoas. Nada é mais broxante (metaforicamente falando, afinal vocês já conhecem minha fama) do que gente que conta final de filme.

Claro, há exageros. Já vi gente reclamando de spoilers quando outro comentou que o Titanic afundava, e alguns inclusive chiaram por comentários sobre Tróia. Dizer que a história tinha mais de 2500 anos não convenceu muito. Mas há uma diferença entre dizer que os gregos usam um cavalo de madeira pra entrar na cidade, e revelar que o Cypher é o traidor em Matrix.

Eu gosto de resenhas, gosto de ler o que os outros blogueiros acham dos filmes, mas evito fazer isso antes de assistir, justamente pelo excesso de gente dando com a língua nos dentes. Os estúdios estão se aproximando dos blogueiros, para eles nós somos uma excelente forma de divulgação, e por sua vez nós temos material exclusivo e total liberdade sobre o que vamos escrever. (fora o pão de queijo)

É uma simbiose excelente, e temos tudo para mais e mais blogueiros entrem nesses pacotes. Só que pra isso precisam aprimorar suas técnicas de redação, ou cometerão gafes que podem inclusive prejudicar a blogosfera cinéfila como um todo.

Um estúdio aceita uma crítica negativa, estão acostumados, mas eu acho que é mais aceitável pra eles você colocar um link para baixar o filme do eMule do que contar o final ou estragar as surpresas. E estão com a razão.



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BlogCamp aí vou eu

24/08/2007 - 7:29 am  -  15 comentários


meiobit-blogcamp.png

Estou saindo daqui a pouco para Sampa. Sábado e domingo teremos o primeiro BlogCamp paulista, com notória ausência de salsinhas entre os inscritos.

Em geral esses encontros de blogueiros estão se mostrando bem interessantes, principalmente para os novatos. Isso é excelente, exceto pro pessoal que adora um pedestal.

E antes que alguém pergunte, vou de avião, pra Congonhas. Sim, eu gosto de viver perigosamente, e dada a quantidade de maldições por metro quadrado que tenho recebido da ala evangélica, nada mais justo que dar a eles mais uma chance de dizerem “eu sabia”.

carloscardoso-crash.jpg

Claro, estatisticamente há boas chances de quem for ao BlogCamp ter que me aturar, mas os trolls sempre podem rezar, né?

Enquanto isso vou tentar caprichar na cobertura. Quem for dar as caras, nos vemos por lá! Fui!



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Blogs e Jornalistas? Causa perdida

24/08/2007 - 6:24 am  -  14 comentários


Costumamos falar dos blogs nos EUA como falamos da banda larga na Coréia e no Japão, uma visão maravilhosa de uma utopia com a qual sonhamos, sem esperança de ver tão cedo. Quem pesquisa mais um pouco vê que não é assim que a banda toca, e mesmo nos EUA os blos não são tão importantes nem tão compreendidos assim.

É comum ver piadinhas na mídia sacaneando os blogueiros, e fora os nichos, a mídia tradicional continua sendo soberana.

Mais ainda: A percepção que a mídia tem dos blogs aqui não parece ser tão diferente da de . Vejam uma pesquisa que a Fusion PR, uma empresa de relações públicas, patrocinou:

Dos 1100 jornalistas entrevistados…

78% lêem blogs (incluindo blogs de jornalistas)

49% lêem acompanham 1 e 3 blogs

35% têm blogs próprios

67% citam blogs em ses artigos

A maioria prefere conseguir informações via email, uma minoria considera RSS importante

A maioria dos jornalistas considera os sites das empresas como fontes importantes de informação. Podcasts não são relevantes. A maioria é neutra em relaão a blogs, wikis e videocasts.

31% consideram blogs fontes confiáveis de informação.

Então, vamos analizar. (com S ou Z? Desisto, chutei) Jornalistas de Tecnologia e 22% não lêem blogs? Como alguém pode ser jornalista de tecnologia nos EUA sem ler sequer o Fake Steve Jobs? 78% dos jornalistas lendo blogs parece ser um valor atraente, mas em uma segunda visão, desses 78%, 49% só lêem entre 1 e 3 blogs.

Desculpe, gente, mas se você vai ler entre 1 e 3 blogs, melhor não ler nada. Aliás, melhor reciclar seu diploma em papel macio de folha dupla. Tudo menos escrever sobre tecnologia.

A cereja do bolo são esses 67% que citam blogs em seus artigos, mas 69% consideram blog fontes de informação não-confiáveis.

Se nos EUA a coisa está assim, eu acho que qualquer interpretação de que o Estadão está com medo dos blogs é falha. A Imprensa tradicional não nos conhece, não gosta da gente e não devemos esperar ver mudanças tão cedo.

Portanto, sugiro que continuemos tocando nossa vida normalmente, mas sem ilusões de que “2008 será o ano dos blogs”. Vamos fazer com que 2007, 2008, 2009 sejam o ano dos blogs para os leitores de blogs. Afinal, segundo as próprias pesquisas esse leitor continua mais importante do que nunca.



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Na Internet eu sou mais eu. Ou você.

22/08/2007 - 4:25 pm  -  31 comentários


Eu digo e repito: Aqui dentro, vale o talento. Você pode ter dinheiro, pode espalhar anúncios via AdWords no mundo inteiro, mas seu sitezinho vagabundo não vai ser visitado depois que a campanha acabar, se não tiver conteúdo. A audiência inercial é um fenômeno que mesmo no Mundo Real é superestimava, a Globo que o diga, quando Pantanal roubou audiência direto, mesmo competindo com o horário nobre da vênus platinada.

Aqui na Internet, onde não há fidelidade nenhuma, o visitante está pouco se lixando para quem está por trás de uma iniciativa de marketing, um site, um produto. Ele quer clicar, ler, olhar, se admirar, gostar, e então, somente então espalhará.

Se o produto for ruim, nem apelando para campanhas de posts pagos em blogs populares adianta. Você pode (e deve!) pagar (bem, de preferência) a um blogueiro conhecido para que ele divulgue seu produto, mas feito isso, você não tem como fazer com que os outros blogueiros repliquem o link. Eles o farão, se gostarem do conteúdo. Só que produzir conteúdo de qualidade é muito, muito mais complicado do que “comprar espaço de mídia”. As agências estão perdidas quanto a isso. A veiculação de posts pagos é uma admissão de culpa, pois o blogueiro se traveste de dupla de criação.

Nada pessoal, mas nós conhecemos muito mais do nosso público, como interagir com ele, do que qualquer redator trancado em uma sala na Augusta. E se isso não fosse preferível, as agências usariam o AdSense, que é muito mais barato que posts pagos.

Em busca de conteúdo criativo, tem gente se perdendo, e feio. O tal “marketing viral” é loteria. Quem disser que sabe o que vai ou não vai virar viral está MENTINDO. Você pode até ter uma boa idéia, mas continua sendo feeling, e como não canso de repetir, nas palavras de Nizan Guanaes, só quem ganhou dinheiro com Feelings no Brasil foi Morris Albert.

Vejam por exemplo o vídeo abaixo, que achei no excelente Sim, Viral:

Um milhão de Post-Its, bla bla bla, 96.316 frames, bla bla bla, e um filme fraquinho, fraquinho. Total de visualizações até o momento? 1.697. Depois de mais de 2 meses de campanha no ar.

Meu vídeo filmado da televisão, com o Assessor do Lula fazendo top-top? Até o momento, visualizado 6.650 vezes.

E garanto que o tal vídeo da empresa de celular africana passou na TV, teve chamadas no site, em revistas, devem ter enchido as revistas do pais de releases sobre o trabalho, com making-of, etc.

Antes que alguém ache que estou me exibindo, 6.000 visualizações no YouTube não é NADA. É insignificante, irrelevante. O que só torna pior o fracasso da campanha viral.

Qual a lição que tiro disso tudo? Simples: Boas idéias independem de dinheiro. Você pode ter uma excelente idéia que custará nada ou quase, pode ter uma excelente idéia que custará uma fortuna, mas uma fortuna não salvará uma idéia ruim.

E mais: Ser mediano, ser “legalzinho” na Internet é a morte. Temos milhões, milhões de sites, blogs, vídeos. Uma campanha “é, está legalzinho”, uma campanha “correta”, que se safa na mídia tradicional não se safa na mídia online.

A única forma de um vídeo do YouTube se tornar conhecido ainda é a replicação via blogs. Se você anunciar no horário nobre da Globo, terá uma enorme audiência, que em 3 dias tenderá a zero. Já divulgado em blogs, o efeito viral é muito mais acentuado. Só que pra isso o vídeo tem que chamar a atenção de um sujeito que vê vídeos curiosos, engraçados, interessantes, o dia inteiro. Não existe mais aquilo de contentar-se com agradar parte dos espectadores. Você tem que agradar o espectador mais exigente, e de primeira. Senão ele não passará sua mensagem adiante, e você ficará com goiabas iguais a este vídeo da SuperBonder, na Internet coisa de mais de ano, e com 2400 visualizações.

Ganhou um Leão de Bronze em Cannes. Opinião do espectador? “grandes merda”. Opinião deste blogueiro? Contratem bloggers como consultores. No bom sentido da palavra, discutam idéias das campanhas, escutem quem conhece o público, antes de perderem tempo e dinheiro atirando no escuro. Não tentem achar que entendem de Internet como a gente. Não entendem. Vide o filme da mulher do sanduiche-iche-iche que foi chamada para uma campanha publicitária e acabou protagonizando o comercial mais chato do planeta, ou o picareta que disse ser o Tourist Guy, coisa que qualquer pesquisa de 5 minutos online provaria ser mentira, mas quando se viu o mentiroso já estava até no Jô Soares dando entrevista.

Vamos trocar experiências, será muito mais produtivo do que reinventar um monte de rodas.



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Os blogueiros mais patéticos do mundo

22/08/2007 - 12:28 pm  -  18 comentários


Qualquer mesa de bar irá gerar uma lista bem consistente de blogueiros dignos de pena, mas desta vez a blogosfera brasileira inteira, miguxas inclusas, está de fora.

Encontrei o grupo mais patético, digno de pena e ridículo de toda a blogosfera mundial.

São os organizadores da “BlogWorld and New Media Expo”, um evento em Novembro que reunirá blogueiros, podcasteiros, vloggers, jornalistas, indústria, etc. A proposta é muito interessante, mas a organização deu um show de mente retrógrada.

Vejam o que está sendo enviado para os veículos:

Credenciais de imprensa estão disponíveis somente para membros da mídia profissional e será exigido o envio de artigos e verificaremos sua intenção de escrever sobre a conferência para uma publicação

Ou seja: Blogs estão de fora das credenciais de imprensa de um evento sobre BLOGS E A NOVA MÍDIA!

Pior. Como a coisa ficou feia pro lado deles, quando a Information Week jogou o assunto no ventilador, tentaram se explicar. Nos comentários um representante do evento explica: Blogs poderão solicitar credenciais, mas serão analizados caso-a-caso.

Eu já vi esse filme antes. Sempre que um grupo começa a ter um mínimo de importância, mesmo que apenas para si mesmo, imediatamente surge um grupo querendo “organizar”, e logo temos uma “diretoria”, “estatuto” e uma organização burocrática autoperpetuante cujo principal (e às vezes único) propósito é garantir a própria existência. Logo a própria categoria que seria a razão de existir do tal grupo perde a importância. É preciso “pensar grande” e pisar em um monte de pequeninos no processo.

Quando um evento para blogueiros faz uma discriminação explícita, dizendo que os blogueiros A-List terão tratamento diferenciado, acho que já está errado o bastante para não ser mais considerado um evento de blogueiros, e sim um daqueles encontros-caça-níqueis que algumas faculdades fazem, pra faturar um troco e fechar a conta do 13º dos professores.



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Blogosfera Intelectual – dando nomes aos bois

17/08/2007 - 12:50 pm  -  56 comentários


O pessoal vive pedindo exemplo da tal “Blogosfera Intelectual” que eu tanto falo que não gosto. É difícil, pois eu simplesmente ignoro esses blogs, não batem comigo, é gente que se leva a sério demais pro meu gosto. Não lembro nem nomes. Mas fica parecendo fofoquinha telefone-sem-fio, criticar sem exemplificar, mesmo vocês sabendo que não tenho problemas de botar o dedo na ferida (de preferência alheia).

Por sorte, caiu no meu colo um exemplo dessa tal blogosfera, com um excelente motivo pelo qual ela não me agrada.

Neste post aqui (com nofollow, não linko quem não me merece) o autor do blog, que é cheio de elocubrações intelectuais bem do jeito que eu não gosto, comenta sobre seu posicionamento no ranking do Interney, veja:

contraditorium-blogosferaintelectual.jpg

O Interney ganha link (na verdade vai pra outro blog, que repetiu a lista), o Biscoito Fino, por ser um blog respeitado pela blogosfera intelectual ganha link (mas para um post do próprio Blog Intelectual. Coisa estranha, Blogueiro Intelectual regula link até pra quem gosta?), mas o Morroida não ganha? E que desprezo, que arrogância é essa, “um pouco acima de algo chamado Site das Morróidas”? Arrogância, meu caro, como disse House, é algo que deve ser conquistado.

O Morróida não é “algo”. (ok, ele, em si É algo) O Morróida é um blog, ou um site, se preferir. Tem gente que diz ser uma merda de blog, mas é um blog. Tem tanto direito de estar no ar quanto qualquer um de nós. O MÍNIMO de respeito que ele merecia, seria o nome ter sido escrito corretamente, como está, na lista linkada.

É perfeitamente possível ser arrogante sem ser deselegante. Aliás, é preferível. Menosprezar um site por seu nome é algo infantil. Só para lembrar, dois dos melhores sites de entretenimento do Brasil foram o www.putaquepariu.com e o www.cudojudas.com, sendo que este último foi dar no Judão. Ao invés de dizer “algo chamado Site das Morróidas”, custava ter clicado no link?

Ah, eu esqueci, blogueiro intelectual não visita esses sites mundanos de humor questionável e opiniões politicamente incorretas.

É compreensível. Como um ser dotado de humor questionável e opiniões politicamente incorretas, eu não visito a blogosfera intelectual.

Agradecimentos ao Morróida pela dica do post, e também por ter me livrado do peso de ficar falando sem ter um bom exemplo. Acho que ficou bem claro o modelo de Blogosfera Intelectual que eu não quero fazer parte, e se algum dia qualquer blog meu descambar pra essa linha, pelo amor de Alá me batam, me xinguem mas me avisem, ok?



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Imagine o que o Estadão pensa dos portais

16/08/2007 - 12:48 am  -  30 comentários


A mídia tradicional não acredita na Internet, se sente às vezes obrigada a investir nela, mas o faz com plena certeza de que Internet é algo no mínimo menor. E É. No momento O Maior Blog do Brasil segundo o Ranking Cardoso da Blogosfera não arranha a cobertura de um Jornal Nacional, uma Folha de São Paulo, ou mesmo o Programa da Hebe. Mesmo assim, se for pra investir seria melhor que não o fizessem com má-vontade. Só que o preconceito não vem só das organizações, malvadas e sem-rosto.

Digamos que na cadeia alimentar dos jornais e dos jornalistas, Internet é terceiro escalão, fica abaixo mesmo dos Jornais de Bairro. Isso faz com que em sua maioria dos profissionais mais experientes não queira trabalhar na área, e mesmo os mais novos, assim que se destacam são arrastados para o jornal “de verdade”. Arrastados com um belo sorriso no rosto, pois o próprio profissional não enxerga a Internet como um fim, no máximo é um “estágio estendido” até poder fazer jornalismo de verdade.

Para piorar os portais são os que mais sofrem com isso. Convenhamos, entre trabalhar na Folha ou no Terra, onde você prefere? Se for nas condições atuais, eu escolheria a Folha, sem piscar duas vezes. Setor de jornalismo de portal é encarado como despesa. Precisam depender de agências de notícias, estagiários e gente que comete erros primários, gente que comete barbaridades que ninguém veria na mídia convencional. Se uma besteira dessas passa em um jornal de verdade, não roda só o foca, vai um grupo embora junto.

Há gente que viva de catar barbaridades encontradas em portais. Eu mesmo já publiquei uma penca delas que achei por aí. O responsável pelas matérias não se dá ao trabalho sequer de pensar. É tudo feito na base do “de qualquer jeito tá bom”. O senso crítico, que cobro dos leitores, é ausente por parte dos portais. Vejam por exemplo a imagem abaixo.

carloscardoso-yahoonews.jpg

Segundo a legenda neste post do YahooNews, a mulher está mostrando duas balas que atingiram sua casa durante um tiroteio, no Iraque. Será que o estagiário simplesmente formatou e clicou “publicar”? “não ganho pra isso” é insuficiente pro sujeito se mexer e dizer “ei, um momento, essas balas não foram disparadas, essa notícia está errada”?

Não há um editor, responsável por verificar o conteúdo? Como os portais querem conseguir um mínimo de credibilidade assim? Apenas republicando material das agências de notícias, sem um mínimo de discernimento e senso crítico, estão dando munição para que blogs os sacaneiem, e garantindo menos uma fonte de concorrência para a Velha Mídia.

Logo os portais perceberão que os blogs estão comendo seu espaço, e mesmo com grandes nomes por trás, os leitores continuarão insatisfeitos. Não adianta você ter um “CardosoNet News – by Washington Post” se quem edita as notícias é o irmão mais burro do Forrest Gump. Esses leitores tendem a migrar para blogs, onde têm a opinião, e pra mídia tradicional em sua versão online, onde acham a notícia escolhida com discernimento.

Os portais tem, então, duas possibilidades. Em uma delas prestigiam, investem e criam um ambiente onde o profissional de comunicação se sinta satisfeito e orgulhoso de trabalhar ali, onde ele tem poder de investigar, gerar conteúdo, tem verba para investir e produzir conteúdo original de qualidade, competindo com os blogs E com a grande imprensa, tendo o melhor de dois mundos: A Agilidade da Internet e a profundidade e credibilidade de uma matéria jornalística investigada com competência.

Isso, claro, em um mundo ideal. Na prática, acho mais provável que optem pela segunda opção.

Isso mesmo. Para vocês mais uma previsão do Pai Cardoso, anotem aí:

“Em um futuro próximo os portais atacarão os blogs independentes, culpando-os por sua perda de audiência e credibilidade.”



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Entre Onan e a Mão na Massa

13/08/2007 - 5:24 pm  -  23 comentários


Eu não gosto de gente que se diz profissional de comunicação mas embasa tudo que faz ou deixa de fazer em cima de uma teoria. Um bom trabalho, seja um texto, um vídeo, uma foto, não precisa ser justificada. Qualquer um que começa uma frase com “segundo a Teoria da Comunicação…” fora de uma sala de aula pra mim só está arrumando justificativa pra um trabalho ruim.

Notem, não estou desdenhando dos grandes teóricos, como Marshall McLuhan têm suas idéias baseadas em observações do mundo real, não procurando contradizê-lo, mas explicá-lo. Esses costumam ter suas teorias demonstradas, quando um grande profissional de comunicação cria algo inspirado.

Vejam por exemplo, o conceito de que o Meio É a Mensagem, não estão dissociados. Conheço gente que poderia passar horas e horas entediando uma platéia falando sobre o tema, mas nunca, jamais em momento algum seria capaz de criar algo tão bom quanto a peça abaixo.

Alerta: O vídeo abrirá em outra aba. Clique nele apertando a tecla CONTROL.

contraditorium-tube.JPG

link para o vídeo

Elocubrar sobre teorias de terceiros é fácil. Criar uma prova lindamente elegante delas, aí não é pra qualquer um. Palmas para a agência espanhola que a criou.

Achado no Uneasysilence



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