MS Explorer bate em iceberg e afunda. Juro!

Eu não sei como  pessoal deixou passar isso. No dia 24 de Novembro um navio que fazia passeios no extremo sul bateu em um Iceberg, na costa da Argentina, e afundou. O navio se chamava… MS Explorer.

Aqui está o site de uma empresa de passeios que promove promovia viagens nele. Espero que tenham uma divisão especializada em mergulhos turísticos…

A piada é boa demais, nem sei se começo perguntando se o SS Firefox está bem, e se o USS Safari foi afetado…

Já o SS Opera, segundo imagens recentes, opera normalmente com a totalidade de seus usuários…

Seu blog preferido mudou. Não adianta chorar

Quando acompanhamos um blog é porque gostamos. Ou somos trolls masoquistas que só entramos pra falar mal e levar patada do blogueiro.

O problema é que nem todo blog se mantém fiel a seu formato original. Pessoas mudam, objetivos estratégicos mudam, sacos enchem, gente se entedia.

O Judão, por exemplo, continua a mesma coisa. Refinaram um pouco os textos, o que é natural para qualquer não-salsinha que escreve muito, mas a essência está lá.

Por outro lado temos blogs como o Diário de Um PM. Não sei se o fanfarrão do Alexandre levou uma chamada do Capitão Nascimento, ou se ele achou que seu blog seria mais útil como instrumento informativo para a categoria, mas seus posts estão raros e espaçados, e são basicamente convocações e avisos de assembléias.

Já o Fábio Seixas, depois de ir pros isteites como empresário de web, e de ser processado pelo Jeremias (o cara destes vídeos aqui. Não clique, é feio, ele não quer que o mundo saiba que ele foi preso, bêbado, encachaçado e patético) assumiu o lado empreendedor (não virtual, de verdade, dar dicas sem ter empresa é fácil) resolveu direcionar seu blog para outros megaempreendedores como ele.

Quem lia os dois blogs acima e percebeu essa mudança de rumo pode até ter se sentido traído. Não no nível do leitor do Polzonoff, que acompanhou umas 5 despedidas definitivas da Web, mas como um leitor que descobriu que o blogueiro tão familiar não fala mais para ele.

É chato? É, mas se o blogueiro não quer mais seguir aquela linha, não podemos exigir que ele continue escrevendo sobre coisas que não gosta mais, ou não considera prioritárias.

As observações do Fábio sobre web empreendedora serão boas, e ele continua uma referência, por mais que eu sinta falta dos posts mais pessoais. Se ele se forçasse a manter um estilo pessoal que não é mais o que ele quer fazer, ficaria ruim, e em breve eu cancelaria seu feed, o que não pretendo fazer hoje, mesmo “descontente” com o estilo novo do blog.

O leitor precisa entender que se conseguimos ser bem-sucedidos com blog, ganhando dinheiro escrevendo, no Brasil, isso significa que nossa empregabilidade é alta. Dos blogueiros top de qualquer ranking qualquer um consegue um excelente emprego, na hora que quiser. O blog é uma OPÇÃO (como o é qualquer emprego) e se queremos trabalhar com isso, é porque gostamos de escrever. Gostamos de nos relacionar com os leitores, gostamos da “microfama” - li na Wired, gostei do termo -

Eu não conheço nenhum blogueiro que escreva por obrigação, mesmo entre os que ganham dinheiro. Escrever É divertido. Se deixar de ser divertido, o blog não irá durar. Vamos arrumar um emprego de verdade, e pronto, the end.

E uma das formas mais rápidas de fazer com que escrever deixe de ser divertido é forçar um blogueiro a escrever sobre assuntos que ele não gosta.

Portanto, é melhor para todo mundo que seu blogueiro favorito continue escrevendo. Mesmo que você não goste.

Publicidade nos blogs - estamos em 1984?

Não estou falando em 1984 do Big Brother, mas do ano mesmo. Estou trabalhando e assistindo Bete Balanço no Canal Brasil…

Pausa para uma explicação: É um típico filme dos anos 80, com trilha sonora do Barão Vermelho, uma história bobinha e, o melhor, a Débora Bloch, no auge de seus 21 aninhos, muito pelada nua e despida, em generosas cenas de séquiço apelativo. Há razão melhor para ver um filme?

É, eu imaginava que não.

Mas fora as tufas da Debby o que chamou minha atenção foi o merchandising descarado. Sem prestar muita atenção vi propaganda da Ínega, Olimpikus, Postos Ipiranga e até Leite Ninho. O que é extremamente irônico, pois na letra da música que fala de “leite em pó” e foi usada para a base da cena onde o Hugo Carvana puxa uma lata do porta-luvas do carro, e depois oferece um papel dobrado com “leite” dentro, bem… já deu pra perceber que a referência era cocaína, né?

Visto com os olhos de hoje, chego a algumas conclusões:

1 - A Débora Bloch é uma péssima cantora e melhorou MUITO como atriz.

2 - Ela estava muito melhor no Vida Como Ela É. alguns Kg a mais ajudaram.

3 - Se o merchandising hoje fosse feito com a cara-de-pau e desfaçatez dos anos 80, os cinemas seriam depredados.

A coisa é tão descarada que há até um número de dança com a Débora Bloch e um grupo de frentistas de um posto Ipiranga. Gratuito? Completamente. Em outro momento ela está fazendo fotos para um anúncio de jeans, com direito a um descarado close na bunda, mostrando a marca - Ínega -

A impressão -que não está muito longe da verdade- é que os produtores saíam atrás de patrocínio, fechavam a grana com as empresas, então escreviam o roteiro com as cenas em volta. Assim como os patrocinadores -ruins- de blogs fazem exigências absurdas, os patrocinadores dos filmes exigiam cenas inteiras em torno de seus produtos.

O carro-tênis da Olimpikus participou de vários filmes, inclusive dos Trapalhões.

Esses, eram especialistas. No Os Trapalhões no Planalto dos Macacos o filme era quase todo patrocinado pela Ultralar -tudo a preço de banana- e às vezes a cena inteira era cheia de caixas com a marca da loja.

Era comum nos filmes nacionais uma cena cortar para uma rua, um caminhão das Mudanças Gato Preto passar, parar por alguns segundos, seguir adiante, e a cena cortar para o resto do filme.

O termo técnico para esse tipo de ação de propaganda é… “tosco”.

Hoje o merchandising no cinema está bem mais refinado. Você não paga mais para ficar exibindo na tela uma logomarca por 15 segundos, você paga para a personagem principal usar roupas da sua grife.

Em True Lies uma das cenas mais comentadas foi a do computador rodando Windows em árabe. era o 3.11, já havia realmente uma versão localizada, mas ver algo assim é bem diferente de saber.

Não foi gratuito. A Microsoft pagou e pagou bem, mas o buzz gerado valeu cada centavo.

Bill Gates aliás parece gostar desse tipo de coisa. N’As Panteras elas usam um PDA com Windows Mobile, e em Transformers um XBox360 vira um Decepticon e ataca seu dono. Isso rendeu posts em quase tudo que é blog de tecnologia do planeta.

A Apple é especialista em colocar seus equipamentos em filmes. Primeiro, por serem bonitos e fotogênicos. Segundo, pela grana e/ou disponibilização de hardware para uso no filme. Quando o acordo não é acertado, ou a Apple decide não participar do filme, às vezes Macs ainda são utilizados, mas o a logomarca da maçã iluminada é descaradamente coberta com uma fita.

Quando um merchandising descarado é tentado hoje, geralmente temos uma pequena rebelião dos escritores e atores. Em House, MD durante um episódio temos um monitor especialmente posicionado para que a marca fique visível:

O personagem principal reclama: “Por quê eu não tenho Alta Definição no meu escritório? Eu sou um chefe de departamento. Caracterização de tecidos é impossível quando os pixels são do tamanho de legos!”

Pelo visto a idéia de fazer um merchandising discreto não funcionou muito bem. Não sei se a Dell reclamou, mas Inês é morta.

O quê isso tudo tem a ver com blogs?

Eu acho que estamos hoje como os filmes nacionais na década de 80. Vivendo uma época onde o dinheiro está começando a entrar, mas nem quem paga nem quem recebe sabe exatamente como se portar.

A perspectiva futura apesar de tudo é positiva. Se o cinema nacional -e mundial- conseguiu se adaptar, se hoje temos excelentes filmes que não páram a trama para mostrar um outdoor, acredito que os blogs também achem seu formato. O leitor de blogs hoje é bem menos condescendente que o espectador de cinema dos anos 80, e ainda temos a desvantagem de não poder mostrar fotos da Débora Bloch pelada, portanto essa evolução para um modelo de publicidade que agrade todos os envolvidos será dramática, cruel e eliminará muita gente boa mas nem tanto, mas no final, acredito que vamos chegar lá.

Darwin continua atacando, desta vez nas agências

Que ninguém nos ouça (e nesses dias de feriadão ninguém vai ouvir mesmo) mas 90% do chamado “Marketing Online” é um lixo.

Longe de mim reclamar, quero mais é que gastem dinheiro no AdWords com seus “Compre Enfeites Natalinos”e outras chamadas inspiradas, mas a triste constatação é que mudou-se a mídia, mas manteve-se a falta de criatividade. Os SPAMs que recebo são reproduções fiéis das malas-direta de 50 anos atrás. Em alguns casos o spammer realmente ESCANEIA a mala-direta, ou manda um JPEG do site. Sem área clicável.

Os mais criativos são os picaretas estelionatários, esses ao menos usam de meios de convencimento eficazes para que o corno de pau pequeno ou o esperto que vai ver as fotos que a gatinha mandou por engano cliquem nos links. Nas agências, a mesma coisa. Existem cases excelentes, como o da Axe com as blogueiras, ou o da Gossip Girl, onde a agência contactou blogueiros pedindo “informações pessoais semi-constrangedoras” e usaram na campanha, gerando um buzz legal.

Mas isso é a exceção. O normal é o blog ser tratado como no máximo mídia convencional. “Oi, tome dezreau para falar desse produto aqui”. Em alguns casos o cliente sequer aceita que a propaganda seja anunciada como tal. Curioso. Ele pede pra Rede Globo não passar o Plim-Plim quado o comercial dele abre o break?

Algumas atitudes são extremamente simples, óbvias mas ainda são raras. Por exemplo: Eu recebi um Grill do George Foreman para testar. Com certeza saiu mais barato do que um post pago, mas muito provavelmente eu não aceitaria fazer, se assim fosse. Fica complicado falar de um produto que não conheço, ficaria falso e artificial. Ao me oferecer o Grill a agência “teve trabalho”, enviando o negócio, eu me senti bem (adoro receber pacotes) e pude colocar a mão na massa. O resultado ficou bem melhor do que um post “compre, dizem que é bom”. Eu saí perdendo por ter recebido um produto mais barato que um post pago? Acho que não. Nem tudo são números frios.

Jáa Intel preferiu seguir uma linha completamente tradicional. “fale aí do nosso comercial”. Fiz o post, recebi, mas faltou tesão. Melhor ficou o post que fiz depois, quando achei fotos semi-nuas das gêmeas do comercial.

Não faria mais sentido oferecer algo como “Cardoso, aqui está o $$ de um post pago. Queremos que você fique com este notebook por um mês e depois escreva um texto sobre o que achou do novo chip Intel MegaPentium XV”? Blogueiros gostam de gadgets, uma oferta dessas garantiria pelo menos uns três posts, pois se conheço minha raça, adoraríamos contar pra todo mundo que estamos testando um mega-notebook da Intel.

É fácil mandar um DVD ou um press release ou então pagar pra que um blogueiro fale de um filme. Mas não seria muito mais eficiente chamar um grupo de blogueiros locais para acompanhar um dia de filmagens? Garanto que o buzz seria bem maior. Só que para isso é preciso ser criativo. A Riot, com a influência do Ian (e agora da Mírian) tem se saído com propostas interessantes, mas a resistência dos clientes me parece muito grande. As verbas também não são isso tudo.

Quando os anunciantes começarem a se interessar mesmo por essa Mídia 2.0, as agências mais criativas terão caído na graça dos blogueiros. E como o espaço para mídia é limitado, Se tivermos que escolher entre um post-propaganda padrão e uma idéia criativa, diferente, curiosa, ficaremos com a segunda, pois com isso faremos posts criativos, diferentes, curiosos, e é isso que nosso leitor quer, seja pago ou não.