Um blog é um blog é um blog. Ou não?

O termo blog é pejorativo. Não adianta. “blogueiro” também é. O sufixo “eiro” denota trabalho braçal. Sim, “engenheiro” também é braçal, só melhora um pouco quando ganha “eletrônico”, “nuclear”, no final. Não temos “articuleiro”, “periodiqueiro”, “jornaleiro”. De forma subconsciente quando falamos “blogueiro” já nos colocamos em posição de inferioridade, diante do interlocutor.

A imagem pública de “blog” também não ajuda. A frase que mais se escuta é “blog? Minha filha tem um”. O Fugita que o diga, quando se identificou como blog e quase foi escurraçado.

Há empresas que bloqueiam em seus firewalls blogs específicos -o Bruno por exemplo não me acessa do trabalho- ou mesmo qualquer URL com a palavra “blog”.

Imaginem se bloqueassem “news” o escândalo que seria.

Claro, dizem que os blogs não possuem credibilidade, são em maioria diários de adolescentes, e antiprodutivos de ter em um ambiente corporativo. Colocam todo mundo na mesma cesta, e danem-se os blogs sérios. Já os sites “de notícias”, como o Weekly World News não são bloqueados. Vejamos as manchetes deste que se diz “O Único Jornal Confiável do Mundo”:

É, eu também acho.

O preconceito contra blogs vai mais adiante. Aparentemente na Escala Pokemon os blogs são naturalmente inferiores. Vejam n’O Globo por exemplo: A URL é:

http://oglobo.globo.com/blogs/

Mas… notem a primeira rubrica na coluna da esquerda:

os top 4 são “sites de colunistas”. Estão inclusive fora da árvore de blogs. O Beto Largman, que é um humilde autor de blog de tecnologia d’O Globo, está listado, lá embaixo:

O link é:

http://www.oglobo.com.br/blogs/largman/
  (destaque meu)

Já o Noblat está listado lá em cima como “site de colunistas”. O link:

http://oglobo.globo.com/pais/noblat/default.asp

É CLARO que os figurões ganham mais destaque, é a ordem natural das coisas, não estou reclamando disso. O ponto aqui é bem mais sutil. Notem que acima de um certo grau de evolução, você não pode ter um blog. Passa a ter um site. “blogs de colunistas” é haram, haram mortal!

Essa postura é ridícula, é tampar o sol com a peneira. É dizer que a Mírian Leitão é “boa demais para ter blog”. Eu só posso rir, pois enquanto o jornal finge que o Noblat tem um site de colunista, bem… vejam o cabeçalho:

É. Noblat tem um blog. Mesmo que uns não queiram.

Dormindo com o Inimigo - ou: Cardoso: PWNED!

Eu sei que o MadDog é o Stallman do bem, não tem nada a ver com os freetards que empesteiam o MeioBit, eu sei que eu queria ter tirado uma foto com ele, mas descobrir que a MINHA namorada tirou uma foto com o cara é PWNED demais pra mim ;)

Mas deixe estar, vou tirar uma foto com a Tina Wood, da Microsoft, ela vai ver só ;)

Se eu pudesse falar a Língua dos Blogs…

Nota: Este artigo não é sobre miguchês.

A arte de escrever tem suas nuances. O meio determina a forma. Um texto televisivo é diferente de um texto radiofônico. Um bom exemplo são as diferenças entre legendas e traduções para dublagem. Todo adolescente que faz 6 meses de CCAA e se dispõe a traduzir sua série preferida acaba, em uma primeira fase, com legendas de três linhas.

Quando a velha mídia veio para a Internet, trouxe sua forma de escrever, os textos são rigorosamente iguais aos que são publicados nos jornais e revistas, por isso também temos a virtual ausência de links. Redator de site de jornal não linka por ordem superior E por falta de hábito. Links não funcionam na mídia impressa, e quase todo veículo que tenta, faz caquinha. Já viu aquelas colunas pequenas, com uma URL quebrada? Ou o diagramador mete uma quebra de linha e torna a URL falsa (como saber se o hífen existe mesmo?) ou temos aquele espaçamento justificado onde as letras da URL se separam para ocupar a linha inteira.

A melhor saída para a mídia impressa é, ironicamente, avisar “para os links desta matéria, consulte nosso site”.

Quem escreve em blogs, entretanto, não precisa ficar preso a esse tipo de restrição. A menos que você pretenda requentar reunir seus textos em um livro posteriormente, pode usar e abusar dos recursos de tipografia online, além de hyperlinks, formatações, etc.

Não é algo que substitúa o conteúdo, mas é algo que o enriquece. Algo que torna o texto online mais versátil que o impresso. Um texto tradicional tem duas possibilidades: Ou você assume que seu leitor sabe do quê está falando, ou então explica tudo, timtim por timtim:

Texto assumindo que o leitor sabe do que você está falando:

Fidel chama o Raúl. Por pouco não foi o Hugo.

Texto assumindo que o leitor não sabe do quê você está falando:

Fidel Castro, ditador cubano há décadas no poder renuncia em benefício de seu irmão, Raúl Castro. Hugo Chavez, presidente da Venezuela, foi cogitado como alternativa por alguns analistas.

Texto usando recursos online:

Fidel chama o Raúl. Por pouco não foi o Hugo.

Quem entendeu, entendeu. Quem não entendeu, clica.

Com o uso de links podemos transformar um texto de 10 linhas em três, sem prejuízo ao entendimento. Quanto mais informações o leitor tiver, mais ele aproveitará, pois não precisará ler nada que não seja necessário, ao mesmo tempo em que o leitor que não conhece os detalhes em discussão tem oportunidade de aprofundar seus conhecimentos. Você literalmente ensina a pescar, sem encher o saco do pescador profissional que está no mesmo barco.

No texto online também somos mais flexíveis quanto ao uso de formatações, uma simples variação no tamanho da fonte passa um significado, mas não conte para ninguém, ok?

O uso criativo de tipografia vai além. É comum blogs de respeito reconhecerem seus erros com a tag , que marca um texto como apagado, mas o recurso serve para outros fins, em geral humorísticos, até em sites como o do verme canalha desprezível escroque meu amigo Morróida.

Tags falsas são um recurso já não tão recomendado, exceto se sua audiência for geek, do contrário não entenderão o significado completo do recurso. Bem, quem mandou não trabalharem com tecnologia?

Visita ao Estadão

Um outro recurso é utilizar o nome dos arquivos de imagens para passar “mensagens subliminares”. É excelente para implicar discretamente com alguém. O elemento ALT, dentro da tag de imagem, também pode ser usado. No caso da imagem acima, parando o mouse em cima provavelmente você verá algo interessante, pois o elemento ALT está definido como:

alt=”Visita ao Estadão”

O texto online também pode “cometer” emoticons, algo impensável em um texto mais formal. Mas, se fôssemos formais não seríamos blogs ;)

A Poesia Concreta fez muitas experimentações com forma, mas não gerou nada de útil <== isso vai dar polêmica. No caso do texto online nós efetivamente agregamos conteúdo, com a inclusão da forma como… forma de comunicação.

O importante é que temos mais recursos para passar nossa mensagem, e devemos utilizá-los. Eu disse que o meio determina a forma, mas como menor denominador comum. Um texto radiofônico soa redundante na TV, mas pode ser utilizado. Um texto jornalístico clássico funciona online, mas soa redundante. Nosso texto deve ser diferenciado pela qualidade, mas também pela forma, do contrário escrever online não será mais do que escrever para qualquer outro veículo, de papel ou não. E gente fazendo isso é o que não falta. Viva a Diferença, especialmente se nossa diferença for melhor.

Cuidado rapaz, eu tenho amigos poderosos!

OK. “Eu” entenda-se blogueiros americanos de sites militares, mas o princípio é o mesmo.

Ontem o Exército dos EUA divulgou a versão 3-0 de seu Manual de Campo, um documento chatíssimo e completamente desinteressante exceto para os mais fanáticos por assuntos militares, ou quem trabalhe com isso.

O importante aqui é que a divulgação contou com uma conference call entre blogs militares, como o Aviation Ares, o Military.com, Defense Tech e outros. Faz sentido. Esses blogs, que o preconceito e falta de costume leva quase automaticamente a chamarmos de “portais” são muito mais eficientes divulgando informação do que a mídia, mesmo especializada.

Não há nenhum programa diário de TV nos EUA especializado em notícias militares, e mesmo que houvesse, um manual de campo não é matéria “quente”. Revistas, bem… elas sofrem daquele problema de só serem publicadas uma vez por semana, se tanto. A maioria, mês em mês…

Para esse tipo de divulgação, os blogs especializados são excelentes, garantindo agilidade E atingindo (sem trocadilhos) de forma cirúrgica (ok, talvez um leve trocadilho) seu público-alvo (admito, foi proposital).

Levando-se em conta que militares de qualquer lugar não são exatamente amantes de novidades e progressistas, a idéia de uma estrutura de divulgação envolvendo blogs é no mínimo inusitada. Nada mal, pelo visto é melhor lidar com os soldados do Tio Sam do que com a organização de eventos de tecnologia e Internet no Brasil.

Claro, quando penso em blogs sobre assuntos militares, Internet, etc, confesso que a primeira imagem que me vem à mente é esta aqui: