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O medo não é dos blogs, é dos leitores

23/02/2008 - 10:13 pm  -  17 comentários


Estava matutando sobre a birrinha de sempre de alguns jornalistas (mea culpa: vamos parar de generalizar, há excelentes jornalistas que não morrem de medo do Futuro)  e percebi que há dois fenômenos diferentes acontecendo aqui:

Um são os veículos, que demoram muito a entender as mudanças tecnológicas, principalmente quando são acompanhadas de mudanças sociais, comportamentais. Essa coisa de mídia colaborativa pegou todo mundo de surpresa.

Outra coisa são os profissionais. Assumindo que sempre haverá espaço para gente boa, o que leva alguns representantes dessa gente boa (notem que estou excluindo os medíocres. Não me culpem, reclamações com C. Darwin) a ficarem tão presos a um modelo arcaico?

Existe o fenômeno do pedestal, é muito bom o cara pagar um de Bozó, dizendo “trabalho na Globo”, “Escrevo pra Folha”, etc. Mas será isso mesmo o único motivo para essa birra com a Nova Mídia?

O grande problema com a nova mídia é que ela é de mão-dupla. E bota a cara na janela.  Nos velho tempos (ou ontem, se você trabalha no Estadão) era fácil esconder-se atrás da fachada da empresa, toda a responsabilidade ia para O Jornal. Da mesma forma todas as críticas são devidamente filtradas.

Não como blogs, onde em geral, caso o sujeito não xingue nossa mãe, deixamos o comentário no ar, por mais idiota e ofensivo que pareça.

Comentários de blog devem parecer um horrível pesadelo para quem edita sessão de cartas de jornais, onde os textos são escolhidos a dedo, cortados, mutilados (ou “editados”, como dizem) e dependem da ENORME boa-vontade de alguém, para ir ao ar.

Já nos blogs não há esse controle. Mais ainda; na INTERNET não há esse controle, daí o medo da Grande Mídia e dos Maus Profissionais. Aqui eles podem ser criticados abertamente. Se um jornalista fala uma besteira no Globo, fica por isso mesmo, exceto se for algo MUITO grande. Se um blog fala alguma besteira, meia-dúzia de leitores aparecerão apontando o erro.

E jornalista ODEIA ser pego de calças arriadas, estamos cheios de exemplos onde discreta e silenciosamente corrigem textos, sem admitir o erro anterior. Acho que o recurso tipográfico indicativo de correção é mundano demais pra esses sites sérios.

Não percebem que estamos no mesmo barco. NÓS dos blogs vivemos a mesma realidade. Somos patrulhados, no bom e no mau sentido o tempo todo. Estava conversando outro dia com o Beto Largman, e ele estava preocupado com a credibilidade dos blogueiros. Expliquei que não precisava se preocupar, nós somos muito mais vigiados (no bom sentido) do que a velha mídia, que já é considerada corrupta por natureza, e de onde nada se espera é que não sai nada mesmo. Nossos leitores nos encaram como uma alternativa a uma mídia repleta de vícios e práticas questionáveis. Isso é bom. Mesmo quando é ruim.

Esse mundo onde todo mundo é questionado o tempo todo, onde não importa se você é O Maior Jornal do Pais, desde 1891, onde importa apenas a coerência da sua notícia, e onde sua credibilidade está em jogo a cada texto, esse mundo não é atraente para todos, mas esse é o mundo do futuro, e o futuro está na esquina, já.
O que os dinossauros temem, eu percebo, não é a concorrência dos blogs, mas os leitores, que estão descobrindo que é muito melhor um relacionamento de mão-dupla do que a velha mídia que se acomodou em sua posição de arbusto flamejante escrevendo em uma pedra com raios.*

*Eu sei que na versão bíblica do mito não há raios, mas a imagem do filme do Charlton Heston é muito melhor.



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Pedro Dória vai processar o Google?

23/02/2008 - 2:39 pm  -  32 comentários


OK, não sei se vai, afinal o Google não o está chamando de Atriz Gorda, mas em sua busca por relevância, talvez o nobre jornalista não goste muito ao descobrir que na busca por “Pedro Dória” no Google, o resumo do texto que aparece é uma citação MINHA sobre ele…

PS: Parece que como jornalista sério o Pedro está se saindo um excelente blogueiro, já sabe até fazer posts caça-paraquedistas, como o “Lindsay Lohan nua como Marilyn Monroe“.

Depois nós, blogs que somos irrelevantes…

Achado pelo Slonik

Atualização: O Slonik só repassou, quem achou a pérola foi o Evandro.



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Proposta sensacional para um Editor: Paga-se em Prestígio

22/02/2008 - 11:46 am  -  17 comentários


A idéia é simples: Vamos editar uma revista online sobre tecnologia, blogs, cultura, diversão e assuntos sociais. Você cuidará da seleção de matérias, contatos com os autores, prazos, publicação, etc.

Também deverá fazer parte da revisão final, pauta e organização. Se possível visitas a possíveis patrocinadores, em regime de prospect.

Queremos um editor que tenha currículo, passando por órgãos famosos de imprensa, e pelo menos uns 5 anos de experiência na função.

Na parte financeira, não vamos fornecer nenhuma remuneração. E não, você não poderá colocar seu banner do AdSense, iria estragar nosso layout.

O retorno financeiro é a divulgação do trabalho num Portal diferenciado e com conteúdo extremamente denso.

Propostas para a redação.

OK, agora me digam: Se essa propostinha escrota faz todo mundo rir e perguntar se tem cara de palhaço, por quê diabos VIVEM fazendo essas propostas para blogueiros? Uma de nossas fontes ouviu EXATAMENTE a frase em destaque, quando perguntou sobre o dim-dim.

Eu sou a favor da profissionalização dos blogs, como sou a favor da não-profissionalização dos blogs que não querem se profissionalizar, mas eu NUNCA serei a favor da exploração pura e simples. Esse papo de “pagar com prestígio” NÃO COLA.

Se você acha que alguém tem conteúdo (“talento” pode ofender algum jornalista) suficiente para publicar em sua revista/jornal/site, então não é ninguém “começando”,  “precisando de uma força”. Você, editor, não vai publicar um material inferior somente por caridade. Vai publicar um material decente, de acordo com as expectativas do veículo.

Então pague.

Existe uma enorme diferença entre ser convidado para fazer um texto eventual em uma revista de prestígio e ser colaborador gratuito de um site iniciante que tem menos audiência que meu blog (e “meu” aqui leia-se “de qualquer um”). Hoje em dia um nome famoso já não diz muita coisa na Internet, e uma postura de projeto fodão e revolucionário menos ainda.

Faça um favor a si mesmo e aos blogueiros: Não gaste nosso tempo com esse tipo de proposta. Se seu site sequer existe, ele não é nada. Se ele existe mesmo assim há boa chance de ele não ser grande coisa. Quer um bom autor (e há vários por aí) comprometido com seu projeto? PAGUE.

Até porque eu NUNCA vi um editor de um desses “projetos geniais” dizer que não estava recebendo nada.

PS: Um excelente texto sobre isso é “O Conselheiro Come“, de João Ubaldo Ribeiro

PS2: Não é que o Prestígio tem até um site?



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Jornalismo-blogueiro é isso aí!

21/02/2008 - 6:03 pm  -  17 comentários


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Enquanto os jornalistas-jurássicos e simpatizantes ficam discutindo o sexo dos anjos e como os blogs são chatos feios bobos e não se levam a sério, estão sendo comidos pelas beiradas. Pelos blogs, e pelos próprios órgãos de imprensa que despertaram para um tempo onde é possível ser irreverente, manter um contato mais direto com o leitor.

O pessoal que adora olhar o mundo do alto de um pedestal odeia esse tipo de publicação “popular”, e tratar o leitor de igual para igual foi o grande diferencial que os blogs trouxeram. A manchete do jornal Extra, aí de cima, foi maravilhosa. “Zero-um de Cuba pede pra sair – Fidel chama o Raúl”. É algo que eu esperaria em um blog, é algo que eu gostaria de ter escrito.

Torna a notícia menos importante? Distorce de alguma forma? No máximo gera interesse e faz com que o leitor pare e acompanhe o texto. Se isso não é uma boa manchete, não sei o que é. Mas a imagem de “jornalismo sério” não gosta dessas coisas. Duvido que os nobres representantes da Imprensa Tupiniquim Séria se sintam à vontade com esse tipo de manchete. Azar o deles. Eu adorei. E comprei um exemplar.



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Denúncia: Manoel Netto usa revisor

21/02/2008 - 9:15 am  -  13 comentários


Manjam o Manoel Netto, do Tecnoracia, que fica se dizendo blogueiro e empreendedor, apenas por ser blogueiro e empreendedor? Manjam os textos corretos e bem-escritos do blog dele?

TUDO FARSA! Eu descobri! Ele contratou um revisor, e dos bons.

O revisor, vocês sabem, é o profissional mais importante do processo editorial. Todo autor que já recebeu uma página de um texto seu após uma revisão enfia o rabo entre as pernas e pensa “é, não sei escrever”. TODO. Claro que sabemos, mas não prestamos atenção nos detalhes, muito menos nos erros, e um bom revisor pode ser a diferença entre um texto excelente e um texto com um monte de erros constrangedores.

Já sem um revisor, vejam o que acontece, neste fórum aqui, em uma mensagem do Manoel Netto:

Manoel, se o seu revisor não for trabalhar, não entre na Internet, ok? ;) ;) ;)

Fonte: O próprio, afinal peixe morre pela boca ;)



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Manifesto Bloguista

19/02/2008 - 9:19 pm  -  43 comentários


Falei outro dia que se fosse feita uma equiparação, os jornalistas deveriam usar o mesmo sufixo de quem escreve em blogs, e passar a se denominar jornaleiros.

Falada a piada fica bem melhor do que escrita, ainda mais quando lembro que uma das minhas profissões de sonho, quando criança, era jornaleiro. Imaginava ficar lá, ganhando dinheiro enquanto me fartava lendo de tudo na banca.
Mais ainda; essa briga entre blogueiros e jornalistas não me parece mais fazer sentido, nós já passamos dessa fase. HOJE no blog nós fazemos o que somente poucos  da profissão de jornalista fazem: Escrevemos colunas diárias de opinião, assinando com nosso nome.

Fazemos nossa própria pauta, não queimamos pestana na rua atrás de matéria, não ficamos ligando para 10 Ministérios implorando por uma notícia. Desculpe, Pedro Dória, mas isso pode ser bom para você. Aqui as fontes vêm até nós, como neste caso de um servidor de hospedagem do Governo usado para fins pessoais.

Eu não quero brigar com o foca que escreve o funéreo da Folha da Manhã, nem com o sujeito que está acompanhando a seleção brasileira de futebol de botão no campeonato na Somália Setentrional.

Eu não quero brigar com o sujeito que fica o dia inteiro sentado pesquisando os sanduíches de queijo mais caros do Brasil.

Eu não quero brigar com o sujeito que fica acompanhando lista de mortos no acidente da TAM e ligando para a família das vitimas perguntando “como a senhora está se sentindo?”

O meu leitor também não quer isso. Esse trabalho burocrático a imprensa faz, muito bem.

Eu quero brigar é com o Paulo Francis (sim, ele ainda é algo a ser superado), com o João Ubaldo, com o Artur Xexéo, com o Arnaldo Jabor, com o Ancelmo Góis.
Os jornalistas insistem em querer que nós sigamos seus passos, acham que nós almejamos nos tornar seus iguais.

Desculpe, pessoal, mas não quero mais ser jornaleiro, eu quero ser colunista. E sou. Ou melhor: sou Bloguista.

No meu blog eu sou dono, editor e articulista. Eu sou o Drummond, o Rubem Braga. Sou Samuel Wainer e Roberto Marinho. Adolfo Bloch e Assis Chateaubriand.

Vocês diriam a um desses para ficar ligando para delegacia de policia apurando matéria?
Nós não queremos o espaço de vocês. Sabemos que ele é importante, tanto que consumimos muito mais de seu trabalho do que vocês consomem do nosso, mas por favor não achem que por isso somos iguais, ou que almejamos nos tornar jornalistas.

O mundo está mudando. Cabe a vocês decidir: Dinossauros podem se tornar lindas aves, ou podem permanecer para sempre estagnados como celacantos. Há um mundo maravilhoso em nosso futuro. Sobrevive quem evolúi. Como vocês preferem fazer parte dele?

Quanto a nós blogueiros e bloguistas, somos pequenos ratinhos insignificantes, evoluindo também. Não prestem atenção em nós…



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Prefeito de SP fecha quatro bibliotecas. E nem dá pra chamar de FDP.

19/02/2008 - 6:34 pm  -  41 comentários


“Kassab fecha quatro bibliotecas em São Paulo” diz esta matéria da Folha. Canalha, verme, maldito, membro das conspirações das elites para emburrecer o povo, bla bla bla e bla, certo?

A justificativa da administração municipal é a falta de freqüentadores.

A decisão partiu da Secretaria da Cultura, que administra as unidades,
e foi aprovada pelo conselho consultivo do setor de bibliotecas
(formado por diretores de bibliotecas, escritores, representantes de
entidades de bibliotecários e da comunidade acadêmica). Segundo a
pasta, a unidades faziam poucos empréstimos e não eram usadas pelos
moradores dos bairros.

Não adianta. Pão e Circo funciona para os dois lados. A Globo desde que me entendo por gente passa o Concertos Para a Juventude na TV, faz o Projeto Aquarius e nem por isso deixamos de ter invasões quase epidêmicas de axé, lambada, funk, grupo kaoma e similares.

O LIXO é muito mais atraente do que o material de qualidade, a Leidiane, a Peladona do Funk não pensou duas vezes antes de tirar a roupa e balançar o rabo para 5000 pessoas no bailão, mas pergunte quantas vezes ela levou seus TRÊS filhos a uma biblioteca.

Miséria e ignorância não são autoperpetuantes só por pressões externas, são autoperpetuantes porque os miseráveis e ignorantes não fazem o MENOR esforço para melhorar suas condições. Pode parecer cruel, mas experimente fazer uma obra na sua casa: 99% dos pedreiros vai chegar às 9:40 e vão embora 15h, enquanto VOCÊ rala de 9 às 18. Experimente pegar um ônibus para um bairro de praia, durante a semana. Estará CHEIO de gente “desempregada” que prefere ir à praia a procurar emprego.

Prefeito Kassab, quer se tornar Herói da População? Pegue essas bibliotecas e transforme em salas de exibição, passando vídeos “Funk Proibido”, Rambo, Tropa de Elite e qualquer coisa do Chuck Norris. O populacho vai dizer que Kassab é o Prefeito do Povo.



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Coisas que só acontecem no Brasil

19/02/2008 - 12:57 pm  -  15 comentários


Ato 1
[recado] Cardoso, ligue para o banco, seus cheques em dólar compensaram

Ato 2
Oi, aqui é o Cardoso, a respeito dos cheques

Oi Cardoso, a pessoa responsável não está, pode te ligar depois?

Ato 3
Oi, aqui é a pessoa responsável, você me ligou?

Liguei, por causa dos cheques, CPF tal, nome tal..

Ah, perfeito, é comigo mesmo. Posso te ligar daqui a uma hora? Estou saindo pro almoço…

PANO RÁPIDO



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