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Da sutil diferença entre ganância e mesquinharia

11/04/2008 - 1:06 pm  -  42 comentários


Nada contra ganância. Não há bom negócio que não possa ser melhorado. Ganância raramente gera comentários desabonadores. Você pode ser criticado por não ter conseguido carregar os 4 baús de ouro e brilhantes, mas nunca será criticado pela INTENÇÃO de levar todos, ao invés de um só.

Já a mesquinharia é como trabalhar pra pobre; você não está gerando riqueza, está dividindo miséria. A mesquinharia é um negócio que não é bom para nenhuma das partes, e só funcionaria se fosse de graça.

Pior: Tem muito aspirante a blogueiro achando que uma postura mercenária vai alçá-lo aos píncaros da glória blogosférica. Acham que a postura do Kibe é legal, ou ficam regulando pagerank. “não vou dar link de graça no meu site, se quiser, que paguem”.

Gente, só porque você PODE receber para falar um produto, não quer dizer que você SÓ FALE de produtos recebendo. A graça dos blogs é justamente essa liberdade, não somos a Rede Globo, onde se eu falar do Produto A de graça o anunciante do Produto B vai ficar P da vida. Mais ainda, não somos a Rede Globo, onde SÓ falamos do Produto A se ele TAMBÉM pagar, mesmo que usemos e gostemos.

O último estágio dessa mesquinharia é quando TODO email com propostas, sugestões e pedidos é tratado comercialmente. Vejam por exemplo o email que gerou este post: O cidadão me passa o link de uma promoção valendo uma camiseta, onde tenho que fazer um post sobre um FILME BRASILEIRO DE ZUMBIS. A camiseta era o mote do post? Era ela que iria me incentivar? NÃO!

O email foi:

Mensagem: Rapaz, gostaria de invadir seu e-mail pra divulgar isso:

http://atoouefeito.com.br/aoe/promocao-concorra-a-uma-camiseta-do-filme-a-capital-dos-mortos-e-um-pote-de-sangue

E aí , topa? ZUMBIS!

É um sujeito que no mínimo acompanha as tosqueiras que escrevo no www.carloscardoso.com e sabia que o tema encaixaria direitinho. É algo que com ou sem camiseta eu divulgaria.

Faço o post, mando o link, e recebo a assustadora resposta do Theo:

Esperava receber OUTRO pé na bunda, véio. Nego me cobrou 100 conto pra PARTICIPAR da promoção.

Gente, entendam: Soylent é feito de Gente, Blogs são feitos de links. Links são dados por mérito ou por dinheiro. Primeiramente por mérito. Se você aceita dinheiro para dar links, EXCELENTE, mas mesmo as prostitutas também dão por prazer.

Se você não gosta de filmes de zumbis, não faça o post. Só não coloque no mesmo balaio quem teve a iniciativa de fazer uma promoção legal (são 15 camisetas) com gente que nem lê blogs (sério, tem uma agência de marketing direto onde somente UMA pessoa da equipe lê blogs) mas usa-os como mídia.

Existe uma ENORME diferença entre UM BLOG FAZENDO UMA PROMOÇÃO e a Coca-Cola querendo espaço para anunciar. Dificultar a vida de outros blogs, só para se fazer de fodão “aqui só ganha link pagando, tá pensando o quê? Sou o máximo!” vai garantir o ostracismo, nada mais.

Não estou defendendo a promiscuidade. Eu NÃO faço troca de links, nem lembro se ainda tenho blogroll, sequer respondo convites de “parrrrrcerias’. Eu defendo o link por mérito primeiro, pago em segundo.

Se o produto for bom mesmo, acaba nem precisando pagar. Vide resenhas de filmes. Podia MUITO BEM ser “o” babaca e chorar “eu vou e faço a resenha, mas quando sair o DVD quero um!”. Iria conseguir? Provavelmente, mas convenhamos, se vender por R$45,00, R$50,00 é tão ruim quando se vender por R$100,00.

Meus Blogueiros, Minhas Blogueiras, quando eu digo para vocês se valorizarem, não é para cobrar por qualquer mixaria. Um blogueiro se valoriza não cobrando para escrever, mas cobrando POR SER LIDO.

E ninguém vai ler blogs fundamentados na mesquinharia.



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O safári dos que não foram

08/04/2008 - 12:02 pm  -  19 comentários


Motivos de força maior me fizeram sair no domingo, e não no sábado, para o Safári urbano misterioso. Minha Sorte de Aranha (acho que fui mordido por um Peter Parker radioativo, só pode) fez com que NENHUM dos horários de ônibus encaixasse, e eu só cheguei a São José dos Campos 11 e bléu, o que tornaria impossível chegar meio-dia na sede da One, a agência que marcou o evento.

Resultado: Desci do ônibus, comprei a Info, vi que realmente saí em uma matéria, NA PÁGINA 24, BRUNO, EU TE MATO, voltei pro mesmo ônibus e iniciei a jornada de volta para São Francisco Xavier. Digamos que cheguei em casa 2h da tarde. Morar no mato tem esses problemas, é difícil até participar de Safáris.

O que perdi?

APENAS o lançamento do LG Viewty, uma câmera de 5Megapixels que filma a 120 quadros por segundo,triband, flash de verdade e que por acaso vem com um celular dentro, e que eu babei vendo o comercial ontem. Também perdi um VÔO DE HELICÓPTERO POR SÃO PAULO!!! GRRRRR ARRGGHHHH YARRRRGGGHHHHHH

A única, única, única coisa que me serve de consolo é que não indo eu deixei de ver o cofre do Ian Black, devidamente fotografado pelo Marco Gomes, que é um sujeito muito perturbado, para fazer esse tipo de registro…

OK, pensando bem, eu NÃO deixei de ver o cofre do Ian, o que torna minha derrota total. EPIC FAIL, como diriam os fãs do Fail Blog. Merecida.

Da próxima vez, saio com um dia de antecedência. Aos organizadores, peço desculpas pelo furo.

Para apagar a imagem do cofrão do Ian (eu sei, vocês me odeiam por isso. Tudo bem, eu entendo) vejam aqui outras fotos do Safari



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Blogueiro japonês com 50.000 hits/dia é bem mais popular que você

08/04/2008 - 10:39 am  -  25 comentários


OK, é mais popular que eu também. E para adicionar injúria ao insulto, o tal blogueiro, Hatch-chan, é um gato. Felino, para não deixar dúvidas.

O casal que trabalha para o gato (quem tem gato em casa sabe a verdade: Cachorros têm donos, gatos têm staff) inscreveu o felino em redes sociais, produz material para o blog do gato e administra os empreendimentos.

Com isso o Hatcha é altamente lucrativo.Agora estão organizando inclusive visitas guiadas para conhecer a casa do gato. Os fãs adoraram. Isso mesmo, o gato tem fãs, que compram calendários, álbuns de fotos, imãs de geladeira e até DVDs do gato.

Por um lado é complicado para a cabeça de um blogueiro saber que além de tudo temos que competir com gatos, ou pior, que nós blogueiros brasileiros temos em média bem menos visitas diárias do que um felino.

Mas por outro outro lado, há um valor interessante escondido na reportagem: Os 50.000 hits do gato.

É um bom número para o Brasil, mas para o Japão achei decepcionante. Só posso de deduzir que a gatoblogosfera por lá esteja tão pulverizada que não seja mais possível um blog ter acessos monstruosamente grandes.

Será esse o nosso futuro, com ou sem gatos? Será que chegará o dia que teremos tantos blogs bons que nenhum irá se destacar, e a diferença entre os 100 primeiros do blogblogs será de algumas dezenas de usuários? Como a quantidade de dinheiro investida na web é finita, ao invés dos anunciantes dividirem sua verba entre 10 blogs, dividirão entre 100, e aí ter blog profissionalmente deixará de ser bom negócio.

Será que um gato previu o fim dos ProBloggers?

Fonte do gato



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O quê se caça em um safari urbano?

05/04/2008 - 1:40 am  -  8 comentários


Domingo sairei umas 8 horas da madrugada aqui do reduto, pretendo estar em SP meio-dia. Fui convidado para participar de um… Safari Urbano. É uma promoção de uma agência de marketing de guerra bacteriológica (mais chique que viral, e engloba guerrilha) para um cliente não-identificado.

Não passaram informação nenhuma, exceto que deveria estar no ponto de encontro, em determinado horário. Como eu adoro uma boa brincadeira, topei. Gostei do mistério.

Disseram que não é necessário levar câmeras, pois a organização cuidará de documentar o evento. CLARO que Tio Cardoso prefere levar a sua, não gosto de “pool de transmissão”, com todo mundo com o mesmo material.

Vai render post? Provavelmente. O Nick Ellis vai, outros blogueiros vão, a bagunça vai ser boa. Resta ao cliente/agência tornarem o evento atraente o bastante para que o bicho mais dispersivo do mundo, o blogueiro, não se perca falando de mil outras coisas.

De resto, já valeu para que eu lembrasse de Sheena, Rainha da Selva, a dona montada na “zebra” na foto.

As aspas? Repare, é um cavalo pintado. O filme, estrelado pela playmate Tanya Roberts, conta uma história besta de um Tarzan de sem saias, uma empresa malvada que quer desalojar um morcego– não, isso é Ace Ventura, mas a seriedade do roteiro é equivalente. O importante é que em plenos anos 80, com a censura ainda firme na TV, em plena Sessão da Tarde passava um filme com uma loura boazuda que ficava pelada, mostrava as tufas, tomava banho de rio anos antes de Pantanal e Dona Beja, e chegava até a ter uma cena onde sua Mata Atlântica era claramente visível pela lateral da tanga de couro.

Tudo isso liberado, afinal ela era uma “selvagem”, e a Censura entendia que “silvícolas” podiam expor suas vergonhas, altas e cerradinhas, sem o menor problema.

A molecada? Adorávamos, até perdoamos o cavalo pintado.



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Agora sim eu fiquei famoso

03/04/2008 - 7:04 pm  -  24 comentários


Roa-se, periferia. Tenho provas irrefutáveis de que estou no caminho da Fama e da Fortuna. Dizer que é famoso, que tem pagerank, etc, não quer dizer nada. Qualquer um pode vestir um terno, soltar uma meia-dúzia de buzzwords e se vender como Grande Blogueiro, mas para ser reconhecido como pessoa pública na blogosfera, é preciso mais.

Há coisas que o dinheiro não compra, como por exemplo ser linkado pelo Judão ou participar do Nerdcast. Para falar a verdade recebi mais comentários de amigos por ter participado do Nerdcast do que quando apareci na TVE. Mas isso é compreensível ;)

Agora acho que atingi o topo. Isso mesmo, detratores; é hora de enfiar o dedo e rasgar: Cardoso (eu) foi convidado e apareceu em uma tirinha dos Irmãos Brain.

Ah sim, há rumores de que eu saí na Info também, junto com o Edney e outros blogueiros, mas como o Ramos, do Infolink avisou que foi na página 24, vamos deixar quieto até eu dar uma olhada, ok?



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Nada pior do que ser blogueiro perfeito

02/04/2008 - 8:59 pm  -  17 comentários


Eu acho que o pior vício que a velha mídia pode trazer aos blogs é o pseudo-perfeccionismo. A auto-imagem de perfeição está tão associada aos jornais que a maior revolução das redações no final dos anos 80 foi a figura do Ombudsman, sendo que o termo, com sentido de ouvidor, apareceu pela primeira vez na Suécia em 1241, segundo a Wikipedia.

Hoje alguns jornais já trazem erratas, mas nunca, jamais com o mesmo destaque que as matérias onde o erro foi cometido. Há uma percepção de que apontar os próprios erros mina a credibilidade do veículo. Felizmente o resultado é o oposto. Sua credibilidade aumenta quando você reconhece um erro. O que vai miná-la é publicar notícias de forma irresponsável. “publique primeiro, se estiver errado depois corrige”, isso é ruim. Já enganos legítimos, quando reconhecidos, são atitudes aplaudidas pelos leitores.

Entretanto nem todo mundo age assim. Vejam por exemplo este post do Uol (com nofollow, claro) achado pelo Parlenda Tecnológica e reproduzido por mim no MeioBit:

Eu só posso entender que quem escreveu o texto nunca teve um notebook na vida, pois convenhamos, a menos que computadores portáteis tenham orifícios anais, não consigo pensar em outro lugar para enfiar a placa da imagem.

Tudo bem, todo mundo erra. O redator pode não ser da área, não tem micro, comeu mosca, etc. Marca com um sobreescrito qualquer, e pronto. Ninguém é perfeito e não vai ser um blogueiro que não é o Cardoso que será, certo?

Errado. Nos comentários do post um leitor perguntou que diabos de notebook que aceita placa PCI é esse. O autor do post tentou se justificar:

RESPOSTA:
Calma lá, eu não disse que a placa é para notebook. Disse que uma placa com essa funcionalidade seria uma boa para notebooks. Mas valeu pela correção! Charles

Eu posso não ser o mais esperto dos ursos, mas eu tenho CERTEZA de que não dá para interpretar “é uma boa alternativa, principalmente para usuários de notebooks” como “uma placa com essa funcionalidade seria uma boa para notebooks”.

Também tenho CERTEZA de que notebooks nos últimos 3 ou 4 anos têm saído de fábrica com WIFI, mesmo os Positivos baratinhos contam com essa incrível funcionalidade.

Portanto, eu pergunto: É tão difícil assim admitir que papou mosca? Meus blogs estão cheios de correções. Os leitores do Contraditorium volta-e-meia corrigem alguma coisa. Em um dia ruim eu já consegui errar a correção 3 vezes. E ninguém morreu por isso. Nem o carcamano que me alertou da terceira correção.

Fazendo uma enquete rápida, o Papo de Homem tem correções, o Bruno Alves tem correções, a Suelen não só corrigiu um post como teve a decência de admitir que caiu em um 1o de Abril, o Vinícius cortou um trecho enorme do post, o Becher atualizou um post três vezes, o Manoel Netto não só riscou os erros do post como publicou uma errata completa, só para citar alguns casos.

Será que a credibilidade desses blogueiros todos foi irremediavelmente afetada por admitirem publicamente que cometeream cometeram erros?

UPDATE: Parabéns ao Bigode por ter sido o primeiro a pegar o erro proposital incluído por mim no parágrafo anterior, para demonstrar que blogueiros cometem erros. (colou?)

Sinceramente eu continuo acreditando e confiando muito mais neles do que no blogueiro do Uol, que ao tentar manter as aparências está errando muito mais do que ao demonstrar seu desconhecimento de microinformática.

Aos veículos da velha mídia, a dica: Se vocês querem mesmo ser bem-sucedidos na Internet, POR FAVOR contratem gente que ENTENDA o espírito da Internet. Não achem que replicando suas velhas estruturas e velhos modos de pensar vocês conseguirão algo. Um blog é muito mais do que uma série de textos curtos em ordem cronológica inversa.



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ALELUIA! Agências dando exemplo de credibilidade e ética

02/04/2008 - 1:24 pm  -  9 comentários


Depois de tantos casos desagradáveis envolvendo agências de marketing online, como o caso da Nike, tantas discussões sobre a ética do post pago nos blogs, fico feliz de divulgar que as agências estão aprendendo.

Começam a respeitar mais os blogs -seus parceiros- e os nossos leitores, parte fundamental nessa equação.

Eu sou um defensor da figura do post pago, mas um defensor mais ferrenho ainda da transparência. Meu leitor tem o direito de saber da característica patrocinada de um post. Ponto. Ele pode até não concordar, pode pular o post, pode abandonar o blog, mas nunca pode ser enganado.

Por isso é com o coração cheio de alegria divulgo que vário blogueiros estão recebendo contatos de uma agência, com a seguinte pergunta: “Você divulga quando um post é patrocinado?”

Isso, imagino, é para montar uma “lista branca” de blogs éticos e respeitosos, que entendem a publicidade como uma ferramenta legítima, não se envergonham dela e se orgulham de divulgar anunciantes que respeitem igualmente os leitores.

Palmas para a agência envolvida. Nota 10. Isso vai apagar de vez a má-impressão que o Mercado está tendo desse tipo de serviço, e melhorar o Mercado como um todo.

NOTA: Alguns cínicos e pessimistas em meu MSN estão dizendo que minha leitura foi otimista demais, e que é só mais um caso de agência que não aprende com o que vem acontecendo no Mercado, e que vai matar o nicho, a si mesma e um monte de blogs burros o bastante para vender sua credibilidade por R$300,00.

Eu me recuso a acreditar nisso, otimista incurável que sou.



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