Existe UMA coisa pior que o politicamente correto, aquela praga que transforma anões em “verticalmente diferenciados”, retardados em “especiais” e gordos em doentes coitadinhos. É a praga da discriminação condescendente.
É o racista que não tem os cojones de dizer “não gosto de xxxxx”. Não porque não goste, é pior que isso. É o racista que tem pena, acha que o sujeito não tem culpa de ter nascido xxxxx. Aí usa um monte de eufemismos não para negar a condição do objeto do discurso.
Quem fala “crianças especiais” está negando, a menos que a criança em questão saiba voar, atravessar paredes, gerar campos magnéticos.
O caso que falo é exemplificado por esta matéria do Terra:
Destacando o trecho:
A atriz Juliana Alves, que recentemente viveu o papel da formosa Suellen da novela global Caminho das Índias, estampa a capa da Playboy de outubro.
A morena já havia recebido propostas para posar nua, mas só agora ela diz que “se sente segura”.
Como assim morena? Morena é a Juliana Paes, a Alves ao que me conste é negra, honorável sucessora da maaaaravilhosa Isabel Fillardis no imaginário masculino, e contemporânea da Taís Araújo, mas essa já é do Zé Mayer.
Eu ouvi muito essa distorção, mas achei que tinha caído em desuso. Pombas, nem o termo politicamente incorreto para “negra bonita”, que é “mulata” se usa mais?
Será que ao usar “morena” e remover a Juliana de sua etnia o autor do texto quis fazer um “elogio”, dizendo que é bonita demais pra ser negra?
É isso que me passa. Já vi o uso do termo por exemplo em Capitães da Areia, mas a Bahia do começo do Século passado era muito mais propícia a racismo velado do que as redações dos informativos online do Século XXI.
Ao menos acho eu, mas como também tenho um pé na cozinha (sina de Cardosos) não devo ser tão inteligente, ou me chamariam de blogueiro moreno.
fonte: twitter do Christian Pior Cover