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Que bom, o Tico Santa Cruz Estava Errado!

22/02/2010 - 9:32 am  -  22 comentários


Robert Leeder tem 87 anos, é veterano da Segunda Guerra. Um dia ele teve um derrame, ficou com metade do corpo paralisado. Não podendo mais morar sozinho, foi para uma casa de repouso. Nada mais justo que cancelar a Direct TV, certo?

Cobraram uma taxa de US$400,00 pelo cancelamento antes do fim da carência.

André, filho de Robert escreveu um email para a empresa explicando a condição do pai, oferecendo documentação médica comprovando o problema e pedindo que abrissem mão da taxa. A Direct TV escreveu de volta dizendo basicamente “Lamento, mas só lamento”. Mantiveram a taxa.

A esposa de André soltou o caso Terça-Feira passada em sua página no Facebook. em minutos centenas de comentários indignados foram postados, a história viralizou e o nome da Direct TV foi pra lama. Na Quarta um representante entrou em contato com a família informando que abririam mão da taxa.

Quando uma louca furiosa furou um sinal e quase se transformou em uma versão nacional de Mark Chapman mandando Tico Santa Cruz, vocalista dos Detonautas desta para melhor ele narrou o caso pelo Twitter, inclusive sua indignação com o péssimo atendimento do call center da seguradora.

Muito, muito rapidamente o tratamento mudou. Ele foi contactado por alguém da empresa e tudo ficou uma maravilha. Mas como ele não é bobo, deixou claro que sabia que só estava tendo esse tratamento VIP por ter reclamado e ser famoso. Kevin Smith afirmou a mesma coisa quando a Southwest Airlines o tratou cheio de dedos, depois da cagada do Gordo Demais Pra Voar.

O senso comum tente a concordar com eles, mas o senso comum na maioria das vezes está errado. Na MINHA escala hierárquica um herói de guerra vem na frente do Tico e do Kevin Smith (provavelmente na deles também) mas para a Direct TV o Sr Leeder era só um anônimo em uma tela de computador.

Toda empresa tem políticas internas para privilegiar atendimento a famosos, é uma questão de proteção da própria imagem. Celebridades tem poder de mobilização, isso é fato. Sempre tiveram e não faria sentido as redes sociais mudarem isso, mas o foco é que famoso ou não, até pouco tempo atrás você só conseguiria tal mobilização com apoio da mídia. Hoje ela é irrelevante. Sua denúncia não precisa mais comover o editor do Jornal Hoje, basta comover o público.

Isso quer dizer que agora as empresas precisam de uma estrutura de controle de danos para consertar essas cagadas, certo?

Não. Uma estrutura dessas é essencial mas muito muito melhor é cortar a cagada antes que ela cresça. E isso não tem nada a ver com redes sociais, mudernidade, mundo 2.0. Isso tem a ver com menos robôs nos call centres, ou pelo menos robös cuja métrica de produtividade sejam clientes satisfeitos, não clientes atendidos e despachados.

É preciso atendentes que não sejam punidos por escalar uma chamada, e gente no 2o nível de atendimento com cérebro para ENTENDER os casos individualmente e autonomia para cuidar deles. O custo envolvido na maioria das vezes é irrisório. Eu odeio profundamente o atendimento de 1o nível da TELERJ TELEMAR OI TELERJ mas adoro respeito e admiro o pessoal da área técnica. Nunca tive um problema que não pudessem resolver. Problema é chegar até eles.

É famosa a métrica de que um cliente insatisfeito espalha sua insatisfação para 20 pessoas, muitas empresas baseiam sua estratégia nela. Só que é uma métrica antiga, pré-redes sociais. Nesse modelo velho o boca-a-boca era basicamente negativo.

Hoje temos a possibilidade do boca-a-boca POSITIVO. Bom atendimento é sim elogiado. A maior parte da população online baseia seu consumo em recomendações de amigos ou outros formadores de opinião.

Infelizmente pra muita gente é desagradável ver o que os consumidores pensam da empresa, melhor se restringir a avaliar relatório de chamadas/minuto…

Fonte: HoustonPress


Quem ri por último é retardado mas ao menos ainda ri

19/02/2010 - 5:06 pm  -  77 comentários



Sarah Silverman é uma comediante americana considerada ofensiva por um monte de gente que só consegue entender o básico das piadas. No vídeo acima ela conta de uma jóia sensacional, uma pedra que só é encontrada na ponta do cóccix de bebês etíopes. Ela tenta descrever a tal jóia, diz que é fantástica, mas que tem um certo problema moral, os trabalhadores que desossam os bebês são muito maltratados.

O espectador mediano só consegue enxergar “crueldade contra bebês”, enquanto o espectador inteligente lê claramente a crítica à pseudo-preocupação que algumas pessoas finger ter, afinal comprar diamantes “limpos” continua sendo um gesto totalmente egoísta, você gasta o salário de um ano de um infeliz em uma pedra e ainda se sente moralmente superior.

O povo moralmente superior em geral é o primeiro a se ofender com qualquer coisa que tenha camadas, seja uma boa piada, seja um ogro, seja uma cebola. E isso não depende de inteligência. O TED (Tecnologia Entretenimento, Design) é uma conferência criada por Chris Anderson (não o da Wired) que reúne gente muito inteligente fazendo apresentações fantásticas dos mais variados temas. Não é brinquedo, o ingresso custa US$6 mil.

Na última edição resolveram chamar a Sarah Silverman, que fez seu show habitual. Uma hora ela começou a falar que estava na moda adotar crianças retardadas, para mostrar que pessoa maravilhosa você era. Só que uma criança assim seria trabalho pra vida inteira, ela não queria. Então para mostrar que era uma pessoa mais maravilhosa ainda (sem se comprometer por muito tempo), iria adotar uma criança retardada doente terminal.

A maior parte da platéia ficou chocada. Um grupo riu, mas o resto, que estava ali para se sentir o máximo e que provavelmente invejam a admiração social obtida por quem adota crianças retardadas  terminais entendeu como ofensa pessoal.

Chris Anderson chegou a twitar criticando a Sarah Silverman, algo extremamente deselegante para com sua convidada. Poucos saíram em sua defesa, até mesmo porque ninguém quer se queimar com o Anderson e ser barrado no TED.

Uma das poucas que vi defendendo foi uma leitora, desconhecida. Ela reclamou da falta de senso de humor, da dificuldade das pessoas em entenderem a quem estão direcionadas as críticas. Também lembrou que o alvo NUNCA foi a criança deficiente, e sim o pessoal que as usa como muletas sociais.

A leitora também lembrou aos indignados que a Sarah Silverman havia se comprometido, uma semana ANTES do TED a participar do Twenty Wonder, uma maratona de eventos em prol de portadores de Síndrome de Down em Los Angeles.

Recentemente Family Guy anunciou que iria ao ar um episódio com uma personagem com Síndrome de Down. Na história Chris Griffin se interessa por Ellen, que questionada sobre o que seus pais faziam responde que o pai era contador e a mãe ex-governadora do Alaska.

A piada foi direto para Sarah Palin, política republicana, conservadora, ex-governadora do Alaska com cinco filhos sendo um portador de Down.

A reação foi épica. A mídia conservadora caiu de pau, Sarah Palin emitiu um comunicado em conjunto com sua filha Bristol (mãe solteira aos 15 anos, belo exemplo dos Valores Familiares da ex-governadora) chamando os criadores de Family Guy de “babacas sem coração”.

Quem se deu ao trabalho de assistir ao episódio viu algo completamente diferente. Nele a personagem com Down NÃO é o foco da piada. Ela não é mostrada de forma paternalista, não é mostrada como deficiente coitadinha, nem como o anjo de candura que os comerciais da APAE tentam vender.

Ellen é uma garota independente, decidida, com personalidade, dominadora e que trata o pobre Chris como cachorro.

Já na casa dela, Chris tenta agradá-la de todo jeito, e prepara um sorvete. Claro, não consegue (ela nunca está satisfeita). Perde a paciência, joga o pote no chão e desabafa:

“OK, chega! Não importa o quanto você seja gostosa, não agüento ser tratado assim! Eu costumava ouvir que gente com Síndrome de Down era diferente do resto de nós, mas vocês não são! Vocês não são diferentes, são um bando de babacas como todo mundo!”

Para quem quer inclusão, integração, foi algo lindo de se ver. Para o pessoal metido a bonzinho que gosta de tratar deficientes como retardados, foi algo terrível, pois uma personagem como a Ellen não desperta piedade, não desperta pena. Não pode ser manipulada politicamente nem excluída de forma segura do resto da sociedade. Ela é só uma pessoa comum e pessoas comuns não contam, para essa gente. Eles não acharam graça.

Ao contrario da atriz Andrea Fay Friedman, 39 anos, portadora de Síndrome de Down e dubladora da personagem no episódio, além de modelo para seu visual. Diante da polêmica, Andrea declarou:

“Creio que a ex-governadora Palin não tem senso de humor. Penso que a frase ‘sou filha da ex-governadora do Alaska’ foi muito engraçada. Imagino que a palavra seja ‘sarcasmo’. Na minha família achamos que rir é bom. Meus pais me criaram para ter um senso de humor e levar uma vida normal”

Eu concordo plenamente com a Andrea, e muita gente me acha retardado por isso.

PS: Para um excelente apanhado sobre humor e moralismo politicamente correto, visite o site do Danilo Gentili e procure pelo post do dia de hoje, 19/2/2010.


Twittpocalipse Now!

14/02/2010 - 1:56 am  -  24 comentários


Existem atitudes pouco inteligentes e atitudes muito menos inteligentes. Entre as pouco inteligentes está pisar na capa do Super-Homem. Não é recomendado. Falar “todo órfão é viado” pro Batman, também não recomendado.

Entre as atitudes MUITO menos inteligentes está o que a SouthwEast Airlines fez: Expulsaram o Kevin Smith (sim, That kevin Smith, diretor de Dogma, Chasing Amy e autor cult de quadrinhos) de um vôo. Alegação? Ele era gordo e precisava pagar por dois assentos.

Kevin Smith é gordo? Com certeza, ninguém nunca negou isso, nem sua esposa, a ex-playmate Jennifer Schwalbach:

kevin-smith

Kevin Smith está gordo o suficiente para ser expulso de um avião?

Definitivamente não. Nem preciso entrar em méritos próprios, há provas de que sujeitos muito mais gordos viajam ser ser incomodados:

Fat guy on plane

Segundo o próprio Kevin Smith ele já estava acomodado no assento, com cinto (sem extensão) e descanso de braço abaixado quando foi notificado por uma aeromoça que ele não poderia seguir viagem. Foi advertido que era um “risco de segurança”. Foi forçado a deixar a aeronave.

Em terra o pessoal do balcão reconheceu que não foi uma atitude correta e deram um voucher de US$100,00, mas a cagada já estava mega-hyper-totalmente feita.

Kevin Smith é ADORADO na Internet, tem 1,636,860 de seguidores REAIS no Twitter (chupa, Mano Menezes) e para piorar a situação acaba de lançar COP-OUT, um filme policial com nada menos que Bruce-Fucking-Willis.

O fato ocorreu duas horas atrás. O caso já foi parar na CBS, outros sites de notícias estão seguindo atrás.

Os EUA são um país de gordos, isso é fato. EU achei a coisa over, quando estive por lá. Discriminar alguém por ser gordo não faz o menor sentido, ainda mais quando não há razão para isso. Discriminar alguém de forma idiota, em plena era das redes sociais, é mais burro ainda.

Kevin Smith não fez por menos. Está SOLTANDO O VERBO NO TWITTER, descendo a lenha na SouthWest Airlines, criando um pesadelo de relações públicas como nunca antes na história deste país. Certo?

Mais ou menos. Lembram no caso da Nokia com o blog NokiaBR? Lembram que o Twitter da Nokia basicamente ignorou o fato e só deu uma resposta corporativa avisando de comunicados oficiais no dia seguinte?

south

A SouthWest Airlines está respondendo no Twitter, de forma pessoal, inclusive ao sujeito que comentou que detestaria ser a pessoa por trás do Twitter da empresa, comentário que recebeu como resposta que ele deveria detestar ser o NAMORADO da pessoa por trás do twitter da empresa.

A última mensagem avisa que os twits de Kevin Smith estão sendo lidos e ele receberá um telefonema ainda esta noite do Vice-Presidente de Relações Públicas da empresa.

O que temos aqui é o oposto do que costuma acontecer. Ninguém assumiu que é só “um babaca na Internet”, ninguém tentou menosprezar a situação. A empresa percebeu a cagada, o Tuiteiro teve AUTONOMIA para gerenciar a situação e principalmente, ESCALAR o problema.

Não tenha dúvida, a SouthWest soube do caso pelo Twitter. O mérito aqui é duplo: Usar o Twitter como fonte de informação E como canal de comunicação para desarmar a bomba. Quando a velha mídia tomar conhecimento do caso amanhã de manhã, haverá declarações E mensagens de ambos os lados, difícil não reconhecer o esforço da empresa em resolver a situação, quando estão trabalhando numa madrugada de sábado para isso.

É uma cagada de RP? Com certeza, mas está longe de ser a mega-epic-fail cagada que aconteceria se fosse uma empresa 9-to-5, ignorante de Internet que só fosse saber da situação segunda-feira, pelos jornais.

Entendeu agora porque você não deve escolher a agência mais barata e deixar seu estagiário cuidar da presença de sua empresa em Redes Sociais?


Terroristas também sentem vergonha alheia

13/02/2010 - 5:46 am  -  21 comentários


A região da Palestina[bb]sempre foi conturbada, mas só piorou, em 1947, com a criação pela ONU do Estado de Israel. A complicação parece ser meio hereditária já que a proposta inicial era criar DOIS Estados, um árabe e um judeu mas os árabes se opuseram. Isso deu início a décadas de violência, transformando o lugar em um barril de pólvora. Hoje Israel é apenas algumas várias vezes menos violento que o Rio de Janeiro.

Do lado Palestino a figura máxima foi Yasser Arafat[bb], líder terrorista da OLP e estrategista lendário, tendo sobrevivido a todas as tentativas do MOSSAD em matá-lo. Arafat morreu vendo seu povo se destruindo internamente, com lutas entre grupos e o HAMAS assumindo o poder, voltando a empregas as táticas de violência que ele mesmo havia renunciado, no fim da vida.

Felizmente para ele no Inferno só há Internet[bb]discada, assim não precisa ver mais este desgosto:

Imagine a situação: Você é um militante do Hamas, treina ou está treinando para ser um homem-bomba. Está disposto a dar sua vida por sua causa. Quer ver seus inimigos com medo, suas mulheres e crianças chorando à simples menção de seu grupo. Quer incutir o Temor de Alah em todos os judeus da face da Terra.

Agora imagine que você está em casa, vendo televisão quando descobre que um grupo de militantes da nova geração foi até uma região de fronteira, protestar diante de alguns soldados israelenses.

Está imaginando? Então pense que esses militantes da Nobre Causa Palestina, esses candidatos a mártir foram…

Vestidos de Na´Vi, os THunderSmurfs da Avatar.

Isso mesmo. Esse bando de bucha resolveu se apropriar da mensagem maniqueísta do filme de James Cameron e bagunçar um dos conflitos mais sérios e antigos da atualidade. Ao invés de despertar pena, solidariedade e outros sentimentos que sempre souberam explorar bem, esses zé-manés despertam apenas vergonha alheia.

Se serve de consolo, no filme acima eles tomam umas boas porradas, que é pra aprender a não enfrentar um exército de verdade com pelo menos uma esquadrilha de dragões do seu lado.

Talvez eu seja um saudosista, talvez eu seja um pessimista (ou otimista, depende do ponto de vista) mas quando militantes se interessam mais pela obra de James Cameron do que pela de Andrei Kalashnikov, posso dizer que sua causa está perdida.


Ironia: Para o Globo a Terra é Plana

10/02/2010 - 1:30 pm  -  47 comentários


O bom jornalista deve se ater aos fatos, sob o risco de virar cronista, sendo que nem todo mundo tem bagagem e talento para dar opinião.  Mas isso só não basta. Mesmo para se ater aos fatos é preciso um mínimo de cultura geral e visão de mundo.

Do contrário os mais bem-intencionados passam vergonha, como nesta matéria d´O Globo:

 

grobo1

No texto o jornalista narra a incontestável onda de calor que assola o Rio. Entrevista meteorologistas, cita datas, faz o dever de casa direitinho. Até a hora que resolve ser dramático e garantir o título da matéria:

“Na Praça Mauá, este índice era de 46,3 graus – apenas dois décimos abaixo da campeã Ada, cidade no leste de Gana, na África. Na borda sul do deserto do Saara, o mesmo cálculo teve como resultado 33 graus.”

“UAU”, o editor deve ter pensado. Rio mais quente que o Saara! 33 graus versus 46,3! Liguem pro Al Gore!

OK. A matéria faria sentido se vivêssemos em Discworld, o mundo criado por Terry Pratchett:

discworld 

Porque aqui  lamento informar, caro repórter d´O Globo, é perfeitamente normal nossa temperatura em Fevereiro ser maior do que a do Saara. Não sei se ensinaram isso na sua faculdade mas a Terra é redonda (pergunte ao Eratóstenes) e as Estações são alternadas entre os dois hemisférios. É INVERNO no Deserto do Saara (na verdade em todo o Hemisfério Norte). Na Cidade do Cairo hoje a temperatura é de 24 graus.

Será que não basta se ater aos fatos verdadeiros? Poxa, no texto mesmo é dito que o Rio está tendo “o mês de fevereiro mais quente dos últimos 50 anos”. Isso já chama atenção suficiente, não é preciso mudar a forma da Terra.

 

Fonte: Twitter do Luiz Bento


“Cansei de bichas sujas, vou atrás de xana!”

06/02/2010 - 5:29 pm  -  22 comentários


A frase foi dita por um funcionário da Vodaphone, operadora telefônica inglesa.

ehvoda

Se fosse algo postado num Facebook pessoal da vida, já seria complicado, mas o imbecil soltou a frase nada menos que no TWITTER OFICIAL DA EMPRESA. Com mais de 8000 seguidores, não é se se espantar que na hora um zilhão se manifestasse, questionando se a conta havia sido hackeada. O caso, claro, foi parar na Imprensa.

Rastreio interno mostrou que o culpado foi um funcionário do centro de relacionamento da empresa. O sujeito foi suspenso, mas o estrago estava feito. A Vodafone teve que pedir desculpas individualmente a todo mundo que reclamou, reafirmando que não tem nada contra bichas, sujas ou limpinhas.

O que leva um imbecil a soltar "VodafoneUK is fed up of dirty homo’s and is going after beaver" em uma conta de Twitter oficial, da empresa onde ele trabalha, sabendo que poderá facilmente ser identificado?

Só consigo pensar em imaturidade. É a melhor explicação para vários desses casos. Pode reparar: Todo anúncio para trabalhar em redes sociais pede os seres mais inexperientes e não-qualificados para colocar na ponta, na vitrine, na fachada sendo a CARA da empresa.

HELLO???? Você pode ser o Donald Trump, quem vai falar com o seu consumidor lá no Twitter é o estagiário mais lentinho ou a estagiária mais feinha e/ou sem jogo de cintura. Todo mundo “tem mais o que fazer”. Só que para quem está do lado de lá, isso não conta. Ao mandar um Twitter, um email, um cheiro, está mandando para A EMPRESA DO TRUMP.

Estão percebendo aonde quero chegar? Pois é. Não adianta investir em redes sociais se você trata seu consumidor como estatística de call center, onde o indivíduo não conta, só o número de ligações atendidas/hora. A Vodafone faz um trabalho ótimo, repare como eles interagem com os consumidores pelo Twitter. É pessoal, eles perguntam, respondem, agradecem, se desculpam, brincam, elogiam.

Nas redes sociais só o indivíduo interessa.

Compare com o péssimo trabalho feito pelo Submarino e pela Nokia. Um meio de INTERcomunicação por excelência é usado como uma via de mão-única, quase um spam opt-in.

No Brasil investimento em mídias sociais ainda é pontual e feito com troco de pinga. Quando o mídia da agência não consegue negociar um calhau pra fechar a conta, joga na rubrica “Internet”. Com isso uma parte estratégica da comunicação cai na mão de gente sem experiência, sem verba e SEM RESPONSABILIDADE, dentro e fora da empresa.

As agências sérias (sim, existem) sofrem com isso, pois além de terem que criar campanhas com verbas exíguas (por um lado é excelente, do ponto de vista Darwinista isso filtra profissionais que é uma beleza) essas agências tem que competir com as 3784374 agencietas que surgiram querendo ordenhar o filão “mídias sociais”. Lembram do “logotipo de R$15,00” que praticamente matou o mercado de designers free-lancers sérios? É a mesma coisa.

A diferença é que agora não temos mais a padaria da esquina com uma logo feita de clipart do Corel, temos empresas de ponta colocando a cara na rua em alcance mundial. Isso deveria valer mais que um estagiário.


Gays Tomando Tiro? Eu comemoro!

04/02/2010 - 2:49 pm  -  61 comentários


Ser gay nunca foi muito fácil, e nem falo de antes da invenção do KY,e em 1904. Vide a deplorável situação do grande Alan Turing, exposto como homossexual, tratado de sua DOENÇA, emasculado quimicamente e levado ao suicídio. Ganhar a 2a Guerra não era o suficiente, ele também tinha que cuspir no chão, coçar o saco e passar a mão na bunda da secretária.

De lá para cá só os grupos religiosos mais fanáticos (como o islamismo iraniano ou o cristianismo conservador do Bible Belt americano) consideram gays criaturas abomináveis, condenadas ao Inferno. Claro, todo mundo continua secretamente rejeitando a idéia de ter um filho boiola, mas conheço famílias bem conservadoras que simplesmente aceitaram o fato, e não explodiram a pobre criatura de plumas em milhares de pedaços.

soldiers

Um campo entretanto não mudou quase nada: As Forças Armadas. Aceitar mulheres já foi complicado. Tirando casos onde a sociedade é extremamente equilibrada (como os países nórdicos) ou onde há real necessidade (Israel) mulheres no máximo exercem funções burocráticas. Mesmo os EUA ainda relutam em colocar mulheres na linha de frente.

Gays então, nem atrás. (com trocadilho)

Durante décadas um soldado gay era expulso sem dó nem piedade, com desonra, escorraçado até pelos sujeitos que o comeram achando que isso não os tornaria igualmente gays (não é que pegue, você entendeu). O que não impediu milhares de gays de servirem nas forças armadas americanas, lutando e morrendo do lado de seus irmãos em armas.

Em 1993 o Presidente Clinton (é, o do charuto) instituiu a política “Don´t Ask, Don´t Tell”, (não pergunte, não fale) alterando a legislação que proibia a presença de gays nas forças armadas dos EUA. Com a nova diretriz o sujeito poderia servir sem ter que responder durante o recrutamento se era gay ou não, MAS qualquer declaração de orientação sexual seria punida.

Basicamente um gay poderia ser soldado se não revelasse nunca em momento algum de forma nenhuma que é gay. Do armário para o carro blindado.

A política é tão burra que causou danos irreparáveis, como a expulsão de 59 intérpretes de árabe no Iraque. Não por espionagem, mas por serem… gays. Os sujeitos eram adorados pelos colegas, se colocavam na linha de fogo, lutavam e morriam, mas independente da opinião da grande maioria que servia com eles, RUA!

Cumprindo uma promessa de campanha, Obama está finalmente revertendo isso, e a grande virada (epa!) veio via… Twitter.

O Almirante Mike Mullen, do Estado Maior das Forças Armadas postou dia 2:

donaskdontell

“Permitir que homossexuais sirvam abertamente é a coisa certa a fazer. Questão de integridade”. Isso foi histórico, inclusive pelo uso da ferramenta. (no bom sentido, cacete!)

Os críticos dizem que isso afeta a moral dos combatentes. 100% dos críticos NUNCA serviu em combate, não entende que o elo entre companheiros de trincheira vai muito além de opção sexual. Na Inglaterra soldados GLB coexistem abertamente, e não há sinal de danos à moral.

gay-pride-soldierAlias, que exemplo maior de que orientação sexual não tem efeito negativo em uma moderna força de combate do que as Forças Armadas Israelenses?

Desde 1993 homossexuais são abertamente aceitos nas IDFs (Israeli Defence Forces). Inclusive nas Forças Especiais. Qualquer tipo de discriminação no recrutamento, alocação, e promoção baseado em orientação sexual é proibido por Lei.

Em 2005 a Associação de Gays Lésbicas, Simpatizantes, Transexuais, Transgêneros, Transgênicos e o Diabo a Quatro de Israel foi incluída na lista de entidades filantrópicas para as quais um jovem pode prestar serviço, ao invés do Alistamento Obrigatório.

Não que usem como desculpa para fugir da caserna, o número de gays que se alista é cada vez maior. Dá até para entender. Se eu fosse gay e judeu (junte negro e argentino e temos uma piada pronta) a escolha seria clara: No melhor estilo Bastardos Inglórios COM PRAZER eu me alistaria para defender meu país e meus irmãos coloridos de inimigos declarados como o Irã, que executa publicamente jovens pelo terrível crime de serem gays.

Toda essa movimentação não é proselitismo. Nesse caso gays não querem segurar bandeiras, querem segurar armas. Querem que o país pelo qual estão dispostos a dar a vida lhes dê a liberdade de ser o que são.

Principalmente, e aí é a questão de integridade que o Almirante Mullen cita, deve ser feita JUSTIÇA, pois no modelo atual se um soldado que morreu heroicamente dando sua vida em combate para salvar seus irmãos morre, caso ele seja gay mesmo que tenha um relacionamento estável de anos, seu companheiro não será avisado pelos meios oficiais. Não participará do funeral, não ganhará uma palavra de alento, nem sequer terá direito a pensão, auxílio médico e outros benefícios dados aos outros soldados.

Até porque o coração pode ser rosa, mas o sangue é igualmente vermelho.

[ATUALIZAÇÃO]

Hoje, 18/11/2010 o Senado dos EUA votou pela rejeição do Don´t Ask Don´t Tell, a legislação que proibia gays de servirem abertamente nas forças armadas. O projeto seguirá para aprovação Presidencial e em 60 dias ganhará Força de Lei. Parabéns aos 65 senadores que votaram a favor.



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