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Salve Joaquim Silvério dos Reis, Padroeiro dos Blogueiros

21/04/2010 - 9:08 am  -  52 comentários


Hoffman e Redford em Todos Os Homens do Presidente. Assista.

Em 1972 cinco sujeitos invadiram o comitê do Partido Democrata dos EUA. Não foi o Forrest Gump mas quase, um guarde de segurança desconfiou, chamou a polícia e todos foram presos. isso ocorreu em um complexo de apartamentos chamado Watergate. A investigação que se seguiu envolveu
todo mundo. E por todo mundo eu digo do Departamento de Justiça, do Procurador-Geral e chegando até ao Presidente dos EUA. A invasão  foi
acobertada de toda forma possível, mas como o acobertamento em si era impossível de não ser percebido, em 1974 Richard Nixon renunciou à
Presidência dos EUA.

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Mentes Pequenas – Independente de Escala

20/04/2010 - 5:10 pm  -  56 comentários


Eu ainda não decidi se fico irritado, decepcionado ou considero apenas divertido a quantidade de idiotas que me interpelam diariamente com questões como “você não trabalha?” “você só fica no Twitter” “você não sai?”.

Alguns casos eu apenas ignoro e bloqueio o idiota, como um dia em que cheguei em casa 5:30AM, vindo de um show, liguei o computador e IMEDIATAMENTE fui recebido com um “você não sai do Twitter?” isso perguntado por um sujeito que ESTAVA no Twitter 5:30AM.

A origem da dificuldade é evidente: Muita gente tem problemas em entender o conceito de trabalho SEM a estrutura tradicional de empresa. Mesmo em firmas de tecnologia de ponta no Brasil é complicado o conceito de Home Office, quem trabalha de casa é mal-visto pelos colegas e pelas outras chefias. A chefia imediata pelo menos desconfia.

Embora para mim seja algo natural, para a maioria dos interlocutores é alienígena o conceito de que eu possa trabalhar com computadores, e que tenha acesso a algo tão complexo quanto a combinação de teclas ALT+TAB.

A definição de “trabalho” de muita gente é restrita a conceitos paleolíticos. Ainda valorizamos muito mais o trabalho braçal do que o intelectual. Os pobres peões explorados da China trarão lágrimas aos olhos da burguesia brasileira, mas se eu disser que jornalistas freelancers ganham uma miséria e que o Mercado se uniu para não pagar mais, dirão que estão reclamando de barriga cheia, afinal é só sentar na frente do computador, tec tec tec e pronto.

Essa visão infelizmente não está restrita a idiotas do Twitter. Conceitos como mobilidade e conectividade ainda não fazem parte do dia-a-dia de gente que deveria estar mais antenada. Como a CNN.

A empresa que transmitiu as Guerras do Golfo via telefones de satélite, que usou Skype para monitorar o Tsunami do Chile, que publicou vídeo de blogueiros contrabandeados de Burma, essa empresa não entende o conceito de trabalho remoto.

Jens Stoltenberg é Primeiro-Ministro da Noruega. Está preso em Madrid, por causa do vulcão na Islândia. No vídeo acima o jornalista da CNN pergunta sobre sua situação. O Ministro diz que tem um monte de meios de comunicação, tem um iPad “é excelente” e que não tem problema nenhum.

O jornalista insiste, pergunta se ele está fazendo malabarismo com suas responsabilidades, como um vendedor preso no aeroporto, com o telefone em uma das mãos e o computador em outra. O Ministro de novo diz que não, que é apenas uma viagem mais longa.

A entrevista segue e o Jonathan Mann não consegue aceitara idéia de que o 1o Ministro não está preocupado. Diz até que ele deve ter muitas “Responsabilidades Importantes”, como se o 1o Ministro da Noruega não estivesse ciente de suas responsabilidades.

A falta de visão de um jornalista transformou uma matéria “que legal, o 1o Ministro é um cara conectado” em quase “Que absurdo, 1o Ministro ilhado, Noruega prestes a entrar em colapso”.

Esse despreparo, essa incapacidade de abrir os horizontes e ver o que está acontecendo no mundo  mostra que é possível para um sujeito chegar a jornalista da CNN tendo a mesma visão tacanha do sujeito que pergunta se eu não durmo.

Antigamente isso era resolvido com uma frase-emblema de Geração Rock’n'Roll: Não confie em ninguém com mais de 30 anos.

Hoje, pela quantidade de idiotas jovens que vejo no Twitter, inclusive o que reclamou que eu não paro em casa, só vivo em bares, nem o aviso dos 30 anos vale. Portanto, fica a dica: Não confie em ninguém que acha que sabe como o mundo funciona, muito menos em quem acha que sabe como o mundo DEVERIA funcionar.


Uns querem mudar o mundo, eu só quero ser Andy Kaufman

19/04/2010 - 3:59 pm  -  36 comentários


Imagine a cena: Um sujeito todo tímido sobe ao palco durante uma apresentação de Improviso. Com sotaque estrangeiro diz que vai fazer imitações, que consistem nele dizendo o nome do entrevistado, e só. “Oi, eu sou fulano”. Com a mesma voz. A platéia vai ficando desconfortável. Não sabe se o cara é ruim ou está se fazendo de ruim. Surgem risadas nervosas, não estão rindo do que ele está fazendo, estão rindo dele. Nesse momento ele pede para fazer uma imitação: Elvis Presley.

A platéia ri de verdade. A falta de talento está estabelecida, a idéia daquele sujeito fazendo uma imitação difícil como Elvis por si só é engraçada.

Ele se produz na hora, coloca uma peruca, pega um violão e faz a mais fodásticamente perfeita imitação de Elvis que se tem notícia. Considerada a melhor, e a única “autorizada”, pelo próprio Elvis Fucking Presley em pessoa.

Todo mundo se acaba em palmas, a platéia vem abaixo. O sujeito se aproxima do microfone, e na mesma voz fina baixa e com sotaque diz “thank you very much“.

Esse era Andy Kaufman.

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Branca Branca Branca, Mion Mion Mion

12/04/2010 - 7:34 pm  -  91 comentários


Tentei sem sucesso definir o Lengendários, programa humorístico comandado por Marcos Mion que estreou dia dez na Rede Record. Por fim a resposta veio da Ana Martinez, que comparou a troupe com o Incrível Exército de Brancaleone, grupo de patetas que se dá mal o filme inteiro e NÃO vence no final.

Eles são os anti-anti-heróis, representam a filosofia de que de onde menos se espera é que não sai nada mesmo. Foi essa a impressão que tive, antes de ver o programa. Reconheço que alguns livros podem ser julgados pela capa, e algumas primeiras impressões são sim verdadeiras.

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Os Dez Mandamentos do Fã de Humor Televisivo

12/04/2010 - 12:32 pm  -  57 comentários


Eu sou meio jeca nessa coisa de protocolos, sem intenção percebi que violo várias regras, ao procurar programas de humor e achar graça de mais de um ao mesmo tempo.

Para que você não corra o mesmo risco, compilei algumas regras, deduzidas do convívio com o grupo de criaturas mais racionais, inteligentes e articuladas que conheço: Fanboys de programas de humor:

Dez Mandamentos do Fã de Humor Televisivo

1 - Você é obrigado a rejeitar e execrar qualquer programa de humor que seja mencionado em uma discussão, mesmo que seja o que você gosta. Demonstrar apreço é pecado.

2 – Você só pode gostar de UM programa, ao declarar seu apreço (nunca em uma discussão envolvendo outros programas), automaticamente endossa TUDO que o programa veicule, ao mesmo tempo em que declara que TODOS os outros programas já feitos, em planejamento ou que virão no futuro são lixo.

3 - Recuse-se a entender a diferença entre humorista, comediante, ator de comédia apresentador e escada.

4 – Qualquer programa com mais de 5 anos no ar é um absurdo, “Não sei como isso ainda passa”. Ignore as respostas “passa porque muita gente assiste e gosta, passa porque dá dinheiro”.

5 - A carreira de um comediante é definida por seu último trabalho. Ignore tudo que o sujeito fez de bom. Se ele está ruim em um papel, assuma que ele é ruim em tudo que faz na vida, seja escrevendo, fazendo standup ou sapateando.

6 – Se uma série boa tem UM episódio genial, passe a considerar todos os bons LIXO; assuma publicamente que a série está em franca decadência, por não repetir a genialidade. Ignore o fato de você gostar e assistir ANTES do episódio genial. Da mesma forma UM episódio ruim é motivo para cancelamento.

7 – Nunca acredite em uma segunda leitura. Se há um gay na gag, a piada é homofóbica. Se há um negro, é racista. Resista a qualquer tipo de leitura mais sutil. Isso é coisa de frutinha.

8 – Mulher pelada ou bonita é sempre apelativo, mesmo que seja pertinente ao quadro E/OU ela tenha talento.

9 - Não existem estilos diferentes de humor. Chaplin, Laurel e Hardy, George Carlin e Mel Brooks devem ser julgados e avaliados segundo os mesmos critérios. O único critério que não deve ser levado em conta é se o humor é engraçado. Isso seria simplista.

10 – Humor referencial é elitista. Rejeite qualquer piada que tenha pré-requisito, dependendo de conhecimento prévio para ser engraçada.

Respeitando esses mandamentos você estará apto a criticar o Humor Televisivo Brasileiro, ou ao menos a agir como um bom fã.

Claro, eu não sou muito fã de Mandamentos, então prefiro ignorá-los. Continuo gostando do que acho engraçado, independente de onde venha. Por isso ofendo tanta gente ao dizer que sou fã do Pânico, o que viola os mandamentos 2, 7 e 10.

Ontem durante a cobertura de uma feira erótica em São Paulo um sujeito vestido de sadomasoquista desfilava com uma máscara de latex em forma de cabeça de cavalo. Uma das bibas apresentando o quadro comentou “ah isso na minha cama”. Imediatamente André, editor do programa e um dos maiores humoristas brasileiros ainda no armário inseriu a cena clássica d’O Poderoso Chefão, com a cabeça de cavalo decepada, na cama de Jack Woltz.

Eu ri MUITO, pegou uma frase inócua e deu um final inesperado. Esse é o conceito mais didático de humor.

Claro, 99% dos fãs do programa não entenderam, e segundo o Senso Comum por isso eu não deveria assistir, pois não estou no perfil de “Fã do Pânico”. OK, então me respondam: Pra QUEM o André fez a piada do cavalo? Pro sujeito que liga pro esqueminha de ringtone que anunciam no merchã do programa? Naninanão, a piada foi feita para quem A ENTENDE, por mais que isso viole o Mandamento 10.

Violando os Mandamentos 10 e 4, ontem os Simpsons mostraram como ficar 20 anos no ar, mesmo com a Internet bradando que não são engraçados e ninguém assiste. No episódio o Sr Burns foi preso. Na penitenciária o guarda começa a catalogar seus pertences. Uma hora puxa um cartão e diz “Cartão de Seguro Social”, apenas para ser interrompido por um indignado Sr Burns “Seu idiota, isso é apenas meu cartão SS”. Veja a imagem:

Entendeu? Não? Tudo bem, fale com o Marcos Mion, ele terá prazer em explicar a piada.


Quer kibar, kiba, mas não mata!

09/04/2010 - 4:20 pm  -  69 comentários


Por mais que tenha sua influência junto à escumalha rebelde, o Kibeloco se compara a um Lando Calrisian, seu blog é uma operação insignificante, é Bespin comparado com o Império da Internet que Gera Conteúdo. E até ele se ofende ao ouvir o verbo kibar (kibar! kibar! kibar!, repitam).

Faz sentido, pois mesmo sendo sinônimo de plágio ninguém quer ser chamado de plagiador. Mas e quando a kibada é tão obscenamente descarada que supera tudo que o kibe já fez? Como caracterizar a tal Video Brinquedo?

Esse pessoal cuja originalidade já começa no nome se especializou em… Kibar a Pixar.

Você já deve ter visto, toda vez que sai uma animação da Disney, Pixar ou Dreamworks uma série de estúdios chineses de 5a categoria criam versões “semelhantes”.  Como a Disney fazia uso de contos de fada, sem copyright, a farra comia solta. Com a criação de personagens originais, isso deveria parar, mas é confiar demais no ladrão.

O resultado são pais alienados que estragam o Natal dos filhos comprando versões kibadas genéricas dos filmes que eles viram no cinema. Pior: Compram, acham que os filhos devem entubar afinal “é tudo a mesma coisa” e ainda acham que saíram por cima, por pagar R$10 no que os otários que compram originais pagam R$50.

A surpresa é que muitos desses filmes kibados chineses são na verdade… made in brazil.

Os responsáveis são uma empresa cujo Modelo de Negócios é copiar (vai além de kibar, o conceito) os trabalhos de gente como Pixar, Dreamworks, Disney. Não é pirataria, não é uma honesta reprodução não-autorizada e posterior distribuição. Eles vão muito mais baixo: Chupam os conceitos, idéias e personagens.

Eu como fã de John Lasseter, Walt Disney, Walbercy Camargo e tantos outros que contribuíram para a Autêntica Felicidade Humana, nos entretendo com horas de magia e deslumbramento me sinto pessoalmente ofendido ao ver gente ganhando dinheiro chupando o trabalho alheio. E não é pouco. Uma abominação chamada “Ratatoing” vendem 60 mil cópias. “OS Carrinhos”, totalmente chupado de “Cars”, da Pixar, um dos filmes que mais me emociona até hoje, vendeu 310 mil cópias.

Uma crítica do “Ratatoing” no site ToonZone resume: “Se você comer uma cópia do pior desenho animado que imaginar, o que você cagar ainda será melhor que Ratatoing”.

PAUSA PARA AS KIBADAS
“Vida de Formiga”

“Os Carrinhos”

“Ratatoing”

NOTA: Não são só esses, também plagiaram Transformers, UP, vários da Disney, Kung Fu panda, etc, etc e blearrrgh etc.

Infelizmente há pouco que os Criadores possam fazer. No mercado dos EUA (onde atendem como Toyland) a Video Brinquedo mal arranha, sendo vendida nos Walmarts da vida pra população de pouca renda e nenhum discernimento. Já no Brasil a coisa muda de figura. Não só vendem MUITO como faturam inclusive com licenciamento. Sim, agora o pai espertão que acha que Carrinhos == Cars pode comprar ovo de páscoa e caderno genérico pro otário do filho, também.

Eles se explicam, se bem que pela cara de pau acho que era hora de lançarem uma versão de Pinóquio. Marco Botana, gerente de produto da Vídeo Brinquedo em entrevista para a Folha de SP:

“As temáticas são diferentes, as histórias não têm nada a ver com os filmes da Pixar”, explica. “As animações seguem ondas, teve uma de bichos da floresta antes, depois de bichos do mar, todos os estúdios embarcam, inclusive nós, à nossa humilde maneira.”

Não, Marcos, nada a ver. Eu que estou vendo coisas.

Estou muito revoltado, empresas assim são como parasitas nas asas de um anjo. Estão maculando algo BOM, estão tirando seu sustento do talento alheio, enganam crianças e pais e não criam NADA, faturando milhões enquanto gente de talento briga desesperadamente por visibilidade nos YouTubes da vida, sem a trapaça de chupar uma obra já consagrada.

Como consumidor, só posso fazer a minha parte: JAMAIS chegarei perto de algo “produzido” por essa empresa, e aumentarei a quantidade de produtos legítimos que compro. Se precisava de um incentivo para comprar meu Buzz Lightyear, é essa a hora. Obrigado, Video Brinquedo! Sua mediocridade vai render vários dólares no bolso da Pixar.

Fonte: Heavy.com


“Bichas nojentas são uma abominação aos olhos de Deus”

07/04/2010 - 6:12 pm  -  44 comentários


Isso é o que dizem alguns, mas de modo algum concordo. O que não invalida o fato do título ser apelativo, babaca e desnecessário, não fosse pertinente ao tema deste post, que não tem nada a ver com bichas nojentas, ou mesmo as limpinhas e asseadas.

Existe um conceito usado no jornalismo (e em todo bom texto argumentativo desde São Tomás de Aquino) onde apresentamos pelo menos dois lados de uma questão. No caso do jornalismo, omitimos a conclusão, para o texto não se tornar opinativo.

É um modelo válido, mas não é o ÚNICO modelo. Em alguns casos ele simplesmente não se aplica. A liberdade dos blogs deveria SIM ser utilizada pela imprensa, ao menos nesses casos. A tal “isenção” tem limites. Não acho que seja produtivo sequer OUVIR gente que defenda escravidão, por exemplo.

Dar “o mesmo espaço” se torna improdutivo. Teóricos da conspiração são como trolls, adoram catar minúcias irrelevantes e NUNCA estão satisfeitos. Imagine um programa do Discovery dando o mesmo espaço para o pessoal que não acredita no Pouso a Lua. Imagine se cada programa sobre Evolução envolvesse criacionistas. Imagine se um livro de paleontologia viesse com um capítulo sobre Criacionistas da Terra Jovem, que acreditam que o mundo tem 6000 anos de idade.

Eu não acho que a mídia deva se posicionar em cada pequeno assunto, mas NO MÍNIMO deveriam pensar duas vezes antes de assumir como válidas as idéias apresentadas. Essa posição magnânima em cima do muro gera ao menos em mim a impressão de que a mídia é BURRA, que aquele pessoal na TV não pensa.

Vejam por exemplo esta matéria da CNN: A chamada é “Homossexualidade: é um problema precisando de uma cura?”


Eu diria que quem criou a chamada precisava é de uma curra. A matéria envolve uma Lei dos anos 50 que obrigava médicos na Califórnia a examinar as causas e pesquisar a cura do Boiolismo Juramentado. Bonnie Lowenthal, uma deputada local está propondo uma alteração na Lei para invalidar essa legislação idiota.

Um idiota chamado Richard Cohen que se engana dizendo que é ex-viado, se opõe. Diz que gays são frutos de lares desfeitos, infância ruim, abuso sexual e que por isso podem ter sua condição revertida, como ele. Digo, como não, tão me estranhando?

A questão é: A deputada afirma que NÃO HÁ oposição, que todo mundo concorda que a Lei não reflete a visão do povo da Califórnia, que é algo completamente pró-forma.

A CNN ao invés de uma chamada no estilo “Deputada quer invalidar legislação idiota” ou algo do gênero, LEGITIMA a “controvérsia” com a chamada, e para “mostrar o outro lado” chama um sujeito que não tem NADA a ver com o peixe (ok, com a fruta), que foi expulso de várias organizações de classe e cuja maior realização é ser reconhecido como… “reorientador sexual”, “curando” gays.

Acho interessante quando me acusam de buscar polêmica, apenas por emitir minha opinião, enquanto a mídia CRIA polêmicas (adoram o termo) onde elas não existem. EM NOME da “imparcialidade jornalística”. Não consigo ver onde isso que a CNN faz ajuda. É uma fórmula, um modelo e como toda forma (já caiu o acento?) limita o formato do bolo, por mais gostoso que seja, não ficará diferente de outro, ao menos visualmente.

Nem toda questão é válida. Mr Garrison, em South Park definiu muito bem: “Não há perguntas idiotas, só pessoas idiotas”. Millor fala que não se deve amplificar a voz dos idiotas. Eu concordo, mesmo não praticando tanto quanto gostaria, mas sou só um blogueiro latino-americano sem dinheiro no bolso e vindo do interior. O que falo não reverbera, não no nível de uma CNN, uma Globo.

Por isso acho MUITO temerária essa postura de nivelar (por baixo) todas as partes de um debate, ainda mais quando o debate sequer existe. Não sei quantos cientistas já foram na Ana Maria Braga mas duvido que tenham tido tanto espaço e respeitosa reverência quanto o picareta Jucelino da Luz. TODOS os especialistas entrevistados denunciam as tais “cartas autenticadas” como falsificações grosseiras, o Fantástico já detroçou  o sujeito, mas em nome da “impacialidade” ele ainda é convidado nos programas da casa.

Sinceramente eu prefiro às vezes a Fox News, que ASSUME uma opinião e deixa isso claro. Acho mais honesto do que ver “jornalistas” tratando com gente como o tal jucelino.

O bem mais valioso que um leitor pode dar a um autor -e é o único que peço- é o benefício da dúvida. e justamente por ser tão valioso não acho que ele deva ser usado em casos flagrantemente desiguais, como o pessoal que defende ardentemente que a Terra é plana. (sim, eles existem).

Do contrário seremos obrigados a aceitar racistas em debates sobre racismo, ou mesmo em debates sobre gays gente que não acredite que bibas ao morrer viram purpurina, o que é um fato mais que reconhecido.


O que é o que é pior que 20 bebês mortos jogados fora?

04/04/2010 - 2:41 pm  -  48 comentários


Não sabe? Eu conto: 21 bebês mortos jogados fora. HA HA, não há nada melhor do que piadas de bebês mortos.

Oooooookey, talvez nem tanto.

A piada vira surrealismo quando os 21 bebês existem. Foi dia 28 de Março, na cidade de Jining, província de Shandong, na FRANÇA, caso alguém ainda não tenha entendido que foi na China. Trabalhadores acharam 21 corpos de bebês na margem do rio Guangfu. Não eram só fetos, o maior tinha 60cm. Alguns com roupas, fraldas, etc.


nem EU colocaria foto de bebês mortos no blog. Fique com um cachorrinho.


Os bebês estavam com etiquetas trazendo seus nomes e o nome das mães, mas nenhuma identificação do hospital. Aparentemente os bebês deveriam ser cremados, ou algo assim, mas algum funcionário preguiçoso achou mais fácil jogar no rio e depois dizer para os pais que os corpos foram tratados com respeito e dignidade.

O curioso é que a notícia não veio pela Anistia Internacional ou pela PETA (que não liga para bebês mortos mas odeia quem cria o cachorrinho acima). A notícia veio pela TV Estatal Chinesa.

A mesma China que vive sob censura não vê problemas em divulgar notícias assim, por mais que sejam prejudiciais a imagem do hospital (estatal). É um paradoxo, talvez gerado pelo gigantismo do país.

Neste link aqui temos um vídeo da matéria que foi ao ar, e é PUNK. Rola um mosaico nos rostos, mas mostram NA BOA os cadáveres dos pimpolhos, é algo chocante para quem está acostumado com a mídia ocidental, devidamente sanitizada desinfectada e onde atentados terroristas raramente têm sangue.

Os jornais que trabalham com mundo cão (como se houvesse outro) são duramente criticados, hoje é raro ver fotos de cadáveres nas manchetes, a violência no máximo é verbal. Bradamos (exceto o Estadão) nossa superioridade aos países comunistas e sua imprensa censurada mas vivemos sob um código de conduta em alguns casos MUITO mais rigoroso.

Se a Globo cobrisse um caso semelhante aqui e OUSASSE mostrar bebês mortos no Jornal Nacional teríamos camponeses com tochas cercando o Projac (camponeses são ruins de geografia) exigindo que a concessão fosse cassada.

REPORTAR um fato ofende muito mais o nosso público do que o fato em si. Quando falamos das denúncias sobre padres pedófilos os católicos se ofendem, exigem que separemos a igreja das matéria, praticamente omitindo a profissão (de fé) dos padres. Agora com essa cagada dos jogadores evangélicos do Santos que se recusaram a visitar um orfanato espírita, mesmo com um deles dando entrevista e dizendo que os motivos da recusa FORAM religiosos, a massa protestante exige que desvinculemos o caso da religião.

Qualquer denúncia de corrupção no Governo (qualquer Governo) imediatamente provoca uma reação de “ovelha negra”, explicando que aquele ali NÃO representa o tal Governo. Pela regra NUNCA há nada de errado no Grupo (qualquer Grupo). Se aparece alguém errado, não é do Grupo.

90% do público revoltado com a atitude dos jogadores mudaria de idéia se alguém usasse o argumento de que “religião não se discute” e a tv estava sendo “sensacionalista”, duas frases essenciais para invalidar qualquer discussão.

Religião se discute SIM, e mostrar fatos NÃO é sensacionalismo. Não gosto do que os Datenas da vida fazem, mas sejamos realistas, eles são os únicos fazendo. O resto das emissoras não quer ofender a sensibilidade dos espectadores, que crescem achando que atentados são coisas que destroem prédios vazios e bebês mortos são entidades abstratas em vivem (metaforicamente falando) em piadas e em notícias de 15 segundos.

Portanto, palmas para a TV Chinesa por sua postura pé na porta de enfiar bebês mortos goela abaixo do espectador (tire essa imagem da mente agora!), e MUITA PENA de gente que se mostra muito mais chocada com a TV que mostra 21 bebês mortos do que com as mortes em si.


Alarme falso, mas você achou que eu iria fazer isso, né?


Quem é Cardoso

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