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Você gosta de___? Mas é uma bosta igual a ___!

24/05/2010 - 3:11 pm  -  91 comentários


Os Simpsons é um dos programas que os Haters mais adoram odiar. Haters são um subgrupo de trolls especializados em odiar e desqualificar qualquer coisa, dando especial atenção a assuntos que estão em evidência na mídia. Por isso a enxurrada de comentários afirmando categoricamente que LOST é um lixo, ou o pessoal mostrando o quanto Homem de Ferro 2 é uma bela porcaria comparado com o filme imaginário que só existe no delírio esquizofrênico aprisionado em suas mentes, e como o iPad é uma bela porcaria, apesar dos dois milhões de unidades vendidas e dos 200 mil novos exemplares que saem das lojas da Apple a cada semana.

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Como vai o Intestino, Sheldon?

12/05/2010 - 8:42 am  -  32 comentários


No episódio de ontem de Big Bang Theory Sheldon está se preparando para receber uma hóspede especial. Para deixá-la confortável compra uma série de produtos, como absorventes, sabonetes aromáticos, meia-calça e “o que aparentemente é um yogurte especialmente projetado para regular o intestino feminino”.

Mais adiante ele solta “Elizabeth, posso te oferecer algo? Um produto de higiene feminina ou um yogurte regulador de intestino”. Ela, “baseada nas necessidades atuais”, aceita o Yogurte. Algumas cenas depois, aparece consumindo o produto. Há ainda uma outra, quando sem-graça diz que não foi ao banheiro, Sheldon entende como falha do produto e diz que vai escrever ao fabricante.

Em nenhum momento o nome do produto é mencionado, sequer pela atriz convidada, Judy Greer, mas eu duvido que o recall tenha sido menor que 100%.

As referências são todas engraçadas, o texto ficou completamente dentro do personagem, ficou claro que Sheldon foi influenciado pelos comerciais de TV no ar nos EUA, idêntico aos brasileiros, exceto que lá quem paga o mico da Patrícia Travassos é a Jamie Lee Curtis.

A Danone está rindo à toa. No Twitter a tag #Misturei Actívia não sai dos Trending Topics, as piadas estilo “como vai o Intestino?” vão de vento em popa e NENHUMA envolve a qualidade do produto. O Actívia pega carona no próprio hype.

Junte isso a um público inteligente e pode se dar ao luxo de fazer merchãs como esse do Big Bang Theory. Absolutamente sutil, pertinente e não-agressivo. Só um militante trotkista reclamaria de um product placement desses, é o equivalente a acusar Águia de Fogo de ser merchã dos helicópteros Bell.

“Ah, todos poderiam ser assim, né?”

Não. Infelizmente a percepção do público varia de acordo com a faixa socioeconômica / cultural. Para horror dos politicamente corretos povão que assiste novela das oito NÃO tem a mesma atenção a detalhes e capacidade de associação de idéias de quem assiste, por exemplo, Lie to Me.

Um monte de geeks ficou ofendido quando Zé Wilker disse que no fundo Matrix era um filme onde um sujeitinho aprendia a brigar mais rápido, mas sendo realista a Superinteressante fez um número especial explicando o filme. Código DaVinci ganhou vários livros explicando o “enredo”. Do mesmo jeito que o grande público não pega as referências obscuras nos filmes do Tarantino, do mesmo jeito que o vilão explica seu plano maligno não para o herói mas em benefício do público, a propaganda sutil não funciona para o grande público.

Isso quer dizer mídia de massa tem que ser rasteira, desprovida de inteligência, óbvia e superficial, certo? Certo, se você for o Kibeloco. Mas felizmente ninguém precisa ser o Kibeloco.

Você pode ser a Danone, pode vender seu Actívia de forma tradicional para o público tradicional E de forma inteligente para o público inteligente. Mesmo as mulheres geeks se preocupam com o Intestino, eu garanto.

Se o público-alvo comporta, e se há uma campanha popular já enraizada, trabalhar o público mais sofisticado pode e deve ser uma meta, pois o retorno é desproporcional, é o sonho de quem vende viralzinho, gente o tempo todo falando sua marca. Gente que vai no supermercado, olhará seu produto e quase automaticamente pegará “pra experimentar”. Gente que é lida e replicada.

Pensem como produtos como a Feiticeira (a vassoura, não a dona boa) poderiam ter viralizado com o slogan “não é magia, é tecnologia”. Investir em mídias sociais é muito mais do que fazer post pago no Twitter. Uma boa equipe de criação, um conceito sólido e um bom e velho merchã fizeram pro Actívia o que nenhuma agência muderna de Internet chegou perto de fazer.

PS: Este texto começou a ser escrito ontem de tarde. Hoje, 8:35AM o Actívia CONTINUA em 1o nos Trending Topics

PS2: Não custa dar um bônus pra rapaziada: Judy Greer, no mesmo episódio:


Um guri de sorte com 13 anos e câncer no fígado

03/05/2010 - 9:58 pm  -  146 comentários


elektronboy

A Make-a-Wish Foundation é uma organização não-religiosa não-governamental que surgiu meio por caso em 1980, realizando o sonho de um garoto com leucemia que queria ser um policial. Sim, eles não querem salvar o mundo, não querem converter você, não querem sua alma. Querem realizar sonhos de crianças com doenças graves, em sua maioria em estado terminal.

Como Erik Martin, de Seattle. Ele tem 13 anos e sonhava ser um super-herói, mas ao contrário do que os quadrinhos ensinam, as chances da radiação lhe darem super-poderes são tão pequenas quanto as de curar seu câncer no fígado em estágio avançado.

Isso não impediu a Make-a-Wish Foundation de seguir adiante com o plano.

Um belo dia a mãe do garoto recebeu um telefonema, era o Homem-Aranha. Ele explicou para Erik que um supervilão, Dr Dark havia feito prisioneiro o time inteiro de futebol dos Seattle Sounders, e que precisavam da ajuda de Elektron Boy.

Erik foi presenteado com um uniforme, um parceiro chamando Lightning Lad e uma missão. Saindo esperando Erik estava nada menos que um DeLorean e uma escolta de 25 motos da polícia. Chegaram a fechar uma rodovia para a passagem da… Missão de Resgate.

No estádio Erik usou A Força para abrir a porta do vestiário. Os jogadores ficaram super-gratos, cercaram o guri de atenção, deram presentes, autógrafos e tudo mais.  Até que o telão do estágio foi tomado pelo Dr Dark. Ameaçou cortar a energia da cidade toda, mostrando um funcionário-chave da empresa de energia preso em um daqueles guindastes com um cesto na ponta.

Um serviço para Elektron Boy, que partiu com a comitiva. Na empresa 250 funcionários esperavam e saudaram a chegada do herói, que operou o guindaste e libertou o técnico.

Seguiram para a Space Needle, aquele monumento conhecido de Seattle. Lá ele libertou pessoas presas no elevador panorâmico pelo maligno Dr Dark, atacou o vilão com um sabre de luz, entregando-o para a polícia na frente de uma multidão agradecida.

O dia terminou com uma vereadora entregando a Erik a Chave da Cidade e proclamando o Dia do Elektron Boy.

Erik disse apenas “foi o dia mais feliz da minha vida”.

Então vejamos: Centenas de pessoas se mobilizam para realizar o sonho de um garoto. Interrompem trânsito, convocam um time de futebol da 1a Divisão, que colabora em peso, enquanto aqui aqueles FDPs do Santos se recusam a SAIR DO ÔNIBUS que os levou até a PORTA de um orfanato, por ser uma “casa espírita”?

No final das contas, com câncer no fígado e tudo Erik Martin ainda é um garoto de sorte, por não ter nascido no Brasil.

[atualização] Sexta-Feira, 16 de Setembro de 2011 em casa, cercado de seus familiares Erik faleceu, mas como todo verdadeiro herói, sua memória continua.

Fonte: Seattle Times

 

 


Faça sucesso mostrando seu salame

03/05/2010 - 1:02 pm  -  12 comentários


 

O vídeo acima é um viralzinho de raiz, mostra robôs de alto desempenho da Skynet ABB Robotics selecionando salames e colocando nas embalagens. Foi parar no BoingBoing e já tem mais de 72000 visualizações.

É o que geeks classificam como “coisa legal”. Não precisa de “passe adiante”, não precisa de “RT por favor” nem sequer de post pago. Um blogueiro mais pragmático chamaria de… pauta.

Curioso é que embora mostre uma parte do processo de embalagem dos produtos da Peperami, o “anunciante” é a fábrica dos robôs. Não passou pela cabeça do fabricante do petisco que seu processo industrial pudesse ser algo interessante, que pessoas gostariam de ver e naturalmente compartilhariam isso com os amigos.

Empresas contratam agências transadas para entrar em mídias sociais, gastam grana montando ações de emboscada, flash mobs, patrocinam eventos mas como todo mundo tendem a desprezar a prata da casa. Durante um evento da LG no Guarujá foi ótimo passear de lancha, ficar em hotel 5 estrelas na mordomia, mas do ponto de vista de blogueiro de tecnologia o MAIS produtivo foi quando fomos jantar e pudemos bater papo com os engenheiros da empresa.

O rolo da Stargate Studios teve 1,4 MILHÃO de visualizações no YouTube. Se resume a uma compilação do… trabalho deles, criando fundos em chromakey (sou das antigas) para séries de TV.

 

A viralização foi inevitável, mas se a empresa resolvesse investir em “mídias sociais” provavelmente contrataria alguém que inventaria algo mirabolante, completamente diferente, mais caro e que talvez não desse tanto resultado.

Portanto, seja você cliente OU agência, estude o produto, estude a fabricação, estude o dia-a-dia. Seja sabonete, seja um político. O José Serra, antes dos marketeiros ensinarem como se comportar em mídias sociais estava ganhando adeptos ao tuitar seu dia-a-dia, falar da neta, comentar seriados de televisão.

Isso mesmo, por um momento um monte de gente estava discutindo LOST com ele. O sonho dourado de todo marketeiro, humanizar seu candidato. Mas como ele estava agindo por conta própria, sem aconselhamento, estava errado. Agora virou mais do mesmo com seu tuiter burocrático.

“Ah, mas meu produto não tem nada demais, não se encaixa nisso que você falou”

Se você acredita nisso, já é tarde demais pra resolver in house. Contrate uma agência com os pés no chão, mostre explique ensine seu negócio e deixe que descubram o que você já nem percebe mais, por puro costume: Que seu negócio TEM SIM partes curiosas e atraentes.

Afinal, dificilmente você faz algo menos interessante do que embalar salame.



Quem é Cardoso

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Jabá

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