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10 desculpas esfarrapadas para não ser bloqueado no Twitter

25/09/2010 - 6:17 pm  -  46 comentários


Estou eu feliz alegre e serelepe tomando Salinas, quando chegou em casa e descubro uma provocação (no bom sentido, de dentro pra fora) do Nick Ellis, me indicando este post “10 razões para não bloquear alguém no Twitter“. Eu poderia simplesmente ignorar, afinal de contas a autora é claramente uma “especialista” em mídias sociais. Vejam o perfil da figura, ela tem 32.301 seguidores, seguindo 29.108 pessoas.

Isso, DE CARA é sinal de usuário de script OU de perfil followback, usando a estratégia de seguir todo mundo que segue de volta. Isso garante pelo menos 70% de retorno, ou seja: A cada 10 pessoas que você segue indiscriminadamente, sem sequer saberem quem você é, sete seguirão de volta.

Mesmo assim, acho que vale uma refutação mais detalhada dos argumentos, pois a Internet está se tornando terreno fértil para esses “especialistas” que não conhecem nossa realidade e ganham relevância quando são replicados por gente mais ingênua.

Vejamos então como os argumentos da iludida especialista para não bloquear alguém no Twitter se comportam no mundo real:

1 – Todo mundo merece uma segunda chance

Lindo, poético. ela diz que o sujeito vem, pede desculpas e aí somos todos amigos. Perfeito, mas na prática não acontece. idiotas não pedem desculpas, eles acham que estão certos, SEMPRE. Um bloqueado NUNCA cai em si e corre atrás de perdão. O primeiro ato após o block é começar (mais precisamente, continuar) a xingar e atacar o autor do block.

Manter um sujeito merecedor de block ativo significa poluir sua timeline. Pior ainda, significa que você está dando espaço e tempo a um sujeito que PODE merecer uma segunda chance, espaço e tempo que você deveria estar dedicando a um monte de gente que merece uma PRIMEIRA chance.

2 – O Twit deles foi motivado por um dia ruim

Todo mundo tem um dia ruim. Alguns são uma boa merda. Nos meus piores dias já briguei com amigos, magoei quem não merecia, mas em momento algum JAMAIS destratei desconhecidos. Meus garçons, manobristas, cozinheiros, barmans não têm nada a ver com meu dia ruim. Se um AMIGO me trata mal em um dia ruim, eu entendo perfeitamente. Não é o caso. Eu estou pouco me fodendo se é o pior dia da vida do sujeito. isso não dá a ele o direito de entrar no Twitter e me xingar.

3 – Você está tomando uma decisão emocional? Vai conseguir dormir depois disso?

Vou. Não conseguiria dormir é se minha vida fosse tão vazia a ponto de bloquear alguém no Twitter afetar meu son

[atualização] – foi-me visto notar que a autora usou a expressão “can you sleep on it”, que não altera o sentido original da primeira pergunta, mas deixa de ser um apelo à consciência (aquilo que o Xerife Lucas Buck diz ser apenas o medo de ser apanhado) e se torna uma ênfase da primeira idéia, da precipitação. Não, mula manca, esperar 24h não vão fazer uma miguxa fã do Fiuk que me manda 50 mensagens com ameaças de morte parecer mais racional e menos digna de block.

4 – Álcool pode estar envolvido

Se beber, não tuite, Se tuitar, não beba. Sério, enquanto alcoólatra juramentado, bebedor contumaz ou com qualquer outro que apareça pra convidar, eu ODEIO bêbado inconveniente. Dão má fama à categoria. São chatos, fazem barmens regularem drinks no final da noite, fazem mulheres ficarem temerosas, fazem mal até ao fígado.

Em qualquer país decente um crime cometido sob influência de álcool é considerado pior que um crime simples Se álcool é agravante para tudo, porque diabos deveria ser atenuante no Twitter? Assuma suas atitudes, bêbado ou são.

5 – Podemos ter entendido o twitter fora de contexto

Ah, claro. Filho da puta, babaca, etc, é tudo fora de contexto. Qual mesmo a desculpa? Ah sim, “eu estava sendo irônico”.  Ninguém bloqueia ninguém por falta de contexto. Bloqueamos por comentários agressivos, ofensivos e provocações gratuitas.

6 – Saiu sem querer

Essa é hilária. A mulher diz que não devemos bloquear alguém pois pode ter sido um deslize, o sujeito falou algo e em seguida pediu desculpas, não era pra ter dito. Então vejamos: O sujeito diz que sou um merda, mereço a morte, bla bla bla, mas foi sem-querer, não era pra ter tornado pública a OPINIÃO dele, e por causa disso não merece block? Desculpe, se eu não quero manter contato com quem publicamente não me respeita, que dirá com quem me despreza em segredo.

7 – Você nunca sabe

Essa eu tenho que traduzir quase na íntegra: “Você nunca sabe o que está se passando do outro lado do tuit de alguém. Eles podem estar em uma situação ruim e você não sabe. A conta de twitter deles pode ter sido usada pelos filhos, eles podem estar usando o Google Translator e não está funcionando, eles podem estar em um relacionamento ruim e isso está causando stress”

Sério, FODA-SE, FODA-SE MUITO. Ema ema ema, cada um com seu problema. Não é minha função achar justificativas loucas para um idiota vir me xingar no Twitter.

8 – Perdão é sempre o melhor caminho

9 – Você tem seguidores sobrando?

Não, definitivamente não. Por isso mesmo valorizo muito cada um que me segue, leio todos os replies, conheço (interneticamente falando) cada um deles, em minha mente estamos todos conversando. Ao bloquear um idiota estou abrindo espaço para meus seguidores legais. Descobri que os leitores ODEIAM brigas, não acham graça em longas e estéreis discussões. É perda de tempo para todos os envolvidos, menos o débil mental que tem como único prazer na vida brigar no Twitter para mostrar aos amigos brigões como é o Fodalhão que xingou muito o Cardoso.

Eu não tenho seguidores sobrando, Diana. Não sou usuário de script como você. Por isso mesmo bloqueio sem dó qualquer um que atrapalhe minha interação com meus seguidores legítimos.

10 Karma

Karma, não vou fazer analogia com Nosso Lar. A explicação é bem mais terrena. Segundo a scripteira, “Tome cuidado para Não bloquear alguém apenas porque você quer magoar, chamar a atenção ou ser chato. Se você fizer isso, atrairá o mesmo tipo de seguidores”. Como assim, Bial? Alguém bloqueia para chamar a atenção? E como isso fará com que você atraia gente que também bloqueia indiscriminadamente? Não faz sentido. É como dizer que celibato é hereditário.

Conclusão: A cidadã não tem uma experiência real de Twitter, é uma usuária de scripts que usa o serviço como fonte de spam, nada mais. Confira o Twitter dela, não interage. 90% das mensagens são linkspam, o resto são  ”obrigado pelo elogio”. É fácil você pregar regras de comportamento irreais no Twitter se você vive uma existência irreal. É só ignorar todo mundo, em uma vibe esquizofrênica, acreditando que trolls não existem. Na prática não funciona assim. Interagir com todo mundo tem seus preço, um preço muito caro, que é lidar com idiotas.

Você pode ser realista, admitir que existem pessoas cuja única atividade no Planeta é aporrinhar os outros, ou pode achar que todo mundo é bonzinho e gastar seu tempo achando justificativas para o sujeito que nunca te viu antes mas saiu ofendendo você, seu trabalho e sua família.

Eu sinceramente não acho que esse tipo de gente mereça esse tempo. Prefiro bloquear e me dedicar a gente de melhor nível. Até porquê, se mal consigo justificar os MEUS atos, vou me preocupar em justificar o dos outros?


Proposta polêmica: sai Cameron entra Darwin

14/09/2010 - 6:32 am  -  30 comentários


Hoje estava lendo esta notícia enviada por Takata-san. Em resumo um jovem de 23 anos, de classe média alta resolveu repetir uma besteira que viu na Internet: beber vodca pelo olho.

Eu entendo o conceito de drogas injetáveis, eu entendo o conceito de drogas fumáveis, mas qual a lógica de enfiar vodca no olho? Jesus nos deu um excelente orifício para depositar veneno.

Segundo a reportagem os imbecis fazem isso para “se embriagar mais rápido”. Caceta, custa esperar os 30 segundos que um copo de tequila leva pra fazer efeito?

Ainda na matéria, no melhor estilo “eu não tenho responsabilidade pessoal”. O tal jovem “criticou a divulgação da moda na internet”.

Deixa ver se entendi: o sujeito tem 23 anos na cara, vê um vídeo de um idiota abestado enfiando vodca no olho, repete e a culpa é da internet?

Que pena que ele não viu vídeos de Lemingues pulando no precipício.

Agora, o retardado (se bem que o retardado de anedota prega sorvete na testa, algo bem mais benigno e bem menos imbecil do que esse sujeito fez) pode ter que fazer um transplante de córnea.

Sou contra.

Ele está no perfil ideal de receptor. Jovem, saudável e garanto que as pedagogas e psicólogas contratadas pela família traçarão uma imagem de jovem talentoso e promissor.

Alcoólatras não recebem fígados. Enquanto bebedor contumaz e com quem mais convidar pro bar, não gosto disso mas entendo perfeitamente.

Então pergunto: qual a lógica de negar fígado a um alcoólatra mas dar uma córnea pra um sujeito tão burro a ponto de danificar o próprio olho só por farra?

Não seria o caso dos comitês de transplante assumirem una visão mais pragmática ainda? Vamos priorizar quem perdeu a visão em um acidente de trabalho, em uma fatalidade. Como doador, fico muito preocupado de meus órgãos irem para alguém imbecil assim. Não fará nada de útil com eles.


Jornalismo Cidadão não adianta se o Cidadão é um FDP

12/09/2010 - 2:00 pm  -  20 comentários


Existe uma ilusão compartilhada por donos de jornais e internautas de que o tal “Jornalismo Cidadão” irá salvar o mundo (e economizar dinheiro pois as pessoas trabalharão de graça). A idéia de que pessoas testemunhas oculares da História reportarão ao vivo os acontecimentos, criando um incrivelmente ágil fluxo de informações é linda. Quase coloquei um adesivo “esta máquina mata tiranos” no meu iPhone. Mas como se diz por aí, conheço meu gado.

Jornalismo Cidadão funciona bem no papel, no mundo real tudo tem seu preço. O custo do ganho em agilidade é a perda em precisão e confiabilidade.

Exemplo: A imagem acima é da ABC, falando do mega-incêncio em San Bruno, Califórnia. Foi uma pequena grande tragédia, 37 casas queimadas por um vazamento de gás, vários mortos, etc. Como todo órgão de imprensa moderninho a ABC aderiu a redes sociais, conteúdo gerado pelo usuário e outras buzz-trends (em português, modinhas). Seguindo a regra, esqueceram que pessoas somos FDPs por natureza. Por isso entre as fotos publicadas da tragédia, enviadas por leitores, está a Kombi acima, que os fãs de Lost identificarão como sendo a famosa Kombi incendiada da Iniciativa Dharma.

Não é tão legal (modéstia à parte) como publicar fotos do avião de Lost como sendo acidente da Gol, mas em essência é a mesma coisa: Uma imagem falsa, facilmente reconhecível e que jamais ganharia destaque em um órgão de imprensa sério, não fosse o “jornalismo cidadão”.

O resultado dessa “sabedoria das massas” é que órgãos de imprensa antes com credibilidade se tornam tão inseguros inexatos e descompromissados com a verdade quanto os blogs, tão atacados pela Grande Imprensa (muitas vezes com razão) como inseguros inexatos e descompromissados.

Jornalismo Cidadão é viável SE houver investimento. O investimento para desespero dos donos de jornais é em material humano. É preciso contratar gente safa, gente esperta, gente embrenhada no mundo das redes sociais para identificar e matar rapidamente esse tipo de gracinha, ANTES de ir ao ar. O Jornalismo Cidadão deve ser sujeito aos mesmos critérios de verificação de fontes E credibilidade do autor que o jornalismo tradicional, mesmo que através de pontos de karma, ou outro recurso.

O que não pode é publicar um vídeo enviado por leitor de um FANTOCHE cobrindo um incêndio, e achar que a empresa ainda faz Jornalismo Sério, não é mesmo, CNN?


Pra desespero de DeGaulle nós somos um país sério

10/09/2010 - 3:47 am  -  73 comentários


Ontem o Colbert Report, programa de humor jornalístico (não confundir com CQC) apresentado pelo comediante Stephen Colbert levou ao ar o primeiro de 3 programas especiais, com a platéia composta de militares recém-chegados do Iraque. No começo do programa ele exaltou os soldados, explicou que para recebê-los estava com um monte de brindes e produtos que eles não tinham quando em combate, como cerveja de verdade e… cachorro-quente. Estava inclusive com uma barraquinha de hotdogs no cenário.

O sujeito da imagem acima, distribuindo cachorro quente para os soldados é nada menos que Joe Biden, Vice-Presidente dos Estados Unidos da América.

Isso mesmo. Um comediante que por mais liberal que seja critica constantemente o Governo conseguiu que o segundo homem mais poderoso do planeta não só fosse em seu programa como ainda topasse participar de uma brincadeira.

Não é a primeira que o Colbert arma. Ano passado ele levou metade da equipe para o Iraque, fez uma semana de programas direto de um dos palácios de Saddam Hussein. Entre diversas entrevistas ele falou com gente do nível do General Ray Odierno, supremo comandante das tropas aliadas no Golfo. Durante a entrevista comentaram da “prova de respeito” que visitantes costumam demonstrar para com os soldados, que é cortar o cabelo com máquina zero. Colbert brinca, diz que o General não pode passar a máquina pois ele, Colbert só responde ao Presidente.

Nessa hora um link de vídeo é aberto e nada menos que Barack Obama, Presidente dos EUA aparece, saúda os soldados e diz para Colbert que está acompanhando a discussão.

“Sr Presidente, seus satélites são tão bons assim?”  ao que Obama responde:  ”Não, mas minhas orelhas são tão grandes assim”.  Em seguida dá a ordem como comandante geral das tropas, para que o General passe a máquina no Colbert. A cena é fantástica:

The Colbert Report Mon – Thurs 11:30pm / 10:30c
Obama Orders Stephen’s Haircut – Ray Odierno
www.colbertnation.com
Colbert Report Full Episodes 2010 Election Fox News

Durante a semana ainda aparecem mensagens em vídeo de George Bush, Bill Clinton, John McCain. Um programa de humor conseguiu reunir vários dos homens mais poderosos de seu tempo, sendo que esses homens não pensaram duas vezes antes de fazer piadas com suas próprias imagens públicas. John McCain, herói de guerra veterano da 2a Guerra Mundial do Vietnã (thanks Betinho) não teve problemas em dar aos soldados o conselho que aprendeu em uma guerra passada: “limpem sempre seus mosquetes”.

Os políticos fazem fila para participar do programa, mesmo os conservadores se beneficiam, já os liberais ganham em média 44% a mais em doações de campanha, após aparecer no show.

Já o Daily Show, programa-origem do Colbert Report e “mais sério”, recebe com frequência chefes de Estado, embaixadores e políticos de primeiro e segundo escalão. Há casos como o do picareta em último grau Rod Blagojevich, ex-governador de Illinois deposto por corrupção descarada. Ele foi massacrado de todas as formas por meses no Daily Show, mas no dia em que foi convidado, topou na hora. É melhor estabelecer uma política de “fairplay” do que cometer o Supremo Sacrilégio Americano, protestar contra um programa de humor.

Eu digo protestar pois lá a Constituição, já que não tem que se preocupar em regular juros de mercado, pode proteger o direito à sátira, à paródia, ao Humor.

Bolas, há eventos oficiais inteiros dedicados ao Humor. O Jantar dos Correspondentes de Imprensa da Casa Branca é basicamente uma noite de comédia, onde um humorista é convidado para… sacanear o Presidente, que por sua vez também faz seu showzinho. Ano passado o Obama mandou muito bem:

É, eu também não consigo imaginar o Lula ou o FHC fazendo isso. NA HORA iria aparecer a galera do mimimi com o discurso “fazendo piada enquanto tanta gente passa fome…”. Em uma parte do discurso Obama faz uma piada com David Axelrod, seu principal estrategista de campanha. Diz que falou “podemos fazer coisas maravilhosas juntos”, ao que David teria respondido “então vamos para Iowa tornar isso oficial”. Iowa havia recentemente legalizado o casamento gay.

Brincasse o Presidente assim no Brasil,  o mimimi “presidente homofóbico” atingiria proporções bíblicas.

O conceito-chave aqui é Liberdade, algo tão entranhado na cultura ianque que consideram natural. Todas as formas de discurso são igualmente válidos, já passaram da Infância, não têm mais a necessidade de autoafirmação de nós latinos, que precisamos desesperadamente repetir todo o tempo que “isso é coisa séria”, e a maldita frase “com coisa séria não se brinca”.

Essas frases são o último refúgio do covarde, pois políticos não saber como lidar com Humor. A crítica do humor inteligente é rápida, mordaz e não pode ser combatida da mesma forma que políticos combatem críticas normais: com hipocrisia, frases de sentido vago e muito bla bla bla. Por isso tantas tentativas de censurar humor em tempos de eleição. A comédia além de ser vista como uma arte menor por boa parte do público e dos próprios artistas, é considerada subversiva. Humoristas nada mais são na visão dessa gente do que encrenqueiros.

Aqui cabe uma mea culpa, se a classe política ainda está na idade da pedra, os humoristas também não vão muito longe. Há muito pouca gente aqui capaz de sentar numa mesa com um Lula e ir além de piadas com o dedo, e definitivamente o tempo do Presidente da República é valioso demais para ouvir um engraçadinho perguntando se é verdade que ele fez 3 faculdades.

Infelizmente a questão é -mais uma vez- cultural. Nossos políticos temem o Humor por não saber lidar com ele. Não lidam com ele por não ser algo “digno” de importantes políticos, e o público compartilha da percepção de que no fundo Humor É uma atividade menor, bem menos nobre que o Jornalismo. Seja ele qual for.

Eu prefiro acreditar que se ganhadores do Nobel como Paul KrugmanMuhammad YunusJoseph Stiglitz acham o Colbert Report relevante o suficiente para merecer suas visitas, talvez o Humor deva ser levado a sério.


A busca pela nãotícia e jornalistas passando vergonha

06/09/2010 - 12:49 pm  -  24 comentários


Em época de eleição é comum ver militantes histéricos fazendo as mais loucas considerações filosóficas e estupros lógicos para justificar seus candidatos e atacar os adversários. É algo bobo, como a tentativa (bem-sucedida) de tirar a propaganda de 45 anos da Globo do ar por dizerem que era propaganda subliminar pro PSDB. Sim, começou 45 anos atrás, em uma reunião dos Illuminati na sede dos Lapidários.

Curiosamente essa postura sazonal existe no jornalismo. Há um grupo de profissionais que rastejam no fundo das latas de lixo atrás de sujeira de figuras públicas, publicando qualquer porcaria que encontram. ESSES ainda são mais respeitáveis que os Jornalistas da Nãotícia. A nãotícia é a informação sem qualquer utilidade ou relevância. É algo como o que sites no estilo EGO fazem, mas aplicado a gente mais relevante que artistas no ego. (não me entendam mal, acho artistas MUITO relevantes, exceto quando estão atravessando a rua ou abalando em Penedo).

Os “jornalistas” em questão não querem se sujar, então ficam longe das lixeiras. Assim fuçam a Internet em sua superfície procurando fatos irrelevantes e usam de todo seu parco domínio do idioma para transformar esses fatos em nãotícias. Problema: Em geral possuem pouco ou nenhum domínio da área em questão. Com isso fazem deduções equivocadas, concluem besteiras e escrevem barbaridades. Exemplo: Atwater é uma cidadezinha de 20 mil habitantes na Califórnia. Clássica comunidade hospitaleira, tipo Twin Peaks, Crystal Lake e tantos outros lugares legais. Agora sua vida pacata foi afetada: Um jornalista do Mercedes Sun Star após profunda e qualitativa pesquisa relevou o Segredo Sujo da Cidade: Nelson Crabb, aposentado, ex-policial e vereador leva uma vida dupla. Durante a noite e em suas horas vagas ele deixa sua vida de senhor de 63 anos e se torna um PODEROSO CHEFÃO MAFIOSO DA COSA NOSTRA MAFIOSA!

No Facebook.

Isso mesmo. Um infeliz chamado Mike North, que se diz jornalista escreveu um artigo inteiro denunciando as atividades questionáveis do vereador NO MAFIA WARS.

O sujeito se dá ao luxo de descrever o jogo como se fosse algo… horrendo:

“Os posts de Crabb no Facebook não mostram sangue ou carnificina, mas algumas descrições são bem gráficas: ‘Nelson ajudou Michael a se livrar de um corpo e precisa de sua ajuda também’”

UAU! Imagine se o vereador jogasse xadrez online, o repórter descobriria que é uma batalha estilizada e deduziria que Nelson Crabb é o Novo Hitler.

Aqui o mundo se divide. De um lado temos os adversários políticos do vereador, que não se darão ao trabalho de conferir a acusação e farão papel de idiotas quando alguém mostrar o que é o Mafia Wars no Facebook. Do outro lado temos o vereador, que perderá seu tempo e seu SACO tendo que responder aos imbecis mostrando que Mafia Wars não é um Simulador de Bandidos (ok é) e que está longe de ser uma apologia ao crime e um “tapa na cara” dos honrados oficiais da Lei que tombaram no cumprimento do dever.

O público também se divide. Entre os idiotas de sempre E entre o pessoal com três ou mais neurônios. Esses verão a matéria, reconhecerão na hora que é uma premissa ridícula e classificarão o jornalista como um completo imbecil. Por extensão, o jornal inteiro.

Em busca da nãotícia não é só quem escreve que passa vergonha. Quem publica também. Por isso, fica a dica: O papel aceita qualquer coisa. O leitor não.


Audaciosamente indo onde nenhum fracasso em mídias sociais jamais esteve

05/09/2010 - 3:07 pm  -  21 comentários


Vou contar um segredo que talvez ninguém saiba, poucas pessoas do planeta conhecem esse meu lado oculto e misterioso: Eu adoro ficção científica. Por isso adorei quando apareceu na grade da Sky o canal SciFi, que só conhecia de nome e de uma visita aos EUA em 2004.

O SciFi passa séries que eu adoro, como Star Trek (todos os sabores) e Stargate. Passa a excelente Caprica e passou Battlestar Galactica. Passa os filmes trash que metade dos espectadores odeia (e a outra metade adora, por isso são produzidos) e é um canal que em sua essência dedicado a um gênero que eu adoro. Sei que eles passam aquelas porcarias de caça-fantasmas e nos EUA luta-livre, mas é o preço a pagar para sobreviver. Odeio do fundo de minh’alma os programas de OVNIs e Nostradamus e 2012 e Monstros do Discovery e do History Channel, mas continuo listando-os como canais top.

Infelizmente não existe (e falo por experiência) bicho mais chato e conservador do que executivo de canal de tv a cabo. Eles só contemplam novas idéias quando é absolutamente inevitável. Não duvido que haja executivos ainda desconfiados dessa tal de “tv colorida”. Assim iniciativas são em geral fruto de rebeldes e enfrentam oposição interna ferrenha.

Um exemplo clássico foi a Paramount. O estúdio está mais que ciente que o sucesso e a continuidade de Star Trek se deveu aos trekkers. Qual a atitude que tomaram, nos primórdios da Internet? Mandaram cartas para centenas de sites de fãs da série exigindo que removessem todo material não-autorizado (imagens, logos) e que usassem somente um “kit oficial de site de fã-clube”.

Isso mesmo, a Paramount se voltou contra os fãs de Star Trek tentando tirar do ar os sites que promoviam a franquia. Por sorte a cagada foi manchete em tudo que é lugar, perceberam a besteira e desistiram. Enquanto isso George Lucas apoiava sites de fã e quando o theforce.net ficou sem grana para hospedar os filmes criados por amadores, a Lucasart se ofereceu para bancar a hospedagem dos fanfilms.

Assim é comum ver canais entrando em redes sociais com iniciativas que são fadadas ao fracasso desde sua gênese, e me deixa triste perceber a história se repetindo com o SciFi. Acabei de ver um comercial da conta do canal no Twitter, a @syfybr.

“Nos siga, participe de promoções, receba notícias, bla bla bla”.  O de sempre. OK, tudo bem, não achei que fossem botar o William Shatner para escrever, mas se vão fazer o feijão com arroz, farão direito, não?

O canal tem 115 followers. 116, comigo. “ah, mas é novo”.  Não, não é. O que só piora. A última mensagem postada foi dia 27 de Julho. No total escreveram 9 twits na conta.

Poxa gente, isso é broxante. O canal ANUNCIA O TWITTER NA TV, se não vai colocar ninguém para administrar a conta, então não anuncie. Se não acreditam no Twitter, não entrem nele ou em qualquer outra rede social. Não é questão nem de jogar dinheiro fora, o estagiário que ficou responsável pela conta já está pago de qualquer jeito, e em alguns casos sai até mais barato. O custo aqui é como se fosse em ORTNS, vale mais do que dinheiro.

O custo é deixar claro para uma audiência geek, antenada, moderna que seu canal não só não é moderno nem antenado, como também não tem interesse nenhum em investir naquelas redes sociais que SÃO queridas para os geeks, fãs do canal. A impressão (correta até me provarem o contrário) é que estão de má-vontade, entrando só porque alguém insistiu muito. Entraram para mostrar que não vai dar certo mesmo e farão de tudo para que isso se concretize.

Não há vergonha nenhuma em dizer “não quero brincar”, vergonha é entrar desdenhando da brincadeira dos outros. E é isso que eu vejo: Um canal que ainda não entendeu que o Twitter virou realidade. Isso, claro, o SyFy Brasil, nos EUA a conta já é verificada, tem 44 mil followers e a última atualização foi menos de 10 horas atrás. É personalizada e INTERAGE com as pessoas. Mas ver isso aqui no Brasil aí sim é ficção científica.


ENLARGE YOUR FREDERICO! [ad]

02/09/2010 - 9:23 am  -  2 comentários


O nome do filme acima é teaser. Quer dizer viral, no bom sentido. Conta a história de um personagem, o Fred (viram? Identifiquei com o público mais jovem) que tem um pequeno problema: Ele cresce sem controle, mas não como a maioria dos adolescentes. Ele é mais como o Chefe Apache, dos Superamigos.

Só que os problemas do Frederico não param aqui. Ele também encolhe sozinho. Já tentou falar com o médico, como o Edson recomenda no outro comercial, mas não adianta. E isso não vem de hoje, como o filme de infância estranhamente preservado e editado demonstra:

OK, eu sei, está mais pra sonho do que home vídeo mas o Fred não é o DiCaprio e continua fazendo viral de sanfona. Não é comercial de chá emagrecedor, ele só cresce em duas dimensões. Não é comercial de cerveja pois a moça edificante do balcão não é loura e não é comercial do Dunga pois os meninos parecem saber jogar bola.

E agora, comofas\? Qual o mistério? Qual produto é esse por trás do Enlarge Your Frederico?

Para descobrir é fácil! Você visita este link aqui no site do Fred, e deixe sua mensagem de solidariedade pro Frederico crescer de vez. Também não custa seguir o Fred no Twitter e no Facebook. Semana que vem revelaremos o mistério, que já encucou o Brogui, o Não Salvo e até o Bobagento.


O texto acima é um publieditorial. Para descobrir como anunciar neste blog baixe o Media Kit. Para protestar contra publicidade em blogs clique no form de contato e enviarei detalhes de como você pode pagar minhas contas.


Nem só de kibe vive a China

02/09/2010 - 8:47 am  -  36 comentários


A China é conhecida mundialmente por seus produtos de qualidade questionável, pirataria generalizada e pilhas FONY vendidas no camelô. Usamos o pejorativo xing-ling como usávamos  ”paraguaio”. Por anos o país tem aguentado calado essa fama, até por ser verdadeira, mas o inevitável É inevitável. Ao manter centros de excelência e produzir coisas como o iPhone 4, a China vai aos poucos aprendendo, vai se tornando competitiva.

Isso claro gera dinheiro e com dinheiro podemos fazer coisas bonitas. Michelangelo não pintou a Mona Lisa por hobby. Ele não pintou por não ser Leonardo, mas mesmo que fosse só pintaria por dinheiro. Ele cobrou BEM do Vaticano por todas as suas obras. Fosse o Papa menos pop, seria pobre e teria que contratar uma tartaruga menos popular para decorar suas igrejas. O resultado não seria tão bom.

Dinheiro só não garante bom gosto, óbvio, está aí o Bispo Macedo para comprovar, mas quando há boa vontade em fazer direito E dinheiro, o resultado é magnífico. Vejam um exemplo: Estamos acostumados a receber links com legendas em Engrish de filmes traduzidos nas coxas pro mercado chinês. Nossa idéia de produção por lá é tosqueira como esta capa de uma edição pirata de Battlestar Galactica:

É um samba do crioulo doido espacial. Misturaram os personagens de Galactica com a Enterprise da Nova Geração e ainda tascaram um Stargate no fundo. Na resenha falam que é uma comédia pré-adolescente.

Essa era a realidade chinesa. Só que nem todo mundo se estagnou. A China que produz esses DVDs xing-ling também produz legendas como as criadas para a edição local do filme A Vida Dos Outros, Oscar de Filme Estrangeiro em 2007. Legendas localizadas não são algo novo. São algo caro. A Disney faz, a Dreamworks faz. A Pixar faz. Uma vez eu vi uma versão de Casablanca no cinema onde a carta que Ilsa deixa para Ricky estava… em português. Fizeram direitinho, com direito às gotas de chuva. Total exceção.

Já as legendas chinesas abaixo, só posso chamar de arte. Vejam o trabalho o cuidado para integrá-las ao filme. Isso é digno de um artesão, não de um técnico.

Fonte: Chinasmack


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