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Senhor Jesus: Mande outro meteoro. Assim como os dinos, nós não demos certo

17/12/2010 - 5:01 pm  -  138 comentários


idiocracy

Existe uma ilusão de que a espécie humana é por si só inteligente. Não é. 95% da população do planeta pasta (metaforicamente, se comessem grama já teríamos extinto as espécies mais comuns de gramíneas).

Uma pesquisa na rua mostrará uma boa quantidade de gente com a nítida certeza de que a Terra é plana.

A capacidade de interpretação de texto e associação de idéias é algo raro. Tenho uma teoria, acho que boa parte dos leitores de internet só consegue identificar palavras-chave. Assim qualquer uso de ordem inversa ou figuras de linguagem mais complexas causa pane no… err… cérebro dessas pessoas.

Outro dia escrevi um texto no MeioBit onde dizia que “a NASA não inventou nada, Isaac Newton fez os cálculos básicos para colocar objetos em órbita”  (estou parafraseando aqui, mas em essência foi isso). Um sujeito chegou cagando goma dizendo que eu “forcei a barra” ao dizer que a NASA não havia inventado nada.

O conceito de HIPÉRBOLE é demais pra ele.

Neste post aqui eu escrevi:

“Michelangelo não pintou a Mona Lisa por hobby. Ele não pintou por não ser Leonardo”

Foi o suficiente pra um imbecil sair dizendo que eu afirmei (que burro, dá zero pra ele) que o Michelangelo havia pintado a Mona Lisa.  Trolls foram atrás e uma idiota começou a me xingar no Twitter, cagando regra de “sou formada em história da arte”. Grandes bosta, se não consegue entender português acima do nível pré-escolar.

Nos comentários um veio dizer que “não pintou por hobby” passa a idéia de que pintou por outro motivo. PERFEITO, se a frase imediatamente posterior não esclarecesse o sentido real. Quer dizer, agora temos que quebrar os textos em unidades perfeitas mínimas de entendimento, pois a mente do leitor é incapaz de encadear DUAS frases?

Um outro, achando que estava ajudando sugeriu “mudanças para tornar a frase mais clara”, como se eu tivesse em algum momento me comprometido a escrever em Novilíngua.

Hoje mesmo no Twitter uma criatura que com certeza não tem polegar opositor perguntou para a Rita Lee “O que é Guaraná Jesus?”.

É uma pergunta que só é aceitável em idioma estrangeiro. TODO brasileiro nasce sabendo o que é guaraná, e aprende o que é Jesus na escola. ASSOCIAR IDÉIAS, deduzir que “Guaraná Jesus” se refere a uma marca de bebida –provavelmente guaraná- de nome Jesus é algo que até as coisas que crescem no meu umbigo conseguem, mas o abestado (não com maiúscula, o Exmo Sr Abestado é o palhaço eleito) não consegue.

Minha Teoria diz que esses… Epsilons semi-aleijões (thanks, Huxley) só sobrevivem da caridade alheia, o coitadismo geral faz com que todo mundo tenha pena, “dê uma força” e xingue quem considera burrice uma deficiência, como você verá nos comentários.

Eu acho que pra Espécie isso é péssimo. Não estou propondo eugenia, estou propondo porrada mesmo, é hora de ser menos complacente com gente burra, mostrar o caminho da escola e explicar que o mundo não vai pra frente com gente rindo feito retardado da própria  ignorância. Ignorância não é motivo de riso, é motivo de vergonha.

Diria que ainda há tempo, que é possível reverter essa situação e salvar a Humanidade desse cruel destino de terminar seus dias na Terra com um sorvete metafórico na testa.

Diria, passado. Não posso continuar a dizer. É tarde demais. Não há mais o que fazer, depois que ISTO existe:

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Que venha o Meteoro. Melhor sorte pras baratas.


Ao contrário de Ayrton Senna a F1 está morta e enterrada

13/12/2010 - 10:40 am  -  66 comentários


speed_racerComo todo brasileiro eu cresci assistindo Fórmula 1. Foi uma rara exceção no complexo de vira-latas glorificado pela cultura nacional.

Era um esporte que tinha tudo pra não fazer sucesso por aqui. Caro pra burro, eminentemente europeu, tecnológico e –maior pecado- individualista, trabalhando em cima do talento individual. Tudo que o brasileiro aprende a desprezar desde criança. Mesmo assim os Domingos de corrida eram sagrados.

Acho que era uma catarse, não podíamos viver 24/7 de viralatismo, as corridas eram a chance de vermos um brasileiro vencedor, competindo de melhor pra pior (igual pra igual my ass) com os melhores do mundo. Talvez Emerson, Piquet, Pace fossem aceitos por levarem a carga do viralatismo junto com eles, talvez o público os aceitassem pois venciam “apesar de brasileiros”.

Hoje a Fórmula 1 é uma piada. O nome Senna não é mais sinônimo de talento, o nome Piquet foi apagado para esta geração, só sendo respeitado no passado e o nome Fittipaldi se tornou o Opera dos pilotos. É bonzinho, todo mundo gosta mas ninguém usa.

Lembrando o Passado:

Em 1983 todo mundo falava mal do autódromo em Donnington Park, na Inglaterra. Mimimi não tem ponto de ultrapassagem, mimimi. A MacLaren reclamava que seu motor Honda era fraco. Os instrumentos de medição o colocavam 80 Harry Potters abaixo da concorrência.

Aí um Piloto chamado Ayrton Senna mostrou –não é que estivessem errados- que ele não tinha o menor respeito pelas Leis da Física. Não só ignorou solenemente a tal potência inferior do motor como achou criou não um mas quatro pontos de ultrapassagem. Impaciente, ele fez na primeira volta o que muita gente (estou olhando pra vocês, Rubinho,Nelsinho e todos que se definem por inhos) nunca fez na carreira inteira.

Ele saiu de um 5o lugar no grid para a pole position, deixando pra traz Prost, Schumacher e outros. No final ele ganhou a corrida com uma volta de vantagem em todo mundo menos o 2o colocado.

Outro momento de gênio:  GP da Hungria, 1986. Senna numa Lotus uns 30% além dos limites teóricos do carro. Piquet numa Williams, um caso de gênio gênio(sou Sennista, me processem) contra gênio com carro MUITO melhor. Senna segurou o que deu, até que Piquet lembrou que era gênio e gênio não precisa respeitar Leis da Física. Indo contra TODAS as regras de segurança existentes ele simplesmente jogou o carro na curva além do traçado e além do controle. É o que as pessoas comuns chamam de “entregar pra Deus”.

Seria assustador se Piquet não FOSSE Deus.

Após passar Senna com essa trapaça metafísica, Piquet fez o Mundo voltar ao normal, as Leis da Natureza voltaram a valer e ele seguiu adiante.

Hoje não vemos mais nada disso. A Fórmula 1 virou burocrática, é rara a corrida que tem algum momento emocionante, mas não estou escrevendo este post para reclamar disso. Este post é para avisar quem ainda gosta do esporte que seus dias estão contados.

A praga politicamente correta chegou à fórmula 1. Os Ecochatos venceram.

Lembra dos motores V12 3.0 da Ferrari? NUNCA MAIS. As regras da FIA para tornar a Fórmula 1 um esporte VERDE, valendo para a temporada de 2013 são:

  • Motores terão cilindrada reduzida de 2.4 para 1.6
  • RPMs máximas baixarão de 18 mil para 12 mil
  • Número de cilindros será limitado para 4
  • Biocombustíveis
  • Economia de 35% no consumo de combústível

Isso mesmo. Nem o Fiat Stilo do Morróida é tão fraco. Hoje só sai de fábrica com motor 1.8.

Quer dizer: Um carro de competição, de exibição, criado para correr menos de 20 corridas por ano para agradar os ecochatos tem que ser lobotomizado, aleijado até perder no SuperTrunfo pra um FIAT. Qualquer fusca rodando três vezes por semana consome mais recursos naturais que um F1 que corre 20 vezes por ano.

Se é assim, acabem logo com o esporte. Não tem nenhuma “utilidade”, pelo ponto de vista dos ecochatos, F1 não serve para puxar arados ou transportar alface orgânica até a lojinha do bairro.  Que a Fórmula 1 se vá com a cabeça erguida, que o último som que emita seja o ronco dos motores de verdade, não o patético murmúrio dos carros elétricos que com certeza os ecochatos estão pensando em introduzir como obrigatórios na categoria, em 2014, provavelmente.

Você que ama corridas, ama velocidade e ama essas máquinas maravilhosas, fique com esta jóia, que fala muito mais alto que esses gestos verdes vazios:

[ATUALIZAÇÃO]

Um bando de trollzinhos de merda™ saiu me atacando, com o ódio de sempre. mimimi só fala merda, mimimi não entende nada de Fórmula 1, etc, etc.

Uns dias atrás um sujeito de forma independente se solidarizou comigo. Disse ele: “esses motores são patéticos para a categoria mais importante do automobilismo mundial”. O sujeito também defendeu a inovação: “Concordo que precisamos cortar custos, mas essa abordagem ‘pobre’ da F-1 não é boa. Ser barato é diferente de não ser caro. Queremos que a F-1 esteja ligada a inovações, incentivando a tecnologia”.

Quem é esse sujeito, que concorda comigo então obviamente não entenda nada de Fòrmula 1? Luca di Montezemolo, presidente da Ferrari.

Confira as declarações aqui, aqui e aqui


Morte às Janelas

08/12/2010 - 5:50 pm  -  27 comentários


Nota: Este artigo não é de forma alguma um ataque a Bill Gates e sua Obra.

Vou contar um segredo: Sou dispersivo. Não, você não está entendendo. Eu sou MUITO dispersivo. Como todo geek tenho a ilusão de que consigo fazer cinco coisas ao mesmo tempo, e quem faz cinco faz dez, ao menos é o que me iludo acreditar ser capaz.

Na prática isso quer dizer que eu mal consigo fazer UMA coisa, pois a Internet é a máquina de fazer doido perfeita para os dispersivos, e ao invés de cumprir minhas obrigações acabo achando mais e mais coisas legais que podem ter alguma conexão tênue com “minhas obrigações”, o resultado é uma pilha enorme de coisas legais sobre as quais escrever.

Pilha essa que só cresce, pois quando começo um texto logo um ALT+TAB me leva para uma olhadinha no GReader, no email, no Reddit…

Existem muitas ferramentas de organização que prometem dar fim nessa bagunça pessoal, há metodologias Get Things Done, o tal do Queijo Mexido, Seicho-no-iê, cientologia, sei lá. Nenhuma dessas funciona comigo.

Há editores de texto em tela cheia que prometem banir as distrações. A idéia é que se você só vê seu texto em uma interface minimalista, não fica tentado a “dar uma olhada” em outra janela e se distrair.

Descobri que o ALT+TAB é mais forte.

A situação estava ficando periclitante, até que fui salvo por uma fruta. (pegou mal, eu sei) O iPad está sendo a ferramenta ideal para gente dispersiva como eu.

Explico: Os haters gostam de dizer que o iPad é um lixo, monotarefa, mimimi. Não é. Eu sei que antes de seu lançamento um bando de gente que nunca mexeu num iPod Touch deduziu que por não ter multitarefa o iPad sequer conseguiria tocar uma música em background enquanto você trabalha.

Como a Realidade não liga para haters e imbecis do gênero, ficou claro que dava sim pro iPad fazer mais de uma coisa ao mesmo tempo. Com a última atualização ele faz várias, dá para pular de aplicação para aplicação sem ter que reabrir cada uma, e não perdemos mais dados também.

“Ah, mas aí é um notebook normal”

NÃO, NÃO! Esse é o segredo: Embora o iPad seja multitarefa, ele é projetado para você só fazer UMA coisa de cada vez. Com um simples comando dá pra desligar todas as notificações, assim programas chatos não interrompem. A aplicação sendo executada em primeiro plano ocupa TODA a tela e não há barras de status (ouviu, Android?) piscando para distrair o usuário.

Embora instintivamente eu saiba que toda a distração está lá me esperando, a SENSAÇÃO é de que eu fechei o editor de textos para ir fazer outras coisas. O fiapo de responsabilidade pessoal que ainda tenho me deixa culpado ao fazer isso. Não é “uma espiadinha”, não é uma arrastada de janela discreta. Eu ESTOU trocando de aplicação. isso é feio.

O resultado é que já escrevi vários textos hoje praticamente sem distração. Um deles demandou bastante pesquisa em vários sites, a multitarefa que os haters odeiam funcionou direitinho e a sensação de “culpa” também apareceu no Safari do iPad, navegar para outras páginas não é tão indolor quanto em um ambiente desktop, essa micro-dificuldade foi suficiente para não despertar desejo de peruar por aí.

Estou BEM esperançoso de ter achado a plataforma ideal para mim. Junto com o maravilhoso teclado que comprei o iPad está sendo tudo que sempre sonhei em ter em um netbook e nunca fui atendido. E nem falei dos joguinhos….

Quem sabe assim meu maldito livro novo não sai? Enrolei durante um ano e nada. Agora vai!

Se bem que qualquer livro escrito no iPad provavelmente tem que pagar 20% dos royalties pro Steve Jobs.

Quer saber? Dinheiro bem pago!


Wikileaks, Michael Moore e outros idiotas necessários

07/12/2010 - 7:04 pm  -  30 comentários


Era uma vez uma sociedade utópica perfeitamente organizada. Os descontentes eram poucos e no máximo insatisfeitos. As pessoas viviam suas vidas sem saber que eram controladas por máquinas desde seu nascimento, as suspeitas, mesmo raras eram explicadas através de mitologias e outras justificativas.

Essa sociedade tinha um defeito que nem seus criadores conseguiram resolver: Ela era estagnada. Para que evoluísse era preciso que uma instabilidade fosse inserida no sistema. Assim de tempos em tempos nascia um Escolhido, um jovem com uma percepção diferente da realidade que, se tudo desse certo quebraria o ciclo de morte e renascimento daquela sociedade, e sua dependência das máquinas.

Não, não é o mundo de Matrix. Eu descrevi o livro A Cidade e as Estrelas, de Sir Arthur C. Clarke, escrito em 1956.

O tema é recorrente, há um consenso de que não há progresso sem elementos de instabilidade, sem uma dose de Caos. A lição vale pros dois lados, pois também é evidente que por mais que se tente é impossível eliminar todos esses elementos de Instabilidade. Mesmo em histórias onde o final é pessimista, como 1984 de Gorge Orwell ou o curta de Angeli A Cauda do Dinossauro, com a edificante Christiane Tricerri, a história só é pessimista por ter sido contada pela metade. O Status Quo nunca é confortável ou simples de ser mantido.

Mais ainda: Esses elementos de instabilidade e Caos (Caos aqui é no sentido científico, faz favor) são essenciais para evitar a regressão da sociedade, pois qualquer liberdade não exercida tende a ser esquecida. Quando da queda do Muro de Berlin milhares de pessoas atravessaram para a Alemanha Ocidental apenas para voltar para casa depois de visitar parentes ou passear pela cidade. Mais duas ou três gerações e ninguém faria isso mesmo sem muro.

Quando vemos o caso do Julian Assange, o blogueiro responsável pelo site Wikileaks, especializado em publicar informação confidencial e constrangedora percebemos que ele é um desses elementos de caos. Ele não existe para vazar informação. A informação já está aí para quem quiser, Agências de Espionagem conseguem dados muito mais valiosos o tempo todo. 99% do que foi vazado era fofoca diplomática, conseguir isso é fácil, agora mesmo foi divulgado que o marinheiro Bryan Minkyu Martin, da US Navy foi preso pelo FBI depois de receber US$3.500,00 em troca de dúzias de documentos secretos e alguns  top secret.

Não é o primeiro nem será o último caso.

Ao divulgar seus documentos, vídeos e fotos o Wikileaks de Assange não está fazendo trabalho de espionagem. Informação sigilosa que se torna pública se torna inútil, perde o valor estratégico. Se você sabe que eu sei não posso usar contra você.

O que Assange faz de útil é mostrar a uma comunidade de Inteligência onde estão seus elos fracos. Não adianta a NSA gastar bilhões desenvolvendo tecnologias de criptografia se um operador de comunicações copia um email pra um pendrive e depois repassa de casa pra um idiota qualquer com cara de francês.

Quando Michael Moore denuncia uma empresa como a Nike por vender sonho americano Made in Indonésia ou mostra como um plano de saúde se recusa a arcar com um procedimento caro mesmo que com isso o paciente vá morrer ele está fazendo algo socialmente importante, está fazendo com que o público acomodado questione sua realidade. Sim, ele é um chato, como todo chato só traz perguntas, nada de respostas ou propostas. É até fácil lidar com ele, um diretor da Nike perguntou se o público que quer tênis Made In America aceitaria pagar 10x o preço dos feitos na Indonésia (Ou Malásia, um buraco desses) e Moore, claro não respondeu.

Mesmo assim esse tipo de chato é essencial. Quando sua mulher pergunta “é por aqui mesmo?” ela nem sempre tem noção da rota, mas a simples pergunta faz com que você pense por um momento e avalie os arredores. PODE ser que não esteja no caminho certo. Achar a direção correta, aí é contigo.

O Wikileaks é muito importante não pelo que vaza, mas pelo que pode vazar. Os Donos do Poder precisam aproveitar a dica e repensar suas estruturas de informação. É essencial que todo mundo que lida com esse tipo de material sigiloso entenda que é possível sim tornar público em escala mundial algo MAS que também é essencial ter o discernimento pessoal de que nem tudo é para ser divulgado.

Anarquistas da Informação dizem que devemos viver em um mundo onde toda a informação esteja acessível a todo mundo. Lindo, espero que a informação de onde estão os Pôneis e Unicórnios também esteja no pacote.

No mundo real isso não funciona. Exemplo? Imagine se chegasse a Hitler toda a informação sobre o Dia D, confirmada por documentos do Alto-Comando aliado. Outro exemplo? Bem antes dos horrores de Auschwitz e Sobibor chegarem ao mundo em seu pálido desfile de zumbis em preto-e-branco, a informação dos campos de concentração chegou aos Aliados através de relatos de prisioneiros e outras testemunhas. Ninguém deu bola.

"Tudo pronto para enfrentar os aliados e... Mein Furher, eu posso andar!"

Ter a informação é fácil, o problema é saber o que fazer com ela. Isso que diferencia um General de uma Bibliotecária.

A lição do Wikileaks não é Segurança de Informação. Isso é impossível. A lição é discernimento, saber como lidar com a Informação. O idiota que vai pegar prisão perpétua por ter vazado 250 mil documentos sigilosos para o Assange, 250 mil documentos que não vão mudar NADA, NEM UMA PALHA, não sabia.

Nas palavras de São Paulo (Cor I, 6:12)  ”Tudo me é permitido, mas nem tudo me convém”.

ADENDO:

Se algo o Wikilieaks serviu foi para mostrar a irrelevância do Brasil no Cenário Internacional. Dos 250 mil documentos vazados, um total de TRINTA E OITO são sobre o Brasil. Desses só seis são secretos.


O Abuso Infantil acaba aqui! Pergunte-me como!

04/12/2010 - 9:18 am  -  33 comentários


A mais nova campanha do Facebook é muito séria, um esforço coletivo final e definitivo para acabar de uma vez por todas com essa praga que assola nossa sociedade, o abuso infantil.
Existem métodos menos eficientes e meramente simbólicos para prevenir e punir esses abusos, como denunciar vizinhos que espancam os filhos, prestar atenção nas crianças à sua volta procurando comportamentos anômalos, manchas e sinais de violência, doar dinheiro para ONGs que acolhem mães e menores vítimas de abuso, etc.
Todas essas ações são paliativas e irrelevantes. Além de dar trabalho. Que tal resolver o problema sem levantar uma pena?
Ao contrário dos das das crianças abusadas seus problemas acabaram! Agora no Facebook você pode militar ativamente contra o Abuso Infantil, sem sequer ter que visitar uma página sobre o tema.
Basta mudar a imagem de seu perfil para um personagem de cartoon. Simples assim, não requer prática, tampouco habilidade e muito menos um mínimo de empenho de sua parte.
Milhões de usuários estão se engajando nessa campanha, e incontáveis crianças não estão sofrendo abusos por causa disso, principalmente porque os abusadores estão ocupados rindo da campanha.
As redes sociais promovem muitos “bens” irreais. A Fama é falsa, a Popularidade é falsa, a Penetração (epa!) é falsa, vide as últimas  eleições. As expectativas, tanto de quem está dentro quanto de quem está fora são totalmente irreais. Isso é danoso?
Depende. O Universo está pouco se lixando se a Twittess ou o Lucas Celebridade acharam que suas vidas iriam mudar por causa do Twitter. As aventuras dos dois são no máximo entretenimento e ninguém é realmente prejudicado, exceto eles mesmos.
Já no caso das campanhas “sérias” caímos num caso muito perigoso. As pessoas fazem caridade por uma questão de satisfação pessoal. No fundo é uma questão de se sentir bem consigo mesmo, seja para expiar culpa burguesa, seja para agradar o Amigo Imaginário No Céu.
O problema é que psicologicamente a sensação de dever cumprido pode vir de qualquer gesto. O cérebro do cidadão engajado pelas criancinhas albinas almiscaradas da Malásia não faz distinção, o “Dever Cumprido” pode ser viajar pra Malásia para cuidar das criancinhas ou clicar num ClickFome da vida.
Essas campanhas de Facebook ou as de Twitter são nocivas. No máximo pregam aos convertidos. Qual o sentido de colocar “#malária” nos Trending Topics? Ou sequer se declarar contra? Alguém é a favor da Malária?
É que nem carro com adesivos “Salvem as Baleias”.  Eu nunca matei uma baleia. Nunca VI uma baleia. Que que eu faço, compro um aquário?
É ÓBVIO que todo mundo quer salvar as baleias, ficar repetindo isso só irrita, no máximo deixa o sujeito chupando dedo. Que tal assumir que quem vai ler CONCORDA, e partir pro próximo passo?  ”Não coma McFish, é feito de baleia” é um adesivo com uma ATITUDE a ser tomada.
Na prática não se faz isso. As campanhas online são superficiais, se resumem a expor problemas de conhecimento público, cobrando posições e não resoluções. Uma vez recebi um Twit imperativo: “Dê RT se você ama o Brasil”, ou outro: “Dê RT se você é contra abuso doméstico”. Assumiram a postura Ame-o ou Deixe-o, radical, incontestável e irrelevante. Eu posso ser a criatura mais contrária ao abuso doméstico do planeta. Postar isso publicamente não muda NADA, para NINGUÉM.
Essas campanhas não ajudam. Elas prejudicam, pois ao mudar a foto do Facebook você é reconhecido por milhões como um membro engajado contra abuso infantil. Se postar que denunciou a vizinha por bater no filho, você é fofoqueiro.


Quem é Cardoso

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