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Não há maior ofensa pessoal do que ser pessoal

31/01/2011 - 5:29 pm  -  48 comentários


Você pode ser um grande líder, preocupado com o futuro de seu povo, atento às ameaças internas e externas, indo dormir todo dia pensando em como aumentar o Espaço Vital de sua nação, mas se alguém comenta te chama de baixinho ou diz que seu bigode é ridículo, o bicho pega.

Tenho reparado que a Internet repete -não é sempre- esse fato da vida. Por mais que a reação dos trolls e haters a textos bem escritos seja sempre ruim, é raro ver um ataque em massa.

Qual será o motivo de um texto tão inocente quanto meu último ter afetado tão profundamente os suspeitos habituais, a ponto de comandarem suas hordas de retardados, que não cessam de se sacrificar inutilmente diante das muralhas de meu Helm’s Deep?

Inutilmente, digo, pois eu descobri a pólvora, Trolls não.

O segredo explosivo é que a Internet vive de estereótipos, de personagens de fácil consumo. O Twitter é o Zorra Total, é a Praça da Alegria, onde cada personagem “popular” é simples em sua concepção. @OCriador é Deus, não é preciso muito neurônio pra entender isso. o @RealMorte é a Morte, e intercala textos simples e de fácil assimilação com tiradas sutis que me fazem rolar de rir.

Os trolls seguem o mesmo caminho, sem o conteúdo original. São simplórios. Assumem a postura de “zoar” e espalham memes como o “Forever Alone”, imediatamente repassados pelos seguidores. É uma cultura de fácil entendimento e zero conteúdo real.

Qualquer tentativa de levar a discussão a um nível mais complexo é respondida com frases feitas do tipo “Internet serious business”. Sim, meu querido. Para você pode não ser, mas para o Google, o Facebook, o Nick Ellis e o Mobilon Internet É algo sério. Mesmo o Kibeloco, com todos os seus incontáveis defeitos sabe exatamente até onde ir, pois Internet para ele é BUSINESS.

Mas mas mas…
Alguém levar a Internet a sério é suficiente para despertar tanta ira? Não, nem de longe. O Kibe não desperta, ele tem uma área de atuação bem definida. Ele provê um conteúdo questionável a um público igualmente questionável e todos saem inquestionavelmente satisfeitos. Ele não ameaça ninguém, nem a mim.

Quando gente como eu fala, entretanto, a coisa muda de figura. A ira despertada por blogueiros tem um paralelo curioso com a raiva que celebridades despertam ao descer de seus pedestais e interagir com outras pessoas (notem que nem usei “fãs”).

O Twitter deveria (nas mentes limitadas) ter uma hierarquia bem definida de funções e áreas de atuação. Celebridades musicais falariam de música, pilotos de corrida e blogueiros postariam links pra seus posts, sem nenhum outro tipo de comentário.

Correndo por fora os trolls zoariam todos, “for the lulz”, sempre colocando um “brinks” no final, para mostrar que não é pessoal e se você se ofendeu, azar o seu por levar internet a sério.

É um modelo estruturado, funcional e uma paródia patética, um arremedo do mundo real que existe apenas para perpetuar a mediocridade.

Posts como o meu anterior ofendem profundamente os trolls pois o mesmo Cardoso (eu!) que escreve sobre tecnologia no MeioBit e no Techtudo razoavelmente em paz ousa sair da caixa e falar sobre outros temas.

Pior ainda, eu ouso falar sobre MIM, sobre o que sinto. Coloco as minhas experiências, desejos e fracassos atrás de cada palavra. O leitor com mais de 3 neurönios percebe isso, se identifica e valoriza.

Eu erro, acerto, anseio, tenho esperança, me frustro, me maravilho. Minha presença no Twitter é uma janela ampla pra tudo isso. Eu não entro só pra zoar, só pra postar, só pra jabazar.

Eu entro pra interagir, para o bem ou para o mal. Entro pra mostrar um lado ruim, entro pra ter o prazer de mudar de opinião diante de um bom argumento. Entro pra ter o prazer besta de postar uma foto da Olivia Wilde e ver a macharada babando (justamente) e entro pra postar uma foto de um filhote de cachorro fofinho.

Essa pluralidade, essa tridimensionalidade, essa HUMANIDADE ameaça.

O troll, que não passa de um personagem bidimensional, mal-recortado em papelão, pouco mais que um daqueles personagens que se resumem a um bordão (RONALDO!) se sente sob minha mira.

Alguém no mundo DELE está existindo fora da caixa, como uma criatura de Flatland alçou vôo e está vendo um mundo em três dimensões, onde pessoas são mais do que uma descrição de 140 caracteres.

Essa falta de versatilidade fica perceptível quando cansamos de seguir um personagem que fala sempre a mesma coisa. Isso vale inclusive para pessoas reais, há artistas no Twitter totalmente entediantes, há gente anônima que transforma um dia-a-dia convencional em entretenimento de primeira -sem nem uma gota do sadismo de um BBB, entenda-se.

Augustus, Imperador de Roma não gostava de atores. Dizia que não podia confiar em uma classe cuja profissão era baseada na mentira.

Com o Twitter sinto algo parecido, não posso confiar ou gostar de atores que vivem tão bem seus personagens patéticos e bidimensionais que acreditam que professam a Verdade Absoluta.


Um libelo desesperado em defesa do saudosismo

31/01/2011 - 2:18 pm  -  66 comentários


Existe toda uma classe de pessoas que vive no passado. São versões reais do Vovô Simpson, sempre criticando o presente e temendo o futuro, sempre dizendo o quanto o passado que muitos sequer viveram era bem melhor.

Eu gostaria de ser como eles, gostaria mesmo. Queria poder dizer que meu CP-200 com 16KB de memória era melhor do que meu Mac ou meu PC, ambos com 4GB.

Queria ter a cara de pau desse pessoal, a visão seletiva de mundo que considera aquelas máquinas feitas de barro fofo e pedra lascada melhores pois “não travavam”- o que é mentira, aliás.

Queria ser saudosista e dizer que monstros com zíper eram melhores que os monstros atuais, ou que as cenas de combate da série clássica eram melhores que a magnífica batalha final contra o Dominion em Star Trek: Deep Space Nine, com milhares de naves na tela, em um conflito épico.

Queria ser do grupo que defende cegamente a série original de Galactica (que amo profundamente) nem que para isso tenham que elogiar um garoto chato e um cachorro-robô, e fingir que o Comandante Adama de Edward James Olmos não é um líder que qualquer um seguiria até o Inferno.

Queria poder dizer que comprar revistas de péssima qualidade no jornaleiro conivente e sintonizar o TV Link do vizinho era uma forma mais conveniente de acessar pornografia do que a Internet, mas não consigo, até porque digitar com uma só mão é complicado.

Queria poder dizer que o mundo era mais pacífico, mas crescer à beira de uma Guerra Total Termonuclear me faz ver conflitos no Oriente Médio como no máximo briguinhas.

Queria poder dizer que a música de antigamente era melhor, mas boa parte da música boa de minha juventude já era velha. Ela se manteve, o que surgiu de bom continua e o descartável foi esquecido. Como sempre aconteceu.

Queria poder dizer que ouvir música era melhor, mas meus LPs vivam arranhando, minhas fitas K7 só me permitiam ouvir música na sequência e compartilhar música significava emprestar um LP, que geralmente não voltava.

Queria poder dizer que meu videocassete era superior ao DVD (sim, ouvi esse argumento) pois gravava, mas meu LP também não permitia gravação e nem por isso eu comprava meus álbuns em fita K7.
A primeira vez que liguei um DVD e comparei a imagem com uma fita de vídeo passei por uma experiência religiosa. Uma imagem FullHD dá a mesma sensação. Queria poder dizer que isso não importa.

Queria poder dizer que a fotografia digital banalizou a arte, mas eu lembro como era caro comprar filme, tirar fotos de momentos únicos sem saber se saiu ou não, esperar dias pela revelação e só então descobrir se a única lembrança do momento existiria apenas em nossas memórias.

Queria dizer que a Internet afasta as pessoas, as isola e as torna superficiais. Gostaria mesmo de repetir esse discurso fácil, mas minhas maiores amizades e meus maiores amores chegaram até mim por um fio na parede. Só quem fala essas coisas da Internet é gente que não entende que há gente de verdade do outro lado daquele fio.

Queria dizer que era melhor pesquisar em enciclopédias “de verdade”, e que hoje as crianças fazem copy/paste, mas tenho a DECÊNCIA de lembrar que naquele tempo o principal objetivo era encontrar uma imagem recortável para ilustrar o trabalho, e o copy/paste era feito manualmente, copiávamos de forma autômata o conteúdo. NUNCA aprendi nada em trabalhos de colégio, que aliás nunca foram sequer discutidos em sala de aula.

Uma vez eu tirei 7, SETE em um trabalho para Teoria da Percepção, na UFF. Meu trabalho? Uma foto da Luciana Vendramini em um cenário futurista, com esferas de computação gráfica ao fundo. Impresso em uma matricial Elgin Lady Nojenta, de um amigo.

ISSO é o passado onde se aprendia com os trabalhos escolares?

Eu queria também ser daqueles que odeiam o passado, mas adoro o meu. Aprendi muito com ele, aprendi que nossas maiores tragédias um dia se tornam História, que NADA é insuperável. É tudo uma questão de perspectiva. Um braço perdido 20 anos atrás ainda incomodará, mas você não passa 20 anos gritando de dor. Achar sua paz e viver com um braço só não diminui a dor da perda, não é essa a intenção. O tempo me ensinou que aceitar e viver com o que passou não é trivializar. É apenas a alternativa a enfiar uma bala no coco, atitude em geral nada recomendável.

Eu queria muito ser um repórter das antigas. Sério, queria mesmo. Clarke Kent pode inspirar mais que o Super Homem, se você gosta mais de escrever do que tentar ser mais forte que uma locomotiva. Queria, mas não posso. Hoje não existe mais “parem as máquinas”, hoje não existe mais a separação Imprensa / Mortais.

Hoje eu não sou o Último Filho de Krypton (ou ao menos digo que não sou) mas minha voz tem alcance muito maior. Não dependo de Perry White ou Lex Luthor para determinar o que falo ou deixo de falar. Sou meu próprio Roberto Marinho, meu próprio Chatô, embora o Guilherme Fontes não tenha pedido dinheiro em meu nome (acho).

Eu queria ter a certeza dos adolescentes e dos trolls da Internet, de que se algo dá errado na vida é culpa de todos menos de mim mesmo. Queria poder justificar com os pais, os professores e orientadoras. Queria poder dizer “fulano me persegue”, e fazer disso justificativa suficiente para não atingir meus objetivos.

Eu gostaria de querer isso tudo, mas sendo sincero eu só quero uma coisa, que inviabiliza todos esses quereres:

Quero ver o que vem adiante e o quê o Destino me reserva, e se não gostar, mudar, afinal de contas, “Destino Não Existe”, me ensinou Sarah Connor, no Exterminador do Futuro, no distante passado de 1991.


Por Favor Não Matem Meus Heróis

25/01/2011 - 5:42 pm  -  107 comentários


spock

Esta cena ensinou mais sobre amizade e lealdade que tudo que aprendi na escola.

Eu estou digerindo este post faz algum tempo. É sobre Sharon Lamb, uma psicóloga americana e suas opiniões sobre Super-Heróis. Diz ela:

“os heróis de hoje participam de ações ininterruptas de violência”. Esses personagens seriam agressivos, sarcásticos e raramente demonstrariam a virtude de fazer o bem à humanidade. Sharon diz ainda que, despidos de seus trajes de heróis, estes homens são péssimos exemplos: exploram as mulheres e mostram sua masculinidade com armas poderosas.

Segundo a autora, a grande diferença dos personagens dos quadrinhos do passado para os atuais super-heróis dos filmes é que os primeiros representavam modelos nos quais os garotos podiam se espelhar – já que, despidos de seus trajes, eles seriam pessoas reais, com problemas reais e vulnerabilidades.

Ela alega que os Super-Heróis modernos fazem mal à construção da personalidade dos jovens, que a imagem de super-heróis batendo em vilões pode não ser boa se a sociedade quiser promover comportamentos masculinos mais gentis e menos estereotipados.

O mau exemplo usado por ela é o Homem de Ferro. No filme que ela viu Tony Stark é um playboy mulherengo, violento e clássico representante da oligarquia bélico-industrial americana, companheiro Michael Moore!

No filme que eu vi a Jornada do Herói foi seguida à perfeição, mas Sharon Lamb não deve conhecer nem Bruce Campbell, que dirá Joseph.

Ela não viu Tony Stark cair, não o viu sentir na pele a dor causada por sua tecnologia bélica. Ela não viu como no começo de sua redenção ele cancelou toda a produção de armas de suas indústrias. Ela não viu o sonho de todo combatente ser realizado, quando o Homem de Ferro atira mísseis de seu ombro, mirando e acertando somente os terroristas, salvando os reféns inocentes.

iron-man-demon-bottleSe ela lesse gibis veria que o porre que Stark tomou em seu aniversário foi apenas uma referência a um arco enorme de histórias, “Demônio na Garrafa”, onde a vida dele é quase destruída pelo alcoolismo. Nós leitores acompanhamos tudo, de nosso posição privilegiada. Stark é salvo por si mesmo, não por alguma mágica alienígena.

A dona Lamb nunca leu um gibi na vida. Os heróis clássicos eram perfeitos e acabados, mesmo os que não eram mais poderosos que uma locomotiva eram irritantemente perfeitos. Quase todos passaram pela improvável situação de UM momento traumático definir suas personalidades e vidas, mas aquele momento foi a única coisa ruim que aconteceu em suas vidas. Céus, o Peter Parker era um nerd de óculos cômicos que era obrigado a dividir sua atenção entre uma loura estonteante e uma ruiva supermodelo.

Nem todo herói é igual. Os modernos são os com que nos identificamos. São falhos, hesitam, erram mas tentam fazer o Bem. Passam a idéia de que nós também podemos ser heróis. Há uma história linda em uma mini da Marvel onde durante uma briga entre heróis e vilões um daqueles supervilões de 3 metros de altura, invulnerável, etc vai atacar um grupo de inocentes, até que no caminho dele entra um policial recruta, daqueles magrinhos, com seu mísero .38.

O vilão acha engraçado, começa a ameaçar mas o policial não sai do lugar. “é meu dever proteger essas pessoas, eu não vou sair daqui”. Depois de várias páginas o vilão se impressiona com a coragem, dá as costas e vai embora. Foi uma das histórias mais bonitas que já li, sem nenhum tiro disparado, para desespero da Sharon Lamb.

Isso não quer dizer que os heróis antigos sejam piores.

Quando Kal-El deu tudo de si para salvar a costa da Califórnia de ser destruída por Lex Luthor eu vibrei. Quando sua superaudição captou Lois Lane dentro do carro, sendo lentamente esmagada pelo terremoto o cinema inteiro ficou em silêncio. Como um raio ele atravessa vales e montanhas até onde sua amada está sendo soterrada, mas é tarde demais. O Homem de Aço salvou milhões de vidas mas não foi rápido o bastante. Ele tira o carro do buraco, arranca a porta e delicadamente remove Lois, já sem vida, ao som da inesquecível Can You Read My Mind, de John Williams.

Tomado de dor e revolta ele grita, subindo para os céus, onde confronta seus dois lados, o humano e o alienígena. A decisão está tomada. Com uma expressão de dor e angústia ele voa em torno da Terra, cada vez mais rápido, fazendo com que o tempo retroceda, mudando como um Deus o curso da História por causa da mulher. Como Clark Kent ele encontra Lois antes do acidente, a tira dali e a salva, sem que ela tivesse qualquer idéia do que iria acontecer.

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"Não aceite passivo o destino, por mais inescapável que seja". Entendeu ou quer um gráfico explicativo?

Foi um momento emocionante e inspirador, uma das grandes cenas do Cinema, mas não precisamos ficar na ficção, vamos para a História, violenta como os heróis que dona Lamb tanto odeia:

Em seu relato sobre a Batalha das Termópilas, no  ano 480 AC Plutarco conta que em certo momento o Imperador Xerxes exigiu que Leônidas e seus 300 Espartanos entregassem suas armas. A resposta desafiadora foi MOLON LABE!,  “VEM BUSCAR!”. Xerxes enfurecido prometeu varrer Esparta da História, e que ninguém iria jamais ouvir falar de Leônidas.

Hoje o Rei tem monumentos espalhados pela Grécia, sua resistência impossível inspirou incontáveis soldados em situações desesperadoras e MOLON LABE é lema até hoje do I Corpo do Exército Grego. Quanto a Xerxes não há nenhuma estátua, e passou para a história como uma versão homoerótica do Rodrigo Santoro.

A vida não é preto e branco. Como ogros e cebolas, tem muitas camadas. A vida só é binária para idiotas, e por mais que a Internet esteja cheia deles, por mais que desejem e acreditem, não definem a realidade.

Só que alguns heróis são maiores que a Vida. Precisam ser. Eles representam nossa certeza interna de que tudo vai dar certo, de que é possível triunfar sem se corromper, sem fazer concessões.

Com sua visão maniqueísta e limitada a tal Sharon Lamb está nos privando de dois elementos fundamentais: Acreditar que podemos mudar para melhor e acreditar que conceitos como amor, justiça, honra, lealdade são o que transformam um reles jornalista em um SuperHomem. E não mover montanhas, coisa que qualquer bomba atômica faz.

Se o Batman representa a possibilidade de superação, a idéia de que com treinamento e inteligência você pode se tornar um dos Melhores do Mundo, o SuperHomem representa nossa crença irracional de que no final tudo dará certo.

Ele é aquela Força que nos dá alento, É o injustificado senso de que há Justiça no Universo, que algum obscuro equilíbrio cósmico punirá os vilões. Que nada é mais importante que ser fiel a seus princípios.

Os heróis nos mostram o quê fazer. Os Super-Heróis nos mostram o motivo para continuar tentando.

Parafraseando Neil Gaiman, diria que os Super-Heróis são maiores do que estrelas, planetas, galáxias e deuses, pois representam a única coisa que sobrará após o Big Crunch, no final do Universo: A Esperança.


É tão errado quanto passar um cheque sem fundo pra Hitler

23/01/2011 - 9:47 am  -  39 comentários


Costumo dizer que o grande problema das operadoras de telefone no Brasil é a mentalidade de Call Centre como métrica. Favorecem o número de ligações atendidas, não o número de problemas resolvidos. Criam um suporte de 1o nível formado por clones da mistura do Forrest Gump com a loira mais lentinha da Escola de Reforço dos rejeitados no vestibular da APAE. Adestram essa massa de animais de teta para que NUNCA, JAMAIS desviem do script, são incapazes de entender o cliente, só escutam palavras-chave e reagem de forma automática. Mais ou menos como vermes microscópicos e um monte de gente no Twitter.

Por isso você precisa repetir sua história para um monte de gente, além de eventualmente cair no loop área técnica / área comercial, com os dois se acusando mutuamente. Já ouvi pérolas como “Nokia N97 não é smartphone”, ou que a Internet estava funcionando bem,  é que meu iPhone só poderia acessar conteúdo via browser, não através de programas.

Surpresa: Existem empresas assim fora do Brasil também. A AT&T é igualmente odiada. Atitudes como VENDER minicélulas celulares para suprir a falta de cobertura usando a Internet do cliente não ajudam. Que o diga Jon Stewart, do Daily Show, que comemorou a perda da exclusividade do iPhone pela AT&T gritando “LIBERDAAAADEEEE!!!”, em um quadro onde só faltou chutar a logomarca da empresa. Aliás, faltou não, chutaram.

Não é exclusividade das américas, a Europa também tem grandes problemas, e nem falo da falta de lealdade da Áustria para com seus grandes líderes. A catástrofe de iguais proporções se chama Mobistar, operadora de telefonia celular belga.

Não há muito o que se fazer além de xingar no Twitter, exceto quando se é criativo. Como os palhaços do Basta, um programa de humor da TV Belga.

Os caras instalaram na madrugada um container na entrada do estacionamento da sede da Mobistar. Dentro os quatro palhaços esperaram até alguém ligar para o número de contato na lateral do container.

O que se seguiu foram quase 4 horas de ligações do chefe de segurança da Mobistar, tentando reclamar do container. Só que ele era desconectado, passado de um ramal para outro, os “atendentes” não prestavam atenção no que ele dizia, sem falar na cereja do bolo que foi a musiquinha irritante de espera, tocada ao vivo em um tecladinho.

Assista, o vídeo é fantástico e dá uma sensação de vingança maravilhosa, com direito a um final apoteótico. O áudio está em seja lá que idioma falem na Bélgica, mas as legendas estão em inglês, essa sim uma língua franca, com a qual um belga seria entendido até no Canadá!

 

 

Fonte: BoingBoing


BBB11, Jornalismo e molecagem – Tá pensando que boneca é brinquedo?

05/01/2011 - 10:24 pm  -  28 comentários


ariadnas

Uma Porta da Esperança ao contrário. Duas dessas trazem presentes.

Hoje o Twitter pegou fogo por causa de um boato de que uma tal de Ariadna Thalia, participante da 11a edição do Big Brother Brasil seria travesti.

É uma dúvida justa, tanto para quem não quer abrir o hambúrguer e achar um salame quanto pra quem leva o sanduiche pra casa e ao invés de uma salsicha encontra um carpaccio (agora livre-se dessas imagens mentais se for capaz).

A informação veio em tons de  “acusação” – com aspas pois ao contrário de países cujos governos seguem os preceitos da Religião da Paz™ no Brasil ser travesti não é crime – mas foi levada numa boa pela comunidade do Twitter, até pq mesmo para os mais homofóbicos, azar de quem está dentro da tal casa e não sabe desse pequeno detalhe sobre a moça. Aliás, pequeno o escambau, apareceu uma foto e aquilo não é ferramenta, é uma suíte de aplicativos completa. Só não digo que é o OpenOffice pq ao contrário da moça ele é grande mas não funciona.

Conversando no Twitter com o autor do Diário T-Lover (não julgue, tem gente que gosta até de morcilha, cada um na sua) ele explicou que a Ariadna Thalia Travesti (cuidado, NSFW, peitos de silicone e graças a Exupery o essencial continua invisível aos olhos) não é a Ariadna do BBB NEM a da tal matéria.

OK, que matéria e qual a molecagem afinal?

Well…. O Ego, aquele bastião do jornalismo criado por Carlos Castello Branco, Bob Woodward e Samuel Wainer foi rápido no lance, publicando a matéria. Mais rápido ainda foi ao tirar do ar e subir de volta,substituindo a chamada do título. Vejam a sutil diferença, mostrada aqui graças ao Google:

essafoinatrave

Note a sutil diferença na URL das duas chamadas. Na primeira o título já havia sido mudado mas a URL continua. Essa foi apagada para que a URL refletisse o novo título.

ARIADNA DO BBB É TRAVESTI E JÁ FEZ PROGRAMA NA ESPANHA

ARIADNA DO BBB SERIA TRAVESTI E JÁ TERIA FEITO PROGRAMA NA ESPANHA

É a mesma sutil diferença de afirmar com todas as letras que o estagiário do Ego é retardado e dizer que poderia muito bem ser.

É uma regra BÁSICA do jornalista que qualquer estudante, retardado ou não precisa aprender, mas como o Ego provavelmente usa macacos de cheiro travestidos de estagiários para economizar no vale-transporte, violam constantemente essa norma essencial da profissão. NÃO ACUSE SEM PROVAS, SEU IMBECIL, ENERGÚMENO, ANIMAL DE TETA.

Acusações levam a processos. Por mais que o Ego seja das Organizações Globo, e um processo no caso quase impossível de rolar, é um péssimo hábito. Por isso que todo mundo por mais obviamente culpado que seja, até a condenação é chamado de suspeito ou –melhor ainda- acusado.

às vezes é extremamente irritante ler esses textos em “jornalês”, mas é uma questão de responsabilidade. Um órgão (epa) sério de imprensa não pode se dar ao luxo de fazer acusações genéricas como o “todo político é ladrão” ou “ator é tudo viado”, tão comuns de se ouvir em mesa de bar. (nota: pra teatro infantil tá liberado)

Uma acusação sem sustentação deixa de ser jornalismo e vira fofoca. Um juiz não daria ganho de causa se a tal Ariadna fosse travesti de programa, por mais baixaria que fosse o que o Ego estaria fazendo ainda seria jornalismo, mas quando não ligam nem para o detalhe de confirmar a presença do detalhe, deixa de ser trabalho de imprensa, fica clara a ausência de qualquer esforço investigativo ou compromisso com a Verdade. É fofoca e fofoca anda muito próxima de calúnia e difamação.

Quem tem blog está sujeito a esses mesmos riscos, com agravante de que processar um blogueiro anônimo é bem mais simples que processar um site da Globo.com. Ainda mais por não estarmos protegidos pela Lei de Imprensa. Assim é essencial que posts com denúncias, acusações e similares sejam muito, muito bem documentados, sem xingamentos e surtos de emoção.

Uma mudança simples na formulação de um título pode ser a diferença entre uma grande aporrinhação Legal e uma matéria que só renderá elogios e cliques no AdSense. E se você acha que isso tudo é apenas um detalhe, e detalhes são insignificantes, experimente sair com a Ariadna errada.


Há 80% de chance de que este post tome 1 hora de sua vida

05/01/2011 - 5:27 pm  -  30 comentários


A estatística acima é chutada, claro. Na verdade um monte delas é, mas não faz diferença. As pessoas não entendem a ciência da Estatística, daí temos casos como o de hoje, quando alguns dos “números de Lost” foram sorteados na loteria americana e o mundo inteiro está de piripaques, imaginando conspirações envolvendo misticismo e/ou corrupção.

Estatística não tem nada de misticismo E não tem nada de chato. Só que assim como música, se você não souber ler partituras não entende nada. Para quem é versado no idioma, uma sinfonia é ouvida. Mais um motivo pra pararem com a besteira de se espantar ao descobrir que Beethoven compôs depois de ficar surdo.

Um dos virtuosos da estatística é Hans Rosling, representante de uma nação bem edificante: A Suécia. Além de ser médico que passou anos estudando epidemias na África, Rosling é professor e estatístico. Aplica seus conhecimentos matemáticos na área de saúde, além de fazer excelentes apresentações públicas, onde destaca o conceito de visualização para entender os resultados de uma pesquisa estatística.

Um exemplo clássico: Se alguém mostrar as taxas de expectativa de vida versus PIB de todos os países do mundo, de 1800 a 2009 teremos um tabelão enorme, dizer que a Índia subiu de 25 anos em 1800 para 64 em 2009 não diz muito, no meio daquela imensidão de dados. Dizer que o Congo saiu de uma renda per capita de US$394,00 para US$359,00 parece um retrocesso, mas e se pescarmos que a expectativa de vida nesse país miserável subiu de 32 para 48 anos, mesmo com queda na renda?

Rosling fez uma apresentação usando o Trendalyzer, software desenvolvido pela Gapminder Foundation, da qual ele é diretor. Veja, são 4min38seg que mudarão sua visão sobre o estado do Mundo e o pessoal que fala dos “velhos tempos” com saudade.

Gostou? É, eu sabia. Calma que melhora. Rosling apresentou um documentário feito pela BBC, The Joy of Stats, onde conta a história da estatística, seu uso e como evoluiu. Meninos, eu vi. É MUITO BOM, excelente para ganhar apostas com gente que latirá dizendo que jamais veria nem 5 minutos de um programa sobre estatística. E sabem o que é melhor ainda? Está disponível para visualização no Tubo. Inteiro, completo na íntegra, 59 minutinhos. Recomendo MUITO que você assista. É fácil, use este link direto. [update] link agora funciona.

E enquanto espera buferizar, você pode brincar com o Trendalyzer, da mesma forma que o Professor Rosling. Sim, ele está disponível nas Interwebs.


Há diferença entre mostrar os dois lados e ser o fio-terra do jornalismo

05/01/2011 - 3:18 pm  -  23 comentários


Existe uma corrente no jornalismo que acredita em uma imparcialidade magnânima da Imprensa, um distanciamento total que seria até justificativa pro tal dilema insolúvel de ver uma criancinha se afogando e não fazer nada para não interferir na notícia. Nesse ponto aliás um câmera resolveu o dilema de forma brilhante: Ele respondeu: “salvar ou continuar filmando? Fácil, coloco a câmera no tripé, ligo e vou salvar o moleque”.

A tal imparcialidade prega que você tem sempre que ouvir os dois lados. É justo, mas a verdade é que mesmo que toda história tenha dois lados, só por ser contra não te qualifica para ser o outro lado. Decidir quem será apresentado como oposição é tão importante quando a própria história. A credibilidade e “imparcialidade” da imprensa também deve ser julgada por essa escolha.

eltonbaby

É evidente que esse moleque filho de dois pais gays homosexuais terá um destino horrível: Será nerd

Vejam por exemplo o caso de Sir Elton John. Um cantor fabuloso (e Faaabuloso) que desafiou todas as convenções, paradigmas e estereótipos sociais. Não por ser gay, mas por manter uma relação estável e feliz com David Furnish. um parceiro que é do meio cinematográfico. Como apesar de ter todo o direito de engravidar (agradeçam à Frente Judaica do Povo) por não ter útero nenhum dos dois conseguiria levar uma gravidez a termo.

Apelaram para uma mãe de aluguel, uma doadora de óvulos e graças à ciência Zachary Jackson Levon Furnish-John nasceu, no dia 25 de Dezembro, Dia Internacional de Crianças Com Dois Pais, pelo visto.

Ótimo pra eles, certo?

A mídia cobriu o caso, é justo. Mostraram pessoas felizes pelos dois, pessoas indiferentes, gente que acha estranho. Tudo bem. Só que a BBC foi além. No mesmo dia em que o casal anunciou o nascimento da criança, a emissora levou ao ar uma reportagem sobre o caso. O contraponto foi uma entrevista com um Babaca de proporções continentais chamado Stephen Green.

Esse idiota (aqui entra o mimimi “você chamou o cara de idiota, perdeu a razão, isso não é argumento”. Pega na minha e balança) é um militante radical conservador fascista cujas pérolas incluem defender a pena de morte para gays em Uganda e lamentar que a Inglaterra não segue o exemplo, para “proteger as crianças”. Ele também comparou Ian Watkins, membro de uma banda pop e gay (U-AU!) a um assassino serial.

Stephen Green é um idiota com discurso religioso radical que passa o tempo todo dizendo o quanto Deus odeia gays e como eles terão um destino horrível, já que no Mundo Real Deus parece impotente (fale com Seu médico. Eu falaria) diante de gays tristes, felizes, alegres, bem casados, baladeiros, quietinhos e todos os outros estados da Condição Humana.

Escolher um idiota assim como contraponto de uma matéria onde um casal só quer viver sua vida e ser feliz é algo malicioso. É gerar polêmica artificial. Green seria contraponto válido se a matéria fosse sobre um posicionamento gay igualmente radical e imbecil, como obrigar pré-adolescentes a namorarem meninos e meninas, para determinar sua identidade sexual.

Em um mundo ideal radicais como Green viveriam no ostracismo, mas o público já se acostumou a esse tipo de polêmica, é preciso se revoltar com algo, contra ou a favor. Brandimos o punho fechado, dizemos “que absurdo! Alguém tem que fazer algo! Mas não eu.” e seguimos com nossas vidinhas medíocres, tendo a sensação do dever cumprido.

A mídia brasileira é cheia disso. Qualquer tema sempre é “enriquecido” com a opinião de um pai de santo (mãe, se for programa vespertino), uma cartomante e um jogador de futebol. Pautam sempre quem dá mais ibope. Entre um cientista e um Ex-BBB o cientista fica de fora até dos programas do Discovery, se a pauta ficar na mão de brasileiro.

Se um tema é apresentado de forma moderada, com uma argumentação racional, é questão de justiça pautar o contraponto nos mesmos moldes. Infelizmente manter um programa ou escrever uma matéria de forma atraente, que capture a atenção do público é algo complicado, demanda talento. Já pra instigar barraco é bem mais simples, você solta no ar o xingamento, senta e fica vendo o circo pegar fogo, uma excelente forma de chamar o público de palhaço.



Quem é Cardoso

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