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Pôneis Benditos

31/07/2011 - 1:12 pm  -  23 comentários


A campanha “Pôneis Malditos”  da Nissan acertou em cheio, todo mundo adora odiar aqueles bichos, a musiquinha pegou e o vídeo já tem mais de 1,7 mihões de visualizações. Ainda vai dar muito o que falar, e é um exemplo de como a propaganda deve se adequar à cultura local. No Japão todo mundo adoraria os tais pôneis, provavelmente ficariam ofendidos com a idéia de representarem algo ruim.

Só para dar uma idéia do que é “normal” por lá, veja este filme da Nissan para o mercado japonês. Se passassem isso aqui todo mundo sairia gritando “quero meus pôneis de volta!”


Agilidade em mídias sociais é tudo, né, TAM?

31/07/2011 - 10:21 am  -  3 comentários


Hoje por causa do sorteio das eliminatórias da Copa do Mundo (aliás por causa de catzo isso foi transmitido? Não afeta em NADA o Brasil) o Aeroporto Santos Dumont ficou fechado por QUATRO HORAS. Nem Obama ousou parar o SDU por tanto tempo, mas uma bosta de um sorteio de bingo na Marina da Glória era importante o suficiente na cabeça de alguém para que se cancelassem pousos e decolagens, pro barulho não assustar a velharia atrapalhar a transmissão.

Nada mais justo que as empresas aéreas avisem seus passageiros, e que ferramenta melhor do que as redes sociais para avisar que o aeroporto ficaria fechado de 14 às 18 horas?

Foi o que a TAM fez:

tam

O problema é que avisaram 15h01min de um fechamento que começou 14h.

Quem faz parte dos 200 mil seguidores do perfil da empresa no Twitter e contava com ele para entender o que estava acontecendo, ficou chupando dedo.

Já quem é da imprensa e recebe os releases, ou assina o TAM INFORMA, ficou sabendo do fechamento do aeroporto dia 26.

Sei que muitas empresas têm dificuldade em entender a velocidade e agilidade das redes sociais, mas avisar de um evento que se tem conhecimento com ampla antecedência, somente 1h depois dele iniciado, é falta de agilidade mesmo pra empresa aérea daquela amigo do McGyver.


Ou a Vida Imita o Cocadaboa ou @MrManson sabe demais

28/07/2011 - 5:38 pm  -  10 comentários


Muito antes do Pânico popularizar a brincadeira, muito antes dos trolls transformarem brincadeiras em válvulas de escape de frustrações pessoais, o Cocadaboa, venerável site de humor do tempo em que ainda se criava conteúdo original inaugurou uma seção onde publicavam notícias falsas, em geral envolvendo marcas famosas ou celebridades.

O truque é que ninguém confere, os jornalistas recebiam as informações em forma de email, achavam suculenta a pauta, e mandavam ver. Aí no dia seguinte descobriam que haviam virado o famoso “pato do Cocadaboa”.

Hoje, excepcionalmente um monte de gente pode se vingar, e nem é pela divulgação da SexTape do Mr Manson com a Lacraia, e sim com a concretização tardia de uma previsão. Quem foi pato nesse dia, foi redimido pela História!

O Causo

Em Novembro de 2005, o Cocadaboa publicou a seguinte notícia: “Enrique Iglesias lança linha de camisinhas tamanho pequeno”

Snap171

 

Na época saiu em um monte de sites, revistas e jornais publicaram, rolou desmentido internacional e tudo.

 

Hoje eis que o Sun publica: “Enrique Iglesias: Eu tenho o menor pinto do mundo”

 

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Ou seja: Esse tempo todo o Cocadaboa estava certo! Palmas pro Mr Manson por seus poderes premonitórios.


Barack Trollbama? Não, senso de humor

27/07/2011 - 5:59 pm  -  8 comentários


Os EUA estão passando pelo tradicional apocalipse anual quando o Orçamento da União estoura as provisões, e o Governo ameaça parar. Os lados se invertem, quem está no Governo fica a favor de ampliar o Orçamento, quem está na Oposição fica contra.

Desta vez o debate se tornou público E participativo, Obama foi na TV e convocou o público a ligar para os congressistas, exigindo posições e decisões. Claro que o sistema telefônico do Capitólio capitulou. Era o que ele queria.

Também estão sendo realizadas entrevistas e debates nas redes sociais. A Casa Branca patrocina vários desses eventos, e está de olho inclusive na repercussão, coisa que muita gente que acha que tem a empresa nas mídias sociais não faz.

Melhor ainda: Eles sabem que a melhor forma de acalmar os ânimos é humanizar a situação, e que forma melhor de mostrar que é gente, não um bot ou um autômato do serviço público por trás do perfil? Humor, claro.

Foi o que descobriu David Wiggs, que postou o twit abaixo reclamando que o evento estava chato:

 

Snap166

 

Na hora a Casa Branca respondeu:

 

Snap165

 

“Desculpe ouvir isso, Política fiscal é importante, mas pode ser árida algumas vezes. Aqui está algo mais divertido:  http://TinyURL.com/y8ufsnp

O link, se você ainda não clicou, leva para o Clássico Rickroll.

Tirando um ou outro chato inevitável todo mundo adorou, inclusive o próprio Rickrollado, que respondeu com um “Loved it”

Com isso atraíram atenção para um debate CHATÍSSIMO (embora importante), mostraram que há gente como a gente por trás do perfil e deram atenção a um cidadão com 300 seguidores no Twitter, fugindo da idéia infelizmente comum de só interagir com “formador de opinião”.

A lição é clara como a neve: Você pode até ser a Casa Branca, mas não precisa ser Chapa Branca.


Não há viralzinho que resista a um bom advogado

25/07/2011 - 9:30 am  -  11 comentários


Vejam o vídeo abaixo: Se propõe a mostrar um grupo de rebeldes africanos genéricos relaxando quando um tem a BRILHANTE idéia de dar um AK-47 para um chimpanzé.

 

Não vou entrar em detalhes sobre chimpanzés serem animais selvagens que arrancar alegremente seu rosto (não clique) e que nenhum africano que se preze deixaria um chegar perto de seu acampamento. Também não vou apontar a estranha tranquilidade do operador da câmera, contrastando com qualquer vídeo real onde há perigo de vida para o sujeito filme.

O que GRITA viral no caso é a assinatura da “20th Century Fox Research Library”. Que DIABOS um filme desses estaria fazendo na fox?

Sim, é um viral do reboot do Planeta dos Macacos, que perdeu a graça justamente por não deixar qualquer dúvida quanto à sua “viralidade”.

O culpado? O Jurídico, claro. É gritante a necessidade de uma “identificação”, já que não foi possível colocar uma nota de copyright com o nome do filme, da Fox, do diretor e o CGC da empresa de todo mundo que clicou PLAY no YouTube.

NÃO colocar qualquer identificação significaria que a Fox não teria controle sobre o viral, e na mente jurídica isso é inaceitável.

Empresas grandes passam tudo pelo jurídico, e a regra é clara: Nada pode ser feito, nada pode sequer sonhar em ter uma segunda interpretação, e nem pense em mencionar a concorrência.

Óbvio que ninguém quer colocar a empresa em maus lençóis, mas o mundo atual é ágil e colaborativo demais, não dá para tratar o consumidor como se tratavam donas de casa colecionadoras de tampa de aveia nos anos 60. A própria relação mudou, antes de consumidor o sujeito é fã da marca.

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Há empresas que utilizam os novos canais de comunicação como canais de comunicação, no mau sentido, e isso é péssimo. Um SAC engessado será sempre um SAC engessado, seja por telefone, carta, Twitter ou aquele rabo USB de Avatar. Alguns dias atrás caiu na rede o caso da Bruna Xavier, que comprou um notebook no Submarino, recebeu um tijolo, reclamou e recebeu OUTRO tijolo.

Por dias um monte de gente xingou muito no Twitter, sendo que o Submarino não abriu o bico em sua conta no popular site de microblogs (estou treinando pra escrever pro Jornal Nacional). No final o Submarino faltou a uma audiência no PROCON e jurou que em 48 horas a guria receberia mais um tijolo seu notebook.

Foi tempo demais de desgaste desnecessário. O Submarino poderia ter reconhecido a falha, mandado um grupo CORRENDO na casa da guria, devolvido o dinheiro e entregue um Vaio ou um HP topo de linha. Tudo devidamente fotografado, filmado e tuitado.

A mídia gratuita que ganhariam seria imensamente maior do que o custo irrisório (já perderam 2 notebooks mesmo…) e a imagem sairia excelente.

Só que isso nunca passaria no jurídico. Seria criado um precedente perigoso, bla bla bla.

O que passa? Quando resolvem fazer controle de danos. Exemplo: Neste caso aqui um casal comprou móveis nas Americanas. Não foram entregues. A briga parou no PROCON, no final devolveram o dinheiro. Perfeito, mas nesse meio-tempo o casal deu entrevista pra RBS, o caso iria pra televisão. Como evitar?

Fácil, você combina um calaboca qualquer, no caso R$3 mil. Eles receberiam o dimdim, mais o estorno dos móveis, em troca não apareceriam na reportagem. Perfeito? Não, há o risco do casal não cumprir o prometido.

Como evitar isso? Na brilhante cabeça do advogado das Americanas, foi enviar o acordo por email, para ser assinado.

Resultado: De provas de uma tentativa de suborno, o casal botou a boca no trombone, jogando de vez na lama a imagem das Americanas.

“ah, mas eles fariam isso do mesmo jeito” Talvez sim, talvez não, mas se o contrato fosse apenas de boca, não haveria ganho em divulgá-lo, ficaria o dito pelo não-dito.

As empresas não lidam mais com consumidores, lidam com pessoas, e a relação é de mão-dupla. É preciso que a empresa assuma riscos, coloque a cara na rua, mesmo que com isso tome um tapa ou dois.

Isso vai contra tudo que o Jurídico acredita, eles levam muito a sério sua missão sagrada de proteger a empresa a qualquer custo, mas se a empresa quer ser uma força no mundo da cauda longa, se quer uma força de consumidores-fãs engajados, tem que abrir mão de parte das barreiras que a separam desses fãs.

Nem que seja aceitar que alguém por algum motivo idiota realmente vá roubar um viralzinho de macaco.


Rosana Hermann, a nossa Tina Fey

24/07/2011 - 6:12 pm  -  6 comentários


Nosso passado nos condena, é fato. Faz até sentido, ser condenado pelo futuro só em Minority Report. Mesmo assim há condenações e condenações. Uma coisa é descobrirem que você importava ilegalmente criancinhas chinesas para mão de obra escrava e tráfico de órgãos, não necessariamente nessa ordem (o que era muito pior pras criancinhas). Aí tudo bem, foi um lapso moral.

Complicado é quando desencavam tem um mico de proporções Timburtianas. Esse tipo de coisa inimigos não dão bola, mas os amigos, que são bem piores, fazem questão de espalhar pois nada é mais gratificante que uma sacanagem inofensiva.

Por isso não resisti quando vi a pérola que o Danilo Rodrigues postou no Twitter. Ele achou um comercial de um…. disque-horóscopo, feito em 1994 e estrelado por ninguém menos que a Rosana Hermann,  adornado com grafismos que considerávamos modernos (é, eu me entrego também)

 

O vídeo ficou muito mais engraçado pra mim pois sempre associei a figura da Rosana com a Tina Fey, tanto pela criatividade e versatilidade quanto pela excelente e rara e bem-vinda capacidade de rir de si mesma. Assim comecei a rir por perceber que tinha em minhas mãos uma situação uma referência pronta! (beijinho pros trolls que odeiam humor referencial):

Em um episódio de 30 Rock a Tina Fey passa por um mico fantástico, quando descobrem um comercial jurássico onde ela anunciava um Superpapo da vida.

 

 

O mais legal é que da mesma forma que eu associei a Rosana à Tina Fey, se eu tivesse visto o comercial dela antes, teria associado a Tina Fey à Rosana.


E Viva o Jornalismo-Paraquedista

06/07/2011 - 5:13 pm  -  35 comentários


Hoje a Band conseguiu se superar, na diretiva “não mencionar marcas se não for patrocinador”. Essa mania iniciada pela Globo se alastrou e hoje até o Pânico tampa logos e marcas comerciais. Até o departamento de jornalismo se submete a isso, e como resultado a Band conseguiu noticiar por HORAS um incêndio em uma indústria em São Paulo sem citar a empresa.

Isso mesmo, o básico do jornalismo, QUEM, ONDE, QUANDO foi corrompido pela ordem de não fazer propaganda gratuita.

Curiosamente na área de tecnologia ocorre o oposto. Não só o jornalismo especializado cita marcas alegremente, como inventou uma prática igualmente desagradável: Associar desnecessariamente uma marca famosa para faturar links via SEO, polêmicas forçadas e fanboys e haters se digladiando nos comentários.

Vejam este exemplo:

A notícia é interessante, um grande veio de Terras-Raras, metais quase alienígenas como gadolinium, lutetium, terbium e dysprosium, usados na produção de semicondutores, chips, etc.

Só que não basta dizer que são elementos raros descobertos no leito do Pacífico, nem que a exploração dessas reservas é uma empreitada caríssima, que a tecnologia provavelmente nem existe e sequer é economicamente viável.

É preciso associar com algo bem hype, da moda, algo que seja bem posicionado pelos sites de busca e que os leitores possam reconhecer, mesmo que a associação seja absolutamente tênue.

Uma vez vi uma manchete na mesma linha: “iPods causam surdez em adolescentes”. Imaginei alguma agulha saindo dos fones da Apple, sei lá. Lendo a matéria, explicavam que ouvir música muito alta com fones de ouvido prejudicava a audição, e que como os jovens utilizavam muito iPods e outros MP3 players, o número de casos estava aumentando.

Escuta-se música com fones desde que Thomas Ed-Sung inventou o Walkman, em 1731citation needed. Todo audiófilo ADORA seus fones caríssimos personalizados. Todo torcedor dos anos 60 e 70 não saía de casa sem seu radinho e o fone egoísta. Walkmen, Discmen, Changemen.

Em nome de uma personalização (falsa) da notícia o jornalista prejudicou (em teoria) uma marca inteira. Ao invés de noticiar aquilo que todo velho chato sabe, “música alta faz mal”, transformou A APPLE na vilã da história. Um leitor idiota (sim, eles existem, nem todo veículo é como o Contraditorium) associaria a fonte de todo o mal à Apple, preferindo comprar um MP3 Player Sdruvs Sansa 2000, muito pior e prejudicial, mas que não foi apontado na matéria como prejudicial.

Esse tipo de jornalismo preguiçoso é muito ruim, ainda mais agora que a área comercial E a área de SEO estão dominando. É comum redações com listas de palavras-chave que devem ser utilizadas, preferencialmente nos títulos. Em breve teremos chamadas de 1a página como “Morre Itamar Franco, mas não de Mesotelioma”.

Nada contra, também adoro SANDY PELADA SEM ROUPA NUA CALCINHA RESTART ganhar dinheiro, mas é preciso manter um mínimo de objetividade jornalística, é preciso tratar a notícia com um pouco mais de seriedade do que blogs de fofoca, e olhe que os sérios aumentam mas não inventam.

Colocar um iPad no título de uma matéria apenas para chamar atenção do robozinho do Google e de leitores pára-quedistas é seguir as piores práticas dos piores blogs.

Qualquer veículo online tem dois leitores: O pára-quedista, que dá dinheiro, e o leitor real, que dá credibilidade. Qualquer estratagema dentro de limites éticos legais e morais para atrair pára-quedistas é válido, mas você nunca, nunca pode corromper seu conteúdo, do contrário o leitor de verdade, que replica, linka e comenta será afetado.

E leitor afetado só é bom para blog GLS, não que haja nada de errado nisso, claro.

PS: não, eu não sei escrever paraquedista. E nem o corretor do iPad.



Quem é Cardoso

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Jabá

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