web metrics

On The Road Again…

O selvagem da motocicleta

Eu não consigo sentar a bunda na cadeira, impressionante. Tinha jurado que após o MeioBit Expo ficaria exclusivo escrevendo, sem viajar. Aí vem a tentação do BlogCamp. Consigo resistir, mesmo sabendo que neste momento em Sampa há um apartamento com quatro blogueiras caratecas ninjas ninfomaníacas assassinas que me acham o máximo.

Então descubro que Deus vem ao Brasil. Ninguém menos que Steve Wozniak. O criador do primeiro Apple, um dos grandes True Hackers, que ainda por cima é gente boa pra caramba. Graças ao prestígio do MeioBit e a baba-de-quiabo do Marcellus, conseguimos credencial para cobrir o evento, afinal desembolsar R$980,00 por um ingresso não é pra qualquer um.

Pois bem, conta feita daqui, conta feita dali, o Leo acha umas moedas no fundo do sofá, então o MeioBIt vai pagar a passagem. De ônibus, não somos o TechCrunch nem temos nenhum grande portal nos bancando.

Vou contar um segredo para você, querida leitora (aprendi com o C@T): Eu adoro viajar. Pegar a estrada, metaforicamente ou não é muito bom. Tenho tempo de pensar na vida, fazer planos, ler, ouvir música, tudo. Ficar sentado em um castelo vendo o mundo lá embaixo pode ser bom, mas poucas frases falam mais a mim do que “I travelled each, and every highway“. Na verdade a letra INTEIRA de My Way é talvez meu maior Hino Pessoal. Não há uma linha ali que eu não me identifique. Frank Sinatra é um gênio. Só isso.

Algumas viagens só se faz ousando. Por isso deixei a preguiça de lado, e falei: Dane-se, vou no BlogCamp sim. E fiz um roteiro louco.

Saio do Rio daqui a pouco, pego o Ônibus de 1:40 pra SP. Chego lá umas 7:30, 8h. Vou fazer hora em uma padaria qualquer na Consolação. Umas 10h vou para o Gafanhoto. Daí BlogCamp até o almoço. Pago uma de 02, peço pra sair, corro pro hotel, faço o chequinho, deixo a mochila, que essa hora estará bem pesada.

Dia seguinte, café da manhã, faço o checkout, vou para o Gafanhoto de novo. Findado o evento, bar. Do bar, Rodoviária. Rodoviária, Busão pra Belzonte. Belzonte na segunda de manhã, evento com o Woz.

Evento com o Woz, chopps com o Nick Ellis e mais quem aparecer (twitter, tentem por ele). Meia-Noite, Rodoviária de BH, busão pro Rio.

Pauleira? Too old for this shit? Mal posso esperar. Eu adoro quando minha vida parece um road movie do Cacá Diegues.

Nota: A imagem deste post é do filme Rumble Fish, com Mickey Rourke, um dos dois únicos filmes bons que ele fez na vida (o outro foi Coração Satânico[bb]). No Brasil ficou com o título absolutamente idiota, escroto babaca de O Selvagem da Motocicleta[bb]. Esse filme foi um dos que ajudou a definir minha geração, foi nosso Easy Rider. Tem muito a ver com minhas viagens, e porque gosto tanto delas. Quem viu, está balançando a cabeça concordando. Quem não viu, está perdendo. Procure em sua locadora, assista, depois volte aqui e compre. (não é excesso de confiança, é que não recomendo porcaria mesmo). Aos que ficam, nos vemos online. Aos que vão amanhã no BlogCamp, nos vemos por lá. Obrigado pela audiência, e -nossa, parece até podcast. Eu hein…

Sobre jabás, patrulhas e o rabo da Carol

Vejam o aviso no final do post que a Carol fez sobre o VMB (na verdade um de uma série):

(Esse post exprime apenas a minha opinião, se você gosta ou não gosta, me interessa mesmo sabendo que você não vai mudá-la, quem sabe não discutimos no bar? A MTV não está me pagando nada para fazer a série de posts sobre o VMB, estou fazendo porque eu gosto de música e achei que renderia posts legais. Amanhã o post é sobre a fofíssima Mallu Magalhães. Morra.)

Então vejamos; nós chegamos a um ponto onde a Carol, que é O target da MTV, legítima consumidora de música, não pode fazer um post sobre um prêmio musical sem que alguém em algum lugar grite “JABÁ!” e esse patrulhamento seja tão grande que ela fique se sentindo com rabo preso a ponto de colocar o aviso acima preventivamente?

Blogs, droga, foram feitos para expressarmos nossa opinião. Essa paranóia de querer informar, de forma isenta, imparcial, incolor, inodora e insossa é (ou deveria ser) exclusiva da Imprensa Chata. Eles que se preocupem contando quantos cm deram para cada lado de uma discussão, em blogs nós devemos SER um dos lados da discussão.

A questão aqui é estratégica, o que está em jogo vai muito além da Cauda Longa da Kaká. É a possibilidade de cedermos a um patrulhamento que no final irá se virar contra nós. Depois que os chatos conseguirem que a gente encha os blogs de avisos, disclaimers, notas CUIDADO! ALERTA! PROPAGANDA! NÃO OLHE MUITO MENOS CLIQUE NO LINK ABAIXO eles dirão que nosso texto não é mais o mesmo, que estamos comerciais, e irão chatear outros blogueiros. Perdemos o patrulhador, e os leitores que gostavam de nosso texto, não nos patrulhavam mas foram embora pois é um saco ficar vendo blogueiro pedindo desculpas o tempo todo.

E a Kaká está pedindo desculpas por NÃO ter o rabo preso.

Da mesma forma se você escreve algo considerado polêmico, como o post onde previ o patético desempenho brasileiro nas Olimpíadas, aparece logo um dizendo que é post para caçar visitas, que é pro AdSense, bla bla bla.

Vai pra puta que o pariu.

TODO blogueiro quer audiência. TODO post é escrito querendo que alguém leia. Eu não privilegio um post em relação a outros, eu quero que TODO post renda milhões no AdSense, saindo na capa de todos os agregadores do planeta.

Se for seguir a linha desses chatos, não poderemos escrever NADA polêmico, NADA interessante, não poderemos questionar NADA muito menos ELOGIAR algum produto, serviço ou pessoa.

Também não podemos divulgar, intencionalmente ou não qualquer tipo de viral. Na semana do Eclipse do Yahoo! eu recebi e moderei vários comentários de um babaca que chegou a montar página “denunciando” que a campanha do Yahoo! era um viral. O idiota inclusive deu em primeira-mão o motivo do Eclipse: “O Yahoo! teria comprado o Terra”.

Tá, eu já sabia (tm Galvão Bueno) que. o Eclipse era para o lançamento da nova home do portal, só isso, mas e o idiota? Onde está a cara dele? provavelmente vai dizer que como ele, o fodão, divulgou a estratégia, o Terra melou o negócio. Duvidam?

É gente que diz “coloca que é jabá no começo assim eu não tenho que ler”. Pombas, vejam este texto delicioso da Mírian. Dizer que não presta por ser ligado a uma promoção é no mínimo uma injustiça.

Dá pra imaginar que blogosfera chata isso será?

Eu sempre pensei que o oposto do post pago identificado fosse a putaria que o Morróida faz, escrevendo post dizendo que bebe Passport, na maior cara-de-pau. Não é. O oposto do post pago identificado é a Internet Chata, é a Internet Patrulhada, é o sujeito tendo que escrever pensando “Será que vão achar que estou ganhando pra falar isso?”

É uma blogosfera onde não podemos mais ser nós mesmos. Se eu disser que a sala se encheu de “UAUs” quando Galileu mostrou os vídeos do Photosynth no MeioBit Expo o que foi um fato -os Uaus- vira jabá. “Ah, você deve estar recebendo da Microsoft pra dizer isso”.

No MeioBit assumimos Tolerância Zero para esse tipo de acusação. É MUITO fácil ao invés de questionar ou argumentar ou aceitar um fato, acusar o outro lado de ser corrupto. Então, ou prova em 24 horas ou é banido do site. Simples assim.

Vou fazer a mesma coisa nos meus blogs. Minha postura é simples: Se eu disser que recebi por algo, eu recebi. Se não disser, então não recebi. Quem não acredita, quem fica espetando e enchendo o saco, faça um favor a mim e a si mesmo: VÁ EMBORA. Há milhões de outros blogs no planeta, vá lê-los.

Eu cansei. Não vou discutir mais esse tipo de coisa. Não vou mais dar ESPAÇO pra esse tipo de patrulhamento. Um mundo onde a Carol não pode dizer que gosta da MTV sem pedir desculpas avisando que não é jabá é um mundo muito triste.

Contraditorium - Perfil do Leitor

Conforme prometido, aqui estão os resultados do primeiro Perfil dos Leitores do Contraditorium.

Foram 1265 respostas em três dias, muito mais do que eu esperava. O resultado é que o meu leitor é bem mais sofisticado do que a maioria dos blogs. Que o do kibe, com certeza, e tenho números para provar isso. Infelizmente, 90% são homens, acho que preciso fazer mais textos atraentes ao público feminino. Viram? A pesquisa já está despertando conclusões.

Bem, sem mais delongas, abaixo as totalizações, conforme exibidas pelo Google Forms:

Continue lendo »

Se cliente fosse, eu não anunciaria em blogs

Eu gosto de ações com blogueiros. Se os Supositórios Tabajara promovessem Um Dia Com A Luciana Vendramini e me chamassem, ganhariam muito mais divulgação do que com qualquer post pago, mas se quisessem um publieditorial (em jornalês isso se chama matéria paga mas blogs são mais chiques) eu muito provavelmente não faria.

Teriam que procurar outros blogueiros, mais adeptos ao produto. E procurar blogueiros toma tempo. Assim como contactar cada um, vender o peixe do post, fazer follow up, etc, etc.

As agências tem parte da culpa (eu sempre vou culpar as agências) mas no caso o buraco é mais embaixo e é dos blogueiros, que não diferenciam as várias formas de publicidade.

Você que tem blog. Você é mídia ou indivíduo? Seu blog vende espaço ou conteúdo editorializado?

Eu uma relação publicitária normal a coisa funciona assim: O anunciante quer veicular uma campanha. A agência cria as peças, envia para o veículo. Este avalia se estão dentro dos padrões morais-ético-corporativos da empresa. Estão? Veiculam o anúncio, ponto final.

A agência agencia o espaço publicitário, fornece serviço de criação (coisa que o veículo NÃO FAZ). O veículo veicula, de forma “burra”. Não há participação intelectual da mídia no processo.

No modelo dos blogs o cliente não compra um espaço. Ele raramente consegue veicular uma peça produzida externamente como publieditorial. Só como banner.

Pior. Blogueiro odeia ser brifado. O pessoal das agências tem que agir como se estivesse passando sugestões educadas. Eu já vi muito blogueiro indignado com a petulância da agência em pedir alterações no texto. Mesmo que o cliente não goste. Eu mesmo já fiz isso e não tenho vergonha de admitir que fiquei muito, muito irritado com cliente só porque está pagando querer alterações no texto.

O modelo ideal para muito blogueiro é o cliente pagar, o blogueiro escrever um post SE QUISER e falar do produto, da forma que desejar, mesmo mal. Aliás, preferencialmente mal, só para mostrar o quanto ele não se vende.

Esse modelo, compreensivelmente, é difícil de ser comprado pelos clientes e agências.

Eu nunca vi um modelo onde a agência de propaganda mandasse um texto 100% pronto, o blogueiro colocasse uma indicação no começo (ou final) do post dizendo ser de autoria do cliente, veiculado e pronto.

Vamos definir isso. Eu quero anunciar As Pílulas de Vida do Dr Bode - Entram pela boca, saem por onde pode- no blog do Morróida. O Morróida defende a blogosfera de raiz, a blogagem por vocação.

A minha agência entra e contato e retorna: “O Morróida topa. Mas ele não garante o tamanho, não garante a qualidade, não garantem o tom do texto. Também não aceitou o brieffing, diz que ele sabe falar do supositório por conta própria. Ah, não temos poder de veto.”

Você investiria assim? É, eu também não.

Nós tratamos o espaço editorial nos blogs como se fosse algo absurdamente sagrado, que deve ser mantido limpo de toda e qualquer contaminação dos malditos anunciantes malvados que por acaso nos sustentam. Já os banners, ali vale tudo.

NENHUM outro veículo faz isso. A Globo não tem um canal exclusivo para passar propaganda. O Estadão não publica um encarte com a publicidade e o jornal “limpo”. As revistas no máximo incluem “informe publicitário” no alto das páginas que podem ser confundidas com conteúdo editorial.

Eu acho que nós lucramos mais nos vendo como mídia. Se um anunciante quer, além do espaço que eu também crie o conteúdo, então é uma despesa extra. Como está hoje temos clientes insatisfeitos com a falta de agilidade E dificuldade em ter o brieffing contemplado, temos leitores insatisfeitos com conteúdo publicitário que parece ser feito com má-vontade e temos os blogs, que não decidiram sequer qual seu papel nessa história.

E é extremamente conveniente dizer que o Mercado não entende os blogs, quando os próprios blogs não dizem como querem ser entendidos.


Recentes