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É a vida, é bonita e é bonita!

16/03/2010 - 4:50 pm  -  24 comentários


vida
Um dos melhores convites do ano foi o do Discovery Channel para a Premiere da série Discovery Vida. Não é todo dia que a gente tem a oportunidade de assistir em tela de cinema um trabalho de altíssima qualidade como o que foi apresentado a uma plateia seleta de blogueiros e formadores de opinião.

O evento foi no Shopping Cidade Jardim, tão chique que nem sei como deixaram entrar blogueiros. O único estresse foi quando o Carlos Hotta resolveu tirar fotos de uma planta e um seguran;a do Shopping encarnou seu lado Agente Smith, latiu que não era permitido tirar fotos dentro do shopping e passou a perseguir Hotta e a Paula.

discoveryvida1
Já dentro do cinema fotos eram liberadas. Encontrei os suspeitos habituais, conheci vários leitores, peguei meu Combo grátis e minha cerveja de R$12,00 (ouch) e fui para a sala.

Benzadeus que sala!

É o melhor cinema que já vi na vida. Reparem nas poltronas:

discoveryvida2

 

Antes do filme fomos "brindados" com um show do Danilo Gentili. Ele fez o MESMO show do Nokia Camp, contou as MESMAS piadas e usou a mesma estratégia de dizer que não havia preparado nada. Assim os manés acham "nossa como ele é bom, improvisou tudo".

Quem acha que me viu rindo muito durante a apresentação, aviso: Estava vendo Big Bang Theory no meu celular.

vida4 A estratégia de contratar o Gentili foi brilhante, devo admitir: É uma aplicação prática da Teoria do Bode na Sala. Mesmo que houvesse algum erro ou falha durante o evento, o Gentili foi tão ruim que se tornou a base de comparação, diminuindo a importância de qualquer outra falha. Inclusive se  o cinema tivesse pegado fogo.

Depois das formas de vida primitivas evoluímos para a Vida propriamente dita.

Digamos que valeria  passar por dois shows do Gentili para ter visto o Discovery Vida.

As imagens são impressionantes, feito todo em Alta Definição o programa consegue ser épico e intimista ao mesmo tempo. Esqueça Mundo Animal e programas onde você vê um ponto na tela e tem que acreditar que é um leão. Aqui você vai ver o ponto de vista do próprio leão.

O segredo da série entretanto não está só nas imagens, mas no roteiro. O Vida não é feito por ecochatos (que em sua maioria não saem da cidade) e não fica pregando discurso ecológico. Ele assume que o espectador é inteligente o suficiente para deduzir por conta própria que aquilo precisa ser preservado.

Também não é daqueles documentários que mostram leões comendo tofu. Não há "natureza boazinha" no Discovery Vida. É bicho comendo bicho, Lei da Selva. O vilão de um segmento é o almoço de outro. Um lindo almoço, mas ainda almoço.

Um momento triste para mim foi o segmento sobre Macacos-Prego no Brasil. Ver os macacos colhendo cocos, descascando, deixando secar e depois utilizando pedras para abrir foi uma recriação perfeita da cena clássica de 2001 – Uma Odisséia no Espaço quando Amigo na Lua (sim, o hominídeo tinha nome) aprende a utilizar um osso como arma e dá início à nossa civilização.

Foi triste por saber que Arthur Clarke não iria ver aquilo. Sei que seria inevitável que ele soltasse um de seus aforismos favoritos: A Vida Imita a Arte.

Assistir séries como Vida me relembram que preciso ser pragmático. Por mais que fique indignado, no fundo sei que porcarias como 2012 e Nostradamus são o que financiam as imagens magníficas que acabei de ver.

O orçamento não foi divulgado, mas 4 anos de filmagens, 3000 horas de vídeo HD com certeza custaram mais que um filme brasileiro, e ao contrário da maioria destes, valeu cada centavo.

Disclaimer: Viajei a convite do Discovery Channel, mas a cerveja foi por minha conta.

A série Vida estréia dia 18 no Discovery Channel


As fotos da Premiere você pode ver neste set do Flickr mais informações: O site oficial do Discovery Vida


And The Ingressos Pro Discovery Goes To…

03/03/2010 - 3:20 pm  -  10 comentários


DiscoveryVida Conforme prometido, pela ordem de chegada dos comentários no post de ontem aqui estão os vencedores da distribuição de ingressos para a premiere da série VIDA, do Discovery Channel. Aguardem email da organização, qualquer coisa me procurem no Twitter.

 

  1. João Auro de Oliveira Sogabe – 2010/03/02 at 11:29am
  2. Carol – 2010/03/02 at 11:29am
  3. Isabelle -  2010/03/02 at 11:30am
  4. Leandro – 2010/03/02 at 11:30am
  5. Cintia Costa – 2010/03/02 at 11:30am
  6. Caue Assunçao – 2010/03/02 at 11:31am
  7. Victor Amatucci – 2010/03/02 at 11:32am
  8. Diego G. Magalhães – 2010/03/02 at 11:33am
  9. Marcelo – 2010/03/02 at 11:33am
  10. Alessandro – 2010/03/02 at 11:33am

Oh droga, agora que vi, cheio de homem. Bah…


Eu Amo o Mundo – Ainda mais com promoção do Discovery

02/03/2010 - 11:25 am  -  59 comentários


 

A grade da programação de TV brasileira (pra não dizer mundial) é uma vergonha. Por aqui menos de 4% do tempo envolve qualquer tipo de programa relacionado com ciência. São BBBs e programas religiosos que matam, pisam exterminam a curiosidade, transformam o mundo em um lugar feio, uma espécie de castigo onde devemos ansiar o tempo todo por “um lugar melhor”.

Um lugar melhor o escambau, o mundo é fantástico, como diz muito bem o vídeo acima. Você não precisa de telescópios ou microscópios, de submarinos ou foguetes. Pode se maravilhar apenas abrindo os olhos. Ontem mesmo vi no Discovery um macaco-prego quebrando um coco com uma pedra. A natureza foi muito mais ousada do que Stanley Kubrick e Arthur Clarke, que só colocaram primatas usando ferramentas depois de muito mais evoluídos.

O Discovery é um dos Oásis onde quem gosta de Ciência e não entende o Mundo como um Castigo pode se refugiar. Seja pescando caranguejos no Alaska, seja acompanhando a Kari Byron, seja Caminhando com os Tubarões (ou algo assim).

Agora resolveram se superar. Abusando da tecnologia estão produzindo várias séries com imagens absolutamente fodásticas. A última foi Planeta Terra. A mais nova é Vida:

 

A série vai ao ar no Brasil dia 18 de Março, com pré-estréia dia 14 no Discovery (d´oh) mas você pode ver antes de todo mundo, dia 9 e em grande estilo.

Isso mesmo: Haverá uma Premiere em Grande Estilo no Cinemark do Shopping Cidade Jardim, em São Paulo. Os felizardos assistirão ao primeiro episódio num pooooooooootcha telão de cinema, além de faturar uns brindes. Quem são os felizardos? Eu e meus convidados, claro. Como ser convidado?

 

A Premiere será dia 9 de Março de 2010, 20h30min no Shopping Cidade Jardim, em São Paulo. Portanto não adianta participar se você mora longe, o Discovery não tem grana pra mandar buscar gente em outros Estados, preferem gastar dinheiro mandando seus cientistas e produtores para os confins da Terra, e eu concordo.

Dito isso, tenho DEZ ingressos para o evento. Como concorrer? Deixe um comentário neste post não esquecendo de colocar um email válido no campo respectivo. Os DEZ primeiros ganham. Não se preocupe se o comentário ficar moderado, vale o horário da postagem, publicado ou não. Se seu nome for Luciana Vendramini, as chances de ganhar aumentam.


O Garoto que Domou o Vento

15/10/2009 - 1:21 pm  -  62 comentários


Esta é uma daquelas histórias que rendem filmes de Sessão da Tarde, mas ao contrário do excelente Céu de Outubro, a situação de William Kamkwamba era muito mais dramática.

Ele nasceu e cresceu em Malawi, um daqueles países irrelevantes até mesmo para os padrões africanos. Tem 14 milhões de habitantes, baixa expectativa de vida, alta mortalidade infantil e AIDS. A renda per capita é de US$312,00. Só para comparar a do Brasil é de US$8.295,00.

Sua vila/aldeia não tinha saneamento básico, água corrente e muito menos eletricidade. É comum na África gente percorrer quilômetros a pé para recarregar celulares e rádios, e era o que William fazia.

Em 2002 aos 14 anos seus pais foram obrigados a tirá-lo da escola. Assolados pela fome a família não tinha como mantê-lo estudante. Mas Kamkwamba era um grande guerreiro, não no sentido militar -guerra não faz ninguém grande- mas no intelectual. Mesmo fora da escola ele continuou frequentando uma pequena biblioteca, de um só cômodo, bancada por doações do Governo dos EUA.

Nela ele viu um livro sobre moinhos de vento. Mesmo sem entender muito bem inglês, percebeu que aquilo era algo que ele conseguiria fazer. Percebeu que eletricidade era a chave para melhorar a condição de vida de sua família. Só 2% da população tem acesso ao recurso.

Durante 3 meses ele juntou peças de ferro-velho, bicicletas encontradas no lixo, estudou sobre magnetismo, condutores e dínamos. De posso do conhecimento repassado por Mestre a muito mortos, ele fez algo que deixaria Maxwell orgulhoso: Aplicou a Teoria e construiu um moinho de vento:

Antes do projeto ficar pronto, a turma que acredita que nada pode ser feito da primeira vez caiu de pau em cima do garoto, afinal um moleque de 14 anos, em um país insignificante da África ousar desafiar os Deuses da Mediocridade e construir algo, ao invés de sentar, reclamar e ficar recebendo calado a esmola em forma de doações da ONU?

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Morreu um homem que fez diferença

13/09/2009 - 9:55 am  -  52 comentários


Você provavelmente nunca ouviu falar de Norman Borlaug. Eu também não conhecia, até vê-lo em um episódio do programa do Penn Jilette. Ele era um agrônomo americano especializado em desenvolver variedades de alta produtividade e resistentes a doenças, através de cruzamentos seletivos. Ele também defendia a introdução dessas espécies no Terceiro Mundo. Tendo recebido apoio de vários países, suas sementes transformaram o mundo. O México em 1943 importava 50% de seu trigo. Em 1956 se transformou em exportador. Índia e Paquistão em 5 anos dobraram sua produção agrícola. As sementes de arroz de Borlaug eram 10 vezes mais produtivas que as usadas na índia.

Tudo, TUDO que você come hoje passou pela mão desse homem. A chamada Revolução Verde, o grande incremento em produção e qualidade agrícolas que começou em 1945 foi obra basicamente de Norman Borlaug. Estima-se que ele tenha salvo a vida de mais de um bilhão de pessoas, que sem suas técnicas teriam morrido de inanição.

Por sorte Borlaug não era gay como Alan Turing, então foi reconhecido em vida, em 1970 ele ganhou o Prêmio Nobel. Não o de Agricultura (eu sei!) mas o da Paz, em 1970. Ele também recebeu a Medalha de Ouro do Congresso dos EUA e a Presidential Medal of Freedom.

Suas técnicas são criticadas por ecochatos e hippies em geral, pois não tem nada de “orgânicas”, que diga-se de passagem apresentam produtividade baixíssima. Desses críticos, Borlaug declarou:

“Eles nunca experimentaram a sensação física da fome. Eles fazem seus lobbies de escritórios confortáveis em Washingont ou Bruxelas. Se eles vivessem um mês entre a miséria do mundo subdesenvolvido, como eu fiz por 50 anos, estariam gritando por tratores, fertilizantes e irrigação, e irados com os elitistas em casa que tentam negar o acesso a essas coisas”

Borlaug morreu ontem, aos 95 anos, em casa.

Claro, nem todo mundo é fã do trabalho de Norman Borlaug. Mark Dowie, jornalista americano e militante comunista disse, da Revolução Verde:

“O objetivo primário do programa era geopolítico: Prover comida para a população em países subdesenvolvidos e assim trazer estabilidade social e enfraquecer o fomento da insurgência comunista”

É incrível, mas para alguns nem alimentar um bilhão de famintos é considerado coisa boa.

Para mim é. Obrigado por ter existido, Doutor Borlaug.

Fontes: Wiki de verdade


EWCLiPo II – A Missão – Irei e Si Darei Bem

26/08/2009 - 12:01 am  -  11 comentários


Um dos brinquedos preferidos de minha infância politicamente incorreta foi o Meu Pequeno Químico, uma monstruosidade que colocava na mão de crianças incautas substâncias perigosíssimas como o Monóxido de Dihidrogênio, causador de milhares de mortes todos os anos. Cobaias imersas nele morrem em minutos. Aeroportos vasculham e apreendem passageiros que tentam embarcar mesmo com pequenas quantidades.

Também havia marcadores, Fenoftaleína, pipetas e -pasmem- tubos de ensaio de VIDRO.

Ao contrário de uma Bíblia, livro que nunca causou mal algum, o Pequeno Químico, a coleção de Júlio Verne e O Mundo Animal me transformaram em uma espécie de aficcionado, e só não segui carreira científica por não ser inteligente o bastante pra isso mas inteligente o bastante pra perceber que gostava de dinheiro ;)

Nos áureos tempos eu era quase um Leonardo (ainda sou, mas lembro mais a tartaruga. A ninja, não o piloto). Uma hora estava fazendo experiências criogênicas com insetos (moscas ressucitam, baratas não) examinando células vegetais no microscópio (futucar o núcleo de uma célula de cebola é legal) ou brincando de Robert Goddard, redescobrindo em frações de segundo os princípios básicos do foguete, e entendendo o motivo da explosão antes dos estilhaços de plástico atingirem meu peito e deixarem filetes vermelhos de sangue, um zumbido altíssimo nos ouvidos e minha resposta no automático “não foi nada”antes que minha mãe viesse ver o que aconteceu.

Depois de descobrir independentemente um dos Princípios da Relatividade (isso é verdade, um dia conto. Não foi mérito meu, estava apoiado no ombro de gigantes) fui ficando sem tempo para brincar de cientista, o que só aumentou a inveja pelos que fazem isso e ainda ganham.

Restou assumir meu Rubinho interior e fazer a 2a coisa mais divertida em ciência, que é ser “Divulgador Científico”. Meus blogs sempre falaram sobre o assunto, e recentemente consegui dar uma de subversivo e introduzir a categoria “Ciência” no MeioBit.

Achei o máximo quando surgiu a rede Lablogatórios, que depois virou a ScienceBlogs Brasil, estão entre os links que mais retuito, a ponto de ficar claro um interesse velado, que as más línguas dizem ser parte de meu plano para clonar a Luciana Vendramini. Calúnia, meu plano É clonar a Luciana Vendramini. Não tem outra parte.

Por todo esse passado quando surgiu o convite pro EWCLiPo já gostei, quando vi que não era pra cobrir, mas para apresentar um painel, gelei. Primeiro pq esqueci que não sou mais tímido, segundo porque é uma platéia complicada. Não dá para me safar com piadinhas kibeloco, e um povo que chama um evento de EwCLiPo – Encontro de Weblogs Científicos em Língua Portuguesa é alienígena demais a conceitos de marketing para ser enrolado com buzzwords, monetização, sinergia, long tail, etc.

Como não sou o Fábio Seixas e não tenho camisetas para distribuir nos casos de platéias difíceis, a saída será planejar uma apresentação a altura. Isso ou rezar pra dar tudo certo.

O Encontro será em Arraial do Cabo, no final de semana de 25 a 27 de Setembro. Se você quiser me ver pagando mico na frente de um monte de cientistas-blogueiros, é a hora. Veja neste post do Rainha Vermelha mais detalhes de como participar.

Sem contar que me falaram que esses encontros de cientistas são cheios de gatas, tenho tudo pra arrumar uma namoradinha ajeitada. Se me der bem podem deixar, tiro foto e posto por aqui.


Quem diria, cientistas são pessoas inteligentes

18/02/2009 - 3:17 pm  -  22 comentários


Vocês lembram do rebu causado por filmes como o Última Tentação de Cristo, Je Vos Salue, Marie, e mesmo A Vida de Brian e Crônicas de Nárnia? Qualquer filme com temática levemente religiosa gera protestos na certa. É gente dizendo que a obra agride, nega ou ameaça suas crenças, exigem banimento, punições, etc.

Personagens religiosos NUNCA podem ser apresentados de forma menos que perfeita. Se um padre é um vilão, é uma agressão à religião. Claro, se é um caminhoneiro, tudo bem.

Esse corporativismo religioso sempre me encheu o saco, ainda mais quando vejo que é Possível ser INTELIGENTE nesse tipo de situação.

Exemplo: No Anjos e Demônios, segundo livro de Dan Brown e bem mais interessante que o Código DaVinci, um cientista proeminente do CERN rouba 0,25g de antimatéria, com o intuito de explodir o Vaticano.

A Ciência já está na mira da sociedade conservadora faz tempo. Cientistas loucos e/ou simplesmente vilões não ajudam a melhorar sua imagem. Um filme desses seria prejudicial, e deveria ser impedido, correto?

Os Cientistas do CERN discordam. Não só estão pouco se lixando para uma obra de ficção, como convidaram Tom Hanks, que faz o mocinho da história para visitar o Large Hadron Collider, o maior acelerador de partículas do mundo.

Steve Myers, um dos diretores do projeto ciceroneou o ator em uma visita VIP, e ainda convidou-o a religar o LHC, em Junho. Tom Hanks aceitou, obviamente.

Hanks é profundamente ligado à ciência, tendo participado do ótimo filme Apollo XIII, e depois co-produzido a MARAVILHOSA mini-série From the Earth to the Moon, da HBO.

Então vejamos: O sujeito estrela um filme com um vilão cientista que pretende destruir o Vaticano. A resposta dos cientistas é convidá-lo para seu mais precioso local, mostrar-lhe os arredores e ainda chamam para religar o aparelho?

Esse negócio de pensamento racional deve ser bom, afinal.

Fonte: The Telegraph



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