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Boteco São Bento de gente chique se chama Ralph Lauren

07/10/2009 - 6:06 am  -  6 comentários


Infelizmente a mania de reagir a críticas com truculência Legal não se restringe a donos de bares auto-superestimados brasileiros, é uma tendência mundial. Por sorte a mordaça nos tempos de Internet, onde mais e mais gente inteligente se congrega, é uma atividade inglória e bastarda.

A “vítima” (você entenderá as aspas) da hora é o BoingBoing, aquele meta-superblog norte-americano. Eles publicaram uma imagem retirada do Photoshop Disasters, um anúncio da Ralph Lauren com uma modelo absurdamente magra, claramente photoshopada para se encaixar no padrão Auschwitz-Chic que algum misógino definiu como beleza feminina.

Os autores da aberração protestaram da única forma que sabem: Foram pro pau, mandaram uma carta para o provedor do BoingBoing denunciando-se sob o DMCA – Digital Millenium Copyright Act. Só que quando você é provedor de um blog do tamanho deles, não é burro. A denúncia foi encaminhada ao blog, que por sua vez caiu na gargalhada.

Qualquer advogado de porta de eBay sabe que a doutrina de FairUse garante a reprodução de conteúdo para fins de crítica ou paródia. E a 1a Emenda da Constituição dos Estados Unidos da América garante Liberdade de Expressão.

Para piorar, o provedor é Canadense.

A resposta do BoingBoing foi no melhor estilo Pirate Bay: QuaQuaQua. E ainda ameaçaram: cada vez que tentarem encher o saco com ameaças legais vazias, irão reproduzir o anúncio, linkar o texto original E publicar o texto da ameaça, só pra se divertirem.

Eu dou a maior força. É hora dessas empresas entenderem que OPINIÃO é algo que deve ser respeitado, não temido.

E de resto, a foto é ridícula mesmo.


Pirataria vai matar o artista pequeno?

18/09/2009 - 2:34 pm  -  94 comentários


Lilly Allen tem 24 anos, é uma cantora pop britânica bem corretinha, com uma carreira pra lá de decente. Em seu MySpace fez o que poucos artistas ousam fazer: Posicionou-se contra compartilhamento de músicas e pirataria.

Vejam as declarações:

“Eu acho que a pirataria está tendo um efeito perigoso na música britânica, mas alguns artistas realmente ricos e bem-sucedidos como Nick Mason do Pink Floyd e Ed O’Brien do Radiohead parecem não concordar”

“Esses caras de grandes bandas dizem que compartilhar músicas é ok. Pode ser ok pra eles, eles enchem estádios e tem a maior coleção de Ferraris do mundo”

“Para os novos talentos, compartilhamento de arquivos é um desastre, está tornando cada vez mais difícil o surgimento de novos nomes”

“Você não começa na musica com Ferraris, começa com uma grande dívida com sua gravadora, a qual você passa anos se fodendo pra pagar”

“Quando você consegue um contrato, todos aqueles vídeos bonitos e pôsteres divulgando seu disco tem que ser pagos, e como artista, você tem que pagar por eles”

“Eu mal acabei de pagar todo o dinheiro que devo a minha gravadora, e sou sortuda por ter sido bem-sucedida e conseguir pagar, nem todo mundo tem tanta sorte”

“Quanto mais difícil para os novos artistas, menos novos artistas você verá, e a música britânica não será mais que fantoches pagos por Simon Cowell”

“É esse o caminho que a música britânica vai seguir? Óbvio que vou me beneficiar combatendo a pirataria, mas eu acho que sem combatê-la, a música britânica vai sofrer”

“Eu não acho que o que temos é perfeito, é estúpido garotos não poderem comprar nada na Internet sem crédito, forçando-os a roubar o cartão da mãe ou baixar ilegalmente. “

“Compartilhando de arquivos não é OK para a música britânica. Eu quero que as pessoas trabalhem juntas para usar as novas oportunidades digitais para encorajar novos artistas”

Paulada. Mas… e aí?

Bandas novas ralam. É fato. O MySpace Brasil, com suas 800 mil novas bandas (ou algo assim, o número era monstruoso) revelou-se um fracasso. A ferramenta em si não ajuda, pessoas não navegam aleatoriamente “vou descobrir uma banda nova hoje”.

Os ouvintes são criaturas de hábito, principalmente os mais novos, que se casam com suas bandas com mais fidelidade do que com suas namoradas imaginárias. Propor um “som novo” é quase ofensa pessoal.

É preciso todo um trabalho de convencimento, trabalho esse que funciona muito bem em redes sociais, quando bem-feito. Quando mal-feito, transforma o Twitter em MySpace de pobre.

Com a Internet a chamada “democratização do acesso” tornou tão fácil conseguir um CD do Pink Floyd quanto um CD da Fernanda Copatti, mas a Fernanda não lota estádios, não cobra milhões de dólares por show e não tem 30 anos de CDs vendidos e royalties.

Perder 10% das vendas quando se vende 10 milhões de dólares é bem diferente de perder 10% quando se vende R$30 mil. E aí, não importa se o artista está dentro do “esquemão” das gravadoras ou se tornou produtor independente. Os custos continuam existindo.

Eu nunca fui fã da defesa neurótica “Artista tem que ganhar dinheiro com show”. PRIMEIRO eu acho que artista tem que ganhar dinheiro da forma que o artista QUER ganhar dinheiro, não é função ou sequer DIREITO meu dizer como outra pessoa deve ganhar dinheiro.

Segundo, essa justificativa do show, para liberar o oba-oba da pirataria é extremamente cômoda. E os artistas que já morreram, comofas? Danem-se as famílias? Morreu, vira domínio público?

E o caso do Herbert Vianna ou do Marcelo Yuka? “Foi mal, cara, você tomou um tiro na espinha, ficou paraplégico, não consegue tocar mais. Está fora da banda e não tem direito a mais nem um centavo”.

Quem defende que artista só pode ganhar dinheiro com show está dizendo basicamente isso.

Eu não sei qual a profundidade do problema levantado pela Lily Allen, mas as preocupações dela fazem sentido. É muito mais fácil destruir um pequeno do que um grande. O novo livro do Dan Brown já está sendo distribuído nas redes P2P da vida, mas ele venderá milhões de exemplares pra gente que nem sabe que a Internet existe.

Se um livro meu, escrito com fins lucrativos tiver 10, 20, 30% de taxa de pirataria, dado o universo de leitores ordens de magnitude menor, pode ser o suficiente para inviabilizar a próxima edição.

E isso não é bom para ninguém.

Fonte: The Sun


Hasta la vista, jornalista?

21/06/2009 - 3:06 pm  -  30 comentários


Uma das áreas que costumava abrigar jornalistas e até então estava razoavelmente intocada pelas novas mídias era a Assessoria de Imprensa, mas ultimamente celebridades, políticos e famosos em geral estão pulando etapas, lidando diretamente com o público.

Não da forma estéril de vários “blogs de famosos”, como a Eliana,que diz claramente “Não vou falar de minha vida pessoal”, mas comunicação direta,ao vivo e a cores. Quem precisa do Ego ou da Revista Amiga, quando sabemos em primeira mão, da boca do próprio que o Evandro Santo, o Christian Pior irá estrelar um show de Stand Up em agosto?

 

santoevandro

A assessoria de imprensa dele corre o risco de saber DEPOIS dos fãs.

E não é só aqui (nem poderia). Você sabia que o jatinho que o Governator Arnold sopa-de-letra estava fez um pouso de emergência, devido a um princípio de incêndio na cabine de comando? Quem o segue no Twitter ficou sabendo.

 

arnoldinho

OK, assessoria de imprensa também está morta, junto com o jornalismo tradicional, o pessoal que se trata de “coleguinha” deve caminhar pro poço de piche, achar uma bolha de âmbar bem fresca e esperar ser clonado em 75 milhões de anos, certo?

Errado. A menos que você ache graça nos improvisos do Lula.

Deixar figuras públicas se comunicarem direto com os fãs/leitores/eleitores/whatever é muito,muito perigoso. Isso pode facilmente destruir carreiras. A Internet é uma grande zona de confronto, os insatisfeitos estão sempre insatisfeitos e não aceitam qualquer tipo de argumentação.

Inimigos políticos podem e vão usar os recursos online para tentar desestabilizar quem não lhes agrada.

Principalmente, um canal direto, sem intermediários coloca a figura sob os holofotes, pelado. Se o sujeito não for muito ágil, não tiver um bom nível de inteligência, irá se autodestruir. Outro dia várias pessoas comentavam os erros de português constrangedores do Twitter do Boninho.

Se você é uma Carla Perez, não há problema, seu Twitter, Blog, MySpace pode ser escrito batendo com a cabeça (ou mais apropriadamente a bunda) no teclado e os fãs adorarão, é isso que eles esperam. Mas se você é um famoso que vende uma aura de inteligência, cuidado.

Se o seu cliente é um famoso que se encaixa no perfil acima, SE VIRE para explicar que mídias sociais não são para qualquer um, e que ele funcionará melhor tendo uma assessoria por trás. Martin Sheen é magnífico como o Presidente Bartlett em West Wing, mas dando entrevista ao vivo para a campanha de Obama me encheu de Vergonha Alheia.

A principal função do assessor de imprensa é proteger o cliente de si mesmo, e no caso a melhor proteção pode ser mantê-lo LONGE das mídias sociais, por mais que haja pressão para que ele participe. Não há demérito em ter uma assessoria escrevendo seus posts e twitts, SE isso ficar claro e se for demonstrado que há uma comunicação ágil entre assessor/assessorado.

Trocar o Assessor pelo Twitter aliás é uma grande besteira. Não existe release em 140 caracteres. Novas mídias vem para acrescentar, elas só matam as antigas mídias e as antigas profissões quando o ganho é muito significativo. A Internet vai matar os jornais, não os jornalistas. O Twitter vai matar a assessoria de imprensa preguiçosa, que enche site vagabundo com pauta vagabunda, tipo “Ivete Sangalo troca o absorvente”. E só.


Hoje é Dia de Ver Deus

31/03/2009 - 2:23 am  -  15 comentários


Hoje no final do dia Cardoso e Grande Elenco estarão no Googleplex de São Paulo, para uma happy hour onde falarão de Google Maps, YouTube, AdSense, etc. Junto com as palavras-mágicas “Cerveja Gelada”.

O convite, feito para blogueiros parece ser uma tentativa do Google se aproximar desse grupo. Eu vou, fiquei curioso. De todas as empresas de Internet no Brasil, o Google é talvez a mais arredia, causando impressão ruim desde a Campus Party original, quando um representante do AdSense ficou repetindo trechos do regulamento e não respondeu a NENHUMA pergunta, exceto com “vejam o regulamento”.

Com o surgimento de alternativas nacionais como o Boo-Box, Afiliados do Mercado Livre, Submarino e mesmo o UOL, a hegemonia do AdSense foi ameaçada, e a queda significativa nos ganhos, que em média foi de 50% só contribuiu para o fim da Lua de Mel.

O resultado é uma empresa que ainda tem uma imagem extremamente positiva junto aos geeks, mas que ao mesmo tempo consegue ser completamente impessoal, o oposto do que acontece com Microsoft, Nokia, LG e Yahoo!, só para citar as que mantemos mais contato.

Será que esse encontro é uma tentativa de aproximação, uma vontade de mudar a imagem, de criar a mesma cumplicidade positiva que outras empresas tem com a blogosfera?

Eu espero que sim.

Quem quiser acompanhar, farei a cobertura ao vivo do evento via Twitter. Você pode seguir o meu perfil, e ficar de olho na tag #googleblogs


A Maior Inovação da Internet vem dos anos 1950

02/03/2009 - 2:34 pm  -  17 comentários


Eu vejo muita gente em busca de “inovação”. As agências querem inovar, os geradores de conteúdo querem inovar, os blogueiros já estão com medo de virar notícia velha, o Twitter já está sério o bastante para todo mundo usar, só não saber como ganhar dinheiro com ele…

OK, inovar é preciso, mas será mesmo tão essencial assim? Será que nada feito no passado presta, será que todos os modelos são obsoletos?

Nos anos 60 existia um programa chamado Teatrinho Troll, sucesso absoluto. Antes, o Repórter Esso – Testemunha Ocular da História. Eram programas excelentes, que marcaram época, e existiam única e exclusivamente por causa do patrocínio direto. Sim, crianças, anunciantes associavam seus produtos a programas, e as pessoas diziam “viu no Repórter Esso?”

Rápido vôo de DeLorean para o Século XXI. Enquanto o mundo inteiro discute como ganhar dinheiro com YouTube, enquanto nem o Google sabe o que fazer com o elefante branco, um cara chamado Seth MacFarlane, criador de Family Guy e American Dad fecha um acordo para produzir o “Seth MacFarlane’s Cavalcade of Cartoon Comedy.”.

Programetes de um, dois minutos, bem dentro da curta atenção dos espectadores modernos.

Monetização? Dois métodos: AdSense, quando no YouTube, e uma animação curta, relacionada com um anunciante, antes do vídeo em si. Vejam um exemplo que já ficou clássico, o Mário (vai, pergunta) salvando a princesa:

“Você foi raptada por algo que vai em saladas” é uma frase maravilhosa, mas o foco é: “Presented by Burger King“, em uma vinheta antes do filme. Animada, no estilo do desenho, mas ainda uma vinheta publicitária. PATROCÍNIO.

Não dá para ser mais convencional do que isso. Nem o merchandising no Pânico consegue ser tão convencional.

Recapitulando: Temos conteúdo original, veiculado no YouTube, auge da Web 2.0, financiado pelo mesmo modelo de monetização da televisão dos anos 50.

O vídeo acima, com 5 meses de idade teve 11.940.435 de visualizações.

Você acha que o Burguer King não está CAGANDO por não ter “inovado” na publicidade, por seguir um modelo de quase 60 anos de idade, por parecer, aos olhos dos publicitários modernosos um Sabonete Eucalol ou algo assim?

A resposta correta seria “Eu tive 12 milhões de exibições do meu comercial, e você?”

Quantas iniciativas modernas, inovadoras, estilosas conseguem números assim?

Notem, estamos falando de UM vídeo. O pacote com o Google prevê 50, e já há 23 no canal do projeto. O menos visitado, lançado 5 dias atrás, tem 500 mil visualizações.

O melhor de todos, Macacos Falam Sobre Religião, tem 1,3 milhão de visualizações.


Qual a lição que tiramos daqui?

Simples: Inovar é legal mas algumas vezes o foco fica todo na inovação, nos perdemos e esquecemos que não adianta inovar sem ter conteúdo. Eu prefiro um vídeo convencional com um puta conteúdo e que seja visualizado 12 milhões de vezes, a um conceito revolucionário, inovador, genial mas que eu não tenha idéia de como transformar em bufunfa.

Principalmente, só porque uma idéia é antiga, não quer dizer que esteja obsoleta. Aplicar conceitos de patrocínio dos anos 1950 na Internet do Século XXI não tem nada de genial. Genial é perceber que o pessoal que vai te chamar de velho, arcaico, conservador e inimigo da inovação não paga seu aluguel.


Já fomos felizes com 16KB de RAM

16/02/2009 - 9:54 am  -  39 comentários


No começo dos anos 80 surgiu um fenômeno chamado Curso de Informática. Os proto-geeks os freqüentavam, não para aprender a programar (isso aprendíamos no 1o curso) mas para ter acesso a computadores.

Eu mesmo era rato da… COMPUTRONIC.

Como sempre havia horários ociosos os empresários mais espertos permitiam que os alunos ficassem nas salas, brincando com as máquinas. Com isso a gente se matriculava no mesmo curso várias vezes, quando não havia nada novo para aprender, só para poder brincar.

Sim, para nós era brincadeira. Lembre-se, não havia Internet, as máquinas não estavam em rede, não tinham disco rígido, nada. Muitas vezes nem unidades de disquete, escrevíamos os programas , executávamos e no final,  dedo na tomada.

Nessa época, auge da Reserva de Mercado, empresas brasileiras descobriram que havia uma boa grana em copiar produtos de fora sem pagar royalties, daí surgiram os clones, como o CP200, CP300, CP500, TK82, TK83, TK3000 e tantos outros.

Eu lembro que fiquei fascinado pela idéia de ter um computador meu. Era ficção científica, era realização do mais sincero sonho dos Jetsons.

Minha avó, na época vivendo com uma pensão do INPS se compadeceu e comprou para mim, em 12 prestações um CP200 da Prológica.

Ficha, segundo o Museu da Computação e Informática:

  • Linha: Sinclair
  • Compatibilidade: ZX-81
  • Ano de lançamento: Out/1982
  • Processador: Z80 A, de 8 bits
  • Clock: 3,25 MHz
  • Memória RAM: 16KB
  • Memória ROM: 8KB (Sist. Operacional e interpretador BASIC)
  • Teclado: semelhante ao das calculadoras ou chiclete, 43 teclas
  • Tela: 24 linhas x 32 colunas
  • Modo gráfico: 44 linhas por 64 colunas

Eu não acreditei. Era um computador, de verdade! Ligado na televisão, totalmente programável.
Com o tempo aprendi a dominá-lo, primeiro no BASIC residente, depois programando em linguagem de máquina (graças a artigos de revistas como a Micro Sistemas).

Passado algum tempo ganhei um TK90X, que –pasmem- era colorido e tinha alta resolução (256×192 pixels). Depois fui para o Amiga, até hoje o melhor computador que já tive.

Todos esses computadores tinham algo que falta nas máquinas e hoje: Alma. Nós éramos micreiros, não usuários. Também não éramos pseudo-comunistas de software livre tentando transformar nossas máquinas em bandeiras da causa capenga que sobrou para ser abraçada, em tempos pós-Muro de Berlim.

Nós amávamos as nossas máquinas. Não eram ferramentas. Eram caixas maravilhosas que conhecíamos de dentro para fora. Podiam ser o cubo do Hellraiser, ou uma cornucópia mágica. Só dependia da gente.

Eu nunca em momento algum chamei meus amigos de “usuários”. Nós éramos “micreiros”.  Nossos computadores não eram ferramentas. Chamá-los assim seria chamar o robô de Perdidos no Espaço de ferramenta.

Tínhamos a ilusão de que estávamos a um passo de 2001. Que com o programa certo nossos computadores despertariam para a vida, ganharíamos um novo amigo, ou mais precisamente, daríamos o dom da fala para um velho amigo.

Quando ELIZA, um programa  do falecido Joseph Weizenbaum foi portado para a linha Sinclair, e caiu em nossas mãos, foi uma comoção. O computador estava, efetivamente pensando e se comunicando.

Vejam um exemplo de um dialogo entre eu e Eliza, em uma implementação em javascript:

> Hello, I am Eliza.
* I am Carlos.
> How long have you been Carlos?
* since forever
> Tell me more…
* are you a machine?
> Why are you interested in whether or not I am a machine?
* I want to know: Are you a Cylon?
> Would you prefer if I were not a Cylon?
* ye
> Are you Sure?
* yes.
> Come, come, elucidate your thoughts.

Pode parecer bobo, e é, comparado até com o clipe de papel do Office, mas estamos falando dos anos 1980.

Fim da Era Dourada

Com a decadência da Commodore e a saída de linha do Amiga, ficamos restritos aos PCs. Não mais nossas máquinas eram mágicas, completas e fechadas. Éramos “livres”, no sentido freetard da palavra, para montar nosso próprio computador.

A Imortal Lição de Tempos Modernos mais uma vez fez-se acontecer: Com a automatização, perdemos a alma. Não mais tínhamos um COMPUTADOR, tínhamos um amontoado de peças, escolhidas, encaixadas, testadas, conectadas.

De máquinas que “simplesmente funcionavam” passamos a lidar com modems, IRQs, páginas de código, portas COM, gerenciadores de memória, QEMM-386, Stacker, Doublespace, DOS, MS-DOS, PC-DOS, HIMEM, TSRs e um monte de outras coisas chatas que mais atrapalhavam do que ajudavam.

Deixamos de mexer nos micros para descobrir como eles funcionavam, e passamos a mexer neles apenas para fazer com que funcionassem.
 
De micreiros viramos suporte de nós mesmos.

Nunca mais eu interagi com um computador como fazia no passado. A primeira vez que vi um Amiga foi uma experiência religiosa. A primeira vez que vi um PC foi… meh. A última máquina que me causou esse senso de deslumbramento foi uma Silicon Graphics Power Challenger, que encontrei em uma visita na Fiocruz. Mesmo assim o pessoal que trabalhava com ela não dava a mínima.

Eu gostaria que computadores tivessem um destino melhor, mas a Ficção Científica se afastou das máquinas “falantes” e “pensantes”.  A idéia que tínhamos , de que no futuro computadores seriam encontrados em todas as casas, em todas a lojas e fariam parte de nossas vidas efetivamente aconteceu.

Se hoje computadores são tão comuns quanto geladeiras e televisões, não são menos mundanos.

Realizamos nosso sonho. Todos usam computadores.  O preço foi nosso deslumbramento, nossa inocência e a própria alma das máquinas que tanto gostávamos.

HAL-9000 se tornou uma realidade, mas na forma de uma torradeira. E isso é triste.


A Internet não acabará com os Tiranos, mas os deixará com cara de idiotas

09/02/2009 - 8:45 pm  -  39 comentários


Em um debate na penúltima Campus Party um jornalista um tanto ingênuo começou um discurso sobre como a Internet trará a Liberdade para os Oprimidos, Comida aos Famintos, exterminará toda a Tirania, mostrará que o Bem Vence o Mal, Espanta o Temporal, etc.

Retruquei com a pergunta retórica “como você me explica a China?”

Internet significa acesso a informação, mas só isso não basta. Se Informação fosse Poder as bibliotecárias dominariam o mundo, e a única bibliotecária mais ou menos poderosa que conheço é a Bárbara Gordon.

O Governo Chinês detém o poder político e o poder de facto, o que eles perderam com a Internet foi o poder de reescrever a realidade. O que já é mais do que gostariam de ter perdido, se bem que eu acho que não se tocaram, ainda.

É possível manter um governo totalitário com a Internet, não dá mais é pra chamar seu Povo de idiota.

Embora a Internet chinesa seja bem censurada, controlar o que se vê online é como arrebanhar gatos. Não dá. O vídeo da Cicarelli foi muito mais visto DEPOIS de proibido do que antes. Sites bloqueados significam clones imediatos espalhados pelo mundo.

A quantidade de fontes de informação online é MUITO grande, ela chega até o indivíduo. Antigamente se alguém quisesse censurar algo bastava mandar soldados para meia-dúzia de emissoras de TV, rádios e redações de jornais .

Hoje em dia TODO usuário de Internet com algo mais moderno que um Startac é um gerador de informação em potencial. Censurar essa quantidade de gente, sem aleijar a estrutura de comunicação do pais é inviável.

Em 1989 a cena acima percorreu o mundo, graças à CNN. A China Comunista ainda não estava acostumada com modernidades como transmissões via-satélite ao vivo. Depois disso toda equipe de TV estrangeira é acompanhada por um censor local, que corta na hora se algo for inconveniente.

O que não contaram é que a juventude chinesa já conta com celulares, laptops, etc.

Assim quando um dos prédios da TV Estatal Chinesa pegou fogo, às 21h de 9/2/09 (hora de Pequim) a ordem foi “censura!”

A televisão não parou a transmissão das festividades de ano-novo, simplesmente não reportaram o fogo. Só que todo mundo com um celular com câmera começou a postar nos Fóruns e blogs.

Logo alguém percebeu e posts em Fóruns falando do incêndio começaram a sumir.  Emails do Governo alertavam aos moderadores para não publicar mais nada sobre o incêndio, nem fotos, vídeos nem relatos, e direcionar somente para o link oficial da Agência de Notícias Estatal.

Pelo vídeo acima e as fotos que ilustram a matéria dá pra perceber que não funcionou muito bem.
Ponto para os Internautas chineses. Já os burocratas do Governo ficaram com a cara de sempre.

Fonte: Chinasmack


Sobre os Blogueiros de Novela

07/02/2009 - 8:47 pm  -  57 comentários


Eu vi muita gente reclamando da novela das oito atual ter um blogueiro. Vi reclamações no estilo “A Glória Perez não consultou a blogosfera”, o evento que fizeram foi só showzinho pra impressionar o pessoal dos blogs, vão mostrar tudo errado, bla bla e bla.

Curioso é que não é nem a primeira novela que ela escreve com Internet no meio. Lembram do Cigano Igor? Pois é, tinha Internet também, em Explode Coração, 1995. Portando a Glória já falava de Internet bem antes de todo mundo aqui ter blog. Hora de enfiar a viola no saco e deixá-la escrever novela sobreo que quiser, incluindo blogs.

Não que eu seja fã.

Eu até poderia dizer que não gosto das novelas dela, que a Glória assim com Dan Brown achou uma fórmula vencedora e não se afasta mais dela, mas seria uma precisão injusta. Eu não gosto de novelas em geral faz tempo, hoje em dia só me entristeço de não conseguir assistir a novela dos Mutantes, mas é porque eu adoro um trash.

Mesmo assim não desejo o fracasso para a novela da Glória. Sou indiferente. Não acho que blog seja algo tão mais importante quanto engenharia, medicina, espionagem, gerência de lanchonetes e tantas outras profissões que Hollywood não “pegou direito”. Aliás, nem quero que pegue.

Eu vi o começo de uma novela onde um helicóptero fazia peripécias pelo porto do Rio, no final pousava e a piloto era uma Louraça Belzebu, a cena era risível em vários aspectos, mas funcionava, afinal era uma novela, não um documentário da Bell Aerospace.

Eu não acho que o blogueiro da Glória vá causar mais dano que os “especialistas” de CSI, Criminal Minds, Num3ers e outras séries.

A idéia do personagem ter um blog é legal. Não é original, quando foi lançado o primeiro Matrix a empresa do Neo tinha um site, com direito a busca no registro de empregados e tudo. Essa “Realidade Aumentada” é MUITO divertida, e funciona. Deve sim ser usada. Fãs de Big Bang Theory por exemplo seguem religiosamente o Twitter dos personagens. Eu só não sigo a Penny.

Fazer parte da brincadeira é legal.

Só acho que, se pretendem atingir blogs como formadores de opinião, devem dar mais atenção aos detalhes. Fui ver o tal blog do personagem, e eu não o linkaria ou seguiria no Twitter não por ser um “fake”criado pela Venus Platinada para dominar as massas na incessante busca por poder de Roberto Marinho (eu sei que ele morreu, não precisa avisar).

Eu não o seguiria porque sou chato. Os designers contratados pela Globo fizeram um layout pseudo-bacaninha, mas que JAMAIS seria feito por um verdadeiro nerd:

Afinal de contas que nerd de respeito colocaria no layout do blog um Modem PCI caindo aos pedaços e uma placa VGA de 1993?


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