Afe. Vício em Internet agora é distúrbio mental

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As pessoas não estão ficando mais doentes, os médicos que estão aumentando seu vocabulário. Antigamente você era uma criança arteira. Hoje tem Asperger. Se você era distraído, hoje tem Síndrome de Déficit de Atenção. Ficou triste por perder a namorada? Ah, depressão. Prozac nele. Entrou em modo sabático para entregar um projeto, está entusiasmado e só pensa naquilo? Com certeza é bipolar e em fase maníaca.

Uma das melhores características da Humanidade, nossa capacidade de vivenciar todo um espectro de emoções agora virou mera fonte de sintomas. Há uma estrita área de "normalidade" de onde ninguém pode sair, sob pena de ser diagnosticado com uma psicopatologia qualquer.

Agora o prestigiado American Journal of Psychiatry publicou um artigo de um tal de Jerald Block (não chamo de Dr, Dr só uso para supervilões, como Dr Doom ou Dr Encolhedor) que propõe incluir Vício em Internet no Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders, o manual de referência oficial dos psiquiatras americanos.

Ele cita trabalhos na Coréia do Sul que dizer estimar 168.000 crianças precisando de tratamento químico, para combater seu vício em Internet, e a China alega ter 10 milhões de adolescentes cujo uso de Internet é considerado patológico.

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Entre os efeitos causados por longa exposição à web temos compulsão, síndrome de abstinência, perda de orientação temporal e repercussões sociais negativas.

Pára. Desde que me entendo por iGente, com os antigos BBS, o que MAIS o mundo online serviu foi para aumentar a socialização. Até os mais esquisitos se beneficiam disso. Quem vai aos PalmChopps no Rio conhece o Gollum e sabe do que estou falando.

Existe gente que é comprador compulsivo, existe gente que é viciada em jogos, online ou não. Já virei a noite jogando Age of Empires, nos computadores da empresa de uns amigos, tínhamos sessões 2 ou 3 vezes por semana, até a madrugada. Éramos psicóticos? Não, estávamos nos divertindo. Existe gente que só consegue se relacionar pelo computador? SIM, a graça é que com o tempo a maioria desses acaba comparecendo a eventos ao vivo, acaba conhecendo gente que já é familiar. Jamais fariam isso SEM o computador.

O nerd desajustado social é muito mais sacrificado ao vivo do que online. A maioria se descobre na Internet, e ganha suas "pernas" graças a ela.

Quando o sujeito faz tudo errado, quando ele só sabe ser um troll socialmente desajustado mesmo online, a culpa não é da Internet. Quando o sujeito joga World of Warcraft até morrer, como um daqueles Coreanos, a culpa é do jogo, da Internet ou de um problema que se manifestaria jogando dominó até morrer, se a Internet não existisse?

Será que essas crianças não estariam mais felizes sendo crianças, sem culpa ou diagnóstico, ao invés de ter que tomar Ritalina por… agirem como crianças? Será que ao invés de achar mil culpas (agora é a Internet) não seria melhor aceitar que o problema está nos indivíduos? "Eu sou bonzinho,a  Internet que me fez assim". Não, meu amigo. Se você deixa de comer e ir ao banheiro para ficar jogando, você tem problemas, não a Internet.

Não estou trivializando as psicopatologias. Pelo contrário. Elas existem, são sérias, e não devem virar lugar-comum. Por outro lado não podem ser usadas como desculpa para tudo. É quase a versão moderna da possessão demoníaca. VOCÊ não fez nada, foi a doença, causada pela Internet. Não é assim que a banda toca. Não é a doença que vai determinar quem você é, não vai determinar sua essência. Você não é bom ou mau por ter depressão crônica, ou ser borderline. Como disse uma pessoa muito querida, que conhece cérebros por dentro e por fora, "Também existe bipolar mau-caráter". É verdade. De verdade ou de mentirinha, não dá para usar a doença como justificativa para tudo. Infelizmente, ao invés de perceber isso, o que os médicos estão fazendo é criar NOVAS doenças. É cômodo, paga as contas, mas como fica o direito inalienável da criança de ser uma peste, mas uma peste absolutamente saudável?

Hoje no Gafanhoto o evento que todo Leitor de Títulos odiará

paimei

Recebi um convite do Marido da Marina para um evento bem interessante (leia-se: coquetel) no Gafanhoto: O Gafanhoto Web Innovation (todo evento pra ser chique tem que ter nome em inglês?)

A programação promete: (copy/paste ATIVAR!)

Gilberto Soares, co-fundador do Xpock (www.xpock.tv), site de vídeos que possui um dos sistemas de estatísticas mais apurados do mundo;

Marco Gomes e Marcos Tanaka, respectivamente programador e administrador da Boo-Box (www.boo-box.com), um dos principais serviços de venda contextualizada na internet;

Vasco Furtado, pós-doutorando em informática pela Universidade de Stanford e criador do WikiCrimes (www.wikicrimes.org), site colaborativo sobre crimes;

Michael Quoc e Matt Fukuda, respectivamente Diretor de gerenciamento de produtos e designer-chefe de produtos avançados do Yahoo! BrickHouse, área de inovação do maior portal do mundo. Durante esta última palestra, contaremos com a presença de um intérprete.

Manoel Lemos, diretor do BlogBlogs, comandará uma mesa redonda sobre inovação reunindo os palestrantes. (http://www.blogblogs.com.br).

Notem a agradável ausência de uma discussão sobre monetização.

Fica mais chique ainda:

Vocês, Os Convidados, serão agraciados também com um sensacional Coquetel, e um delicioso Show de Jazz com a Banda Plano B.

Uau, Os Convidados, com maiúscula e tudo. Me senti mais importante do que finjo achar que sou para implicar com os leitores chatos que odeiam blogueiros.

Confirmei presença, então comentei com o pessoal de São Paulo, perguntando quem iria. Alguns confirmaram, outros disseram "mimimi não fui convidado, buá, ninguém me ama ninguém me quer, ninguém me chama de Baudelaire". (esse foi o Cobra)

Então fui no site do evento e li as letrinhas miúdas (na verdade letrinhas normais, no final do post)

Para garantir sua presença escreva para innovation@gafanhoto.com.br . O evento é gratuito, mas as vagas são limitadas.

Isso mesmo. Eu sou um d´Os Convidados de um evento gratuito aberto ao público. Sabem o melhor? Os blogueiros presentes vão escrever sobre o encontro, eu vou escrever sobre o encontro e todos receberemos comentários de leitores de títulos (e do Cobra) reclamando de panela, que nunca são chamados para nada, que não damos espaços aos iniciantes, bla bla bla.

Lição de casa, meninos e meninas: LEIAM COM ATENÇÃO E CONFIRAM AS INFORMAÇÕES. Pode não ser bom em alguns casos -momentaneamente não me sinto o máximo- mas no geral informação nunca é demais. Evita problemas futuros, constrangimentos e oportunidades perdidas. E se há algo na vida que não podemos perder são oportunidades.

Arrepender-se de fazer é ruim, mas arrepender-se por NÃO fazer algo é o fim do mundo.

PS: Eu ia colocar uma foto do Kwai Chang Caine, mas o Pequeno Gafanhoto era só um aprendiz, e Pai Mei é o Poder.

Proxxima 2008 - post-mortem

Minha Avaliação do Proxxima 2008

1 - publicitários não conhecem blogs

2 - publicitários querem anunciar em blogs

3 - blogs não têm estrutura para gerenciar publicidade

4 - blogueiros não sabem falar para publicitários

5 - estou conseguindo gaguejar menos, consegui até dar entrevista sem me enrolar

6 - blogueiros não sabem se preparar para nada que não seja blogcamp

7 - nada como ser atropelado pelo Grande Rolo-Compressor da Experiência

8 - apresentações ruins também geram contatos, convites e propostas.

Minhas Resoluções para o próxximo evento:

1 - não fazer trocadilhos bestas com o nome do evento

2 - criar tags para o Cris Dias entender minhas piadas

3 - levar números e cases, vários cases

4 - avaliar o público e falar a linguagem DELES, não a minha

5 - dar uma dose de saquê pro Fugita se soltar, ele faz falta

6 - planejar que mensagem quero passar, e não ficar ao sabor do vento, ou da moderação

7 - não assumir que todo mundo tem consciência do quanto somos lindos maravilhosos e merecemos seu rico dinheirinho

8 - não cair nas armadilhas reducionistas. Foda-se “post pago”, estávamos falando de uma mídia como um todo

9 - Ir com uma camiseta com o logo do meu blog. Dizem que ajuda

10 - Imprimir o material de consulta. Eu sei, eu sei, mas danem-se as árveres, ainda não há nada mais fácil de consultar do que papel

11 - preparar demonstrações dramáticas. Todo mundo Twittando no evento e isso não foi usado para demonstrar a nova mídia?

12 - criar vergonha na cara e preparar frases de efeito com antecedência. Pombas, será que eu acho mesmo que o Steve Jobs pensa em tudo na hora e sozinho?

A História, como sempre, me deu razão

Há pouco a acrescentar, depois deste email que recebi do Geraldo Neto de Goiânia, reproduzido aqui, com permissão:

Cardoso, bom dia.

Sou leitor do seu blog. Sou jornalista por formação. Trabalho numa assessoria de imprensa aqui em Goiânia e acho muito pertinente suas opiniões sobre as alterações (ou necessidade delas) na mídia impressa, que não necessariamente acontecem.

Tu comentou dias atrás num post sobre uma manchete do Extra (Fidel chama o Raul). No texto, você comentou da formalidade que impera na mídia tradicional e que o próprio leitor busca algo mais próximo de sua relalidade e que os blogs caminham nesta direção.

Pois aqui em Goiânia o maior jornal do Estado (O Popular) está seguindo este caminho. Ele estreou seu novo layout e mudou também um pouco do conteúdo a partir da edição de ontem. Site do jornal: www.opopular.com.br.

A matéria que fala das alterações diz exatamente o que vc comentou: eles estão caminhando para um projeto mais próximo do povo, aumentando o espaço para opinião do leitor (coisa que os blogs fazem com os comentários) e tirando a sisudez do jornal.

O exemplo disso foi a manchete da edição de ontem: “Devagar, quase parando” - matéria sobre o trânsito trucado de Goiânia. O título da matéria sobre o trânsito, dentro do jornal, é: “É devagar, é devagar, devagarinho”. Claramente foi usada um trecho da conhecida música de Martinho da Vila. E na a matéria que explica o que mudou, cita este título musical e explica: “Títulos: liberdade para fazê-los de forma mais criativa”.

O importante aqui é o seguinte: O Popular é um exemplo de jornal dito “sisudo”. Não é como os populares Extra, de SP, que são sensacionalistas por natureza. Ou seja, os jornais ditos “mais sérios” estão sim tendo que passar por mudanças.

Achei interessante sua análise e o jornal ter mudado exatamente como você comentou, por isso sugiro o assunto para sua análise.

Abraço e continue com o bom trabalho.


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