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Hoje é Dia de Ver Deus

31/03/2009 - 2:23 am  -  15 comentários


Hoje no final do dia Cardoso e Grande Elenco estarão no Googleplex de São Paulo, para uma happy hour onde falarão de Google Maps, YouTube, AdSense, etc. Junto com as palavras-mágicas “Cerveja Gelada”.

O convite, feito para blogueiros parece ser uma tentativa do Google se aproximar desse grupo. Eu vou, fiquei curioso. De todas as empresas de Internet no Brasil, o Google é talvez a mais arredia, causando impressão ruim desde a Campus Party original, quando um representante do AdSense ficou repetindo trechos do regulamento e não respondeu a NENHUMA pergunta, exceto com “vejam o regulamento”.

Com o surgimento de alternativas nacionais como o Boo-Box, Afiliados do Mercado Livre, Submarino e mesmo o UOL, a hegemonia do AdSense foi ameaçada, e a queda significativa nos ganhos, que em média foi de 50% só contribuiu para o fim da Lua de Mel.

O resultado é uma empresa que ainda tem uma imagem extremamente positiva junto aos geeks, mas que ao mesmo tempo consegue ser completamente impessoal, o oposto do que acontece com Microsoft, Nokia, LG e Yahoo!, só para citar as que mantemos mais contato.

Será que esse encontro é uma tentativa de aproximação, uma vontade de mudar a imagem, de criar a mesma cumplicidade positiva que outras empresas tem com a blogosfera?

Eu espero que sim.

Quem quiser acompanhar, farei a cobertura ao vivo do evento via Twitter. Você pode seguir o meu perfil, e ficar de olho na tag #googleblogs



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A Maior Inovação da Internet vem dos anos 1950

02/03/2009 - 2:34 pm  -  17 comentários


Eu vejo muita gente em busca de “inovação”. As agências querem inovar, os geradores de conteúdo querem inovar, os blogueiros já estão com medo de virar notícia velha, o Twitter já está sério o bastante para todo mundo usar, só não saber como ganhar dinheiro com ele…

OK, inovar é preciso, mas será mesmo tão essencial assim? Será que nada feito no passado presta, será que todos os modelos são obsoletos?

Nos anos 60 existia um programa chamado Teatrinho Troll, sucesso absoluto. Antes, o Repórter Esso – Testemunha Ocular da História. Eram programas excelentes, que marcaram época, e existiam única e exclusivamente por causa do patrocínio direto. Sim, crianças, anunciantes associavam seus produtos a programas, e as pessoas diziam “viu no Repórter Esso?”

Rápido vôo de DeLorean para o Século XXI. Enquanto o mundo inteiro discute como ganhar dinheiro com YouTube, enquanto nem o Google sabe o que fazer com o elefante branco, um cara chamado Seth MacFarlane, criador de Family Guy e American Dad fecha um acordo para produzir o “Seth MacFarlane’s Cavalcade of Cartoon Comedy.”.

Programetes de um, dois minutos, bem dentro da curta atenção dos espectadores modernos.

Monetização? Dois métodos: AdSense, quando no YouTube, e uma animação curta, relacionada com um anunciante, antes do vídeo em si. Vejam um exemplo que já ficou clássico, o Mário (vai, pergunta) salvando a princesa:

“Você foi raptada por algo que vai em saladas” é uma frase maravilhosa, mas o foco é: “Presented by Burger King“, em uma vinheta antes do filme. Animada, no estilo do desenho, mas ainda uma vinheta publicitária. PATROCÍNIO.

Não dá para ser mais convencional do que isso. Nem o merchandising no Pânico consegue ser tão convencional.

Recapitulando: Temos conteúdo original, veiculado no YouTube, auge da Web 2.0, financiado pelo mesmo modelo de monetização da televisão dos anos 50.

O vídeo acima, com 5 meses de idade teve 11.940.435 de visualizações.

Você acha que o Burguer King não está CAGANDO por não ter “inovado” na publicidade, por seguir um modelo de quase 60 anos de idade, por parecer, aos olhos dos publicitários modernosos um Sabonete Eucalol ou algo assim?

A resposta correta seria “Eu tive 12 milhões de exibições do meu comercial, e você?”

Quantas iniciativas modernas, inovadoras, estilosas conseguem números assim?

Notem, estamos falando de UM vídeo. O pacote com o Google prevê 50, e já há 23 no canal do projeto. O menos visitado, lançado 5 dias atrás, tem 500 mil visualizações.

O melhor de todos, Macacos Falam Sobre Religião, tem 1,3 milhão de visualizações.


Qual a lição que tiramos daqui?

Simples: Inovar é legal mas algumas vezes o foco fica todo na inovação, nos perdemos e esquecemos que não adianta inovar sem ter conteúdo. Eu prefiro um vídeo convencional com um puta conteúdo e que seja visualizado 12 milhões de vezes, a um conceito revolucionário, inovador, genial mas que eu não tenha idéia de como transformar em bufunfa.

Principalmente, só porque uma idéia é antiga, não quer dizer que esteja obsoleta. Aplicar conceitos de patrocínio dos anos 1950 na Internet do Século XXI não tem nada de genial. Genial é perceber que o pessoal que vai te chamar de velho, arcaico, conservador e inimigo da inovação não paga seu aluguel.



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Já fomos felizes com 16KB de RAM

16/02/2009 - 9:54 am  -  47 comentários


No começo dos anos 80 surgiu um fenômeno chamado Curso de Informática. Os proto-geeks os freqüentavam, não para aprender a programar (isso aprendíamos no 1o curso) mas para ter acesso a computadores.

Eu mesmo era rato da… COMPUTRONIC.

Como sempre havia horários ociosos os empresários mais espertos permitiam que os alunos ficassem nas salas, brincando com as máquinas. Com isso a gente se matriculava no mesmo curso várias vezes, quando não havia nada novo para aprender, só para poder brincar.

Sim, para nós era brincadeira. Lembre-se, não havia Internet, as máquinas não estavam em rede, não tinham disco rígido, nada. Muitas vezes nem unidades de disquete, escrevíamos os programas , executávamos e no final,  dedo na tomada.

Nessa época, auge da Reserva de Mercado, empresas brasileiras descobriram que havia uma boa grana em copiar produtos de fora sem pagar royalties, daí surgiram os clones, como o CP200, CP300, CP500, TK82, TK83, TK3000 e tantos outros.

Eu lembro que fiquei fascinado pela idéia de ter um computador meu. Era ficção científica, era realização do mais sincero sonho dos Jetsons.

Minha avó, na época vivendo com uma pensão do INPS se compadeceu e comprou para mim, em 12 prestações um CP200 da Prológica.

Ficha, segundo o Museu da Computação e Informática:

  • Linha: Sinclair
  • Compatibilidade: ZX-81
  • Ano de lançamento: Out/1982
  • Processador: Z80 A, de 8 bits
  • Clock: 3,25 MHz
  • Memória RAM: 16KB
  • Memória ROM: 8KB (Sist. Operacional e interpretador BASIC)
  • Teclado: semelhante ao das calculadoras ou chiclete, 43 teclas
  • Tela: 24 linhas x 32 colunas
  • Modo gráfico: 44 linhas por 64 colunas

Eu não acreditei. Era um computador, de verdade! Ligado na televisão, totalmente programável.
Com o tempo aprendi a dominá-lo, primeiro no BASIC residente, depois programando em linguagem de máquina (graças a artigos de revistas como a Micro Sistemas).

Passado algum tempo ganhei um TK90X, que –pasmem- era colorido e tinha alta resolução (256×192 pixels). Depois fui para o Amiga, até hoje o melhor computador que já tive.

Todos esses computadores tinham algo que falta nas máquinas e hoje: Alma. Nós éramos micreiros, não usuários. Também não éramos pseudo-comunistas de software livre tentando transformar nossas máquinas em bandeiras da causa capenga que sobrou para ser abraçada, em tempos pós-Muro de Berlim.

Nós amávamos as nossas máquinas. Não eram ferramentas. Eram caixas maravilhosas que conhecíamos de dentro para fora. Podiam ser o cubo do Hellraiser, ou uma cornucópia mágica. Só dependia da gente.

Eu nunca em momento algum chamei meus amigos de “usuários”. Nós éramos “micreiros”.  Nossos computadores não eram ferramentas. Chamá-los assim seria chamar o robô de Perdidos no Espaço de ferramenta.

Tínhamos a ilusão de que estávamos a um passo de 2001. Que com o programa certo nossos computadores despertariam para a vida, ganharíamos um novo amigo, ou mais precisamente, daríamos o dom da fala para um velho amigo.

Quando ELIZA, um programa  do falecido Joseph Weizenbaum foi portado para a linha Sinclair, e caiu em nossas mãos, foi uma comoção. O computador estava, efetivamente pensando e se comunicando.

Vejam um exemplo de um dialogo entre eu e Eliza, em uma implementação em javascript:

> Hello, I am Eliza.
* I am Carlos.
> How long have you been Carlos?
* since forever
> Tell me more…
* are you a machine?
> Why are you interested in whether or not I am a machine?
* I want to know: Are you a Cylon?
> Would you prefer if I were not a Cylon?
* ye
> Are you Sure?
* yes.
> Come, come, elucidate your thoughts.

Pode parecer bobo, e é, comparado até com o clipe de papel do Office, mas estamos falando dos anos 1980.

Fim da Era Dourada

Com a decadência da Commodore e a saída de linha do Amiga, ficamos restritos aos PCs. Não mais nossas máquinas eram mágicas, completas e fechadas. Éramos “livres”, no sentido freetard da palavra, para montar nosso próprio computador.

A Imortal Lição de Tempos Modernos mais uma vez fez-se acontecer: Com a automatização, perdemos a alma. Não mais tínhamos um COMPUTADOR, tínhamos um amontoado de peças, escolhidas, encaixadas, testadas, conectadas.

De máquinas que “simplesmente funcionavam” passamos a lidar com modems, IRQs, páginas de código, portas COM, gerenciadores de memória, QEMM-386, Stacker, Doublespace, DOS, MS-DOS, PC-DOS, HIMEM, TSRs e um monte de outras coisas chatas que mais atrapalhavam do que ajudavam.

Deixamos de mexer nos micros para descobrir como eles funcionavam, e passamos a mexer neles apenas para fazer com que funcionassem.
 
De micreiros viramos suporte de nós mesmos.

Nunca mais eu interagi com um computador como fazia no passado. A primeira vez que vi um Amiga foi uma experiência religiosa. A primeira vez que vi um PC foi… meh. A última máquina que me causou esse senso de deslumbramento foi uma Silicon Graphics Power Challenger, que encontrei em uma visita na Fiocruz. Mesmo assim o pessoal que trabalhava com ela não dava a mínima.

Eu gostaria que computadores tivessem um destino melhor, mas a Ficção Científica se afastou das máquinas “falantes” e “pensantes”.  A idéia que tínhamos , de que no futuro computadores seriam encontrados em todas as casas, em todas a lojas e fariam parte de nossas vidas efetivamente aconteceu.

Se hoje computadores são tão comuns quanto geladeiras e televisões, não são menos mundanos.

Realizamos nosso sonho. Todos usam computadores.  O preço foi nosso deslumbramento, nossa inocência e a própria alma das máquinas que tanto gostávamos.

HAL-9000 se tornou uma realidade, mas na forma de uma torradeira. E isso é triste.



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A Internet não acabará com os Tiranos, mas os deixará com cara de idiotas

09/02/2009 - 8:45 pm  -  40 comentários


Em um debate na penúltima Campus Party um jornalista um tanto ingênuo começou um discurso sobre como a Internet trará a Liberdade para os Oprimidos, Comida aos Famintos, exterminará toda a Tirania, mostrará que o Bem Vence o Mal, Espanta o Temporal, etc.

Retruquei com a pergunta retórica “como você me explica a China?”

Internet significa acesso a informação, mas só isso não basta. Se Informação fosse Poder as bibliotecárias dominariam o mundo, e a única bibliotecária mais ou menos poderosa que conheço é a Bárbara Gordon.

O Governo Chinês detém o poder político e o poder de facto, o que eles perderam com a Internet foi o poder de reescrever a realidade. O que já é mais do que gostariam de ter perdido, se bem que eu acho que não se tocaram, ainda.

É possível manter um governo totalitário com a Internet, não dá mais é pra chamar seu Povo de idiota.

Embora a Internet chinesa seja bem censurada, controlar o que se vê online é como arrebanhar gatos. Não dá. O vídeo da Cicarelli foi muito mais visto DEPOIS de proibido do que antes. Sites bloqueados significam clones imediatos espalhados pelo mundo.

A quantidade de fontes de informação online é MUITO grande, ela chega até o indivíduo. Antigamente se alguém quisesse censurar algo bastava mandar soldados para meia-dúzia de emissoras de TV, rádios e redações de jornais .

Hoje em dia TODO usuário de Internet com algo mais moderno que um Startac é um gerador de informação em potencial. Censurar essa quantidade de gente, sem aleijar a estrutura de comunicação do pais é inviável.

Em 1989 a cena acima percorreu o mundo, graças à CNN. A China Comunista ainda não estava acostumada com modernidades como transmissões via-satélite ao vivo. Depois disso toda equipe de TV estrangeira é acompanhada por um censor local, que corta na hora se algo for inconveniente.

O que não contaram é que a juventude chinesa já conta com celulares, laptops, etc.

Assim quando um dos prédios da TV Estatal Chinesa pegou fogo, às 21h de 9/2/09 (hora de Pequim) a ordem foi “censura!”

A televisão não parou a transmissão das festividades de ano-novo, simplesmente não reportaram o fogo. Só que todo mundo com um celular com câmera começou a postar nos Fóruns e blogs.

Logo alguém percebeu e posts em Fóruns falando do incêndio começaram a sumir.  Emails do Governo alertavam aos moderadores para não publicar mais nada sobre o incêndio, nem fotos, vídeos nem relatos, e direcionar somente para o link oficial da Agência de Notícias Estatal.

Pelo vídeo acima e as fotos que ilustram a matéria dá pra perceber que não funcionou muito bem.
Ponto para os Internautas chineses. Já os burocratas do Governo ficaram com a cara de sempre.

Fonte: Chinasmack



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Sobre os Blogueiros de Novela

07/02/2009 - 8:47 pm  -  57 comentários


Eu vi muita gente reclamando da novela das oito atual ter um blogueiro. Vi reclamações no estilo “A Glória Perez não consultou a blogosfera”, o evento que fizeram foi só showzinho pra impressionar o pessoal dos blogs, vão mostrar tudo errado, bla bla e bla.

Curioso é que não é nem a primeira novela que ela escreve com Internet no meio. Lembram do Cigano Igor? Pois é, tinha Internet também, em Explode Coração, 1995. Portando a Glória já falava de Internet bem antes de todo mundo aqui ter blog. Hora de enfiar a viola no saco e deixá-la escrever novela sobreo que quiser, incluindo blogs.

Não que eu seja fã.

Eu até poderia dizer que não gosto das novelas dela, que a Glória assim com Dan Brown achou uma fórmula vencedora e não se afasta mais dela, mas seria uma precisão injusta. Eu não gosto de novelas em geral faz tempo, hoje em dia só me entristeço de não conseguir assistir a novela dos Mutantes, mas é porque eu adoro um trash.

Mesmo assim não desejo o fracasso para a novela da Glória. Sou indiferente. Não acho que blog seja algo tão mais importante quanto engenharia, medicina, espionagem, gerência de lanchonetes e tantas outras profissões que Hollywood não “pegou direito”. Aliás, nem quero que pegue.

Eu vi o começo de uma novela onde um helicóptero fazia peripécias pelo porto do Rio, no final pousava e a piloto era uma Louraça Belzebu, a cena era risível em vários aspectos, mas funcionava, afinal era uma novela, não um documentário da Bell Aerospace.

Eu não acho que o blogueiro da Glória vá causar mais dano que os “especialistas” de CSI, Criminal Minds, Num3ers e outras séries.

A idéia do personagem ter um blog é legal. Não é original, quando foi lançado o primeiro Matrix a empresa do Neo tinha um site, com direito a busca no registro de empregados e tudo. Essa “Realidade Aumentada” é MUITO divertida, e funciona. Deve sim ser usada. Fãs de Big Bang Theory por exemplo seguem religiosamente o Twitter dos personagens. Eu só não sigo a Penny.

Fazer parte da brincadeira é legal.

Só acho que, se pretendem atingir blogs como formadores de opinião, devem dar mais atenção aos detalhes. Fui ver o tal blog do personagem, e eu não o linkaria ou seguiria no Twitter não por ser um “fake”criado pela Venus Platinada para dominar as massas na incessante busca por poder de Roberto Marinho (eu sei que ele morreu, não precisa avisar).

Eu não o seguiria porque sou chato. Os designers contratados pela Globo fizeram um layout pseudo-bacaninha, mas que JAMAIS seria feito por um verdadeiro nerd:

Afinal de contas que nerd de respeito colocaria no layout do blog um Modem PCI caindo aos pedaços e uma placa VGA de 1993?



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Evoluir também tem seu preço

09/01/2009 - 1:46 am  -  41 comentários


Essa semana estava em um agradável jantar comemorativo de Bodas de Madeira, de um casal amigo, quando o grupo começou a discutir sobre a virtude da Sandy, e como ela ainda se mantinha virgem e imaculada, mesmo após casada (fácil, casou com blogueiro).

No meio da conversa, a dúvida: Qual seria a idade da Sandy Leah Lima? Ela pode ter qualquer coisa de 14 pra cima…

Enquanto a conversa desviava para os 100ml de silicone que ela colocou, eu quase sem pensar puxei o celular, pesquisei no Google e descobri que Sandy tem -pasmem- 26 anos.

Do outro lado da mesa uma cidadã que não tinha ainda chegado na casa dos 30 não botou fé. No meu ato, a idade da Sandy foi bem assimilada pelos presentes.

“Não acredito que você fez isso!”

Eu demorei a entender, mas aí a ficha caiu: O ato de usar um smartphone para consultar uma informação corriqueira era completamente alienígena para ela.

Não critique. 5 anos atrás era para você também, 10 anos atrás ter celular já era luxo e 20 anos atrás nem com todo o dinheiro do Banco Central.

Que fique claro que em momento algum eu estava me exibindo. Quando quero tirar onda puxo o iPod Touch. O ato foi completamente natural, algo que faço corriqueiramente, seja para localizar uma rua, seja para twittar alguma coisa.

Pensando sobre o espanto da moça em questão (sim, estou sendo muito gentil com os adjetivos. Obviamente ela era bonita) eu fiquei feliz. Não por ter alguma superioridade tecnológica em relação aos presentes, mas por não estar obsoleto.

Eu tenho muito medo de me acomodar, de virar um Vovô Simpson. Tenho esse medo desde a primeira vez que botei as mãos em um computador. Eu gosto de tecnologia, amo coisas com botões (ou quase sem botões, como o Touch) e como vivo disso, preciso estar atualizado. Mais ainda, não posso ter preconceito contra novidades. Me reservo ao direito de não gostar de muita coisa, como o Second Life, e não dar bola para tecnologias que um dia quem sabe pode ser que se tiverem uma chance vão salvar o mundo das cáries, como o Linux e o OLPC. Mas não posso me dar ao luxo de ignorar essas tecnologias, nem de dizer que não funcionam por serem chatas feias e bobas.

Quando o telefone foi inventado um burocrata inglês disse que a tecnologia era boa mas não tinham necessidade, na Inglaterra eles dispunham de muitos mensageiros.

É essa postura que nunca quero ter. Ela é quase tão ruim quando o oposto, o deslumbramento.

Tecnologia não funciona em pedestais, tecnologia só funciona quando faz parte do dia-a-dia. Eu gostava de ser um dos poucos com telefone celular, da TELEST do Espírito Santo maceteado pra funcionar no Rio sem pagar deslocamento, mas isso não afetou a sociedade.

O que mudou foi quando o pedreiro que morava no quitinete abaixo do meu apartamento comprou um celular em 12x no Ponto Frio e passou a poder falar com seus clientes sem depender de recados.

Quando eu puxo o celular para procurar o aniversário da Sandy (28/01/1983) sem dizer “vejam que FANTÁSTICO meu celular sabe o aniversário da Sandy!!!” eu estou muito mais próximo do pedreiro do que do deslumbrado dono de iPhone que mostra babando fotos do filho e do cachorro, mas não usufrúi realmente da ferramenta.

O preço que pago é ser olhado com espanto, curiosidade, incompreensão e até inveja. Mas tudo bem, isso vem de gente que nem sabe quando é o aniversário da Sandy…



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O dia em que a Renata bateu no Bill e no Negroponte

23/12/2008 - 12:21 pm  -  15 comentários


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Em seu livro The Road Ahead Bill Gates defende a sociedade da informação, usando argumentos semelhantes ao de Nicholas Negroponte, que também afirmava a supremacia dos bits sobre os átomos, em um futuro próximo.

Qualquer um que tivesse lido os livros e textos dos dois teria certeza de que o Futuro sera feito de bits, que os átomos cairiam no esquecimento. navios carregadores de containers apodreceriam ou virariam favelas flutuantes como em Waterworld, objetos físicos seriam commodities.

Pois bem; Jeff Beezos não leu os livros, e criou a Amazon. Hoje é mais barato comprar plugs de áudio e microfones de PC da CHINA (via Deal Extreme) do que em uma loja no Centro da Cidade (qualquer cidade).

Mais ainda: Eu nunca recebi tanta correspondência, tantas encomendas quanto hoje em dia. O Brasil nunca teve a experiência de compra por catálogo, comum nos EUA desde o século XIX, então está sendo agora que nossos correios estão realmente trabalhando. Sites como o Mercado Livre enchem as agências com caixas e mais caixas.

E quer saber? A Renata está absolutamente certa. É delicioso receber encomendas.

A gente recebe email de divulgação todo dia, alguns reclamam, muitos apagamos, mas eu nunca, nunca vi alguém reclamando de ter recebido uma encomenda com material de divulgação de alguma agência. E não falo das geladeirinhas, falo das encomendas pequenas, às vezes um cartão-postal.

Algo físico é muito mais valorizado do que um virtual, etéreo email (exceto se vier de eu@vendramini.com).

Troco 10 emails por uma caixa chegando na minha porta, independente do conteúdo. E ainda há a vantagem de funcionar como antidepressivo mesmo quando você mesmo é o remetente.

Se eu mandar um email para mim mesmo, vão mandar aumentar a dose do Prozac, mas se eu comprar algo no Submarino, ficar ansioso e feliz quando chegar, todo mundo vai entender.

Por isso que não recomendo levar a sério futureiros que pregam a inexorável morte e extinção de algo em benefício de outro algo, principalmente quando envolve Internet.



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Concurso do Livro do André Midani

03/11/2008 - 7:43 pm  -  5 comentários


Algum tempo atrás fiz uma resenha da autobiografia de André Midani, que se você não sabe quem é,  ao menos com certeza já ouviu algo que passou pela mão dele, seja Tom Jobim, seja Titãs.

Junto fiz um mini-concurso, sorteando uma cópia do livro entre os leitores. A pergunta era simples mas maliciosa? Pedi a formação original dos grupos Party Posse e The Be Sharps.

Os dois grupos são de episódios d’Os Simpsons, uma série notória por suas referências musicais. Os Be Sharps parodiam boa parte da trajetória dos Bythos (em homenagem à Salsinha de Cristo de uns posts atrás) com direito a uma mudança na formação original, como os Beatles, quando detonaram Pete Best em favor de Ringo Starr.

Aí a pegadinha. Durante quase todo o episódio a formação do Be Sharps é Apu, Skinner, Homer e Barney, mas no começo vemos o Chefe Wiggum ser expulso.

O outro grupo, The Party Posse, é uma boy band genérica, artificial e sem-sal, como as que o Midani tanto (corretamente) critica em seu livro. É a marketização da música, onde o poder do marketing, que é aproximar o produto do consumidor é deturpado em prol de uma aberração que é deixar que o marketing CRIE os produtos que deve vender.

Daí Hansons, Menudos, Pussycat Dolls e Party Posse.

A formação original do Party Posse era Nelson, Ralph, Milhouse e Bart.

O primeiro a acertar foi o Thiago Alencar.

Thiago (e todos os envolvidos) perdão pelo atraso. Prometo que as próximas sairão mais rápido. A culpa foi integralmente minha, o pessoal lá da Sapolândia me cobrava com razão não ter entregue ainda os nomes. Você será contactado para envio do livro em breve.



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