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Rosana Hermann, a nossa Tina Fey

24/07/2011 - 6:12 pm  -  6 comentários


Nosso passado nos condena, é fato. Faz até sentido, ser condenado pelo futuro só em Minority Report. Mesmo assim há condenações e condenações. Uma coisa é descobrirem que você importava ilegalmente criancinhas chinesas para mão de obra escrava e tráfico de órgãos, não necessariamente nessa ordem (o que era muito pior pras criancinhas). Aí tudo bem, foi um lapso moral.

Complicado é quando desencavam tem um mico de proporções Timburtianas. Esse tipo de coisa inimigos não dão bola, mas os amigos, que são bem piores, fazem questão de espalhar pois nada é mais gratificante que uma sacanagem inofensiva.

Por isso não resisti quando vi a pérola que o Danilo Rodrigues postou no Twitter. Ele achou um comercial de um…. disque-horóscopo, feito em 1994 e estrelado por ninguém menos que a Rosana Hermann,  adornado com grafismos que considerávamos modernos (é, eu me entrego também)

 

O vídeo ficou muito mais engraçado pra mim pois sempre associei a figura da Rosana com a Tina Fey, tanto pela criatividade e versatilidade quanto pela excelente e rara e bem-vinda capacidade de rir de si mesma. Assim comecei a rir por perceber que tinha em minhas mãos uma situação uma referência pronta! (beijinho pros trolls que odeiam humor referencial):

Em um episódio de 30 Rock a Tina Fey passa por um mico fantástico, quando descobrem um comercial jurássico onde ela anunciava um Superpapo da vida.

 

 

O mais legal é que da mesma forma que eu associei a Rosana à Tina Fey, se eu tivesse visto o comercial dela antes, teria associado a Tina Fey à Rosana.


O Dia em que o CQC virou Cuspa o Que Cuspir

12/04/2011 - 10:44 am  -  55 comentários


bob cuspeDepois de dar espaço para Jair Bolsonaro e indiretamente ajudar a reaproximar o Brasil dos ideais nazifascistas de 1936 o CQC resolveu baixar o tom, engavetou a próxima reportagem da Série, “Hitler, o Incompreendido” e retomou seu modelo tradicional, aporrinhar celebridades com “entrevistas” de humoristas formados pelo Instituto Universal Brasileiro.

A micropolêmica de ontem, que trouxe à tona toda a microrevolta dos microblogs foi a terrível agressão sofrida por… deixa ver o nome aqui. Rafael Cortez.

“Pauinho Vilhena GOSPE (sic) na cara de Rafael Cortez” foi o que li por aí. Chocante, isso não se faz, não é coisa de homem, bla bla bla.

Como normalmente esse tipo de agressão só existe dentro dos limites do mundo virtual, achei estranho. Mesmo no caso dos chatos profissionais, como o Repórter Vesgo do Pânico, a agressão sofrida é convencional. Homens não costumam agredir com cuspe, é um gesto que denota desprezo, quando uma situação de assédio constante desperta raiva.

Do ponto de vista psicológico se o Paulinho Vilhena estivesse de saco cheio do CQC ele teria dado uma porrada no Cortez, não uma cusparada.

Vamos então estudar o ocorrido. Aqui está o vídeo da Cusparada Que Mudou Porra Nenhuma:

 

 

Vejamos a transcrição:

 

[CORTEZ] Paulo, tudo bem, é o CQC, como vai, tudo jóia?

[CORTEZ] uma coisa, tem muito homem aqui, só homem nessa coisa, e todos lindos de morrer. Você não acha que a gente tem que quebrar esse mito de que homem tem que ser bonito,e ser mais macho que bonito?

[VILHENA] você acha?

[CORTEZ] Qual a coisa mais macha, louca que a gente pode fazer agora, dar um arroto, cutucar o nariz, dar uma coçada, uma escarrada?

[VILHENA] Podia cuspir na sua cara.

[CORTEZ] Manda, tenta!

[VILHENA] SPPLOOOOOOOOFTTTT

Não é preciso ser Cal Lightman para perceber que o entrevistado estava sem nenhuma vontade de falar. A pergunta como sempre segue a linha do Humor Internético, ofender sem ser engraçado. A resposta seca (sem trocadilhos) seria motivo para encerrar, mas o “repórter” insistiu.

O que vi ali foi um sujeito contrariado dando uma resposta atravessada, sendo desafiado e respondendo de acordo.

Imaginavam que depois de tudo o Vilhena diria o quê?  “ah, brinks, estava sendo irônico, não ia cuspir não”? Vocês estão passando tempo demais na Internet. No Mundo Real se alguém fala que vai cuspir na sua cara e você diz “manda”, o cuspe é certo.

Quem não quer encarar essa realidade, pode e deve permanecer no twitter, no facebook, no orkut, onde as cusparadas são imaginárias. No Mundo Real não há teclado para se esconder atrás. Muita gente descobre isso da pior maneira, como o Cortez, ao imaginar que seu microfone, câmera e status serviriam de escudo. Tá na cara que não.


Aulinha pra Info: The Barriga is on the table

23/03/2011 - 5:56 pm  -  19 comentários


Existem diversos sites especializados em notícias falsas na Internet. No Brasil temos o Sensacionalista e o Diário de Barrelas, no Rio Grande o sensacional O Bairrista e o Avô de Todos Eles, The Onion. Notícias falsas não são novidade, que o digam as minhas clássicas Fotos do Acidente da Gol.

Como não é novidade a sanha com que o pessoal replica informações sem confirmar NADA. Eu ATÉ compreendo isso da parte dos leitores, embora considere errado não chega a ser uma obrigação, ainda mais quando a informação está em um site com credibilidade. O problema é quando o site com credibilidade age igual a um novato histérico de Internet passando adiante besteiras sem confirmar.

Por exemplo. Esta matéria sobre uma congressista nos EUA que teria proposto uma legislação para arredondar pi.

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É uma reprodução de uma matéria que saiu no Huffington Post (o blog da ursa) e está sendo replicada por toda a blogosfera liberal, descendo a lenha na pobre Martha Roby. a congressista em questão.

Problema? Nenhum, arredondar pi é uma idéia totalmente idiota. Tão idiota que mesmo um republicano não pensaria em algo assim.

Vamos pesquisar. Uma busca pela Lei proposta, HR205, retornar o HEARTH Act, uma legislação sobre locação de terras indígenas.

Uma busca sobre a proposta, “The Geometric Simplification Act” só retorna o artigo em questão.

No site da congressista, nenhuma referência. Será falsa a notícia? Vejamos. Vou incorporar Bob Woodward, Carl Bernstein, Lois Lane, Datena e TinTim, os maiores jornalistas que já existiram, e enveredar em uma profunda espiral investigativa, revirando cada pedra, seguindo cada pista, em busca da verdade, doa a quem doer.

Pronto, achei o texto original. Confira neste link.

É uma paródia, uma notícia falsa.

Como identifiquei isso? Digamos que anos de experiência, um faro sobrenatural, uma perspicácia digna de Carl Lightman e…

O NOME DA SEÇÃO, CACETE! “HUFFPOST COMEDY”.

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COMEDY, querida Info, é COMÉDIA em inglês. Não é pra ser levado a sério. Do contrário o resultado é de chorar.

[ATUALIZAÇÃO] A Info viu a cagada e seguindo a Escola George Orwell de Jornalismo editou o post, colocou uma interrogação no título e acrescentou um parágrafo dizendo que entraram em contato com o gabinete da deputada para confirmar a notícia, que descobriram ser falsa. 

Infelizmente meu screenshot é anterior, e não tem a interrogação. 

Outra dica, Info: Apaguem os comentários, eles dão a entender que o texto era afirmativo (como realmente era) e não uma história sobre uma notícia falsa. 

Dica final: Se está no inferno abrace o capeta. Passem a escrever em Novilíngua. 


Batman in Rio

19/02/2011 - 7:09 pm  -  12 comentários


Dando prosseguimento ao meu processo arqueológico de desenterrar textos antigos, outro de 1993, uma besteirinha sobre como seria Batman no Brasil. Não sei se foi escrito depois de um número do gibi onde a referência de Rio de Janeiro para o roteirista era uma daquelas favelas mexicanas com todo mundo falando espanhol ou se foi apenas fruto da minha falta de tempo. Está divertidinho mas o texto é datado, ninguém vai lembrar da piada do Lazaroni e terão que ir na Wikipédia atrás do Selo-Pedágio.

batnao

Eu ia usar o Batman do Adam West mas esse é bem mais ridículo

Batman in Rio

Sabem quem pendurou as chuteiras e está no analista? O Batman.

Exato. O morcegão está emocionalmente perturbado e desfruta de longas férias, sem data para voltar ao trabalho. Tudo começou quando o justiceiro de Gotham City seguiu um grande mafioso até o Brasil…

_Isso é meu bat-computador portátil, seu guarda.

_Sei -disse o guarda da alfândega- todo mundo dá uma desculpa. Muamba é muamba. Cadê a nota fiscal? E o senhor vai pagar multa. Esse troço deve custar bem mais de trezentos dólares.

_Eu quero falar com uma autoridade policial. Eu sou um agente da lei e exijo uma autoridade. Onde está o chefe daqui?

_Olha, o doutor Mendonça saiu pra almoçar e não tem hora pra voltar. Ele tinha que levar o carro na oficina, eu acho.

Incrédulo, o homem-morcego consultou o relógio e disse:

_Como saiu pra almoçar? São 10h30min da manhã!

_Eu sei, mas hoje ele trabalhou até tarde. Saiu ainda agorinha.

Como Bruce Wayne é podre de rico, Batman pagou as multas e foi retirar o batmóvel no terminal de carga do Galeão. A pintura estava arranhada.

Usando o sistema de navegação por satélite do batmóvel, ele conseguiu achar a Dutra, mas foi logo parado no primeiro posto da Polícia Rodoviária:

_Documentos, chefia.

_Eu estou com pressa, policial. Eu sou o Batman e…

_Tá bom, eu sou o Lazaronni. Agora cadê o selo-pedágio?

_Selo-o-quê?

O guarda virou para seu companheiro e falou:

_Mais um paulista. Esse pessoal adora se fingir de desentendido.

O confuso vigilante viu que seria detido pela polícia brasileira, e para não criar um incidente internacional, falou:

_Seu guarda, não podemos dar um jeitinho? Quem sabe a gente conversando…

_Mas claro -disse o guarda abrindo um sorriso- conversando a gente resolve tudo, doutor.

Alguns minutos atrasado e alguns dólares mais leve o vigilante prosseguiu seu martírio por terras brasileiras.

_Com licença, moço. Quer que eu tome conta?

Em pleno centro de São Paulo, o escurinho com uma flanela na mão esperava a resposta do morcego.

_Não é preciso, meu jovem. O bat-alarme pode evitar qualquer tentativa de roubo do batmóvel.

_Ih, doutor. Isso não tá com nada. É só achar o fio, cortar e fazer a ligação direta.

_O senhor não quer comprar uma tranca?

Outro menor se aproximava, com um sortimento completo de trancas, segredos, alarmes e break-lights.

_Tem luz de freio também, doutor. Não vai levar?

Antes de ir embora o morcego não resistiu e levou um break-light com o símbolo do Batman, que tinha encalhado da época do filme.

Naquela altura, ele já estava ficando curioso. Ninguém havia reparado em seu uniforme. Mesmo em Gotham City as pessoas ainda se assustavam com o disfarce do morcego. Ele não resistiu e perguntou a um transeunte que passava (aliás, os transeuntes não fazem nada além de passar):

_Desculpe, cidadão, mas vocês não se assustam comigo ? Você não vê nada de errado com a minha roupa?

O homem coçou a cabeça, olhou o homem-morcego de alto a baixo e deu o veredicto:

_Olha, meu, é o seguinte: Estranho eu não vejo. Mas cê podia botar mais cor, umas lantejoulas, sei lá. E a capa, não tá muito legal. Você é de Pelotas? E mais uma coisa: Cê tem outro convite pro Ilha Porchat pra me arrumar? O baile é semana que vem e os convites acabaram.

Sem entender direito, Batman anotou a referência à Pelotas para futura pesquisa e prosseguiu sua missão. Agora ele precisava achar a delegacia do Bixiga. “Vai ser fácil” pensou o morcego, enquanto encostava o carro para perguntar a um cidadão.

_É fácil, meu! Segue em frente, aí cê dobra no farol. Então vira pra esquerda no Tietê e vai em frente toda vida, quando cê vê um bondinho entre dois morros, faz o retorno e se informa!

O batmóvel seguiu direto pela Dutra, e só na metade do caminho Batman percebeu o adesivo “Amo São Paulo Voto Maluf” que haviam colado no vidro do carro.

Quando estava pensando em voltar para tomar satisfações, o bat-fone tocou. Era o contato brasileiro de Batman na polícia federal, avisando que Don Raviolli, o mafioso, havia fugido para o Rio de Janeiro.

_Já que estamos por aqui… -pensou o morcego-

No centro do Rio, ele teve que deixar uma grana na mão de um guarda para conseguir uma vaga. Do Castelo ele andou até a Praça Mauá, na sede da polícia federal. No meio do caminho não resistiu e levou um chaveiro do Batman que um garoto vendia por apenas cinco dólares, porque ele conseguiu um desconto de 50%.

_Como assim um parceiro, delegado?

_É fácil -respondeu Tuma- você vai precisar de alguém que conheça o Brasil.

_Certo, mas e meu disfarce?

_Não precisa -disse Tuma- estamos no carnaval. Você ainda usa aquele carro rabo-de-peixe ?

_Não ! Aquele estava ultrapassado. Troquei por um modelo 88.

_É uma pena. No barracão da Mangueira ninguém desconfiaria do seu carro.

_O que é mangueira?

_Deixe pra lá. Aqui está seu parceiro.

Pegando a foto, o morcego perguntou:

_Detetive Souza, 59 DP. Ele é durão?

_Durão? O Souza é conhecido como “faxineiro da baixada”. Ele é tão casca-grossa que quando vai à igreja quem confessa é o padre.

_Parece bom. Só mais uma coisa, delegado. Como eu chego até a 59 DP ?

_É fácil…

A cara do morcego por baixo da máscara deve ter sido linda, quando ele voltou pro batmóvel de descobriu que tinham levado o toca-fitas.

_Detetive Souza, eu presumo.

_E você é o Clóvis Bornay.

_Quem? Não, eu sou o Batman, o vigilante de Gotham City.

_Sei, sei. Desculpe, eu não li direito o telex do Tuma. Bonita roupa. Aonde você comprou tinha pra homem?

Pra sorte do detetive, Batman não falava português muito bem, e não entendeu.

Logo depois eles saíram, iniciando as investigações:

_Vamos parar ali naquele bar, morcego.

_Certo -disse Batman- vamos interrogar os criminosos e descobrir o paradeiro do Raviolli, não é?

_N¦o, eu só vou tomar um café e comer um Baurú. Eu ainda não tomei café.

A fama do morcego já havia se espalhado pela cidade, e mesmo no carnaval não é difícil reconhecer um cara vestido de malha justa, capa esvoaçante e orelhas pontudas. O único lugar que o Batman poderia ficar incógnito era no Municipal. Mas no momento ele estava no Bar e Restaurante Nossa Senhora de Fátima, em Villar dos Telles.

_Bom dia, menino Souza. Vais querer o d’sempre?

_Claro, seu Manoel.

_O menino d’orelhas pontudas vai querer algo? Quem sabe uma cachacinha?

Já desiludido com sua falta de moral, o morcego gostou da idéia:

_Sim, obrigado. Normalmente eu não bebo, mas vou abrir uma exceção.

_Dessa nós não temos. Serve 51?

_What?

_Serve uma dose aí pro meu amigo, seu Manoel.

“O Coringa iria adorar isso” – pensou Batman, engolindo a cachaça.

_Aí, orelhudo! Como vai essa força?

O desconhecido se aproximou do balcão, sentando ao lado do Batman. Todo mundo no bar observava o sorriso irônico do rapaz.

_Saia daqui, meu jovem. Não quero conversa.

_Desinfeta, pilantra. -Disse Souza-

_Calma, doutor -falou o citado pilantra- não vou aliviar a carteira do morcegoso, não. -e se virou para o Batman- Só estou a fim de um bat-papo.

Ele voou pela porta, foi parar do outro lado da calçada. Só não sabia se gritava das fraturas ou ria da piada infame. O pessoal no bar sabia: Riam como nunca. Alguns se jogavam no chão, outros batiam nas mesas e apontavam para o morcego, que de pé, em posição de combate e fulo da vida, disse:

_Vou acabar com essa alegria!

Ele pegou cápsulas de gás em seu bat-cinto, atirou no chão formando uma expessa nuvem de gás. Mas as gargalhadas continuavam.

_Como vocês podem continuar rindo? Qualquer bandido de Gotham foge quando jogo meu gás. Qual o segredo?

Souza respondeu:

_Não tem segredo, ô de asa. É que a PM quase todo dia joga gás lacrimogênio no pessoal. Já virou hábito. Tem gente que acha mais divertido correr atrás de piquete esperando a tropa de choque do que comprar éter na farmácia.

_Que país, que país!

Todo brasileiro fala mal do país, mas se um gringo diz qualquer coisinha ele vira patriota e toma as dores da nação:

_Calma aí, urubu. Não vem dizendo que a coisa não é séria, que você não tem moral pra dizer isso.

_Como não? Eu sou o maior combatente do crime-

_É? Só que eu pelo menos nunca fui afogado em sorvete, andei com um boiolinha ao meu lado e dirigi um carro alegórico disfarçado de viatura.

Indignado, Batman retrucou:

_Isso foi no passado. Agora eu luto contra o crime, desmantelo cartéis, pulo de pára-queda anda de jato, piloto a bat-lancha e a bat-moto, até o bat-tanque de guerra eu já usei.

_Grandes merda. Já teve um presidente aqui que fazia tudo isso e ganhou um pé na bunda.

O morcegão está no asilo Arkhan, na ala para combatentes do crime estressados. Por favor, mandem cartões. Fará bem à moral dele.


Thunder! Thunder! Thundercats, Ruim! (ou não?)

13/02/2011 - 10:28 am  -  15 comentários


As informações são de que a cena abaixo é um teste do projeto cancelado de filme dos Thundercats em computação gráfica.

Não gostei da caracterização do Lion, mas algo –não sei o quê- me fez quase gostar. Pronto, falei! Gostei do clima, acho. Opine:

Achado no Daily What


O Escritor Gregório de Matos Solta o Verbo sobre o BBB

02/02/2011 - 10:48 am  -  115 comentários


Saiu nas páginas amarelas da Isto É, o recluso e genial escritor Gregório de Matos, autor de clássicos modernos como Saudades Mortas e Norte das Águas se cansou do baixo nível da TV Brasileira. Redigiu um comunicado que está sendo divulgado pela mídia. É curto, objetivo e vale ser lido:

 

gregoriodematos

Tristes Trópicos – por Gregório de Matos

É sabido que desde a morte do grande apresentador e empresário de TV Flávio Cavalcante em 1978 a TV brasileira vem de mal a pior. Que meus amigos do meio não me entendam mal; tal qual os surrados soldados americanos sofrendo nas mãos dos chineses no clássico filme sobre o Vietnã “Ponte do Rio Kwai”, os profissionais tentam fazer o melhor, mas quando a própria direção orienta que o trabalho seja sujo, nada mais pode ser feito.

Esse programa, esse Big Brother de nada lembra a sociedade descrita por Aldus Huxley em seu romance homônimo. Estamos emburrecidos enquanto povo e os “brothers” só espelham isso, mas um espelho é muito mais do que algo que reflete. Um espelho também inspira. E me deprime o que esse Big Brother inspira, acreditem.

Claro, não vivemos mais o tempo bárbaro onde autores radicais como Balzac e Oscar Wilde pregavam fogueira para homossexuais, mas a depravação nesse programa está descabida. Depravação essa exacerbada pelo álcool, “maior inimigo do Homem”, nas palavras do grande cordelista Jessé Gomes da Silva Filho, meu fiel companheiro de discussões filosóficas no Calabouço, popular ponto de encontro na USP dos Anos 70.

É preciso controle, é preciso moderação. Mostrar os brasileiros como eles são não ajuda na formação do caráter de nosso povo. Temos que nos ver como fingimos ser, não como realmente somos. Quem vai fantasiado de espelho nunca é convidado para o próximo baile de máscaras. Ou nos conscientizamos disso ou continuaremos a não ser, nas palavras do General Geisel, um país sério.

G. de Matos, Curitiba, Jan/2011


BBB11, Jornalismo e molecagem – Tá pensando que boneca é brinquedo?

05/01/2011 - 10:24 pm  -  28 comentários


ariadnas

Uma Porta da Esperança ao contrário. Duas dessas trazem presentes.

Hoje o Twitter pegou fogo por causa de um boato de que uma tal de Ariadna Thalia, participante da 11a edição do Big Brother Brasil seria travesti.

É uma dúvida justa, tanto para quem não quer abrir o hambúrguer e achar um salame quanto pra quem leva o sanduiche pra casa e ao invés de uma salsicha encontra um carpaccio (agora livre-se dessas imagens mentais se for capaz).

A informação veio em tons de  “acusação” – com aspas pois ao contrário de países cujos governos seguem os preceitos da Religião da Paz™ no Brasil ser travesti não é crime – mas foi levada numa boa pela comunidade do Twitter, até pq mesmo para os mais homofóbicos, azar de quem está dentro da tal casa e não sabe desse pequeno detalhe sobre a moça. Aliás, pequeno o escambau, apareceu uma foto e aquilo não é ferramenta, é uma suíte de aplicativos completa. Só não digo que é o OpenOffice pq ao contrário da moça ele é grande mas não funciona.

Conversando no Twitter com o autor do Diário T-Lover (não julgue, tem gente que gosta até de morcilha, cada um na sua) ele explicou que a Ariadna Thalia Travesti (cuidado, NSFW, peitos de silicone e graças a Exupery o essencial continua invisível aos olhos) não é a Ariadna do BBB NEM a da tal matéria.

OK, que matéria e qual a molecagem afinal?

Well…. O Ego, aquele bastião do jornalismo criado por Carlos Castello Branco, Bob Woodward e Samuel Wainer foi rápido no lance, publicando a matéria. Mais rápido ainda foi ao tirar do ar e subir de volta,substituindo a chamada do título. Vejam a sutil diferença, mostrada aqui graças ao Google:

essafoinatrave

Note a sutil diferença na URL das duas chamadas. Na primeira o título já havia sido mudado mas a URL continua. Essa foi apagada para que a URL refletisse o novo título.

ARIADNA DO BBB É TRAVESTI E JÁ FEZ PROGRAMA NA ESPANHA

ARIADNA DO BBB SERIA TRAVESTI E JÁ TERIA FEITO PROGRAMA NA ESPANHA

É a mesma sutil diferença de afirmar com todas as letras que o estagiário do Ego é retardado e dizer que poderia muito bem ser.

É uma regra BÁSICA do jornalista que qualquer estudante, retardado ou não precisa aprender, mas como o Ego provavelmente usa macacos de cheiro travestidos de estagiários para economizar no vale-transporte, violam constantemente essa norma essencial da profissão. NÃO ACUSE SEM PROVAS, SEU IMBECIL, ENERGÚMENO, ANIMAL DE TETA.

Acusações levam a processos. Por mais que o Ego seja das Organizações Globo, e um processo no caso quase impossível de rolar, é um péssimo hábito. Por isso que todo mundo por mais obviamente culpado que seja, até a condenação é chamado de suspeito ou –melhor ainda- acusado.

às vezes é extremamente irritante ler esses textos em “jornalês”, mas é uma questão de responsabilidade. Um órgão (epa) sério de imprensa não pode se dar ao luxo de fazer acusações genéricas como o “todo político é ladrão” ou “ator é tudo viado”, tão comuns de se ouvir em mesa de bar. (nota: pra teatro infantil tá liberado)

Uma acusação sem sustentação deixa de ser jornalismo e vira fofoca. Um juiz não daria ganho de causa se a tal Ariadna fosse travesti de programa, por mais baixaria que fosse o que o Ego estaria fazendo ainda seria jornalismo, mas quando não ligam nem para o detalhe de confirmar a presença do detalhe, deixa de ser trabalho de imprensa, fica clara a ausência de qualquer esforço investigativo ou compromisso com a Verdade. É fofoca e fofoca anda muito próxima de calúnia e difamação.

Quem tem blog está sujeito a esses mesmos riscos, com agravante de que processar um blogueiro anônimo é bem mais simples que processar um site da Globo.com. Ainda mais por não estarmos protegidos pela Lei de Imprensa. Assim é essencial que posts com denúncias, acusações e similares sejam muito, muito bem documentados, sem xingamentos e surtos de emoção.

Uma mudança simples na formulação de um título pode ser a diferença entre uma grande aporrinhação Legal e uma matéria que só renderá elogios e cliques no AdSense. E se você acha que isso tudo é apenas um detalhe, e detalhes são insignificantes, experimente sair com a Ariadna errada.


Haters Gonna Hate, mas Life Goes On…

24/11/2010 - 10:23 am  -  42 comentários


A única coisa que dá para ser feita com raiva de forma eficiente é testar os limites de calças stretch roxas. Todas as outras atividades são prejudicadas, raiva nubla o discernimento, torna nossa visão limitada e leva a decisões e opiniões erradas.

Mesmo assim a Internet criou e valoriza uma cultura de haters, gente que se orgulha de odiar tudo e todos oito dias por semana. Gente que tem como esporte minimizar toda e qualquer conquista de quem quer que seja.

Não falo de trolls, eles são patéticos e exagerados por natureza, é fácil chutarmos pra escanteio e não levar em conta. Falo de gente aparentemente normal que entende como ofensa a possibilidade de qualquer coisa… dar certo. Essa gente odeia e despreza toda iniciativa, acham mesmo que coletivamente conseguem comprovar o fracasso de um produto apenas desejando em voz alta que ele seja um fracasso.

Vou dar uma dica: Você acha que consegue que algo seja FAIL! apenas desejando? Seu nome é Deus? Se não for, você é um idiota.

Eu disse que a Internet criou essa cultura, mas isso não é exato. Essa gente não surgiu ontem. Toda empresa tem pelo menos um sujeito que se contorce e grita cada vez que uma idéia é apresentada, provando por A+B (ou mais precisamente por 1+1=3) que não dará certo. E esse sujeito nem se preocupa em ser sabotado pelos colegas, pois ele mesmo nunca apresenta idéias.

Essa é a diferença fundamental, o Hater não tem trabalho pra mostrar, por isso mesmo considera ofensa o trabalho alheio. Curioso é que eles não têm senso de escala, se ofendem com realizações de qualquer um, através do Universo. É como se um garoto de 12 anos aprendendo a programar em BASIC se ofendesse com o lançamento do Windows 7.

Exagero? Há milhares de exemplos, desde os críticos de Avatar, demonstrando quanto o filme é ruim, irrelevante desprezível e jamais deveria ter sido feito (US$2,7 bilhõs de faturamento mundial) , passando pelos críticos do iPhone (não venderá!) e do iPad (não serve pra nada!) e do Kinect (ninguém vai comprar!).

Meu exemplo favorito é a única boy band heterossexual da História, Os The Beatles.

Quando a Apple anunciou que faria um anúncio especial que tornaria o dia inesquecível os haters se agitaram. Com uma memória seletiva excelente, o cérebro do hater quando quer é incapaz sequer de guardar dados simples como “P. Sherman, 42 Wallaby Way, Sidney, Austrália”, então todos se fizeram de surpresos com a hipérbole do anúncio.

Os mesmos haters que odiaram quando Steve Jobs disse que o iPad era “mágico”. (spoiler: Não é, está limitado pelas Leis da Física. Fuck Jobs!)
Quando o anúncio anunciado anunciou que o catálogo inteiro dos The Beatles estaria disponível para download digital pela primeira vez na História ouviu-se um “meh” coletivo dos haters.

O fascinante é que eles tecnicamente não podem se decepcionar, pois NADA que a Apple (ou ninguém) faça os satisfará, mas eles jogam a carta da decepção mesmo assim.

As mensagens lotaram os Fóruns, blogs e Twitter. O “consenso” era que seria um fracasso, as argumentações como sempre faziam sentido, de um ponto de vista rasteiro e isolado. A banda é muito velha, os fãs já têm todos os discos, grupos de guitarra estão saindo de moda, ninguém compra música, etc, etc.

Como sempre uma busca pelas redes sociais demonstraria o fenômeno da amplificação da voz dos idiotas, mas na falta de etiquetas de “imbecil” junto aos perfis, não é possível identificar coletivamente os haters. Uma análise da resposta ao anúncio da Apple indicaria como opção natural demitir o idiota que pensou em vender Beatles no iTunes. As projeções indicariam zero compras, o zumbi de John Lennon sairia da cova atrás de Jobs.

Como sempre a turma do “não vai dar certo” foi ignorada pela realidade.

Foram vendidos 450 mil álbuns na 1a semana de Beatles no iTunes, num total de 2 milhões de canções. Números de superstar conseguidos por uma Banda que deixou de existir mais de 40 anos atrás. Claro, ajuda ser a banda com mais discos vendidos na História

Essa cultura do não-vai-dar-certo é prejudicial ao coletivo E ao indivíduo, gera gente que só consegue prazer dizendo que algo não vai dar certo, e se cala diante do sucesso inesperado (por eles). Coletivamente são uma bias nas análises que deve ser levada em conta e individualmente sofrem, afinal como alguém que acha que tudo vai dar errado vai ousar criar alguma coisa?

Não criam, o medo de não dar certo é grande demais. Fechando o ciclo, de onde vem o medo? Do ódio que tanto amam.

Fear is the path to the dark side. Fear leads to anger. Anger leads to hate. Hate leads to suffering.” – Yoda


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