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Num mundo sem mocinhos músicos também são mesquinhos

21/09/2009 - 8:59 am  -  13 comentários


Estamos vivendo um período intermediário no mundo da produção cultural, o advento da distribuição E produção digital mudou tudo. Em alguns anos teremos resolvido esses problemas, mas por enquanto temos gravadoras que não aceitam morrer, artistas que não sabem direito pra que lado ir, usuários que querem o conteúdo e vão consegui-lo de um jeito ou de outro…

A única constante é a ganância, que continua muito bem, obrigado.

Exemplo: Nos EUA um grupo está fazendo lobby junto ao Congresso em prol de legislação que regule os royalties de execução para mídia digital. No grupo temos gravadoras, publishers, artistas e compositores.

Os royalties de performance são os mesmos que no Brasil ficam sob controle do famigerado ECAD. É o dinheirinho que se paga cada vez que uma música é executada publicamente, seja em um elevador, em um seriado de TV ou em uma festa de aniversário.

Não é que quem criou/produziu a música não ganhe quando ela é vendida no iTunes. Ganham, uma fração bem maior do que na venda tradicional, aliás. O que não ganham é quando a música é executada em uma rádio online ou quando aparece em um filme baixado ou assistido via streaming.

Até aí tudo bem. Se há a cobrança desses royalties em outras mídias, é justo que sejam cobrados no meio digital. O que é mesquinho MESMO é que querem cobrar royalties de performance das músicas baixadas, o que é um absurdo. Não é uma execução, caceta, é uma venda. NÃO ganham royalties de performance na venda de CDs.

Pior: Compositores E gravadoras querem receber royalties de performance inclusive dos previews de 30s que o iTunes disponibiliza para você saber se a música é legal e vale a pena comprá-la.

Eu até diria que achei estranho gravadoras e artistas unidos assim, mas não só a necessidade, a mesquinharia também faz estranhos companheiros de cama.

Fonte: Ars Technica


Norton I, Imperador dos Estados Unidos

17/09/2009 - 1:47 pm  -  35 comentários


150 anos atrás era coroado o primeiro e único Imperador dos Estados Unidos da America, talvez o maior de todos os malucos-beleza. A história é comumente tomada como ficção, por ter sido popularizada em Sandman, de Neil Gaiman, mas é incrivelmente verdadeira.

Joshua Abraham Norton era um inglês morador dos EUA que foi muito rico, até perder tudo em um investimento mal-planejado, importando arroz do Peru. A batalha judicial com os credores o desestabilizou mentalmente, a ponto de sumir do mapa, levando anos para voltar a São Francisco.

No dia 17 de Setembro de 1859 ele enviou uma proclamação a vários jornais, onde se declarava Norton I, Imperador dos Estados Unidos. Achando que era brincadeira, alguns publicaram.

Outros decretos se seguiram, onde ele dissolvia o Congresso, dava ordens ao exército, etc. Claro, ninguém prestava atenção. Era apenas um sujeito arruinado, quase um sem-teto, vivendo em um quarto de pensão cuja diária custava 50 centavos.

Só que Norton era uma figura extremamente simpática. Ao invés de expulsá-lo os comerciantes o recebiam bem. Com o tempo o Imperador virou figura folclórica. Ele coletava impostos (geralmente 50 centavos) e era convidado a comer nos melhores restaurantes.

Depois disso placas de bronze eram colocadas na porta, dizendo “Indicado por Sua Majestade Norton I, Imperador dos EUA”. Isso aumentava a freguesia, e logo Norton tinha mais convites do que tempo. Peças e Concertos sempre reservavam um camarote para ele.

Fora os “impostos” a única fonte de renda de Norton eram seus bônus imperiais e papel-moeda. Não só o dinheiro que ele emitia era considerado item de colecionador, como vários estabelecimentos comerciais aceitavam as notas.

Norton inspecionava os bondes, escolas e vias públicas, mantinha correspondência com outros monarcas e dizem até ter se encontrado com Dom Pedro II. Seus decretos iam dos mais loucos a ordens como criar uma Liga das Nações e construir uma ponte na Baía de São Francisco – considerado na época uma idéia doida.

Ele usava um fardão imperial, doado por um general do Presídio de São Francisco, quando ficou rasgado demais, ele ganhou outro, da municipalidade.

No censo de 1870 ele aparece listado como “Imperador”.

Em 1967 Norton foi preso por um policial babaca de nome Armand Barbier, que o tentou levar para um manicômio, para internação involuntária. Uma série de editoriais nos jornais atacou a atitude do filho da puta. Norton foi solto, e Patrick Crowley, Chefe de Policia fez um pedido de desculpas formal para o Imperador, em nome de toda a Força Policial:

“Ele não derramou nenhum sangue, não roubou ninguém, não pilhou país nenhum. Isso é mais do que pode ser dito de outros Imperadores”

Depois disso todos os policiais de São Francisco passaram a saudar o Imperador, quando passavam por ele nas ruas.

Em 8 de Janeiro de 1880 aos 61 anos Norton estava a caminho da Academia de Ciências da Califórnia, onde faria uma palestra, quando teve um ataque e morreu, na rua. Os jornais estamparam manchetes com o falecimento. O San Francisco Chronicle publicou “Le Roi Est Mort”, junto com um lindo e respeitoso obituário.

Todos sabiam que ele era um louco que se achava Imperador, mas um maluco inofensivo e querido, que nunca mostrou ganância, crueldade ou má-intenção. Norton era o pequeno agente provocador, a pequena dose de aleatoriedade que torna a vida menos monótona. E também não era nenhum golpista, como alguns chatos alegavam.

Suas posses se resumiam a uma coleção de chapéus, cinco ou seis Dólares em moedas, US$2,50, uma bengala, uma espada e alguns papéis. Ele ia ser enterrado como indigente, mas a Câmara de Comércio da cidade intercedeu e pagou por um funeral digno. Norton I Imperador dos Estados Unidos foi enterrado com honras de chefe de estado. Seu cortejo foi formado por 30 mil pessoas e teve mais de 3Km de extensão.

Sua lápide traz “Norton I Imperador dos Estados Unidos e Protetor do México”

Joshua Norton mostrou que você não precisa nem sequer ser são para fazer do mundo um lugar melhor.

Fonte: SFGate e Wiki de Verdade


Propriedade Intelectual Rouba mas Faz

03/05/2009 - 7:21 pm  -  23 comentários


Em 1957 uma série de acusações de corrupção envolveram o então candidato a prefeito de São Paulo Adhemar de Barros. Fazendo juz ao ditado de que não há propaganda ruim, decidiram não só não combater as acusações, como inciaram uma campanha semi-oficial com o genial slogan “Rouba mas faz”, e dada a visão realista dos eleitores, isso é mais do que se poderia esperar de um político.

E sim, ele ganhou a eleição.

Foi um belo caso de lidar com uma situação potencialmente negativa e transformar em algo lucrativo.

O plágio é uma realidade para qualquer um que produza conteúdo.

A Juliana vive arrancando cabelos no Twitter denunciando copiadores, ladrões de templates, etc. Isso só gera cabelo branco. Por sorte nem todo mundo que pega conteúdo alheio para uso próprio na Internet é um plagiador safado.

Felizmente também nem todo mundo que cria conteúdo age como cachorro raivoso. Da mesma forma que a Juliana aceita quando citam parte de um artigo dela, ou quando alguém pega um texto, amplia, acrescenta, comenta e publica, outros também acham que alguém que CRIA em cima da sua obra merece respeito.

Vejam o exemplo de Dan Walsh, criador do genial Garfield Minus Garfield, aquele blog onde são publicadas tirinhas do Garfield sem o Garfield. Ele descobriu nos fóruns da vida uma brincadeira, onde o gato era removido das tirinhas e o sentido, embora alterado, ainda existia. Esquisito? Com certeza, quase sinistro, mas funciona:

O Bill Watterson nunca autorizou nenhum material de merchandising nem que ninguém além dele escrevesse tiras do Calvin. Em um caso como esse, seria no mínimo situação de mandar os ninjas.

Jim Davis, por sua vez, teve uma atitude completamente oposta. Não só nunca reclamou do blog, nunca fez ameaças veladas, como se declarou publicamente fã do trabalho de Dan Walsh.

Agora o criador de Garfield foi mais além: Publicou um livro novo… Garfield Minus Garfield:

O livro traz os trabalhos de Dan Walsh, as tiras originais de Jim Davis e até mesmo tiras “garfield sem garfield” originais, criadas pelo Jim. O trabalho de Dan não só é reconhecido como ele é autor do prefácio do livro.

Essa história só teve final feliz graças a uma rara conjunção de fatores: Jim Davis não é um babaca no estilo processa primeiro pergunta depois, e Dan Walsh não é um plagiadorzinho de bosta, que apenas copia e replica, sem acrescentar nada ou sequer creditar o autor original.

Notem que o caso aconteceu independente da licença de distribuição das tirinhas do Garfield, o que é péssimo pros militantes da tal Creative Commons, mas ótimo para quem se preocupa primeiro com o conteúdo de qualidade.


Como sempre, eu estava certo sobre os ecochatos

30/03/2009 - 5:06 pm  -  90 comentários


Recebi um spam na minha caixa-postal, que por pouco não apaguei achando ser sacanagem. E olha que meu grau de tolerância a idéias estúpidas é bem alto. Pois bem, verifiquei o link e não era.

Um grupo de idiotas, durante a tal “hora do planeta” saiu com um MEGAFONE enchendo o saco na porta de prédios gritando para “apagarem as luzes”.

Sério, se eu tivesse um DeLorean viajaria até a 2a Guerra só para pegar emprestado um daqueles holofotes de localizar bombardeiros noturnos, só pra acender em cima do CORNO que resolveu gritar no meio da noite.

Duvidam? Vejam os abestados:

PS: Quer dizer que os imbecis se preocupam tanto com o praneta que saem DE CARRO patrulhando os outros? EPIC FAIL.


Na Estante: Startup e Dejavu

12/03/2009 - 4:28 pm  -  25 comentários


A sapaiada, na figura da perereca-mor Miss Moura Em um milagre divino materializaram-se em minha mesa vários livros, que estou na medida do possível lendo, mas dois pularam na frente da lista, e serão resenhados com calma em breve.

O primeiro é de ninguém mesmo do Bispo Macedo, é Plano de Poder, essa coisa aqui:

Ainda estou no começo, mas posso dizer que pela primeira vez fiquei com medo da Universal. Tive a mesma sensação que Winston Churchill teve ao ler Mein Kampf: Será que só eu estou lendo isso? Ninguém vai fazer nada pra impedir?

O Edir Macedo pode ser um monte de coisas impublicáveis, mas ele não é burro nem fanático. Se fosse isso o tornaria inofensivo. Pelo contrário, o livro delineia um plano político, com um objetivo bem claro: Criar a Grande Nação de Deus, segundo o projeto bíblico. Deu medo agora? Aguarde.

O segundo é mais tranquilo: Startup, de Jessica Livingston:

Uma série de entrevistas com gente como Steve Wozniak (ok, pra mim já valeu aqui) Tim Brady, do Yahoo!, Caterina Fake, do Flickr, Blake Ross do Firefox, Max Levchin do Paypal e mais uma penca de gente que criou empresas maravilhosamente bem-sucedidas na área de tecnologia. Como diria o Sílvio Santos, eu não li, mas é bom.

Mais informações:

Onde comprar: No Submarino, uai:

Link para o livro do Bispo Macedo

Link para o livro Startup

Mais informações sem ser pra pingar uns caraminguás no meu bolso:

Hotsite do Livro do Bispo Macedo
Hotsite do Livro Startup


Existe vida após o Axé

05/03/2009 - 12:30 pm  -  62 comentários


Houve uma época em que todo o Brasil foi obrigado a abraçar sua baianidade, e adorar Axé, Lambada, Penetrada, etc. Daniela Mercury e Ivete Sangalo deveriam ser admiradas por seus dotes artísticos, falar de suas coxas era heresia. Ler Jorge Amado era pouco, para provar seu amor pela Bahia todo brasileiro deveria passar uma noite sob a lua, em um velho trapiche abandonado.

A Globo, claro, caprichou em aproveitar o Hype, com várias novelas regionais. Uma das melhores foi Tieta, com sua abertura revolucionária, onde Hans Donner fazia com Isadora Ribeiro o que todo mundo gostaria de fazer, entre quatro paredes:


A Musquinha (tm João Prista) era Tieta do Agreste, de Luiz Caldas, que se tornou referência em termos de MPB (Música Popular Baiana).

Com o tempo a moda sumiu, e foi possível ouvir música baiana por gosto (eu adoro De Volta Pro Meu Aconchego, com a Elba) e não por obrigação.

Aos músicos da época, sobrou o ostracismo fora da Bahia, como a menina do Kaoma, que acabou exilada em Brasília, ou o sucesso regional, com algumas (boas) exceções, tipo a Ivete, que é exceção e boa.

Agora descubro que o Luiz Caldas, um dos maiores ícones da época não só sobreviveu como se reinventou:

Isso mesmo, ele está fazendo heavy metal, e uma coisa posso garantir, toca guitarra melhor do que eu.

Em sua página no MySpace é possível ouvir algumas músicas do novo projeto, Castelos de Gelo, composto de 10 CDs e nenhuma faixa de Axé.

A grande sacanagem é que a própria mídia que tanto encheu a bola dos Baianos não divulga nem apóia quando algum artista resolve se reinventar ou fugir do estereótipo, como Luiz Caldas.

Agradecimentos ao Magaiver pelo link.


Quem diria, cientistas são pessoas inteligentes

18/02/2009 - 3:17 pm  -  21 comentários


Vocês lembram do rebu causado por filmes como o Última Tentação de Cristo, Je Vos Salue, Marie, e mesmo A Vida de Brian e Crônicas de Nárnia? Qualquer filme com temática levemente religiosa gera protestos na certa. É gente dizendo que a obra agride, nega ou ameaça suas crenças, exigem banimento, punições, etc.

Personagens religiosos NUNCA podem ser apresentados de forma menos que perfeita. Se um padre é um vilão, é uma agressão à religião. Claro, se é um caminhoneiro, tudo bem.

Esse corporativismo religioso sempre me encheu o saco, ainda mais quando vejo que é Possível ser INTELIGENTE nesse tipo de situação.

Exemplo: No Anjos e Demônios, segundo livro de Dan Brown e bem mais interessante que o Código DaVinci, um cientista proeminente do CERN rouba 0,25g de antimatéria, com o intuito de explodir o Vaticano.

A Ciência já está na mira da sociedade conservadora faz tempo. Cientistas loucos e/ou simplesmente vilões não ajudam a melhorar sua imagem. Um filme desses seria prejudicial, e deveria ser impedido, correto?

Os Cientistas do CERN discordam. Não só estão pouco se lixando para uma obra de ficção, como convidaram Tom Hanks, que faz o mocinho da história para visitar o Large Hadron Collider, o maior acelerador de partículas do mundo.

Steve Myers, um dos diretores do projeto ciceroneou o ator em uma visita VIP, e ainda convidou-o a religar o LHC, em Junho. Tom Hanks aceitou, obviamente.

Hanks é profundamente ligado à ciência, tendo participado do ótimo filme Apollo XIII, e depois co-produzido a MARAVILHOSA mini-série From the Earth to the Moon, da HBO.

Então vejamos: O sujeito estrela um filme com um vilão cientista que pretende destruir o Vaticano. A resposta dos cientistas é convidá-lo para seu mais precioso local, mostrar-lhe os arredores e ainda chamam para religar o aparelho?

Esse negócio de pensamento racional deve ser bom, afinal.

Fonte: The Telegraph


Não basta ser jabá, tem que participar

18/01/2009 - 8:14 am  -  52 comentários


Tenho notado uma, na verdade duas tendências muito fortes na mídia de entretenimento:

1 – A quantidade de product placement (em português, Merchandising) tem aumentado bastante

e

2 – O Merchandising tradicional ficou chato, feio e bobo.

A Globo, como fala para a Salsaiada Ignara, pode se dar ao luxo de colocar uma cena em novela com personagens entrando em caixas eletrônicos elogiando o banco, ou da Personagem Pobre pedindo um empréstimo no Itaú, tudo bem. Esses telespectadores carecem da sutileza sequer de perceber a inserção, ou pelo menos de reclamar dela.

Já em séries voltadas para público com mais de 2 neurônios, é preciso contexto. Vão fazer um jabá da Dell? Coloquem o House reclamando que o monitor dele não tem definição, em seguida mostre-o feliz com um Dell de 21 polegadas. Ele vai correr no parque pela primeira vez em anos? Enfiem um Nike, está no contexto. “Fechamos um jabá pro iPhone”? Perfeito, criem uma situação que se espalha pelo episódio todo, no final ainda termine com piadinhas.


Jabá? Claro que não. Mas lembre-se, todo mundo mente

Não se engane, 99% dos produtos que você vê em um filme ou série de TV são pagos. E quando a Apple não topa soltar uma graninha ou doar os computadores para a filmagem, eles tascam um adesivão na maçã. Dinheiro Na Mão, Calcinha no Chão mas o oposto também vale. Se bem que  o oposto geralmente custa mais caro e exige KY.

Ontem fui assistir ao remake d’O Dia Em que a Terra Parou.

Jennifer Connelly – a única coisa que presta no filme

O filme é uma bosta, e para dar uma idéia da enormidade do fracasso, a cena visualmente mais interessante foi feita com ajuda da Microsoft.

Ninguém usa espontaneamente nada da Microsoft em filmes, eles não são cool e não têm cara de nada “moderno”. Nem por culpa dos produtos em si, mas por ser algo que todo mundo usa. Um desktop Windows não tem NADA de diferente. “ah, eu uso isso no trabalho” não é o que um cineasta quer ouvir da platéia.

No caso, fizeram uma cena onde a Secretária de Defesa é brifada sobre o alienígena Keanu Reeves em uma tela cheia de sacanagem, onde as pessoas colocam objetos e ela reage, documentos são arrastados, fotos ampliadas, etc. Reconheceu? Pois é, o Microsoft Surface.

Uma tecnologia real, acessível (para quem tem US$10 mil) e visualmente linda.

Até achei que não fosse um merchã, às vezes a tecnologia é tão legal que os produtores usam de graça, como no caso do Microsoft Photosynth, que o pessoal de CSI conheceu em uma visita à empresa de Redmond e ficou doido para usar no seriado. E usaram.

O Photosynth então nem precisa de US$10 mil, é di grátis, só baixar.

Claro, quando começaram a aparecer no filme computadores com Windows Vista (ou o 7, não deu pra reconhecer) e tela de toque, vi que tinha sido um belo de um jabá, de primeira, chamou atenção.

Ah sim, o celular da Jennifer Connelly é LG.

No filme a astrobióloga Jennifer Connelly (vá lá, suspensão de incredulidade, na vida real biólogos parecem o Jonny Ken) recebe seus pertences de volta, confiscados pelo Governo Maligno. Abre a sacola em cima de uma mesa, cai um celular LG, que já aparece ligado, ganhando um close absolutamente desnecessário e que antes só seria merecido pelos peitos que a Jennifer Connelly não mais possúi (que Deus os tenha).

PS: A foto acima NÃO é do filme.

Passou batido para 99% da platéia. Quem percebeu soltou, na imortal expressão do Judão, um “meh”.

Nós vivemos em um mundo muito mais repleto de marcas do que nos anos 30/40 quando a prática do merchandising em filmes começou a se solidificar. Alguém puxar um iPhone é natural, alguém falar de um produto é normal, exceto no mundo dos blogs, onde o patrulhamento impera, mas aí eu uso as tenras, sábias e inocentes palavras da Mírian Bottan: “pau no cu e não me encha o saco”

O problema do merchandising em filmes é que não funciona OU quebra o ritmo, se feito como nos filmes dos Trapalhões, onde do nada surgia um caminhão das Mudanças Gato Preto. Eu garanto que a LG gastou muito mais para colocar aquele telefone no filme do que gastou para levar blogueiros para passear (foi show, aguardem post sobre a viagem). O que ganhou? TALVEZ fixação de marca, o que é um dos objetivos mais “meh” no campo da propaganda.

O filme tem outros jabás completamente estranhos, como uma cena no McDonald’s onde o mesmo chega a ser referenciado pelo nome, como se o enorme “M” refletido no capô do carro não fosse suficiente.

Dá para fazer merchandising que seja interessante? Claro que dá. Lembra disso?

É o telefone do Neo, em Matrix. Um Nokia 7110 que eu mataria para conseguir, à época.

Eu tenho um RayBan Predator que custou uma fortuna, graças a esses dois sujeitos:

O merchandising embutido na trama é MUITO, MUITO melhor do que o product placement sem-graça, que equivale ao banner na web, se torna invisível ou quando aparece, aparece mal. Da mesma forma que o bom vídeo viral tem muito mais penetração (ui!) que o comercial normal, mas essa maior eficiência demanda muito mais talento, trabalho E parceria com o autor da obra que será devidamente merchandalizada. ALÉM do cliente.

Lembrem-se, a IBM perdeu a chance de ter seu nome associado a um dos computadores ficionais mais famosos da História, HAL 9000, de 2001 Uma Odisséia no Espaço, porque seus executivos acharam que pegaria mal um computador “vilão” ter a marca IBM.

Cumplicidade entre os participantes é fundamental. Senão temos gente de má-vontade fazendo propaganda “por obrigação”, clientes reclamando de tudo e gente apontando dedo dizendo “é jabá!” – o pior, com razão. Só é possível utilizar a Resposta Diplomática Mírian Bottan™ se o merchandising é inteligente, bem-colocado e ajuda na trama. Do contrário os neuróticos patrulhadores têm razão, e isso é péssimo.

PS: Já falei que O Dia em que a Terra Parou é uma bosta?


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