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Seguindo o denuncismo da Deputada Luiza Maia, prendamos as racistas Elis Regina e… Preta Gil.

21/12/2011 - 4:40 pm  -  18 comentários


Quando surgiu a polêmica do Tiririca confesso que apoiei, mas não pelos motivos alegados. Quase todo “Movimento” costuma ver preconceito em tudo, e o Tiririca me parece muito mais idiota do que racista. Infelizmente ser idiota não é crime, então ele foi enquadrado no que foi possível.

Há que se reconhecer que a letra da “música” do nobre deputado (isso é triste) é estúpida. Vejamos como fica trocando “nega” por ”ruiva”:

Veja veja veja veja veja os cabelos dela
Parece bom-bril, de ariá panela
Parece bom-bril, de ariá panela
Eu já mandei, ela se lavar
Mas ela teimo, e não quis me escutar
Essa ruiva fede, fede de lascar
Bicha fedorenta, fede mais que gambá

É estúpido, ofensivo independente de raça, se ele usasse “esquimó” deveria ser processado pelo Movimento Esquimó da Bahia.

O preconceito e a estupidez não estão nos termos em si, estão no USO dos termos, mas pelo visto essa geração que só consegue ler por palavras-chave é incapaz de algo complexo como interpretação de texto.

Agora mesmo, segundo esta matéria d’O Globo, o Luiz Caldas está encrencado por causa de uma música dos anos 80, Fricote. Tomou um calote e um pito da Prefeitura de Salvador pois sua música se enquadra em uma Lei local e a letra

“apresenta cunho racista e depreciativo às mulheres negras”

 

O Bafafá está sento tocado pela Deputada Estadual Luiza Maia, que considera ESTA letra racista e depreciativa:

Nega do cabelo duro
Que não gosta de pentear
Quando passa na baixa do tubo
O negão começa a gritar

Pega ela aí
pega ela aí

Pra que ?
Pra passar batom
De que cor?
De violeta
Na boca e na bochecha

Pra que?
Pra passar batom
De que cor?
De cor azul
Na boca e na porta do céu

Como portador de cabelo ruim, posso AFIRMAR para a Deputada que é uma merda pentear mesmo, por isso aliás a moda dos penteados afro, Diana Ross que o diga. Quem não gosta mesmo pode até fazer chapinha, comprar produtos da Embelezze, sei lá. Eu prefiro deixar curto.

Não importa o tamanho ou o tipo, cabelo bem cuidado fica bonito. A Rihanna é linda de chapinha e a Sheron Menezzes é linda de cabelo duro.

A música mostra que o negão não tem problemas com o cabelo, ele serve apenas como fator de identificação, da mesma forma que a Luciana Vendramini na novela do SBT é um cenourão.

Claro, a leitura via palavras-chave só permite que se leia “Nega do cabelo duro”, e isso soa racista, principalmente se você não tiver um MÍNIMO de conhecimento musical, não souber que “nega” pode e costuma ser usado como um tratamento carinhoso e, acima de tudo, é uma referência DIRETA a um CLÁSSICO da MBP, de David Nasser e Rubens Soares, Nega do Cabelo Duro:

Nega do cabelo duro, qual é o pente que te penteia?

Céus, a deputada vai ter um treco, afinal é PIOR do que dizer que a supracitada afrobrasileira não gosta de pentear o cabelo, a insinuação é que ela é BIOLOGICAMENTE inferior, e a tecnologia ainda não desenvolveu um pente avançado o suficiente pra funcionar naquele ninho de marfagatos que ela chama de cabelo.

O pior mesmo é que a acusação de racismo da música do Luiz Caldas (ou é do Beto Barbosa? Cartas pra redação do Gizmodo, não pra minha) se torna MAIS ridícula, nem por ele não ser exatamente um exemplo da Raça Ariana, mas pela canção ser cantada a torto e a direito no Brasil todo desde 1985, por gente de todas as raças, cores, credos e orientação sexual.

A cereja do bolo é quando a tal canção racista e depreciativa às mulheres é alegremente cantada pela… Preta Gil.

Eu tenho ressalvas quanto a várias atitudes da Preta Gil, mas não consigo imaginar autoridade maior NO MUNDO para determinar se uma música é racista e ofensiva a mulheres do que uma mulher, chamada Preta com sobrenome Gil. Bola fora, deputada.


#horadoplaneta pra ecobobo chorar

26/03/2011 - 5:13 pm  -  36 comentários


Se há algo que prejudica a conscientização ambiental são os ecobobos. Conseguem ser piores que os ecochatos, pois esses ao menos fazem alguma coisa, por mais precipitada e insignificante que seja. Já os ecobobos são a versão WWF das fãs do Justin Bieber. Adoram uma aglomeração, sofrem da necessidade de fazer parte de algum grupo (e assim se sentirem legítimos) e acima de tudo sofrem de profunda preguiça física e mental.

Esses representantes do sofativismo AMAM datas, dias e eventos, de preferência quando se resumem a tags no Twitter. Assim sem mexerem seus traseiros gordos podem expor toda sua indignação recém-descoberta sobre algo que nunca haviam pensado (ou procurado pensar) 5 minutos atrás.

Pior, saem atrás dos hereges brandindo foices metafóricas, gritando slogans e explicações rasteiras de como seu protesto é mais que um gesto vazio, é fundamental e significativo.

Não é. Você não vai mudar o mundo com uma tag do Twitter. Não vai acabar com o aquecimento global dizendo que ele é chato feio e bobo. Não vai acordar num paraíso de pôneis e unicórnios por ter apagado uma porra de uma lâmpada durante uma hora.

E não, não compro isso de “é simbólico”. Símbolos sem atitudes são irrelevantes. Suásticas existem desde Roma, mas se Hitler não tivesse matado 6 milhões de judeus e dois palhaços elas JAMAIS teriam a conotação maligna que têm hoje. Um bando de ecobobos dizendo que vão apagar uma lâmpada e enchendo o saco de outros tantos ecobobos não significa NADA. É tão vazio quando eu dizer que vou acabar com o racismo através do simbolismo de beber Nega Fulô ou comer pé de moleque, o que por si só é racista, ninguém falou que o moleque em questão era pretinho, no máximo moreno.

Quer entender mais sobre ecologia e o porquê dessa coisa toda de Hora do Planeta ser uma grande palhaçada? Acompanhe o Twitter do Luiz Bento, eu acredito que um doutorado em ecologia pela UFRJ valha mais que uma pré-teen histérica no Twitter dizendo que o mundo todo vai apagar e salvar a Terra.

Leia Também:

 

Minha parte, estou fazendo. Como protesto por essa palhaçada cujo único propósito é aliviar culpa burguesa de desocupados, que amanhã voltarão a ligar o ar-condicionado no máximo para poder dormir de edredon, vou matar alguns bebês-celacanto afogados: O link abaixo é uma webcam transmitindo ao vivo uma lâmpada incandescente de 100 Watts apontada para a parede.

Junto o iPad, consumindo energia mas com a função de mostrar a hora e evitar acusações de que estou transmitindo apenas uma foto e secretamente salvando o planeta.

a transmissão começará 18h 19h,  enquanto isso assista George Carlin dizendo tudo que penso sobre ecohisteria.

 

Free TV Show from Ustream


Que Lúcifer me perdoe mas desta vez defendo a Turma do Cordeiro e nem é assado

23/02/2011 - 5:17 pm  -  33 comentários


Quem me acompanha sabe que não nutro grandes amores por religião. Considero religião organizada um dos grandes males da Humanidade e fico muito feliz do Brasil conseguir bagunçar tudo e gerar o fenômeno da religião desorganizada, onde com nosso sincretinismo temos católicos devotos dando dinheiro pra empregada comprar oferenda pra Iemanjá, judeus comemorando Natal e batistas se fingindo de mortos pra não ter que explicar pela milésima vez que protestante não é o mesmo que pentecostal.

No final raras exceções ninguém se mata e vai todo mundo vivendo, mas de vez em quando surge alguma grande barbaridade. Algumas são inócuas, como o deputado evangélico que gastou tempo e dinheiro públicos com um Projeto de Lei anti-heterofobia. Outras vezes é algo que fere tanto, mas tanto a liberdade individual, que sou obrigado a me meter.

appatinho

Da mesma forma que não quero bíblias em escolas públicas, muito menos bíblias OBRIGATORIAMENTE em todas as escolas, acho que se uma escola é associada a uma denominação religiosa, nada mais justo que ela inclua no currículo a literatura que quiser, seja a bíblia, o alcorão ou o Necronomicon. Mais importante do que a presença ou não da bíblia na escola, é a questão da obrigatoriedade. Forçar alguém a fazer algo, quando é uma escolha pessoal é errado, profundamente errado.

Por isso é com pesar que me coloco ao lado dos livreiros evangélicos e denuncio o projeto do Deputado Bonifácio de Andrada (PSDB-MG). A proposta, travestida da mais clara e tradicional democratite:

obriga livrarias e pontos de venda de livros a comercializar todas as obras enviadas a eles. Caso o comerciante se oponha a vender, deverá comunicar os motivos por escrito ao autor ou editor, que poderá apresentar recurso à Câmara Brasileira do Livro ou às câmaras estaduais.

Isso mesmo. Você, dono de livraria, com um espaço finito de estante, com estoque apertado terá que aceitar toda e qualquer porcaria que aparecer, sob pena de ser denunciado e ter que se defender. Qualquer um chegará em seu balcão e fará uma proposta que você não poderá recusar. Não importa que você seja uma empresa privada, de capital próprio. Na verdade, segundo o Deputado, não é. Diz ele que livrarias:

“não são meras casas comerciais, mas locais de transmissão e circulação de ideias e produtos intelectuais de interesse da cultura nacional”.

Aham. Por isso nem pagam aluguel ou impostos, acertei?

Imagine as Edições Paulinas, excelente livraria/Editora católica, tendo que se justificar por não querer vender os livros de Richard Dawkins. Ou as livrarias menores, especializadas em livros de arte tendo que se explicar cada vez que algum mané que imprimiu dez cópias de seus Contos Escolhidos numa vanity press da vida não conseguir local de honra na estante.

Ou então as livrarias evangélicas. Será que elas realmente precisam exibir literatura erótica, científica ou espírita? Como o Deputado pretende suprir a renda das vendas perdidas, quando os clientes passearem e só acharem livros que não querem?

Imagine se a moda pega. Lojas de CD terão que vender todos os CDs enviados para elas. Cinemas terão que exibir todos os filmes enviados pelas distribuidoras. Canais de assinatura passarão todos os programas encaminhados e a loja do Android disponibilizará qualquer porcaria programada pra ele. OK, esse último já acontece.

Já tivemos uma época onde foi moda impor credo a terceiros…

 

A melhor forma de acabar com religião é através do conhecimento, mas isso não se consegue estuprando o sujeito com conhecimento. É algo forçado, barulhento e tende a estragar o livro. Ou o iPad. Acima de tudo tem que ficar claro que o que NÃO está em discussão é o direito do sujeito ter uma religião, e esse direito é desrespeitado no momento em que uma livraria religiosa é obrigada a vender livros que contrariem tudo que seus donos acreditam.

O Deputado se vende como progressista, mas a postura final é tão radical quanto os cristãos que não querem uma mesquita perto do ponto-zero em Nova York ou dos países islâmicos que criminalizam evangelização de outras religiões ou punem ateísmo com pena de morte.

Ateus defendem a tese de que moralidade independe de religião. Pelo menos amoralidade fica claro que não depende. Isso é muito triste e muito errado, e se Deus existisse tenho certeza que concordaria comigo.

Fonte: Gospel+


Há diferença entre mostrar os dois lados e ser o fio-terra do jornalismo

05/01/2011 - 3:18 pm  -  23 comentários


Existe uma corrente no jornalismo que acredita em uma imparcialidade magnânima da Imprensa, um distanciamento total que seria até justificativa pro tal dilema insolúvel de ver uma criancinha se afogando e não fazer nada para não interferir na notícia. Nesse ponto aliás um câmera resolveu o dilema de forma brilhante: Ele respondeu: “salvar ou continuar filmando? Fácil, coloco a câmera no tripé, ligo e vou salvar o moleque”.

A tal imparcialidade prega que você tem sempre que ouvir os dois lados. É justo, mas a verdade é que mesmo que toda história tenha dois lados, só por ser contra não te qualifica para ser o outro lado. Decidir quem será apresentado como oposição é tão importante quando a própria história. A credibilidade e “imparcialidade” da imprensa também deve ser julgada por essa escolha.

eltonbaby

É evidente que esse moleque filho de dois pais gays homosexuais terá um destino horrível: Será nerd

Vejam por exemplo o caso de Sir Elton John. Um cantor fabuloso (e Faaabuloso) que desafiou todas as convenções, paradigmas e estereótipos sociais. Não por ser gay, mas por manter uma relação estável e feliz com David Furnish. um parceiro que é do meio cinematográfico. Como apesar de ter todo o direito de engravidar (agradeçam à Frente Judaica do Povo) por não ter útero nenhum dos dois conseguiria levar uma gravidez a termo.

Apelaram para uma mãe de aluguel, uma doadora de óvulos e graças à ciência Zachary Jackson Levon Furnish-John nasceu, no dia 25 de Dezembro, Dia Internacional de Crianças Com Dois Pais, pelo visto.

Ótimo pra eles, certo?

A mídia cobriu o caso, é justo. Mostraram pessoas felizes pelos dois, pessoas indiferentes, gente que acha estranho. Tudo bem. Só que a BBC foi além. No mesmo dia em que o casal anunciou o nascimento da criança, a emissora levou ao ar uma reportagem sobre o caso. O contraponto foi uma entrevista com um Babaca de proporções continentais chamado Stephen Green.

Esse idiota (aqui entra o mimimi “você chamou o cara de idiota, perdeu a razão, isso não é argumento”. Pega na minha e balança) é um militante radical conservador fascista cujas pérolas incluem defender a pena de morte para gays em Uganda e lamentar que a Inglaterra não segue o exemplo, para “proteger as crianças”. Ele também comparou Ian Watkins, membro de uma banda pop e gay (U-AU!) a um assassino serial.

Stephen Green é um idiota com discurso religioso radical que passa o tempo todo dizendo o quanto Deus odeia gays e como eles terão um destino horrível, já que no Mundo Real Deus parece impotente (fale com Seu médico. Eu falaria) diante de gays tristes, felizes, alegres, bem casados, baladeiros, quietinhos e todos os outros estados da Condição Humana.

Escolher um idiota assim como contraponto de uma matéria onde um casal só quer viver sua vida e ser feliz é algo malicioso. É gerar polêmica artificial. Green seria contraponto válido se a matéria fosse sobre um posicionamento gay igualmente radical e imbecil, como obrigar pré-adolescentes a namorarem meninos e meninas, para determinar sua identidade sexual.

Em um mundo ideal radicais como Green viveriam no ostracismo, mas o público já se acostumou a esse tipo de polêmica, é preciso se revoltar com algo, contra ou a favor. Brandimos o punho fechado, dizemos “que absurdo! Alguém tem que fazer algo! Mas não eu.” e seguimos com nossas vidinhas medíocres, tendo a sensação do dever cumprido.

A mídia brasileira é cheia disso. Qualquer tema sempre é “enriquecido” com a opinião de um pai de santo (mãe, se for programa vespertino), uma cartomante e um jogador de futebol. Pautam sempre quem dá mais ibope. Entre um cientista e um Ex-BBB o cientista fica de fora até dos programas do Discovery, se a pauta ficar na mão de brasileiro.

Se um tema é apresentado de forma moderada, com uma argumentação racional, é questão de justiça pautar o contraponto nos mesmos moldes. Infelizmente manter um programa ou escrever uma matéria de forma atraente, que capture a atenção do público é algo complicado, demanda talento. Já pra instigar barraco é bem mais simples, você solta no ar o xingamento, senta e fica vendo o circo pegar fogo, uma excelente forma de chamar o público de palhaço.


Ao contrário de Ayrton Senna a F1 está morta e enterrada

13/12/2010 - 10:40 am  -  66 comentários


speed_racerComo todo brasileiro eu cresci assistindo Fórmula 1. Foi uma rara exceção no complexo de vira-latas glorificado pela cultura nacional.

Era um esporte que tinha tudo pra não fazer sucesso por aqui. Caro pra burro, eminentemente europeu, tecnológico e –maior pecado- individualista, trabalhando em cima do talento individual. Tudo que o brasileiro aprende a desprezar desde criança. Mesmo assim os Domingos de corrida eram sagrados.

Acho que era uma catarse, não podíamos viver 24/7 de viralatismo, as corridas eram a chance de vermos um brasileiro vencedor, competindo de melhor pra pior (igual pra igual my ass) com os melhores do mundo. Talvez Emerson, Piquet, Pace fossem aceitos por levarem a carga do viralatismo junto com eles, talvez o público os aceitassem pois venciam “apesar de brasileiros”.

Hoje a Fórmula 1 é uma piada. O nome Senna não é mais sinônimo de talento, o nome Piquet foi apagado para esta geração, só sendo respeitado no passado e o nome Fittipaldi se tornou o Opera dos pilotos. É bonzinho, todo mundo gosta mas ninguém usa.

Lembrando o Passado:

Em 1983 todo mundo falava mal do autódromo em Donnington Park, na Inglaterra. Mimimi não tem ponto de ultrapassagem, mimimi. A MacLaren reclamava que seu motor Honda era fraco. Os instrumentos de medição o colocavam 80 Harry Potters abaixo da concorrência.

Aí um Piloto chamado Ayrton Senna mostrou –não é que estivessem errados- que ele não tinha o menor respeito pelas Leis da Física. Não só ignorou solenemente a tal potência inferior do motor como achou criou não um mas quatro pontos de ultrapassagem. Impaciente, ele fez na primeira volta o que muita gente (estou olhando pra vocês, Rubinho,Nelsinho e todos que se definem por inhos) nunca fez na carreira inteira.

Ele saiu de um 5o lugar no grid para a pole position, deixando pra traz Prost, Schumacher e outros. No final ele ganhou a corrida com uma volta de vantagem em todo mundo menos o 2o colocado.

Outro momento de gênio:  GP da Hungria, 1986. Senna numa Lotus uns 30% além dos limites teóricos do carro. Piquet numa Williams, um caso de gênio gênio(sou Sennista, me processem) contra gênio com carro MUITO melhor. Senna segurou o que deu, até que Piquet lembrou que era gênio e gênio não precisa respeitar Leis da Física. Indo contra TODAS as regras de segurança existentes ele simplesmente jogou o carro na curva além do traçado e além do controle. É o que as pessoas comuns chamam de “entregar pra Deus”.

Seria assustador se Piquet não FOSSE Deus.

Após passar Senna com essa trapaça metafísica, Piquet fez o Mundo voltar ao normal, as Leis da Natureza voltaram a valer e ele seguiu adiante.

Hoje não vemos mais nada disso. A Fórmula 1 virou burocrática, é rara a corrida que tem algum momento emocionante, mas não estou escrevendo este post para reclamar disso. Este post é para avisar quem ainda gosta do esporte que seus dias estão contados.

A praga politicamente correta chegou à fórmula 1. Os Ecochatos venceram.

Lembra dos motores V12 3.0 da Ferrari? NUNCA MAIS. As regras da FIA para tornar a Fórmula 1 um esporte VERDE, valendo para a temporada de 2013 são:

  • Motores terão cilindrada reduzida de 2.4 para 1.6
  • RPMs máximas baixarão de 18 mil para 12 mil
  • Número de cilindros será limitado para 4
  • Biocombustíveis
  • Economia de 35% no consumo de combústível

Isso mesmo. Nem o Fiat Stilo do Morróida é tão fraco. Hoje só sai de fábrica com motor 1.8.

Quer dizer: Um carro de competição, de exibição, criado para correr menos de 20 corridas por ano para agradar os ecochatos tem que ser lobotomizado, aleijado até perder no SuperTrunfo pra um FIAT. Qualquer fusca rodando três vezes por semana consome mais recursos naturais que um F1 que corre 20 vezes por ano.

Se é assim, acabem logo com o esporte. Não tem nenhuma “utilidade”, pelo ponto de vista dos ecochatos, F1 não serve para puxar arados ou transportar alface orgânica até a lojinha do bairro.  Que a Fórmula 1 se vá com a cabeça erguida, que o último som que emita seja o ronco dos motores de verdade, não o patético murmúrio dos carros elétricos que com certeza os ecochatos estão pensando em introduzir como obrigatórios na categoria, em 2014, provavelmente.

Você que ama corridas, ama velocidade e ama essas máquinas maravilhosas, fique com esta jóia, que fala muito mais alto que esses gestos verdes vazios:

[ATUALIZAÇÃO]

Um bando de trollzinhos de merda™ saiu me atacando, com o ódio de sempre. mimimi só fala merda, mimimi não entende nada de Fórmula 1, etc, etc.

Uns dias atrás um sujeito de forma independente se solidarizou comigo. Disse ele: “esses motores são patéticos para a categoria mais importante do automobilismo mundial”. O sujeito também defendeu a inovação: “Concordo que precisamos cortar custos, mas essa abordagem ‘pobre’ da F-1 não é boa. Ser barato é diferente de não ser caro. Queremos que a F-1 esteja ligada a inovações, incentivando a tecnologia”.

Quem é esse sujeito, que concorda comigo então obviamente não entenda nada de Fòrmula 1? Luca di Montezemolo, presidente da Ferrari.

Confira as declarações aqui, aqui e aqui


Resumindo o Dia dos Professores

15/10/2010 - 11:08 am  -  27 comentários


❝Educação é a bala de prata. Educação é tudo. Não precisamos de pequenas mudanças, precisamos de mudanças gigantescas, mudanças monumentais. Escolas deveriam ser palácios. A competição pelos melhores professores deveria ser selvagem; eles deveriam ganhar salários de  6 dígitos. Escolas deveriam ser incrivelmente caras para o Governo e absolutamente gratuitas para os cidadãos, como a Defesa Nacional.❞

Rob Lowe, em The West Wing

E é tudo que tenho a dizer sobre isso.


Quando a Inclusão Digital vira Culto da Carga

05/10/2010 - 3:53 pm  -  42 comentários


Embora seja mais antigo que isso, o fenômeno do Culto da Carga se popularizou com o fim da Segunda Guerra Mundial. Basicamente tribos isoladas no Pacífico passaram a observar estranhos pássaros de metal nos céus. Esses pássaros constantemente despejavam de suas barrigas presentes na forma de comida, roupas, ferramentas e objetos de uso misterioso. A conclusão lógica seguia a 3a Lei de Clarke: Qualquer tecnologia suficientemente avançada é indistinguível de mágica. Portanto, Deuses.

Os nativos passaram a adorar os aviões e seus presentes, criaram toda uma mitologia e os representavam com tótens e pinturas. Havia um uso prático da tecnologia mas nenhum entendimento de seu funcionamento.

Vendo os números apregoados pelos fãs da Inclusão Digital percebo que estamos indo pelo mesmo caminho. Temos milhões de usuários de celular, mas e daí? Há boa possibilidade de todos os eleitores do Tiririca estarem digitalmente inclusos. A inclusão digital é uma ilusão, é uma mentira, assim como o bolo.

As pessoas comuns não sabem como funciona a Internet. Não sabem nem como funciona a televisão. Não sabem nem como funciona Geometria, vide o caso do consumidor que entrou na Justiça pois sua TV widescreen vinha com um defeito de fabricação: Barras pretas laterais quando passava programas de TV convencional. Isso é básico, uma imagem quadrada não cabe em um espaço retangular sem sobrar na largura OU cortar pedaços na altura. Mesmo assim o sujeito GANHOU a ação. (tá no Google)

Eu acho o máximo todo mundo ter acesso à tecnologia, mas não tenho a ilusão de que isso cria uma sociedade igualitária bondosa Solidarność somos todos poloneses.

USAR uma tecnologia te coloca acima de quem não a utiliza mas se você não a entende, fica à mercê de quem detém o verdadeiro Poder, o Conhecimento de como ela funciona. Ao distribuiu essa Disneylândia de conteúdo diluímos o conhecimento, o neo-incluso se deslumbra com as possibilidades e corre pela praia como uma criança costeando as ondas, preocupada demais em ver até onde a praia vai e ignorando qualquer possibilidade de um mergulho mais profundo.

Não é preciso ir muito longe, um mínimo de conhecimento do funcionamento do jogo fez com que a Tessália realizasse o sonho de milhões de brasileiros, participar do Big Brother. Ela angariou 6,6 milhões de votos a favor em sua eliminação. Com 100 mil elege-se um Deputado Federal em SP. O Tiririca que é recordista, teve 1,3 milhões de votos. Imagine uma mente inteligente e maligna por trás, e poderia ser o início de um plano sinistro de Dominação, partindo de um singelo script que a esmagadora maioria das pessoas não sabia da existência.

Note que não estou defendendo a existência de um grupo de Illuminati concentrando o Conhecimento do Mundo, pelo contrário. O conhecimento está aí para quem quiser, o problema é que ninguém quer. Tenho um tutorial sobre Bit Torrent onde explico em detalhes o fascinante funcionamento do protocolo, é algo bonito mesmo. A maior parte das relamações que recebo é de gente dizendo que é longo, cheio de blablabla e que só querem aprender como usar o programa pra baixar Naruto.

No clássico A Máquina do Tempo H.G. Wells mostrou um mundo dividido entre pacatos e sábios Elóis e animalescos Morlocks, no ano 802.701 DC. Se o mundo continuar do jeito que está, chegaremos nesse futuro bem antes, com a diferença que os Morlocks assistirão jogo do Corinthians em seus celulares MPX com TV Digital, achando realmente que fazem parte do Mundo Moderno.


Nem só de kibe vive a China

02/09/2010 - 8:47 am  -  36 comentários


A China é conhecida mundialmente por seus produtos de qualidade questionável, pirataria generalizada e pilhas FONY vendidas no camelô. Usamos o pejorativo xing-ling como usávamos  ”paraguaio”. Por anos o país tem aguentado calado essa fama, até por ser verdadeira, mas o inevitável É inevitável. Ao manter centros de excelência e produzir coisas como o iPhone 4, a China vai aos poucos aprendendo, vai se tornando competitiva.

Isso claro gera dinheiro e com dinheiro podemos fazer coisas bonitas. Michelangelo não pintou a Mona Lisa por hobby. Ele não pintou por não ser Leonardo, mas mesmo que fosse só pintaria por dinheiro. Ele cobrou BEM do Vaticano por todas as suas obras. Fosse o Papa menos pop, seria pobre e teria que contratar uma tartaruga menos popular para decorar suas igrejas. O resultado não seria tão bom.

Dinheiro só não garante bom gosto, óbvio, está aí o Bispo Macedo para comprovar, mas quando há boa vontade em fazer direito E dinheiro, o resultado é magnífico. Vejam um exemplo: Estamos acostumados a receber links com legendas em Engrish de filmes traduzidos nas coxas pro mercado chinês. Nossa idéia de produção por lá é tosqueira como esta capa de uma edição pirata de Battlestar Galactica:

É um samba do crioulo doido espacial. Misturaram os personagens de Galactica com a Enterprise da Nova Geração e ainda tascaram um Stargate no fundo. Na resenha falam que é uma comédia pré-adolescente.

Essa era a realidade chinesa. Só que nem todo mundo se estagnou. A China que produz esses DVDs xing-ling também produz legendas como as criadas para a edição local do filme A Vida Dos Outros, Oscar de Filme Estrangeiro em 2007. Legendas localizadas não são algo novo. São algo caro. A Disney faz, a Dreamworks faz. A Pixar faz. Uma vez eu vi uma versão de Casablanca no cinema onde a carta que Ilsa deixa para Ricky estava… em português. Fizeram direitinho, com direito às gotas de chuva. Total exceção.

Já as legendas chinesas abaixo, só posso chamar de arte. Vejam o trabalho o cuidado para integrá-las ao filme. Isso é digno de um artesão, não de um técnico.

Fonte: Chinasmack


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