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Skavurska em russo é bem melhor!

25/03/2011 - 8:01 am  -  9 comentários


SKAVURSKAUm dos grandes erros da propaganda tradicional é querer se manter tradicional. A idéia de criar personagens não é nova. Sem voltar muito no passado (ok, talvez seja voltando muito) o Garoto Bombril com o Carlos Moreno  é um exemplo clássico de idéia vencedora, mas isso funciona na Internet?

O nível de exigência dos espectadores é muito alto, eles não vão replicar algo que só funciona na TV a menos que seja genial, e não dá para ser genial o tempo todo, nem eu consigo. (viram? Fingi humildade, menti. Uma falha.)

Um segredo: Não é preciso ser genial para se destacar online. Ninguém precisa matar um leão de ouro por dia pra ser visto e replicado. Basta seguir uma regrinha muito simples, que horroriza clientes e publicitários burros:

Produza entretenimento, não propaganda.

É, assusta, afinal você, meu caro, está trabalhando com propaganda e seu cliente quer divulgar o produto dele. Não quer paitrocinar um estandapeiro de YouTube. Ele é um anunciante, não um mecenas.

Concordo plenamente, patrocínio é uma coisa, propaganda é outra.

Só que aqui nas interwebs ninguém gosta de propaganda. (fora também mas não temos saída) Há plugins para remoção de banners, gente que chega ao ponto de editar comerciais e remover a assinatura do anunciante no final e haters para acusar blogs cada vez que publicam um anúncio.

Nós gostamos é de entretenimento. Gostamos de conteúdo instigante, conteúdo que seja… LEGAL.

Trabalhar com personagens é um bom começo, mas “filminho com história” também já está batido.

Então como a Old Spice conseguiu fazer uma campanha de tanto sucesso usando um personagem caricato e baixo orçamento?

INTERAÇÃO.

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Aula de Religião Obrigatória nas Escolas? Deus me Livre!

14/02/2011 - 5:48 pm  -  105 comentários


House-House_vs._God

Devo boa parte da minha educação ao Colégio Santo Antônio. É uma escola de freiras, tida como a melhor da cidade. Lá aprendi a sair para o recreio pelos velhos corredores de tábua corrida ANDANDO de forma civilizada. Aprendi que no pátio as mesmas freiras que exigiam civilidade dentro no prédio não se importavam com crianças gritando, correndo e sendo crianças, embora levantar a saia das meninas tenha gerado algumas broncas.

Lá descobri que se fizesse muita bagunça seria mandado de castigo para a biblioteca, onde passava a manhã lendo tudo que podia. A freira responsável não ligava, embora fosse algo novo para ela, o resto das crianças de castigo sentava emburrada e ficava xingando no Twitter (metaforicamente, claro).

Não tínhamos folga. Fora feriados importantes só ficamos sem aula nas mortes dos Papas Paulo VI e João Paulo II – A Missão.

Religiosamente (com trocadilho) duas vezes por ano íamos para a capela do colégio. Lembro vagamente de uma professora falando algo como “rezem, ou whatever, fiquem quietos, é só meia-hora”. Não quer dizer que não houvesse religião no currículo. Era uma matéria, que estranhamente nunca foi passada como doutrinação. Estudávamos passagens bíblicas como se fossem (eu sei, são) um livro de histórias.

Nunca passou pela minha cabeça que fossem mais que aquilo, e ninguém no colégio de freiras tentou me convencer do contrário.

Quando fui para o Colégio Brigadeiro Newton Braga, um abacaxi civil do Ministériio da Aeronáutica descobri que havia um… capelão.

E mais: Algumas vezes as turmas eram reunidas no auditório para aulas de doutrinação com o tal capelão. Uma das primeiras eu comprei briga. Conforme havia aprendido em casa, bati pé com o inspetor. “Desde a Constituição de 1824 o Brasil é um país laico, não temos reilgião oficial, eu não sou obrigado a assistir nada relacionado a religião na escola!”

O sujeito viu que não iria dobrar aquele moleque petulante (e ainda culpam o Twitter) e chamou um professor. Nem precisei argumentar muito, me liberou do evento e fui pra cantina. De outras vezes foi mais fácil. Ou a palestra era para quem não tinha feito primeira comunhão ainda ou era para quem já tinha feito. Obviamente me encaixava nas duas, e nem precisei brigar.

Hoje não seria tão fácil, ao menos no que depende do EXCELENTÍSSIMO SENHOR DEPUTADO FEDERAL PASTOR MARCOS FELICIANO.

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Ficção? Por que não?

12/02/2011 - 9:01 am  -  26 comentários


Como todo nerd eu tinha uma produção de conteúdo bem razoável. Acabei me especializando em não-ficção e textos técnicos. Meu primeiro texto publicado, aos 13 ou 14 anos foi na revista MicroSistemas, e a grande ironia é que embora eu tenha me especializado em textos técnicos e não-ficcionais, a primeira vez que vi meu nome impresso foi em um conto de ficção científica publicado em uma revista de informática, que não costumava publicar aquele tipo de texto.

Devo ter em algummmmmm lugar uma cópia da revista, ainda procurarei, estou curioso para reler o texto, do qual não lembro absolutamente nada.

Depois disso continuei escrevendo ficção por um tempo, mas a falta de compromisso e a ausência de lugares para publicar o material me desestimularam. Eu já havia sentido o gosto da tinta, virar autor de gaveta não me interessava.

Mesmo assim quando tinha tempo dava minhas castigadas nas pretinhas e acabava escrevendo alguma coisa.

Agora achei um velho DVD com backups de coisas escritas ainda nos anos 90. Vou postar algumas aqui, atualizar outras e quem sabe retomar o hobby. Sim. hobby. hoje já tenho a tranquilidade de encarar escrever ficção como hobby. Não encano mais com a afirmação de só quem ganha dinheiro com literatura no Brasil é Paulo Coelho e Jorge Amado, pois não é (no momento) meu objetivo, não estou planejando destronar Paulo Coelho. Só quero variar nos temas e estilos, pra não ficar preso a uma fórmula.

Por isso vou começar postando aqui meus velhos textos, com um mínimo de correções. São textos escritos em alguns casos quase 20 anos atrás, então quem for xingar muito no Twitter, lamento informar mas o autor que poderia ser atingido pelas ofensas não existe desde o tempo em que você usava fraldas.

O primeiro texto foi publicado originalmente no blog de ficção científica de minha querida amiga Carol. É um micro-conto de ficção científica escrito em 1993:

 

 

atorre

O Último

A tela se ilumina; uma linha fina separa os dois hemisférios da tela. Um ruído vagamente marinho acompanha a imagem que se forma. Um rosto que não ‚ humano aparece, encarando o Homem.

_às suas ordens-disse a Máquina.

O Homem se espreguiça, sentindo uma leve brisa que entra pela janela. Sem tirar os olhos da tela, o Homem Fala:

_Você pode me ajudar?

_Depende.

A Máquina sabe lidar com perguntas ambíguas.

_Por favor -disse o Homem- eu preciso saber. Durante três gerações minha família esteve morando neste abrigo. Meu avô avisou meu pai que me avisou sobre o perigo por detrás das paredes; ele falou do Grande Nada, contou da Morte Invisível, que mata sem você sentir. Mas agora, quando a armação de concreto caiu e desobstruiu a janela, eu pensei que iria morrer, e não morri.

Enquanto o Homem dava uma pausa para respirar, a Máquina analisava a informação que havia recebido, comparava com ordens programadas em seu cérebro de cristal antes da guerra, e tomava decisões.

_Eu acho -disse o Homem- que a Morte Silenciosa Só vai me atingir se eu for l  fora. O que você acha?

Uma pausa invulgar de quase um segundo demonstrou o quanto a máquina demorou a tomar uma decisão:

_Você ‚ o último Homem. Todos já se foram. Tudo que foi dito por seu pai ‚ verdade. Não há  nada lá  além da Morte Silenciosa.

_Então o que eu vejo?

_Você vê o que eu projeto. Aquilo é uma tela. Os Antigos prepararam para mostrar como era o mundo antes do Fim.

Quase desesperado, o Homem suplicou:

_Mas e o vento, e os cheiros, ruídos? Eu ouço sons como os discos de pássaros. Eu vi nos vídeos. Eu sei que são pássaros.

_São discos. Eu usei robôs de manutenção para instalar ventiladores. Todas as essências aromáticas são trazidas do armazém químico. Não há nada lá, último Homem. Esqueça e aproveite sua vida.

Depois de meses nutrindo coragem e esperança, ele não podia aceitar aquilo. Mas a Máquina era definitiva:

_Mesmo que houvesse algo, você não poderia chegar até lá. Não há  portas, o abrigo é fechado. Esta torre tem mais de cinquenta metros. Desista, por favor. Tente ser feliz no mundo que você sempre conheceu!

Ao mesmo tempo em que gritava, tentando negar a verdade da Máquina, o Homem atirava a tela na parede. Quando a última fagulha se apagou, ele viu que estava só. A máquina que havia sido sua única companhia nos últimos anos estava morta.

Mas havia algo que podia ser feito. Enquanto se comprimia contra a parede oposta… mirando a janela, ele pensou na Máquina. Ela nunca havia mentido. Ela mentiu sempre. Só havia um jeito de saber. Tomando impulso, o Homem se lançou no vazio.

Seus últimos pensamentos foram sobre o gosto da terra misturada com sangue, o cheiro da grama que ele acariciava com suas últimas forças, e sobre o Mundo, que havia sobrevivido ao Homem. Como poucos, ele morreu com um sorriso nos lábios.


HERÓIS: Currahee É Aqui

09/02/2011 - 7:02 pm  -  82 comentários


As recentes revoltas no Egito são especialmente confusas para brasileiros com mais de 30 anos. Ver o Exército se posicionar ao lado dos manifestantes, sem ameaça de golpe e ainda por cima em uma ditadura confessa é demais para nossa cabeça. Fomos ensinados, acostumados, adestrados a odiar qualquer um de uniforme. Militar é burro, militar é feio, malvado, cruel, não pensa e vai te torturar para saber as horas.

bandofbrazucas

Na minha escola, que era um colégio civil da Aeronáutica aprendi sobre 2a Guerra Mundial em 3 dias. Sério. A Primeira então foi uma nota de rodapé. Em compensação Feudalismo acho que se abrir o email tem professora mandando trabalho de casa até hoje.

Não estou brincando, só soube que o Brasil havia participado da 1a Guerra Mundial com forças navais depois dos 25 anos, ao visitar o Espaço Cultural da Marinha no Rio. Passeio altamente recomendado, aliás.

Na escola e na faculdade somos massacrados com histórias de como soldados brasileiros eram fracos, covardes, incompetentes. Cineastas de objetivos questionáveis como Sílvio Bach fizeram carreira ridicularizando mais ainda as tropas que ousaram botar o pé na Europa, detalhes como a Força Expedicionária Brasileira ter capturado uma divisão inteira – 14.779 soldados alemães e italianos, comandados pelo General da Wermarch Otto Fretter-Pico. Ou com os Top Guns da FAB, alguns com mais de 100 missões. A Guerra é o ambiente mais cruelmente darwinista que existe, por isso a maioria das forças trabalhava com limites. Os pilotos americanos iam para casa com 10 missões. Os brasileiros não tinham reposição.

Com isso os que sobreviviam usavam a Força. Ao invés de seguir a regra e mergulhar para o bombardeio em vôo evasivo, desciam em linha reta no alvo, contando os segundos entre o disparo da artilharia antiaérea (os temíveis 88), calculando o tempo em relação a altitude que estavam e desviando no último segundo. Chupa Neo. Acho que por isso o 1o Grupo de Aviação de Caça ganhou o respeito dos aliados e inimigos, e uma Presidential Unit Citation, comenda dada pelo Presidente dos EUA a unidades que se destacaram em gestos de heroísmo, acima e além do chamado do Dever.

O 1o Grupo de Aviação de Caça foi uma das três únicas unidades não-americanas na 2a Guerra a receber essa honraria, mas isso você não aprendeu na escola, né?

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Povo Porco é Povo Subdesenvolvido – digo, Em Desenvolvimento. Mas Porco.

07/02/2011 - 9:48 pm  -  36 comentários


Ontem o Fantástico passou uma reportagem sobre lixo. No fundo era jabá pro Ilha das Flores 2 – A Missão, que vai concorrer ao Oscar de Documentário, e se ganhar sairemos às ruas, tal qual cairocas (quem nasce no Cairo. Duvida? Tá na Wikipedia!) celebrando nossa Miséria Finalmente Reconhecida.

Muita gente não gostou do que viu. A Mellancia ficou chocada e externou isso num post. Ah essas crianças. Vou contar um segredo pra ela, que é novinha demais pra lembrar do passado distante:

Sempre fomos um povo porco. É nosso maior componente de união, não é de hoje.

Quando eu era criança havia um personagem que lembrava muito o Cascão (ou o Cascão lembrava ele, não lembro): O Sujismundo. Foi o representante de uma campanha do Governo Federal com o slogan “Povo Desenvolvido é Povo Limpo”. Vejam o primeiro comercial:

Notem que não há nenhuma associação com pobreza ou miséria. Não há uma ligação entre baixa condição social e porqueza. Normalmente isso seria claro discurso de comunistas que tratam pobre como coitadinho, mas no final dos Anos 70 não havia muitos marxistas produzindo propaganda governamental, ao menos em Brasília. Qual o motivo do Sujismundo ser um sujeito de terno e gravata?

<insira tese sociológica de 300 páginas aqui>

PORQUE DESDE AQUELA ÉPOCA QUEM

TEM MAIS CONDIÇÕES

SEMPRE FOI MAIS PORCO!!!!!!

Ufa!

Eu canso de ver. Gente que reclama do saquinho de lixo no carro. “joga pela janela, melhor que esse negócio sujo aí”, gente que não usa o cinzeiro do carro para não deixar cheiro, preferindo atirar a guimba na rua, gente que se torna aleijada, incapaz de carregar uma garrafa ou lata vazia por mais de 5 metros até uma lixeira, e ainda paga de consciência social ao dizer “se ninguém sujar quem limpa perde o emprego”.

Vejam dois exemplos rápidos: A região onde moro em meu bairro no Rio é bem perto do “mar” (é Baía de Guanabara, daí as aspas) costuma desembocar muito lixo. Fora cavalos mortos, garrafas e TVs há ítens assim:

IMG_0709

Isso mesmo. É um sofá. Não é o primeiro. Algum favelado infeliz sem paciência de arrastar o sofá até a rua e esperar o caminhão da COMLURB passar, jogou no mar e que se dane.

“mimimi você falou que isso quem faz é rico e chamou de favelado infeliz”

Yes, caro mimizento. O fato do infeliz ser favelado não o exclui. Se ele tem condições de comprar um sofá, não está tão ruim assim. Se ele pode se dar ao luxo de jogar fora o sofá, então não precisa de dinheiro, mesmo que vendesse por uns R$20,00. E se ninguém na “cumunidade” quis comprar, ou sequer ficar de graça, então não são tão pobrinhos assim, pois um sofá velho é melhor de dormir do que esteira de palha no chão.

E não, não foi caso isolado. Veja outro, mais ou menos no mesmo lugar. Se bem que a rigor é uma poltrona, mas é do mesmo gênero que os sofás.

maispoltrona

Meu bairro é região de classe média média alta. Na rua de frente pro tal “mar” só tem casão. Na virada do ano vários moradores atravessaram a rua para soltar fogos na beira do mar. Atitude saudável, bem menos arriscado do que atirar pra cima e arriscar incendiar a casa de alguém. Mas nem tudo são flores. Vejam como ficou o chão no dia seguinte:

IMG_0708

Acreditem, há lixeiras por toda a orla. O pessoal que soltou esses fogos mora a menos de 50 metros dali. Eles levaram os fogos em bolsas ou sacolas.

O Sujismundo de mais de 30 anos atrás e o que presenciamos todos os dias podem ser vistos como uma indicação que nada mudou, como povo continuamos a mesma coisa. Alguns otimistas entenderão como uma coisa boa, ao menos não pioramos.

Eu digo que não é assim.

As pessoas melhoraram, mas na ficção. Antes tínhamos um personagem que representava a falta de educação do povo. Tínhamos até um personagem que era constantemente alvo de gozação dos amigos por não gostar de limpeza, mas hoje o Cascão toma banho. A praga politicamente correta tornou feio expor nossos defeitos, mesmo através de demonstrações bem-humoradas.

Os Patrulheiros da Correção, já que não conseguiram melhorar o mundo real, decidiram que o mundo da imaginação deveria se tornar livre dos problemas reais. Assim perdemos os exemplos, perdemos o didatismo do exagero e passamos a varrer para debaixo do tapete os problemas do Mundo Imaginário. Talvez na mente dos Chatos as pessoas se inspirem em um mundo perfeito e com isso alterem a realidade, mas no fundo eu acho que eles já vivem nesse mundo perfeito, pois quem se preocupa mais com o Cascão do que com o Lixão não vive no mesmo mundo que eu.


Propaganda para fodalhões em três lições

05/02/2011 - 2:52 pm  -  43 comentários


LIÇÃO 1

Comercial bem-produzido da Nova Schin, mas com idéia ZERO, baseado no bom e velho e medíocre conceito de colocar celebridades e esperar a ovelhização do público fazer com que consumam o produto:

Resultado:

novaschin

Resultado: Foi ao ar dia 28 de Janeiro, total de visualizações: 37.718. Viralização, zero.

Lição 2

Comercial bem-produzido da Volks, cujo único custo real foi o licenciamento da Marcha Imperial de Star Wars, falando para gerações que reconhecem a icônica imagem de Guerra nas Estrelas, passando conceito de família, fugindo do óbvio de usar um Darth Vader adulto ou sequer efeitos especiais:

staua

Resultado: For ao ar dia 2 de Fevereiro, total de visualizações: DEZ MILHÕES.

Lição 3

O Eden, um baiano meio desvirtuado escreve um post em seu blog falando o óbvio, que o comercial da Nova Schin é criativamente fraco, mais do mesmo. Compara (quase injustamente) com uma campanha da Heineken. Um post menor em um blog onde há excelentes e longas análises sobre publicidade, mas ali não há muito o que dizer mesmo, falta conceito, falta criação, é formulinha.

Do nada surge nos comentários um sujeito defendendo ardentemente a campanha. Com a sutileza que lhe é característica Eden escora nas 4 patas e escoiceia o sujeito pra longe. SEGUNDOS depois aparece OUTRO defendendo o primeiro. Os argumentos das únicas vozes discordantes são do tipo “se não gostou faz melhor”.

Eden, que já conhece seu gado e tem muitos anos de estrada nesta indústria vital foi direto no admin do WordPress, viu os IPs e descobriu que os dois detratores eram a mesma pessoa.

Leitores hackers implacáveis usaram suas ferramentas secretas (registro.br) e descobriram que não só o tal sujeito era realmente a mesma pessoa, como os comentários estavam sendo postados DA AGÊNCIA QUE CRIOU O FILME SEM-GRAÇA DA NOVA SCHIN!

Resultado: Um post com mais de 60 comentários descendo a lenha na Euro RSCG Brasil, um funcionário BURRO ainda tentando postar comentários negativos de dentro da agência e um post que já está na primeira página do Google para “nova schin fail”.

arrogant

Conclusão: Não confunda OPINIÃO com crítica injusta. Opinião não precisa ser contestada pois é dada em geral com respeito. Outro dia um sujeito apareceu no Twitter comentando sobre um texto meu: “não concordei com nada, mas estou sem tempo para detalhar”. Por pouco não respondi “vá e não pegue mais”, e por mais pouco ainda (sim, está correto) não agradeci. Isso é BEM diferente de “você só fala merda”.

Defender seu trabalho não é ficar cego. O comercial da Schin poderia ser justificado de inúmeras formas. O próprio Eden é capaz disso, se quiser. Só que isso não mudaria a opinião de quem acha fraco e pouco criativo usar fórmulas batidas, mesmo que eficientes (nota: não são). E a OPINIÃO CONTRÁRIA é o grande pecado, em um mundo acostumado a trolls e fodalhões que xingam muito todo mundo que não gosta do que eles gostam.

A regra é clara: Você não é obrigado a se justificar para quem não gosta de você, mas isso não te dá carta branca para não gostar de todo mundo que discorda.


Wikileaks, Michael Moore e outros idiotas necessários

07/12/2010 - 7:04 pm  -  30 comentários


Era uma vez uma sociedade utópica perfeitamente organizada. Os descontentes eram poucos e no máximo insatisfeitos. As pessoas viviam suas vidas sem saber que eram controladas por máquinas desde seu nascimento, as suspeitas, mesmo raras eram explicadas através de mitologias e outras justificativas.

Essa sociedade tinha um defeito que nem seus criadores conseguiram resolver: Ela era estagnada. Para que evoluísse era preciso que uma instabilidade fosse inserida no sistema. Assim de tempos em tempos nascia um Escolhido, um jovem com uma percepção diferente da realidade que, se tudo desse certo quebraria o ciclo de morte e renascimento daquela sociedade, e sua dependência das máquinas.

Não, não é o mundo de Matrix. Eu descrevi o livro A Cidade e as Estrelas, de Sir Arthur C. Clarke, escrito em 1956.

O tema é recorrente, há um consenso de que não há progresso sem elementos de instabilidade, sem uma dose de Caos. A lição vale pros dois lados, pois também é evidente que por mais que se tente é impossível eliminar todos esses elementos de Instabilidade. Mesmo em histórias onde o final é pessimista, como 1984 de Gorge Orwell ou o curta de Angeli A Cauda do Dinossauro, com a edificante Christiane Tricerri, a história só é pessimista por ter sido contada pela metade. O Status Quo nunca é confortável ou simples de ser mantido.

Mais ainda: Esses elementos de instabilidade e Caos (Caos aqui é no sentido científico, faz favor) são essenciais para evitar a regressão da sociedade, pois qualquer liberdade não exercida tende a ser esquecida. Quando da queda do Muro de Berlin milhares de pessoas atravessaram para a Alemanha Ocidental apenas para voltar para casa depois de visitar parentes ou passear pela cidade. Mais duas ou três gerações e ninguém faria isso mesmo sem muro.

Quando vemos o caso do Julian Assange, o blogueiro responsável pelo site Wikileaks, especializado em publicar informação confidencial e constrangedora percebemos que ele é um desses elementos de caos. Ele não existe para vazar informação. A informação já está aí para quem quiser, Agências de Espionagem conseguem dados muito mais valiosos o tempo todo. 99% do que foi vazado era fofoca diplomática, conseguir isso é fácil, agora mesmo foi divulgado que o marinheiro Bryan Minkyu Martin, da US Navy foi preso pelo FBI depois de receber US$3.500,00 em troca de dúzias de documentos secretos e alguns  top secret.

Não é o primeiro nem será o último caso.

Ao divulgar seus documentos, vídeos e fotos o Wikileaks de Assange não está fazendo trabalho de espionagem. Informação sigilosa que se torna pública se torna inútil, perde o valor estratégico. Se você sabe que eu sei não posso usar contra você.

O que Assange faz de útil é mostrar a uma comunidade de Inteligência onde estão seus elos fracos. Não adianta a NSA gastar bilhões desenvolvendo tecnologias de criptografia se um operador de comunicações copia um email pra um pendrive e depois repassa de casa pra um idiota qualquer com cara de francês.

Quando Michael Moore denuncia uma empresa como a Nike por vender sonho americano Made in Indonésia ou mostra como um plano de saúde se recusa a arcar com um procedimento caro mesmo que com isso o paciente vá morrer ele está fazendo algo socialmente importante, está fazendo com que o público acomodado questione sua realidade. Sim, ele é um chato, como todo chato só traz perguntas, nada de respostas ou propostas. É até fácil lidar com ele, um diretor da Nike perguntou se o público que quer tênis Made In America aceitaria pagar 10x o preço dos feitos na Indonésia (Ou Malásia, um buraco desses) e Moore, claro não respondeu.

Mesmo assim esse tipo de chato é essencial. Quando sua mulher pergunta “é por aqui mesmo?” ela nem sempre tem noção da rota, mas a simples pergunta faz com que você pense por um momento e avalie os arredores. PODE ser que não esteja no caminho certo. Achar a direção correta, aí é contigo.

O Wikileaks é muito importante não pelo que vaza, mas pelo que pode vazar. Os Donos do Poder precisam aproveitar a dica e repensar suas estruturas de informação. É essencial que todo mundo que lida com esse tipo de material sigiloso entenda que é possível sim tornar público em escala mundial algo MAS que também é essencial ter o discernimento pessoal de que nem tudo é para ser divulgado.

Anarquistas da Informação dizem que devemos viver em um mundo onde toda a informação esteja acessível a todo mundo. Lindo, espero que a informação de onde estão os Pôneis e Unicórnios também esteja no pacote.

No mundo real isso não funciona. Exemplo? Imagine se chegasse a Hitler toda a informação sobre o Dia D, confirmada por documentos do Alto-Comando aliado. Outro exemplo? Bem antes dos horrores de Auschwitz e Sobibor chegarem ao mundo em seu pálido desfile de zumbis em preto-e-branco, a informação dos campos de concentração chegou aos Aliados através de relatos de prisioneiros e outras testemunhas. Ninguém deu bola.

"Tudo pronto para enfrentar os aliados e... Mein Furher, eu posso andar!"

Ter a informação é fácil, o problema é saber o que fazer com ela. Isso que diferencia um General de uma Bibliotecária.

A lição do Wikileaks não é Segurança de Informação. Isso é impossível. A lição é discernimento, saber como lidar com a Informação. O idiota que vai pegar prisão perpétua por ter vazado 250 mil documentos sigilosos para o Assange, 250 mil documentos que não vão mudar NADA, NEM UMA PALHA, não sabia.

Nas palavras de São Paulo (Cor I, 6:12)  ”Tudo me é permitido, mas nem tudo me convém”.

ADENDO:

Se algo o Wikilieaks serviu foi para mostrar a irrelevância do Brasil no Cenário Internacional. Dos 250 mil documentos vazados, um total de TRINTA E OITO são sobre o Brasil. Desses só seis são secretos.


Haters Gonna Hate, mas Life Goes On…

24/11/2010 - 10:23 am  -  42 comentários


A única coisa que dá para ser feita com raiva de forma eficiente é testar os limites de calças stretch roxas. Todas as outras atividades são prejudicadas, raiva nubla o discernimento, torna nossa visão limitada e leva a decisões e opiniões erradas.

Mesmo assim a Internet criou e valoriza uma cultura de haters, gente que se orgulha de odiar tudo e todos oito dias por semana. Gente que tem como esporte minimizar toda e qualquer conquista de quem quer que seja.

Não falo de trolls, eles são patéticos e exagerados por natureza, é fácil chutarmos pra escanteio e não levar em conta. Falo de gente aparentemente normal que entende como ofensa a possibilidade de qualquer coisa… dar certo. Essa gente odeia e despreza toda iniciativa, acham mesmo que coletivamente conseguem comprovar o fracasso de um produto apenas desejando em voz alta que ele seja um fracasso.

Vou dar uma dica: Você acha que consegue que algo seja FAIL! apenas desejando? Seu nome é Deus? Se não for, você é um idiota.

Eu disse que a Internet criou essa cultura, mas isso não é exato. Essa gente não surgiu ontem. Toda empresa tem pelo menos um sujeito que se contorce e grita cada vez que uma idéia é apresentada, provando por A+B (ou mais precisamente por 1+1=3) que não dará certo. E esse sujeito nem se preocupa em ser sabotado pelos colegas, pois ele mesmo nunca apresenta idéias.

Essa é a diferença fundamental, o Hater não tem trabalho pra mostrar, por isso mesmo considera ofensa o trabalho alheio. Curioso é que eles não têm senso de escala, se ofendem com realizações de qualquer um, através do Universo. É como se um garoto de 12 anos aprendendo a programar em BASIC se ofendesse com o lançamento do Windows 7.

Exagero? Há milhares de exemplos, desde os críticos de Avatar, demonstrando quanto o filme é ruim, irrelevante desprezível e jamais deveria ter sido feito (US$2,7 bilhõs de faturamento mundial) , passando pelos críticos do iPhone (não venderá!) e do iPad (não serve pra nada!) e do Kinect (ninguém vai comprar!).

Meu exemplo favorito é a única boy band heterossexual da História, Os The Beatles.

Quando a Apple anunciou que faria um anúncio especial que tornaria o dia inesquecível os haters se agitaram. Com uma memória seletiva excelente, o cérebro do hater quando quer é incapaz sequer de guardar dados simples como “P. Sherman, 42 Wallaby Way, Sidney, Austrália”, então todos se fizeram de surpresos com a hipérbole do anúncio.

Os mesmos haters que odiaram quando Steve Jobs disse que o iPad era “mágico”. (spoiler: Não é, está limitado pelas Leis da Física. Fuck Jobs!)
Quando o anúncio anunciado anunciou que o catálogo inteiro dos The Beatles estaria disponível para download digital pela primeira vez na História ouviu-se um “meh” coletivo dos haters.

O fascinante é que eles tecnicamente não podem se decepcionar, pois NADA que a Apple (ou ninguém) faça os satisfará, mas eles jogam a carta da decepção mesmo assim.

As mensagens lotaram os Fóruns, blogs e Twitter. O “consenso” era que seria um fracasso, as argumentações como sempre faziam sentido, de um ponto de vista rasteiro e isolado. A banda é muito velha, os fãs já têm todos os discos, grupos de guitarra estão saindo de moda, ninguém compra música, etc, etc.

Como sempre uma busca pelas redes sociais demonstraria o fenômeno da amplificação da voz dos idiotas, mas na falta de etiquetas de “imbecil” junto aos perfis, não é possível identificar coletivamente os haters. Uma análise da resposta ao anúncio da Apple indicaria como opção natural demitir o idiota que pensou em vender Beatles no iTunes. As projeções indicariam zero compras, o zumbi de John Lennon sairia da cova atrás de Jobs.

Como sempre a turma do “não vai dar certo” foi ignorada pela realidade.

Foram vendidos 450 mil álbuns na 1a semana de Beatles no iTunes, num total de 2 milhões de canções. Números de superstar conseguidos por uma Banda que deixou de existir mais de 40 anos atrás. Claro, ajuda ser a banda com mais discos vendidos na História

Essa cultura do não-vai-dar-certo é prejudicial ao coletivo E ao indivíduo, gera gente que só consegue prazer dizendo que algo não vai dar certo, e se cala diante do sucesso inesperado (por eles). Coletivamente são uma bias nas análises que deve ser levada em conta e individualmente sofrem, afinal como alguém que acha que tudo vai dar errado vai ousar criar alguma coisa?

Não criam, o medo de não dar certo é grande demais. Fechando o ciclo, de onde vem o medo? Do ódio que tanto amam.

Fear is the path to the dark side. Fear leads to anger. Anger leads to hate. Hate leads to suffering.” – Yoda


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