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O Dia em que a Info me carcou bonito e nem mandou flores

20/03/2010 - 10:03 am  -  23 comentários


Existe um termo chamado “Distanciamento Jornalístico” que justifica a clássica pergunta “Mas pq o cinegrafista não largou a câmera e foi ajudar a velhinha se afogando?”. É meio cruel mas tem a ver com profissionalismo, e explica o motivo de muito blogueiro ser barrado em coletivas de imprensa.

Função do jornalista não é opinar durante uma entrevista. Função do jornalista não é xingar o Lula, ou mesmo o Chavez. Pelo menos não enquanto estiver entrevistando. Quer discutir? Monte um talk show.

O famoso slogan do Repórter Esso, “Testemunha Ocular da História” também passa esse distanciamento, mas sendo realista se a História for realmente épica, se você for testemunha vai ser ferrar igualmente. Se for protagonista, babou.

Narrar um furacão do solo pode ser emocionante para quem vê, mas perde-se a perspectiva. Você não sabe o que acontece na rua ao lado. Não dá para testemunhar a História, só pedaços dela. Exceto na Televisão.

Quando os Suspeitos Habituais orquestraram uma tentativa de golpe e conseguiram que o Twitter banisse minha conta (por quase 4 horas) caí em um terrível dilema: Deveria voltar a jogar Battlefield 2 (melhor opção, visto que isso irrita trolls. Sério, apareceu gente criticando até os jogos que gosto) ou continuar escrevendo meus posts pro MeioBit e pro Contraditorium?

O bônus de produtividade não ocorreu. Minutos após o banimento meu MSN pipocava, mais de 2000 mentions no Twitter, suicídios em massa (ok, talvez não) e caos. Um ataque babaca com uma solução corriqueira estava saindo de proporção. Dito isso, só me restou uma alternativa: Capitalizar em cima do fato.

Aí eu vi a bosta que é ser testemunha ocular da História. Eu não conseguia parar para escrever um texto dramático, contundente, inspirador e Humano, narrando meu drama e a Incerteza que tomara conta de minha vida.

Nisso recebo um telefonema da Info. Dois minutinhos, a pergunta mais simples e objetiva possível: “WTF?”. Expliquei o caso e logo depois pimba, estava no ar. Para não ficar explicando toda hora no MSN, passei a dar o link da matéria. No Twitter também fervilhavam RTs do texto da Info.

Assim basicamente eu, blogueiro profissional detentor Da Informação, alvo da notícia, no centro de tudo consegui NÃO monetizar minha Finest Hour, e mesmo minha Volta Triunfante não foi devidamente capitalizada.

Fracassei no hype de mim mesmo, fui derrotado por essa arma velha e obsoleta, mas mortal se bem usada: O telefone. VOZ ainda é a forma mais eficiente de comunicação e o Guilherme Pavarin da Abril soube usá-la.

Ficadika, pra quem só quer fazer jornalismo via e-mail e pros moderninhos que adoram falar que xxx morreu.


Formato é tudo na vida

18/01/2010 - 3:01 pm  -  18 comentários


Dentro do balaio “série de TV” há vários formatos diferentes. Alguns seguindo fórmulas rígidas, outros mais soltos. Um episódio D´Os Simpsons é composto de uma historinha introdutória que se resolve no 1o bloco, montando o palco para a história principal. É o arcabouço básico da série.

Já House quase sempre usa a fórmula de iniciar mostrando o paciente tendo o “ataque”, com a jogadinha de montar a situação para sugerir que um personagem é o paciente da semana, para então revelar que é outro, geralmente que está ao lado.

Scrubs tem tinha um dos melhores textos da TV. Experimente narrar seu dia-a-dia no estilo do JD. É quase impossível fazer aquilo em tempo real. É uma série que tem um formato muito próximo de sitcom, mas não tem a trilha de risadas típica.

Por falar em trilha de risadas, esse negócio odiado por todo mundo que se acha intelectual demais para gostar de sitcoms, fica a dica: Ela não existe isolada. Comédia é TIMING, e o texto das sitcoms é intimamente interligado com a trilha de risadas.

Peguemos o exemplo de Big Bang Theory, uma série que faz MUITO sucesso e unanimamente entre quem entende as piadas, muito engraçada. Vejam uma cena SEM a trilha de risadas:

 

Viu como faz falta?

Não quer dizer que a trilha torne as piadas engraçadas, quer dizer que ambas precisam existir para que as piadas engraçadas funcionem. Trilha de risadas com piada ruim continua gerando sitcom ruim.

Portanto o que para algumas pessoas é um incômodo desnecessário, na verdade é um recurso do formato sitcom. O texto é escrito pensando na trilha, a direção é feita pensando na trilha, a edição é feita pensando na trilha. Remover as risadas significaria uma alteração profunda no ritmo do programa, e tornaria sua gravação com platéia impossível.

Tá, mas Yukiko?

Quando vejo gente falando das chamadas “mídias sociais” se dizendo especialista fico imaginando a bagagem que tal especialista deve ter, pois não só precisa entender as mídias como saber gerar conteúdo para cada uma delas, respeitando as limitações e explorando os pontos fortes de cada uma. Sim, escrever em blog é completamente diferente de escrever em Twitter, e é completamente diferente de escrever para podcast.

E não, não aceito especialista de mídia social sem uma presença forte em mídias sociais.

Em publicidade redatores acabam se tornando especialistas generalizados, profissionais de criação capazes de escrever para os mais variados formatos. Em jornalista embora teoricamente o sujeito esteja atrelado a um veículo, os frilas, oficiais ou não fazem com que ele escreva para veículos diversos.

Já nos blogs nós nos acomodamos. Montamos nosso modelo de post (não se engane, a maioria dos meus posts segue a mesma linha) e nos prendemos a ele. Mesmo blogs de variedades caem nos modelos pré-definidos. Com isso perdemos (ou nem ganhamos, se já começamos com blogs) a flexibilidade, a versatilidade de um bom profissional de criação. Isso é muito, muito ruim.

Quem pretende escrever profissionalmente não pode se dar ao luxo de se prender a um modelo, uma fórmula. Exceto se você for o Dan Brown. Por isso recomendo: Diversifique. Escreva textos fora do normal do seu blog. Vale até escrever um podcast só para mudar de ares. Experimente com crônica, reportagem, sátira, frases de feito, diálogos.

Do contrário quando precisar irá descobrir que se tornou blogueiro de uma nota só.


Exclusivo: Autópsia da Leila Lopes – com fotos

11/01/2010 - 1:18 pm  -  17 comentários


alien_autopsy

Quando a Leila Lopes morreu foi dada a largada para uma competição de necrófilos, todos tentando ordenhar a morta, espremendo e tirando o último centavo. Todo mundo repetindo as mesmas informações, alguns sites caprichando nas galerias de fotos da Ilustre Morta.

Eu também ganhei uma grana com o presunto. É justo, internet vive de hype, adoramos acidentes, celebridades morrendo como moscas, tsunamis, bombas, terremotos, apocalipses, holocaustos, GUERRA GLOBAL TERMONUCLEAR!!!

Mas não. Eu estava em uma fase babaca e moralista, achando que ser blogueiro bastaria, que o dinheiro ganho com bons textos era mais honesto, melhor, bla bla bla.

Não escrevi uma linha sequer sobre a Leila Lopes. Mesmo assim descobri que o Contraditorium havia caído, demorei inclusive a associar os dois fatos. A afluência de visitantes era entretanto inegável. De uma média de 5000 unique visitors, o blog havia até caído, era uma daquelas fases onde eu não escrevia nada a mais de uma semana. Assim de 3555 UVs na Terça dia 2, tive 37098 na Quarta dia 3.

 

ScreenShot003

Como assim, Bial?

O segredo estava neste post, O Vídeo pornô da Leila Lopes, a rainha da baixaria, onde comento sobre a hipocrisia da atriz em negar até a morte (com trocadilho) a existência de um filme gravado um ano antes.

Ela chegou ao ponto de ameaçar de processo sites que comentassem sobre o assunto, isso no mesmo dia em que chegava as bancas uma revista com entrevista completa sobre o pornô.

O conteúdo era legítimo, o Google o entendeu como sério, por isso indexava muito bem. Era um texto de 26/04/2008 que continua firme e forte trazendo pára-quedistas para o blog.

Assim, unindo um puta hype com um pouco de sorte o blog explodiu.

 

OK, como aguentou? Qual o segredo, Mr M?

Eu hospedava o blog no MediaTemple, mas de uns tempos pra cá percebi que o Contraditorium tinha muitos problemas de performance, comparado com o Carloscardoso.com, que existia no Bluehost, um serviço de hospedagem bem mais modesto.

A gota d´água foi quando recebi um link do Marcelo Tas no Twitter, e o blog foi pro Inferno. Com isso percebi que US$50/mês não compensava, se era para cair, melhor cair pagando US$6,95.

Migrei tudo para o Bluehost. Hoje o Contraditorium está rodando WordPress, hospedados em um servidor-padrão e aguentando valentemente os picos do Twitter, mesmo os causados por professorinhas falecidas.

Claro, o Bluehost sozinho não faz mágica, ele é auxiliado pelo excelente plugin WP Super Cache, que mantenho sempre de prontidão, em casos como o da Leila Lopes.

Graças a ele consegui os números acima. Claro, mais gente teria sido atendida se eu tivesse um servidor de alta potência, mas o custo não compensa. Dá para ser feliz com $6,95 por mês. Eu sou e recomendo.

Fica a dica: Quer ter controle sobre seu blog, um servidor completo com CPANEL, FTP, emails, Fantastico, espaço a rodo e apenas limitado pelo consumo de CPU? Vá para a Bluehost e seja feliz.

 

Post Mortem

Isso pode ser feito sempre?

Não, a menos que você tenha um conjunto de monitoração global de mídia digno do Ozymandias. Não dá para estar em todos os lugares ao mesmo tempo, nem saber de tudo. A quantidade de falsos positivos será grande demais.

Leva algum tempo até o blog ganhar credibilidade junto ao Google, e um monte de textos de hype não é algo que ajude. Mesmo assim ele não pode ser desconsiderado.

 

Então o Segrego é Hypar como se não houvesse amanhã?

É e não é. Há valor no blog de hype, valor financeiro principalmente, mas quem tem tendências a escritor só se realiza pessoalmente em blogs “de verdade”. Assim o que sugiro é o que faço de vez em quando: Escreva a sério, mas não tenha medo de usar temas da moda.

Fatalmente você será acusado de caçar pára-quedistas, de tentar faturar em cima de hype, etc. Não importa o que você escreva. É culpado. Então, já que estamos no inferno, e hora de abraçar o capeta.

O que não é tão ruim, acredite: O Diabo não é tão feito quanto pintam.

endiabrado


Avatar: Assim é se lhe parece

08/01/2010 - 11:19 am  -  45 comentários


smurfocalypse

Outro dia dei uma legítima gargalhada com um dos fãs do Israel, aquele guri canadense que insiste ser meu nêmesis. Achando que eu realmente usaria meu blog para atacar seu ídolo, o fã descobriu em toda sua inteligência e perspicácia um dos slogans que uso, ali abaixo da logomarca. e denunciou o “ataque”:

“Fortune and Glory, Kid. Fortune and Glory.”

Imagine a reação fanática (com trocadilho) se tivesse visto a outra citação de Indiana Jones que costumo usar:

“You lost today, kid. But that doesn’t mean you have to like it.”

O erro do garoto (e estou assumindo que não deva ter mais de 12 anos) foi achar que meu global era influenciado pelo local, em uma espécie de paranóia esquizofrênica, procurando padrões, fazendo piadinhas e referências o tempo todo a um assunto específico e localizado.

Basicamente ele deu muito mais importância a algo menor, achou que eu fazia o mesmo, e teve uma interpretação errada sobre o slogan do blog.

Agora vejo isso se repetindo. Na China.

Avatar, em chinês 阿凡达, “ā fán dá”, está deixando o público de cabelo em pé (acharam que eu iria dizer “olhos arregalados?” Não escrevo pro Zorra) não só por causa dos efeitos visuais mas… preparem-se…

Pela profunda compreensão da parte de James Cameron sobre o problema dos chineses expulsos de suas casas pelos governos locais, por estarem no caminho de obras.

O caso é bem sério, há tantos eventos de despejo e demolição que em 13 de Novembro do ano passado uma pobre mulher em Chengdu se desesperou a ponto de botar fogo em si mesma, protestando contra uma ordem de despejo recebida. Sim, eu lembrei da clássica foto do monge em chamas protestando contra a Guerra do Vietnã.

avatar-china-movie-poster-560x798

Nos comentários do ChinaSmack sobre avatar temos:

“Condeno veementemente o diretor ocidental por usar Avatar para faze alusão à situação corrente da China!!”

“Companhias de demolição chineses deveriam processar James Cameron por pirataria/violação de copyright”

“Avatar mostra o profundo conhecimento e preocupação do diretor com os casos de despejo e demolição na China”

Os dois primeiros indicam que existe sarcasmo na China, o que é um bom sinal.

Há relação entre o fanboy que abriu o artigo e essas pessoas? Humm… não. O primeiro é uma cavalgadura que acha que o mundo gira em torno de seu pequeno herói, e não reconhece citações de um dos filmes mais populares de todos os tempos.

Já os chineses estão assistindo um filme que está ressoando em suas experiências pessoais. Todo geek se identificou profundamente com Matrix[bb], bons filmes têm esse efeito.

É CLARO que James Cameron está cagando e andando pros despejos na China, mas se a mensagem ressoa, se o filme inspira e traz à tona a situação dessas pessoas, qual o problema?

O único erro seria achar que Avatar foi criado especificamente como alegoria para tal situação. Isso demonstra extrema arrogância, é uma auto-importância que foge dos limites da sanidade. Aliás um dos sintomas da esquizofrenia é a paranóia. Vide os malucos com chapéus de papel-alumínio para evitar que o Governo leia seus pensamentos.

De resto, a grande lição é para quem escreve. Depois que você solta o texto, está sujeito a todo tipo de interpretação. O fato de ser uma interpretação errada pode ter consequências benignas, como no caso de Avatar na China, ou pode ser algo extremamente prejudicial, em particular com textos com alto conteúdo de sarcasmo, onde a maior parte dos leitores irã interpretar de forma errada.

A culpa não é sua. Em outras mídias escolhemos nossos leitores, em blogs quem escolhe é o Google. Somente uma Minoria Iluminada chega por outros meios.

Portanto, por mais contraditória que seja a dica, fica: Não limite seu texto pelo entendimento da maioria dos leitores pára-quedistas. Em blogs temos que identificar quem é o leitor fiel, quem é o pára-quedista, quem é o troll e quem é o leitor de 1a viagem com uma dúvida legítima ou mesmo uma visão equivocada mas corrigível.

Escrever só vale a pena se for para ser lido por quem não tem alma pequena.


Mãe é Mãe, Paca é Paca, Tag é Tag

28/10/2009 - 1:07 am  -  12 comentários


Um dos maiores paradoxos da Internet é que a mídia que nos livraria das colunas nos jornais, que diria adeus a Centimetragem, a mídia onde os programas não precisariam ser editados até o último segundo está se mostrando mais restrita em termos de espaço do que qualquer outra mídia.

Os vídeos no YouTube ou no VideoLog tem um tamanho máximo, tanto físico quanto de minutagem. As fotos do Flickr, embora grandes também são limitadas. Podcasts estão restritos por causa da realidade que é a banda não tão larga no Brasil.

No YouTube a situação é ainda pior, o déficit de atenção geral faz com que vídeos com mais de 3 minutos sejam deixados de lado. O YouTube tanto sabe disso que se você tiver uma conexão MUITO boa, como os links de 100MBits da GVT (ou Nirvana[bb], pra encurtar) verá nitidamente o gás que é dado nos primeiros 15 segundos do vídeo, após os mais o download ocorre em velocidade normal.

Isso existe baseado em estudos onde 90% dos visitantes assistem só os primeiros 15 segundos antes de mudar de vídeo.

Clique para ler o resto do artigo »


Galinhas, me aguardem!

30/09/2009 - 11:23 am  -  7 comentários


É isso aí, amigos da Globo. São muitas emoções. Estamos nos preparando para o Porto Cai na Rede. Nunca na História deste País um evento reuniu tantos blogueiros em uma aventura tão animada, tudo na maior adrenalina.

Vamos para a mega-super-badalada Porto de Galinhas, Pernambuco, será um grande Woodstock, com a diferença que a maioria toma banho.

De hoje até domingo desfrutaremos de tudo que o balneário – ok, lugar, balneário é coisa de velho- tem a oferecer (penosas inclusas, espero).

Você pode acompanhar a ação pelo Twitter Oficial do Evento, pelo meu Twitter, meu Flickr ou Flickr Oficial do Evento.

Isso, claro, se a conectividade funcionar. Do contrário serei obrigado a achar outra coisa pra me distrair…


Palanque sim, poste nunca!

02/09/2009 - 4:01 am  -  20 comentários


Ano que vem teremos a grande divisão de águas na blogosfera; com a autorização para publicidade eleitoral online os blogs serão invadidos. E essa competição pelo espaço publicitário não será necessariamente boa.

Até agora temos apenas apoio direto, como Pedro Dória fazendo campanha pro Gabeira, blogueiros usando sua pessoa física enquanto gente a nível de cerumano manifestando opinião, ou o indireto, com hordas de eleitrolls vasculhando e intimidando blogs com opiniões contrárias aos Partido (seja lá qual for ele), criando blogs anônimos caluniadores, etc. No vácuo do entre as duas pontas, entrará a publicidade online legítima, ativa e propositiva, digna dos maiores Estadistas de Sucupira.

O blogueiro que manifesta apoio explícito a um candidato curiosamente será o que menos se beneficiará. Com o risco de sofrer as acusações de sempre esse blogueiro fugirá de qualquer relação financeira com seu candidato.

Já os blogs que não tem foco em política terão que fazer uma escolha séria: ou profissionalização ou exploração.

Explico: o AdSense e outros programas de publicidade online serão inundados por propaganda eleitoral, direta ou indireta, velada ou não.

“OBA! DINHEIRO!”

Não. Sem querer cometer um ultraje dizendo isso, “dinheiro”  não é o termo a ser usado aqui. Os valores pagos estão longe da maravilha dos velhos tempos. O modelo de leilão não funciona para nós blogs quando os anunciantes se organizam. Faremos propaganda política pelo mesmo preço do Sagrado Coração de Maria ou algo assim.

Os leitores chatos irão te acusar da mesma forma, seu site ficará parecendo muro de subúrbio perto do trilho do trem e dinheiro que é bom, nada.

É preciso amadurecer. Blogs não são mídia, são veículos individuais. O que publicamos aqui é de nossa responsabilidade pessoal. Não temos a autonomia de um jornal que publica classificados moralmente questionáveis sem ser nunca questionado.

Por outro lado os blogs profissionais não podem se dar ao luxo de tanta pureza.

Continuo defendendo a idéia de que podemos vender espaço sem vender opinião. O Globo cansou de publicar anúncios com longos textos de seu maior desafeto, Leonel Brizola. Política é só mais um produto. Vendido por marketeiros, comprado por consumidores.

No caso das eleições um Blog com AdSense que não queira se “comprometer” terá um ano terrível em 2010. Será todo dia bloqueando anúncios e se explicando aos leitores.

Qual minha proposta? Mate o AdSense, e todos os programas semelhantes que seu blog veicula.

Durante o período eleitoral utilize somente publicidade direta.

Crie um mídia kit com os dados de seu Blog, especialmente para candidatos. Defina o que pode e o que não pode. Exemplo: anúncios dizendo “este Blog apóia fulano”. Crie uma política de preços (muito) diferenciada e lembre-se que candidatos em geral não pagam.

Avisei aos leitores que seu Blog irá veicular publicidade eleitoral. Seja transparente. Deixe claro no mídia kit que o conteúdo do Blog não será afetado pela relação comercial. Se quiser transparência mesmo, torne o mídia kit público.

A seguir algumas dicas para sobreviver como mídia no mundo eleitoral:

1 – Cobre adiantado. Seu valor é irrisório comparado a veículos de verdade. Garanto que gastarão mais em chaveiros do que em toda a mídia online. Políticos são notórios caloteiros. Se grandes fornecedores ralam anos pra receber, imagine você com seu blogueeenho.

2 – Não aceite exclusividade exceto se for um candidato que você apóie. do contrário você estará apoiando.

3 -  não aceite publicidade que se refira diretamente ao Blog ou sua pessoa. publicidade testemunhal é muito mais cara, mas no caso de política não há dinheiro que pague. (há sim, me liguem)

4 – Não tenha medo de recusar publicidade de candidatos especialmente nefastos. seu Blog não é uma democracia e ao contrário do que se
imagina, nos puteiros a última palavra é sempre da puta.

5 – Não perca tempo discutindo com os chatos. Lembre-os que não só eles não pagam suas contas, como na mídia tradicional a alternativa é o
horário eleitoral gratuito.

6 – Instale aprenda e use o Google Ad Manager. será muito mais fácil gerenciar campanhas assim.

7 – Cuidado com agências. Você irá receber uma fração do que receberia com o contato direto com o candidato, e as assessorias eleitorais já
estão alfabetizadas em Internet o suficiente para andarem com as próprias pernas.

8 – Seja pró-ativo. Venda seu peixe agora, não espere um assessor qualquer lembrar do seu Blog.

9 – Evite Peixadas. O QI do QI vai voltar pra te assombrar. Amizade e networking sim, esqueminhas não.

10  – Deixe pelo menos um banner do AdSense, just in case.

11 – Não caia na sedução de candidatos simpáticos. Se você apóia a causa dê 15% de desconto. Gratuidade nunca. O Blog é sua fonte de renda e o seu querido candidato ostentará uma capa élfica quando o Seu Barriga vier cobrar o aluguel.

12 – Estude Geolocalização. Vender espaço com cobertura regional será bem mais rentável do que uma audiência indiscriminada.

13 – Entenda a eleição como um evento sazonal. Extrapole e pense em quantos já perdeu por ficar sentado na própria bunda esperando o Mundo reconhecer sua genialidade e encher sua porta de dinheiro, Cardoso.

14 – Prepare-se para os trolls. Eles ficarão indignados por você “apoiar” candidatos, sejam eles quais forem. Não responda. Ignore.

15 – Feche comentários de publieditoriais políticos. Nunca dão certo e você não ganha para moderam Fórum.

NOTA:

As dicas acima são para blogs profissionais que veiculam publicidade e pretendem faturar algum com a propaganda política das eleições 2010.  Se você ainda não se enquadra e pretende, cai dentro. Se não é sua praia, vá na fé. Existem milhares de motivos para ter um Blog. Todos são válidos e ganhar dinheiro é só mais um.

De resto, se na pior das hipóteses você ajudar a reeleger o Sarney sempre pode perguntar “tem culpa eu?”, responderão “tem” e você “Oba!”


Pior que leitor é AUTOR de título

29/08/2009 - 10:56 pm  -  6 comentários


Escrever as vezes (caiu a crase já?) parece cevar aquela menina que a gente sabe que vai dar, mas depois de uns 2 meses de malemolente inexorável porém sutil cortejo. Por mais que o resultado seja atraente e garantido, depois de uns anos de prática a preguiça bate e começamos a procrastinar.

Não que não estejamos interessados no resultado (yes, baby, vais morrer, só não sei quando) mas o processo em si é trabalhoso.

Só que da mesma forma que o imperativo evolucionário nos força a tentar passar nossos genes adiante, o imperativo financeiro nos força a escrever.  Quem vive de literatura (sim, generalizei) não pode se dar ao luxo de ter bloqueio criativo, falta de inspiração e outras desculpas emoafetivas.

Por isso mesmo inventamos novas formas de procrastinar: Eu mesmo virei um Autor de Títulos. Tenho no proverbial caderninho vários e vários e vários títulos de artigos, a Aba do Scribefire no Mac, o Live Writer no PC estão cheios de “textos em andamento”.

Entenderam a jogada? Você não escreve, mas a rigor está “em andamento”.  É como antigamente, quando os escritores passavam o dia lendo jornal na praia e diziam “estou pesquisando para um novo livro”.

Ter um cronograma, seguindo ou não deixa de ser suficiente. Dispersar a atenção, mesmo em assuntos relacionados a um mesmo trabalho, um mesmo blog, é igualmente prejudicial. Se fosse poesia concreta daria pra publicar tudo pela metade e dizer que era obra em andamento.

Se eu fosse um guru de rabo comprido desses poderia dizer que era uma obra colaborativa web 2.0 ou algo assim, ou em bom português “otários, escrevam pra mim”.

O resultado é que blogueiros viram uma espécie de sub-celebridade ex-global que quando é entrevistada no TV Fama (já caíram demais pra aparecer no Videoshow ou no Pânico) fala que está “estudando projetos”. Em alguns casos até é verdade, mas “estudar projetos” é a mesma coisa que ter uma gaveta cheia de títulos com um parágrafo que você não terminou por estar ocupado criando títulos.

Na brilhante história “Calíope”, Neil Gaiman conta a história de um autor que seqüestra uma musa grega e a estupra repetidas vezes para ganhar inspiração. Ao final ela é libertada por Morpheus, seu antigo amante que pune o escritor dando-lhe todas as idéias imagináveis. Ele claro enlouquece a ponto de escrever desesperadamente no chão, usando os dedos ensangüentados.

Guardadas as proporções, sinto esse efeito do tudo ao mesmo tempo agora, sejam os trabalhos externos, sejam os “projetos” internos. Para fugir disso, a regra é clara:

Começo, Meio e Fim. Quer piranhar no Twitter enquanto escreve? Perfeito, mas no lado TRABALHO faça uma tarefa e somente uma de cada vez. ALT+TAB é seu inimigo mortal.

Eu mesmo estou aprendendo. Agora mesmo fiz apenas UM outro post enquanto escrevia este.


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