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Uma nota de rodapé sobre judeus, nazistas, ouro e cientistas geniais

04/10/2011 - 4:04 am  -  17 comentários


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Em 1943 uma irritante (para os nazistas) ponte-aérea estava plena atividade: Entre a neutra Suécia e a Inglaterra uma série de De Havilland Mosquitos como o da foto transportavam cargas de rolamentos de precisão para a Inglaterra.

Adaptado de seu propósito original de caça-bombardeiro, entre as diversas variações estava a de carga, que mantinha as características revolucionárias da aeronave, voando alto e rápido demais para ser interceptado pela Luftwaffe. Só que dessa vez o Mosquito voava baixo. Arriscado, mas uma decisão do piloto que pode ter mudado o destino da Guerra.

O Mosquito estava adaptado para levar no compartimento de bombas um passageiro. Com pára-quedas, máscara de oxigênio e uma lâmpada de leitura, um sujeito poderia viajar –deitado- se fosse caso de extrema necessidade. Era, mas o passageiro VIP, a Carga Preciosa (como aprendemos nos videogames) não respondia ao contato pelo sistema de rádio interno.

Temendo o pior, o piloto nivelou muito abaixo dos 8.839m de altitude máxima atingida pelo Mosquito, confiando que voar baixo a 610Km/h seria suficiente para evadir os alemães. Para sorte do mundo e do físico Niels Bohr, foi.

No compartimento de bombas Bohr dormia feito um bebê, depois de ter apagado pela falta de Oxigênio –não colocou a máscara direito- e nem percebeu que quase morreu. Talvez tenha até sonhado com dois grandes frascos abandonados em seu antigo laboratório em Copenhague.

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HERÓIS: Currahee É Aqui

09/02/2011 - 7:02 pm  -  82 comentários


As recentes revoltas no Egito são especialmente confusas para brasileiros com mais de 30 anos. Ver o Exército se posicionar ao lado dos manifestantes, sem ameaça de golpe e ainda por cima em uma ditadura confessa é demais para nossa cabeça. Fomos ensinados, acostumados, adestrados a odiar qualquer um de uniforme. Militar é burro, militar é feio, malvado, cruel, não pensa e vai te torturar para saber as horas.

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Na minha escola, que era um colégio civil da Aeronáutica aprendi sobre 2a Guerra Mundial em 3 dias. Sério. A Primeira então foi uma nota de rodapé. Em compensação Feudalismo acho que se abrir o email tem professora mandando trabalho de casa até hoje.

Não estou brincando, só soube que o Brasil havia participado da 1a Guerra Mundial com forças navais depois dos 25 anos, ao visitar o Espaço Cultural da Marinha no Rio. Passeio altamente recomendado, aliás.

Na escola e na faculdade somos massacrados com histórias de como soldados brasileiros eram fracos, covardes, incompetentes. Cineastas de objetivos questionáveis como Sílvio Bach fizeram carreira ridicularizando mais ainda as tropas que ousaram botar o pé na Europa, detalhes como a Força Expedicionária Brasileira ter capturado uma divisão inteira – 14.779 soldados alemães e italianos, comandados pelo General da Wermarch Otto Fretter-Pico. Ou com os Top Guns da FAB, alguns com mais de 100 missões. A Guerra é o ambiente mais cruelmente darwinista que existe, por isso a maioria das forças trabalhava com limites. Os pilotos americanos iam para casa com 10 missões. Os brasileiros não tinham reposição.

Com isso os que sobreviviam usavam a Força. Ao invés de seguir a regra e mergulhar para o bombardeio em vôo evasivo, desciam em linha reta no alvo, contando os segundos entre o disparo da artilharia antiaérea (os temíveis 88), calculando o tempo em relação a altitude que estavam e desviando no último segundo. Chupa Neo. Acho que por isso o 1o Grupo de Aviação de Caça ganhou o respeito dos aliados e inimigos, e uma Presidential Unit Citation, comenda dada pelo Presidente dos EUA a unidades que se destacaram em gestos de heroísmo, acima e além do chamado do Dever.

O 1o Grupo de Aviação de Caça foi uma das três únicas unidades não-americanas na 2a Guerra a receber essa honraria, mas isso você não aprendeu na escola, né?

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I’ll Survive em Auschwitz? Piada de Mau Gosto! (atualizado para GentiliGate)

10/07/2010 - 9:18 pm  -  35 comentários


A brigada politicamente correta vai ter um ataque cardíaco. Afinal convenhamos, dançar “I’ll Survive” diante dos portões de Auschwitz e outros campos de concentração na Europa é algo ofensivo, feio, desrespeitoso e digno das mais altas reprimendas, correto?

Felizmente a brigada PC não existia e os prisioneiros de campos de concentração só precisaram lidar com um grupo bem mais razoável, a Gestapo, que tentou privá-los de suas vidas, seus bens, seus familiares, sua dignidade mas não chegou ao ponto que os moralistas de hoje consideram normal: Tirar nosso senso de humor.

Exato, foi esse o segredo da sobrevivência dos judeus, não só na Alemanha Nazista mas por tuda sua história. O Bom-humor, efeito colateral (e ao mesmo tempo estimulante) da inteligência. É a diferença entre rir de si mesmo e sentir pena de si mesmo.

O humor judaico é tão forte, foi tão usado como ferramenta de SOBREVIVÊNCIA, que no verão de 1943 no campo de extermínio de Dachau os prisioneiros fizeram uma PEÇA, satirizando os alemães, tão brilhantemente escrita por Rudolf Kalmar, também prisioneiro, que os guardas da SS na platéia não perceberam que Hitler e o próprio nazismo estavam sendo sacaneados. Nas palavras de Kalmar, “Fizemos algo que deu força a nossos camaradas. Fizemos os nazistas parecerem ridículos”.

Quem demanda pena nunca recebe respeito verdadeiro. Uma postura solene no fundo é defensiva. Só é possível ser realmente vitorioso quando você olha na cara do inimigo não com raiva, mas com escárnio. Ele não é digno de seu ódio, no máximo seu desprezo, mas não o desprezo com medo, o desprezo de algo inofensivo.

Como no caso de Jane Korman. Essa artista judia (pode falar judia? Se não puder, foda-se) criou a peça “Dancing Auschwitz“. onde não só ela como três gerações de sua família, começando com seu pai, um sobrevivente de Auschwitz de 89 anos aparecem dançando “I’ll Survive”, diante de vários campos de concentração nazistas.

A declaração é mais eficiente que qualquer bravata, os (não tão) poucos discípulos de Hitler tomarão (corretamente) como um tapa na cara. A mensagem aliás nem está correta. Não é “I’ll Survive”. São três gerações, filhos e netos, o correto é “I SURVIVED”, sem pena, sem misericórdia, sem mimimi.

Acima de tudo, com BOM HUMOR, coisa que gente que leva tudo a sério é incapaz de compreender. Talvez por isso os politicamente corretos não sobrevivam nem a uma piada, que dirá a um Holocausto.

Não é preciso patrulhar as ruas da Internet atrás de piadas ruins, meus caros amigos escolhidos. Vocês estão muito acima disso. Uma piada de judeu ruim tem que ser respondida com uma piada excelente, não com perseguições. Quem perseguia humoristas era o outro lado, os caras maus, o baixinho com bigode de depilação íntima.
Fico triste de ver uma perseguição a humoristas ruins, um Comando de Caça aos Comediantes como está acontecendo hoje, no mínimo é melancolicamente irônico ver humoristas sendo perseguidos e comparados a gente ruim que prendeu e matou comediantes, judeus ou não, apenas por criticar o regime e seus líderes.
Mais triste ainda é ver que a fúria está cegando as pessoas até para as sábias palavras do Talmud.
Reza a história que um rabino perguntou ao Profeta Elias se alguém no mercado iria teria um lugar no Pós-Vida.
O Profeta aponta para dois badchanim, comediantes, cômicos de rua. Ele explica que o trabalho deles é fazer as pessoas rirem, elevar o espírito humano através do humor, do riso. Que ganharão a redenção por fazerem os outros felizes.
Por mais que eu questione a qualidade do trabalho do Danilo Gentili, ele ainda é um comediante. Já vi muitas platéias rindo das besteiras dele. Ninguém saiu odiando ninguém, ninguém cometeu crime nenhum. Nem ele, pois naquele intervalo entre o fim da 2a Guerra Mundial e ontem não era crime tentar ser engraçado. Hoje, não sei.
Só tenho medo de estar vivendo no pior dos mundos, um mundo onde até os judeus perderam o senso de humor.

Uns querem mudar o mundo, eu só quero ser Andy Kaufman

19/04/2010 - 3:59 pm  -  36 comentários


Imagine a cena: Um sujeito todo tímido sobe ao palco durante uma apresentação de Improviso. Com sotaque estrangeiro diz que vai fazer imitações, que consistem nele dizendo o nome do entrevistado, e só. “Oi, eu sou fulano”. Com a mesma voz. A platéia vai ficando desconfortável. Não sabe se o cara é ruim ou está se fazendo de ruim. Surgem risadas nervosas, não estão rindo do que ele está fazendo, estão rindo dele. Nesse momento ele pede para fazer uma imitação: Elvis Presley.

A platéia ri de verdade. A falta de talento está estabelecida, a idéia daquele sujeito fazendo uma imitação difícil como Elvis por si só é engraçada.

Ele se produz na hora, coloca uma peruca, pega um violão e faz a mais fodásticamente perfeita imitação de Elvis que se tem notícia. Considerada a melhor, e a única “autorizada”, pelo próprio Elvis Fucking Presley em pessoa.

Todo mundo se acaba em palmas, a platéia vem abaixo. O sujeito se aproxima do microfone, e na mesma voz fina baixa e com sotaque diz “thank you very much“.

Esse era Andy Kaufman.

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Como passar de Mulher do Ano a Mulher Sem Polegar

17/03/2010 - 1:17 pm  -  29 comentários


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A foto acima está sendo repassada como exemplo de coragem de uma manifestante iraniana. Na minha terra isso é burrice. Mais ainda, é combater agressão com grosseria. Por outro lado a mentalidade pré-adolescente pseudo-transgressora da Internet adora. Adora tanto a ponto de  criar o Photshop acima.

Sim, Virgínia, é um Photoshop. É a velha mania da Internet em hiperbolizar tudo. Mesmo o fantástico não é suficiente. Lembra da clássica cena do carro que caiu na água, e o guindaste de resgate caiu também?

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Foi um caso fantástico, deliciosamente irônico, mas não o suficiente para as Interwebs, tiveram que photoshopar a 2a grua de resgate caindo também. PRA QUÊ?

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O mesmo pessoal que diz odiar a Fox News,a Globo e toda a “mídia manipuladora” faz e/ou distribui esse tipo de imagem falsa. Pior, não acham problema nenhum, e criticam quem as denuncia como falsificações.

Uma moda comum são os fakes de atrizes. São em geral poses ridículas, que as mulheres em questão jamais se deixariam apanhar. Há gente como o Fake Detective que se especializa em encontrar os originais e desmascarar as falsificações. Isso não impede que recortes ridículos feitos no MS Paint sejam passados adiante.

O fake político de imagens antes era algo restrito a tiranos de verdade como Stalin, ou aspirantes como Ahmadinejad e seus Foguetes Photoshopados:

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Agora o fake político é feito pelas mesmas pessoas que querem tanto denunciar a malignidade dos alvos de seus fakes. O efeito disso é muito, muito ruim. Tira a sutileza e a poesia. Tira acima de tudo a razão. Não acho que o anônimo herói enfrentando a coluna de tanques na Praça Tianamen ganhasse alguma coisa se fosse photoshopado com uma bazuca nas mãos.

Como não ganhou a jovem iraniana, que ao invés de um arrogante e masculino e infantil dedo em riste, enfrentou, sim Ahmadinejad com um gesto muito mais poderoso que um gesto de pura agressão: Um gesto de questionamento.

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Gays Tomando Tiro? Eu comemoro!

04/02/2010 - 2:49 pm  -  61 comentários


Ser gay nunca foi muito fácil, e nem falo de antes da invenção do KY,e em 1904. Vide a deplorável situação do grande Alan Turing, exposto como homossexual, tratado de sua DOENÇA, emasculado quimicamente e levado ao suicídio. Ganhar a 2a Guerra não era o suficiente, ele também tinha que cuspir no chão, coçar o saco e passar a mão na bunda da secretária.

De lá para cá só os grupos religiosos mais fanáticos (como o islamismo iraniano ou o cristianismo conservador do Bible Belt americano) consideram gays criaturas abomináveis, condenadas ao Inferno. Claro, todo mundo continua secretamente rejeitando a idéia de ter um filho boiola, mas conheço famílias bem conservadoras que simplesmente aceitaram o fato, e não explodiram a pobre criatura de plumas em milhares de pedaços.

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Um campo entretanto não mudou quase nada: As Forças Armadas. Aceitar mulheres já foi complicado. Tirando casos onde a sociedade é extremamente equilibrada (como os países nórdicos) ou onde há real necessidade (Israel) mulheres no máximo exercem funções burocráticas. Mesmo os EUA ainda relutam em colocar mulheres na linha de frente.

Gays então, nem atrás. (com trocadilho)

Durante décadas um soldado gay era expulso sem dó nem piedade, com desonra, escorraçado até pelos sujeitos que o comeram achando que isso não os tornaria igualmente gays (não é que pegue, você entendeu). O que não impediu milhares de gays de servirem nas forças armadas americanas, lutando e morrendo do lado de seus irmãos em armas.

Em 1993 o Presidente Clinton (é, o do charuto) instituiu a política “Don´t Ask, Don´t Tell”, (não pergunte, não fale) alterando a legislação que proibia a presença de gays nas forças armadas dos EUA. Com a nova diretriz o sujeito poderia servir sem ter que responder durante o recrutamento se era gay ou não, MAS qualquer declaração de orientação sexual seria punida.

Basicamente um gay poderia ser soldado se não revelasse nunca em momento algum de forma nenhuma que é gay. Do armário para o carro blindado.

A política é tão burra que causou danos irreparáveis, como a expulsão de 59 intérpretes de árabe no Iraque. Não por espionagem, mas por serem… gays. Os sujeitos eram adorados pelos colegas, se colocavam na linha de fogo, lutavam e morriam, mas independente da opinião da grande maioria que servia com eles, RUA!

Cumprindo uma promessa de campanha, Obama está finalmente revertendo isso, e a grande virada (epa!) veio via… Twitter.

O Almirante Mike Mullen, do Estado Maior das Forças Armadas postou dia 2:

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“Permitir que homossexuais sirvam abertamente é a coisa certa a fazer. Questão de integridade”. Isso foi histórico, inclusive pelo uso da ferramenta. (no bom sentido, cacete!)

Os críticos dizem que isso afeta a moral dos combatentes. 100% dos críticos NUNCA serviu em combate, não entende que o elo entre companheiros de trincheira vai muito além de opção sexual. Na Inglaterra soldados GLB coexistem abertamente, e não há sinal de danos à moral.

gay-pride-soldierAlias, que exemplo maior de que orientação sexual não tem efeito negativo em uma moderna força de combate do que as Forças Armadas Israelenses?

Desde 1993 homossexuais são abertamente aceitos nas IDFs (Israeli Defence Forces). Inclusive nas Forças Especiais. Qualquer tipo de discriminação no recrutamento, alocação, e promoção baseado em orientação sexual é proibido por Lei.

Em 2005 a Associação de Gays Lésbicas, Simpatizantes, Transexuais, Transgêneros, Transgênicos e o Diabo a Quatro de Israel foi incluída na lista de entidades filantrópicas para as quais um jovem pode prestar serviço, ao invés do Alistamento Obrigatório.

Não que usem como desculpa para fugir da caserna, o número de gays que se alista é cada vez maior. Dá até para entender. Se eu fosse gay e judeu (junte negro e argentino e temos uma piada pronta) a escolha seria clara: No melhor estilo Bastardos Inglórios COM PRAZER eu me alistaria para defender meu país e meus irmãos coloridos de inimigos declarados como o Irã, que executa publicamente jovens pelo terrível crime de serem gays.

Toda essa movimentação não é proselitismo. Nesse caso gays não querem segurar bandeiras, querem segurar armas. Querem que o país pelo qual estão dispostos a dar a vida lhes dê a liberdade de ser o que são.

Principalmente, e aí é a questão de integridade que o Almirante Mullen cita, deve ser feita JUSTIÇA, pois no modelo atual se um soldado que morreu heroicamente dando sua vida em combate para salvar seus irmãos morre, caso ele seja gay mesmo que tenha um relacionamento estável de anos, seu companheiro não será avisado pelos meios oficiais. Não participará do funeral, não ganhará uma palavra de alento, nem sequer terá direito a pensão, auxílio médico e outros benefícios dados aos outros soldados.

Até porque o coração pode ser rosa, mas o sangue é igualmente vermelho.

[ATUALIZAÇÃO]

Hoje, 18/11/2010 o Senado dos EUA votou pela rejeição do Don´t Ask Don´t Tell, a legislação que proibia gays de servirem abertamente nas forças armadas. O projeto seguirá para aprovação Presidencial e em 60 dias ganhará Força de Lei. Parabéns aos 65 senadores que votaram a favor.


Haiti, Terra Amaldiçoada por Deus

13/01/2010 - 10:02 pm  -  133 comentários


Ontem fiz um post no CarlosCardoso.com sobre o Haiti. Rendeu um esporro do Dudu Tomaselli, muito bem-dado (sobre SEO, calma) e um monte de gente me xingando e ameaçando minha família, diante de tanta insensibilidade diante de um momento de dor. Compreendo, afinal nada mais justo do que se revoltarem contra meu desprezo à sua preocupação com um lugar que dois dias antes nem sabiam que existia. A imagem revoltante foi esta:

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Eu sei, eu dou murro em ponta de faca, achar que a maioria iria perceber a crítica social, como fez o Bobagento, era querer demais. Só que o mais irritante é que enquanto críticas disfarçadas de piadas, ou mesmo piadas legítimas como quando disse que o Michael J. Fox estava em Porto Príncipe mas “não sentiu nada” são atacadas com uma fúria insana, quase atribuindo aos humorista a culpa pelo acidente, outros passam impunes.

Como o Reverendo Pat Robertson, um dos maiores tele-evangelistas americanos, ao dizer a seguinte boçalidade:

“Algo aconteceu muito tempo atrás no Haiti, e as pessoas não gostam de falar sobre isso. Eles estavam sob domínio francês. Você sabe, Napoleão III, ou algo assim. Eles se juntaram e fizeram um pacto com o demônio. Eles disseram: Nós vamos servir você se você nos livrar dos franceses. –história verdadeira- Então o demônio disse: OK, temos um trato.

Desde então eles tem sido amaldiçoados por uma coisa atrás da outra”

Não, não estou inventando. Veja o vídeo:

 

Na cabeça de um monte de gente que me xinga Pat Robertson no máximo “se equivocou”, afinal é um “homem de Deus”, um “Cristão”, e não deve ser levado ao pé da letra.

Sinceramente eu prefiro viver em um mundo cheio de FDPs como eu que fazem piadas impróprias, do que em um mundo onde Líderes Religiosos Respeitados como Pat Robertson falam sério.

Infelizmente não posso escolher.


O Garoto que Domou o Vento

15/10/2009 - 1:21 pm  -  65 comentários


Esta é uma daquelas histórias que rendem filmes de Sessão da Tarde, mas ao contrário do excelente Céu de Outubro, a situação de William Kamkwamba era muito mais dramática.

Ele nasceu e cresceu em Malawi, um daqueles países irrelevantes até mesmo para os padrões africanos. Tem 14 milhões de habitantes, baixa expectativa de vida, alta mortalidade infantil e AIDS. A renda per capita é de US$312,00. Só para comparar a do Brasil é de US$8.295,00.

Sua vila/aldeia não tinha saneamento básico, água corrente e muito menos eletricidade. É comum na África gente percorrer quilômetros a pé para recarregar celulares e rádios, e era o que William fazia.

Em 2002 aos 14 anos seus pais foram obrigados a tirá-lo da escola. Assolados pela fome a família não tinha como mantê-lo estudante. Mas Kamkwamba era um grande guerreiro, não no sentido militar -guerra não faz ninguém grande- mas no intelectual. Mesmo fora da escola ele continuou frequentando uma pequena biblioteca, de um só cômodo, bancada por doações do Governo dos EUA.

Nela ele viu um livro sobre moinhos de vento. Mesmo sem entender muito bem inglês, percebeu que aquilo era algo que ele conseguiria fazer. Percebeu que eletricidade era a chave para melhorar a condição de vida de sua família. Só 2% da população tem acesso ao recurso.

Durante 3 meses ele juntou peças de ferro-velho, bicicletas encontradas no lixo, estudou sobre magnetismo, condutores e dínamos. De posso do conhecimento repassado por Mestre a muito mortos, ele fez algo que deixaria Maxwell orgulhoso: Aplicou a Teoria e construiu um moinho de vento:

Antes do projeto ficar pronto, a turma que acredita que nada pode ser feito da primeira vez caiu de pau em cima do garoto, afinal um moleque de 14 anos, em um país insignificante da África ousar desafiar os Deuses da Mediocridade e construir algo, ao invés de sentar, reclamar e ficar recebendo calado a esmola em forma de doações da ONU?

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