Costumo dizer que o grande problema das operadoras de telefone no Brasil é a mentalidade de Call Centre como métrica. Favorecem o número de ligações atendidas, não o número de problemas resolvidos. Criam um suporte de 1o nível formado por clones da mistura do Forrest Gump com a loira mais lentinha da Escola de Reforço dos rejeitados no vestibular da APAE. Adestram essa massa de animais de teta para que NUNCA, JAMAIS desviem do script, são incapazes de entender o cliente, só escutam palavras-chave e reagem de forma automática. Mais ou menos como vermes microscópicos e um monte de gente no Twitter.
Por isso você precisa repetir sua história para um monte de gente, além de eventualmente cair no loop área técnica / área comercial, com os dois se acusando mutuamente. Já ouvi pérolas como “Nokia N97 não é smartphone”, ou que a Internet estava funcionando bem, é que meu iPhone só poderia acessar conteúdo via browser, não através de programas.
Surpresa: Existem empresas assim fora do Brasil também. A AT&T é igualmente odiada. Atitudes como VENDER minicélulas celulares para suprir a falta de cobertura usando a Internet do cliente não ajudam. Que o diga Jon Stewart, do Daily Show, que comemorou a perda da exclusividade do iPhone pela AT&T gritando “LIBERDAAAADEEEE!!!”, em um quadro onde só faltou chutar a logomarca da empresa. Aliás, faltou não, chutaram.
Não é exclusividade das américas, a Europa também tem grandes problemas, e nem falo da falta de lealdade da Áustria para com seus grandes líderes. A catástrofe de iguais proporções se chama Mobistar, operadora de telefonia celular belga.
Não há muito o que se fazer além de xingar no Twitter, exceto quando se é criativo. Como os palhaços do Basta, um programa de humor da TV Belga.
Os caras instalaram na madrugada um container na entrada do estacionamento da sede da Mobistar. Dentro os quatro palhaços esperaram até alguém ligar para o número de contato na lateral do container.
O que se seguiu foram quase 4 horas de ligações do chefe de segurança da Mobistar, tentando reclamar do container. Só que ele era desconectado, passado de um ramal para outro, os “atendentes” não prestavam atenção no que ele dizia, sem falar na cereja do bolo que foi a musiquinha irritante de espera, tocada ao vivo em um tecladinho.
Assista, o vídeo é fantástico e dá uma sensação de vingança maravilhosa, com direito a um final apoteótico. O áudio está em seja lá que idioma falem na Bélgica, mas as legendas estão em inglês, essa sim uma língua franca, com a qual um belga seria entendido até no Canadá!
Ontem o Colbert Report, programa de humor jornalístico (não confundir com CQC) apresentado pelo comediante Stephen Colbert levou ao ar o primeiro de 3 programas especiais, com a platéia composta de militares recém-chegados do Iraque. No começo do programa ele exaltou os soldados, explicou que para recebê-los estava com um monte de brindes e produtos que eles não tinham quando em combate, como cerveja de verdade e… cachorro-quente. Estava inclusive com uma barraquinha de hotdogs no cenário.
O sujeito da imagem acima, distribuindo cachorro quente para os soldados é nada menos que Joe Biden, Vice-Presidente dos Estados Unidos da América.
Isso mesmo. Um comediante que por mais liberal que seja critica constantemente o Governo conseguiu que o segundo homem mais poderoso do planeta não só fosse em seu programa como ainda topasse participar de uma brincadeira.
Não é a primeira que o Colbert arma. Ano passado ele levou metade da equipe para o Iraque, fez uma semana de programas direto de um dos palácios de Saddam Hussein. Entre diversas entrevistas ele falou com gente do nível do General Ray Odierno, supremo comandante das tropas aliadas no Golfo. Durante a entrevista comentaram da “prova de respeito” que visitantes costumam demonstrar para com os soldados, que é cortar o cabelo com máquina zero. Colbert brinca, diz que o General não pode passar a máquina pois ele, Colbert só responde ao Presidente.
Nessa hora um link de vídeo é aberto e nada menos que Barack Obama, Presidente dos EUA aparece, saúda os soldados e diz para Colbert que está acompanhando a discussão.
“Sr Presidente, seus satélites são tão bons assim?” ao que Obama responde: ”Não, mas minhas orelhas são tão grandes assim”. Em seguida dá a ordem como comandante geral das tropas, para que o General passe a máquina no Colbert. A cena é fantástica:
Durante a semana ainda aparecem mensagens em vídeo de George Bush, Bill Clinton, John McCain. Um programa de humor conseguiu reunir vários dos homens mais poderosos de seu tempo, sendo que esses homens não pensaram duas vezes antes de fazer piadas com suas próprias imagens públicas. John McCain, herói de guerra veterano da 2a Guerra Mundial do Vietnã (thanks Betinho) não teve problemas em dar aos soldados o conselho que aprendeu em uma guerra passada: “limpem sempre seus mosquetes”.
Os políticos fazem fila para participar do programa, mesmo os conservadores se beneficiam, já os liberais ganham em média 44% a mais em doações de campanha, após aparecer no show.
Já o Daily Show, programa-origem do Colbert Report e “mais sério”, recebe com frequência chefes de Estado, embaixadores e políticos de primeiro e segundo escalão. Há casos como o do picareta em último grau Rod Blagojevich, ex-governador de Illinois deposto por corrupção descarada. Ele foi massacrado de todas as formas por meses no Daily Show, mas no dia em que foi convidado, topou na hora. É melhor estabelecer uma política de “fairplay” do que cometer o Supremo Sacrilégio Americano, protestar contra um programa de humor.
Eu digo protestar pois lá a Constituição, já que não tem que se preocupar em regular juros de mercado, pode proteger o direito à sátira, à paródia, ao Humor.
Bolas, há eventos oficiais inteiros dedicados ao Humor. O Jantar dos Correspondentes de Imprensa da Casa Branca é basicamente uma noite de comédia, onde um humorista é convidado para… sacanear o Presidente, que por sua vez também faz seu showzinho. Ano passado o Obama mandou muito bem:
É, eu também não consigo imaginar o Lula ou o FHC fazendo isso. NA HORA iria aparecer a galera do mimimi com o discurso “fazendo piada enquanto tanta gente passa fome…”. Em uma parte do discurso Obama faz uma piada com David Axelrod, seu principal estrategista de campanha. Diz que falou “podemos fazer coisas maravilhosas juntos”, ao que David teria respondido “então vamos para Iowa tornar isso oficial”. Iowa havia recentemente legalizado o casamento gay.
Brincasse o Presidente assim no Brasil, o mimimi “presidente homofóbico” atingiria proporções bíblicas.
O conceito-chave aqui é Liberdade, algo tão entranhado na cultura ianque que consideram natural. Todas as formas de discurso são igualmente válidos, já passaram da Infância, não têm mais a necessidade de autoafirmação de nós latinos, que precisamos desesperadamente repetir todo o tempo que “isso é coisa séria”, e a maldita frase “com coisa séria não se brinca”.
Essas frases são o último refúgio do covarde, pois políticos não saber como lidar com Humor. A crítica do humor inteligente é rápida, mordaz e não pode ser combatida da mesma forma que políticos combatem críticas normais: com hipocrisia, frases de sentido vago e muito bla bla bla. Por isso tantas tentativas de censurar humor em tempos de eleição. A comédia além de ser vista como uma arte menor por boa parte do público e dos próprios artistas, é considerada subversiva. Humoristas nada mais são na visão dessa gente do que encrenqueiros.
Aqui cabe uma mea culpa, se a classe política ainda está na idade da pedra, os humoristas também não vão muito longe. Há muito pouca gente aqui capaz de sentar numa mesa com um Lula e ir além de piadas com o dedo, e definitivamente o tempo do Presidente da República é valioso demais para ouvir um engraçadinho perguntando se é verdade que ele fez 3 faculdades.
Infelizmente a questão é -mais uma vez- cultural. Nossos políticos temem o Humor por não saber lidar com ele. Não lidam com ele por não ser algo “digno” de importantes políticos, e o público compartilha da percepção de que no fundo Humor É uma atividade menor, bem menos nobre que o Jornalismo. Seja ele qual for.
Eu prefiro acreditar que se ganhadores do Nobel como Paul Krugman, Muhammad Yunus e Joseph Stiglitz acham o Colbert Report relevante o suficiente para merecer suas visitas, talvez o Humor deva ser levado a sério.
O vídeo abaixo saiu originalmente neste post do Treta, mas o servidor deles pelo visto não trabalha sábado, saiu pra tomar um cafezinho, está de licença-prêmio e de qualquer jeito, falta carimbar. E essa pérola é boa demais pra ser verdade. É uma paródia sobre… blocks no YouTube. Não, não sou eu no vídeo, não sou tão tostadinho assim.
Os programas humorísticos, comediantes, redatores, piadistas, artistas e intérpretes em geral estão cientes da legislação que se propõe a trazer de volta a Seriedade ao processo eleitoral, banindo das campanhas políticas manifestações de cunho humorístico que visam claramente expor defeitos, falhas de caráter, deficiências morais e características questionáveis dos candidatos.
Este blog apóia totalmente a iniciativa do TSE, inclusive com sugestões. Achamos que para evitar danos aos nobres candidatos os programas humorísticos devem ser examinados previamente por funcionários do Tribunal, seria um processo rápido e não-burocrático. Declarados livres de qualquer tipo de conteúdo danoso aos supracitados candidatos, estariam liberados para veiculação.
Sugiro ainda que as emissoras insiram uma cartela antes de cada programa, dando ciência aos espectadores de que o programa foi liberado pelo órgão competente, assim nós, cidadãos cumpridores das Leis e tementes a Deus não correríamos risco de assistir inadvertidamente um programa com conteúdo contrário ao regime estabelecido pelo TSE. OU, caso a cartela não seja exibido, poderíamos imediatamente telefonar para um número e, anonimamente denunciar a emissora subversiva.
Tenho até um modelo básico da cartela, o que acham?
Imagine a cena: Um sujeito todo tímido sobe ao palco durante uma apresentação de Improviso. Com sotaque estrangeiro diz que vai fazer imitações, que consistem nele dizendo o nome do entrevistado, e só. “Oi, eu sou fulano”. Com a mesma voz. A platéia vai ficando desconfortável. Não sabe se o cara é ruim ou está se fazendo de ruim. Surgem risadas nervosas, não estão rindo do que ele está fazendo, estão rindo dele. Nesse momento ele pede para fazer uma imitação: Elvis Presley.
A platéia ri de verdade. A falta de talento está estabelecida, a idéia daquele sujeito fazendo uma imitação difícil como Elvis por si só é engraçada.
Ele se produz na hora, coloca uma peruca, pega um violão e faz a mais fodásticamente perfeita imitação de Elvis que se tem notícia. Considerada a melhor, e a única “autorizada”, pelo próprio Elvis Fucking Presley em pessoa.
Todo mundo se acaba em palmas, a platéia vem abaixo. O sujeito se aproxima do microfone, e na mesma voz fina baixa e com sotaque diz “thank you very much“.
Tentei sem sucesso definir o Lengendários, programa humorístico comandado por Marcos Mion que estreou dia dez na Rede Record. Por fim a resposta veio da Ana Martinez, que comparou a troupe com o Incrível Exército de Brancaleone, grupo de patetas que se dá mal o filme inteiro e NÃO vence no final.
Eles são os anti-anti-heróis, representam a filosofia de que de onde menos se espera é que não sai nada mesmo. Foi essa a impressão que tive, antes de ver o programa. Reconheço que alguns livros podem ser julgados pela capa, e algumas primeiras impressões são sim verdadeiras. Continue reading “Branca Branca Branca, Mion Mion Mion” »
Eu sou meio jeca nessa coisa de protocolos, sem intenção percebi que violo várias regras, ao procurar programas de humor e achar graça de mais de um ao mesmo tempo.
Para que você não corra o mesmo risco, compilei algumas regras, deduzidas do convívio com o grupo de criaturas mais racionais, inteligentes e articuladas que conheço: Fanboys de programas de humor:
Dez Mandamentos do Fã de Humor Televisivo
1 - Você é obrigado a rejeitar e execrar qualquer programa de humor que seja mencionado em uma discussão, mesmo que seja o que você gosta. Demonstrar apreço é pecado.
2 – Você só pode gostar de UM programa, ao declarar seu apreço (nunca em uma discussão envolvendo outros programas), automaticamente endossa TUDO que o programa veicule, ao mesmo tempo em que declara que TODOS os outros programas já feitos, em planejamento ou que virão no futuro são lixo.
3 - Recuse-se a entender a diferença entre humorista, comediante, ator de comédia apresentador e escada.
4 – Qualquer programa com mais de 5 anos no ar é um absurdo, “Não sei como isso ainda passa”. Ignore as respostas “passa porque muita gente assiste e gosta, passa porque dá dinheiro”.
5 - A carreira de um comediante é definida por seu último trabalho. Ignore tudo que o sujeito fez de bom. Se ele está ruim em um papel, assuma que ele é ruim em tudo que faz na vida, seja escrevendo, fazendo standup ou sapateando.
6 – Se uma série boa tem UM episódio genial, passe a considerar todos os bons LIXO; assuma publicamente que a série está em franca decadência, por não repetir a genialidade. Ignore o fato de você gostar e assistir ANTES do episódio genial. Da mesma forma UM episódio ruim é motivo para cancelamento.
7 – Nunca acredite em uma segunda leitura. Se há um gay na gag, a piada é homofóbica. Se há um negro, é racista. Resista a qualquer tipo de leitura mais sutil. Isso é coisa de frutinha.
8 – Mulher pelada ou bonita é sempre apelativo, mesmo que seja pertinente ao quadro E/OU ela tenha talento.
9 - Não existem estilos diferentes de humor. Chaplin, Laurel e Hardy, George Carlin e Mel Brooks devem ser julgados e avaliados segundo os mesmos critérios. O único critério que não deve ser levado em conta é se o humor é engraçado. Isso seria simplista.
10 – Humor referencial é elitista. Rejeite qualquer piada que tenha pré-requisito, dependendo de conhecimento prévio para ser engraçada.
Respeitando esses mandamentos você estará apto a criticar o Humor Televisivo Brasileiro, ou ao menos a agir como um bom fã.
Claro, eu não sou muito fã de Mandamentos, então prefiro ignorá-los. Continuo gostando do que acho engraçado, independente de onde venha. Por isso ofendo tanta gente ao dizer que sou fã do Pânico, o que viola os mandamentos 2, 7 e 10.
Ontem durante a cobertura de uma feira erótica em São Paulo um sujeito vestido de sadomasoquista desfilava com uma máscara de latex em forma de cabeça de cavalo. Uma das bibas apresentando o quadro comentou “ah isso na minha cama”. Imediatamente André, editor do programa e um dos maiores humoristas brasileiros ainda no armário inseriu a cena clássica d’O Poderoso Chefão, com a cabeça de cavalo decepada, na cama de Jack Woltz.
Eu ri MUITO, pegou uma frase inócua e deu um final inesperado. Esse é o conceito mais didático de humor.
Claro, 99% dos fãs do programa não entenderam, e segundo o Senso Comum por isso eu não deveria assistir, pois não estou no perfil de “Fã do Pânico”. OK, então me respondam: Pra QUEM o André fez a piada do cavalo? Pro sujeito que liga pro esqueminha de ringtone que anunciam no merchã do programa? Naninanão, a piada foi feita para quem A ENTENDE, por mais que isso viole o Mandamento 10.
Violando os Mandamentos 10 e 4, ontem os Simpsons mostraram como ficar 20 anos no ar, mesmo com a Internet bradando que não são engraçados e ninguém assiste. No episódio o Sr Burns foi preso. Na penitenciária o guarda começa a catalogar seus pertences. Uma hora puxa um cartão e diz “Cartão de Seguro Social”, apenas para ser interrompido por um indignado Sr Burns “Seu idiota, isso é apenas meu cartão SS”. Veja a imagem:
Entendeu? Não? Tudo bem, fale com o Marcos Mion, ele terá prazer em explicar a piada.
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