web metrics


Quem diria, os blogs estão nus

30/10/2009 - 3:37 pm  -  41 comentários


O ato de enviar brindes para blogs e veículos de comunicação tem até nome: Product Seeding, e pode ser feito com várias intenções, desde as mais honestas, como forma de avaliação até as mais malignas, sugerindo ao blogueiro que se ele for bonzinho com a marca, receberá mais brindes. Por isso apaguei todos os comentários negativos ao Windows 7, no post sobre a caixa que ganhei.

OK, agora que metade dos idiotas foi correndo conferir se é verdade, e a outra metade está copiando a frase acima nos comentários e em seus blogs dizendo “eu sabia”, continuemos, com menos porém mais inteligentes leitores:

A prática de dar brindes para imprensa e formadores de opinião é universal. Pode ser um Mega player HD-DVD de milhares de reais, pode ser um Notebook Ferrari com Windows Vista como a Microsoft fez nos EUA, ou podem ser… pendrives.

Alguns jornalistas preocupados com o avanço dos blogs nos “seus” brindes estão atacando nossa credibilidade por… divulgarmos que ganhamos os brindes. Pelo visto é melhor ficar na encolha, viver de brindes e nunca comprar um celular na vida, ou mesmo viajar de graça pelo mundo MAS cair de pau nos blogs que ousam tornar isso público.

Mas mas mas e os blogs que não ficam com os brindes? Isso não os torna imunes a críticas? Não são melhores, na Balança Kármica, do que blogueiros como EU, que aceitam presentes de bom grado?

Clique para ler o resto do artigo »


Palanque sim, poste nunca!

02/09/2009 - 4:01 am  -  20 comentários


Ano que vem teremos a grande divisão de águas na blogosfera; com a autorização para publicidade eleitoral online os blogs serão invadidos. E essa competição pelo espaço publicitário não será necessariamente boa.

Até agora temos apenas apoio direto, como Pedro Dória fazendo campanha pro Gabeira, blogueiros usando sua pessoa física enquanto gente a nível de cerumano manifestando opinião, ou o indireto, com hordas de eleitrolls vasculhando e intimidando blogs com opiniões contrárias aos Partido (seja lá qual for ele), criando blogs anônimos caluniadores, etc. No vácuo do entre as duas pontas, entrará a publicidade online legítima, ativa e propositiva, digna dos maiores Estadistas de Sucupira.

O blogueiro que manifesta apoio explícito a um candidato curiosamente será o que menos se beneficiará. Com o risco de sofrer as acusações de sempre esse blogueiro fugirá de qualquer relação financeira com seu candidato.

Já os blogs que não tem foco em política terão que fazer uma escolha séria: ou profissionalização ou exploração.

Explico: o AdSense e outros programas de publicidade online serão inundados por propaganda eleitoral, direta ou indireta, velada ou não.

“OBA! DINHEIRO!”

Não. Sem querer cometer um ultraje dizendo isso, “dinheiro”  não é o termo a ser usado aqui. Os valores pagos estão longe da maravilha dos velhos tempos. O modelo de leilão não funciona para nós blogs quando os anunciantes se organizam. Faremos propaganda política pelo mesmo preço do Sagrado Coração de Maria ou algo assim.

Os leitores chatos irão te acusar da mesma forma, seu site ficará parecendo muro de subúrbio perto do trilho do trem e dinheiro que é bom, nada.

É preciso amadurecer. Blogs não são mídia, são veículos individuais. O que publicamos aqui é de nossa responsabilidade pessoal. Não temos a autonomia de um jornal que publica classificados moralmente questionáveis sem ser nunca questionado.

Por outro lado os blogs profissionais não podem se dar ao luxo de tanta pureza.

Continuo defendendo a idéia de que podemos vender espaço sem vender opinião. O Globo cansou de publicar anúncios com longos textos de seu maior desafeto, Leonel Brizola. Política é só mais um produto. Vendido por marketeiros, comprado por consumidores.

No caso das eleições um Blog com AdSense que não queira se “comprometer” terá um ano terrível em 2010. Será todo dia bloqueando anúncios e se explicando aos leitores.

Qual minha proposta? Mate o AdSense, e todos os programas semelhantes que seu blog veicula.

Durante o período eleitoral utilize somente publicidade direta.

Crie um mídia kit com os dados de seu Blog, especialmente para candidatos. Defina o que pode e o que não pode. Exemplo: anúncios dizendo “este Blog apóia fulano”. Crie uma política de preços (muito) diferenciada e lembre-se que candidatos em geral não pagam.

Avisei aos leitores que seu Blog irá veicular publicidade eleitoral. Seja transparente. Deixe claro no mídia kit que o conteúdo do Blog não será afetado pela relação comercial. Se quiser transparência mesmo, torne o mídia kit público.

A seguir algumas dicas para sobreviver como mídia no mundo eleitoral:

1 – Cobre adiantado. Seu valor é irrisório comparado a veículos de verdade. Garanto que gastarão mais em chaveiros do que em toda a mídia online. Políticos são notórios caloteiros. Se grandes fornecedores ralam anos pra receber, imagine você com seu blogueeenho.

2 – Não aceite exclusividade exceto se for um candidato que você apóie. do contrário você estará apoiando.

3 -  não aceite publicidade que se refira diretamente ao Blog ou sua pessoa. publicidade testemunhal é muito mais cara, mas no caso de política não há dinheiro que pague. (há sim, me liguem)

4 – Não tenha medo de recusar publicidade de candidatos especialmente nefastos. seu Blog não é uma democracia e ao contrário do que se
imagina, nos puteiros a última palavra é sempre da puta.

5 – Não perca tempo discutindo com os chatos. Lembre-os que não só eles não pagam suas contas, como na mídia tradicional a alternativa é o
horário eleitoral gratuito.

6 – Instale aprenda e use o Google Ad Manager. será muito mais fácil gerenciar campanhas assim.

7 – Cuidado com agências. Você irá receber uma fração do que receberia com o contato direto com o candidato, e as assessorias eleitorais já
estão alfabetizadas em Internet o suficiente para andarem com as próprias pernas.

8 – Seja pró-ativo. Venda seu peixe agora, não espere um assessor qualquer lembrar do seu Blog.

9 – Evite Peixadas. O QI do QI vai voltar pra te assombrar. Amizade e networking sim, esqueminhas não.

10  – Deixe pelo menos um banner do AdSense, just in case.

11 – Não caia na sedução de candidatos simpáticos. Se você apóia a causa dê 15% de desconto. Gratuidade nunca. O Blog é sua fonte de renda e o seu querido candidato ostentará uma capa élfica quando o Seu Barriga vier cobrar o aluguel.

12 – Estude Geolocalização. Vender espaço com cobertura regional será bem mais rentável do que uma audiência indiscriminada.

13 – Entenda a eleição como um evento sazonal. Extrapole e pense em quantos já perdeu por ficar sentado na própria bunda esperando o Mundo reconhecer sua genialidade e encher sua porta de dinheiro, Cardoso.

14 – Prepare-se para os trolls. Eles ficarão indignados por você “apoiar” candidatos, sejam eles quais forem. Não responda. Ignore.

15 – Feche comentários de publieditoriais políticos. Nunca dão certo e você não ganha para moderam Fórum.

NOTA:

As dicas acima são para blogs profissionais que veiculam publicidade e pretendem faturar algum com a propaganda política das eleições 2010.  Se você ainda não se enquadra e pretende, cai dentro. Se não é sua praia, vá na fé. Existem milhares de motivos para ter um Blog. Todos são válidos e ganhar dinheiro é só mais um.

De resto, se na pior das hipóteses você ajudar a reeleger o Sarney sempre pode perguntar “tem culpa eu?”, responderão “tem” e você “Oba!”


Cardoso (eu) no Palavra na Tela 2009

09/06/2009 - 10:11 pm  -  11 comentários


OK, podemos chamar de publieditorieu: De 23 a 26 de Junho acontece o já tradicional Palavra na Tela, do Digestivo Cultural. É uma série de discussões envolvendo luminares do mundo sócio-cultural da Internet (eu) e outros participantes (os outros).

O melhor dia, claro, será dia 25, onde participarei de uma mesa com Anderssauro e Alessandro Martins. Nosso tema é Blogs e Monetização (eu sei) mas duvido que fique só nisso.

A idéia de uma mesa pequena me atrái, acho que podemos engrenar um bom papo. Quem viver e aparecer na Casa Mario de Andrade a partir das 19:30, descobrirá. A entrada é franca, vagas limitadas.

Para todos os detalhes, informações e inscrições e programação dos dias mais fracos, acesse o Release do Evento.


US$5,00 adiantados de cada leitor? Tou dentro!

17/03/2009 - 4:04 am  -  17 comentários


Aprender com os próprios erros e não repeti-los é algo que não pode ser chamado de mistério. Também não é algo que vá tornar sua vida maravilhosamente fácil, pois a quantidade de erros NOVOS que temos para cometer é imensa.

Mesmo assim é essencial, como dizia Richard Bach, ser atropelado pelo grande “rolo-compressor da experiência”. Isso separa os homens dos meninos, ou pelo menos os homens das salsinhas, pois repetir os mesmos erros é no mínimo burrice. Ou a Rihanna.

Por isso quando vejo gente reinventando a roda (quadrada) fico sem-ação diante da ignorância alheia. Como no caso dos idiotas Rocky Mountain News, um jornal com 150 anos de idade, do Colorado, EUA, que não aguentou a sangria de anunciantes, não conseguiu uma presença online decente e fechou, com direito a um vídeo emocionante, snif, snif, último dia da redação, bla bla bla:

Final Edition from Matthew Roberts on Vimeo.

A culpa não é de ninguém, a não ser de Darwin. Quem se adapta sobrevive. Eles não conseguiram se manter relevantes, morreram. Ter 150 anos não quer dizer nada, transporte a cavalo existiu por milhares de anos e foi literalmente dizimado pelo automóvel em menos de uma geração.

Avançar no tempo sem avançar a forma de pensar é suicídio mercadológico, profissional, pessoal.

Essa falta de visão é diametralmente oposta a jornais como o Guardian, de Londres, que lançou sua Open Plataform, um serviço, com API pública para disponibilizar o conteúdo do jornal para programas externos. Claro, com isso estão criando uma rede externa para exibição de publicidade, que é um preço justo a pagar pelo conteúdo.

Os idiotas supracitados do Rocky Mountain News são idiotas por não perceber essa mudança de modelo, mesmo quando o próprio jornal morreu por causa disso.

Um grupo de jornalistas do antigo jornal resolveu que ainda poderiam ganhar dinheiro com Internet, investindo seu know-how de anos fazendo o jornal. Então se saíram com uma idéia revolucionária:

Querem cobrar US$4,99 por mês dos leitores, com um mínimo de 50.000 assinantes. Assim montariam uma equipe e passariam a produzir notícias online.

Mamar na vaca eles não querem, né?

O mundo INTEIRO está fugindo do modelo de assinatura. Hoje em dia só se paga por conteúdo se for algo muito, muito especial. Não exclusivo, especial. Pagar por notícias não faz parte desse modelo. Por isso eu acho muito difícil que o In Denver Times, a nova iniciativa deles dê certo.

O que vai acontecer é que eles irão para o buraco, como tantas carruagens sem cavalos que não aceitaram que deveriam ser automóveis, e culparão o Progresso, que por algum motivo obscuro não lhes garantiu o espaço e o sucesso que (em sua mentes somente) lhes era devido.

Um de meus melhores professores da ESPM, o Mílvio, ensinou que não importa que ontem você tenha criado uma campanha maravilhosa, hoje ela está embrulhando peixe na Praça XV. Prêmio também não adianta. Você pode ter 20 Leões no currículo; só continuará no emprego se matar um leão por dia.

A “nova mídia” cabe praticamente na mesma lição. Você consegue transferir prestígio, com isso alavancar um projeto online, mas se você não entende o formato, o modelo, de nada adianta ter a marca mais poderosa do mundo. Uma hora vai quebrar.


A Maior Inovação da Internet vem dos anos 1950

02/03/2009 - 2:34 pm  -  17 comentários


Eu vejo muita gente em busca de “inovação”. As agências querem inovar, os geradores de conteúdo querem inovar, os blogueiros já estão com medo de virar notícia velha, o Twitter já está sério o bastante para todo mundo usar, só não saber como ganhar dinheiro com ele…

OK, inovar é preciso, mas será mesmo tão essencial assim? Será que nada feito no passado presta, será que todos os modelos são obsoletos?

Nos anos 60 existia um programa chamado Teatrinho Troll, sucesso absoluto. Antes, o Repórter Esso – Testemunha Ocular da História. Eram programas excelentes, que marcaram época, e existiam única e exclusivamente por causa do patrocínio direto. Sim, crianças, anunciantes associavam seus produtos a programas, e as pessoas diziam “viu no Repórter Esso?”

Rápido vôo de DeLorean para o Século XXI. Enquanto o mundo inteiro discute como ganhar dinheiro com YouTube, enquanto nem o Google sabe o que fazer com o elefante branco, um cara chamado Seth MacFarlane, criador de Family Guy e American Dad fecha um acordo para produzir o “Seth MacFarlane’s Cavalcade of Cartoon Comedy.”.

Programetes de um, dois minutos, bem dentro da curta atenção dos espectadores modernos.

Monetização? Dois métodos: AdSense, quando no YouTube, e uma animação curta, relacionada com um anunciante, antes do vídeo em si. Vejam um exemplo que já ficou clássico, o Mário (vai, pergunta) salvando a princesa:

“Você foi raptada por algo que vai em saladas” é uma frase maravilhosa, mas o foco é: “Presented by Burger King“, em uma vinheta antes do filme. Animada, no estilo do desenho, mas ainda uma vinheta publicitária. PATROCÍNIO.

Não dá para ser mais convencional do que isso. Nem o merchandising no Pânico consegue ser tão convencional.

Recapitulando: Temos conteúdo original, veiculado no YouTube, auge da Web 2.0, financiado pelo mesmo modelo de monetização da televisão dos anos 50.

O vídeo acima, com 5 meses de idade teve 11.940.435 de visualizações.

Você acha que o Burguer King não está CAGANDO por não ter “inovado” na publicidade, por seguir um modelo de quase 60 anos de idade, por parecer, aos olhos dos publicitários modernosos um Sabonete Eucalol ou algo assim?

A resposta correta seria “Eu tive 12 milhões de exibições do meu comercial, e você?”

Quantas iniciativas modernas, inovadoras, estilosas conseguem números assim?

Notem, estamos falando de UM vídeo. O pacote com o Google prevê 50, e já há 23 no canal do projeto. O menos visitado, lançado 5 dias atrás, tem 500 mil visualizações.

O melhor de todos, Macacos Falam Sobre Religião, tem 1,3 milhão de visualizações.


Qual a lição que tiramos daqui?

Simples: Inovar é legal mas algumas vezes o foco fica todo na inovação, nos perdemos e esquecemos que não adianta inovar sem ter conteúdo. Eu prefiro um vídeo convencional com um puta conteúdo e que seja visualizado 12 milhões de vezes, a um conceito revolucionário, inovador, genial mas que eu não tenha idéia de como transformar em bufunfa.

Principalmente, só porque uma idéia é antiga, não quer dizer que esteja obsoleta. Aplicar conceitos de patrocínio dos anos 1950 na Internet do Século XXI não tem nada de genial. Genial é perceber que o pessoal que vai te chamar de velho, arcaico, conservador e inimigo da inovação não paga seu aluguel.


Simpsons: Bom demais pra ser jabá?

16/02/2009 - 12:16 am  -  13 comentários


Depois de -sei lá, uns 30 anos- Os Simpsons estrearam uma nova abertura. Desta vez em Alta Definição, com cores e texturas semelhantes ao alcançado no longa-metragem. Em formato widescreen, a seqüência está cheia de detalhes, desde os mais óbvios, como a televisão deles, que agora é uma LCD tela plana, até coisas rápidas, como a caixa de Senhor Faísca que Marge compra, no mercado.

Ali aliás aparece outro detalhe interessante: Vejam a revista que ela está Folheando:

Pois é: Um anuncio da Vodca Absolut, “Absolut Krusty”.  Ótimo. Tudo a ver com o Universo de Springfield, mas fica a Duvida: Foi pago?

A minha postura costuma ser “tanto faz, ficou bom e isso é o que importa”, mas matutando com meus botões, vi que estou errado. Essa postura é prejudicial.

Não, não vou fazer o velho discurso “morte ao jabá”, defendendo a pureza e a essência de uma série de TV. A questão é outra: SE foi uma inserção paga, foi genial. Foi super-pertinente, sutil e acrescentou à cena.

Em 30 Rock, no episódio desta semana Salma Hayek e Alec Baldwin passam uma cena inteira se deliciando com um sorvete ou algo assim do McDonald’s,  cena que ficou descaradamente apelativa, quase no nível de novelas da Globo, onde o sujeito resolve ir em caixa eletrônico no meio da perseguição de carros, e passa os próximos 10 minutos discorrendo sobre as vantagens do banco.

Espantosamente, Tina Fey, produtora, escritora, etc de 30 Rock declarou que a cena NÃO foi jabá.

30 Rock já teve inserções comerciais ótimas, com direito aos personagens terminarem a cena, virarem para a câmera e perguntarem “podemos receber nosso dinheiro agora?”
O que faz uma cena “real” com um produto ficar com cara de inserção comercial mal-feita?
Preguiça criativa.

Eu já vi mais de uma vez gente falando “ah, isso é jabá, faz de qualquer jeito”. O que até aceito quando é um blogueiro de má-vontade fazendo um post pago para uma agência que levará seis meses para pagar (fato real).

Não acho admissível entretanto que agências de publicidade repitam essa mesma postura.
O cliente está pagando, então vamos ser mais criativos, pô. Não precisa muito. A caixinha de divulgação da nova temporada de Dexter que recebi, é ótima. Uma caixa de papelão, forrada com algodão, um furo embaixo e manchas de sangue. Você coloca o dedo e mostra pros amigos.

Todo mundo brincou disso quando era criança.

Isso gera simpatia, cumplicidade, até.

Nosso papel como telespectadores é estimular a criatividade, prestigiando as boas idéias e apontando os defeitos das idéias ruins. Se a publicidade quer invadir a área de conteúdo das séries, filmes e blogs, que o faça com criatividade.

Se a Tina Fey vai fazer um jabá de Cheetos, que o faça comparando com o genérico mexicano que sua personagem come, Sabor de Soledad. Ficou muito engraçado, mostrou o produto, brincou com ele, e todos saíram ganhando. Inclusive os espectadores.


A Maior Parceria Caracu de Todos Os Tempos

02/02/2009 - 10:01 am  -  34 comentários


Normalmente a integridade física, moral e psicológica da cavidade retrofuricular do Morróida não me interessa, eu quero mais que ele se rale, mas algumas propostas são tão indecentes que nem ELE merece.

Entendam, existe a parceria Caracu básica, onde geralmente o sujeito diz que entra com a idéia (que sempre é óbvia) e você com o trabalho/investimento, mas mesmo nesse modelo básico o sujeito ainda faz umas voltas, floreia, etc. É como a Abril Blogs, com a idéia de que você tendo um blog na Abril você ganha em prestígio, enquanto eles ganham em anúncios veiculados no seu blog.

HÁ um sentido, por mais distorcida que seja a lógica, ainda é algo justificável.

O que não dá para justificar (e olha que eu já justifiquei muita coisa na minha vida) é o email que o Morróida recebeu:

Olá Fabio,
recentemente criei um Blog e me inscrevi no Google AdSense para ganhar uma grana a mais mas não tive tempo para postar no blog e assim o adsense não rende.

Então, por meio deste email, venho pedir a você que se puder use os anúncios da google em seu site com o meu ID e se você quiser podemos compartilhar os ganhos.
Muito obrigado pela atenção.

Sou obrigado a fazer uma enquete.

n

n
n
Qual deve ser a resposta do Morróida?
View Results

Não basta ser jabá, tem que participar

18/01/2009 - 8:14 am  -  52 comentários


Tenho notado uma, na verdade duas tendências muito fortes na mídia de entretenimento:

1 – A quantidade de product placement (em português, Merchandising) tem aumentado bastante

e

2 – O Merchandising tradicional ficou chato, feio e bobo.

A Globo, como fala para a Salsaiada Ignara, pode se dar ao luxo de colocar uma cena em novela com personagens entrando em caixas eletrônicos elogiando o banco, ou da Personagem Pobre pedindo um empréstimo no Itaú, tudo bem. Esses telespectadores carecem da sutileza sequer de perceber a inserção, ou pelo menos de reclamar dela.

Já em séries voltadas para público com mais de 2 neurônios, é preciso contexto. Vão fazer um jabá da Dell? Coloquem o House reclamando que o monitor dele não tem definição, em seguida mostre-o feliz com um Dell de 21 polegadas. Ele vai correr no parque pela primeira vez em anos? Enfiem um Nike, está no contexto. “Fechamos um jabá pro iPhone”? Perfeito, criem uma situação que se espalha pelo episódio todo, no final ainda termine com piadinhas.


Jabá? Claro que não. Mas lembre-se, todo mundo mente

Não se engane, 99% dos produtos que você vê em um filme ou série de TV são pagos. E quando a Apple não topa soltar uma graninha ou doar os computadores para a filmagem, eles tascam um adesivão na maçã. Dinheiro Na Mão, Calcinha no Chão mas o oposto também vale. Se bem que  o oposto geralmente custa mais caro e exige KY.

Ontem fui assistir ao remake d’O Dia Em que a Terra Parou.

Jennifer Connelly – a única coisa que presta no filme

O filme é uma bosta, e para dar uma idéia da enormidade do fracasso, a cena visualmente mais interessante foi feita com ajuda da Microsoft.

Ninguém usa espontaneamente nada da Microsoft em filmes, eles não são cool e não têm cara de nada “moderno”. Nem por culpa dos produtos em si, mas por ser algo que todo mundo usa. Um desktop Windows não tem NADA de diferente. “ah, eu uso isso no trabalho” não é o que um cineasta quer ouvir da platéia.

No caso, fizeram uma cena onde a Secretária de Defesa é brifada sobre o alienígena Keanu Reeves em uma tela cheia de sacanagem, onde as pessoas colocam objetos e ela reage, documentos são arrastados, fotos ampliadas, etc. Reconheceu? Pois é, o Microsoft Surface.

Uma tecnologia real, acessível (para quem tem US$10 mil) e visualmente linda.

Até achei que não fosse um merchã, às vezes a tecnologia é tão legal que os produtores usam de graça, como no caso do Microsoft Photosynth, que o pessoal de CSI conheceu em uma visita à empresa de Redmond e ficou doido para usar no seriado. E usaram.

O Photosynth então nem precisa de US$10 mil, é di grátis, só baixar.

Claro, quando começaram a aparecer no filme computadores com Windows Vista (ou o 7, não deu pra reconhecer) e tela de toque, vi que tinha sido um belo de um jabá, de primeira, chamou atenção.

Ah sim, o celular da Jennifer Connelly é LG.

No filme a astrobióloga Jennifer Connelly (vá lá, suspensão de incredulidade, na vida real biólogos parecem o Jonny Ken) recebe seus pertences de volta, confiscados pelo Governo Maligno. Abre a sacola em cima de uma mesa, cai um celular LG, que já aparece ligado, ganhando um close absolutamente desnecessário e que antes só seria merecido pelos peitos que a Jennifer Connelly não mais possúi (que Deus os tenha).

PS: A foto acima NÃO é do filme.

Passou batido para 99% da platéia. Quem percebeu soltou, na imortal expressão do Judão, um “meh”.

Nós vivemos em um mundo muito mais repleto de marcas do que nos anos 30/40 quando a prática do merchandising em filmes começou a se solidificar. Alguém puxar um iPhone é natural, alguém falar de um produto é normal, exceto no mundo dos blogs, onde o patrulhamento impera, mas aí eu uso as tenras, sábias e inocentes palavras da Mírian Bottan: “pau no cu e não me encha o saco”

O problema do merchandising em filmes é que não funciona OU quebra o ritmo, se feito como nos filmes dos Trapalhões, onde do nada surgia um caminhão das Mudanças Gato Preto. Eu garanto que a LG gastou muito mais para colocar aquele telefone no filme do que gastou para levar blogueiros para passear (foi show, aguardem post sobre a viagem). O que ganhou? TALVEZ fixação de marca, o que é um dos objetivos mais “meh” no campo da propaganda.

O filme tem outros jabás completamente estranhos, como uma cena no McDonald’s onde o mesmo chega a ser referenciado pelo nome, como se o enorme “M” refletido no capô do carro não fosse suficiente.

Dá para fazer merchandising que seja interessante? Claro que dá. Lembra disso?

É o telefone do Neo, em Matrix. Um Nokia 7110 que eu mataria para conseguir, à época.

Eu tenho um RayBan Predator que custou uma fortuna, graças a esses dois sujeitos:

O merchandising embutido na trama é MUITO, MUITO melhor do que o product placement sem-graça, que equivale ao banner na web, se torna invisível ou quando aparece, aparece mal. Da mesma forma que o bom vídeo viral tem muito mais penetração (ui!) que o comercial normal, mas essa maior eficiência demanda muito mais talento, trabalho E parceria com o autor da obra que será devidamente merchandalizada. ALÉM do cliente.

Lembrem-se, a IBM perdeu a chance de ter seu nome associado a um dos computadores ficionais mais famosos da História, HAL 9000, de 2001 Uma Odisséia no Espaço, porque seus executivos acharam que pegaria mal um computador “vilão” ter a marca IBM.

Cumplicidade entre os participantes é fundamental. Senão temos gente de má-vontade fazendo propaganda “por obrigação”, clientes reclamando de tudo e gente apontando dedo dizendo “é jabá!” – o pior, com razão. Só é possível utilizar a Resposta Diplomática Mírian Bottan™ se o merchandising é inteligente, bem-colocado e ajuda na trama. Do contrário os neuróticos patrulhadores têm razão, e isso é péssimo.

PS: Já falei que O Dia em que a Terra Parou é uma bosta?


Mais Antigos


Quem é Cardoso

Para saber mais sobre o autor deste blog, visite este link. Para enviar uma mensagem, clique aqui. Para anunciar, clique aqui.


Jabá

O Contraditorium está hospedado no Bluehost, com transferência mensal ilimitada, espaço em disco ilimitado, domínios ilimitados, infinitos subdomínios, PHP, Ruby on Rails e todas as funcionalidades que você puder pensar. Quanto? US$6,95 / mês, quinze Reau, menos que uma pizza. Conheça o Bluehost, clique no link abaixo.