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Eu tenho muito medo desse CFDP

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Calma. Não é o que você está pensando. É muito pior. Por culpa do Wallace, fui parar no site do Conselho Federal dos Detetives Profissionais – CFDP. (note a ausência de link. É para seu próprio bem)

Por onde começar? É… uma pérola. Um primor, uma lição de como não fazer um site. Mas não não fazer no sentido “ficou feio”. Está Estão lá (obrigado, Bia) , todas as anti-lições do planeta. Dos gifs animados e fotos distorcidas à música de fundo que não tem como desligar. Sim, o tema inicial é de Missão Impossível.

Notem o James Bond no cabeçalho. Agora vá para o menu. “AGECIAS CONVENIADAS”. Doeu no olho? Não é nada. Leia este texto, que está logo abaixo, na seção “delegacia regional”

VOCE QUE QUER SER UM AUTENTICO DETETIVE.OU.ASSOCIAR.VENHA FAZER UMA VISITINHA E APROVEITAR PARA TOMAR UM CAFESINHO SERA.SEMPRE BEM VINDO CONHEÇA NOSSOS.ADIVOGADOS,APRENDA TUDO SOBRE AS.LEIS QUE REGULAMENTA A PROFISSAO APRENDA A NAO CAIR NO.CONTO DO VIGARIO FAZENDO CURSOS FANTASMAS APRENDA A CONHECER OS PICARETAS TEQUINICA USADA PELOS FALSOS DETETIVES COMO INDENTIFICAR ESSES FALSSARIOS.FAZER CURSOS DE DETETIVE E BEM FASSIO MAS EM ESCOLA DE FORMAÇAO DESTES PROFISSIONAIS DE ACORDO COM AS LEIS MUNICIPAIS,ESTADUAIS,E FEDERAIS,DETETIVE E UMA PROFISSAO REGULAMENTADA POR LEI ESTOU SITANDO ALGUMAS POR ESEMPLO CBO-3518 DO MINISTERIO DO TRABALHO QUE ASSEMELHA O DETETIVE A POLICIA

Eu juro, não mexi em uma letra. Está tudo lá. Mais adiante, piora. E muito. Imagine uma mistura de Inspetor Clouseau, Mário Fofoca, Maxwell Smart e Lula.

Eu nem vou falar muito, afinal…

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Meeeeeedo.

Eu ainda não estou acreditando que isso é a sério, eu me recuso a aceitar que isso é a sério. Não, não pode ser a sério.

OK, eu sei que você está se roendo de curiosidade. Então PRIMEIRO abaixe o som de seu computador. Depois que tiver feito isso, visite: http://conselhodosdetetivescfdp.com.

Ah sim, na página da imagem acima, que está no link “LEIS REGULARIZA O DETETIVE” (sic) a trilha é um grito de uma águia. Em loop.

Devo dizer que em todos esses anos nesta indústria vital essa foi a primeira vez que cheguei a um Fundo de Escala, encontrei um site que servirá de comparação para todos os outros. E estou com medo, sabendo que tem gente na rua, solta, que faz um site desses.

Christvertising - como não pensei nisso?

Algumas vezes eu me acho uma anta. Preciso ser mais ousado com minhas idéias absurdas. Na verdade preciso parar de achar que uma idéia é absurda demais para ser considerada.

Vejam por exemplo este conceito, Christvertising!

Eles propõe uma abordagem totalmente nova para a promoção de sua marca: Nada de virais, métricas, estratégias de marketing. Eles focam no Usuário Final (mesmo): Deus.

Dizem usar uma rede de fiéis proativos e criativos que através de intensas preces irão melhorar a imagem de sua marca aos olhos do Senhor. “Se Deus ama sua marca, ela se tornará mais forte e vem-sucedida”.

Citam até Deuteronômio, 28:5, “Bendito o teu cesto, e a tua amassadeira”.

Eu não sei se isso é só mais um daqueles sites humorísticos ou uma idéia genial, mas lembrando da quantidade de empresas na Dutra com enormes e constrangedores placas com dizeres bíblicos, eu acho que uma empresa que se especializasse nesse serviço, uma espécie de Site Social de Orações, faturaria muito, muito dinheiro.

Afinal, você não pagaria para milhares de pessoas rezarem pelo sucesso de seu negócio?

Coisas que só acontecem no Brasil

Ato 1
[recado] Cardoso, ligue para o banco, seus cheques em dólar compensaram

Ato 2
Oi, aqui é o Cardoso, a respeito dos cheques

Oi Cardoso, a pessoa responsável não está, pode te ligar depois?

Ato 3
Oi, aqui é a pessoa responsável, você me ligou?

Liguei, por causa dos cheques, CPF tal, nome tal..

Ah, perfeito, é comigo mesmo. Posso te ligar daqui a uma hora? Estou saindo pro almoço…

PANO RÁPIDO

Se o Estadão daqui é assim, imagine o da Austrália

Eu não tenho muitas ilusões quanto ao Jornalismo Especializado. Se o sujeito fosse um economista bom mesmo não estaria em um jornal, estaria dando aula, no máximo escrevendo artigos eventuais, ou quem sabe um blog. Isso vale para todas as áreas. Ciência, Medicina, Tecnologia. É uma questão de Economia, um bom profissional de outras áreas ganha mais que um jornalista especializado comum. Portanto, vamos assumir que quem escreve sobre determinados temas não é necessariamente especializado, mas conta com bom-senso e percepção do mundo que o cerca, correto? Você pode não saber os intrincados detalhes da política brasileira, mas se cobre o Brasil pelo New York Times sabe que o Presidente é o Lula.

Detalhes desse nível não deveriam ser exigência, do mesmo jeito que hoje em dia profissionais de informática não são mais questionados se conseguem ler textos em inglês (é algo tão essencial que quem não tem essa capacidade acaba excluído do Mercado). Jornalistas, por definição, deveriam gostar de ler, acompanhar o máximo de informação possível e estar por dentro das tendências e discussões do mercado que cobrem, correto?

Então me expliquem: Como diabos alguém faz isso?

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“HACKERS have unlocked Microsoft´s new iPhone…”

Sério. Não saiu no Estadão, que já demonstrei aqui não se preocupar muito com pesquisa e precisão dos fatos, saiu no Herald Sun, um jornal australiano respeitado, e o mais vendido. Saiu inclusive na versão impressa. Na online o artigo foi apagado, mas uma busca no Google entrega, no primeiro link o texto comprometedor.

iPhone. A blogosfera chiou, vários sites boicotaram, ninguém aguentava mais tanto ouvir falar do iPhone e da Apple. É um nome que está nas TVs, nas revistas, foi capa da Time, foi um dos maiores hypes de todos os tempos. Como um ser consegue ser tão alienado a ponto de dizer que ele é da Microsoft?

Mais uma vez eu pergunto: Onde estão os redatores, editores, chefes de redação, revisores? Será que TODOS que leram o artigo não sabiam que o iPhone era da Apple?

A conclusão que estou chegando é:

A credibilidade e compromisso com a verdade de um blog é equivalente a de um jornal impresso, pois se o jornal tem uma equipe muito maior para evitar esse tipo de erro, e essa equipe não funciona, terminamos em condições iguais: Um sujeito escrevendo um texto, da melhor forma possível, dentro de suas limitações. A diferença é que se o Herald Sun faz uma cagada, ele apaga o artigo do site. Se eu faço eu assumo, meto um overstrike, agradeço quem indicou o erro, e sigo com a vida.

Os veículos cada dia se tornam mais irrelevantes, ao mesmo tempo que as pessoas retomam seu lugar de destaque. Se por um lado isso é excelente, dando autonomia a muita gente boa, muito mais gente ruim, que não sobreviveria sem uma redação pra se encostar, vai começar a ficar com medo. Não duvidem se as campanhas antiblogs mais fortes não vierem da direção, mas dos escalões inferiores das redações.

Só não se preocupem, pois se tudo que tivermos a temer é gente que não sabe nem que o iPhone é da Apple, nós já vencemos.

Fonte: Fake Steve Jobs


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