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E Viva o Jornalismo-Paraquedista

06/07/2011 - 5:13 pm  -  37 comentários


Hoje a Band conseguiu se superar, na diretiva “não mencionar marcas se não for patrocinador”. Essa mania iniciada pela Globo se alastrou e hoje até o Pânico tampa logos e marcas comerciais. Até o departamento de jornalismo se submete a isso, e como resultado a Band conseguiu noticiar por HORAS um incêndio em uma indústria em São Paulo sem citar a empresa.

Isso mesmo, o básico do jornalismo, QUEM, ONDE, QUANDO foi corrompido pela ordem de não fazer propaganda gratuita.

Curiosamente na área de tecnologia ocorre o oposto. Não só o jornalismo especializado cita marcas alegremente, como inventou uma prática igualmente desagradável: Associar desnecessariamente uma marca famosa para faturar links via SEO, polêmicas forçadas e fanboys e haters se digladiando nos comentários.

Vejam este exemplo:

A notícia é interessante, um grande veio de Terras-Raras, metais quase alienígenas como gadolinium, lutetium, terbium e dysprosium, usados na produção de semicondutores, chips, etc.

Só que não basta dizer que são elementos raros descobertos no leito do Pacífico, nem que a exploração dessas reservas é uma empreitada caríssima, que a tecnologia provavelmente nem existe e sequer é economicamente viável.

É preciso associar com algo bem hype, da moda, algo que seja bem posicionado pelos sites de busca e que os leitores possam reconhecer, mesmo que a associação seja absolutamente tênue.

Uma vez vi uma manchete na mesma linha: “iPods causam surdez em adolescentes”. Imaginei alguma agulha saindo dos fones da Apple, sei lá. Lendo a matéria, explicavam que ouvir música muito alta com fones de ouvido prejudicava a audição, e que como os jovens utilizavam muito iPods e outros MP3 players, o número de casos estava aumentando.

Escuta-se música com fones desde que Thomas Ed-Sung inventou o Walkman, em 1731citation needed. Todo audiófilo ADORA seus fones caríssimos personalizados. Todo torcedor dos anos 60 e 70 não saía de casa sem seu radinho e o fone egoísta. Walkmen, Discmen, Changemen.

Em nome de uma personalização (falsa) da notícia o jornalista prejudicou (em teoria) uma marca inteira. Ao invés de noticiar aquilo que todo velho chato sabe, “música alta faz mal”, transformou A APPLE na vilã da história. Um leitor idiota (sim, eles existem, nem todo veículo é como o Contraditorium) associaria a fonte de todo o mal à Apple, preferindo comprar um MP3 Player Sdruvs Sansa 2000, muito pior e prejudicial, mas que não foi apontado na matéria como prejudicial.

Esse tipo de jornalismo preguiçoso é muito ruim, ainda mais agora que a área comercial E a área de SEO estão dominando. É comum redações com listas de palavras-chave que devem ser utilizadas, preferencialmente nos títulos. Em breve teremos chamadas de 1a página como “Morre Itamar Franco, mas não de Mesotelioma”.

Nada contra, também adoro SANDY PELADA SEM ROUPA NUA CALCINHA RESTART ganhar dinheiro, mas é preciso manter um mínimo de objetividade jornalística, é preciso tratar a notícia com um pouco mais de seriedade do que blogs de fofoca, e olhe que os sérios aumentam mas não inventam.

Colocar um iPad no título de uma matéria apenas para chamar atenção do robozinho do Google e de leitores pára-quedistas é seguir as piores práticas dos piores blogs.

Qualquer veículo online tem dois leitores: O pára-quedista, que dá dinheiro, e o leitor real, que dá credibilidade. Qualquer estratagema dentro de limites éticos legais e morais para atrair pára-quedistas é válido, mas você nunca, nunca pode corromper seu conteúdo, do contrário o leitor de verdade, que replica, linka e comenta será afetado.

E leitor afetado só é bom para blog GLS, não que haja nada de errado nisso, claro.

PS: não, eu não sei escrever paraquedista. E nem o corretor do iPad.



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Aviso à TeleListas: Estelionato e Intimidação São Crimes

23/04/2011 - 3:31 pm  -  35 comentários


“Correio 28!”

Escuto a voz e vou atender, sabendo que há alguém na porta (afinal só não seria ninguém se fosse o padeiro). Estranho, afinal hoje é Sábado de Aleluia, carteiro feriado, 3 da tarde não é normal. Será um criminoso?

Era.

“Oi, eu estou distribuindo aqui a lista telefônica da TeleListas, é de graça, eu só peço uma ajudinha.”

Primeiro, TODO ANO, TODO MALDITO ANO é a mesma coisa, a distribuição “gratuita”vira esquema de extorsão, onde donas de casa são intimidadas por entregadores grandes e mal-encarados que EXIGEM dinheiro para cumprirem sua obrigação.

Segundo, estamos no Século XXI, uma lista telefônica de papel é um anacronismo que beira o patético, até as gravadoras já abandonaram o vinil.

Terceiro, gorjeta SEMPRE é opcional. Quando já vem imposta vira bagunça.

Quarto: personificar um funcionário federal, um carteiro, é CRIME. Vocë não pode sair por aí se anunciando como carteiro sem sê-lo. (sim, foi intencional)

“não, não tem não˜

˜Só um realzinho, olha, essa não é a lista da Oi que estamos distribuindo˜

“Não, não tem não.˜

˜Então devolve minha lista˜

Perfeitamente.

Entreguei de volta ao mal-encarado sujeito aquele resquício de tecnologia do Século XIX, e ele saiu pra extorquir outro morador.

Não foi o primeiro nem será o último. Os famigerados entregadores de lista telefônica são uma praga dos bairros, todo mundo sabe que se quiser a lista VAI ter que pagar, mesmo o produto sendo gratuito.

O anunciante otário que pagou caro para aparecer ali tem seu investimento lesado, pois a distribuição gratuita não o é.

Já do outro lado, eu fico imaginando: Isso acontece desde sempre. Será que a empresa não está sendo conivente? Não paga um salário simbólico, dando uma carta de corso pro entregador, “o que você conseguir faturar é seu”?

No alto nível gerencial não acredito, seria uma decisão BURRA, suicida a longo prazo. Já no chão de fábrica é TUDO que um supervisor “esperto” faria para esvaziar galpão e minimizar custo de mão de obra.

Nunca atribuo à Malicia o que pode ser explicado pela Estupidez, mas no caso dá pra culpar ambas.

Parabéns, Telelistas. Não é todo dia que uma empresa consegue causar um impressão tão ruim em menos de 15 segundos.

 

 



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Jessica Rabbit Mostra a Cobra e Mata a Pau

30/03/2011 - 3:00 pm  -  5 comentários


Roger_and_Jessica_RabbitNo único filme animado de Robert Zemeckys que não cai no Vale da Estranheza em uma cena o detetive Eddie Valiant pergunta a MAAAARAVILHOSA Jessica Rabbit o quê ela havia visto no Roger. Afinal qual a lógica de uma dona toda boa estilo pin-up de Hollywood casar com um coelho?

“Ele me faz rir”

Diversão é fundamental. RIR é essencial, o pequeno senso de deslumbramento do dia-a-dia, quando vemos uma notícia curiosa, uma imagem impressionante é algo que funciona como um pequeno empurrão, passa a idéia de que o Mundo é um lugar, apesar de tudo, legal.

Por isso a Internet tem sido uma Renascença pros Faits Divers, o estilo de jornalismo descompromissado dos grandes acontecimentos comuns a tabloides e órgãos menores. E pras sessões que os grandes jornais chamam de “cotidiano”. No G1 há o “Planeta Bizarro”, uma das seções mais populares, com matérias como “Casa que se assemelharia aos traços da face de Hitler vira sensação na web” e “Dona pinta cadela para animal ficar parecido com tigre”.

Como uma matéria dessas consegue tantos leitores? Simples: É entretenimento. É algo que não tem pretensão nenhuma, sequer de informar algo relevante. Pessoas leem essas notícias pelo mesmo motivo que prostitutas fazem sexo com os namorados: É divertido e não é obrigação.

Sexta-Feira uma cobra egípcia muito venenosa fugiu do Zoológico do Bronx. A Notícia saiu em alguns sites, e logo um palhaço criou… o Twitter da Cobra.

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BBB11, Jornalismo e molecagem – Tá pensando que boneca é brinquedo?

05/01/2011 - 10:24 pm  -  28 comentários


ariadnas

Uma Porta da Esperança ao contrário. Duas dessas trazem presentes.

Hoje o Twitter pegou fogo por causa de um boato de que uma tal de Ariadna Thalia, participante da 11a edição do Big Brother Brasil seria travesti.

É uma dúvida justa, tanto para quem não quer abrir o hambúrguer e achar um salame quanto pra quem leva o sanduiche pra casa e ao invés de uma salsicha encontra um carpaccio (agora livre-se dessas imagens mentais se for capaz).

A informação veio em tons de  “acusação” – com aspas pois ao contrário de países cujos governos seguem os preceitos da Religião da Paz™ no Brasil ser travesti não é crime – mas foi levada numa boa pela comunidade do Twitter, até pq mesmo para os mais homofóbicos, azar de quem está dentro da tal casa e não sabe desse pequeno detalhe sobre a moça. Aliás, pequeno o escambau, apareceu uma foto e aquilo não é ferramenta, é uma suíte de aplicativos completa. Só não digo que é o OpenOffice pq ao contrário da moça ele é grande mas não funciona.

Conversando no Twitter com o autor do Diário T-Lover (não julgue, tem gente que gosta até de morcilha, cada um na sua) ele explicou que a Ariadna Thalia Travesti (cuidado, NSFW, peitos de silicone e graças a Exupery o essencial continua invisível aos olhos) não é a Ariadna do BBB NEM a da tal matéria.

OK, que matéria e qual a molecagem afinal?

Well…. O Ego, aquele bastião do jornalismo criado por Carlos Castello Branco, Bob Woodward e Samuel Wainer foi rápido no lance, publicando a matéria. Mais rápido ainda foi ao tirar do ar e subir de volta,substituindo a chamada do título. Vejam a sutil diferença, mostrada aqui graças ao Google:

essafoinatrave

Note a sutil diferença na URL das duas chamadas. Na primeira o título já havia sido mudado mas a URL continua. Essa foi apagada para que a URL refletisse o novo título.

ARIADNA DO BBB É TRAVESTI E JÁ FEZ PROGRAMA NA ESPANHA

ARIADNA DO BBB SERIA TRAVESTI E JÁ TERIA FEITO PROGRAMA NA ESPANHA

É a mesma sutil diferença de afirmar com todas as letras que o estagiário do Ego é retardado e dizer que poderia muito bem ser.

É uma regra BÁSICA do jornalista que qualquer estudante, retardado ou não precisa aprender, mas como o Ego provavelmente usa macacos de cheiro travestidos de estagiários para economizar no vale-transporte, violam constantemente essa norma essencial da profissão. NÃO ACUSE SEM PROVAS, SEU IMBECIL, ENERGÚMENO, ANIMAL DE TETA.

Acusações levam a processos. Por mais que o Ego seja das Organizações Globo, e um processo no caso quase impossível de rolar, é um péssimo hábito. Por isso que todo mundo por mais obviamente culpado que seja, até a condenação é chamado de suspeito ou –melhor ainda- acusado.

às vezes é extremamente irritante ler esses textos em “jornalês”, mas é uma questão de responsabilidade. Um órgão (epa) sério de imprensa não pode se dar ao luxo de fazer acusações genéricas como o “todo político é ladrão” ou “ator é tudo viado”, tão comuns de se ouvir em mesa de bar. (nota: pra teatro infantil tá liberado)

Uma acusação sem sustentação deixa de ser jornalismo e vira fofoca. Um juiz não daria ganho de causa se a tal Ariadna fosse travesti de programa, por mais baixaria que fosse o que o Ego estaria fazendo ainda seria jornalismo, mas quando não ligam nem para o detalhe de confirmar a presença do detalhe, deixa de ser trabalho de imprensa, fica clara a ausência de qualquer esforço investigativo ou compromisso com a Verdade. É fofoca e fofoca anda muito próxima de calúnia e difamação.

Quem tem blog está sujeito a esses mesmos riscos, com agravante de que processar um blogueiro anônimo é bem mais simples que processar um site da Globo.com. Ainda mais por não estarmos protegidos pela Lei de Imprensa. Assim é essencial que posts com denúncias, acusações e similares sejam muito, muito bem documentados, sem xingamentos e surtos de emoção.

Uma mudança simples na formulação de um título pode ser a diferença entre uma grande aporrinhação Legal e uma matéria que só renderá elogios e cliques no AdSense. E se você acha que isso tudo é apenas um detalhe, e detalhes são insignificantes, experimente sair com a Ariadna errada.



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Editora Abril Gananciosa? Não, blogueiro, você que é pobre.

16/11/2010 - 6:15 pm  -  35 comentários


Quanto você cobraria para veicular um anúncio em um blog iniciante?

Vamos complicar: Imagine que você é um jornalista experiente, mas nunca teve um blog. É seu primeiro. Agora imagine que seu blog só pode ser visto por UM tipo de computador. Pra complicar MAIS ainda, pense que esse computador, o único capaz de acessar seu blog custa MUITO caro, mais de R$2 mil.

Feia a coisa? Imagine então que pra complicar esse computador sequer é vendido no Brasil.

Quanto você cobraria por um anúncio na primeira edição desse blog, com audiência cativa ZERO e nenhum histórico de visitas?

A maioria dos blogueiros sequer cobraria, sairia oferecendo permutas, pensaria em crescer e depois então cobrar. É uma visão correta, dentro do que o senso comum chama de… humildade.

Felizmente o pessoal da Editora Abril não dá bola para blogueiros, entendem seu negócio como business e não acreditam nessa postura de “vamos começar bem mirde e se crescer…”

Depois da edição da VEJA para o iPad cinco outros títulos da editora sairão na plataforma: Elle, Casa Cláudia, Alfa, Exame e Lola. Confesso que não sou o target, nunca tinha tomado conhecimento da existência da Revista Lola, por isso foi a que escolhi para investigar.

O resultado é assustador para o pessoal que pensa pequeno, que minimiza o fato da revista ter uma edição no iPad ou mesmo para os haters que argumentam (não que haters realmente agumentem) que não há iPad no Brasil nem público para justificar uma edição, que dirá publicidade.

A Abril não só está investindo de verdade na plataforma como está cobrando de verdade. Não é um experimento, não é uma parceria. É, como eu disse, business. Não interessa que a edição seja a primeira, não importa que não tenham sequer números de circulação para fornecer (até pq não circulou ainda).

Uma edição dessas tem um alcance muito maior do que os leitores primários. É o tipo de trabalho que gera notícia, é comentado e replicado em sites, programas, revistas e jornais. Antes do iPad se firmar como mídia viável por causa da audiência, já se firma por esse efeito multiplicador. É, resguardadas as proporções, o mesmo que ocorreu com o Second Life. A quantidade de visitantes é ínfima mas a publicidade gratuita, o buzz gerado pela simples existência do Avião da TAM ou da Agência do Itaú é dezenas, centenas de vezes o valor do investimento.

Por isso a Abril pode cobrar o que cobra. Segundo o media kit da Revista Lola, um anúncio multipágina interativo sai por R$27 mil. Um anúncio simples, composto basicamente de um JPEG 1024×768 sai por R$16 mil.

Tá caro? Não, você que é pobre e não sabe cobrar.

16 contos por um anúncio em uma versão para iPad, um equipamento de mais de R$2 mil, que sequer está à venda no Brasil. Pessoas de bom-senso diriam que a Editora Abril enlouqueceu, perdeu qualquer parâmetro e em sua arrogância criou valores irreais para uma mídia que sequer existe.

Pessoas de bom-senso diriam que antes de tudo é preciso muita humildade, para ter sucesso em uma nova e inexplorada mídia.

Só que o mundo não é desbravado por pessoas humildes e com bom-senso. Gente ousada e pioneira desafia o bom-senso e tem a justificada arrogância de achar que triunfarão mesmo sendo os primeiros a tentar algo. Eu admiro essa ousadia e arrogância justificada. Se há uma lição a ser aprendida é a de parar de pensar pequeno, é a de assumir que a expertise, o know-how, a qualidade e o prestígio conquistado em uma mídia podem e devem ser usados como base para outra mídia mais nova.

Acima de tudo, a lição é que se você quer que o Mercado valorize seu trabalho, o primeiro passo é você valorizá-lo.

De resto,como autor do Contraditorium, o Primeiro Blog Brasileiro no iPad, só posso dizer pra Revista Lola e suas co-irmãs, bem-vindas as iPad. Calouras ;)



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Para quem acha complicado explicar o Felipe Neto…

15/11/2010 - 10:00 am  -  11 comentários


Antes de mais nada, dê uma olhada no vídeo abaixo. Clique play, eu espero.

Viu? Concordo, é algo bem idiota, uma japinha meio retardada misturando Mentos com Coca-Cola, gerando o efeito esperado e dizendo “nhéqui-nhéqui”.

Esse vídeo é o Santo Graal de todo mundo que trabalha com mídias sociais. Ele tem nada menos que 127 milhões de visualizações. Para dar uma idéia, o décimo vídeo mais visto em toda a história do YouTube tem 141 milhões de visualizações, é um clipe do Eminen, não exatamente um desconhecido.

“Então o segredo é fazer coisas idiotas?”

Não, claro que não. Essa visão de patrocínio de TV dos anos 50 não funciona hoje em dia. O público se tornou cínico demais para ver com simpatia uma marca apenas por ela patrocinar um programa. Prestígio não é mais transplantado com a facilidade de antigamente. Curioso é que é uma via de mão-dupla, Os bons e velhos comerciais Testemunhais ainda valem pra plebe ignara, mas as zelite na Internet não compram mais esse peixe. Uma celebridade vendendo geladeira não convence quem tem acesso ao Twitter, quando se pode perguntar quem tem a tal geladeira e se é boa mesmo.

Os números na Internet não podem ser vistos como na mídia tradicional, ou então uma japa doida falando “nhéqui-nhéqui” terá muito mais valor de mercado do que a maior parte das emissoras de TV no mundo.

Não culpo as agências, a Internet está cheia de gente que acredita no valor absoluto dos números. São usuários de scripts no Twitter com centenas de milhares de seguidores, são orkuteiros com 3, 4 e até 5 perfis enumerados, todos lotados de “amigos”.  Essa gente esquece o propósito primordial das redes sociais, que é interagir com outras pessoas e se focam no número pelo número.

A lógica é simples, quem tem aquário em casa entende:  Se eu só me preocupo com número de seguidores e me associo a gente com a mesma preocupação, toda a minha interação será voltada para angariar seguidores. Eu não terei conteúdo original, não comentarei ou repasssarei conteúdo alheio, pois na minha mente de caçador de seguidores isso é uma forma ineficiente de aumentar meus followers. No Orkut a mesma coisa. Entrarei somente nas comunidades “me segue que eu te sigo”.

No YouTube há todo um ecossistema de parasitas que copiam os vídeos postados por outros usuários, sobem de novo com a  conta deles e depois saem se gabando de quantas visualizações seus canais têm.

Funciona?

Funciona. Produz números gigantescos e irrelevantes, pois tanto os ladrões de conteúdo quanto os colecionadores de followers e os vídeos de japas idiotas carecem de algo que chamo de Poder de Mobilização.

O público de quem coleciona followers é primariamente colecionadores de followers, a interação entre eles é totalmente automatizada. Há casos de gente com 100 mil followers conversando com gente com 100 mil folowers e gerando ZERO de resposta entre seguidores. Não dá para interagir com quem não quer interagir. Simples assim.

No caso do vídeo idiota mesmo com a visitação sendo legítima, temos que aliciar um público acostumado a ficar entre 10 e 15 segundos em um vídeo, se cansar e clicar em outro. Criar hábito para que o Canal seja visitado frequentemente é complexo. Peguemos como exemplo o Brogui, que tem uma produção bem constante de conteúdo no YouTube. Há videos com mais de 90 mil visualizações,  O canal dele tem um total de um milhão de exibições, mas apenas 9 mil assinantes. O público é extremamente volátil, briga com unhas e dentes para não se tornar cativo.

Mesmo assim os vídeos dele apresentam muito mais oportunidades de publicidade do que o vídeo idiota da japa louca, exceto se cair em uma agência onde acreditem no valor absoluto dos números. Curioso é que esse amor todo pelos números grandes desaparece na hora de reportar os resultados para os clientes…



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Marketing de Morto-Vivo

24/10/2010 - 11:16 am  -  9 comentários


Vou contar um segredo: A Internet é boba. Nós gostamos de LOL Cats, gostamos de memes bobos como o #xxxdadepressão, Serra Sniper e a bolinha de papel que ganhou até conta no Twitter.

A Internet é uma catarse permanente onde fugimos do dia-a-dia, e isso é perfeitamente válido.

Agora contarei outro segredo: Gente que entende essa “bobeira” e a respeita ganha muitos pontos. Falar a linguagem da Internet não é fazer hotsite com passarinho do Twitter, montar campanha e enfiar aquela maldita barra de ícones pra redes sociais, onde nada será monitorado e não haverá interação de qualquer tipo.

Falar a linguagem da Internet é mais que participar das fases, modas e memes. A sears por exemplo lançou uma campanha completamente voltada para a Internet mas sem uma gota de condescendência. É a http://sears.com/zombies, uma versão super-séria da loja da Sears, voltada para um público específico de desmortos vivos.

vendedor com cérebro? Isso non ecziste!

O site é completo, tem até esquema monte seu próprio zumbi E versão em zombian, a língua falada pelos zumbis. Não conhecia? Nem eu.

A loja-zumbi está integrada à loja “de verdade”, os produtos são, bem, produtos normais, afinal zumbis vestem as mesmas roupas dos vivos, só mais rasgadas e isso você faz em casa.

A Sears ousou bastante, há uma parcela do público que com certeza ficará de mimimi com a visão de mãos decepadas e vendedores segurando cérebros, mas uma parcela enorme da Internet, que é o público-alvo da campanha, correrá pro site pra fuçar a rede social de zumbis e bater papo com o porta-voz (do além) da campanha no Twitter, o ZombieShopper.

Eu gostei da ousadia, é raro encontrar uma empresa que aceite brincar com a própria marca (brincar, não fazer cagada, GAP) e envolvê-la em coisas minimamente questionáveis. O normal é manter um distanciamento  totalmente irreal do mundo, ao mesmo tempo que fazem toneladas de reuniões para descobrir o motivo da falta de identificação com os consumidores.

Ousar demanda coragem, mas é só parte da equação. Para que sua ousadia não caia no campo da bobeira paternalista, é preciso também ter, com perdão aos zumbis, cérebro.



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Contraditorium – O 1o Blog Brasileiro no iPad

23/10/2010 - 8:09 pm  -  35 comentários


Eu sei, eu sei, o Lula ainda não soltou o programa Bolsa iPad, e se eu fosse democrático defensor das classes desfavorecidas estaria preocupado com acessibilidade, testando meu blog em todos os computadores das Casas Bahia, mas se você tem mais de 5 minutos de casa, sabe que não é assim que a minha banda toca.

O leitor do Contraditorium sempre foi selecionado, escolhido a dedo (sem baitolagem) e reconhecidamente formador de opinião. É isso aí vocês não são ovelhas, são pastores. AU!

Por isso é comprazer que anuncio o mais novo empreendimento deste blog, uma ferramenta premium para uma plataforma premium de leitores premium, o Contraditorium iPad Edition 2000 Ultimate. Continue reading “Contraditorium – O 1o Blog Brasileiro no iPad” »



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