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O @programapanico e o falecido @mrmanson

25/04/2011 - 11:40 am  -  25 comentários


Hoje em dia o @mrmanson é um empresário tão respeitável que preza pela imagem e evita ser visto em eventos ao lado de gente como eu, mas nos velhos tempos ele foi dotado (epa!) da maior arma que um humorista pode ter: Imprevisibilidade.

Eu já vi, meninos eu vi o MrManson destruir a crença de um garoto ao afirmar que seu livro contando a famosa Viagem ao Piauí não havia passado de um delírio, que ele jamais havia estado no Estado. (viu, fessora Aprendi!)

Ele foi tão cara-de-pau que até eu por um segundo acreditei.

Essa imprevisibilidade eu não acho em lugar quase nenhum. Não existe no “humor” troll da Internet, não existe no StandUp. “O Trânsito do Feriado…” e não existe na televisão desde o tempo em que o Marcelo Tas perguntou se Maluf era ladrão. O único lugar onde acho isso, de vez em quando é no Pânico.

“Ah que absurdo, elogiando o Pânico, que merda! É um idiota mesmo”

Obrigado pela brilhante argumentação, mas deixe-me prosseguir:

Existem dois grandes diferenciais ali, escondidos debaixo do humor jackass e das imitações mal-feitas (Não que imitação bem-feita seja mérito por mais de 15 segundos). Primeiro são as referências, boa parte delas crias da mente distorcida do André, editor do programa, fã de Family Guy, piranha de cultura pop igual ao Seth McFarlane (e a mim) e que não tem problema nenhum de enfiar uma piada obscura que só ele e mais 2 espectadores acharão graça, desde que não comprometa o ritmo principal.

Ontem resolveram invadir o quarto de hospital onde convalescia o Bolinha, diretor argentino do programa, “odiado” por todos. Enquanto andam pelos corredores André taca a trilha Twisted Nerve, aquela música assoviada de Kill Bill. O programa é cheio dessas pequenas pérolas, mas o ritmo é MUITO rápido para quem está acostumado a humor de bancada, onde vendedores entregam a piada, ensinam como funciona e perguntam se quer que embrulhe.

O outro diferencial é a metalinguagem. O Pânico adora quebrar a quarta parede, lembrar que é um programa de TV, mesmo quando em teoria isso estraga a piada.

Contarei um segredo: Em TV tudo é armado, inclusive o improviso. NADA se faz em 5 minutos em TV. Por isso, a sacanagem de invadirem a casa do Bolinha, mostrar o quarto dele e estar cheio de camisa da Argentina, poster do Ricky Martin na parede, foto da Nany People na cabeceira da cama é fake.

A graça é que durante a “invasão” o Emílio Surita falava toda hora “Gente, vocês armaram, isso não é verdade…”

SIGNIFICA: Você está contando o segredo, “estragando” a piada e ainda assim ela funciona. Sendo realista (ou cruel, se você for Polyanna) boa parte do público não pega essa sutileza mas a parte que pega TAMBÉM continua gostando.

Motivo? Para nós a METApiada é mais importante, a ousadia de explicar a CONSTRUÇÃO da piada (e não seu entendimento, como faz o Kibeloco) supera a demolição da situação que já tínhamos como falsa.

É uma ousadia que se vê não em comédia de fórmula, mas em gênios como Andy Kaufman.

Neste ponto os histéricos do Twitter provavelmente sairão gritando “cardoooso comparou Pânico a Andy Kaufman, que absurddddo”. Sendo que enquanto eu vi todas as temporadas de Taxi eles só conhecem Kaufman por ter sido cool por alguns dias falar que assistiu Man On The Moon.

É por isso que o Pânico na TV está no ar desde 2003 e eles só conseguem xingar muito no Twitter.

 

 


Tio, me dá um link, eu poderia estar roubando…– Part Deux

25/03/2011 - 3:54 pm  -  19 comentários


Muito tempo atrás, em uma galáxia distante um artigo meu fez bastante sucesso na blogosfera: Foi o “Tio, me dá um link”. ´Lá nos idos de 2006 eu reclamava da falta de links entre os blogs, do excesso de reblogging (coisa que o Google hoje está punindo) e da saída fácil que era a troca de links.

Lembro que o Contraditorium estava engatinhando e já surgiam os pedidos de PARRRRCERIA. Sempre soube que parceiro era coisa de boiola e detetive de filme americano. Como não me encaixo (epa!) em nenhum dos dois, dispenso.

A tal PARRRRCERIA se resume a… troca de links. Uma forma de tentar burlar o algoritmo de indexação do Google e galgar posições nos resultados das buscas. Hoje nada faz além de gerar poluição visual, com aquelas barras laterais cheias de links. No final você termina endossando um monte de blogs que não lê. Mas não se preocupe, ninguém clica nesses links.

A melhor forma de ter seu blog divulgado é através de seu conteúdo. Eu já expliquei isso em 2006 e continua válido hoje. Infelizmente continua válida também a Lei de Gerson. Ao invés de criar conteúdo de qualidade, confiar na inteligência dos leitores e blogueiros para divulgar o trabalho, o sujeito prefere correr atrás das parcerias, trocando dignidade por links.

Gostaria muito de dizer que a situação piorou, mas continua na mesma. A busca pelo caminho mais fácil ainda é a primeira opção de quem está começando, basta ver no Twitter. “Divulgue meu blog” é super-comum, já “Escrevi algo interessante relativo ao que você está falando, veja só” é raro.

Vale repetir a lição, crianças: Escrevam, produzam, evoluam. Ninguém chega a lugar nenhum xingando no Twitter ou trocando links desesperadamente. Se você resume seu trabalho a publicar fotos engraçadinhas e vídeos do YouTube, seu blog nunca vai deslanchar, e mesmo que faça sucesso, será efêmero. Eu prefiro um blog onde meus textos de 5 anos atrás ainda sejam relevantes.

Do contrário só sobra pra você apelar pras PARRRRCERIAS, como o cidadão que me adicionou hoje no MSN.

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Um libelo desesperado em defesa do saudosismo

31/01/2011 - 2:18 pm  -  66 comentários


Existe toda uma classe de pessoas que vive no passado. São versões reais do Vovô Simpson, sempre criticando o presente e temendo o futuro, sempre dizendo o quanto o passado que muitos sequer viveram era bem melhor.

Eu gostaria de ser como eles, gostaria mesmo. Queria poder dizer que meu CP-200 com 16KB de memória era melhor do que meu Mac ou meu PC, ambos com 4GB.

Queria ter a cara de pau desse pessoal, a visão seletiva de mundo que considera aquelas máquinas feitas de barro fofo e pedra lascada melhores pois “não travavam”- o que é mentira, aliás.

Queria ser saudosista e dizer que monstros com zíper eram melhores que os monstros atuais, ou que as cenas de combate da série clássica eram melhores que a magnífica batalha final contra o Dominion em Star Trek: Deep Space Nine, com milhares de naves na tela, em um conflito épico.

Queria ser do grupo que defende cegamente a série original de Galactica (que amo profundamente) nem que para isso tenham que elogiar um garoto chato e um cachorro-robô, e fingir que o Comandante Adama de Edward James Olmos não é um líder que qualquer um seguiria até o Inferno.

Queria poder dizer que comprar revistas de péssima qualidade no jornaleiro conivente e sintonizar o TV Link do vizinho era uma forma mais conveniente de acessar pornografia do que a Internet, mas não consigo, até porque digitar com uma só mão é complicado.

Queria poder dizer que o mundo era mais pacífico, mas crescer à beira de uma Guerra Total Termonuclear me faz ver conflitos no Oriente Médio como no máximo briguinhas.

Queria poder dizer que a música de antigamente era melhor, mas boa parte da música boa de minha juventude já era velha. Ela se manteve, o que surgiu de bom continua e o descartável foi esquecido. Como sempre aconteceu.

Queria poder dizer que ouvir música era melhor, mas meus LPs vivam arranhando, minhas fitas K7 só me permitiam ouvir música na sequência e compartilhar música significava emprestar um LP, que geralmente não voltava.

Queria poder dizer que meu videocassete era superior ao DVD (sim, ouvi esse argumento) pois gravava, mas meu LP também não permitia gravação e nem por isso eu comprava meus álbuns em fita K7.
A primeira vez que liguei um DVD e comparei a imagem com uma fita de vídeo passei por uma experiência religiosa. Uma imagem FullHD dá a mesma sensação. Queria poder dizer que isso não importa.

Queria poder dizer que a fotografia digital banalizou a arte, mas eu lembro como era caro comprar filme, tirar fotos de momentos únicos sem saber se saiu ou não, esperar dias pela revelação e só então descobrir se a única lembrança do momento existiria apenas em nossas memórias.

Queria dizer que a Internet afasta as pessoas, as isola e as torna superficiais. Gostaria mesmo de repetir esse discurso fácil, mas minhas maiores amizades e meus maiores amores chegaram até mim por um fio na parede. Só quem fala essas coisas da Internet é gente que não entende que há gente de verdade do outro lado daquele fio.

Queria dizer que era melhor pesquisar em enciclopédias “de verdade”, e que hoje as crianças fazem copy/paste, mas tenho a DECÊNCIA de lembrar que naquele tempo o principal objetivo era encontrar uma imagem recortável para ilustrar o trabalho, e o copy/paste era feito manualmente, copiávamos de forma autômata o conteúdo. NUNCA aprendi nada em trabalhos de colégio, que aliás nunca foram sequer discutidos em sala de aula.

Uma vez eu tirei 7, SETE em um trabalho para Teoria da Percepção, na UFF. Meu trabalho? Uma foto da Luciana Vendramini em um cenário futurista, com esferas de computação gráfica ao fundo. Impresso em uma matricial Elgin Lady Nojenta, de um amigo.

ISSO é o passado onde se aprendia com os trabalhos escolares?

Eu queria também ser daqueles que odeiam o passado, mas adoro o meu. Aprendi muito com ele, aprendi que nossas maiores tragédias um dia se tornam História, que NADA é insuperável. É tudo uma questão de perspectiva. Um braço perdido 20 anos atrás ainda incomodará, mas você não passa 20 anos gritando de dor. Achar sua paz e viver com um braço só não diminui a dor da perda, não é essa a intenção. O tempo me ensinou que aceitar e viver com o que passou não é trivializar. É apenas a alternativa a enfiar uma bala no coco, atitude em geral nada recomendável.

Eu queria muito ser um repórter das antigas. Sério, queria mesmo. Clarke Kent pode inspirar mais que o Super Homem, se você gosta mais de escrever do que tentar ser mais forte que uma locomotiva. Queria, mas não posso. Hoje não existe mais “parem as máquinas”, hoje não existe mais a separação Imprensa / Mortais.

Hoje eu não sou o Último Filho de Krypton (ou ao menos digo que não sou) mas minha voz tem alcance muito maior. Não dependo de Perry White ou Lex Luthor para determinar o que falo ou deixo de falar. Sou meu próprio Roberto Marinho, meu próprio Chatô, embora o Guilherme Fontes não tenha pedido dinheiro em meu nome (acho).

Eu queria ter a certeza dos adolescentes e dos trolls da Internet, de que se algo dá errado na vida é culpa de todos menos de mim mesmo. Queria poder justificar com os pais, os professores e orientadoras. Queria poder dizer “fulano me persegue”, e fazer disso justificativa suficiente para não atingir meus objetivos.

Eu gostaria de querer isso tudo, mas sendo sincero eu só quero uma coisa, que inviabiliza todos esses quereres:

Quero ver o que vem adiante e o quê o Destino me reserva, e se não gostar, mudar, afinal de contas, “Destino Não Existe”, me ensinou Sarah Connor, no Exterminador do Futuro, no distante passado de 1991.


Ao contrário de Ayrton Senna a F1 está morta e enterrada

13/12/2010 - 10:40 am  -  66 comentários


speed_racerComo todo brasileiro eu cresci assistindo Fórmula 1. Foi uma rara exceção no complexo de vira-latas glorificado pela cultura nacional.

Era um esporte que tinha tudo pra não fazer sucesso por aqui. Caro pra burro, eminentemente europeu, tecnológico e –maior pecado- individualista, trabalhando em cima do talento individual. Tudo que o brasileiro aprende a desprezar desde criança. Mesmo assim os Domingos de corrida eram sagrados.

Acho que era uma catarse, não podíamos viver 24/7 de viralatismo, as corridas eram a chance de vermos um brasileiro vencedor, competindo de melhor pra pior (igual pra igual my ass) com os melhores do mundo. Talvez Emerson, Piquet, Pace fossem aceitos por levarem a carga do viralatismo junto com eles, talvez o público os aceitassem pois venciam “apesar de brasileiros”.

Hoje a Fórmula 1 é uma piada. O nome Senna não é mais sinônimo de talento, o nome Piquet foi apagado para esta geração, só sendo respeitado no passado e o nome Fittipaldi se tornou o Opera dos pilotos. É bonzinho, todo mundo gosta mas ninguém usa.

Lembrando o Passado:

Em 1983 todo mundo falava mal do autódromo em Donnington Park, na Inglaterra. Mimimi não tem ponto de ultrapassagem, mimimi. A MacLaren reclamava que seu motor Honda era fraco. Os instrumentos de medição o colocavam 80 Harry Potters abaixo da concorrência.

Aí um Piloto chamado Ayrton Senna mostrou –não é que estivessem errados- que ele não tinha o menor respeito pelas Leis da Física. Não só ignorou solenemente a tal potência inferior do motor como achou criou não um mas quatro pontos de ultrapassagem. Impaciente, ele fez na primeira volta o que muita gente (estou olhando pra vocês, Rubinho,Nelsinho e todos que se definem por inhos) nunca fez na carreira inteira.

Ele saiu de um 5o lugar no grid para a pole position, deixando pra traz Prost, Schumacher e outros. No final ele ganhou a corrida com uma volta de vantagem em todo mundo menos o 2o colocado.

Outro momento de gênio:  GP da Hungria, 1986. Senna numa Lotus uns 30% além dos limites teóricos do carro. Piquet numa Williams, um caso de gênio gênio(sou Sennista, me processem) contra gênio com carro MUITO melhor. Senna segurou o que deu, até que Piquet lembrou que era gênio e gênio não precisa respeitar Leis da Física. Indo contra TODAS as regras de segurança existentes ele simplesmente jogou o carro na curva além do traçado e além do controle. É o que as pessoas comuns chamam de “entregar pra Deus”.

Seria assustador se Piquet não FOSSE Deus.

Após passar Senna com essa trapaça metafísica, Piquet fez o Mundo voltar ao normal, as Leis da Natureza voltaram a valer e ele seguiu adiante.

Hoje não vemos mais nada disso. A Fórmula 1 virou burocrática, é rara a corrida que tem algum momento emocionante, mas não estou escrevendo este post para reclamar disso. Este post é para avisar quem ainda gosta do esporte que seus dias estão contados.

A praga politicamente correta chegou à fórmula 1. Os Ecochatos venceram.

Lembra dos motores V12 3.0 da Ferrari? NUNCA MAIS. As regras da FIA para tornar a Fórmula 1 um esporte VERDE, valendo para a temporada de 2013 são:

  • Motores terão cilindrada reduzida de 2.4 para 1.6
  • RPMs máximas baixarão de 18 mil para 12 mil
  • Número de cilindros será limitado para 4
  • Biocombustíveis
  • Economia de 35% no consumo de combústível

Isso mesmo. Nem o Fiat Stilo do Morróida é tão fraco. Hoje só sai de fábrica com motor 1.8.

Quer dizer: Um carro de competição, de exibição, criado para correr menos de 20 corridas por ano para agradar os ecochatos tem que ser lobotomizado, aleijado até perder no SuperTrunfo pra um FIAT. Qualquer fusca rodando três vezes por semana consome mais recursos naturais que um F1 que corre 20 vezes por ano.

Se é assim, acabem logo com o esporte. Não tem nenhuma “utilidade”, pelo ponto de vista dos ecochatos, F1 não serve para puxar arados ou transportar alface orgânica até a lojinha do bairro.  Que a Fórmula 1 se vá com a cabeça erguida, que o último som que emita seja o ronco dos motores de verdade, não o patético murmúrio dos carros elétricos que com certeza os ecochatos estão pensando em introduzir como obrigatórios na categoria, em 2014, provavelmente.

Você que ama corridas, ama velocidade e ama essas máquinas maravilhosas, fique com esta jóia, que fala muito mais alto que esses gestos verdes vazios:

[ATUALIZAÇÃO]

Um bando de trollzinhos de merda™ saiu me atacando, com o ódio de sempre. mimimi só fala merda, mimimi não entende nada de Fórmula 1, etc, etc.

Uns dias atrás um sujeito de forma independente se solidarizou comigo. Disse ele: “esses motores são patéticos para a categoria mais importante do automobilismo mundial”. O sujeito também defendeu a inovação: “Concordo que precisamos cortar custos, mas essa abordagem ‘pobre’ da F-1 não é boa. Ser barato é diferente de não ser caro. Queremos que a F-1 esteja ligada a inovações, incentivando a tecnologia”.

Quem é esse sujeito, que concorda comigo então obviamente não entenda nada de Fòrmula 1? Luca di Montezemolo, presidente da Ferrari.

Confira as declarações aqui, aqui e aqui


Haters Gonna Hate, mas Life Goes On…

24/11/2010 - 10:23 am  -  42 comentários


A única coisa que dá para ser feita com raiva de forma eficiente é testar os limites de calças stretch roxas. Todas as outras atividades são prejudicadas, raiva nubla o discernimento, torna nossa visão limitada e leva a decisões e opiniões erradas.

Mesmo assim a Internet criou e valoriza uma cultura de haters, gente que se orgulha de odiar tudo e todos oito dias por semana. Gente que tem como esporte minimizar toda e qualquer conquista de quem quer que seja.

Não falo de trolls, eles são patéticos e exagerados por natureza, é fácil chutarmos pra escanteio e não levar em conta. Falo de gente aparentemente normal que entende como ofensa a possibilidade de qualquer coisa… dar certo. Essa gente odeia e despreza toda iniciativa, acham mesmo que coletivamente conseguem comprovar o fracasso de um produto apenas desejando em voz alta que ele seja um fracasso.

Vou dar uma dica: Você acha que consegue que algo seja FAIL! apenas desejando? Seu nome é Deus? Se não for, você é um idiota.

Eu disse que a Internet criou essa cultura, mas isso não é exato. Essa gente não surgiu ontem. Toda empresa tem pelo menos um sujeito que se contorce e grita cada vez que uma idéia é apresentada, provando por A+B (ou mais precisamente por 1+1=3) que não dará certo. E esse sujeito nem se preocupa em ser sabotado pelos colegas, pois ele mesmo nunca apresenta idéias.

Essa é a diferença fundamental, o Hater não tem trabalho pra mostrar, por isso mesmo considera ofensa o trabalho alheio. Curioso é que eles não têm senso de escala, se ofendem com realizações de qualquer um, através do Universo. É como se um garoto de 12 anos aprendendo a programar em BASIC se ofendesse com o lançamento do Windows 7.

Exagero? Há milhares de exemplos, desde os críticos de Avatar, demonstrando quanto o filme é ruim, irrelevante desprezível e jamais deveria ter sido feito (US$2,7 bilhõs de faturamento mundial) , passando pelos críticos do iPhone (não venderá!) e do iPad (não serve pra nada!) e do Kinect (ninguém vai comprar!).

Meu exemplo favorito é a única boy band heterossexual da História, Os The Beatles.

Quando a Apple anunciou que faria um anúncio especial que tornaria o dia inesquecível os haters se agitaram. Com uma memória seletiva excelente, o cérebro do hater quando quer é incapaz sequer de guardar dados simples como “P. Sherman, 42 Wallaby Way, Sidney, Austrália”, então todos se fizeram de surpresos com a hipérbole do anúncio.

Os mesmos haters que odiaram quando Steve Jobs disse que o iPad era “mágico”. (spoiler: Não é, está limitado pelas Leis da Física. Fuck Jobs!)
Quando o anúncio anunciado anunciou que o catálogo inteiro dos The Beatles estaria disponível para download digital pela primeira vez na História ouviu-se um “meh” coletivo dos haters.

O fascinante é que eles tecnicamente não podem se decepcionar, pois NADA que a Apple (ou ninguém) faça os satisfará, mas eles jogam a carta da decepção mesmo assim.

As mensagens lotaram os Fóruns, blogs e Twitter. O “consenso” era que seria um fracasso, as argumentações como sempre faziam sentido, de um ponto de vista rasteiro e isolado. A banda é muito velha, os fãs já têm todos os discos, grupos de guitarra estão saindo de moda, ninguém compra música, etc, etc.

Como sempre uma busca pelas redes sociais demonstraria o fenômeno da amplificação da voz dos idiotas, mas na falta de etiquetas de “imbecil” junto aos perfis, não é possível identificar coletivamente os haters. Uma análise da resposta ao anúncio da Apple indicaria como opção natural demitir o idiota que pensou em vender Beatles no iTunes. As projeções indicariam zero compras, o zumbi de John Lennon sairia da cova atrás de Jobs.

Como sempre a turma do “não vai dar certo” foi ignorada pela realidade.

Foram vendidos 450 mil álbuns na 1a semana de Beatles no iTunes, num total de 2 milhões de canções. Números de superstar conseguidos por uma Banda que deixou de existir mais de 40 anos atrás. Claro, ajuda ser a banda com mais discos vendidos na História

Essa cultura do não-vai-dar-certo é prejudicial ao coletivo E ao indivíduo, gera gente que só consegue prazer dizendo que algo não vai dar certo, e se cala diante do sucesso inesperado (por eles). Coletivamente são uma bias nas análises que deve ser levada em conta e individualmente sofrem, afinal como alguém que acha que tudo vai dar errado vai ousar criar alguma coisa?

Não criam, o medo de não dar certo é grande demais. Fechando o ciclo, de onde vem o medo? Do ódio que tanto amam.

Fear is the path to the dark side. Fear leads to anger. Anger leads to hate. Hate leads to suffering.” – Yoda


Já fomos felizes com 16KB de RAM

16/02/2009 - 9:54 am  -  46 comentários


No começo dos anos 80 surgiu um fenômeno chamado Curso de Informática. Os proto-geeks os freqüentavam, não para aprender a programar (isso aprendíamos no 1o curso) mas para ter acesso a computadores.

Eu mesmo era rato da… COMPUTRONIC.

Como sempre havia horários ociosos os empresários mais espertos permitiam que os alunos ficassem nas salas, brincando com as máquinas. Com isso a gente se matriculava no mesmo curso várias vezes, quando não havia nada novo para aprender, só para poder brincar.

Sim, para nós era brincadeira. Lembre-se, não havia Internet, as máquinas não estavam em rede, não tinham disco rígido, nada. Muitas vezes nem unidades de disquete, escrevíamos os programas , executávamos e no final,  dedo na tomada.

Nessa época, auge da Reserva de Mercado, empresas brasileiras descobriram que havia uma boa grana em copiar produtos de fora sem pagar royalties, daí surgiram os clones, como o CP200, CP300, CP500, TK82, TK83, TK3000 e tantos outros.

Eu lembro que fiquei fascinado pela idéia de ter um computador meu. Era ficção científica, era realização do mais sincero sonho dos Jetsons.

Minha avó, na época vivendo com uma pensão do INPS se compadeceu e comprou para mim, em 12 prestações um CP200 da Prológica.

Ficha, segundo o Museu da Computação e Informática:

  • Linha: Sinclair
  • Compatibilidade: ZX-81
  • Ano de lançamento: Out/1982
  • Processador: Z80 A, de 8 bits
  • Clock: 3,25 MHz
  • Memória RAM: 16KB
  • Memória ROM: 8KB (Sist. Operacional e interpretador BASIC)
  • Teclado: semelhante ao das calculadoras ou chiclete, 43 teclas
  • Tela: 24 linhas x 32 colunas
  • Modo gráfico: 44 linhas por 64 colunas

Eu não acreditei. Era um computador, de verdade! Ligado na televisão, totalmente programável.
Com o tempo aprendi a dominá-lo, primeiro no BASIC residente, depois programando em linguagem de máquina (graças a artigos de revistas como a Micro Sistemas).

Passado algum tempo ganhei um TK90X, que –pasmem- era colorido e tinha alta resolução (256×192 pixels). Depois fui para o Amiga, até hoje o melhor computador que já tive.

Todos esses computadores tinham algo que falta nas máquinas e hoje: Alma. Nós éramos micreiros, não usuários. Também não éramos pseudo-comunistas de software livre tentando transformar nossas máquinas em bandeiras da causa capenga que sobrou para ser abraçada, em tempos pós-Muro de Berlim.

Nós amávamos as nossas máquinas. Não eram ferramentas. Eram caixas maravilhosas que conhecíamos de dentro para fora. Podiam ser o cubo do Hellraiser, ou uma cornucópia mágica. Só dependia da gente.

Eu nunca em momento algum chamei meus amigos de “usuários”. Nós éramos “micreiros”.  Nossos computadores não eram ferramentas. Chamá-los assim seria chamar o robô de Perdidos no Espaço de ferramenta.

Tínhamos a ilusão de que estávamos a um passo de 2001. Que com o programa certo nossos computadores despertariam para a vida, ganharíamos um novo amigo, ou mais precisamente, daríamos o dom da fala para um velho amigo.

Quando ELIZA, um programa  do falecido Joseph Weizenbaum foi portado para a linha Sinclair, e caiu em nossas mãos, foi uma comoção. O computador estava, efetivamente pensando e se comunicando.

Vejam um exemplo de um dialogo entre eu e Eliza, em uma implementação em javascript:

> Hello, I am Eliza.
* I am Carlos.
> How long have you been Carlos?
* since forever
> Tell me more…
* are you a machine?
> Why are you interested in whether or not I am a machine?
* I want to know: Are you a Cylon?
> Would you prefer if I were not a Cylon?
* ye
> Are you Sure?
* yes.
> Come, come, elucidate your thoughts.

Pode parecer bobo, e é, comparado até com o clipe de papel do Office, mas estamos falando dos anos 1980.

Fim da Era Dourada

Com a decadência da Commodore e a saída de linha do Amiga, ficamos restritos aos PCs. Não mais nossas máquinas eram mágicas, completas e fechadas. Éramos “livres”, no sentido freetard da palavra, para montar nosso próprio computador.

A Imortal Lição de Tempos Modernos mais uma vez fez-se acontecer: Com a automatização, perdemos a alma. Não mais tínhamos um COMPUTADOR, tínhamos um amontoado de peças, escolhidas, encaixadas, testadas, conectadas.

De máquinas que “simplesmente funcionavam” passamos a lidar com modems, IRQs, páginas de código, portas COM, gerenciadores de memória, QEMM-386, Stacker, Doublespace, DOS, MS-DOS, PC-DOS, HIMEM, TSRs e um monte de outras coisas chatas que mais atrapalhavam do que ajudavam.

Deixamos de mexer nos micros para descobrir como eles funcionavam, e passamos a mexer neles apenas para fazer com que funcionassem.
 
De micreiros viramos suporte de nós mesmos.

Nunca mais eu interagi com um computador como fazia no passado. A primeira vez que vi um Amiga foi uma experiência religiosa. A primeira vez que vi um PC foi… meh. A última máquina que me causou esse senso de deslumbramento foi uma Silicon Graphics Power Challenger, que encontrei em uma visita na Fiocruz. Mesmo assim o pessoal que trabalhava com ela não dava a mínima.

Eu gostaria que computadores tivessem um destino melhor, mas a Ficção Científica se afastou das máquinas “falantes” e “pensantes”.  A idéia que tínhamos , de que no futuro computadores seriam encontrados em todas as casas, em todas a lojas e fariam parte de nossas vidas efetivamente aconteceu.

Se hoje computadores são tão comuns quanto geladeiras e televisões, não são menos mundanos.

Realizamos nosso sonho. Todos usam computadores.  O preço foi nosso deslumbramento, nossa inocência e a própria alma das máquinas que tanto gostávamos.

HAL-9000 se tornou uma realidade, mas na forma de uma torradeira. E isso é triste.


A mídia que foi sem nunca ter sido

02/05/2007 - 4:56 am  -  23 comentários


No início dos tempos (ou começo dos anos 90, dá no mesmo) antes da Internet, quando nos maravilhávamos com fotos educativas de 320×240 em formato GIF, surgiu uma mídia revolucionária. Ou melhor, uma mídia que prometia revolucionar a forma como consumíamos informação:

Era a Revista em CD-ROM.

No Brasil chegaram a lançar várias, sendo a primeira a Nautilus.

Vinham textos, musicas (em wave) vídeos (em um AVI safado que parece pré-histórico diante dos Divx de hoje), áudio de entrevistas, imagens, tudo em uma interface construída com o Toolkbook ou outro programa de fazer apresentações multimídia.

Essa aliás era a palavra-mágica. O futuro seria multimídia, a multimídia iria mudar a forma como consumíamos informação! O hipertexto então… uau! Algumas dessas revistas tinham links entre as matérias, veja só!

O que aconteceu, entretanto, foi que a aceitação das revistas em CD era mínima. Muito pouca gente sequer tinha CD-ROM em casa. O meu primeiro kit (na época era chamado Kit Multimídia) com uma Soundblaster Pro e um CD-ROM 2X com caddy custou US$600,00, na mão de um muambeiro de confiança!

Se hoje em dia ProBlogger que é ProBlogger já tem que se virar, pois não existem tantos internautas assim, imagine numa época em que ninguém tinha micro e menos de 1% de ninguém tinha CD.

Para piorar, quando os CD-ROMs começaram a ficar baratos e populares, a Internet surgiu, e a idéia de pagar (caro) para ter uma revista em um CD se tornou… estranha.

Havia uma possibilidade de manter a popularidade das revistas em CD: Muito conteúdo. Problema? Produzir conteúdo original custa caro. É difícil você conseguir conteúdo bom, ainda mais em quantidade. E dentro do prazo necessário para uma revista, mesmo que bimestral.

Logo, as revistas em CD no máximo poderiam oferecer conteúdo reciclado. E por mais que a banda larga não estivesse disseminada, ainda era melhor procurar no cadê ou no BOL por uma notícia interessante, ou usar o Napster para baixar uma música, do que pagar por algo velho e rodado.

As pessoas estão dispostas a pagar por conteúdo. Basta ver as filas dos cinemas, as livrarias e bancas de jornal. O que elas não estão dispostas é a pagar se tiverem uma alternativa gratuita razoável. Se os vídeos do Bit Torrent tivessem a qualidade dos vídeos do YouTube a pirataria seria zero. Da mesma forma, os livros disponibilizados na Internet afetam muito, muito pouco as vendas, pois uma das coisas mais incômodas que existe é ler um livro em um computador.

Hoje temos uma febre na Internet, estão prevendo a morte do CD, a morte do DVD, a morte da mídia física como um todo.

Não vai acontecer.

A situação é diferente. Os estúdios, que não são bobos, e a indústria de eletro-eletrônicos, que é menos boba ainda, estão oferecendo um diferencial: Qualidade.

Na civilização temos TVs de alta definição e  HD-DVD. Agora que começou a ser confortável baixar um episódio de TV, com uns 400MB de tamanho, as transmissões em alta definição tornam esse arquivo muito, muito maior.

Para baixar uma temporada inteira de uma série em alta definição, você gastará semanas, sem contar o espaço em disco. Não é mais fácil ir em uma locadora e alugar a temporada?

A idéia de que a disponibilização de conteúdo online irá matar a mídia física é mera utopia. Conteúdo online e os joosts da vida existirão, mas serão algo restrito a uma minoria. Ainda vamos passar um bom tempo tendo que queimar a mufa pensando em onde guardar todos aqueles discos.

Ao menos enquanto não pudermos baixar de forma instantânea o equivalente a um HD-DVD. 

E por falar em HD-DVD…

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A Internet matou a escrita pensada

01/05/2007 - 10:30 pm  -  26 comentários


Quando eu estava no colégio uma colega apareceu com uma revistinha, falando sobre penpals. Era um serviço onde você preenchia uma ficha, enviava uma carta para os caras, eles iriam achar alguém que se encaixasse e passariam seu endereço para a pessoa.

Se tudo desse certo em alguns meses você receberia uma carta de alguém que nunca viu antes, tentando iniciar contato, em busca de uma amizade no exterior.

Era uma coisa limpa, honesta, sem tarados, estritamente de crianças para crianças. Para nós era uma janela para outro mundo, foi emocionante esperar, esperar e depois de três meses receber uma carta de uma jovem americana, em um espanhol meio quebrado, mas entendível.

Nossos correios não eram lá muito ágeis, então a carta levava em média um mês para chegar ao destino. Com isso tínhamos tempo de sobra para pensar sobre o quê escrever.

Hoje? Se um email não é respondido na hora, logo vem outro. “recebeu meu email?” ou mesmo um telefonema.  Não que tenhamos lá muita paciência em primeiro lugar. Email é bateu/levou. Será por isso que é tão descartável?

Lembro que da primeira vez que chegou uma carta, saí mostrando no colégio, era mais motivo de se gabar do que encontrar com  a professora na rua, por acaso. Sim, para um guri de 10,11 anos professoras viviam em uma terra mística qualquer, entender a mestra como uma pessoa de carne e osso estava além da nossa capacidade. Encontrar com uma em um supermercado era assunto para a semana inteira.

Envelopes de outros paises, com cores estranhas nas bordas, selos alienígenas, canetas coloridas que não existiam aqui. Céus, como era divertido, e como isso se banalizou com o email. Claro, hoje em dia é muito melhor, mas o preço que pagamos é a perda da magia.

Ou vai me dizer que você se lembra da última carta que escreveu…


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