Dissecando o Hype do Banner do Senado

Estudar os fenômenos da Internet é quase tão divertido quanto fazer parte deles, ainda mais com a certeza de sempre aprendermos algo de novo.

Desta vez por exemplo eu estava preparado. Quando do hype das Fotos da Gol tive que mudar correndo de plano de hospedagem e mesmo assim o servidor não aguentou. A famigerada tela de Excesso de CPU do Bluehost assombrava minhas noites.

Agora quando decidi fazer o post tomei duas providências:

1 - Verifiquei a disponibilidade de recursos de meu servidor com mais potência, o do MediaTemple (na verdade já estava nele faz tempo)

2 - Removi meu plugin de cache standard, o WP-Cache e instalei o WP-Super Cache, um plugin preparado para enfrentar mesmo o Efeito Digg. Funcionou, o site ficou lento mas não saiu do ar.

 

Quanto aos números de acesso, vamos ver como foi a semana do hype:

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Domingos costumam ser dias fracos, e como o artigo foi ao ar quase 16h, a visitação não sofreu grande alteração. Já na segunda-feira foram mais de 3.000 usuários únicos extras, por causa dos links. Isso resultou em 35,45% do tráfego vindo de outros sites (fora sites de busca). Em comparação no mês de Julho a média de tráfego vindo via links cai para 12,30%.

Vamos isolar, usando o Google Analytics somente a página com a denúncia dos banners do senado:

 

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No período de 13 a 16 (por volta das 6 da manhã) de Julho de 2008 a página foi visualizada 9084 vezes, por 7982 pessoas. Com 198 comentários / links significa que a página provocou reação em 2,78% dos leitores. Pode parecer pouco mais levando-se em conta a Regra do 1%, 2,78 é um número expressivo. (nota: os números variam um pouco, não vou refazer conta, estou com preguiça)

E quanto à origem desses visitantes?

 

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Imagem capturada um pouco depois da anterior

Dos 9218 pageviews da matéria 1728 vieram de links diretos, pro email de terceiros (não-gmail), etc. Vamos ignorá-los.

O primeiro lugar é da Rosana Hermann, com absurdos 1493 visitantes referenciados para cá. Em segundo vem o Fenômeno, o único site realmente capaz de derrubar servidores na Internet Brasileira, o UEBA. O poder de mobilização dele é imenso, ainda mais por não ter um formato de blog e publicar muitos links, o que dispersa o público. Em terceiro o blog do Malvados. Aliás, palmas para o Dahmer, que teve a grandeza de colocar de lado sua implicância com “blogs de aluguel” e publicar o link, ao contrário de um jornalista que de vez em quando se traveste de blogueiro e respondeu a um email com a denúncia com “Indo atrás da velha imprensa para se divulgar, Cardoso? =)”.

Em 4o lugar o blog do Marcelo Tas, que parece que está fazendo sucesso com um tal de CQC. Eu não conheço, e “um tal” não é pejorativo, é no sentido de “não chegou até a mim”. Já aconteceu antes. Passei anos antes de ver o Pânico, depois virei fã do Christian Pior e evangelizo sempre que posso. Dada a quantidade de gente que fala (bem) do CQC, melhor não esperar tanto tempo e dar logo uma olhada. Onde passa? Qual o link? Onde acho?

Derrubando Mitos

Não estou falando do dória mandar pouco mais gente que o Orkut, mas do Ueba. É consenso entre quem trabalha com Internet que o tráfego do Ueba não é qualificado. O público de sites como o Digg, Fark e similares consome muito rápido, olha, vai embora, não clica em banners (nem do Senado). Correto?

ERRADO!

Vamos ver o tempo de visitação médio entre as fontes mais relevantes de visitas:

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Para um público dispersivo e volátil, uma permanência de CINCO MINUTOS na página é mais que satisfatório. Rivalizou com os 5:33 da Rosana Hermann, que, é consenso, tem um público qualificado. Mesmo o Malvados, que tem um público acostumado a conteúdo que se resolve em 3 quadros aparece com respeitáveis 4:39. Ninguém fez feio.

Dica SEO, afinal eu falo de blogs

Aporrinhar a Rosana atrás de links não é uma boa sugestão, então peço veementemente que você não faça isso. O Dahmer também não. Ele tem humor ácido e sabe desenhar, você não vai gostar de vê-lo irritado. O melhor aqui é o Ueba. Bolas, ele VIVE de links enviados pelos leitores.

Use mais o UEBA. Visite o site, veja os links mais visitados e monte um perfil do que o leitor dele gosta, e tente adequar seu conteúdo. Sabendo usar somente o Ueba já viabiliza economicamente um blog.

Conclusão

O que não me surpreendeu, embora tenha me decepcionado é ver que enquanto um assunto crítico como esse rendeu no mesmo período 1000 Pageviews A MENOS do que o link onde falo do filme pornô da Leila Lopes. Definitivamente o povo Brasileiro funciona na base de Pão e Circo mesmo.

Atendendo a pedidos, comentários por emails

Muita gente tem pedido esse recurso. Eu enrolei enquanto pude, pessoalmente não gosto do recurso, toda hora tenho que me descadastrar dos posts do Leo, por exemplo. Mas se eu só me preocupasse com minha opinião no blog, seria da Blogosfera Intelectual.

Então, meninos e meninas, agora é possível acompanhar os comentários de um post por três meios diferentes:

1 - assinando o RSS dos comentários daquele post

2 - visitando religiosamente a página, como os sujeitos que dizem que o Contraditorium é uma merda, eu sou chato feio e bobo e nunca mais voltarão aqui

3 - selecionando a caixa de comentários por email, no final do formulário de… comentários do post.

PS: A mensagem é idêntica à do blog do Leo. Foi proposital. Ele encabeçou a lista dos que pentelharam atrás desse recurso, então nada mais justo do que me dar (à revelia) a tradução da linha…

PS2: O serviço, claro, está em testes. Por favor dêem retorno se está funcionando bem, mal ou não faz nada.

Como Linus roubou o código do Windows e outras maravilhas do jornalismo especializado

Segundo o IDG Linus Torvalds, basicamente roubou o código-fonte do Windows para fazer o Linux. Sério, vejam a afirmação, neste artigo deles, descoberto pelo BR-Linux:

Se Linus Torvalds não experimentasse o código fonte do Windows e o tivesse personalizado como quis, ele talvez nunca tivesse criado o kernel Linux.

Chocante, não?

Não. É só mais um erro besta de tradução. O estagiário que traduz artigos da PC World para publicação na versão nacional fez o melhor que conseguiu. Estagiários mal são formas de vida, é compreensível.

O que não é compreensível é esse tipo de erro -comum- passar batido. A culpa é de uma aberração no Brasil (e em parte no Mundo) - o jornalismo especializado por delegação. O sujeito raramente tem uma graduação na área (não que eu defenda isso como obrigatório), ou sequer é fã, interessado, usuário. Normalmente surge a idéia de fazer uma coluna sobre tecnologia, escolhem quem está mais folgado e delegam. “Agora você cuida da informática, Zé”.

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Kit Blogueiro Viajante, ou mundo sem fio my ass

Estava preparando a mala para a viagem de sábado, quando vou cobrir o BarCamp pelo MeioBit, e na hora que cheguei ao kit de gadgets… caramba. Tenho que dar razão à Bia Kunze (e isso não acontece todo dia) quando ela diz que para cada cabo que se perde é uma fonte que se ganha.

A maior quantidade de tralhas que levamos por aí é composta de fontes, carregadores, extensões, etc. Na foto acima, meu kit de viagens, com somente o necessário:

Parte da esquerda, fora do notebook, sentido horário:

  • Cabo de força da fonte do macbook
  • Cabo USB retrátil
  • Adaptadores do cabo
  • Fonte de alimentação do carregador da câmera digital
  • Carregador USB de tomada
  • Carregador do DigiMate
  • Carregador do Celular
  • Carregador do macbook
  • Headset para usar Skype

Em cima do macbook:

  • iPod
  • Base carregadora da câmera digital
  • Celular
  • Mini-tripé para a câmera
  • Cabo retrátil do iPod
  • Bateria extra pra câmera
  • DigiMate

Ah, claro, a câmera digital também vai, mas não dava pra aparecer na foto.

Esse kit é o mínimo. Se eu tivesse um smartphone de última geração talvez até pudesse abrir mão do notebook, mas em compensação teria menos flexibilidade para, por exemplo, editar imagens e pesquisar sites. No final eu ganharia em portabilidade e perderia em qualidade do material produzido, e qualidade é sempre um diferencial, vale o sacrifício.

O blogueiro está mais para correspondente de guerra do que para jornalista. Não temos uma equipe de produção, como na TV, nem temos um fotógrafo, como um repórter normal. Somos aquele maluco que se mete no meio da selva pra encontrar o Khmer Vermelho.

Mesmo assim não temos do que reclamar. A idéia de atualizar notícias, ao vivo, é quase ficção científica para quem lembra do evento que era uma ligação internacional, ou de como para fazer um DDD tínhamos que ligar algumas horas antes pra Embratel, dando o número a chamar, e esperar ansiosamente o telefonema de retorno. “Senhorrrr…. sua ligação foi completada”.

Principalmente, a lição que fica é: Toda essa tecnologia estará sendo usada para cobrir um evento que é, essencialmente, sobre pessoas.

PS: Estou decolando no sábado pela manhã, e desta vez vou de Gol. Seria muita sacanagem recortar a silhueta de um Legacy vindo em direção à câmera e colar na janela?


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