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The Estagiário is on the table

08/12/2009 - 1:22 pm  -  39 comentários


O link veio via Twitter pelo Inácio Rolim, e nem é pela notícia, que já não é novidade, mas pela comida de bola mesmo.

Em resumo, o Google lançou um serviço chamado Google Goggles, onde você envia uma foto tirada com o celular, ela é processada e resultados são retornados. Isso pode ser usado para identificar produtos, lugares, até mesmo pessoas (se bem que acho que não farão essa última).

Goggles, como qualquer um que fez 3 dias de Cultura Inglesa, são óculos especiais, temos os NVGs – Night Vision Goggles, temos óculos de esquiar, óculos de aviador, etc.

O estagiário do G1, entretanto, não deve ter feito os 3 dias de pré-requisito para saber disso. Veja como nomearam o produto nesta matéria aqui:

g1denovo

Eu até entendo que o sujeito não saiba o que são GOGGLEs, eu até entende que domínio básico da língua inglesa não seja pré-requisito para jornalismo, até entendo que alguém seja idiota e arrogante o suficiente para achar que vai chegar a algum lugar cobrindo tecnologia só falando português, até entendo que a mídia online ainda seja a gata borralheira mesmo das empresas como o G1 CRIADAS para ganhar dinheiro online.

O que não entendo é que o estagiário não PENSE, primeiro para perceber que “GOOGLE GOOGLES” Não faz o MENOR sentido.

Segundo, para olhar a maldita imagem colocada na matéria e LER, caceta, LER que no aplicativo exibido está grafado “GOOGLE GOGGLES”

ggoggles

PS: Antecipando a turma do mimimi, não, não foi erro no título, no corpo do texto eles usam “GOOGLES” de novo.


Nãotícias e So Whats

07/12/2009 - 3:31 pm  -  6 comentários


ScreenShot004A nãotícia é aquele tipo de informação nula, muito comum em sites de fofoca. Nem digo as informações de irrelevância relativa, como onde o artista comeu, quem comeu, quando comeu, isso é fofoca, faz parte. Chamo de nãotícia a informação que não é relevante nem para quem está envolvido direto com ela. Exemplo? Veja a imagem ao lado, e não, não é falsa, o link original está aqui.

Temos aqui uma não-troca de informações que faria McLuhan, tanto quanto eu quando receber o comentário perguntando onde toca esse tal de MC Luhan.

Para os paramécios que editam, escrevem e se satisfazem com esse tipo de notícia, tudo bem. Não há o que reclamar, coprofagia para humanos é um distúrbio, para alguns besouros é um meio de vida, então tudo é relativo. Mas… quando você não vive de nãotícias, comofas/?

Durante muito tempo era comum assessorias de imprensa enviarem releases com pouca ou nenhuma informação. Já fui a coletivas com presidentes de empresas onde NADA, NADA foi dito de útil, não havia nenhuma informação útil nem na boca nem nos releases.

Isso pode ser legal para a velha mídia, mas a nova não tem paciência para isso. Principalmente, nossos leitores não têm paciência.

Semana passada recebi um release sobre um lançamento de um aparelho por uma empresa de telefonia. No release não havia:

 

1 – Data do Lançamento

2 – Condições de planos do lançamento

3 – Preços do Lançamento

4 – Modelos disponibilizados

 

Se eu fizesse um post seria algo do gênero: “Operadora XX lançará o telefone YY não sabemos quando, como, qual nem quanto”. TODAS as perguntas básicas do bom jornalismo seriam devidamente ignoradas. Os leitores ficariam furiosos e com razão culpariam o blog pela falta de informação.

Talvez a culpa seja nossa, não temos a tradição de “notinhas”, onde esse tipo de nãotícia se encaixa. Mas será que o leitor ativo e propositivo do novo Século aceitaria passivamente notinhas com informação real zero?

Eu acredito que não. Acho que o leitor chato (no bom sentido) quer sim mais informação, e com a existência do canal de comunicação direto com o blogueiro, ele corre atrás. “Eu também não sei” não é resposta.

Portanto, fica a dica: Precisamos de mais informações, teasers são legais mas não para blogs. “Eu não sabia” pode até servir para blogs de política, não para os de tecnologia.


Batman usa Windows

24/11/2009 - 7:25 pm  -  25 comentários


No episódio The Vengeance Formulation (S03E09) de Big Bang Theory tivemos uma visão do desktop de Sheldon. Foi como se milhões de pinguins gritassem em desespero e em seguida se silenciassem. Sim, Sheldon Cooper usa Windows, Windows 7 ainda por cima.

Se serve de consolo, aquele Windows está ali por um motivo mais que justo: Dinheiro.

O nome disso é Product Placement, ou em português, Merchandising. Televisão é algo caro de fazer, e a idéia é monetizar ao máximo. Exibição de marcas quase sempre estão atreladas a contratos de publicidade. Por isso Marty McFly pede Pepsi mas em outros filmes vemos a famigerada máquina “Cola”, “Refreshments” ou a cerveja genérica “Beer”.

Em Star Trek conseguiram ir aonde nenhum merchandising jamais esteve: um futuro utópico de ficção científica, com direito a Nokia Tunes e um player MP∞ (se hoje já temos MP15 no Mercado Livre, imagine no Século XXIII).

Esse tipo de ação não era tão comum para eletrônicos, mas a tecnologia avançou o suficiente para ser viável colocar servidores Dell no laboratório de Tony Stark e não ficar algo bobo. Ao contrário do que sempre aconteceu, as interfaces dos computadores precisam ser simplificadas pelo departamento de arte, e não melhoradas, como era regra.

Netbooks, smartphones, tablets, todos são usados, dentro de contexto e rendem dinheiro. E se a Apple não quiser pagar ou ao menos fornecer os computadores, corre o risco de ter um adesivo colado em cima da maçã, como a Globo faz com quase todas as marcas. Tem coisa mais ridícula que o Gol do Rui, d´Os Normais, com a logo da VW coberta com fita?

Um fenômeno interessante é que não há mais a preocupação do passado em ser associado com os vilões. A IBM perdeu a chance de ter seu nome ligado a HAL, em 2001 por achar que ficaria ruim para sua imagem se o computador “vilão” fosse da IBM. HAL hoje é O exemplo de inteligência artificial e um dos computadores fictícios mais adorados do cinema.

Nem todo mundo compartilha desse medo, uma das ações de product placement pioneiras na área de tecnologia por exemplo foi feita com os computadores dos vilões. Estou falando de True Lies, e da cena que todo mundo comentou no cinema:

Em uma época onde todo filme usava imagens customizadas ou terminais de texto impessoais, ver a familiar tela do Windows fez as nerdaiada subir nas paredes. Era um tal de “alá! alá!” que transformou muito cinema em mesquita. A ação é comentada até hoje.

O segredo desse tipo de ação de propaganda é tornar o produto parte da cena. Não se vê o Sheldon elogiando o Windows 7, ele apenas… está lá. Os macs idem. O que não dá é parar a ação para entrar o merchandising. Em um episódio recente de 30 Rock inseriram uma cena absolutamente desnecessária onde era mostrada uma videoconferência com tecnologia Cisco. Tecnologia essa elogiada por vários personagens, que pararam a cena (já) desnecessária para falar… do produto.

Nós consumidores não pagamos por isso. Quer enfiar o merchã, enfia, mas com jeitinho. House brigando atrás de um monitor FullHD e ganhando um Dell é legal. O pessoal de 30 Rock falando de um zzzzzzz…. terminal de videoconferência? Não.

Há uma terceira alternativa, que é conseguir divulgação de graça, mas isso você só consegue se seu produto for realmente cool. Acontece com o iPhone, e aconteceu também com o Photosynth, aquela tecnologia da Microsoft de montar ambientes 3D baseados em fotos.

Um grupo de produtores de CSI estava visitando a empresa, viu uma demonstração e perguntou se podiam usar em um episódio. A Microsoft, claro, abriu sorriso de orelha a orelha, deu toda a colaboração técnica e o resultado é uma cena digna de ficção científica.


O assustador é saber que o Photosynth é aquilo mesmo.

Funciona pra todo mundo? Não, na maioria das vezes o produto é chato, sem-graça e jamais seria usado de forma espontânea. Nesses casos o melhor é apelar para a propaganda convencional.

Pode não ser tão eficiente quanto as ações de merchandising, mas são bem mais toleráveis. Um comercial ruim não ofende, um jabá descarado é chamar o consumidor de idiota.

Extrapolando para nossas novas mídias, fica o recado: Parem de contratar “especialistas” em mídias sociais e contratem criadores. Parem de mandar amostras-grátis (pros outros, pra mim podem continuar mandando) e mandem IDÉIAS GENIAIS. Quem faz boca-a-boca Cauda Longa são os leitores, eles que irão enviar o link para os amigos.

E só digo uma coisa: Link de coisa legal que vi no blog do Cardoso viaja muito mais do que link da coisa legal que o Cardoso ganhou.


O Inferno dos Outros Somos Nós

10/10/2009 - 11:36 am  -  36 comentários


Algum tempo atrás a banda canadense Sons of Maxwell descobriu que os vários adesivos “handle with careˆ, “fragile”, etc de seus instrumentos não foram respeitados pelos gorilas que cuidam da bagagem, e um violão Taylor de US$3500,00 foi detonado.

A United Airlines não quis pagar o prejuízo. Depois de meses de infrutíferas negociações, David Carrol, líder da banda fez o que sabia fazer: produziu um de três vídeos contando sua história. Isso resultou em nada menos que 1,5 milhões de visualizações em 3 dias. Desde 6 de Julho/2009 o vídeo acumula 6,5 MILHÕES de views. A história rendeu matérias na CNN, LA Times, Chicago Tribune, San Diego Union-Tribune e uma penca de outros sites.

CLARO, a United acionou o controle de danos, mas já foi tarde demais. O dono da Taylor Guitars não só se ofereceu para dar um violão personalizado novo para David Carrol, como ainda fez um vídeo com dicas sobre como embalar com segurança seus instrumentos.

Agora temos uma versão nacional. Os Detonautas[bb] estão em turnê, hoje tocariam no Ceará, mas a TAM atrasou seu vôo mas não segurou a conexão. Estão virados, pois o vôo seria 7 da manhã tiveram show ontem.

Perdidos no Aeroporto de Brasília, sua próxima conexão foi marcada para 13h. Nesse meio tempo a TAM se recusou a oferecer hotel, Sala VIP, qualquer apoio. Alimentação? Deram um voucher de R$13,00.

A banda está sentada no chão. Só que não estão de mãos atadas. Com netbooks e celulares estão transmitindo ao vivo e a cores o caos. Tico Santa Cruz, vocalista da banda e tuiteiro inveterado assumiu seu lado repórter e usando o TwitCam está mostrando o caos.

Resolveram fazer um sarau, os fãs estão curtindo um pocket show ao vivo, entre os protestos contra a TAM ouvimos música ao vivo.

Neste momento a notícia sem rosto de “vôos atrasados” se torna algo humano. A moça com um bebê no colo que passará o dia no aeroporto e perderá o casamento da irmã, o sujeito ameaçando quebrar o aeroporto, o pessoal desesperado por não conseguir viajar…

Com picos de mais de 350 espectadores simultâneos, a história já se espalhou pelo Twitter, a mídia tradicional já pegou a matéria. Uma repórter do Amaury Junior também presente acompanhou a saga da banda, e alguns minutos atrás uma equipe da Globo apareceu, filmando a transmissão do Tico.

Eu definitivamente não gostaria de ser velho hoje. Aqueles profissionais que têm certeza de que sabem de tudo, especialistas no que o público pensa e faz, mas que não têm email e acham que Internet é uma moda passageira. Esse pessoal vai sofrer MUITO ainda até entender o conceito de mídias sociais.

Não adianta criar ilha no Second Life e comunidade no Orkut, ou você tem uma equipe MUITO, MUITO ágil para apagar esses incêndios ou vão sofrer na mão da opinião pública. E, lamento dizer, o pessoal da antiga não tem a agilidade necessária para lidar com esses casos. É momento em que é preciso poder de decisão E ousadia.

Empresas burras temem mídias sociais e agem como reféns delas. Empresas inteligentes as usam a seu favor mesmo nos momentos mais críticos. Lembre-se, se a vida te der limões, diga “fodam-se os limões”, feche um restaurante, coloque todo mundo lá, monte um check-in remoto e contrate os Detonautas para um mini-show de emergência entretendo os passageiros até o embarque.

[ATUALIZAÇÃO]

DEFINITIVAMENTE a TAM não entende de mídias sociais OU tecnologia:


O passarinho azul vai pousar no Blue Tree

21/09/2009 - 6:13 am  -  4 comentários


Repetindo 2008, fui convidado pela Editora Abril e Revista Info para participar do Seminário Info, um evento tão antigo que quando começou o tema era Second Life.

Será neste dia 21, mais precisamente hoje, das 8h às 18h no Blue Morumbi, no Brooklin, o que comprova mais uma vez que São Paulo não faz sentido geograficamente. Desta vez o tema não será blog, mas… Twitter.

Participarei de um painel com o complicado título de “Os Supertuiteiros”, com Walter Longo, Cesar Paz e moderação de Juliano Barreto, editor de Internet da revista Info.

Esperemos que a mesa de guloseimas esteja boa como ano passado, baldei uma viagem para a prévia do Porto Cai na Rede para ter certeza que chegaria.


Da inefável superioridade da mídia impressa

12/09/2009 - 8:21 pm  -  15 comentários


Embora eu seja um artesão da palavra que vive do meio eletrônico, confesso minha queda pelo papel. Livros ainda são meus bens mais preciosos, e sinto saudades da época em que comprava quase um por dia. Ao vivo, em livrarias, como Jesus queria que comprássemos.

Entretanto não é o contato do papel que me faz ter mais apreço pela mídia impressa; descobri que o que mais gosto nela, e o que me faz gastar dinheiro em livrarias de aeroportos e rodoviárias é a capacidade de uma experiência de leitura sem interrupções por idiotas.

Em uma revista tenho certeza de que tudo ali estará aderente a um padrão de qualidade. Sei que os idiotas, quando existem estão restritos a seção de cartas. Não corro o risco de ler um texto excelente para em seguida vê-lo desrespeitado e vilipendiado pela plebe ignara.

Percebi isso de forma bem clara ao tentar ler esta puta matéria feita pela Solange Azevedo para a Revista Época. Foram 11 entrevistas traçando o perfil de Farah Jorge Farah, cirurgião plástico que em 2003 matou a amante, Maria do Carmo Alves, com direito a esquartejar o corpo, no melhor estilo Dexter/CSI.

Terminei de ler o trecho disponibilizado para não-assinantes, ia postar no Twitter sobre a matéria quando cometi a infelicidade de olhar os comentários. Os imbecis semi-analfabetos que parasitam caixas de comentários já haviam chegado. Assim uma senhora ação de reportagem foi agraciada com pérolos como:

imbecis

Toda a reverência que eu estava sentindo pelo trabalho da Solange foi embora. Imagine você assistindo Lista de Schindler e na hora em que o nazista executa a arquiteta judia alguém toca uma corneta com o Hino do Flamengo. Acabou o clima. Mesmo que o idiota seja empalado com a corneta, já era.

A mídia impressa não tem esse problema. Talvez por isso textos “sérios” não façam parte das mídias sociais, ou quando o fazem é sob normas rígidas de comportamento. Agir da forma como os imbecis acima (na verdade da forma como qualquer troll age) é um desrespeito aos leitores E aos autores.

E eu gosto de ser respeitado, tanto como autor como quanto leitor.

PS: A dica da matéria foi do Bruno Ferrari, que além de ser aquele cara feio de Malhação, também é jornalista diplomado da Época.


Eu Podo, a Info não Pode

14/08/2009 - 4:33 pm  -  36 comentários


As Internets estão chacoalhando os tubos hoje, com mensagens sobre este post do Info Plantão, que dizia:

Você tem um iPhone 3GS para emprestar?
Você, dono de iPhone 3GS, gostaria de ver um teste completo com o aparelho da Apple e outros celulares touch screen de última geração nas páginas da revista INFO de setembro e do INFO Online? Então, que tal nos emprestar o seu?

A reação geral está sendo negativa. Leitores estão se sentindo traídos, no mínimo decepcionados. A Info, da Editora Abril, que com o maior parque gráfico da América Latina deve imprimir até dinheiro deveria comprar todos os produtos que resenha (é, há essa percepção doida) não consegue… um iPhone?

Yes, Virginia, revistas não são feitas de papel-moeda, não tem orçamento infinito e muito menos linha direta com Steve Jobs. Se alguém da redação puxasse um iPhone 3GS do bolso dizendo “acabei de comprar em Miami”, seria imediatamente imobilizando enquanto alguém desmonta, fuça e escreve a resenha.

Isso vale pra Info e pra Wired.


Redação da Info, segundo percepção dos leitores

Só que não pode, Info. O MeioBit pode, mas vocês nunca vão ser o MeioBit. Nós somos um blog de tecnologia que por sorte (se dissermos competência acusam de mascarado) chegou num lugar de destaque na Internet brasileira.

Vocês são “A” revista de tecnologia do Grupo Abril. UMA página de publicidade de vocês cobre o nosso faturamento da semana (preguiça de acrescentar quinzena,mês, etc)

 O MeioBit recebe ofertas de leitores, dizendo que compraram gadgets e gostariam de resenhas, se fosse o caso emprestariam. A questão aqui é PERCEPÇÃO. A mulher de César tem que parecer honesta, não basta o ser. A Info mesmo em sua versão online não é um blog. Para o leitor é mais um braço de uma megacorporação transjornalística com recursos infinitos. Dois pesos, duas medidas. Ninguém disse que a vida é justa. Vamos testar. Esticarei a mão até o ombro, se for justa encostarei na mão da Luciana Vendramini, de papagaio de pirata, me chamando para a piscina.

Não, a vida não é justa. O máximo que podemos pedir é que seja consistente.

A Info errou ao achar que era povo. A Xuxa é povo. A Info online é uma versão informal da Revista da Abril, e será cobrada para que se comporte como tal, por mais irreal que seja esse comportamento.

Nome como Abril, Folha, Globo, isso traz um peso para quem é de fora. “É pro Fantástico?” É uma pergunta válida.

Essa percepção infelizmente tende a crescer. Eu tento podar toda vez que vejo nascer uma postura dessas por parte dos leitores, como no MSX Rio. Fui cobrir o evento, depois ficaram super-agradecidos pos nunca imaginavam que o MeioBit, que cobre eventos internacionais, desse atenção a algo tão pequeno. Hello? A gente tem liberdade justamente por isso, cobrimos o que é legal, grande ou pequeno.

A lição da Info vale pra todo mundo: Você não pode ACREDITAR na percepção que os leitores tem do seu veículo, mas deve respeitá-la. Se é errada, tente mudá-la, mas nunca assuma que O LEITOR é o errado. Ele não tem obrigação de conhecer a Glamourosa Vida Nas Redações, onde de dia ganha-se pullitzers, de tarde derruba-se o Nixon, de noite salta-se prédios com um único pulo e de madrugada come-se a Lois Lane.

Você é percebido como parte de seu veículo, sua empresa. Puxar um iPod sendo funcionário da Microsoft se tornará “Microsoft Prefere iPod”, nas manchetes. Cruel, mas é a vida.

De resto, relaxe e divirta-se com os comentários de quem viu o “erro no título” e não se deu ao trabalho de ler até aqui. Ao contrário da Info eu posso fazer esse tipo de brincadeira.


Hasta la vista, jornalista?

21/06/2009 - 3:06 pm  -  30 comentários


Uma das áreas que costumava abrigar jornalistas e até então estava razoavelmente intocada pelas novas mídias era a Assessoria de Imprensa, mas ultimamente celebridades, políticos e famosos em geral estão pulando etapas, lidando diretamente com o público.

Não da forma estéril de vários “blogs de famosos”, como a Eliana,que diz claramente “Não vou falar de minha vida pessoal”, mas comunicação direta,ao vivo e a cores. Quem precisa do Ego ou da Revista Amiga, quando sabemos em primeira mão, da boca do próprio que o Evandro Santo, o Christian Pior irá estrelar um show de Stand Up em agosto?

 

santoevandro

A assessoria de imprensa dele corre o risco de saber DEPOIS dos fãs.

E não é só aqui (nem poderia). Você sabia que o jatinho que o Governator Arnold sopa-de-letra estava fez um pouso de emergência, devido a um princípio de incêndio na cabine de comando? Quem o segue no Twitter ficou sabendo.

 

arnoldinho

OK, assessoria de imprensa também está morta, junto com o jornalismo tradicional, o pessoal que se trata de “coleguinha” deve caminhar pro poço de piche, achar uma bolha de âmbar bem fresca e esperar ser clonado em 75 milhões de anos, certo?

Errado. A menos que você ache graça nos improvisos do Lula.

Deixar figuras públicas se comunicarem direto com os fãs/leitores/eleitores/whatever é muito,muito perigoso. Isso pode facilmente destruir carreiras. A Internet é uma grande zona de confronto, os insatisfeitos estão sempre insatisfeitos e não aceitam qualquer tipo de argumentação.

Inimigos políticos podem e vão usar os recursos online para tentar desestabilizar quem não lhes agrada.

Principalmente, um canal direto, sem intermediários coloca a figura sob os holofotes, pelado. Se o sujeito não for muito ágil, não tiver um bom nível de inteligência, irá se autodestruir. Outro dia várias pessoas comentavam os erros de português constrangedores do Twitter do Boninho.

Se você é uma Carla Perez, não há problema, seu Twitter, Blog, MySpace pode ser escrito batendo com a cabeça (ou mais apropriadamente a bunda) no teclado e os fãs adorarão, é isso que eles esperam. Mas se você é um famoso que vende uma aura de inteligência, cuidado.

Se o seu cliente é um famoso que se encaixa no perfil acima, SE VIRE para explicar que mídias sociais não são para qualquer um, e que ele funcionará melhor tendo uma assessoria por trás. Martin Sheen é magnífico como o Presidente Bartlett em West Wing, mas dando entrevista ao vivo para a campanha de Obama me encheu de Vergonha Alheia.

A principal função do assessor de imprensa é proteger o cliente de si mesmo, e no caso a melhor proteção pode ser mantê-lo LONGE das mídias sociais, por mais que haja pressão para que ele participe. Não há demérito em ter uma assessoria escrevendo seus posts e twitts, SE isso ficar claro e se for demonstrado que há uma comunicação ágil entre assessor/assessorado.

Trocar o Assessor pelo Twitter aliás é uma grande besteira. Não existe release em 140 caracteres. Novas mídias vem para acrescentar, elas só matam as antigas mídias e as antigas profissões quando o ganho é muito significativo. A Internet vai matar os jornais, não os jornalistas. O Twitter vai matar a assessoria de imprensa preguiçosa, que enche site vagabundo com pauta vagabunda, tipo “Ivete Sangalo troca o absorvente”. E só.


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