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Louis C.K., Velha Mídia é a Mãe e a batalha contra a pirataria

12/12/2011 - 12:00 pm  -  28 comentários


Louis C.K. é um dos grandes nomes do stand up americano da atualidade. Em alguns medições ele atinge 450 miliCarlins. Como todo comediante do ramo ele vive de shows, DVDs e programas de TV. (Exceto o Rafinha Bastos, que agora é cantor, mas pensando bem eu disse “comediante”)

Ele (Louis C.K., não o Rafinha) tem enfrentado problemas pois a HBO não passa mais seus especiais –só prestigiam artistas da casa- e canais alterativos como Showtime e Cartoon network consideram a comédia de Louis muito controversa.

A saída foi a Internet, mas ele resolveu fazer diferente. Ao invés de se associar com um grande nome, uma grande distribuidora, ele preferiu fugir das restrições impostas por esses modelos e está distribuindo o novo show direto de seu site oficial.

Sem DRM, sem restrições, sem limite por regiões, ele diz com todas as letras: “Você pode baixar o arquivo, ver quantas vezes quiser, queimar um DVD, whatever”. A única coisa que ele pede é que você PAGUE POR ESSE DIREITO, são míseros US$5,00 por um show inteiro, gravado profissionalmente em um teatro, editado e produzido.

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Dada a política de assinaturas deveriam mudar o nome para Revista Inpho*

16/11/2011 - 10:13 pm  -  22 comentários


 

ludditesNo Brasil é comum uma empresa tentar resolver uma redução de lucros causada por uma queda nas vendas aumentando o preço do produto. Assim ao invés de vender 10 unidades de R$10,00, o sujeito que vendia 7 passa a vender 5, por R$20,00.

Manter o lucro é essencial, mesmo diante da catástrofe iminente, por isso vemos casos de agricultores que preferem jogar fora seus produtos a vender abaixo do que consideram aceitável. Perfeito, mas receita ZERO para mim é mais inaceitável ainda.

Quando há alguma grande mudança tecnológica em geral o mundo se divide entre quem abraça a inovação e quem tenta tudo para evitá-la. A velha mídia é especialista na última parte, jornais ainda perdem tempo publicando previsão do tempo, quando qualquer telefone decente traz muito mais informação e muito mais atualizada, mas assustador mesmo é quando o pé firmemente fincado no passado não é de uma New Yorker, uma Gazeta Mercantil, um New York Times, mas de uma… revista de tecnologia.

OK, mais assustador ainda é quando a batida de pé se recusando a aceitar o futuro é algo já tentado… quase três anos atrás. Em 2009 publiquei um artigo mostrando o Newport Daily News, um jornalzinho dos EUA que resolveu combater a crise na mídia impressa cobrando mais caro pela versão digital do que pela versão em papel.

Agora, graças a uma dica via Twitter, descobri que a Info está fazendo o mesmo.

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Já que a Globo não ensina vamos ensinar ao G1 um pouco de televisão…

02/11/2011 - 4:53 pm  -  10 comentários


Como sempre a mídia sensacionalista adora o Oculto, o Misterioso, o Inexplicável para quem tem menos de três neurônios. São matérias de OVNIs, espíritos, Nossa Senhora do Veja Multiuso e toda sorte de besteira.

OK, sendo justo, não é prerrogativa do G1, praticamente todo site de notícias tem uma área especializada nesse tipo de “jornalismo”, que publica qualquer lixo em nome da Diretriz Máxima “encher espaço”, Um bom exemplo é o IG, que deu destaque para o delírio do Carlos Vereza, que confundiu rastros de condensação de aviões com discos voadores, nesta matéria aqui.

As divagações esotérico-espírito-lisérgicas do renomado ator só não foram mais épica e involuntariamente hilárias que as declarações da astrônoma que disse nunca ter visto nada como aquilo. Ainda bem que Carl Sagan e Kepler não estão vivos para ouvir uma besteira dessas.

Mesmo assim o IG *AINDA* conseguiu se sair melhor que o G1, que fez questão de apenas repassar a notícia o lixo, nesta matéria aqui:

g1domal

O portal foi gentil em fornecer um link pro tal vídeo, é este aqui. Como ninguém merece tela de TV filmada com celular, aqui uma versão mais limpa:

É possível reparar pelo menos 4 “óbjetos” (segundo a grafia nova de ÓVNI) cruzando a tela. Um passa por trás das torres. Nossa, que horror, estamos sendo invadidos? Diz o G1 que o objeto (sem acento, me processem) teria sido filmado no dia 23 de Outubro.

Enquanto os ufeiros debatem e o G1 não fala um “A” sobre o assunto, se resumindo a divulgar a informação sem nada acrescentar (velha queixa da velha mídia contra Jornalismo Participativo e o Twitter) qualquer um com mais de 2 neurônios ativos percebe que o tal torcedor que filmou o OVNI é um idiota.

O tal vídeo NÃO foi filmado no dia 23. Dia 23 foi o dia do jogo. O tal vídeo é um TIMELAPSE, aquela técnica onde se utilizam imagens capturadas em intervalos longos de tempo, formando uma sequência animada depois.

É simples, há toneladas de Apps para fazer isso no iPhone e qualquer câmera decente tem o recurso. Até eu já brinquei disso, vejam:

Se você reparar no vídeo do tal “UFO” perceberá no canto esquerdo da imagem carros passando em movimento acelerado, como em todo filme em timelapse que se preza.

Isso tudo torna o tão OVNI ultra-rápido nada mais que… um avião. Na imagem mostrada na reportagem do G1 dá para ver as luzes piscando. Já tirei várias fotos assim, usando longa exposição.

Aí eu pergunto: Eu sou (tão) mais inteligente que um jornalista do G1? Será que o tempo do leitor é tão inútil assim que precisa ser desperdiçado com esse tipo de nãotícia?

Se o caso fosse EXPLICADO deixaria de ser uma notícia idiota e se tornaria um serviço de utilidade pública, ensinando aos leitores que nem tudo que reluz é OVNI, que é preciso estudar as evidências com calma e buscar explicações simples antes de fazer alegações fantásticas.

Estarei eu pedindo demais? Acho que sim, pois uma das possibilidades é querer que o estagiário do G1 efetivamente PENSE e jornalistique investigativamente as matérias, a outra possibilidade é que as editorias tapa-buraco magicamente abandonem a postura “escreve qualquer merda aí”.

Ambas são MUITO mais improváveis do que o alien do Carlos Vereza ser verdadeiro.


Desculpe, Época, mas esse não é o Droid que vocês estão procurando

17/04/2011 - 12:59 am  -  41 comentários


Assim como Stephen Colbert eu não sou muito fã de fatos. Gente sem imaginação costuma usá-los para provar argumentos, o que não é vantagem. Qualquer um acredita em algo diante de fatos concretos. Por isso não gostei nada quando vi meu artigo no TechTudo, onde escrevi sobre a virtual (e aparentemente estranha) ausência de robôs nas buscas a sobreviventes no Japão ser desmentido de forma espetacular por esta matéria da Época Negócios:

 

Snap158

 

Como assim, Bial?

Como bom geek sei recitar quase todas as Três Leis da Robótica de Asimov e tenho total conhecimento sobre robôs, ao menos os inexistentes. Sei ao menos em que pé anda a pesquisa, então o título já ficou estranho. Estes dois parágrafos então, só pioraram:

O sistema de sensor Kinect, desenvolvido pela Microsoft para o videogame Xbox 360, já provou ter utilidades além da diversão, tal como demonstrou um grupo de estudantes britânicos que construíram um robô capaz de resgatar vítimas de um terremoto graças a essa tecnologia.

Teleguiado, autônomo e com um aspecto similar ao de famosos robôs como Wall-E e o protagonista do filme “Um Robô em Curto Circuito”. Assim é o autômato criado pelo grupo de estudantes da Universidade de Warwick (Reino Unido), que se apresentou na feira The Gadget Live Show 2011, aberta até este domingo na cidade britânica de Birmingham.

Vamos lá. Primeiro, o robô é “capaz” de resgatar vítimas de um terremoto. Não há informações de tamanho, tipos de manipuladores, autonomia, nada. Se o robô foi apresentado na feira domingo, só lamento mas ele só vai resgatar vítimas do Japão se houver terremoto em Nosso Lar.

Segundo, decidam-se. É teleguiado ou autônomo? Os dois conceitos são opostos.

Em seguida o texto faz uma revelação importante, e nem é o fato do robô de Short Circuit se chamar Jonny Ken(eu sei!)

Um aspecto muito mais agressivo é o do “Titan the Robot”, que exibiu na feira seus 2,4 metros e 350 quilos de exoesqueleto com o objetivo de mostrar que um futuro de androides é possível.

Na legenda da foto diz: “Robô Titan criado pelos estudantes de Warwick é apresentado…”

Qual a conclusão lógica, chamada mais imagem mais legenda? Esse robô é o tal criado pelos estudantes, e vai escavar destroços igual ao Optimus Prime, tecnologia fantástica. Duvida? Veja a apresentação:

 

Geeks como eu sabem que movimentação bípede é algo muito, muito complicado. O robô andador mais sofisticado, o Asimo da Honda tem 1m39cm de altura, pesa 54 quilos e tem velocidade máxima de 6Km/h, nem de longe chega aos pés da agilidade demonstrada pelo Titan. Como um grupo de estudantes ingleses superou toda a pesquisa robótica mundial e ainda por cima criou um monstro de 350Kg?

Não superou.

A princípio desconfia-se de computação gráfica. Logo após o robô chegar ao palco um sujeito passa na frente da câmera, é um recurso clássico para trocar a imagem real pela animada. Os reflexos no chão são boas pistas, no caso estão corretos mas não provam a farsa, só indicam uma animação bem-feita OU um objeto real.

A reação das pessoas é uma boa dica, está MUITO correta, seria bem complicado dirigir atores, principalmente crianças para reagir a nada com tanta precisão e tanto realismo. Portanto o objeto era real, mas seria um robô?

A movimentação está fluída demais. Todos os micromovimentos de um humano estão ali. Robôs não fazem gestos desnecessários, nem hesitam.

A placa peitoral é a GRANDE dica. Está posicionada de forma extremamente para um operador humano poder enxergar. Junte a isso o tecido preto nas juntas do robô, e temos um clássico traje.

5 segundos de Google e descobrimos que o Titan não tem NADA a ver com estudantes de Birmingham. Buscando no Google o PRIMEIRO link é o do site oficial do Robô. O terceiro é da Wikipedia, onde são dadas todas as informações sobre o traje. Sim, Titan é um traje, ele é tão robô quanto o dinossauro do post anterior.

É magnífico, é lindo, eu adoraria ver um show desses, mas NÃO é um robô, NÃO é criado por estudantes de Birmingham e PRINCIPALMENTE não é a esperança para pobres coitados japoneses soterrados desde 11 de Março.

Eu sempre defendo que não se atribui à malícia o que pode ser explicado pela estupidez, então prefiro achar que o estagiário da Época, na falta de compreensão de inglês escrito misturou tudo, não percebeu que o robô era falso e nem era “o” robô e falou mais do que devia. Do contrário serei obrigado a achar que se aproveitaram de forma leviana de uma tragédia para criar uma chamada sensacionalista vendendo o produto mais vil que pode ser comercializado: Falsa esperança.

Agradecimentos à F.R. pela dica do link


Pro G1 é Trem Bala vs 14 Bis

06/04/2011 - 9:14 am  -  36 comentários


Estava lendo esta matéria do G1 sobre o tal Trem-Bala entre Rio e São Paulo. A idéia de transporte ferroviário rápido por si só é interessante, mas assim como Tsunamis, prefiro que aconteçam no Japão, onde há competência para lidar com eles. Lembre-se, o Brasil ainda não começou nenhuma obra importante pra Copa do Mundo, e já estamos na metade do prazo. Nós conseguimos atrasar a Nau do Descobrimento, aquela caravela que comemoraria os 500 anos do Descobrimento. Tivemos MEIO MILÊNIO para construir o negócio, e não cumprimos o prazo.

Um trem se movendo a 400Km/h cercado de gente que acha divertido atravessar trilho de trem com a composição passando, motoristas que não acreditam em sinalização ferroviária e caminhoneiros que sempre acham que “dá sim” e tentam ultrapassar o trem no cruzamento? Desastre em potencial.

Como podemos chamar de desastre a visão da Aviação que o G1 tem.

Não sei se é necessário diploma para checar fatos, mas com certeza não é preciso para usar o bom-senso.

Vejam o parágrafo final da matéria:

O tempo de viagem do Rio a São Paulo, com velocidade média de 280 km/h, será de 93 minutos. De avião, o mesmo percurso é feito em 110 minutos. A velocidade máxima prevista do trem-bala é de 350 km/h.

OK, continhas.

93 minutos dá 1h33min. Um tempo bem baixo. Tão baixo que é abaixo do tempo gasto se fosse feito na velocidade média:

280  / 60 = 4,66Km/minuto

4,66 * 93 = 434Km. Faltam 77Km.

Se o percurso for feito na velocidade média de 280Km/h, ou 4,66Km/minuto temos:

511 / 4.66… = 109 minutos

1h49min

O tempo da viagem já aumenta em 19 minutos.

Vamos agora à parte divertida:

De avião, o mesmo percurso é feito em 110 minutos.

AHMMM?

511Km / 110 = 4,64 Km/min

4,64 * 60 = 278 Km/h

Um Airbus A320 tem velocidade média de decolagem de 275Km/h. Um 737 tem velocidade mínima de sustentação de 222Km/h. Velocidade de cruzeiro de 780Km/h.

O estagiário do G1 entretanto viajou em um avião 3 vezes mais lento. Será a Barrichello Airlines? Não, uma MacLaren é recordista tendo atingido 387,5Km/h e Schumacher ganhou o GP de Monza em 1998 mantendo uma MÉDIA de 237,59Km/h. Lento, mas definitivamente não tão lento. Faria Os 511Km de Rio-São Paulo em 2 horas.

Sabe quem voa a 278Km/h, G1? Um Cesna 206:

Cessna-206H

Portanto, fica a dica: NUNCA subestime seu leitor, principalmente se houver a remota possibilidade de algum deles já ter voado na ponte-aérea e percebido que não levou UMA HORA E QUARENTA MINUTOS para chegar em São Paulo.


Como falhar miseravelmente prevendo o futuro

04/04/2011 - 4:31 pm  -  8 comentários


charlie_eppes_numb3rsOntem dei boas risadas com um artigo que li falando que em 2016 o Android teria 50% do mercado de smartphones. Não ri nem dos números, ri da arrogância misturada com ignorância, do autor da projeção. É viável fazer previsões estatísticas de longo prazo, mas elas só valem se fatores imprevisíveis não modificarem o cenário. A 2a Guerra Mundial alterou todas as estatísticas mundiais sobre… tudo, só quem não foi afetado foi o pessoal como o Vovô Simpson que antes de 1936 já chamada a 1a Guerra Mundial de 1a Guerra.

Estatísticas de crescimento econômico, taxas de natalidade, longevidade e tempo médio vendo TV são “razoáveis”, dá para lidar com elas, mas no caso de avanços tecnológicos isso se torna MUITO complicado. Não é uma curva que volta a uma normalidade após uma anomalia. Projeções de crescimento do cinema foram pras cucuias após o surgimento da televisão. Toda e qualquer previsão de uso de telefones desandou após a chegada da Internet.

Projetar crescimento a longo prazo de produtos específicos em tecnologia é uma loucura. Essa projeção de Android dominando o mundo em 5 anos (como toda projeção dessa área) só é válida se NADA mudar, só evoluir em pequenos e inofensivos saltos. Não é assim que a banda toca. Vejamos cinco anos atrás, 2006. Motorola e Nokia no auge, Palm era a rainha da cocada preta, Windows Mobile um player ainda relevante. NENHUMA projeção de mercado incluiria a Apple, e se o fizesse provavelmente seria como esta previsão um tanto sombria aqui.

Aí em 2007 a Apple lança o iPhone e embanana TODO o mercado.

Então, é impossível fazer projeções para o futuro, no mercado de tecnologia e internet?

Sim e Não.

Claro, há previsões que sempre dão certo, como “Ano que vem será o Ano do Linux no Desktop”, mas previsões específicas são muito, muito pouco confiáveis. O Orkut por exemplo teve um comportamento completamente anômalo. A princípio seria o GRANDE player das redes sociais, mas a invasão dos gafanhotos da Internet, os brasileiros, inviabilizou a plataforma pro resto do planeta. O Facebook, com sua idéia de Anuário de Colégio não iria adiante, e mesmo sua proposta de “reencontrar colegas da escola” seria extremamente limitada, se os usuários de forma imprevisível não subvertessem totalmente a idéia original.

Os discursos de privacidade online, tão queridos aos cyberativistas negam TODA a atual realidade de gente compartilhando conteúdo de forma até irresponsavelmente aberta. Quem prestasse atenção aos discursos da EFF e da FSF jamais conceberia um Flickr.

As previsões mais abrangentes também podem ser desconfortavelmente imprecisas. Isso acontece quando há uma visão de túnel. É comum vindo de consumidores. Henry Ford mesmo dizia que se perguntasse o que os consumidores queriam, responderiam “cavalos mais rápidos”.

Por isso temos tantos carros voadores e computadores na cozinha em vídeos dos anos 50 e 60 mostrando o futuro. Aviação comercial era algo MUITO caro, a progressão lógica era que o automóvel evoluísse, pois era algo que todo mundo já tinha. Daí o carro voador, que seria mais barato do que pegar um vôo comercial.

Futurologia, principalmente na área tecnológica exige que você pense fora da caixa, isso significa ter a grandeza de admitir que algo que você não gosta ou não vê utilidade pode ser a essência de alguma coisa bem grande. Haters não conseguem atingir esse grau de maturidade, o que resulta em matérias como este patético texto da PC World dizendo que tablets são só uma modinha.

Vejo o mesmo em relação a Twitter. Haters odeiam Twitter com tanta força que não sobra energia para os neurônios que os fariam perceber que a FERRAMENTA Twitter, a MARCA Twitter é irrelevante, a grande mudança ocorreu na forma com que a informação é trocada, essa agilidade na interconexão entre milhões de pessoas é, assim como a baitolagem, um caminho sem volta, com a vantagem do Bolsonaro não reclamar tanto de nós tuiteiros.

Agora, o bom exemplo: É possível fazer uma previsão muito consistente, sem ser detalhista a ponto da profecia, apenas tendo uma visão abrangente do Mercado, estudando os cenários globais e entendendo o ponto principal da tecnologia, o Elemento Humano.

Não conheço caso melhor para demonstrar isso que o vídeo Epic 2014, criado por Robin Sloan e Matt Thompson em 2004.

Eles ousaram prever não 5, mas 10 anos de evolução no jornalismo online e na relação entre pessoas, internet e informação. Estão faltando smartphone, twitter, facebook, youtube, PayPal,iTunes,Netflix e vários outros serviços. Mesmo assim ainda é uma visão instigadora do futuro, mesmo estando 7 anos no passado.

A percepção de que o Friendster seria uma fonte estratégica de informações foi matadora, a menos que você seja daqueles chatos literais que não entendem a diferença entre conceito e produto, e diga “FAIL, ele falou Friendster, não Facebook”.

O New York Times fechou seu conteúdo gratuito, como previsto, só demorou mais do que o esperado. A idéia de que os jornais se rebelarão, saindo da Web para atender um público mais velho e conservador somente com versão impressa provavelmente não irá se concretizar, mas o caminho descrito no vídeo bate muito com o que vem acontecendo.

Assim, temos um vídeo que erra em sua previsão final mas acerta projetando todo um cenário mundial de redes sociais, informação e mídia, coisa que só é possível quando a própria visão não é limitada e tacanha. É complicado? Com certeza, por isso há tão poucos Gates e Jobs e tantos haters como os fãs da Apple que em 2001, quando do lançamento do iPod comentaram pérolas como estas:

 

“iPoop… iCry. Eu esperava por algo a mais.”

“Grande, justo o que o mundo precisa, outro maldito player de MP3. Vai Steve, cadê o Newton?”

“Hey, algumas idéias, Apple: Ao invés de entrar no mundo dos brinquedos e gadgets, que tal gastar um pouco de tempo resolvendo sua pateticamente cara linha de servidores? Ou vocês realmente querem se tornar uma glorificada empresa de gadgets de consumo?”

“US$400 por um MP3 Player!”

“Eu chamaria de Cube 2.0 e não vai vender, será morto em pouco tempo, e não é realmente funcional”

“Todo esse hype em torno de um MP3 Player? Dispositivo Digital Revolucionário? O campo de distorção da realidade está distorcendo a mente do Steve se ele pensa por um segundo que essa coisa vai decolar”

“Esse iPod é para garotos ricos mimados com pais insanos ou fãs da Apple fanáticos como Talibãs. Ele tem boas caracteristicas mas esqueça comprar um por US$399!!! Nunca, quem comprar essa coisa é uma pessoa muito estúpida!”

“Steve Jobs está sob efeito de uma consultoria terrível ou muita maconha. A proposta não é realista. Se a Apple fizer algo assim de novo, vai falir”

“Escolha ruim. O produto está fora da competência da Apple – dispositivos de computação – Quando a maioria pedia por um PDA, eles lançam um Player de MP3″


Skavurska em russo é bem melhor!

25/03/2011 - 8:01 am  -  9 comentários


SKAVURSKAUm dos grandes erros da propaganda tradicional é querer se manter tradicional. A idéia de criar personagens não é nova. Sem voltar muito no passado (ok, talvez seja voltando muito) o Garoto Bombril com o Carlos Moreno  é um exemplo clássico de idéia vencedora, mas isso funciona na Internet?

O nível de exigência dos espectadores é muito alto, eles não vão replicar algo que só funciona na TV a menos que seja genial, e não dá para ser genial o tempo todo, nem eu consigo. (viram? Fingi humildade, menti. Uma falha.)

Um segredo: Não é preciso ser genial para se destacar online. Ninguém precisa matar um leão de ouro por dia pra ser visto e replicado. Basta seguir uma regrinha muito simples, que horroriza clientes e publicitários burros:

Produza entretenimento, não propaganda.

É, assusta, afinal você, meu caro, está trabalhando com propaganda e seu cliente quer divulgar o produto dele. Não quer paitrocinar um estandapeiro de YouTube. Ele é um anunciante, não um mecenas.

Concordo plenamente, patrocínio é uma coisa, propaganda é outra.

Só que aqui nas interwebs ninguém gosta de propaganda. (fora também mas não temos saída) Há plugins para remoção de banners, gente que chega ao ponto de editar comerciais e remover a assinatura do anunciante no final e haters para acusar blogs cada vez que publicam um anúncio.

Nós gostamos é de entretenimento. Gostamos de conteúdo instigante, conteúdo que seja… LEGAL.

Trabalhar com personagens é um bom começo, mas “filminho com história” também já está batido.

Então como a Old Spice conseguiu fazer uma campanha de tanto sucesso usando um personagem caricato e baixo orçamento?

INTERAÇÃO.

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BBB11, Jornalismo e molecagem – Tá pensando que boneca é brinquedo?

05/01/2011 - 10:24 pm  -  28 comentários


ariadnas

Uma Porta da Esperança ao contrário. Duas dessas trazem presentes.

Hoje o Twitter pegou fogo por causa de um boato de que uma tal de Ariadna Thalia, participante da 11a edição do Big Brother Brasil seria travesti.

É uma dúvida justa, tanto para quem não quer abrir o hambúrguer e achar um salame quanto pra quem leva o sanduiche pra casa e ao invés de uma salsicha encontra um carpaccio (agora livre-se dessas imagens mentais se for capaz).

A informação veio em tons de  “acusação” – com aspas pois ao contrário de países cujos governos seguem os preceitos da Religião da Paz™ no Brasil ser travesti não é crime – mas foi levada numa boa pela comunidade do Twitter, até pq mesmo para os mais homofóbicos, azar de quem está dentro da tal casa e não sabe desse pequeno detalhe sobre a moça. Aliás, pequeno o escambau, apareceu uma foto e aquilo não é ferramenta, é uma suíte de aplicativos completa. Só não digo que é o OpenOffice pq ao contrário da moça ele é grande mas não funciona.

Conversando no Twitter com o autor do Diário T-Lover (não julgue, tem gente que gosta até de morcilha, cada um na sua) ele explicou que a Ariadna Thalia Travesti (cuidado, NSFW, peitos de silicone e graças a Exupery o essencial continua invisível aos olhos) não é a Ariadna do BBB NEM a da tal matéria.

OK, que matéria e qual a molecagem afinal?

Well…. O Ego, aquele bastião do jornalismo criado por Carlos Castello Branco, Bob Woodward e Samuel Wainer foi rápido no lance, publicando a matéria. Mais rápido ainda foi ao tirar do ar e subir de volta,substituindo a chamada do título. Vejam a sutil diferença, mostrada aqui graças ao Google:

essafoinatrave

Note a sutil diferença na URL das duas chamadas. Na primeira o título já havia sido mudado mas a URL continua. Essa foi apagada para que a URL refletisse o novo título.

ARIADNA DO BBB É TRAVESTI E JÁ FEZ PROGRAMA NA ESPANHA

ARIADNA DO BBB SERIA TRAVESTI E JÁ TERIA FEITO PROGRAMA NA ESPANHA

É a mesma sutil diferença de afirmar com todas as letras que o estagiário do Ego é retardado e dizer que poderia muito bem ser.

É uma regra BÁSICA do jornalista que qualquer estudante, retardado ou não precisa aprender, mas como o Ego provavelmente usa macacos de cheiro travestidos de estagiários para economizar no vale-transporte, violam constantemente essa norma essencial da profissão. NÃO ACUSE SEM PROVAS, SEU IMBECIL, ENERGÚMENO, ANIMAL DE TETA.

Acusações levam a processos. Por mais que o Ego seja das Organizações Globo, e um processo no caso quase impossível de rolar, é um péssimo hábito. Por isso que todo mundo por mais obviamente culpado que seja, até a condenação é chamado de suspeito ou –melhor ainda- acusado.

às vezes é extremamente irritante ler esses textos em “jornalês”, mas é uma questão de responsabilidade. Um órgão (epa) sério de imprensa não pode se dar ao luxo de fazer acusações genéricas como o “todo político é ladrão” ou “ator é tudo viado”, tão comuns de se ouvir em mesa de bar. (nota: pra teatro infantil tá liberado)

Uma acusação sem sustentação deixa de ser jornalismo e vira fofoca. Um juiz não daria ganho de causa se a tal Ariadna fosse travesti de programa, por mais baixaria que fosse o que o Ego estaria fazendo ainda seria jornalismo, mas quando não ligam nem para o detalhe de confirmar a presença do detalhe, deixa de ser trabalho de imprensa, fica clara a ausência de qualquer esforço investigativo ou compromisso com a Verdade. É fofoca e fofoca anda muito próxima de calúnia e difamação.

Quem tem blog está sujeito a esses mesmos riscos, com agravante de que processar um blogueiro anônimo é bem mais simples que processar um site da Globo.com. Ainda mais por não estarmos protegidos pela Lei de Imprensa. Assim é essencial que posts com denúncias, acusações e similares sejam muito, muito bem documentados, sem xingamentos e surtos de emoção.

Uma mudança simples na formulação de um título pode ser a diferença entre uma grande aporrinhação Legal e uma matéria que só renderá elogios e cliques no AdSense. E se você acha que isso tudo é apenas um detalhe, e detalhes são insignificantes, experimente sair com a Ariadna errada.


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