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O povo não é bobo, abaixo a CBF!

12/07/2010 - 9:47 am  -  44 comentários


Longe, LONGE de mim entrar nas paranóias conspiratórias que assolam o Brasil, usadas para justificar nossa incompetência em tantas áreas, mas como falam da mulher de César (da mulher do Bruno não falam nada, esse assunto já está morto e enterrado) a ela não basta ser virtuosa, é preciso PARECER virtuosa.

Por isso não é admissível situação como esta descoberta pelo Igor Senna e repassada pelo Nerd Pai no Twitter:

O domínio brasil2014.com.br segundo o WHOIS da FAPESP está registrado em nome da CBF:

Criado em 2005. Otimistas eles são

Clicando em brasil2014.com.br entretanto não somos redirecionados para o site da Copa, ou sequer para a CBF, vamos para, aguarde…

como assim, Bial?

Pesquisando um pouco descobre-se que o domínio indica como DNS autoritativo os servidores da www.oghost.com.br, provedor-fantasma d’O Globo. (hahah provedor fantasma. Sou hilário. Me contrata, Mion!)

oghost? Tinha nome melhor Não?

Não sei se as Organizações Globo disponibilizam realmente serviço de hospedagem. Acho improvável que não o façam. A CBF é uma entidade (eh-eh) privada, livre para escolher o host que quiser para seus sites, e seria infantil achar marmotagem em algo tão barato quando webhosting.

Também não faz sentido questionar a “imparcialidade e isenção jornalística” do jornal tendo em base o compartilhamento de servidores de hospedagem.

Mesmo assim, por mais irracional que seja, não fica bem. Hospedar na Globo Host é OK, direcionar para o site do jornal, já é fora dos limites.

Isso tudo teria sido evitado se o estagiário que cuida disso tivesse criado uma landing page e direcionado o www.brasil2014.com.br para ela, ao invés de ceder à ganância de faturar mais uns cliques do Google para o jornal do Dr Roberto.

E se acham que estou exagerando, esperem pra ver o escândalo que a Record vai fazer com essa não-notícia…


Como vai o Intestino, Sheldon?

12/05/2010 - 8:42 am  -  32 comentários


No episódio de ontem de Big Bang Theory Sheldon está se preparando para receber uma hóspede especial. Para deixá-la confortável compra uma série de produtos, como absorventes, sabonetes aromáticos, meia-calça e “o que aparentemente é um yogurte especialmente projetado para regular o intestino feminino”.

Mais adiante ele solta “Elizabeth, posso te oferecer algo? Um produto de higiene feminina ou um yogurte regulador de intestino”. Ela, “baseada nas necessidades atuais”, aceita o Yogurte. Algumas cenas depois, aparece consumindo o produto. Há ainda uma outra, quando sem-graça diz que não foi ao banheiro, Sheldon entende como falha do produto e diz que vai escrever ao fabricante.

Em nenhum momento o nome do produto é mencionado, sequer pela atriz convidada, Judy Greer, mas eu duvido que o recall tenha sido menor que 100%.

As referências são todas engraçadas, o texto ficou completamente dentro do personagem, ficou claro que Sheldon foi influenciado pelos comerciais de TV no ar nos EUA, idêntico aos brasileiros, exceto que lá quem paga o mico da Patrícia Travassos é a Jamie Lee Curtis.

A Danone está rindo à toa. No Twitter a tag #Misturei Actívia não sai dos Trending Topics, as piadas estilo “como vai o Intestino?” vão de vento em popa e NENHUMA envolve a qualidade do produto. O Actívia pega carona no próprio hype.

Junte isso a um público inteligente e pode se dar ao luxo de fazer merchãs como esse do Big Bang Theory. Absolutamente sutil, pertinente e não-agressivo. Só um militante trotkista reclamaria de um product placement desses, é o equivalente a acusar Águia de Fogo de ser merchã dos helicópteros Bell.

“Ah, todos poderiam ser assim, né?”

Não. Infelizmente a percepção do público varia de acordo com a faixa socioeconômica / cultural. Para horror dos politicamente corretos povão que assiste novela das oito NÃO tem a mesma atenção a detalhes e capacidade de associação de idéias de quem assiste, por exemplo, Lie to Me.

Um monte de geeks ficou ofendido quando Zé Wilker disse que no fundo Matrix era um filme onde um sujeitinho aprendia a brigar mais rápido, mas sendo realista a Superinteressante fez um número especial explicando o filme. Código DaVinci ganhou vários livros explicando o “enredo”. Do mesmo jeito que o grande público não pega as referências obscuras nos filmes do Tarantino, do mesmo jeito que o vilão explica seu plano maligno não para o herói mas em benefício do público, a propaganda sutil não funciona para o grande público.

Isso quer dizer mídia de massa tem que ser rasteira, desprovida de inteligência, óbvia e superficial, certo? Certo, se você for o Kibeloco. Mas felizmente ninguém precisa ser o Kibeloco.

Você pode ser a Danone, pode vender seu Actívia de forma tradicional para o público tradicional E de forma inteligente para o público inteligente. Mesmo as mulheres geeks se preocupam com o Intestino, eu garanto.

Se o público-alvo comporta, e se há uma campanha popular já enraizada, trabalhar o público mais sofisticado pode e deve ser uma meta, pois o retorno é desproporcional, é o sonho de quem vende viralzinho, gente o tempo todo falando sua marca. Gente que vai no supermercado, olhará seu produto e quase automaticamente pegará “pra experimentar”. Gente que é lida e replicada.

Pensem como produtos como a Feiticeira (a vassoura, não a dona boa) poderiam ter viralizado com o slogan “não é magia, é tecnologia”. Investir em mídias sociais é muito mais do que fazer post pago no Twitter. Uma boa equipe de criação, um conceito sólido e um bom e velho merchã fizeram pro Actívia o que nenhuma agência muderna de Internet chegou perto de fazer.

PS: Este texto começou a ser escrito ontem de tarde. Hoje, 8:35AM o Actívia CONTINUA em 1o nos Trending Topics

PS2: Não custa dar um bônus pra rapaziada: Judy Greer, no mesmo episódio:


Salve Joaquim Silvério dos Reis, Padroeiro dos Blogueiros

21/04/2010 - 9:08 am  -  52 comentários


Hoffman e Redford em Todos Os Homens do Presidente. Assista.

Em 1972 cinco sujeitos invadiram o comitê do Partido Democrata dos EUA. Não foi o Forrest Gump mas quase, um guarde de segurança desconfiou, chamou a polícia e todos foram presos. isso ocorreu em um complexo de apartamentos chamado Watergate. A investigação que se seguiu envolveu
todo mundo. E por todo mundo eu digo do Departamento de Justiça, do Procurador-Geral e chegando até ao Presidente dos EUA. A invasão  foi
acobertada de toda forma possível, mas como o acobertamento em si era impossível de não ser percebido, em 1974 Richard Nixon renunciou à
Presidência dos EUA.

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Mentes Pequenas – Independente de Escala

20/04/2010 - 5:10 pm  -  56 comentários


Eu ainda não decidi se fico irritado, decepcionado ou considero apenas divertido a quantidade de idiotas que me interpelam diariamente com questões como “você não trabalha?” “você só fica no Twitter” “você não sai?”.

Alguns casos eu apenas ignoro e bloqueio o idiota, como um dia em que cheguei em casa 5:30AM, vindo de um show, liguei o computador e IMEDIATAMENTE fui recebido com um “você não sai do Twitter?” isso perguntado por um sujeito que ESTAVA no Twitter 5:30AM.

A origem da dificuldade é evidente: Muita gente tem problemas em entender o conceito de trabalho SEM a estrutura tradicional de empresa. Mesmo em firmas de tecnologia de ponta no Brasil é complicado o conceito de Home Office, quem trabalha de casa é mal-visto pelos colegas e pelas outras chefias. A chefia imediata pelo menos desconfia.

Embora para mim seja algo natural, para a maioria dos interlocutores é alienígena o conceito de que eu possa trabalhar com computadores, e que tenha acesso a algo tão complexo quanto a combinação de teclas ALT+TAB.

A definição de “trabalho” de muita gente é restrita a conceitos paleolíticos. Ainda valorizamos muito mais o trabalho braçal do que o intelectual. Os pobres peões explorados da China trarão lágrimas aos olhos da burguesia brasileira, mas se eu disser que jornalistas freelancers ganham uma miséria e que o Mercado se uniu para não pagar mais, dirão que estão reclamando de barriga cheia, afinal é só sentar na frente do computador, tec tec tec e pronto.

Essa visão infelizmente não está restrita a idiotas do Twitter. Conceitos como mobilidade e conectividade ainda não fazem parte do dia-a-dia de gente que deveria estar mais antenada. Como a CNN.

A empresa que transmitiu as Guerras do Golfo via telefones de satélite, que usou Skype para monitorar o Tsunami do Chile, que publicou vídeo de blogueiros contrabandeados de Burma, essa empresa não entende o conceito de trabalho remoto.

Jens Stoltenberg é Primeiro-Ministro da Noruega. Está preso em Madrid, por causa do vulcão na Islândia. No vídeo acima o jornalista da CNN pergunta sobre sua situação. O Ministro diz que tem um monte de meios de comunicação, tem um iPad “é excelente” e que não tem problema nenhum.

O jornalista insiste, pergunta se ele está fazendo malabarismo com suas responsabilidades, como um vendedor preso no aeroporto, com o telefone em uma das mãos e o computador em outra. O Ministro de novo diz que não, que é apenas uma viagem mais longa.

A entrevista segue e o Jonathan Mann não consegue aceitara idéia de que o 1o Ministro não está preocupado. Diz até que ele deve ter muitas “Responsabilidades Importantes”, como se o 1o Ministro da Noruega não estivesse ciente de suas responsabilidades.

A falta de visão de um jornalista transformou uma matéria “que legal, o 1o Ministro é um cara conectado” em quase “Que absurdo, 1o Ministro ilhado, Noruega prestes a entrar em colapso”.

Esse despreparo, essa incapacidade de abrir os horizontes e ver o que está acontecendo no mundo  mostra que é possível para um sujeito chegar a jornalista da CNN tendo a mesma visão tacanha do sujeito que pergunta se eu não durmo.

Antigamente isso era resolvido com uma frase-emblema de Geração Rock’n'Roll: Não confie em ninguém com mais de 30 anos.

Hoje, pela quantidade de idiotas jovens que vejo no Twitter, inclusive o que reclamou que eu não paro em casa, só vivo em bares, nem o aviso dos 30 anos vale. Portanto, fica a dica: Não confie em ninguém que acha que sabe como o mundo funciona, muito menos em quem acha que sabe como o mundo DEVERIA funcionar.


“Bichas nojentas são uma abominação aos olhos de Deus”

07/04/2010 - 6:12 pm  -  43 comentários


Isso é o que dizem alguns, mas de modo algum concordo. O que não invalida o fato do título ser apelativo, babaca e desnecessário, não fosse pertinente ao tema deste post, que não tem nada a ver com bichas nojentas, ou mesmo as limpinhas e asseadas.

Existe um conceito usado no jornalismo (e em todo bom texto argumentativo desde São Tomás de Aquino) onde apresentamos pelo menos dois lados de uma questão. No caso do jornalismo, omitimos a conclusão, para o texto não se tornar opinativo.

É um modelo válido, mas não é o ÚNICO modelo. Em alguns casos ele simplesmente não se aplica. A liberdade dos blogs deveria SIM ser utilizada pela imprensa, ao menos nesses casos. A tal “isenção” tem limites. Não acho que seja produtivo sequer OUVIR gente que defenda escravidão, por exemplo.

Dar “o mesmo espaço” se torna improdutivo. Teóricos da conspiração são como trolls, adoram catar minúcias irrelevantes e NUNCA estão satisfeitos. Imagine um programa do Discovery dando o mesmo espaço para o pessoal que não acredita no Pouso a Lua. Imagine se cada programa sobre Evolução envolvesse criacionistas. Imagine se um livro de paleontologia viesse com um capítulo sobre Criacionistas da Terra Jovem, que acreditam que o mundo tem 6000 anos de idade.

Eu não acho que a mídia deva se posicionar em cada pequeno assunto, mas NO MÍNIMO deveriam pensar duas vezes antes de assumir como válidas as idéias apresentadas. Essa posição magnânima em cima do muro gera ao menos em mim a impressão de que a mídia é BURRA, que aquele pessoal na TV não pensa.

Vejam por exemplo esta matéria da CNN: A chamada é “Homossexualidade: é um problema precisando de uma cura?”


Eu diria que quem criou a chamada precisava é de uma curra. A matéria envolve uma Lei dos anos 50 que obrigava médicos na Califórnia a examinar as causas e pesquisar a cura do Boiolismo Juramentado. Bonnie Lowenthal, uma deputada local está propondo uma alteração na Lei para invalidar essa legislação idiota.

Um idiota chamado Richard Cohen que se engana dizendo que é ex-viado, se opõe. Diz que gays são frutos de lares desfeitos, infância ruim, abuso sexual e que por isso podem ter sua condição revertida, como ele. Digo, como não, tão me estranhando?

A questão é: A deputada afirma que NÃO HÁ oposição, que todo mundo concorda que a Lei não reflete a visão do povo da Califórnia, que é algo completamente pró-forma.

A CNN ao invés de uma chamada no estilo “Deputada quer invalidar legislação idiota” ou algo do gênero, LEGITIMA a “controvérsia” com a chamada, e para “mostrar o outro lado” chama um sujeito que não tem NADA a ver com o peixe (ok, com a fruta), que foi expulso de várias organizações de classe e cuja maior realização é ser reconhecido como… “reorientador sexual”, “curando” gays.

Acho interessante quando me acusam de buscar polêmica, apenas por emitir minha opinião, enquanto a mídia CRIA polêmicas (adoram o termo) onde elas não existem. EM NOME da “imparcialidade jornalística”. Não consigo ver onde isso que a CNN faz ajuda. É uma fórmula, um modelo e como toda forma (já caiu o acento?) limita o formato do bolo, por mais gostoso que seja, não ficará diferente de outro, ao menos visualmente.

Nem toda questão é válida. Mr Garrison, em South Park definiu muito bem: “Não há perguntas idiotas, só pessoas idiotas”. Millor fala que não se deve amplificar a voz dos idiotas. Eu concordo, mesmo não praticando tanto quanto gostaria, mas sou só um blogueiro latino-americano sem dinheiro no bolso e vindo do interior. O que falo não reverbera, não no nível de uma CNN, uma Globo.

Por isso acho MUITO temerária essa postura de nivelar (por baixo) todas as partes de um debate, ainda mais quando o debate sequer existe. Não sei quantos cientistas já foram na Ana Maria Braga mas duvido que tenham tido tanto espaço e respeitosa reverência quanto o picareta Jucelino da Luz. TODOS os especialistas entrevistados denunciam as tais “cartas autenticadas” como falsificações grosseiras, o Fantástico já detroçou  o sujeito, mas em nome da “impacialidade” ele ainda é convidado nos programas da casa.

Sinceramente eu prefiro às vezes a Fox News, que ASSUME uma opinião e deixa isso claro. Acho mais honesto do que ver “jornalistas” tratando com gente como o tal jucelino.

O bem mais valioso que um leitor pode dar a um autor -e é o único que peço- é o benefício da dúvida. e justamente por ser tão valioso não acho que ele deva ser usado em casos flagrantemente desiguais, como o pessoal que defende ardentemente que a Terra é plana. (sim, eles existem).

Do contrário seremos obrigados a aceitar racistas em debates sobre racismo, ou mesmo em debates sobre gays gente que não acredite que bibas ao morrer viram purpurina, o que é um fato mais que reconhecido.


O que é o que é pior que 20 bebês mortos jogados fora?

04/04/2010 - 2:41 pm  -  48 comentários


Não sabe? Eu conto: 21 bebês mortos jogados fora. HA HA, não há nada melhor do que piadas de bebês mortos.

Oooooookey, talvez nem tanto.

A piada vira surrealismo quando os 21 bebês existem. Foi dia 28 de Março, na cidade de Jining, província de Shandong, na FRANÇA, caso alguém ainda não tenha entendido que foi na China. Trabalhadores acharam 21 corpos de bebês na margem do rio Guangfu. Não eram só fetos, o maior tinha 60cm. Alguns com roupas, fraldas, etc.


nem EU colocaria foto de bebês mortos no blog. Fique com um cachorrinho.


Os bebês estavam com etiquetas trazendo seus nomes e o nome das mães, mas nenhuma identificação do hospital. Aparentemente os bebês deveriam ser cremados, ou algo assim, mas algum funcionário preguiçoso achou mais fácil jogar no rio e depois dizer para os pais que os corpos foram tratados com respeito e dignidade.

O curioso é que a notícia não veio pela Anistia Internacional ou pela PETA (que não liga para bebês mortos mas odeia quem cria o cachorrinho acima). A notícia veio pela TV Estatal Chinesa.

A mesma China que vive sob censura não vê problemas em divulgar notícias assim, por mais que sejam prejudiciais a imagem do hospital (estatal). É um paradoxo, talvez gerado pelo gigantismo do país.

Neste link aqui temos um vídeo da matéria que foi ao ar, e é PUNK. Rola um mosaico nos rostos, mas mostram NA BOA os cadáveres dos pimpolhos, é algo chocante para quem está acostumado com a mídia ocidental, devidamente sanitizada desinfectada e onde atentados terroristas raramente têm sangue.

Os jornais que trabalham com mundo cão (como se houvesse outro) são duramente criticados, hoje é raro ver fotos de cadáveres nas manchetes, a violência no máximo é verbal. Bradamos (exceto o Estadão) nossa superioridade aos países comunistas e sua imprensa censurada mas vivemos sob um código de conduta em alguns casos MUITO mais rigoroso.

Se a Globo cobrisse um caso semelhante aqui e OUSASSE mostrar bebês mortos no Jornal Nacional teríamos camponeses com tochas cercando o Projac (camponeses são ruins de geografia) exigindo que a concessão fosse cassada.

REPORTAR um fato ofende muito mais o nosso público do que o fato em si. Quando falamos das denúncias sobre padres pedófilos os católicos se ofendem, exigem que separemos a igreja das matéria, praticamente omitindo a profissão (de fé) dos padres. Agora com essa cagada dos jogadores evangélicos do Santos que se recusaram a visitar um orfanato espírita, mesmo com um deles dando entrevista e dizendo que os motivos da recusa FORAM religiosos, a massa protestante exige que desvinculemos o caso da religião.

Qualquer denúncia de corrupção no Governo (qualquer Governo) imediatamente provoca uma reação de “ovelha negra”, explicando que aquele ali NÃO representa o tal Governo. Pela regra NUNCA há nada de errado no Grupo (qualquer Grupo). Se aparece alguém errado, não é do Grupo.

90% do público revoltado com a atitude dos jogadores mudaria de idéia se alguém usasse o argumento de que “religião não se discute” e a tv estava sendo “sensacionalista”, duas frases essenciais para invalidar qualquer discussão.

Religião se discute SIM, e mostrar fatos NÃO é sensacionalismo. Não gosto do que os Datenas da vida fazem, mas sejamos realistas, eles são os únicos fazendo. O resto das emissoras não quer ofender a sensibilidade dos espectadores, que crescem achando que atentados são coisas que destroem prédios vazios e bebês mortos são entidades abstratas em vivem (metaforicamente falando) em piadas e em notícias de 15 segundos.

Portanto, palmas para a TV Chinesa por sua postura pé na porta de enfiar bebês mortos goela abaixo do espectador (tire essa imagem da mente agora!), e MUITA PENA de gente que se mostra muito mais chocada com a TV que mostra 21 bebês mortos do que com as mortes em si.


Alarme falso, mas você achou que eu iria fazer isso, né?

Sorry pessoal mas o Pedro Bial tem Imunidade

22/03/2010 - 10:00 am  -  61 comentários


Hoje a figura mais odiada da Globo depois de Galvão Bueno é Pedro Bial. Curiosamente a “inteligentzia” que bate cabeça nos fóruns das interwebs tentando entender o porquê desses dois ainda estarem no ar não é inteligentze o bastante para perceber que estão no ar por agradarem a grande maioria dos espectadores.

O Bial especialmente é alvo de gente que cobra “postura jornalística”, reclama dos textos e poeminhas que ele declama se divertindo e não conseguem entender que ele não está fazendo trabalho jornalístico, ele está apresentando um programa de entretenimento.

Meus ideais libertários me obrigam a defender o Bial. Ele tem o direito de fazer o que quiser de sua vida. Diploma de jornalista não é compromisso de vida monástica, cacete. Ele não se comprometeu a só fazer jornalismo na vida. Principalmente, nem tudo que ele faz é jornalismo.

Me irrita ver gente que mal saiu das fraldas chamando o Bial de “jornalistazinho de 5a”. Vão pro inferno. Uns estudantes merdinhas que passam metade do tempo falando mal da Globo e a outra tentando estágio lá não tem moral pra falar do Bial. Ele já deu seu quinhão pelo Rei e pela Pátria do Jornalismo.

Façamos o seguinte: Quem quiser criticar o Bial e tiver testemunhado HISTÓRIA como ele, se manifeste. O resto, pede pra sair.


A Tessália do Bem e as celebridades instantâneas

21/03/2010 - 5:01 pm  -  24 comentários


Os talks shows noturnos nos EUA são um mercado disputadíssimo, motivo da
briga generalizada dos últimos meses, com Conan O’Brien batendo de
frente com a NBC e com Jay Leno, pois esta queria mover Leno para o
horário de Conan, deixando o Tonight Show para depois de Meia-Noite,
garantia que ninguém iria assistir. No final a NBC meio que venceu,
O’Brien saiu com um pacote de US$45 milhões, em troca de não fazer
nenhum programa de TV até Setembro.

Com isso o sujeito que era
mega-popular ficou com tempo livre. E onde vão parar as pessoas que são
ou foram muito populares, com tempo livre?

Exato, o Twitter.

Em alguns dias ele angariou mais de 700 mil leitores. Tendo
tuitado até agora 33 mensagens. Não é um Mano Menezes mas é alguém a se
respeitar. Agora, a parte divertida: No dia 5 de Março, entediado ele avisou:

“Decidi
seguir alguém aleatoriamente. Sarah Killen, sua vida está prestes a
mudar”

Muitos
veriam isso como arrogância, mas o cara é puta velha de TV, sabe o
poder que tem seu nome. E foi só isso. Não transformou a mulher em
estrela, não fez entrevista, nada. Apenas clicou “Follow” sentou e ficou
olhando.

Como primeira e única pessoa seguida pelo Conan
O’Brien, o Twitter de Sarah passou de 3 seguidores dia
5 de Março para 28.327, hoje. Uma menina de 19 anos absolutamente
comum, em três dias estava dando entrevistas para a MTV, jornais,
rádios, ABC, NBC, programas matinais da CNN e até o filé. Sim, por ter
sido seguida no Twitter por um apresentador de talk show desempregado
ela foi no programa do Larry fucking King!

Ela e seu noivo
se tornaram alvo de parentes interesseiros, chatos querendo aproximação
com Conan O’Brien (coisa que ELA não tem) mas também estão tendo o lado
bom. Ela ganhou um iMac de um admirador, um estilista doou um vestido
pro (já próximo) casamento de Sarah e até gente oferecendo para suprir
os vinhos da festa já apareceu.

A Fama de Sarah está durando
mais do que o normal por sua postura pé-no-chão. Ela entendeu que não é
estrela, e a primeira coisa que fez quando viu milhares de seguidores
foi postar mensagens pedindo doações para uma corrida em prol de
pesquisas contra câncer de mama
, da qual ela sempre participa.


surgiu, claro, o tradicional grupo de trolls, há gente chamando Sarah
de aproveitadora, outros dizem que ela está cheia de estrelismo, mas o
foco aqui é que ela não fez NADA para ficar famosa, e sabe disso. O que
Conan O’Brien fez foi um experimento social sensacional, mostrando o
quanto a mídia pode ser manipulada. Com uma mensagem de menos de 140
caracteres ele mobilizou todo um segmento que se mostrou incapaz de
entender que não havia PAUTA NENHUMA.

Conan brincou de Discovery
e mostrou a gênese das celebridades instantâneas dos tempos modernos.
São fruto da agilidade (uns dizem impaciência) do público em consumir
infomação (consumir, não entender ou absorver), da necessidade de gerar
pautas 24/7 que transformou a mídia mundial numa sucursal do site EGO e
da falta de discernimento do próprio público, que assume a lógica
circular Tostines: “Por quê fulana está na TV? Porque é famosa. Por quê é
famosa? Porque aparece na TV”.

Nós, público adoramos essas
celebridades descartáveis, nem é culpa da Internet. a TV nos deu e nós
adotamos o Beijoqueiro, Tom do Cajueiro e tantos outros. Celebridades instantâneas com prazo de validade sempre existiram, mas assim como padres pedófilos e bizarrices japonesas, era questão de facilidade de exposição.



Mesmo a
Tessália, com suas artimanhas marmotagens e scripts que a alçaram ao
estrelato no Twitter vive essa retroalimentação. Mais de um usuário já
falou “OK, ela usou scripts mas hoje ela é famosa”. Não em uma alusão
maquiavélica sobre fins justificarem meios, mas dizendo que como ela é
famosa, a fama a justifica. Eu não concordo, e quando criar um Universo ele não funcionará assim.

O meio mais fácil de ficar famoso é convencer todo mundo que você é famoso. Acho que é por isso que os trolls odeiam e levam a sério quando digo que sou o Rei do Twtter. Eles sabem que se gente o suficiente acreditar nisso, se torna verdade. Funcionou até com Jesus.

Ele não convenceu a todos que era supermodelo e não acabou comendo a Madonna?

O caso mais caricato é o tal Lucas
Celebridade, uma creatura do Piauí cujo objetivo na vida é ser
famoso. Não interessa muito como, não tem nenhum talento em especial,
nunca fez nada digno de nota. Mas não importa. Em sua visão distorcida
(ou não) a fama é o destino a alcançar. Fama pela Fama, a melhor de
todas, assim você não precisa fazer nada além de “ser famoso”.



Quando
vi o “blog”do sujeito pela primeira vez ri horrores, imaginei que era
fugitivo do magnífico e bizarro Blog da PGA, mas os chega-pra-lá que
imaginei ver o cidadão tomando não ocorreram. O ridículo é bem-vindo,
na bizarrice diária da Internet. EU passei a ser alvo de críticas (você
tem inveja do sucesso dele) enquanto o Lucas Celebridade era acolhido
como um primo distante, um visitante estrangeiro com hábitos peculiares,
tudo menos o portador de um discurso vazio, ausente de proposta e
pregador de uma vida superficial e sem propósitos concretos.

Mesmo assim eu não o culpo por todos os Males que afligem a Humanidade (essa é a Tessália. Ou Pandora? Sempre confundo). Lucas está fazendo uso de um estratagema e perpetuando um ideal de sucesso que é martelado pela mídia E ansiado pelas pessoas. Quando digo que prefiro minha parte em dinheiro, parafraseando Nizan Guanaes, vejo que ofendo muita gente. Renegar a fama por menor que ela seja é pecado no Brasil.

O
mais engraçado MESMO foi ver gente que diariamente reclama da
má-qualidade da TV brasileira, gente que reclama da “mídia” empurrando “lixo” goela abaixo das pessoas,
gente que ataca a Tessália apontando sua ausência de conteúdo,
talento e valores detectáveis de gordura corporal fazer campanha em
Twitter e blogs para colocar o Lucas Celebridade no BBB, Jô, MTV e tudo que é
programa de TV.

Portanto, meus caros, fica a dica: Cada povo tem
a televisão que merece, e quando a Elite Intelectual e Econômica do país quer
Lucas Celebridade na TV, fica difícil exigir que a Globo vire a BBC.


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