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Blogueiro tem que ser jornalista!

Eu nem deveria me assustar, afinal o próprio conceito de corporativismo é a base dos sindicatos. O problema é quando um sindicato está tão no passado (mais do que o normal) que assume posições basicamente ridículas diante do mundo que o cerca mas não o penetra. Um bom exemplo é apresentado pelo Martelada,  onde em uma palestra da UNISINOS onde ironicamente era discutida a desregulamentação do jornalismo um cidadão de nome José Nunes, presidente do sindicato dos jornalistas do RS declarou, entre outras coisas:

 

Um blog jornalístico evidentemente precisa ser assinado por um jornalista, pois passa a ter um caráter de veículo, tal como um noticiário de rádio ou mídia impressa.

 

Adiantando a galera do mimimi: “bla bla bla ele fala de blogs em empresas jornalísticas bla bla bla blogueiros egocêntricos bla bla bla vocês não são veículos bla bla bla” Então vamos a outra parte da declaração do companheiro Nunes:

os blogs de maior destaque, uma pequena parte da blogosfera, costumam trazer apuração jornalística, ‘furando’ a mídia tradicional com novidade ou provocações, ou são escritos por aficionados em determinado assunto (cinema, música, quadrinhos, etc), naturalmente trazendo um volume de informação justamente pela afinidade do autor com o tema. Material jornalístico, regularmente assinado por jornalista, independente do meio em si, é a posição do Sindicato.

A parte das “provocações” me afeta pessoalmente. Como assim, Bial? O cara admite que é furado regularmente pelos blogs e para satisfazer o ego coletivo dos jornalistas corporativistas ele quer que quem o fure seja um blogueiro com diploma de jornalista? Estou livre para ter um blog miguxo mas não para ter um blog onde faço uma denúncia séria de nível nacional furando TODOS OS VEÍCULOS DE IMPRENSA DO PAÍS? Desculpe, seu nunes, mas se a minha fonte escolheu meu blog para divulgar a denúncia, ao invés do seu jornal (assumindo que o dr nunes não é sindicalista em tempo integral, como muitos que conheci) eu não tenho culpa. Eu não vou ter um blog miguxo para satisfazer seus egos, caros sindicalistas.

Eu não quero que fechem o Judão por não ser escrito somente por jornalistas, muito menos o Dinheirama por não ser escrito por um também. E o que dizer blogs mais especializados, justamente os “escritos pro aficionados” que em geral trazem informações muito melhores que qualquer veículo especializado?

 

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O da direita escreve no Granma e não é jornalista. Companheiro Nunes, qual sua posição?

 

Bem, eu cansei de ser do contra. Eu concordo com o companheiro Nunes. Blogueiro tem que ser jornalista sim. Eu quero blogueiros sérios sendo tratados com os mesmos privilégios da grande imprensa, como sigilo da fonte, visto especial para os EUA e carteirada em show de rock. Companheiro Nunes, conte com meu apoio.

Infelizmente para o companheiro sindicalista é que eu também apóio o Recurso Extraordinário (RE) 511961, em julgamento no Supremo Tribunal Federal, que quando aprovado tornará a exigência de diploma para exercer o trabalho de jornalista opcional.

Portanto, caros estudantes de jornalismo, montem seus blogs. Escrevam muito, mostrem serviço, criem nome. Cheguem na primeira entrevista de estágio sem precisar se apresentar. O companheiro nunes está pregando a jornalistificação dos blogs por ter medo da nossa maior força, do modelo que é a base da blogosfera: A meritocracia. Aqui ninguém é respeitado por escrever no blog A ou B, e sim pela qualidade do que produz. Isso vai inevitavelmente chegar à mídia tradicional. Estejam preparados e vocês estarão na crista da onda. Do contrário só lhes restará se candidatar a uma vaga no sindicato.

Decretada a morte da Coletiva de Imprensa

Mike Elgan, dono do www.therawfeed.com e ex-editor da Windows Magazine soltou o verbo em um artigo da InternetNews.com. Botou o dedo na ferida, mostrando como um dos eventos mais queridos da velha imprensa é totalmente obsoleto hoje em dia: A Coletiva de Imprensa.

“O formato da Coletiva de Imprensa é uma lembrança arcaica de uma era já morta em que a única ou melhor forma de agências do governo e empresas divulgarem suas informações para o público era juntar um monte de repórteres em um sala.” - Mike Elgan

Os eventos de lançamento são legais, claro. Eu gosto, os leitores do MeioBit gostam e as empresas gostam, pois a cobertura dos blogs em geral é muito mais completa, detalhada e pessoal que as da grande mídia, mas sendo puramente racional, qual a lógica de mandar (ou juntar) gente de outros Estados, às vezes outros países, para anunciar algo que poderia ser mandado por email ou no máximo pelo correio?

 

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Buenos Aires, em uma churrascaria. Não se publica esse tipo de foto, exceto em blogs. Alguns.

 

“Jornalistas amam coletivas de imprensa, pois elas disponibilizam informação exclusiva para os veículos que tinham verba para mandar jornalistas. (…) Também envolvem algo muito querido para jornalistas: Comida grátis, bebidas e até viagens para locais exóticos - tudo pago, claro, pelos organizadores ou pelo veículo para o qual eles trabalham.” - Mike Elgan

Ele meteu o dedo na ferida, é uma coisa Clube da Luta, não se fala da comida e das viagens com tudo pago. É a primeira regra. Lembro do primeiro evento que cobri pelo MeioBit, o Microsoft Remix 2007. Foi a primeira vez que vi um texto sobre um evento de tecnologia falar sobre a comida e os brinquedinhos disponíveis.

Aqui há duas vertentes: Você pode assumir que eu sou um Paladino da Transparência, jogando de forma totalmente aberta, atacando o jabá e denunciando a hipocrisia reinante, ou pode assumir que eu estou escrevendo da forma que meu leitor gosta, e por não ter rabo preso E confiar na inteligência de quem me lê, me comportar de forma expon.. espon… natural.

Eu prefiro a segunda opção.

E também gosto de ganhar brinquedos, pendrives, bloquinhos, canecas (ouviu, INAGAKI?). Isso gera muita polêmica, pois há vários grupos distintos entre os frequentadores de coletivas:

  • Um também gosta e não tem problema com isso
  • Outro gosta mas não pode por imposição do veículo (a Abril, vamos dar o crédito, não deixa levar pra casa nem pendrive. Ahah, se ferrou, Bruno, eu tenho, você não tem… não sei o quê mas eu tenho)
  • Outro gosta mas não quer que saibam que ele ganha presentinhos, e não gosta dos blogs pois nós dizemos que ganhamos
  • Outro finge que não gosta
  • Outro não gosta mesmo, prefere sua parte em dinheiro. E às vezes leva.

“Roubar” uma caneta de uma coletiva é muito mais divertido do que receber pelo correio. Quando as coletivas acabarem perderemos essa grande forma de entretenimento, a famosa rodinha pós-evento “o que você pegou?”

Nota aos chatos literais: Não se “rouba” brinde promocional, é mais ou menos como cinzeiro de motel. Uma vez eu já estava com a coleção cheia, não me preocupei em levar. O garçon veio na hora do conta, viu todos no lugar, correu pra dentro e trouxe dois cinzeiros embrulhados “toma, é uma lembrancinha…”

 

“E finalmente, as Coletivas são uma plataforma para os jornalistas socializarem entre si” - Mike Elgan

Lembra um BlogCamp, não? Quando muitas vezes as apresentações são secundárias, e o melhor é o papo do corredor, conhecer gente que você lê, gosta e não conhecia (como no último, quando conheci o autor do Brontossauros em Meu Jardim).

Os eventos mais longos servem não só para socialização entre jornalistas (algumas vezes com fins reprodutivos) como para socialização entre a mídia, a assessoria de imprensa e as próprias empresas. Essa interação pessoal é MUITO boa. Saber que tem gente de carne e osso do outro lado do email ou do MSN é excelente. Lubrifica as engrenagens da máquina social, quase como o álcool.

Eu acho que a grande diferença é que nos blogs nós exploramos esse lado pessoal, falamos dele com sinceridade e -porque não?- até carinho. Nós gostamos das empresas, umas mais do que outras, um produto mais do que outro, como todo mundo. Por isso todo mundo gostava da coluna da Cora Ronai, no InfoGato&ETC, d’O Globo. Ela OUSAVA ser pessoal, dizia gostei disso, não gostei de tal coisa, tenho implicância com tal empresa…

Muita gente nos critica dizendo que essa postura não é profissional, que não é assim que um profissional sério de jornalismo deve agir. Quer saber? Exato. E esse é o segredo do sucesso dos blogs.

Então viva as Coletivas. Que morram como forma de mostrar novos produtos e renasçam como forma de dar uma cara às empresas. É isso que o Leitor 2.0 quer. Informação técnica? A gente pega do seu site.

* título corrigido, valeu pelo toque, Wallace.

Alguns jornalistas merecem mais do que respeito

Eu implico muito com os jornalistas da velha mídia, que não aceitam críticas, odeiam leitores impertinentes que os questionam e blogs em geral, mas alguns representantes do 4o Poder estão acima disso tudo. Seja por suas idéias progressistas, seja por suas atitudes.

De todos os que mais admiro são os correspondentes de guerra. Uma coisa é ficar com a bunda em uma cadeira confortável, comento Doritos (algum fabricante quer patrocinar lanche de blogueiro? Eu topo) e apontando o dedo para as falhas miseráveis de estratégia de Saddam Hussein.

Outra coisa é ficar no terraço de um hotel em Bagdá, durante o maior ataque aéreo desde a 2a Guerra Mundial.

Vejam por exemplo os quatro jornalistas turcos do vídeo abaixo.

Estavam na Geórgia, dia 10/8, percorrendo uma região onde tropas russas e georgianas se enfrentavam.

Do nada o carro começa a ser atingido. Um deles toma um tiro de raspão na cabeça, mas sem nenhum efeito “Rambo”, continua lúcido e consciente da roubada que se meteram.

Ao mesmo tempo o cameraman continua filmando tudo.

É um perrengue como eles jamais passaram, e pra piorar não tinham nem uma camiseta para fazer de bandeira branca, que dirá uma bandeira francesa, símbolo internacional de rendição imediata.

No final todos sobreviveram, embora o jornalista atingido, Levent Öztürk, tenha perdido o olho esquerdo. Mesmo assim ele quer voltar para cobrir o front assim que for possível.

Dá pra não respeitar um cara desses? A única coisa questionável é sua sanidade. O resto, boto a mão no fogo.

O futuro pode até não ser os blogs, mas são os blogueiros

Ao se falar tanto de blogs esquecemos que blogs são mais uma mídia, mais um formato de veiculação de informação, e que do mesmo jeito que temos jornais tão diversos quanto o New York Times e a revista Caras, temos blogs igualmente diversos, é quase impossível colocar todos no mesmo balaio, e acho que um blogueiro que escreve sobre resenhas literárias não gosta de ser colocado no mesmo balaio que O Blog do Peido. (não procurei, mas existe. Acreditem)

Antigamente fazia sentido mandar alguém que não entende nada de determinado assunto cobrir uma pauta, mas hoje em dia com a velocidade com que as notícias precisam sair, a variedade de temas e a facilidade com que os leitores interagem, não é mais viável. Passa-se muita vergonha, e o leitor está pouco se lixando para quem ele está sacaneando. Falou besteira, toma.

A vantagem dos blogs é mais que o foco. Os blogueiros em geral escrevem sobre o que gostam e/ou conhecem. E se ele gosta, vai tentar obter a informação correta, sempre. Principalmente, não somos desatentos com o que gostamos. Vejam por exemplo esta matéria do MailOnline, sobre o lançamento do Batman em Londres:

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Na legenda, falam de duas fãs, “vestidas como Batman e Curinga”.

Você consegue imaginar o Judão, o Jovem Nerd, o isFree ou o Melhores do Mundo falando uma barbaridade dessas? Imagina algum deles NÃO RECONHECENDO IMEDIATAMENTE Batwoman e Arlequina?

O quê será que passa na cabeça do sujeito que fez a legenda? Será que ele está de tão má-vontade que não acompanhou NADA do filme, não conhece NADA do Batman, não sabe nem que não-importando a encarnação, o Curinga tem cabelo verde?

Eu só consigo achar que seja má-vontade, o que dá mais força a meu argumento: Coloque quem gosta para escrever sobre o quê gosta.

Isso garante qualidade (ou fracasso, se não for feito) independente do veículo. Não há nada de mágico nos blogs, se um jornal mudar radicalmente sua estrutura e assumir um modelo colaborativo, dinâmico, com atribuição de pauta na base do mérito, não da disponibilidade, teremos um concorrente pesado para qualquer coisa online.

Felizmente mudanças não são muito bem-vindas para as cabeças-brancas que comandam a velha mídia…


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