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Skavurska em russo é bem melhor!

25/03/2011 - 8:01 am  -  9 comentários


SKAVURSKAUm dos grandes erros da propaganda tradicional é querer se manter tradicional. A idéia de criar personagens não é nova. Sem voltar muito no passado (ok, talvez seja voltando muito) o Garoto Bombril com o Carlos Moreno  é um exemplo clássico de idéia vencedora, mas isso funciona na Internet?

O nível de exigência dos espectadores é muito alto, eles não vão replicar algo que só funciona na TV a menos que seja genial, e não dá para ser genial o tempo todo, nem eu consigo. (viram? Fingi humildade, menti. Uma falha.)

Um segredo: Não é preciso ser genial para se destacar online. Ninguém precisa matar um leão de ouro por dia pra ser visto e replicado. Basta seguir uma regrinha muito simples, que horroriza clientes e publicitários burros:

Produza entretenimento, não propaganda.

É, assusta, afinal você, meu caro, está trabalhando com propaganda e seu cliente quer divulgar o produto dele. Não quer paitrocinar um estandapeiro de YouTube. Ele é um anunciante, não um mecenas.

Concordo plenamente, patrocínio é uma coisa, propaganda é outra.

Só que aqui nas interwebs ninguém gosta de propaganda. (fora também mas não temos saída) Há plugins para remoção de banners, gente que chega ao ponto de editar comerciais e remover a assinatura do anunciante no final e haters para acusar blogs cada vez que publicam um anúncio.

Nós gostamos é de entretenimento. Gostamos de conteúdo instigante, conteúdo que seja… LEGAL.

Trabalhar com personagens é um bom começo, mas “filminho com história” também já está batido.

Então como a Old Spice conseguiu fazer uma campanha de tanto sucesso usando um personagem caricato e baixo orçamento?

INTERAÇÃO.

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BBB11, Jornalismo e molecagem – Tá pensando que boneca é brinquedo?

05/01/2011 - 10:24 pm  -  28 comentários


ariadnas

Uma Porta da Esperança ao contrário. Duas dessas trazem presentes.

Hoje o Twitter pegou fogo por causa de um boato de que uma tal de Ariadna Thalia, participante da 11a edição do Big Brother Brasil seria travesti.

É uma dúvida justa, tanto para quem não quer abrir o hambúrguer e achar um salame quanto pra quem leva o sanduiche pra casa e ao invés de uma salsicha encontra um carpaccio (agora livre-se dessas imagens mentais se for capaz).

A informação veio em tons de  “acusação” – com aspas pois ao contrário de países cujos governos seguem os preceitos da Religião da Paz™ no Brasil ser travesti não é crime – mas foi levada numa boa pela comunidade do Twitter, até pq mesmo para os mais homofóbicos, azar de quem está dentro da tal casa e não sabe desse pequeno detalhe sobre a moça. Aliás, pequeno o escambau, apareceu uma foto e aquilo não é ferramenta, é uma suíte de aplicativos completa. Só não digo que é o OpenOffice pq ao contrário da moça ele é grande mas não funciona.

Conversando no Twitter com o autor do Diário T-Lover (não julgue, tem gente que gosta até de morcilha, cada um na sua) ele explicou que a Ariadna Thalia Travesti (cuidado, NSFW, peitos de silicone e graças a Exupery o essencial continua invisível aos olhos) não é a Ariadna do BBB NEM a da tal matéria.

OK, que matéria e qual a molecagem afinal?

Well…. O Ego, aquele bastião do jornalismo criado por Carlos Castello Branco, Bob Woodward e Samuel Wainer foi rápido no lance, publicando a matéria. Mais rápido ainda foi ao tirar do ar e subir de volta,substituindo a chamada do título. Vejam a sutil diferença, mostrada aqui graças ao Google:

essafoinatrave

Note a sutil diferença na URL das duas chamadas. Na primeira o título já havia sido mudado mas a URL continua. Essa foi apagada para que a URL refletisse o novo título.

ARIADNA DO BBB É TRAVESTI E JÁ FEZ PROGRAMA NA ESPANHA

ARIADNA DO BBB SERIA TRAVESTI E JÁ TERIA FEITO PROGRAMA NA ESPANHA

É a mesma sutil diferença de afirmar com todas as letras que o estagiário do Ego é retardado e dizer que poderia muito bem ser.

É uma regra BÁSICA do jornalista que qualquer estudante, retardado ou não precisa aprender, mas como o Ego provavelmente usa macacos de cheiro travestidos de estagiários para economizar no vale-transporte, violam constantemente essa norma essencial da profissão. NÃO ACUSE SEM PROVAS, SEU IMBECIL, ENERGÚMENO, ANIMAL DE TETA.

Acusações levam a processos. Por mais que o Ego seja das Organizações Globo, e um processo no caso quase impossível de rolar, é um péssimo hábito. Por isso que todo mundo por mais obviamente culpado que seja, até a condenação é chamado de suspeito ou –melhor ainda- acusado.

às vezes é extremamente irritante ler esses textos em “jornalês”, mas é uma questão de responsabilidade. Um órgão (epa) sério de imprensa não pode se dar ao luxo de fazer acusações genéricas como o “todo político é ladrão” ou “ator é tudo viado”, tão comuns de se ouvir em mesa de bar. (nota: pra teatro infantil tá liberado)

Uma acusação sem sustentação deixa de ser jornalismo e vira fofoca. Um juiz não daria ganho de causa se a tal Ariadna fosse travesti de programa, por mais baixaria que fosse o que o Ego estaria fazendo ainda seria jornalismo, mas quando não ligam nem para o detalhe de confirmar a presença do detalhe, deixa de ser trabalho de imprensa, fica clara a ausência de qualquer esforço investigativo ou compromisso com a Verdade. É fofoca e fofoca anda muito próxima de calúnia e difamação.

Quem tem blog está sujeito a esses mesmos riscos, com agravante de que processar um blogueiro anônimo é bem mais simples que processar um site da Globo.com. Ainda mais por não estarmos protegidos pela Lei de Imprensa. Assim é essencial que posts com denúncias, acusações e similares sejam muito, muito bem documentados, sem xingamentos e surtos de emoção.

Uma mudança simples na formulação de um título pode ser a diferença entre uma grande aporrinhação Legal e uma matéria que só renderá elogios e cliques no AdSense. E se você acha que isso tudo é apenas um detalhe, e detalhes são insignificantes, experimente sair com a Ariadna errada.



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Há diferença entre mostrar os dois lados e ser o fio-terra do jornalismo

05/01/2011 - 3:18 pm  -  23 comentários


Existe uma corrente no jornalismo que acredita em uma imparcialidade magnânima da Imprensa, um distanciamento total que seria até justificativa pro tal dilema insolúvel de ver uma criancinha se afogando e não fazer nada para não interferir na notícia. Nesse ponto aliás um câmera resolveu o dilema de forma brilhante: Ele respondeu: “salvar ou continuar filmando? Fácil, coloco a câmera no tripé, ligo e vou salvar o moleque”.

A tal imparcialidade prega que você tem sempre que ouvir os dois lados. É justo, mas a verdade é que mesmo que toda história tenha dois lados, só por ser contra não te qualifica para ser o outro lado. Decidir quem será apresentado como oposição é tão importante quando a própria história. A credibilidade e “imparcialidade” da imprensa também deve ser julgada por essa escolha.

eltonbaby

É evidente que esse moleque filho de dois pais gays homosexuais terá um destino horrível: Será nerd

Vejam por exemplo o caso de Sir Elton John. Um cantor fabuloso (e Faaabuloso) que desafiou todas as convenções, paradigmas e estereótipos sociais. Não por ser gay, mas por manter uma relação estável e feliz com David Furnish. um parceiro que é do meio cinematográfico. Como apesar de ter todo o direito de engravidar (agradeçam à Frente Judaica do Povo) por não ter útero nenhum dos dois conseguiria levar uma gravidez a termo.

Apelaram para uma mãe de aluguel, uma doadora de óvulos e graças à ciência Zachary Jackson Levon Furnish-John nasceu, no dia 25 de Dezembro, Dia Internacional de Crianças Com Dois Pais, pelo visto.

Ótimo pra eles, certo?

A mídia cobriu o caso, é justo. Mostraram pessoas felizes pelos dois, pessoas indiferentes, gente que acha estranho. Tudo bem. Só que a BBC foi além. No mesmo dia em que o casal anunciou o nascimento da criança, a emissora levou ao ar uma reportagem sobre o caso. O contraponto foi uma entrevista com um Babaca de proporções continentais chamado Stephen Green.

Esse idiota (aqui entra o mimimi “você chamou o cara de idiota, perdeu a razão, isso não é argumento”. Pega na minha e balança) é um militante radical conservador fascista cujas pérolas incluem defender a pena de morte para gays em Uganda e lamentar que a Inglaterra não segue o exemplo, para “proteger as crianças”. Ele também comparou Ian Watkins, membro de uma banda pop e gay (U-AU!) a um assassino serial.

Stephen Green é um idiota com discurso religioso radical que passa o tempo todo dizendo o quanto Deus odeia gays e como eles terão um destino horrível, já que no Mundo Real Deus parece impotente (fale com Seu médico. Eu falaria) diante de gays tristes, felizes, alegres, bem casados, baladeiros, quietinhos e todos os outros estados da Condição Humana.

Escolher um idiota assim como contraponto de uma matéria onde um casal só quer viver sua vida e ser feliz é algo malicioso. É gerar polêmica artificial. Green seria contraponto válido se a matéria fosse sobre um posicionamento gay igualmente radical e imbecil, como obrigar pré-adolescentes a namorarem meninos e meninas, para determinar sua identidade sexual.

Em um mundo ideal radicais como Green viveriam no ostracismo, mas o público já se acostumou a esse tipo de polêmica, é preciso se revoltar com algo, contra ou a favor. Brandimos o punho fechado, dizemos “que absurdo! Alguém tem que fazer algo! Mas não eu.” e seguimos com nossas vidinhas medíocres, tendo a sensação do dever cumprido.

A mídia brasileira é cheia disso. Qualquer tema sempre é “enriquecido” com a opinião de um pai de santo (mãe, se for programa vespertino), uma cartomante e um jogador de futebol. Pautam sempre quem dá mais ibope. Entre um cientista e um Ex-BBB o cientista fica de fora até dos programas do Discovery, se a pauta ficar na mão de brasileiro.

Se um tema é apresentado de forma moderada, com uma argumentação racional, é questão de justiça pautar o contraponto nos mesmos moldes. Infelizmente manter um programa ou escrever uma matéria de forma atraente, que capture a atenção do público é algo complicado, demanda talento. Já pra instigar barraco é bem mais simples, você solta no ar o xingamento, senta e fica vendo o circo pegar fogo, uma excelente forma de chamar o público de palhaço.



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Editora Abril Gananciosa? Não, blogueiro, você que é pobre.

16/11/2010 - 6:15 pm  -  35 comentários


Quanto você cobraria para veicular um anúncio em um blog iniciante?

Vamos complicar: Imagine que você é um jornalista experiente, mas nunca teve um blog. É seu primeiro. Agora imagine que seu blog só pode ser visto por UM tipo de computador. Pra complicar MAIS ainda, pense que esse computador, o único capaz de acessar seu blog custa MUITO caro, mais de R$2 mil.

Feia a coisa? Imagine então que pra complicar esse computador sequer é vendido no Brasil.

Quanto você cobraria por um anúncio na primeira edição desse blog, com audiência cativa ZERO e nenhum histórico de visitas?

A maioria dos blogueiros sequer cobraria, sairia oferecendo permutas, pensaria em crescer e depois então cobrar. É uma visão correta, dentro do que o senso comum chama de… humildade.

Felizmente o pessoal da Editora Abril não dá bola para blogueiros, entendem seu negócio como business e não acreditam nessa postura de “vamos começar bem mirde e se crescer…”

Depois da edição da VEJA para o iPad cinco outros títulos da editora sairão na plataforma: Elle, Casa Cláudia, Alfa, Exame e Lola. Confesso que não sou o target, nunca tinha tomado conhecimento da existência da Revista Lola, por isso foi a que escolhi para investigar.

O resultado é assustador para o pessoal que pensa pequeno, que minimiza o fato da revista ter uma edição no iPad ou mesmo para os haters que argumentam (não que haters realmente agumentem) que não há iPad no Brasil nem público para justificar uma edição, que dirá publicidade.

A Abril não só está investindo de verdade na plataforma como está cobrando de verdade. Não é um experimento, não é uma parceria. É, como eu disse, business. Não interessa que a edição seja a primeira, não importa que não tenham sequer números de circulação para fornecer (até pq não circulou ainda).

Uma edição dessas tem um alcance muito maior do que os leitores primários. É o tipo de trabalho que gera notícia, é comentado e replicado em sites, programas, revistas e jornais. Antes do iPad se firmar como mídia viável por causa da audiência, já se firma por esse efeito multiplicador. É, resguardadas as proporções, o mesmo que ocorreu com o Second Life. A quantidade de visitantes é ínfima mas a publicidade gratuita, o buzz gerado pela simples existência do Avião da TAM ou da Agência do Itaú é dezenas, centenas de vezes o valor do investimento.

Por isso a Abril pode cobrar o que cobra. Segundo o media kit da Revista Lola, um anúncio multipágina interativo sai por R$27 mil. Um anúncio simples, composto basicamente de um JPEG 1024×768 sai por R$16 mil.

Tá caro? Não, você que é pobre e não sabe cobrar.

16 contos por um anúncio em uma versão para iPad, um equipamento de mais de R$2 mil, que sequer está à venda no Brasil. Pessoas de bom-senso diriam que a Editora Abril enlouqueceu, perdeu qualquer parâmetro e em sua arrogância criou valores irreais para uma mídia que sequer existe.

Pessoas de bom-senso diriam que antes de tudo é preciso muita humildade, para ter sucesso em uma nova e inexplorada mídia.

Só que o mundo não é desbravado por pessoas humildes e com bom-senso. Gente ousada e pioneira desafia o bom-senso e tem a justificada arrogância de achar que triunfarão mesmo sendo os primeiros a tentar algo. Eu admiro essa ousadia e arrogância justificada. Se há uma lição a ser aprendida é a de parar de pensar pequeno, é a de assumir que a expertise, o know-how, a qualidade e o prestígio conquistado em uma mídia podem e devem ser usados como base para outra mídia mais nova.

Acima de tudo, a lição é que se você quer que o Mercado valorize seu trabalho, o primeiro passo é você valorizá-lo.

De resto,como autor do Contraditorium, o Primeiro Blog Brasileiro no iPad, só posso dizer pra Revista Lola e suas co-irmãs, bem-vindas as iPad. Calouras ;)



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Singela contribuição para as mulas que fazem marketing político…

22/10/2010 - 9:29 pm  -  11 comentários


A campanha que seria revolucionária nas mídias sociais, com “marketeiro do Obama” e tudo se revelou um grande fiasco. Basicamente eleição nas mídias sociais se resume a candidato processando Twitter, candidato pedindo direito de resposta em 140 caracteres e milhares de perfis falsos fazendo spam.

Acho que é difícil entender que uma ação POSITIVA gera muito mais buzz do que um ataque, até por questão de lógica. Uma idéia legal atrairá os partidários E os oposicionistas moderados, aquele pequeno grupo capaz de ver sem antolhos.

Infelizmente não é assim que a banda toca e foi tudo nivelado pela lama.

É uma pena,mas no máximo os marketeiros seguem as modinhas, não criam tendências. Exemplo: Ambos os candidatos, Serra e Dilma usaram avatares infantis no dia das crianças. Legal, isso os colocou em pé de igualdade com todo mundo. Mas… não era pra se destacarem?

Não é preciso nem pensar muito para imaginar pequenas ações que geram buzz sem colocar a mãe no meio, que tal por exemplo dar checkin no Foursquare várias vezes e virar Prefeito do Palácio do Planalto? Um buzz simples mas que daria discussão pra um dia inteiro.

“mimimi o Povo não sabe o que é o Foursquare”

Como já disse um grande estadista, “foda-se o Povo”.  O povo das mídias sociais sabe. Se você está em campanha em uma rede social, é obrigação profissional usar todos os recursos da mesma, falar a linguagem e conhecer profundamente seus meandros. Nesta eleição estou vendo uma simplificação rasteira do discurso, em todos os canais, em todas as mídias. É como se o kibeloco fosse estrategista e sua idéia de tratar o leitor como menor denominador comum tivesse sido implantada.

O Twitter não necessariamente funciona no racional, no caso é melhor apelar pra emoção. É inviável achar que é possível discutir detalhadamente projetos de campanha em 140 caracteres com milhares de pessoas falando. Você tem que usar a ferramenta para gerar identificação com o eleitor e então direcioná-lo para o site com propostas detalhadas.

Nessa eleição as mídias sociais foram usadas da pior forma possível, os spammers tratam Twitter como local de distribuição de santinhos, os candidatos tratam tuiteiros como inimigos e os “profissionais” de mídias sociais são tratados como profissionais de 3a classe pelos “estrategistas”, que entendem tudo de eleição e por extensão acham que entendem de Internet também.

No final o grau de satisfação dos envolvidos é zero, tudo se resume a uma questão prática de quanto vai-se ganhar nessa brincadeira e quando coloca-se a mão no dinheiro.

A ironia é que essa parte é verdadeiramente democrática, vai do estagiário da agência ao Presidente eleito.



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Jornalismo Cidadão não adianta se o Cidadão é um FDP

12/09/2010 - 2:00 pm  -  20 comentários


Existe uma ilusão compartilhada por donos de jornais e internautas de que o tal “Jornalismo Cidadão” irá salvar o mundo (e economizar dinheiro pois as pessoas trabalharão de graça). A idéia de que pessoas testemunhas oculares da História reportarão ao vivo os acontecimentos, criando um incrivelmente ágil fluxo de informações é linda. Quase coloquei um adesivo “esta máquina mata tiranos” no meu iPhone. Mas como se diz por aí, conheço meu gado.

Jornalismo Cidadão funciona bem no papel, no mundo real tudo tem seu preço. O custo do ganho em agilidade é a perda em precisão e confiabilidade.

Exemplo: A imagem acima é da ABC, falando do mega-incêncio em San Bruno, Califórnia. Foi uma pequena grande tragédia, 37 casas queimadas por um vazamento de gás, vários mortos, etc. Como todo órgão de imprensa moderninho a ABC aderiu a redes sociais, conteúdo gerado pelo usuário e outras buzz-trends (em português, modinhas). Seguindo a regra, esqueceram que pessoas somos FDPs por natureza. Por isso entre as fotos publicadas da tragédia, enviadas por leitores, está a Kombi acima, que os fãs de Lost identificarão como sendo a famosa Kombi incendiada da Iniciativa Dharma.

Não é tão legal (modéstia à parte) como publicar fotos do avião de Lost como sendo acidente da Gol, mas em essência é a mesma coisa: Uma imagem falsa, facilmente reconhecível e que jamais ganharia destaque em um órgão de imprensa sério, não fosse o “jornalismo cidadão”.

O resultado dessa “sabedoria das massas” é que órgãos de imprensa antes com credibilidade se tornam tão inseguros inexatos e descompromissados com a verdade quanto os blogs, tão atacados pela Grande Imprensa (muitas vezes com razão) como inseguros inexatos e descompromissados.

Jornalismo Cidadão é viável SE houver investimento. O investimento para desespero dos donos de jornais é em material humano. É preciso contratar gente safa, gente esperta, gente embrenhada no mundo das redes sociais para identificar e matar rapidamente esse tipo de gracinha, ANTES de ir ao ar. O Jornalismo Cidadão deve ser sujeito aos mesmos critérios de verificação de fontes E credibilidade do autor que o jornalismo tradicional, mesmo que através de pontos de karma, ou outro recurso.

O que não pode é publicar um vídeo enviado por leitor de um FANTOCHE cobrindo um incêndio, e achar que a empresa ainda faz Jornalismo Sério, não é mesmo, CNN?



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A busca pela nãotícia e jornalistas passando vergonha

06/09/2010 - 12:49 pm  -  24 comentários


Em época de eleição é comum ver militantes histéricos fazendo as mais loucas considerações filosóficas e estupros lógicos para justificar seus candidatos e atacar os adversários. É algo bobo, como a tentativa (bem-sucedida) de tirar a propaganda de 45 anos da Globo do ar por dizerem que era propaganda subliminar pro PSDB. Sim, começou 45 anos atrás, em uma reunião dos Illuminati na sede dos Lapidários.

Curiosamente essa postura sazonal existe no jornalismo. Há um grupo de profissionais que rastejam no fundo das latas de lixo atrás de sujeira de figuras públicas, publicando qualquer porcaria que encontram. ESSES ainda são mais respeitáveis que os Jornalistas da Nãotícia. A nãotícia é a informação sem qualquer utilidade ou relevância. É algo como o que sites no estilo EGO fazem, mas aplicado a gente mais relevante que artistas no ego. (não me entendam mal, acho artistas MUITO relevantes, exceto quando estão atravessando a rua ou abalando em Penedo).

Os “jornalistas” em questão não querem se sujar, então ficam longe das lixeiras. Assim fuçam a Internet em sua superfície procurando fatos irrelevantes e usam de todo seu parco domínio do idioma para transformar esses fatos em nãotícias. Problema: Em geral possuem pouco ou nenhum domínio da área em questão. Com isso fazem deduções equivocadas, concluem besteiras e escrevem barbaridades. Exemplo: Atwater é uma cidadezinha de 20 mil habitantes na Califórnia. Clássica comunidade hospitaleira, tipo Twin Peaks, Crystal Lake e tantos outros lugares legais. Agora sua vida pacata foi afetada: Um jornalista do Mercedes Sun Star após profunda e qualitativa pesquisa relevou o Segredo Sujo da Cidade: Nelson Crabb, aposentado, ex-policial e vereador leva uma vida dupla. Durante a noite e em suas horas vagas ele deixa sua vida de senhor de 63 anos e se torna um PODEROSO CHEFÃO MAFIOSO DA COSA NOSTRA MAFIOSA!

No Facebook.

Isso mesmo. Um infeliz chamado Mike North, que se diz jornalista escreveu um artigo inteiro denunciando as atividades questionáveis do vereador NO MAFIA WARS.

O sujeito se dá ao luxo de descrever o jogo como se fosse algo… horrendo:

“Os posts de Crabb no Facebook não mostram sangue ou carnificina, mas algumas descrições são bem gráficas: ‘Nelson ajudou Michael a se livrar de um corpo e precisa de sua ajuda também’”

UAU! Imagine se o vereador jogasse xadrez online, o repórter descobriria que é uma batalha estilizada e deduziria que Nelson Crabb é o Novo Hitler.

Aqui o mundo se divide. De um lado temos os adversários políticos do vereador, que não se darão ao trabalho de conferir a acusação e farão papel de idiotas quando alguém mostrar o que é o Mafia Wars no Facebook. Do outro lado temos o vereador, que perderá seu tempo e seu SACO tendo que responder aos imbecis mostrando que Mafia Wars não é um Simulador de Bandidos (ok é) e que está longe de ser uma apologia ao crime e um “tapa na cara” dos honrados oficiais da Lei que tombaram no cumprimento do dever.

O público também se divide. Entre os idiotas de sempre E entre o pessoal com três ou mais neurônios. Esses verão a matéria, reconhecerão na hora que é uma premissa ridícula e classificarão o jornalista como um completo imbecil. Por extensão, o jornal inteiro.

Em busca da nãotícia não é só quem escreve que passa vergonha. Quem publica também. Por isso, fica a dica: O papel aceita qualquer coisa. O leitor não.



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Audaciosamente indo onde nenhum fracasso em mídias sociais jamais esteve

05/09/2010 - 3:07 pm  -  21 comentários


Vou contar um segredo que talvez ninguém saiba, poucas pessoas do planeta conhecem esse meu lado oculto e misterioso: Eu adoro ficção científica. Por isso adorei quando apareceu na grade da Sky o canal SciFi, que só conhecia de nome e de uma visita aos EUA em 2004.

O SciFi passa séries que eu adoro, como Star Trek (todos os sabores) e Stargate. Passa a excelente Caprica e passou Battlestar Galactica. Passa os filmes trash que metade dos espectadores odeia (e a outra metade adora, por isso são produzidos) e é um canal que em sua essência dedicado a um gênero que eu adoro. Sei que eles passam aquelas porcarias de caça-fantasmas e nos EUA luta-livre, mas é o preço a pagar para sobreviver. Odeio do fundo de minh’alma os programas de OVNIs e Nostradamus e 2012 e Monstros do Discovery e do History Channel, mas continuo listando-os como canais top.

Infelizmente não existe (e falo por experiência) bicho mais chato e conservador do que executivo de canal de tv a cabo. Eles só contemplam novas idéias quando é absolutamente inevitável. Não duvido que haja executivos ainda desconfiados dessa tal de “tv colorida”. Assim iniciativas são em geral fruto de rebeldes e enfrentam oposição interna ferrenha.

Um exemplo clássico foi a Paramount. O estúdio está mais que ciente que o sucesso e a continuidade de Star Trek se deveu aos trekkers. Qual a atitude que tomaram, nos primórdios da Internet? Mandaram cartas para centenas de sites de fãs da série exigindo que removessem todo material não-autorizado (imagens, logos) e que usassem somente um “kit oficial de site de fã-clube”.

Isso mesmo, a Paramount se voltou contra os fãs de Star Trek tentando tirar do ar os sites que promoviam a franquia. Por sorte a cagada foi manchete em tudo que é lugar, perceberam a besteira e desistiram. Enquanto isso George Lucas apoiava sites de fã e quando o theforce.net ficou sem grana para hospedar os filmes criados por amadores, a Lucasart se ofereceu para bancar a hospedagem dos fanfilms.

Assim é comum ver canais entrando em redes sociais com iniciativas que são fadadas ao fracasso desde sua gênese, e me deixa triste perceber a história se repetindo com o SciFi. Acabei de ver um comercial da conta do canal no Twitter, a @syfybr.

“Nos siga, participe de promoções, receba notícias, bla bla bla”.  O de sempre. OK, tudo bem, não achei que fossem botar o William Shatner para escrever, mas se vão fazer o feijão com arroz, farão direito, não?

O canal tem 115 followers. 116, comigo. “ah, mas é novo”.  Não, não é. O que só piora. A última mensagem postada foi dia 27 de Julho. No total escreveram 9 twits na conta.

Poxa gente, isso é broxante. O canal ANUNCIA O TWITTER NA TV, se não vai colocar ninguém para administrar a conta, então não anuncie. Se não acreditam no Twitter, não entrem nele ou em qualquer outra rede social. Não é questão nem de jogar dinheiro fora, o estagiário que ficou responsável pela conta já está pago de qualquer jeito, e em alguns casos sai até mais barato. O custo aqui é como se fosse em ORTNS, vale mais do que dinheiro.

O custo é deixar claro para uma audiência geek, antenada, moderna que seu canal não só não é moderno nem antenado, como também não tem interesse nenhum em investir naquelas redes sociais que SÃO queridas para os geeks, fãs do canal. A impressão (correta até me provarem o contrário) é que estão de má-vontade, entrando só porque alguém insistiu muito. Entraram para mostrar que não vai dar certo mesmo e farão de tudo para que isso se concretize.

Não há vergonha nenhuma em dizer “não quero brincar”, vergonha é entrar desdenhando da brincadeira dos outros. E é isso que eu vejo: Um canal que ainda não entendeu que o Twitter virou realidade. Isso, claro, o SyFy Brasil, nos EUA a conta já é verificada, tem 44 mil followers e a última atualização foi menos de 10 horas atrás. É personalizada e INTERAGE com as pessoas. Mas ver isso aqui no Brasil aí sim é ficção científica.



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