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Africano inteligente saindo da pobreza via tecnologia? Vamos falar mal!

23/01/2012 - 5:16 pm  -  14 comentários


Pode reparar: nos tempos de hoje a única diversão de um monte de gente é falar mal. De tudo, sempre achando um defeito, sempre puxando pra baixo. Não importa a notícia, o feito, o caso, alguém achará algo para desdenhar, menosprezar.

Mesmo assim não posso deixar de contar a história de um cafofo, uma birosca, um galpãozinho no meio de Kiandutu, uma comunidade favela do povoado de Thika, a uns 40Km de Nairóbi, capital do Quênia. Imagine Distrito Nove com menos camarões, é mais ou menos aquilo.

O cafofo em questão é sede da nada modesta Gigantic Electronics, start up criada por Amos Njoroge. Seu principal produto? Extensões.

Sim, as boas e velhas réguas, que todo mundo tem e não gasta nem um segundo pensando na importância, afinal acha-se em qualquer lugar. Só que Kiandutu não é qualquer lugar, é uma merda de lugar (vão me encher por isso). A Deal Extreme não aceita o African Express Card, então os moradores não podem sair comprando extensões pela Internet.

Os produtos que aparecem nas lojas e camelôs locais são caros, dado o custo de importadores e atravessadores. Imagine O Senhor das Armas, com o Nicholas Cage aproveitando espaço vazio no avião pra levar extensões.

Amos teve a idéia de suprir essa demanda por extensões baratas usando um produto abundante na região: Madeira. Ele projetou extensões ENORMES, com grande espaço entre as tomadas, assim podem ser utilizadas nas lojas de carga de celular (sim, tem isso).

Alguns chatos estão dizendo que a madeira quando molhada se torna condutora, e pode dar curto. Bem, se o lugar inundar, vai fazer pouca diferença se a extensão é madeira ou prástico.

Outros ecochatos estão reclamando que o uso de madeira é antiecológico. FÁCIL DE DIZER, SEU FILHO DE UMA PUTA. Sentado em seu escritório com ar-condicionado, tomando limonada gelada e punhetando seu MacBook Pro. Complicado é quando você está na merda, numa favela do Quênia, e quer melhorar sua vida um tiquinho que seja.

Amos Njoroge faz isso. Suas extensões são um sucesso na comunidade, sua fabriqueta gera receita pra economia local, empregos e principalmente esperança, pois agora os meninos quenianos têm DOIS modelos a seguir: Quando crescerem podem virar dono de start up de tecnologia ou Presidente dos EUA.


Um viralzinho simpático que ninguém viu, nem o Stevie Wonder

16/01/2012 - 7:09 am  -  18 comentários


Um dos maiores erros dos publicitários é pensar grande – eu explico: Seu objetivo é vender. Você tem que levar o produto até o público-alvo. Acabou. Todo o resto, inclusive comer estagiária deslumbrada em festinha do CCRJ ou CCSP é valor agregado.

Se 10 milhões de pessoas viram seu filme no YouTube, e nenhuma delas faz parte do seu target, você desperdiçou o dinheiro do cliente. Principalmente se gastou US$750 mil fazendo uma mega-power-ação para seus amigos publicitários, ao invés de aparecer menos mas falar direto a quem a propaganda se destina.

Por isso esse viralzinho da lanchonete Wimpy é tão legal. Usam as melhores técnicas maquiavélicas malvadonas de propaganda viral (YES, Virgínia, propaganda é pra vender, aceite isso) falando DIRETO com o público-alvo, da melhor forma possível, E ainda transformam a peça em um puta institucional da marca.

Qual o conceito: A lanchonete sul-africana especializada em hambúrgueres de camarão começou a disponibilizar cardápios em Braille em suas filiais. Legal, né? É o tipo de coisa que só os chatos reclamariam. A notícia por si só já é positiva, mas como fazer com que ela chegue até os cegos? Como fazer com que eles repliquem a informação?

A idéia foi genialmente simples: Contataram as 3 maiores instituições de cegos da cidade e organizaram um evento-surpresa, no melhor estilo “abre a boca e fecha os olhos” (too soon?).

A Wimpy inventou para a ação o… Braille Burger. Usando sementes de gergelim escreveram no pão a descrição do hambúrguer que o sujeito iria comer. Pela primeira vez um pequeno grupo de cegos conseguiu saber o que havia no sanduíche que iriam comer sem cheirar ou perguntar.

Foi uma ação pequena, foram apenas 15 hambúrgueres, montar os sanduíches deu um trabalho do cão, mas a expressão do pessoal descobrindo que as sementes não estavam em posições aleatórias no pão valeu cada minuto.

Como resultado a comunidade local publicou reportagens sobre a ação em newsletters impressas, sites e blogs, atingindo mais de 800 mil deficientes visuais com estômagos, bocas e bolsos funcionando perfeitamente.

No YouTube o vídeo da ação já ultrapassou 231 mil visualizações. Nada mau.

O segredo é o apelo emocional. Um filme desses passa uma sensação de bem-estar muito mais profunda do que um vídeo em computação gráfica de robôs brigando ou coisa parecida. Não há coitadismo envolvido, ninguém aparece agradecendo à Wimpy pelos cardápios, que aliás nem aparecem junto com os cegos.

Vemos gente comendo um hambúrguer e descobrindo uma mensagem “secreta”, uma brincadeira (trabalhosa) e só.

Um exemplo clássico de propaganda que usa esse recurso é este filme de 1994 do Peugeot 306 conversível. Foram para Salt Lake City, onde há aquele imenso terreno plano, 4400Km quadrados de nada para bater, que é excelente, afinal quem está dirigindo o carro é o Ray Charles.

O que na cínica Internet de hoje soa como uma piada sem-graça se tornou um filme épico. O conceito “O prazer de dirigir” nunca foi tão bem passado, a expressão de alegria pura do Ray é inestimável. É isso que um dono de carro quer sentir.

Um filme usou 15 hambúrgueres, outro usou um único músico. Venderam seu peixe, emocionaram o consumidor e não apelaram para ganância, mesquinharia, luxúria ou qualquer outro tipo de sentimento moralmente questionável.

Essa é a diferença entre fazer propaganda de primeira e jogar chocolate da janela se achando “O” criativo.


Seguindo o denuncismo da Deputada Luiza Maia, prendamos as racistas Elis Regina e… Preta Gil.

21/12/2011 - 4:40 pm  -  18 comentários


Quando surgiu a polêmica do Tiririca confesso que apoiei, mas não pelos motivos alegados. Quase todo “Movimento” costuma ver preconceito em tudo, e o Tiririca me parece muito mais idiota do que racista. Infelizmente ser idiota não é crime, então ele foi enquadrado no que foi possível.

Há que se reconhecer que a letra da “música” do nobre deputado (isso é triste) é estúpida. Vejamos como fica trocando “nega” por ”ruiva”:

Veja veja veja veja veja os cabelos dela
Parece bom-bril, de ariá panela
Parece bom-bril, de ariá panela
Eu já mandei, ela se lavar
Mas ela teimo, e não quis me escutar
Essa ruiva fede, fede de lascar
Bicha fedorenta, fede mais que gambá

É estúpido, ofensivo independente de raça, se ele usasse “esquimó” deveria ser processado pelo Movimento Esquimó da Bahia.

O preconceito e a estupidez não estão nos termos em si, estão no USO dos termos, mas pelo visto essa geração que só consegue ler por palavras-chave é incapaz de algo complexo como interpretação de texto.

Agora mesmo, segundo esta matéria d’O Globo, o Luiz Caldas está encrencado por causa de uma música dos anos 80, Fricote. Tomou um calote e um pito da Prefeitura de Salvador pois sua música se enquadra em uma Lei local e a letra

“apresenta cunho racista e depreciativo às mulheres negras”

 

O Bafafá está sento tocado pela Deputada Estadual Luiza Maia, que considera ESTA letra racista e depreciativa:

Nega do cabelo duro
Que não gosta de pentear
Quando passa na baixa do tubo
O negão começa a gritar

Pega ela aí
pega ela aí

Pra que ?
Pra passar batom
De que cor?
De violeta
Na boca e na bochecha

Pra que?
Pra passar batom
De que cor?
De cor azul
Na boca e na porta do céu

Como portador de cabelo ruim, posso AFIRMAR para a Deputada que é uma merda pentear mesmo, por isso aliás a moda dos penteados afro, Diana Ross que o diga. Quem não gosta mesmo pode até fazer chapinha, comprar produtos da Embelezze, sei lá. Eu prefiro deixar curto.

Não importa o tamanho ou o tipo, cabelo bem cuidado fica bonito. A Rihanna é linda de chapinha e a Sheron Menezzes é linda de cabelo duro.

A música mostra que o negão não tem problemas com o cabelo, ele serve apenas como fator de identificação, da mesma forma que a Luciana Vendramini na novela do SBT é um cenourão.

Claro, a leitura via palavras-chave só permite que se leia “Nega do cabelo duro”, e isso soa racista, principalmente se você não tiver um MÍNIMO de conhecimento musical, não souber que “nega” pode e costuma ser usado como um tratamento carinhoso e, acima de tudo, é uma referência DIRETA a um CLÁSSICO da MBP, de David Nasser e Rubens Soares, Nega do Cabelo Duro:

Nega do cabelo duro, qual é o pente que te penteia?

Céus, a deputada vai ter um treco, afinal é PIOR do que dizer que a supracitada afrobrasileira não gosta de pentear o cabelo, a insinuação é que ela é BIOLOGICAMENTE inferior, e a tecnologia ainda não desenvolveu um pente avançado o suficiente pra funcionar naquele ninho de marfagatos que ela chama de cabelo.

O pior mesmo é que a acusação de racismo da música do Luiz Caldas (ou é do Beto Barbosa? Cartas pra redação do Gizmodo, não pra minha) se torna MAIS ridícula, nem por ele não ser exatamente um exemplo da Raça Ariana, mas pela canção ser cantada a torto e a direito no Brasil todo desde 1985, por gente de todas as raças, cores, credos e orientação sexual.

A cereja do bolo é quando a tal canção racista e depreciativa às mulheres é alegremente cantada pela… Preta Gil.

Eu tenho ressalvas quanto a várias atitudes da Preta Gil, mas não consigo imaginar autoridade maior NO MUNDO para determinar se uma música é racista e ofensiva a mulheres do que uma mulher, chamada Preta com sobrenome Gil. Bola fora, deputada.


Corre @daniloGentili! Virou moda “comer a bunda de apresentador de talk show”. Literalmente.

21/12/2011 - 11:50 am  -  11 comentários


Não, não estou sendo chulo. Isso nunca foi problema por aqui, como todo leitor meu sabe. A expressão “comer a bunda” no caso tem sentido alimentício, quiçá gastronômico.

Curiosamente a baixaria não veio do Jackass, nem da tão alardeada decadência da mídia americana, bla bla bla yankees go home, etc. NEM do Brasil com o seu movimento antropofágico. A imbecilidade é… Holandesa.

Dennis e Valerio, dois apresentadores de um programa chamado “Proefkonijnen” -que como todo mundo sabe é holandês para porquinho da índia- resolveram descobrir em 1a mão qual o sabor de… carne humana.

Ao invés de entrevistar aqueles psicopatas canibais europeus tão comuns, acharam mais simples se tornarem psicopatas canibais eles mesmos. Com auxílio de um cirurgião (ética nota 10) removeram pedaços de carne dos apresentadores. Um preferiu doar parte da barriga, outro preferiu doar a bunda, não que seja errado, cada um dá o que tem.

Um Chef fritou os pedaços em óleo de girassol e os pimpolhos comeram, diante das câmeras. Um comeu o outro, claro, comer a própria carne seria nojento e desnecessário.

Pense nisso quando reclamar da qualidade da TV brasileira, ou quando o Pânico ganhar manchetes por repetir essa “proeza” daqui a alguns meses.

[atualização] Conforme explica este artigo do eFarsas, a história é falsa, tudo não passou de uma encenação para uma campanha de conscientização de doação de órgãos. Sério, se essa foi a justificativa que inventaram pro fake é a mais idiota que já vi, associar doação com canibalismo é igual usar vampiros em campanhas de doação de sangue.


Louis C.K., Velha Mídia é a Mãe e a batalha contra a pirataria

12/12/2011 - 12:00 pm  -  28 comentários


Louis C.K. é um dos grandes nomes do stand up americano da atualidade. Em alguns medições ele atinge 450 miliCarlins. Como todo comediante do ramo ele vive de shows, DVDs e programas de TV. (Exceto o Rafinha Bastos, que agora é cantor, mas pensando bem eu disse “comediante”)

Ele (Louis C.K., não o Rafinha) tem enfrentado problemas pois a HBO não passa mais seus especiais –só prestigiam artistas da casa- e canais alterativos como Showtime e Cartoon network consideram a comédia de Louis muito controversa.

A saída foi a Internet, mas ele resolveu fazer diferente. Ao invés de se associar com um grande nome, uma grande distribuidora, ele preferiu fugir das restrições impostas por esses modelos e está distribuindo o novo show direto de seu site oficial.

Sem DRM, sem restrições, sem limite por regiões, ele diz com todas as letras: “Você pode baixar o arquivo, ver quantas vezes quiser, queimar um DVD, whatever”. A única coisa que ele pede é que você PAGUE POR ESSE DIREITO, são míseros US$5,00 por um show inteiro, gravado profissionalmente em um teatro, editado e produzido.

Clique para ler o resto do artigo »


Campanha do Einstein–viralzinho sangue bom!

01/12/2011 - 9:15 am  -  13 comentários


Algumas vezes as idéias mais óbvias são as mais geniais, é uma questão de implementação. 5 minutos estudando o problema da doação de sangue e percebe-se que ele só existe pelo produto ser escasso. Essa é a grande inconveniência. Inconveniência? Conveniência? Eureka, filme pronto.

Em retrospecto é um caminho super-lógico, mas perceber a boa idéia e não jogá-la fora por ser “óbvia” é a verdadeira genialidade. Daí essa campanha do Hospital Israelita Albert Einstein estimulando doação de sangue.

Em uma loja de conveniência instalaram uma geladeira com um monte de bolsas de sangue, filmando a reação dos clientes quando descobriam a esquisitice. Como a maioria das pessoas é normal, não pensariam como eu “que legal, TruBlood em refil!”.

O resultado é imediato, teve um sujeito que chegou a ligar pra alguém (mané, não conhece Twitter) para contar o quê estava vendo.

Nas bolsas, a mensagem:

“Se conseguir sangue fosse fácil assim a gente não precisaria pedir para você doar”

Assista e compartilhe, é uma excelente idéia, tanto o vídeo quanto a doação de sangue si.

PS: Se o mundo fosse justo haveria um lugar especial no Inferno pros babacas que deram polegar pra baixo no vídeo.


Chamemos de Cojones Marketing

06/06/2011 - 7:25 pm  -  43 comentários


É moda criar nomes pra tudo que é obviedade em termos de propaganda e marketing, isso serve para vender livros, comer calouras e impressionar clientes, não necessariamente nessa ordem de interesse.

Daí termos como ambush marketing, guerilla marketing, transmedia marketing e -meu favorito- realtime marketing.

A única coisa que esquecem é que o único marketing que funciona é o marketing BOM, e pra isso é preciso ter cojones.

As empresas querem ser amadas, conhecidas, desejadas mas não querem se diferenciar da concorrência, não querem se indispor com ninguém, seguem a tradição (principalmente no Brasil) de pagar de bonzinho a qualquer custo, fazendo tudo pra sair bem na fita.

Problema é que não fazer nada funciona muito bem para passar despercebido, não para se destacar da concorrência.

É impossível agradar todo mundo. É triste, eu sei, mas se você vende costeletas de porco não conseguirá a simpatia do público vegan ou muçulmano. Mesmo assim a maioria das empresas tentar ser a legalzona.

Daí temos gestos ridículos como a churrascaria Porcão cobrir o letreiro para não ofender uma comitiva de clientes árabes.

Felizmente há gente que não se interessa em manter esse discurso, são empresas que colocam seus consumidores em primeiro lugar, onde por seus consumidores entenda-se quem realmente frequenta, consome e é leal à marca e à empresa. É uma estratégia de nicho, mas que pode ser o GRANDE diferencial.

Um excelente exemplo, que dificilmente veríamos no Brasil aconteceu com no Alamo Drafthouse, uma pequena cadeia de cinemas no Texas. No caso, na filial de Austin. O cinema tem uma clientela fiel, disposta a pagar um preço diferenciado por boa comida, boa bebida e principalmente filmes em uma sala onde é terminantemente proibido telefonar, mandar SMS ou conversar.

Isso mesmo. São as regras, e antes que alguém reclame, lembre-se: Um celular mesmo silencioso se torna uma enorme fonte de luz balançando e aporrinhando a visão periférica dos outros.

Um belo dia uma guria foi ao cinema e ficou o tempo todo punhetando o celular mandando torpedos pras amigas, pro macho, pro diabo. Depois de alertada duas vezes, na 3a reincidência foi removida do recindo. Ra re ri ro RUA.

Indignada a MALA deixou uma mensagem irada no correio de voz do cinema.

Aqui seria respondida com um pedido de desculpas, afinal isso queima a imagem da empresa, bla bla bla.

Para os responsáveis pelo cinema, só queima a empresa para gente que ache razoável violar as regras do estabelecimento, falar e ficar aporrinhando no celular durante um filme. Exatamente o público que o cinema deles -e seu público fiel- não querem.

Que fazer então?

Um vídeo com a chamada da cliente mala, que termina agradecendo a ela por não voltar nunca mais.

Resultado? Subiu no YouTube hoje, já tem 1510 likes e menos de 30 dislikes. Custo de produção? Próximo de zero. Retorno? Mundial, a história está correndo os intertubos.

Claro, só é possível quando reconhece-se a hipocrisia da frase “o cliente tem sempre razão”.

 


O @programapanico e o falecido @mrmanson

25/04/2011 - 11:40 am  -  25 comentários


Hoje em dia o @mrmanson é um empresário tão respeitável que preza pela imagem e evita ser visto em eventos ao lado de gente como eu, mas nos velhos tempos ele foi dotado (epa!) da maior arma que um humorista pode ter: Imprevisibilidade.

Eu já vi, meninos eu vi o MrManson destruir a crença de um garoto ao afirmar que seu livro contando a famosa Viagem ao Piauí não havia passado de um delírio, que ele jamais havia estado no Estado. (viu, fessora Aprendi!)

Ele foi tão cara-de-pau que até eu por um segundo acreditei.

Essa imprevisibilidade eu não acho em lugar quase nenhum. Não existe no “humor” troll da Internet, não existe no StandUp. “O Trânsito do Feriado…” e não existe na televisão desde o tempo em que o Marcelo Tas perguntou se Maluf era ladrão. O único lugar onde acho isso, de vez em quando é no Pânico.

“Ah que absurdo, elogiando o Pânico, que merda! É um idiota mesmo”

Obrigado pela brilhante argumentação, mas deixe-me prosseguir:

Existem dois grandes diferenciais ali, escondidos debaixo do humor jackass e das imitações mal-feitas (Não que imitação bem-feita seja mérito por mais de 15 segundos). Primeiro são as referências, boa parte delas crias da mente distorcida do André, editor do programa, fã de Family Guy, piranha de cultura pop igual ao Seth McFarlane (e a mim) e que não tem problema nenhum de enfiar uma piada obscura que só ele e mais 2 espectadores acharão graça, desde que não comprometa o ritmo principal.

Ontem resolveram invadir o quarto de hospital onde convalescia o Bolinha, diretor argentino do programa, “odiado” por todos. Enquanto andam pelos corredores André taca a trilha Twisted Nerve, aquela música assoviada de Kill Bill. O programa é cheio dessas pequenas pérolas, mas o ritmo é MUITO rápido para quem está acostumado a humor de bancada, onde vendedores entregam a piada, ensinam como funciona e perguntam se quer que embrulhe.

O outro diferencial é a metalinguagem. O Pânico adora quebrar a quarta parede, lembrar que é um programa de TV, mesmo quando em teoria isso estraga a piada.

Contarei um segredo: Em TV tudo é armado, inclusive o improviso. NADA se faz em 5 minutos em TV. Por isso, a sacanagem de invadirem a casa do Bolinha, mostrar o quarto dele e estar cheio de camisa da Argentina, poster do Ricky Martin na parede, foto da Nany People na cabeceira da cama é fake.

A graça é que durante a “invasão” o Emílio Surita falava toda hora “Gente, vocês armaram, isso não é verdade…”

SIGNIFICA: Você está contando o segredo, “estragando” a piada e ainda assim ela funciona. Sendo realista (ou cruel, se você for Polyanna) boa parte do público não pega essa sutileza mas a parte que pega TAMBÉM continua gostando.

Motivo? Para nós a METApiada é mais importante, a ousadia de explicar a CONSTRUÇÃO da piada (e não seu entendimento, como faz o Kibeloco) supera a demolição da situação que já tínhamos como falsa.

É uma ousadia que se vê não em comédia de fórmula, mas em gênios como Andy Kaufman.

Neste ponto os histéricos do Twitter provavelmente sairão gritando “cardoooso comparou Pânico a Andy Kaufman, que absurddddo”. Sendo que enquanto eu vi todas as temporadas de Taxi eles só conhecem Kaufman por ter sido cool por alguns dias falar que assistiu Man On The Moon.

É por isso que o Pânico na TV está no ar desde 2003 e eles só conseguem xingar muito no Twitter.

 

 


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